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Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

06.03.26

Os anos 90 estiveram entre as melhores décadas no que toca à produção de filmes de interesse para crianças e jovens. Às sextas, recordamos aqui alguns dos mais marcantes.

Os meados da decada de 90 marcaram o auge da carreira de Robin Williams enquanto actor cómico em filmes de família (depois de, na década anterior, se ter afirmado em papéis mais sérios) com uma sequência de êxitos tanto de bilheteira como de crítica, fossem eles animados (como 'Ferngully - As Aventuras de Zak e Chrysta na Floresta Tropical' ou 'Aladdin') ou de acção real (como 'Hook', 'Papá Para Sempre' ou 'Flubber - O Professor Distraído'). Assim, a associação de Williams a um novo filme passou, via de regra, a ser suficiente para despertar o interesse do público jovem, com a vantagem de, normalmente, os sobreditos filmes terem mesmo inegável qualidade, como demonstram os exemplos acima. Não é, pois, de surpreender que a colaboração do actor com o realizador Joe Johnston, embora menos bem recebido pela imprensa especializada, fez sucesso entre o público-alvo, que o elevou, ao longo dos trinta anos subsequentes, ao estatuto de filme de culto, motivando o inevitável 'remake', já na década de 2010.

Falamos de 'Jumanji', um dos melhores exemplos do género do 'realismo mágico' tão popular à época, e que, além de Williams, conta no elenco com David Alan Grier, Bebe Neuwirth e Bonnie Hunt, além de uma jovencíssima Kirsten Dunst, ainda longe do sucesso que almejaria a partir de finais dessa mesma década. É ela, aliás, a catalista de grande parte da trama, como a mais velha de duas crianças, irmãs, que descobrem no sótão da sua nova casa um jogo de tabuleiro mágico, que, quando jogado, traz à vida seres reais – animais e humanos – presos dentro do mesmo por um feitiço. Williams interpreta, precisamente, um destes prisioneiros, um parente das crianças 'engolido' pelo jogo quando tinha a idade das mesmas, em finais dos anos 60, e 'trazido de volta' pelos irmãos, um quarto de século depois. Uma premissa que, apesar de parca em desenvolvimentos – não obstante ser adaptada de uma obra literária – proporciona uma experiência verdadeiramente mágica para o público-alvo (ainda que, por vezes, tecnicamente questionável, como no caso dos macacos expelidos pelo jogo titular) Assim, e conforme já mencionámos, a afeição de uma determinada demografia a este título é tudo menos surpreendente, continuando o mesmo a constituir uma excelente escolha para uma Sessão de Sexta em família.

Foi, também, como resultado deste sucesso que 'Jumanji' se transformou, já no Novo Milénio, de filme único em franquia, recebendo não só uma sequela directa ('Zathura', de 2005) como também um 'reboot' modernizado – o termo Jumanji refere-se, agora, a um jogo de vídeo – que rendeu dois filmes divertidíssimos, encabeçados por Dwayne 'The Rock' Johnson, Jack Black e Karen Gillan; para muitos 'millennials', no entanto, continua a ser o original – que celebrou há poucos dias o trigésimo aniversário da sua estreia nas salas de cinema nacionais, a 01 de Março de 1996 – o favorito de entre os quatro. Independentemente de qualquer preferência individual, no entanto, não há dúvida de que 'Jumanji' justifica plenamente toda a atenção positiva que ainda hoje vai recebendo, mesmo num Mundo (cinematográfico e real) totalmente diferente daquele em que originalmente foi lançado – uma das marcas de um filme verdadeiramente intemporal, adjectivo que encaixa bem na película de Joe Johnston.

05.03.26

Trazer milhões de ‘quinquilharias’ nos bolsos, no estojo ou na pasta faz parte da experiência de ser criança. Às quintas, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos brindes e ‘porcarias’ preferidos da juventude daquela época.

