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Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

20.10.23

Os anos 90 estiveram entre as melhores décadas no que toca à produção de filmes de interesse para crianças e jovens. Às sextas, recordamos aqui alguns dos mais marcantes.

Embora, em Portugal, seja tradição 'importada' – e recente – o Halloween tem, para países como os Estados Unidos, um significado especial, traduzido na iconografia própria (e, para muitos jovens americanos, altamente nostálgica), em rituais como o 'Doces ou Travessuras' (o famoso 'trick or treat') e a criação de disfarces ligados ao terror e, claro, na escolha de filmes próprios para a época, os quais se tendem a dividir em duas grandes categorias: as comédias familiares como 'Hocus Pocus' e 'A Família Addams' (muitas delas passadas, precisamente, na também chamada Noite das Bruxas) e os filmes de terror, de entre os quais se destaca a franquia que leva o mesmo nome da própria celebração, e que, em finais dos anos 70, revelou ao Mundo uma jovem chamada Jamie Lee Curtis.

Tal como sucedeu a todas as outras franquias de terror da mesma época, no entanto, os anos seguintes viram o seu vilão (o verdadeiramente sinistro Michael Myers, que perde apenas para o Leatherface de 'O Massacre da Serra Eléctrica' como assassino mais assustador do cinema de terror) ser muito 'mal tratado', numa série de sequelas de qualidade decrescente que contribuíram para retirar a Michael uma parte significativa da sua mística. Ainda assim, e ao contrário do que aconteceu com os contemporâneos Jason Voorhees e Freddie Krueger, viria a ser lançada a Michael uma 'corda de salvação', sob a forma de um novo capítulo, comemorativo dos vinte anos dos seus primeiros ataques, e com execução bastante mais cuidada em relação aos filmes anteriores da franquia.

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O DVD nacional do filme

Chamava-se 'Halloween H20: O Regresso', estreou nos cinemas norte-americanos há quase exactos vinte e cinco anos (mesmo a tempo do Halloween) e, apesar de apenas ter chegado ao nosso País em Março (!!!) do ano seguinte, constitui a Sessão de Sexta perfeita para a altura do ano que se aproxima - como, aliás, já demos a entender quando o incluímos, juntamente com alguns dos filmes acima referidos, na nossa Sessão de Sexta Especial de Halloween, há quase exactos dois anos; aproveitamos, agora, nova aproximação da referida data para lhe dedicarmos algumas linhas mais alargadas e específicas, por alturas de um 'aniversário' marcante para qualquer obra mediática.

Como o próprio título dá a entender, 'H20' (não confundir com H2O) tem lugar vinte anos após o original, ou seja, no ano de 1998. Laurie Strode (Jamie Lee Curtis), irmã do assassino mascarado e única vítima a ter sobrevivido a repetidos ataques por parte do mesmo, descobre que não consegue escapar ao seu passado quando o irmão a descobre na pequena cidade californiana onde reside sob um nome falso, e prontamente enceta nova tentativa de acabar com a sua vida de uma vez por todas. Na 'linha de mira' do assassino estão também o filho adolescente de Strode, John (interpretado pelo jovem galã da altura, Josh Hartnett) que organiza com os amigos uma festa de Halloween particular longe dos adultos e de outros jovens, tornando-se assim alvos fáceis para Myers, e Will Brennan, companheiro de Laurie que, juntamente com a mesma e com um segurança da escola, tenta proteger os jovens do tresloucado assassino, para quem os mesmos seriam, de outra forma, alvos fáceis.

Uma receita sem muito de inovador, e que recorre mesmo a alguns (senão a todos) os clichés dos chamados 'slasher movies', mas cujo segredo reside em saber precisamente o que o público de filmes como 'Sei O Que Fizeste No Verão Passado' espera e pretende de uma obra deste tipo, e oferecer, precisamente, isso, sem o tipo de tentativas de inovação ou experimentação que haviam morto, aos poucos, as franquias concorrentes 'Pesadelo em Elm Street' e 'Sexta-Feira 13'. Ao contrário de muitos dos filmes de ambas, 'Halloween H20: O Regresso' é, só e apenas, o que apregoa ser: uma revisão e actualização do conceito do original de John Carpenter, já longe da qualidade do mesmo, mas ainda assim criado com assumido respeito e apreço pelas bases por ele estabelecidas. Assim, e embora não suplante (e ainda menos substitua) o mesmo, este primeiro reviver de uma franquia ainda hoje vive merece bem o investimento de menos de hora e meia por parte dos entusiastas do terror 'pop', seja como parte de uma 'maratona' mais alargada de todos os títulos da série, seja por si mesmo, como 'refeição rápida' para saciar a vontade de apanhar uns 'sustos' frente ao ecrã na noite de Sexta-feira de Halloween.

