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Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

12.04.24

Um dos aspetos mais marcantes dos anos 90 foi o seu inconfundível sentido estético e de moda. Em sextas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das marcas e modas mais memoráveis entre os jovens da ‘nossa’ década.

Apesar de algo mais discretos que os seus congéneres da década de 80, os adereços de moda dos anos 90 e inícios dos 2000 não deixaram, ainda assim, de marcar época entre os 'millennials' portugueses mais velhos, tanto aqueles que activamente os usavam na vida quotidiana como os que simplesmente com eles conviviam, através de familiares, amigos ou colegas de escola. Um destes acessórios em particular – uma modesta e simples fita trabalhada em missangas e disponível em qualquer 'banquinha' de rua – fez furor entre os jovens daquela época, sobretudo (mas não só) do sexo feminino.

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O típico e clássico mostruário de 'pulseiras da sorte' visto em tantas bancas e lojas de rua nos anos de viragem do Milénio.

Falamos das famosas pulseiras tantas vezes vistas em mercados de rua, feiras de artesanato ou até lojas dos trezentos (e, mais tarde, chinesas) sob o nome de 'pulseiras da sorte brasileiras' – embora, incongruentemente, o referido texto surgisse no cartão de exposição em outras línguas, como o italiano. Distintivas pelas suas cores vivas e pelo típico padrão 'pontilhado' criado pelas missangas, estas fitas traziam também, normalmente, qualquer tipo de motivo inserido no padrão, normalmente uma bandeira brasileira ou um qualquer dizer de índole positivista, que as tornava ainda mais atractivas para a demografia-alvo, e as tornava omnipresentes, independentemente de 'tribo urbana' ou estatuto social.

De facto, esta era uma daquelas modas que transcendia grupos, sendo presença assídua nos pulsos tanto de 'betinhas' como da faixa mais 'alternativa', e até mesmo de quem não tinha dinheiro, gosto ou apetência para grandes 'estilos'. Efectivamente, no cômputo geral, só mesmo o sector gótico e 'metaleiro' mostrava uma predisposição expectavelmente menor para este acessório; de resto, eram poucas as raparigas portuguesas da época (bem como muitos rapazes) que não usavam pelo menos uma destas pulseiras, normalmente em conjunto com outras fitas (quer obtidas em festivais de Verão, quer de carácter mais religioso) e com um ou outro adereço mais elaborado.

Tal como tantos outros acessórios de que já aqui falámos, no entanto, também o ciclo de vida das pulseiras de missangas chegou, inevitavelmente, ao fim – embora ainda seja possível encontrar este tipo de adereço à venda hoje em dia, o mesmo é praticamente inexistente na cultura social da 'Geração Z', para quem as pulseiras utilizadas pelas suas mães há quase um quarto de século (quando estavam, elas mesmas, em idade adolescente) mais não serão do que uma relíquia cultural, semelhante ao que eram, para os 'millennials', as roupas e acessórios usadas pelos seus próprios progenitores. Para quem viveu aquela época, no entanto, aquela tira de pano e corda com missangas representa, mais do que uma pulseira, um artefacto de 'viagem no tempo', que os remete de volta à sua adolescência, quando uma ou mais das mesmas adornavam o seu pulso, ou o das suas colegas e amigas...

15.03.24

Um dos aspetos mais marcantes dos anos 90 foi o seu inconfundível sentido estético e de moda. Em sextas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das marcas e modas mais memoráveis entre os jovens da ‘nossa’ década.

Um dos principais conceitos a dar entrada na cultura popular durante a última década do século XX foi o de 'super-modelo' – aquela profissional das 'passerelles' cujo estatuto, beleza e fama a colocavam num patamar acima das suas congéneres, tornando-a naquilo a que mais tarde se viria a chamar uma 'celebridade'. Nomes como Cindy Crawford, Claudia Schiffer ou Naomi Campbell eram tanto (ou mais) figuras públicas como modelos, e as suas vidas despertavam o interesse do público seguidor de publicações 'cor-de-rosa'...e não só. Assim, é natural que os espectáculos de beleza onde estas e outras beldades desfilavam se tenham, também, revestido de interesse adicional para o público generalista, e conseguido deixar os seus 'confins' de Paris, Nova Iorque, Londres e Milão para se espalhar um pouco por todo o Mundo. Portugal não seria excepção, e a primeira metade dos anos 90 veria surgirem em solo lusitano não um, mas dois eventos anuais subordinados a esta temática, um em cada uma das duas capitais do País. Do organizado mais a Norte falaremos em tempo; esta Sexta, dedicaremos alguma atenção ao de Lisboa, cuja edição de Primavera de 2024 se acaba de encerrar há poucos dias à altura da edição deste 'post'.