Qualquer português nascido ou crescido durante os anos 90 e 2000 reconhece essa era como sendo o período áureo para brindes oferecidos por produtos alimentares; das batatas fritas da Matutano aos cereais da Kellogg's e Nestlé, passando pelos ovos Kinder, pelos produtos da Panrico e até por fontes menos tradicionais (como iogurtes ou bolachas) eram inúmeras as marcas a procurar 'comprar' a atenção do público jovem através de ofertas mais ou menos extravagantes, que iam de simples cromos a figuras ou até brindes menos ortodoxos, como adereços, reflectores de bicicleta ou mesmo jogos de computador ou livros de banda desenhada. E se nem todas estas promoções atingiam o estatuto icónico gozado pelas mais memoráveis da época, algumas não se poupavam a esforços para pelo menos almejarem os seus 'quinze minutos de fama', sendo um dos melhores exemplos a colecção de que falamos neste 'post', veiculada há quase exactos trinta anos (algures em 1996) por um produto e companhia pouco usuais – o chocolate Twix, da Mars – mas que chegou a 'conquistar' os jovens portugueses aquando do seu lançamento, graças a um conceito e execução cuidados e apurados

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Tratava-se de 'Spacix', nome de uma colecção de cartas tematizadas em torno de extraterrestres inspirados em motivos musicais (e com 'designs' meio 'animados' e bem interessantes), e que oferecia dois grandes pontos de interesse para as crianças e jovens da época: por um lado, o efeito lenticular, que fazia com que as imagens 'mexessem' quando a carta era manuseada de uma certa forma, e, por outro, um típico jogo de 'valores', ao estilo do das populares Super Cartas da Majora ou das posteriores colecções 'Bollykaos' e 'Dragonflash'.

A série reunia, assim, em apenas um produto três dos principais 'chamarizes' para a então jovem geração 'millennial' – um efeito visual 'fixe' (numa era em que tais 'truques' ainda não haviam sido 'abafados' pela revolução digital), a vertente coleccionista e o sempre importante aspecto competitivo, que manteve os 'putos' da época a disputar 'duelos' de 'Spacix' durante os meses posteriores ao seu lançamento. E apesar de, hoje, ser apenas mais uma colecção esquecida pela memória colectiva nostálgica nacional, a verdade é que esta série é intemporal o suficiente para poder ser relançada hoje em dia e cativar os actuais 'miúdos' das gerações Z e Alfa como, há quase exactas três décadas, fez com os seus pais e educadores, merecendo por isso ser mais lembrada pelo seu (hoje adulto) público-alvo.

04.03.26

Em quartas-feiras alternadas, falamos sobre tudo aquilo que não cabe em nenhum outro dia ou categoria do blog.

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Há exactos vinte e cinco anos à data de publicação deste 'post' (apenas um par de horas mais cedo) uma travessia 'de rotina' de uma ponte que ligava os distritos de Aveiro e Porto transformar-se-ia numa das maiores tragédias da História do Portugal moderno - desde então equiparada apenas pelos fogos em Pedrógão Grande e pela recente tempestade que devastou várias zonas do País – levando à demissão de um ministro, a vários meses de operações de recuperação de corpos, muitos levados pelas correntes do rio a pontos tão distantes quanto a costa da Galiza, e à construção de toda uma nova infra-estrutura no local em causa.

Falamos, claro, da tragédia de Entre-Os-Rios, que viu parte da ponte Hintze Ribeiro – enfraquecida pelas fortes chuvas que se haviam feito sentir naquele início do mês de Março – dar de si, causando a queda de um autocarro e três veículos de passageiros no Rio Douro, e vitimando quase seis dezenas de pessoas. Para piorar a situação, o acidente dava-se por volta das nove e um quarto da noite – já muito depois do pôr-do-sol – dificultando consideravelmente a missão dos Bombeiros que imediatamente haviam acorrido ao local; as fortes correntes do rio, também elas derivadas das chuvas, tão-pouco eram conducentes a operações de resgate, tendo muitos dos cadáveres sido levados em 'enxurrada' até ao Oceano Atlântico, vindo a dar à costa no litoral português e no Norte de Espanha, entre a data do acidente e meados do mês de Maio. No total, apenas foram recuperados pouco mais de metade dos corpos, tendo os restantes ficado para sempre sepultados nas águas do Douro.