04.10.22

Porque nem só de séries se fazia o quotidiano televisivo das crianças portuguesas nos anos 90, em terças alternadas, este blog dá destaque a alguns dos outros programas que fizeram história durante aquela década.

Em plena era dos canais por cabo e do 'streaming', pode ser fácil esquecer que, até há bem pouco tempo, a escolha dos telespectadores portugueses se encontrava limitada a um dos dois canais estatais; de facto, celebram-se esta semana (mais precisamente na próxima Quinta-feira, dia 6 de Outubro) apenas trinta anos sobre o aparecimento da primeira alternativa às duas RTPs, e primeiro canal de televisão privado a transmitir em Portugal – a SIC.

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Idealizada desde 1986, mas inaugurada apenas seis anos depois, a Sociedade Independente de Comunicação surgia como fruto de uma 'joint venture' que juntava diversas das maiores empresas portuguesas do sector da comunicação a diversas entidades financeiras, instituições como a Universidade Nova de Lisboa, e ainda a Rede Globo, principal rede televisiva do Brasil, e produtora por excelência de telenovelas, muitas das quais a SIC viria a exibir. Para director geral e de programação foi, aliás, escolhido outro brasileiro, Emídio Rangel – um nome a que nenhum espectador português da época será, certamente, indiferente, dado passar por ele grande parte do sucesso dos primeiros anos da emissora.

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Emídio Rangel, a mente por detrás do sucesso dos primeiros anos da SIC

De facto, ao contrário da 'irmã mais nova' TVI (cujos primeiros anos seriam algo titubeantes e dependentes do acervo de programação disponível) a SIC apresentou-se, desde o seu arranque, como um canal de personalidade já bem vincada e definida, assumindo desde logo um maior foco no entretenimento - e, neste campo, Ediberto brilhava, não só importando a 'nata' da programação do seu país natal, mas também idealizando ele próprio conceitos que se viriam a revelar sucessos de audiências, e a tornar-se quase sinónimos com o canal, como o 'Big Show Sic', o 'Buereré', o 'Ponto de Encontro', o 'Chuva de Estrelas', 'O Juiz Decide', 'Perdoa-me' ou 'Fátima Lopes', entre muitos outros programas históricos do canal.

Esta capacidade do brasileiro em discernir o que o público queria ver e o tornar realidade foi, aliás, um dos principais factores por detrás da primeira década quase 'perfeita' de que o canal de Carnaxide gozou, tornando-se líder de audiências apenas três anos após a sua primeira transmissão, e adicionando um sem-número de programas ao 'léxico' televisivo dos portugueses; foram, também, de Rangel as ideias para a cerimónia dos Globos de Ouro (uma espécie de 'Oscars' do canal, ainda hoje vigentes) e para os canais de 'expansão' para a rede TV Cabo que a emissora viria a lançar já no novo milénio, como a SIC Gold, SIC Notícias e, claro, a inesquecível SIC Radical – todos eles, também, ainda hoje presentes na grelha do cabo.

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A primeira gala dos Globos de Ouro, transmitida em 1996

Apesar do seu papel preponderante no sucesso inicial da emissora, no entanto, a saída de Rangel para a RTP não abrandou o crescimento da SIC, antes pelo contrário - Manuel Fonseca, Francisco Penim, Nuno Santos e os restantes directores de programação não só conseguiram manter o nível de sucesso conseguido pelo director inaugural da estação, como o expandiram, sem por isso comprometer a identidade da estação; aliás, a SIC de hoje em dia é, ainda, reconhecivelmente a mesma emissora que projectou a sua canção de abertura às primeiras horas da manhã de 6 de Outubro de 1992 – um feito admirável, que a 'rival' TVI não almejou replicar, e que torna ainda mais justa esta homenagem à estação de Carnaxide, na semana do seu 30º aniversário. Parabéns, SIC – e que contes mais 30!

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