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Surgida pela primeira vez como parte das Festas da Cidade, em 1990, foi, no entanto, no ano seguinte que a Moda Lisboa teve o seu arranque oficial, no formato ainda hoje utilizado, e que abrange uma série de eventos de moda realizados bi-anualmente (em Março e Outubro) ao longo de uma semana em espaços públicos, quase todos na popular e turística zona ribeirinha, tendo anos recentes visto mesmo o evento 'esticar-se' até à linha de Cascais. Em suma, um modelo em tudo semelhante ao que fazia sucesso nas grandes 'capitais da moda', e que dava aos fãs portugueses do estilismo uma oportunidade de se inteirarem das novas tendências, ou simplesmente de ver estonteantes modelos em desfile. Essa primeira edição teve, ainda, a particularidade de entrar na História como a primeira 'fashion week' fora dos grandes centros supramencionados, e de 'apresentar' Portugal ao Mundo da alta costura.

Infelizmente, não tardou até que a Moda Lisboa gerasse polémicas, e, em 1993, uma 'confusão' em torno de um convite ao estilista John Galliano levaria à suspensão do evento durante dois anos. Aquando do seu regresso, no entanto, a Moda Lisboa surgiria com ainda mais força do que tivera nas primeiras edições, e estabelecer-se-ia definitivamente como parte integrante do calendário cultural português. Desde então a esta parte, o evento apenas tem crescido, incorporando ora novas localizações para os desfiles (como o Pavilhão Carlos Lopes, no Parque Eduardo VII, em Lisboa) quer parcerias com o referido evento nortenho, e foi mesmo alvo de um documentário na RTP, aquando da quinquagésima edição, em 2020; e, a julgar pelo sucesso que cada novo evento continua a ter, parece improvável que este paradigma se altere num futuro próximo. Os adeptos da moda em Portugal podem, portanto, regozijar-se com o facto de o 'seu' evento anual continuar (quase) ininterrupto há (quase) três décadas, formando parte tão integral do calendário de eventos nacional como o Fantasporto ou os festivais de Verão, e fazendo-o sempre em grande 'estilo'...

18.01.24

Trazer milhões de ‘quinquilharias’ nos bolsos, no estojo ou na pasta faz parte da experiência de ser criança. Às quintas, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos brindes e ‘porcarias’ preferidos da juventude daquela época.

Uma das mais vivas e nostálgicas memórias de qualquer português nascido entre o final da década de 70 e o início do Novo Milénio é o de enfiar a mão num pacote de batatas fritas ou outros 'snacks' da Matutano para procurar aquele icónico invólucro plástico escondido em meio aos conteúdos. Efectivamente, os brindes 'das batatas' desta época contam-se entre os melhores e mais populares de sempre em Portugal, tendo granjeado à Matutano uma impressionante série de mega-sucessos, com a qual a maioria das outras companhias alimentares da época apenas podiam sonhar: dos Pega-Monstros às Caveiras Luminosas, Tazos, Matutolas, Raspadinhas e mini-filmes, a sucursal portuguesa da Lay's gozou, durante a última década do século XX, de um toque de Midas que lhe permitiu transformar até mesmo um jogo de matemática numa 'febre' de recreio. Basicamente, durante esta época, se algo vinha dentro de um pacote de batatas, transformava-se em sucesso entre a demografia-alvo, deixando todas as outras considerações de ter qualquer importância.

E se a maioria dos brindes acima referidos foram, na medida dos possíveis, assexuados – ainda que, inevitavelmente, acabassem por apelar mais aos 'rapazes' – algures na mesma década, a Matutano decidiu dirigir uma das suas promoções, especificamente, a um público feminino, menos interessado em 'monstrinhos' e caveiras e mais voltado para a estética e moda. Fica, assim, explicada a lógica por detrás da curiosa decisão de oferecer brincos de plástico na compra de um pacote de batatas.