Como é evidente, os efeitos sócio-políticos de uma tragédia de tal magnitude não tardaram a fazer-se sentir: logo no dia seguinte (5 de Março) o então Ministro do Interior, Jorge Coelho, demitia-se, e pouco depois o Primeiro-Ministro, António Guterres, visitava o local do desastre, já depois de ter decretado dois dias de luto nacional. Talvez mais significativamente, iniciava-se ali o planeamento de uma nova infra-estrutura para substituir a centenária e delapidada ponte, a qual viria a ser inaugurada pouco mais de um ano depois, e baptizada com o mesmo nome da antecessora. Um monumento junto à nova ponte assegurava que as vítimas da tragédia não eram esquecidas, e era criada uma Associação dos Familiares das Vítimas da Tragédia, desde então encarregue de cerimónias anuais de homenagem às mesmas.

Quanto ao desastre em si (curiosamente, o segundo na zona do Douro num período de pouco mais de um ano) o mesmo continua bem presente na memória dos portugueses com mais de uma certa idade, como um dos acontecimentos nacionais mais marcantes de uma época relativamente calma e pacata, bem como da História portuguesa recente, não podendo portanto deixar de ser recordado no dia em que se completa um exacto quarto de século sobre aquela fatídica noite de 4 de Março de 2001.

03.03.26

A década de 90 viu surgirem e popularizarem-se algumas das mais mirabolantes inovações tecnológicas da segunda metade do século XX, muitas das quais foram aplicadas a jogos e brinquedos. Às terças, o Portugal Anos 90 recorda algumas das mais memoráveis a aterrar em terras lusitanas.

No tocante a títulos icónicos para a PlayStation original, 'Final Fantasy VII' surge nos lugares cimeiros da lista de muitos 'gamers' de finais dos anos 90 e inícios do seguinte, ao lado de jogos como 'Metal Gear Solid' ou 'Gran Turismo'. E esse estatuto é justificado, já que o jogo em causa se afirmou revolucionário para a época em que saiu, tanto a nível gráfico como de história e até jogabilidade, tendo sido um dos grandes responsáveis por introduzir toda uma geração ao género conhecido como 'JRPG', ou 'Japanese role-playing game'. Não é, pois, de surpreender que, face ao estrondoso sucesso conseguido por esse título, a Sony e a Square Enix rapidamente iniciassem o processo de desenvolvimento de uma sequela; o que seria talvez menos de esperar era que o referido jogo fizesse um esforço declarado para se demarcar do seu antecessor, e acabasse a disputar com este o título de melhor episódio de 'Final Fantasy' até então.

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Falamos, claro, de 'Final Fantasy VIII', sobre cujo lançamento europeu para a consola da Sony acabaram de se celebrar há cerca de duas semanas os exactos vinte e seis anos, e que, numa decisão surpreendente e corajosa, abandonava o estilo tipicamente 'anime' do seu antecessor em favor de gráficos foto-realistas, mais próximos de 'Shenmue' do que dos olhos grandes e penteados 'em bico' do sétimo episódio. Também curiosamente, essa demarcação acabava por ser, sobretudo, cosmética, já que a história de 'VIII' tem bastas semelhanças com a de 'VII', apresentando mais um personagem principal integrante de um grupo de mercenários e que acaba por se envolver num romance com um membro da sua equipa; a diferença estava, sobretudo, no tom da trama, bem mais adulto e sombrio do que no jogo de Cloud e Tifa, e que motivou, à época, muitas 'piadolas' sobre o protagonista, Squall, ser gótico (ou, como se viria anos mais tarde a chamar, 'emo' ), uma impressão que o trabalho de dobragem não ajudava, de todo, a dissipar, antes pelo contrário.

Detalhes à parte, no entanto, é inegável que 'Final Fantasy VIII' foi um 'tremor de terra' de apenas ligeiramente menor impacto que o seu antecessor no tocante à indústria interactiva da altura, agregando, como aquele, o consenso de crítica e público, e tornando-se um sucesso quase instantâneo de vendas; e se, a longo prazo, Cloud e companhia acabariam por reter maior expressividade no seio da cultura popular, Squall e Rinoa mantêm ainda assim um lugar no 'pódio' de personagens, que partilham ainda com o elenco de 'Final Fantasy X', primeiro capítulo lançado directamente para PlayStation 2 e talvez o único outro título da série a gozar do estatuto de culto dos dois primeiros jogos para 32-bits.

