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Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

02.08.22

A década de 90 viu surgirem e popularizarem-se algumas das mais mirabolantes inovações tecnológicas da segunda metade do século XX, muitas das quais foram aplicadas a jogos e brinquedos. Às terças, o Portugal Anos 90 recorda algumas das mais memoráveis a aterrar em terras lusitanas.

Por muito rápidas que as redes sociais sejam em tentar 'cancelar' quem disser ou fizer algo que sequer pareça controverso, a sociedade em geral parece ter aprendido, nos últimos trinta anos, a relaxar os seus padrões de censura quanto a produtos mediáticos. Quem viveu nos anos 90, no entanto, sabe que nem sempre foi assim; antes pelo contrário, a mínima desculpa servia para censurar ou até banir filmes, álbuns musicais e, especialmente, videojogos – ou não fossem os '90s' a década de Doom, Mortal Kombat, Duke Nukem, Postal, Grand Theft Auto, e a série de jogos de que falamos neste 'post', Carmageddon.

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Tão ou mais violento que os títulos acima citados – e de forma tão intencional quanto qualquer um deles – a série Carmageddon tornou-se lendária entre aficionados de videojogos de uma certa idade à época do seu lançamento, sobretudo pela sua premissa, que permitia (e até incentivava) a violência automobilística contra inocentes peões (com efeitos sonoros e visuais a condizer) e roubar carros adversários num cenário totalmente 3D, vários meses antes do lançamento do primeiro Grand Theft Auto, e vários ANOS antes de esta série dar o salto para a terceira dimensão.

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A violência contra peões foi o aspecto mais controverso e censurado do jogo à época

Este conceito ultra-violento, radical e 'maduro', bem condicente com as sensibilidades juvenis de finais do Segundo Milénio, ajudou a disfarçar alguns dos aspectos menos conseguidos do jogo, como a jogabilidade mediana e os controlos demasiado sensíveis, e ajudou (juntamente com o 'sururu' mediático por ele gerado) a tornar o jogo um sucesso de vendas um pouco por todo o Mundo - mesmo em países onde apenas havia sido lançado na sua versão censurada, que substituía os peões por 'zombies' de sangue verde; a excepção, forçosamente, foram os países onde o título foi totalmente banido, como o Brasil.

Claro que, com todo este sucesso, o jogo não podia deixar de gerar uma sequela, no caso lançada menos de um ano depois, e que (previsivelmente) oferecia 'mais do mesmo', mas em maior escala, e tecnicamente aperfeiçoado; e, também previsivelmente, o sucesso foi maior ou igual ao do original.

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De facto, apesar de ter sido sujeito precisamente às mesmas restrições e censuras do original, Carmageddon II: Carpocalypse Now voltou a ser um sucesso entre os jovens 'gamers', tendo mesmo conseguido o que o seu antecessor nunca lograra: extrapolar o mercado dos jogos para PC, surgindo em todas as principais consolas da época, ainda que em versões unanimemente consideradas muito, muito fracas (a versão para Nintendo 64 é, inclusivamente, considerada um dos piores jogos lançados para a consola, e uma das piores conversões de sempre.)

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Nada, no entanto, que impedisse a série de somar e seguir rumo a um terceiro título. Lançado já no dealbar do novo milénio, Carmageddon TDR 2000 já não suscitou a mesma controvérsia dos seus dois antecessores (embora tenha novamente sido sujeito a censura em alguns países) o que deixou a nu a incapacidade dos programadores de inovar sobre uma fórmula já com três anos, e explorada em outros tantos jogos; assim, não é de admirar que o terceiro jogo da série tenha, também, sido o último do ciclo inicial da mesma, tendo sido preciso esperar 14 anos - até o mercado dos jogos entrar numa conjuntura de 'remakes' modernizados de jogos nostálgicos – para ver ressurgir a franquia, sob a forma de um quarto título, Carmageddon: Reincarnation (também conhecido, em algumas consolas, como Carmageddon: Max Damage).

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Infelizmente, os 'gamers' nostálgicos pela série e ávidos de novas missões para completar rapidamente verificaram que, apesar dos gráficos de 'nova geração', a jogabilidade deste novo título havia ficado parada no tempo, apresentando-se exactamente igual à dos títulos de uma década e meia antes, num mercado cujos padrões de entretenimento haviam evoluído consideravelmente no sentido da complexidade e profundidade - não havendo já espaço para este tipo de conceito simplista – e onde era a série Grand Theft Auto a ditar os parâmetros da violência veicular digitalizada.