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Em tudo semelhante em termos de 'design' – variando apenas as cores – estes brindes representavam uma clara tentativa por parte da Matutano de atingir uma demografia mais velha, nomeadamente os adolescentes; essa faixa etária, no entanto, encontrava-se demasiado preocupada com o acne para consumir o tipo de produtos que a companhia comercializava, e demasiado atenta às convenções sociais vigentes entre os jovens para ser vista a usar brincos de plástico, sem qualquer esforço estético, e que 'saíam nas batatas'. Assim, os referidos brindes terão encontrado o seu público, inevitavelmente, entre a porção feminina da demografia que ainda se interessava por Pega-Monstros, Tazos e outros brindes 'quejandos', e que experienciava assim, talvez, o seu primeiro assomo estético – um 'tiro' algo ao lado do pretendido pela Matutano, e que terá, sem dúvida, ajudado a encurtar o tempo e abrangência desta promoção, hoje algo esquecida no âmbito das conversas nostálgicas sobre brindes das batatas fritas daquela época.

Ainda assim, e apesar do relativo insucesso da promoção em relação às suas congéneres, não terá, certamente, deixado de haver quem se deliciasse com os brincos 'das batatas', e os tivesse orgulhosamente usado num qualquer dia de escola do sexto ano em que fosse importante parecer (ou sentir-se) algo mais 'crescido' do que o habitual. Para esses, aqui fica uma breve recordação da promoção mais esquecida do período áureo dos brindes da Matutano...

27.10.23

Um dos aspetos mais marcantes dos anos 90 foi o seu inconfundível sentido estético e de moda. Em sextas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das marcas e modas mais memoráveis entre os jovens da ‘nossa’ década.

Qualquer que seja o período temporal, a moda tende a ir muito além das marcas ou combinações de peças de roupa; pelo contrário, os acessórios e opções estéticas afirmam-se normalmente como tão ou mais importantes do que os conteúdos do armário. Como já aqui anteriormente ficou provado, os anos 90 não foram excepção a esta regra; tanto assim que, para cada peça de vestuário icónica (como as 'sweats' da Gap, Quebramar, No Fear e Mad/Bad, camisas da Sacoor e Amarras, calças da Resina, blusões da Duffy ou calçado Airwalk, Skechers, Redley, Timberland ou Dr. Martens) existe um acessório, adereço, estilo de penteado ou até padrão de tatuagem que é, hoje em dia, tão ou mais lembrado. A este lote há, ainda, que juntar os estilos de pintura e arranjo das unhas, um elemento algo mais subtil, mas não menos importante do 'look' feminino.

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Um dos estilos de pintura mais populares nos anos 90 e 2000.

Isto porque o período em causa foi, talvez, o primeiro em que verdadeiramente se começaram a ver jovens do sexo feminino fazer experiências e 'aventuras' com os estilos das unhas; embora este hábito se perca em décadas imemoriais, até pelo menos aos anos 80 o arranjo e escolha dos vernizes era algo mais simples e tradicional, normalmente com todas as unhas pintadas da mesma cor uniforme, residindo o arrojo, simplesmente, na escolha do tom. Já os anos 90 viram surgir, entre as jovens adolescentes, tendências como as unhas multicoloridas (uma de cada cor, fazendo um efeito de 'arco-íris' ao esticar a mão) e, principalmente, a unha de cor diferente de todas as outras, normalmente num tom marcadamente contrastante ou com 'efeitos' como riscas ou pintas, que a ajudavam a destacar-se ainda mais do ponto de vista visual.

A origem destas tendências era, e continua a ser, pouco clara (pelo menos para alguém do sexo masculino) mas a verdade é que estes estilos 'pegaram', continuando a ver-se ainda hoje – mais comummente, nas unhas de mulheres da geração 'millennial', ou seja, que foram jovens durante aqueles anos de finais do século XX. E apesar de o arranjo das unhas caminhar, actualmente, cada vez mais para o uso de unhas de gel para a criação de efeitos visuais, por oposição ao tradicional verniz (e apesar de os estilos referidos já terem, há muito, sido suplantados e substituídos por outros) a verdade é que quem 'navega' no Instagram, Pinterest e TikTok à procura das mais recentes tendências para as unhas, aos anos 90 o deve, já que se pode considerar essa década o início dos estilos e escolhas menos convencionais nesse campo – o que o torna digno de celebração neste nosso blog nostálgico dedicado à referida era.