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Tal situação acaba, aliás, por prejudicar o capítulo 'entalado' entre estes três 'colossos', o qual, apesar de também bastante considerado entre os fãs de 'JRPG', esteve longe de almejar o estatuto disruptor dos seus dois congéneres. Também acabado de celebrar um quarto de século no mercado europeu (a versão para PSX sairia quase exactamente um ano após o lançamento de 'VIII', em Fevereiro de 2001), 'Final Fantasy IX' regressa ao estilo mais 'animado' de 'VII', e destaca-se por apresentar um protagonista de moral mais dúbia que os seus antecessores – um soldado mercenário que, nos primeiros momentos do jogo, acaba de raptar a princesa do reino vizinho, com o qual a sua nação se encontra em guerra. Em conjunto com o mundo mais medieval, este detalhe ajudava o novo título a demarcar-se dos antecessores, que se passavam em ambientes mais futuristas, e a estabelecer ligação com os primeiros títulos da franquia, lançados ainda na era dos '8-bit'.

Infelizmente, e como já referimos, o nono capítulo da saga ficaria longe do estatuto icónico tanto dos dois antecessores quanto do título seguinte – o que, claro, não invalida que tenha sido um sucesso, e alvo de 'remasterização' para as consolas de nova geração, em conjunto com os outros títulos mencionados. Quanto à saga 'Final Fantasy' em si, a mesma seguiria 'de vento em popa', continuando até aos dias de hoje; no entanto, poucos dos subsequentes jogos da série lograriam o mesmo sucesso dos lançados na 'viragem de Milénio', os quais continuam, ainda hoje, a ser vistos como alguns dos melhores RPG (senão mesmo alguns dos melhores jogos) de sempre, merecendo plenamente esta homenagem (ainda que um pouco atrasada) no final do mês em que se assinalou o lançamento de ambos no mercado europeu.

02.03.26

Em Segundas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das séries mais marcantes para os miúdos daquela década, sejam animadas ou de acção real.

De todos os elementos imediatamente identificadores e enraizados na cultura popular portuguesa, o fado é um dos mais icónicos e clássicos. O estilo de música minimalista e lamentativo, concebido para realçar o virtuosismo da voz e dos instrumentos de cordas que perfazem o acompanhamento, continua a motivar todo o tipo de produtos mediáticos, além de ter dado ao País uma das maiores figuras da sua História – a eterna e imortal Amália Rodrigues – além de nomes mais recentes como Mariza e Carminho. Não é, pois, de admirar que, há quase exactos trinta e seis anos - nos primeiros meses da última década do século XX - a RTP tenha tido a ideia de utilizar o estilo de música mais português de todos como temática central para uma mini-série, que pretendia observar a cultura do fado, e o lugar da mesma na sociedade então contemporânea, de uma perspectiva crítica e satírica.

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Nascia assim 'Um Solar Alfacinha', que, ao longo de seis episódios, exibidos entre 11 de Fevereiro e 17 de Março de 1990, seguia as 'aventuras' de uma família pouco ortodoxa, constituída por um Barão (interpretado pelo co-autor e assinante da banda sonora, Pedro Pinheiro), pela mulher, uma fadista oriunda da classe operária interpretada por Deolinda Cardoso, e pelo filho, um jovencíssimo João Baião, ainda a anos de se tornar sinónimo com uma das futuras 'concorrentes' da RTP pelo tempo de antena nacional, e que, aqui, surge num registo diametralmente oposto ao do 'popularucho' programa que o notabilizou, chegando mesmo a cantar o fado, tal como faria no posterior 'Grande Noite', poucos anos depois.

É, aliás, o seu personagem – de nome Quincas Barão – o catalista da trama da série, já que é ele quem motiva a mãe a organizar um 'despique' de fados entre as duas pretendentes do jovem, uma representante do fado tradicional e outra do estilo 'fidalgo'. Paralelamente decorrem, claro, outras peripécias, mas é este o 'cerne' da trama da mini-série transmitida pela RTP2 aos fins de semana durante aquele mês e meio, mesmo no início da década de 90.

