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Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

09.07.21

Um dos aspetos mais marcantes dos anos 90 foi o seu inconfundível sentido estético e de moda. Em sextas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das marcas e modas mais memoráveis entre os jovens da ‘nossa’ década.

Já aqui falámos, num post anterior, das sweat-shirts da No Fear; no entanto, e apesar de serem a face ‘mais visivel’ deste tipo de peça nos anos 90, as camisolas da marca americana não foram, de todo, as únicas representantes do mesmo, pelo menos em Portugal. De facto, na mesma época em que a referida marca esteve no seu auge, havia não uma, não duas, mas TRÊS marcas concorrentes a produzir o mesmo tipo de vestuário, todas com grande aceitação por parte do público infanto-juvenil.

Curiosamente, todas estas marcas trilhavam caminhos muito parecidos em termos de design, estando as suas estampas próximas não só das da No Fear, como umas das outras; de facto, o mais certo é que um leigo – ou alguém que, mais distraído, não lesse o nome da marca por baixo dos ‘bonecos’ – confundisse, à primeira vista, estas marcas, tal era a semelhança entre as peças que comercializavam.

A primeira destas marcas era a Bad + Mad, conhecida pelas suas t-shirts e sweat-shirts adornadas por ‘cartoons’ radicais e irreverentes, na sua maioria protagonizados pela mascote da marca, um jovem sem nome, de ‘crista’ espetada e cabelo rapado dos lados, muitas vezes visto em situações algo politicamente incorrectas. Era, precisamente, este lado rebelde, bem típico da segunda metade dos 90s que, aliado aos excelentes e detalhados desenhos, atraía o público-alvo, tornando estas camisolas (principalmente as de manga comprida) num item quase universal entre a população em idade escolar, e sobretudo os adolescentes.

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Um 'design' bem típico da Bad + Mad

Numa senda muito parecida surgia a brasileira Bad Boy, marca – à época – algo conotada com a prática do ‘skate’ (como, aliás, eram todas as referidas neste post, incluindo a própria No Fear.) Tal como as suas congéneres – tanto as referidas anteriormente como aquela de que falaremos em seguida – esta linha pautava-se pelos desenhos algures entre o ‘cartoon’ e o ‘grafitti’, os quais, aliados ao próprio nome bem rebelde da marca, ‘caíam no goto’ dos jovens da época, transformando a Bad Boy em mais uma daquelas marcas bem aceites e bem vistas em qualquer recreio de escola dos anos 90.

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Os 'designs' da Bad Boy eram mais centrados no logotipo da marca

Em concorrência directa tanto com estas duas marcas, como com a No Fear, havia ainda uma terceira, a qual, graficamente, se afirmava como uma espécie de fusão de todas elas. Tratava-se da Street Boy, uma marca que oferecia tanto os ‘cartoons’ incorrectos da Mad + Bad (uma das suas camisolas mais conhecidas retrata um rapaz, muito parecido com a mascote da referida marca, sentado na sanita, em pleno acto de ‘filosofar’) como da No Fear (outro dos seus ‘designs’ apresentava um par de olhos franzidos numa expressão de irritação, exactamente como um dos modelos mais conhecidos da marca americana). Infelizmente, o nome algo genérico da marca torna uma pesquisa Google nos dias de hoje extremamente difícil, tornando, mesmo que involuntariamente, a Street Boy em mais uma adição ao grupo dos Esquecidos pela Net. E a verdade é que a marca não o merecia, já que os seus ‘designs’ e a qualidade das suas peças pouco ficavam a dever às marcas mais conhecidas.

No fundo, três marcas quase intercambiáveis, e que, com a No Fear, formavam a ‘Santa Trindade’ das sweat-shirts para crianças e jovens entre os 8 e os 18 anos no Portugal dos anos 90; e, quem sabe, talvez o facto de pelo menos três  das quatro ainda existirem nos permita sonhar com uma redescoberta, a curto prazo, destas marcas por uma nova geração de jovens à procura de algo ‘fixe’ para vestir. Mesmo que tal não aconteça, no entanto, é bom saber que, num mundo cada vez mais politicamente correcto, ainda há quem se atreva a ser irreverente e se desviar do ‘politicamente correcto’…

23.04.21

Um dos aspetos mais marcantes dos anos 90 foi o seu inconfundível sentido estético e de moda. Em sextas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das marcas e modas mais memoráveis entre os jovens da ‘nossa’ década.

E hoje vamos falar daquela que foi, durante alguns anos, talvez a mais popular marca de ‘sweatshirts’ entre a juventude portuguesa – a entretanto renascida No Fear.

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Marca americana criada em 1989 e associada ao movimento ‘skater’ (como, aliás, o eram muitas das roupas favoritas dos jovens à época) a No Fear entrou em Portugal – e na consciência colectiva de toda uma geração – cerca de meia década depois, quando as lojas de desporto nacionais começaram a comercializar material da marca. Os vistosos desenhos e bombásticas mensagens que caracterizavam a maioria dos produtos tendiam a destacar-se de entre o material mais ou menos discreto normalmente encontrado neste tipo de estabelecimentos, não sendo, como tal, surpreendente que a marca tenha captado a atenção do público infantil e juvenil. Durante dois ou três anos, ali a meio da década, parecia que não havia criança nem adolescente que não tivesse pelo menos uma destas ‘sweats’, normalmente num dos modelos retratados abaixo, embora outros também fossem aceites.

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Uma particularidade a ressalvar é que as ditas camisolas nem sempre eram exactamente iguais; uma podia, por exemplo, ter o texto e desenhos em tons de vermelho e bem gritantes, e outra ter um desenho igual, mas em tons de azul e mais esbatido ou baço. Ainda assim, este era um pormenor de somenos importância para as crianças, para quem eram mais importantes os desenhos ‘fixes’ e o factor ‘cool’ das camisolas - a que, aliás, estas imperfeições e individualidades inclusivamente ajudavam.

Não durou muito, no entanto, o estado de graça da No Fear entre os jovens portugueses; tão depressa quanto tinha surgido, a marca pareceu desaparecer dos pátios das escolas, substituída por outras, como a Quebra-Mar (que, aliás, também aparecerá nesta rubrica mais tarde ou mais cedo.) Ao mesmo tempo, as lojas também passaram a vender uma menor variedade de artigos, e a No Fear retirou-se, discretamente, de cena.

Recentemente, no entanto, a marca parece disposta a alterar o seu destino, tendo artigos da mesma surgido em certas lojas europeias, como a cadeia Sports Direct, do Reino Unido. E apesar deste regresso ter sido fugaz e primado pela discrição, não deixou de constituir uma afirmação por parte da No Fear – de que a marca não tinha morrido, e estava pronta para voltar em força, assim tivesse mercado.

Tal regresso parece, no entanto, improvável – apesar de, no actual mercado obcecado com a estética ‘retro’, a nostalgia e os produtos ‘vintage’, tudo ser possível. Até que um ressurgimento da No Fear tenha, efectivamente, lugar, no entanto, restam-nos as memórias daquelas camisolas ‘brutais’ que usávamos no quinto ano…

O que constitui uma transição perfeita para aquele parágrafo habitual, em que vos perguntamos a vossa opinião e memórias sobre esta marca. Tinham? Gostavam? Deste lado, não tínhamos, mas queríamos desesperadamente (e especificamente) o modelo acima representado com a imagem do buldogue. Nunca chegou a acontecer, infelizmente... E vocês? Têm histórias semelhantes? Façam jus à marca de que aqui se fala, e partilhem Sem Medo!

 

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