Não é, pois, de surpreender que a franquia se tenha, novamente, ficado por aí, não havendo novos titulos a registar nos quase sete anos subsequentes, apenas as cada vez mais esperadas conversões para iOS e Android -  o que não invalida que os originais sejam, ainda, clássicos nostálgicos para toda uma geração, e principal inspiração para títulos como Twisted Metal e o próprio Grand Theft Auto. De facto, sem esta série, as novas gerações talvez não pudessem desfrutar dos seus jogos de condução sanguinolenta em 'open world', o que (pouco mais de um mês após o vigésimo-quinto aniversário do lançamento do original para MS-DOS) mais do que justifica estas breves linhas sobre uma das séries de videojogos mais controversas de uma época pródiga em exemplos disso mesmo.

22.06.22

NOTA: Este post é respeitante a Terça-feira, 21 de Junho de 2022.

A década de 90 viu surgirem e popularizarem-se algumas das mais mirabolantes inovações tecnológicas da segunda metade do século XX, muitas das quais foram aplicadas a jogos e brinquedos. Às terças, o Portugal Anos 90 recorda algumas das mais memoráveis a aterrar em terras lusitanas.

Os anos 90 foram palco não de uma, mas de duas das mais acirradas guerras comerciais da História, ambas no campo dos videojogos; primeiro, foram a Sega e a Nintendo a digladiar-se pela preferência dos 'gamers' da 'geração rasca' e, mais tarde, a Sony entrou também na contenda, transformando-a num combate a três.

Ou melhor, a guerra dos 32 bits foi, na verdade, travada a dois, já que a Nintendo nunca lançaria uma consola com esta potência: em vez disso, a casa de Super Mario apostaria, directamente, no salto para a capacidade de processamento seguinte, apresentando, em 1995, a singela mas explicitamente chamada Nintendo 64 – uma consola que, em teoria, seria capaz de feitos fora do alcance quer da 'rainha' Playstation, quer da 'nada-morta' Sega Saturn.

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Na práctica, no entanto, a coisa era um pouco diferente; isto porque, ao passo que as suas duas 'concorrentes' haviam já adoptado o CD como modo de armazenamento preferencial, a Nintendo 64 optava ainda pelo já algo obsoleto cartucho. O que isto significava, na práctica, era que apesar de tecnicamente possuir o dobro da potência em 'bits', o 'tijolo' da Nintendo apresentava recursos gráficos e sonoros algo aquém das concorrentes – um paradoxo tornado ainda mais frustrante pelo facto de os jogos de Nintendo 64 serem, ao mesmo tempo, consideravelmente mais caros que os de qualquer das concorrentes. Assim, qualquer jovem que optasse pela consola da Nintendo em detrimento de qualquer das outras duas acabava por gastar mais dinheiro em menos jogos, e com recursos algo inferiores aos da Sony (melhor do que a Sega Saturn não era, convenhamos, difícil fazer...)

O 'reverso da medalha', no entanto, estava ligado ao facto de a maioria dos jogos mais conhecidos da 64 serem, pelo menos, tão bons quanto os títulos de topo da Playstation; podia não haver 'Final Fantasy VII' ou 'Metal Gear Solid', mas havia '007 Goldeneye' – ainda hoje considerado um dos melhores FPS de consola de sempre – 'Banjo-Kazooie', 'Pilotwings 64', a melhor versão alguma vez lançada de 'Mario Kart', dois dos melhores títulos de Zelda de sempre, o início da saga 'Super Smash Bros.', os primeiros títulos de 'Mario Party' e, claro, o impressionante 'Super Mario 64', um dos maiores feitos tecnológicos até então, e que deixou de 'queixo caído' todos quanto o viram em demonstração num qualquer hipermercado ou loja de brinquedos de bairro. Ou seja, uma aposta mais em quantidade do que em qualidade, e que garantia que os fiéis à companhia de Miyamoto não se sentissem defraudados ao investirem nos jogos da consola.

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Alguns dos muitos excelentes títulos lançados para a Nintendo 64, a maioria pela própria Nintendo

Apesar deste impressionante acervo de títulos, no entanto – aos quais, desenganemo-nos, acrescia também muita 'palha' – a Nintendo 64 nunca conseguiu passar da segunda posição no pódio das consolas 'noventistas', batendo a Saturn (e a sucessora Dreamcast) mas perdendo em popularidade e vendas para a todo-poderosa Playstation. Ainda assim, quem chegou a ser dono da ambiciosa máquina da Nintendo (Manel, se estiveres a ler isto...torneio de Mario Kart na tua próxima festa e anos?) terá certamente tirado o máximo proveito dos seus títulos mais conhecidos (e até, quem sabe, de alguns dos menos bem conseguidos) e adquirido memórias que, hoje, serão certamente mais do que nostálgicas; a Nintendo 64 pode não ter sido a vencedora da Segunda Guerra Mundial das Consolas, mas o seu estatuto de culto é não só inegável, como também, francamente, merecido...

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