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O trio central de personagens da série.

Série que, aliás, talvez merecesse ser mais lembrada pela cultura popular portuguesa, dado centrar-se naquele que é, desde sempre, um dos seus elementos centrais; no entanto, a acentuada perda, nas últimas décadas, da cultura e 'cena' do fado (sobretudo em Lisboa) talvez tenha contribuído para o desinteresse a que a referida criação foi vetada por quem talvez até a tenha visto na altura da transmissão. Cabe, pois, a 'blogs' como o nosso documentar a existência de séries tão tipicamente portuguesas (e, neste caso, explicitamente 'alfacinhas') como esta, para que o que resta da identidade lusitana não se perca na presente 'onda' do turismo...

01.03.26

Aos Domingos, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos principais acontecimentos desportivos da década.

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Calado ao serviço da Selecção Nacional.

De entre os muitos nomes icónicos dos campeonatos nacionais de futebol. José António Calado é um dos mais icónicos, ainda que nem sempre pelas melhores razões. De facto, o antigo médio, hoje comentador desportivo num dos canais da televisão nacional, chegou a ser tão conhecido entre os adeptos nacionais (incluindo os do seu próprio clube) pelas suas proezas futebolísticas como pelo estatuto 'memético', décadas antes de esse termo existir. Isto porque, ali por meados dos anos 90, corria o rumor de que Calado estaria romanticamente envolvido com um dos membros da 'boy band' nacional Excesso, levando a que o internacional português ficasse, durante um largo período de tempo, intimamente associado à música 'Coração de Melão', grande êxito do disco a solo do referido cantor...

'Piadolas' à parte, no entanto, é inegável que Calado foi um dos muitos bons jogadores de que o Benfica dispõs no seu plantel na segunda metade dos anos 90, bem como nome habitual na lista de internacionais AA de 'segunda linha' durante o mesmo período. O que esses feitos – e a posterior carreira internacional – poderão fazer esquecer, no entanto, é que os inícios de carreira do médio foram bastante mais modestos, tendo passado por dois clubes históricos dos arredores de Lisboa.

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De penteado 'a rigor', ao serviço do Amadora.

De facto, após uma formação irmamente dividida entre Belenenses e Casa Pia, seria ao serviço deste último emblema (então ainda longe do estatuto de que actualmente goza) que Calado faria a sua estreia oficial, com apenas dezasseis anos, na época 1991/92. O seu espaço no plantel dos 'Gansos' dessa temporada seria, no entanto, praticamente inexistente, motivando uma mudança para alguns quilómetros mais à frente no Eixo Norte-Sul, para representar o Estrela da Amadora, surpreendente 'viveiro' de talentos futebolísticos ao longo das décadas. E a verdade é que essa decisão rapidamente se revelou acertada, já que seria na Reboleira que a carreira de Calado verdadeiramente 'engrenaria' – após um início tímido, com apenas sete presenças na temporada 1992/93, o médio agarraria um lugar no meio-campo tricolor, participando em mais de duas dezenas de partidas ao longo das duas épocas seguintes. Uma marca que, sem indicar um titular habitual, seria ainda assim suficiente para (em conjunto com exibições de consistente qualidade) despertar a atenção de um 'grande', e permitir a Calado dar o salto para o clube que o notabilizaria no seio do futebol português noventista.

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Com a camisola que o notabilizou.

No total, foram seis as épocas passadas pelo número 8 no Estádio da Luz, sempre com estatuto de opção regular (nunca realizou menos de vinte jogos numa só época, chegando mesmo a contabilizar trinta e sete na primeira época de Graeme Souness à frente do Benfica) e com exibições que, sem deslumbrar, se pautavam pela regularidade pedida a um 'número oito' de uma grande equipa de futebol. Não é, pois, de admirar que Calado tenha ganho o estatuto de 'favorito' entre os adeptos benfiquistas, nem que os dos restantes clubes lhe dedicassem sátiras como a mencionada no início deste texto.