15.09.23

Um dos aspetos mais marcantes dos anos 90 foi o seu inconfundível sentido estético e de moda. Em sextas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das marcas e modas mais memoráveis entre os jovens da ‘nossa’ década.

Os acessórios e adereços pessoais formam, tradicionalmente, uma parte tão ou mais importante da moda juvenil (e não só) como as próprias peças de roupa envergadas, e cada década tende a ver mais um 'lote' de exemplos desta tendência serem adicionados à consciência popular. Escusado será dizer que os anos 90 não foram excepção, 'apresentando' os jovens portugueses (e não só) a conceitos como as gargantilhas e os tererés, além de verem ter lugar um significativo acréscimo da penetração dos 'piercings' e tatuagens na sociedade 'mainstream' nacional. A juntar a estes adereços e tendências, há, ainda, dois outros, ainda hoje bastante comuns, sobretudo na época estival que ora finda: os anéis para os dedos dos pés e as chamadas tornozeleiras, ou simplesmente 'pulseiras para os tornozelos', ambos os quais tiveram a sua origem na última década do século XX.

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De facto, foi durante estes anos que se começou a ver cada vez mais jovens, sobretudo raparigas, com correntes em volta dos tornozelos – fossem de metais preciosos ou simplesmente de pano ou couro – e com os dedos dos pés adornados da mesma forma que os das mãos, com o mindinho e o segundo e terceiro dedos a serem os que mais frequentemente alojavam anéis, normalmente de metal simples, ou apenas com um friso, não sendo frequente ver anéis de brilhantes nesta zona do corpo.

As duas modas – que atingiam o seu esplendor máximo na época das saias, calções e chinelos – tiveram início, como tantas outras, entre as camadas mais altas da sociedade nacional (as chamadas 'betinhas') e sobretudo entre a demografia ligada ao 'surf', vindo depois a espalhar-se de forma mais generalizada; por alturas da viragem do milénio, não havia já loja de acessórios que não disponibilizasse estes dois tipos de produto a preços relativamente acessíveis. Curiosamente, esta é uma tendência que se mantém até aos dias de hoje, com a geração originadora da mesma a manter o gosto pelos adereços para os pés, e a transmitir esta mesma afinidade à sua sucessora, fazendo com que a mesma se possa já considerar praticamente intemporal – o que torna estas breves linhas sobre a sua origem perfeitamente pertinentes, até porque o calor continua a apertar em Portugal, convidando ao uso destes acessórios durante mais algumas semanas...

14.09.23

Trazer milhões de ‘quinquilharias’ nos bolsos, no estojo ou na pasta faz parte da experiência de ser criança. Às quintas, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos brindes e ‘porcarias’ preferidos da juventude daquela época.

Havia-os de todas as formas, feitios e materiais – grandes, pequenos, redondos, quadrados ou moldados à forma do que pretendiam representar, em plástico ou em metal. Adornavam desde blusões de ganga a sacolas de sarja, mochilas, estojos ou quadros de cortiça como os que alguns jovens da época tinham no quarto, ou eram simplesmente preservados numa caixa, como objectos de coleccionismo, prontos a serem admirados ou orgulhosamente exibidos perante as visitas. Falamos, é claro, dos 'pins' e crachás, uma moda que, não tendo, de modo algum, tido origem nos anos 90, viveu ainda assim a sua época áurea entre finais da década de 80 e inícios da anterior.

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Exemplos de crachás redondos de plástico, predominantes em inícios dos anos 90.

De facto, foi durante esses anos que se puderam encontar, em Portugal, lojas com uma vasta oferta de 'pins', prontos a serem adquiridos e estimados por um público ávido por aumentar a sua colecção. De desenhos alusivos a bandas e capas de álbuns até frases e dizeres humorísticos ou motivacionais, passando por alguns dos mais populares personagens infantis da época ou ainda pelos sempre populares 'smileys', nas suas mais diversas configurações, eram inúmeros e para todos os gostos os estilos e 'designs' de crachá disponíveis durante a época em causa, garantindo que ninguém ficava de fora desta 'febre'.

