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Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

20.07.23

Os anos 90 viram surgir nas bancas muitas e boas revistas, não só dirigidas ao público jovem como também generalistas, mas de interesse para o mesmo. Nesta rubrica, recordamos alguns dos títulos mais marcantes dentro desse espectro.

O advento da Internet veio ajudar a preservar para sempre, em formato digital, informação sobre a esmagadora maioria dos tópicos alguma vez existentes, desde pessoas e acontecimentos a espécies de flora e fauna e, claro, produtos ou criações mediáticas. Mesmo com o avassalador volume de factos compilados por essa Internet fora, no entanto, o registo não é cem por cento perfeito, e, por vezes, sucede haver um qualquer tópico relativamente ao qual não existe na 'rede' qualquer tipo de informação; normalmente, trata-se de algo de índole mais obscura, mas há também registos, neste mesmo blog, de tal fenómeno ter ocorrido com algo tão inócuo como sumos infantis, iogurtes líquidos, pastas de dentes ou mesmo revistas de banda desenhada, que parecem ter sido sumariamente Esquecidos Pela Net, não sendo possível encontrar mais do que uma ou outra imagem, normalmente oriunda de listagens de vendas em sites como o OLX.

O tópico desta visita ao Quiosque insere-se nesse mesmo grupo, vindo a única prova da sua existência de dois 'listings' do OLX diferentes, os quais partilham, inclusivamente, um número em comum. Trata-se da revista 'Basquetebol', uma publicação especializada aparentemente disponível em inícios dos anos 90 (os números retratados datam de 1992) e que, pelas fotos e 'chamadas' de capa disponiveis, parecia abordar tanto a sempre popular NBA quanto a histórica liga profissional portuguesa, à época impulsionada por nomes como Carlos Lisboa.

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Os quatro únicos números conhecidos da revista (fonte da imagem: OLX.)

De facto, os poucos números que sobreviveram ao teste do tempo dedicam igual espaço de capa a destaques sobre os Jogos Olímpicos daquele ano (onde brilhava, fulgurante, a melhor equipa de basket de todos os tempos, 'movida' pelo génio de um jovem Michael Jordan, ainda longe de contracenar com Bugs Bunny) e à fase de qualificação realizada pela selecção de cadetes portuguesa, ou ainda a equipas como o Estrelas da Avenida, Benfica, Illiabum ou Santarém, apelando assim tanto a fãs das equipas mais conhecidas como aos verdadeiros aficionados e seguidores da 'cena' nacional.

Como curiosidade, o facto de os desportistas retratados nas fotos de capa serem, ainda, jogadores mais 'antigos', como Wilt Chamberlain ou 'Magic' Johnson – algo que pode parecer estranho a um 'puto' de finais dos 90, mais habituado a ver as caras de Jordan, Pippen, Rodman, Shaq ou Charles Barkley nesse tipo de contexto, mas que faz todo o sentido, tendo em conta que esta revista foi publicada quase meia década antes do 'período áureo' desses nomes. Chamberlain, Johnson ou James Worthy (capa do número 3) eram as grandes estrelas da altura, e a sua presença nestas capas (bem como, suspeita-se, nos 'posters' oferecidos no interior de cada edição) terá, certamente, surtido tanto efeito quanto a imagem de Jordan numa publicação semelhante meia dúzia de anos depois.

A falta de mais registos impede, no entanto, quaisquer ilações factuais quanto ao volume de vendas ou sucesso da revista em causa, ou ainda em relação às razões para o seu término, que parece ter-se dado, no máximo, no ano seguinte, 1993. Se, no entanto, tiver havido entre a nossa 'base' de leitores algum assinante ou comprador assíduo da revista, quaisquer informações adicionais serão extremamente bem vindas; até lá, aqui fica a informação possível sobre mais um produto noventista a arquivar na 'gaveta' dos 'Esquecidos Pela Net'...