Tão-pouco é surpreendente que, já como titular indiscutível do seu clube e com várias internacionalizações no currículo (tendo feito inclusivamente parte da equipa Olímpica de Portugal na prova de 1996) Calado viesse a dar o segundo 'salto' desejável na carreira de qualquer futebolista, mudando-se, aos vinte e sete anos, para Espanha, para representar o Bétis. Infelizmente, como muitas vezes sucede a futebolistas nestas situações, a mudança não correu de feição ao médio, que foi pouco utilizado pelo clube de Sevilha e se viu, eventualmente, emprestado ao Poli Deportivo Ejido, das divisões secundárias – transferência que se viria a tornar permanente no fim da época 2003/2004. O passo seguinte, após três épocas como indiscutível do clube espanhol, foi igualmente previsível – a mudança para Chipre, para desfrutar da 'reforma dourada' ao serviço de APOP e Paphos, clube onde viria a pendurar as botas, aos trinta e seis anos de idade.

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Durante os anos em Espanha

Finda a carreira, Calado não optou pela via técnica seguida por tantos dos seus colegas, tornando-se, em vez disso, comentador de televisão, qualidade na qual ainda hoje surge nos televisores nacionais. Uma ocupação digna para o pós-carreira de um rapaz que foi da Segunda Circular a Espanha e Chipre, sem nunca deslumbrar, mas apresentando sempre uma consistência invejável, que o ajudou a tornar-se num dos bons médios dos campeonatos nacionais de finais do século XX, plenamente merecedor desta homenagem que lhe dedicamos por ocasião do seu quinquagésimo-segundo aniversário. Parabéns, Calado, e que conte ainda muitos.

01.03.26

NOTA: Este 'post' é respeitante a Sexta-feira, 27 e Sábado, 28 de Fevereiro de 2026.

Um dos aspectos mais marcantes dos anos 90 foi o seu inconfundível sentido estético e de moda. Em sextas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das marcas e modas mais memoráveis entre os jovens da ‘nossa’ década.

As saídas de fim-de-semana eram um dos aspetos mais excitantes da vida de uma criança nos anos 90, que via aparecerem com alguma regularidade novos e excitantes locais para visitar. Em Sábados alternados (e, ocasionalmente, consecutivos), o Portugal Anos 90 recorda alguns dos melhores e mais marcantes de entre esses locais e momentos.

Numa era em que o 'fast fashion' e as cadeias de centro comercial se confundem com o próprio mercado da moda e vestuário em geral, pode parecer difícil acreditar (ou recordar) que, há meras três décadas, o conceito de roupas de qualidade mediana, vendidas a preços acessíveis e numa perspectiva mais 'descartável' e de menor durabilidade era conceito inaudito em Portugal. No entanto, se considerarmos a tradição têxtil e comercial do País, tal facto revela-se tudo menos surpreendente, já que, em finais do século XX, os comerciantes de vestuário lusitanos apostavam ainda na comprovada qualidade dos seus artigos como principal diferencial de vendas, indo ao encontro do que os próprios clientes da época procuravam e valorizavam no tocante a peças de roupa. No início daquela última década do século XX, no entanto, entraria no mercado português uma das primeiras cadeias a começar a mudar este paradigma, e que, contra todas as expectativas e tendências, continua até hoje a marcar presença em território nacional, três décadas e meia após a abertura da primeira loja e largos anos depois do desaparecimento de muitas das suas contemporâneas.

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Falamos da holandesa C&A (iniciais dos dois irmãos fundadores, Clement e August) a qual, em 1991, se aventurava pela primeira vez no mercado luso, já depois de se ter estabelecido um pouco por toda a Europa, e ao mesmo tempo que expandia o negócio para diversas outras partes do Mundo. A primeira loja em Portugal surgiria no icónico (embora entretanto algo 'esquecido') CascaiShopping - à época uma 'porta de entrada' no mercado português para diversas multinacionais, e que veria também surgir, poucos anos depois, o primeiro McDonald's em território nacional – base a partir da qual a marca expandiria horizontes, chegando a ter quase três dezenas de lojas um pouco por todo o País, tal como sucedia em outras partes da Europa e do Mundo.Cascais-10.jpegVisual actual da primeira loja da cadeia em Portugal, no CascaiShopping.