À medida que a década de 90 avançava, no entanto, o mercado dos 'pins' e crachás sofreu algumas alterações. Os antigos crachás redondos, em plástico colorido – os chamados em inglês 'badges' – praticamente desapareceram, cedendo lugar aos 'pins' em metal moldado, vistos como menos infantis e, logo, mais 'fixes'. Concomitantemente, este tipo de Quinquilharia passou, também, a ser vendida em locais mais específicos, normalmente de índole turística ou cultural, ou a servir como brinde promocional em campanhas de 'marketing', deitando a perder alguma da criatividade exibida pelo mercado em causa na década transacta.

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Exemplos de 'pins' em metal, predominantes da segunda metade dos anos 90 em diante.

Mesmo com estas mudanças, no entanto, os 'pins' não perderam a sua popularidade, continuando a ser frequentemente vistos a decorar sacolas a tiracolo, mochilas, ou mesmo peças de roupa, tal como acontecia na sua época áurea. Este paradigma mantém-se, aliás, até aos dias que correm, fazendo dos crachás um dos poucos produtos abordados nesta secção que não saíram de moda nem viram decrescer significativamente os seus índices de popularidade. Ainda assim, quem viveu a 'época alta' deste tipo de Quinquilharia certamente sentirá a falta de alguma da originalidade e sentido estético dos 'pins' e crachás da 'sua' altura, cuja essência dificilmente voltará a ser capturada, tornando-os símbolos de uma época mais 'divertida' e inocente, não só em Portugal como um pouco por todo o Mundo.

 

 

25.08.23

NOTA: Este post é respeitante a Quinta-feira, 24 de Agosto de 2023.

Trazer milhões de ‘quinquilharias’ nos bolsos, no estojo ou na pasta faz parte da experiência de ser criança. Às quintas, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos brindes e ‘porcarias’ preferidos da juventude daquela época.

O Verão é tempo de partidas para novos destinos, de idas para casa dos avós ou dos tios, de dias na praia, de actividades desportivas no bairro e de colónias de férias - tudo situações que resultam em novas amizades, ainda que, provavelmente, apenas com a duração correspondente à das férias em questão. Ainda assim, enquanto as mesmas duram, há que cultivá-las - e, para as raparigas dos anos 90 e 2000, uma das muitas maneiras de o fazer era através da construção de colares e pulseiras com contas e missangas.

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Facilmente adquríveis em todo o tipo de estabelecimentos, e a um preço irrisório, este tipo de adereço era muito popular junto dos jovens, por permitir - com a adição de um pedaço de cordel, fio ou corda - a criação de todo o tipo de acessórios de moda totalmente 'DIY' - e, como tal, significativamente mais baratos do que os comprados pré-feitos, em lojas. Não era, por isso, de todo incomum ver jovens de ambos os sexos com adereços feitos por eles mesmos nos pulsos, tornozelos ou em volta do pescoço, por vezes com padrões e 'designs' tão ou mais criativos do que os que as próprias lojas ofereciam. As missangas não eram, aliás, o único tipo de material usado para este efeito, sendo as pulseiras entrançadas e os tererés, possivelmente, ainda mais populares enquanto criações 'feitas em casa' pela demografia em causa.

Ao contrário de muitos dos produtos e acessórios de que falamos nesta secção, as pulseiras, colares e outros adereços feitos a partir de contas e missangas nunca saíram de moda, e embora a sua preponderância e prevalência entre a juventude já não seja o que outrora foi, é fácil de acreditar que as jovens da Geração Z se continuem a entreter a criar adereços e acessórios 'feitos à mão' a partir deste tipo de material, da mesma forma que o fizeram as 'millennial'...

18.08.23

Um dos aspetos mais marcantes dos anos 90 foi o seu inconfundível sentido estético e de moda. Em sextas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das marcas e modas mais memoráveis entre os jovens da ‘nossa’ década.

Os Verões dos anos 80, 90 e 2000 eram, normalmente, sinónimos com uma série de elementos, dos gelados da Olá às visitas a parques aquáticos ou férias no Algarve. O mundo da moda tão-pouco ficava imune a este tipo de iconografia, e a cada nova época estival podia esperar ver-se nos pés dos portugueses um sapato de formato, configuração e propósito muito específicos: a clássica sandália de tiras em plástico.