Tal como aconteceria nesses ercados, no entanto, também a C&A portuguesa sofreria uma contracção, embora não tão séria ou impactante quanto no país vizinho, por exemplo; apesar dessa forçada redução no número de lojas, no entanto (derivada de mudanças ao nível do mercado de vestuário, entre outras condicionantes) a cadeia logrou manter a presença no sector, contando hoje ainda com mais de duas dezenas e meia de lojas, incluindo várias em grandes superfícies de monta, como o 'shopping' Vasco da Gama, em Lisboa. Por quanto mais tempo durará esta 'missão de sobrevivência', apenas o tempo dirá; nos entrementes, no entanto, é legítimo celebrar a marca de três décadas e meia de actividade de uma loja que, sem nunca constar entre as grandes aglutinadoras de público, foi ainda assim pioneira do vestuário mais 'em conta' em território nacional, e logrou manter-se 'à tona' por entre os diversos tumultos do sector, e estabelecer-se definitivamente num mercado, à época, pouco convidativo para o produto que oferecia.

28.02.26

NOTA: Este 'post' é respeitante a Quinta-feira, 26 de Fevereiro de 2026.

Todas as crianças gostam de comer (desde que não seja peixe nem vegetais), e os anos 90 foram uma das melhores épocas para se crescer no que toca a comidas apelativas para crianças e jovens. Em quintas-feiras alternadas, recordamos aqui alguns dos mais memoráveis ‘snacks’ daquela época.

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Hoje em dia, os refrigerantes TriNa contam-se entre os mais populares em Portugal, a par dos 'eternos' Sumol, Frisumo, Compal, Fanta ou Coca-Cola, sendo a sua marca tão reconhecível quanto qualquer das supracitadas; quem é mais velho, no entanto, saberá que esta não era a designação oficial da bebida em causa, e recordará mesmo (ainda que vagamente) o momento em que se efectuou a transição.

Efectivamente, quem tem idade suficiente para ainda ter vivido parte dos anos 80 lembrar-se-à que, à época, o refrigerante de laranja sem gás (eterna opção ligeiramente mais saudável às gasosas e afins) levava a designação de TriNaranjus, nome com que fora 'importada' do mercado do país vizinho, de onde era oriunda, em inícios da década anterior, e sob a qual seria comercializada durante exactos vinte anos, até à aquisição da fabricante pela multi-nacional Schweppes, nos primeiros meses dos 'anos 90'.

Seria apenas a partir dessa altura que a designação passaria a ser simplesmente TriNa, um nome mais curto e memorável e que se encontra vigente até aos dias de hoje, mais de três décadas e meia após uma mudança aparentemente desnecessária, mas que acabou por se revelar mais do que acertada do ponto de vista comercial. Para quem recorda a designação anterior, no entanto, 'não há hipótese' – aquela bebida da infância será, provavelmente, para sempre conhecida como Trinaranjus...

27.02.26

NOTA: Este 'post' é respeitante a Quarta-feira, 25 de Fevereiro de 2026.

NOTA: Por motivos de relevância temporal, esta Quarta será aos Quadradinhos, e a próxima de Quase Tudo.

A banda desenhada fez, desde sempre, parte da vida das crianças e jovens portugueses. Às quartas, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos títulos e séries mais marcantes lançados em território nacional.

Apesar de ter alguama tradição em Portugal, a banda desenhada criada em território nacional tende a focar-se, sobretudo, no aspecto mais histórico ou, alternativamente, em tiras de humor publicadas em suplementos de jornais, não sendo de todo habitual ver surgir no País uma série que não só remete às produções franco-belgas de décadas anteriores, mas logra emular a sua qualidade. E, no entanto, foi precisamente isso que Luís Louro e Tozé Simões lograram fazer com 'Jim Del Monaco', uma colecção que abrangeu três décadas e apresentou ao Mundo bedéfilo o titular 'Indiana Jones à Portuguesa'.

Inicialmente criada há cerca de quarenta anos, a colecção em causa permaneceria em publicação constante até inícios da década seguinte, sempre pelas Edições Asa, com uma primeira série entre 1985 e 1989 (composta por quatro títulos) e uma segunda, mais extensa, entre 1991 e 1993 (com dois álbuns por ano e três em 1992, num total de sete volumes). Apesar desta prolífica produção, no entanto, o nível geral das histórias e aventuras de Jim nunca chegou a decair, apresentando a mesma qualidade ao longo de ambas as séries e tornando a colecção num triunfo para o panorama bedéfilo português, que ajudava também a lançar a carreira dos seus dois autores, e sobretudo de Louro, que gozaria de enorme sucesso como criador 'a solo'.

Não é, pois, de admirar que, mais de duas décadas após o hiato subsequente a 'Baja Áfrika', de 1993, Jim tenha regressado com mais duas aventuras, publicadas em 2015 e 2017, naquele que era o verdadeiro 'último suspiro' do grande aventureiro dos 'quadradinhos' nacionais. O seu legado, no entanto, continua bem presente e vigente na mais de uma dúzia de volumes que continuam a marcar presença assídua nas prateleiras das livrarias nacionais, tornando oportuna e merecida esta pequena homenagem ao herói e aos seus autores, no ano em que se assinalam os quarenta anos da sua primeira aventura, e os trinta e cinco do início da segunda série de álbuns da colecção.

24.02.26

Porque nem só de séries se fazia o quotidiano televisivo das crianças portuguesas nos anos 90, em terças alternadas, este blog dá destaque a alguns dos outros programas que fizeram história durante aquela década.

O início dos anos 2000, e respectiva chegada da geração 'millennial' ao fim da adolescência, representou o primeiro momento em que, na História do Portugal pós-ditatorial, toda uma demografia teve acesso facilitado ao ensino superior, dependendo apenas de si mesma para, por mérito académico, assegurar um dos lugares de entrada no seu curso de eleição. De facto, apenas em inícios da década anterior, era ainda muito difícil à maioria da população atingir, ou mesmo almejar atingir, este nível de educação, resultando numa tapeçaria profissional menos qualificada e, por consequência, pior paga. Era, por isso, totalmente de louvar a iniciativa da RTP, que, inspirada por programas já existentes em outros países, inseria na grelha da 'culta e adulta' RTP2 um programa que visava, precisamente, servir como 'tele-aula' para aspirantes a um curso universitário, bem como para aqueles que não tinham meios conducentes a algo deste tipo. É a essa rubrica, estreada há quase exactos trinta e seis anos, que dedicamos as próximas linhas.

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Transmitida pela primeira vez a 17 de Fevereiro de 1990, a 'Universidade Aberta' foi transmitida em diversos horários, primeiro logo após a abertura 'oficial' da emissão (da responsabilidade de Vera Roquette e patrocinada pela Frisumo), e, mais tarde, antes do lendário 'Hugo', ao início do serão. Qualquer que fosse o horário, no entanto, o segmento era, mais do que um programa, uma verdadeira aula do ensino superior, ministrada por docentes vinculados à homónima instituição de ensino à distância, fundada no ano anterior; quem estivesse interessado podia, assim, obter conhecimentos na área em foco apenas por sintonizar o programa, num método então inovador e praticamente inaudito, mas quase pitoresco na presente era hiper-digital. Ainda assim, este protocolo ajudaria a Universidade Aberta a estabelecer-se como instituição de referência para o ensino remoto a nível mundial, título que lhe foi oficialmente outorgado pela União Europeia em 2008. Antes disso, em 1995, a 'alma mater' em causa havia já atraído atenções por ter sido o primeiro estabelecimento de ensino superior em Portugal a introduzir um curso de Estudos Femininos, num gesto incrivelmente progressista para a época em causa.

Quanto ao programa da RTP, o mesmo voltaria a ser transmitido a partir da década de 2010, agora com um formato mais voltado para o debate sobre assuntos ligados ao ensino superior, por oposição ao modelo pedagógico da emissão original, o qual transitou, de forma natual, para a Internet. Quem viveu aquele tempo à vez tão próximo e tão longínquo recordará certamente, no entanto, o formato então veiculado diariamente, e que talvez tenha até motivado algum dos seus familiares ou amigos a procurar 'cultivar-se' e a almejar completar, ainda que à distância, o tão cobiçado curso superior...

 

 

 

 

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