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Clássico para muitos, trauma de infância para outros tantos, e símbolo do Verão de toda uma geração.

À época tão ou mais difundidas do que os chinelos em plástico, e ainda hoje sobreviventes em muitas lojas de praia, em quase todas as cores possíveis e imagináveis, estas sandálias serviam, sobretudo, o propósito de proteger os pés de impurezas e outros perigos que supostamente espreitavam tanto na areia da praia como à beira-mar, sendo, nomeadamente, recomendadas como 'escudo' contra as picadas do temível peixe-aranha. Para muitos pais de finais do século XX, no entanto, o propósito deste tipo de calçado era, sobretudo, prático, já que o mesmo era totalmente lavável e, como tal, fácil de limpar após cada ida à praia, bastando colocar o pé debaixo de qualquer chuveiro, fonte ou mangueira para lhe tirar a areia. Já muitas crianças tendiam a achar estas sandálias desconfortáveis, sobretudo devido às tiras em plástico - que queimavam e se colavam ao pé em tempo muito quente ou quando molhadas - e à fivela ajustável que, muitas vezes, deixava o sapato ou demasiado largo ou demasiado apertado, a ponto de deixar marca na pele.

Para quem conseguia ultrapassar estas pequenas inconveniências, no entanto - ou tinha a sorte de ter um pé a que o sapato coubesse sem grandes 'celeumas' - este tipo de calçado será, ainda hoje, um ícone do período de infância, talvez mesmo comprado para os respectivos filhos; para os restantes, constituirá algo mais próximo de um trauma. Seja qual for o caso, no entanto, poucos portugueses da geração 'millennial' negarão que as sandálias em causa constituem um ícone da moda estival do século XX, bem merecedor de figurar nesta nossa rubrica.

04.08.23

Um dos aspetos mais marcantes dos anos 90 foi o seu inconfundível sentido estético e de moda. Em sextas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das marcas e modas mais memoráveis entre os jovens da ‘nossa’ década.

Talvez a principal característica dos atacadores de qualquer criança – quer tenham sido atados pela própria ou por um adulto mais experiente – é desatarem-se de forma incrivelmente frequente. A tendência dos 'putos' para se deslocarem em corrida, juntamente com o atrito advindo da maioria das suas brincadeiras, faz com que até o nó mais cuidadosamente dado acabe, inevitavelmente, por ficar lasso, deixando um par de atacadores a arrastar no chão, não só adquirindo poeira e terra como também representando um perigo iminente de queda e mazelas físicas. Assim, não é de admirar que os anos 90 tenham procurado responder a esta inevitabilidade com uma inovação tão simples quanto genial e eficaz, e que merecia ter sido mais popular entre a demografia-alvo.

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Exemplo moderno do objecto em causa.

Falamos dos protectores de atacadores, pequenas 'molas' plásticas que se colocavam por cima da zona do nó de qualquer par de atacadores, com a função de prevenir que os mesmos se desatassem com tanta facilidade como antes – um objectivo que, ainda que nem sempre totalmente conseguido, se podia considerar, grosso modo, ser atingido. E para tornar estes objectos perfeitamente utilitários um pouco menos aborrecidos e um pouco mais apelativos para o público-alvo a que almejavam, as companhias fabricantes tiveram outra ideia genial: a de moldar os mesmos em forma de animais, objectos, ou mesmo heróis da televisão ou banda desenhada (lá por casa, por exemplo, havia um das Tartarugas Ninja) tornando assim um apetrecho necessário e até algo 'totó' numa declaração de estilo e auto-actualização!

E se, hoje em dia, os protectores de atacadores já não gozam da popularidade que outrora tiveram (actualmente, este tipo de produto encontra-se sobretudo em plataformas de pequenos artistas independentes, como a Etsy) muitos terão, sem dúvida, sido os leitores deste blog que, antes de saírem para a escola ou para um Sábado aos Saltos com os amigos, puseram em cima do laço dos sapatos um animal fofinho ou a cara do seu herói favorito...

 

15.07.23

As saídas de fim-de-semana eram um dos aspetos mais excitantes da vida de uma criança nos anos 90, que via aparecerem com alguma regularidade novos e excitantes locais para visitar. Em Sábados alternados (e, ocasionalmente, consecutivos), o Portugal Anos 90 recorda alguns dos melhores e mais marcantes de entre esses locais e momentos.

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Em finais dos anos 80, a moda, e a compra de novas peças de roupa, eram ainda, em larga medida, um processo esporádico. A procura de materiais de qualidade e a aposta na longevidade tornavam a maioria dos itens de vestuário significativamente dispendiosos para a maioria das carteiras, e cada nova peça adquirida vinha com o entendimento de que seria usada até 'acabar' – fosse por deterioração ou, no caso dos mais jovens, simplesmente por deixar de servir, altura em que tendia a ser 'passada' a outra criança, normalmente filha de um familiar, amigo, ou pessoa necessitada.

Este paradigma vir-se-ia, no entanto, a alterar consideravelmente logo em inícios da década seguinte, com o aparecimento e rápida expansão da chamada 'fast fashion' – um conceito comercial baseado em materiais e manufactura baratos (normalmente adquiridos na Ásia) e que tornava, assim, possível reduzir consideravelmente os custos de venda ao público das respectivas peças de roupa, embora a qualidade também sofresse como consequência. A junção destes dois factores com o histórico interesse das gerações mais novas por modas e estilos estéticos resultou no duplicar ou mesmo triplicar, em apenas alguns anos, do número de peças de roupa no armário do adolescente comum, que encontrava agora nas lojas artigos ajustados à sua mesada ou semanada, e cuja menor resistência e qualidade obrigava à substituição mais frequente, ou, em alternativa, à compra de um maior número de peças numa só 'temporada', para efeitos de rotação.

Nasceu, assim, a situação ainda hoje vigente, em que a população mais jovem tem como um dos seus muitos passatempos o simples 'passeio' em lojas de roupa, muitas vezes apenas para apreciação dos saldos; e se, junto da Geração Z, esse processo vem transitando, cada vez mais, para plataformas e lojas online, os seus predecessores 'millennials' ainda fizeram das 'excursões' ao 'shopping' ou ao centro da cidade para 'ver as montras' uma das suas Saídas de Sábado de eleição.

E eram muitas as lojas dirigidas a este público em finais do século XX e inícios do seguinte, com as do grupo Inditex à cabeça: a Zara chegava a Portugal (concretamente, ao Porto) há exactos trinta e cinco anos e a Pull & Bear abria em 1992 a sua primeira loja fora de Espanha, apostando precisamente no seu pais vizinho como primeiro 'mercado externo', onde as suas colecções temáticas marcaram época, e onde continua a ser uma das lojas de referência para vestuário jovem até aos dias de hoje. Nos dez anos subsequentes, seguir-se-lhes-iam novas sub-marcas, como a Bershka (que celebra este ano os vinte e cinco anos da sua chegada ao nosso País) ou Stradivarius. Em 'concorrência' directa com estes nomes estavam, ainda, marcas como a Springfield (a 'loja jovem' do Cortefiel, também inaugurada em 1988) a Mango (que chegava a Portugal quase em simultâneo com a Pull & Bear) e - já no Novo Milénio, há exactos vinte anos - a H&M, além de lojas mais voltadas para os acessórios, como a inglesa Accessorize e a 'resposta' nacional à mesma, a Parfois. Juntas, estas cadeias eram garantia de 'saques' à carteira dos jovens nacionais, cujo guarda-roupa era, à época, constituído em grande medida por peças adquiridas nestas lojas, a par dos hipermercados e de estabelecimentos mais especializados, como a duologia 'desportiva' Sport Zone (surgida em 1997) e Intersport, esta última entretanto desaparecida.

Com tal variedade à disposição (quase sempre com artigos a preços bastante convidativos) não é, portanto, de admirar que a juventude 'millennial' tenha passado tanto do seu tempo livre a 'vaguear' pelas ruas e centros comerciais, em bando, com o simples intuito de ver as 'novidades' em todas estas lojas; e quase faz pena que a nova geração vá, aos poucos, deixando que se perca a experiência de ver, ao vivo e a cores, 'aquele' artigo em super-saldo, e de voltar para casa no autocarro ou Metro com o mesmo dentro do saco, já imaginando o sucesso que se iria fazer com o mesmo vestido – uma experiência que a compra na Amazon, BooHoo ou Shein simplesmente não permite...

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