11.04.22

NOTA: Este post diz respeito a Domingo, 10 de Abril de 2022.

Aos Domingos, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos principais acontecimentos desportivos da década.

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A década de 90 marcou a chegada à consciência popular portuguesa da principal liga de basquetebol profissional americana - vulgo, NBA - muito graças ao mítico programa 'NBA Action', uma espécie de 'colecção de clipes' que apresentou essa excitante e fascinante competição desportiva a toda uma geração de crianças e jovens. E embora fossem muitos e variados os protagonistas das diversas montagens de 'afundanços' e jogadas mirabolantes que compunham o programa, desde cedo tomaram a dianteira no coração dessa mesma geração duas equipas: por um lado, os LA Lakers, na altura 'movidos' a Kobe e Shaq, e os Chicago Bulls, onde pontuava um dos mais lendários 'trios de ataque' da História do basquetebol.

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E se, nestes últimos, a componente visual era dominada pela sucessão de penteados cada vez mais 'berrantes' do 'maluco' Dennis Rodman, na quadra, a atenção ia todinha para o homem que esse mesmo Rodman - ao lado do mais discreto mas não menos influente Scottie Pippen - tinha por missão servir.

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Sim, Michael Jordan, ainda hoje um sério competidor ao titulo de 'GOAT' - Greatest of All Time - que discute com nomes como o mítico Wilt Chamberlain, o seu 'rival' da altura Kobe Bryant, ou o seu sucessor natural LeBron James. De todos os nomes sonantes (e hoje lendários) daquela época áurea da NBA - Pippen, Rodman, Kobe, Shaq, Magic Johnson ou Charles Barkley, para citar apenas alguns - Jordan era, sem qualquer sombra de dúvida, o maior, e (ao lado de Rodman) o único que transcendia verdadeiramente as barreiras do desporto em que se especializava, tornando-se parte da cultura 'pop' da altura; em suma, num mundo ainda quase a uma década de ser apresentado a Cristiano Ronaldo, Michael Jordan era tão célebre quanto um desportista da sua época podia almejar a ser - e a verdade é que CR7 ainda não viu o conceito de um filme inteiro ser baseado, tão-somente, no seu 'star appeal'...

Escusado será dizer que este nível de popularidade influenciou, em larga medida, a escolha de equipa favorita da NBA para muitos jovens portugueses; embora alguns dos outros emblemas apresentados pelo 'NBA Action' tivessem os seus atractivos próprios - fossem as mascotes 'cartoonescas' dos Boston Celtic e Charlotte Hornets ou a presença de nomes sonantes nas respectivas equipas -foi mesmo a efígie daquele touro estilizado vermelho que, a partir de meados da década, mais se passou a ver (mais ou menos bem desenhada) em artigos de 'merchandising' (quer oficial quer pirata) que iam de peças de vestuário - como as tradicionais t-shirts e os icónicos bonés - a cadernos escolares e até carteiras; a dada altura, parecia praticamente impossível ir a uma loja ou até passear na rua sem dar de caras com a mascote da instituição basquetebolística de Chicago - e tudo graças àqueles 'poste' careca com a camisola 23, baixo para a posição, mas que compensava largamente esse facto com um talento astronómico, e um carisma de verdadeira 'superstar'...

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Lá em casa havia um igualzinho a este, ali por volta de 1996...

Hoje em dia, no contexto da NBA moderna, os Bulls são uma sombra do que eram naquela época do 'dream team', ainda que continuem a contar com talentos acima da média; quem viveu aquela época, no entanto, associará sempre a equipa do Noroeste Pacífico americano aos nomes de Rodman, Pippen e, sobretudo, Jordan - lendas daquele calibre que o tempo nunca conseguirá apagar, e responsáveis por, em meados da última década do século XX, tantos jovens portugueses se terem 'convertido' aos Chicago Bulls...

17.07.21

NOTA: Este post corresponde a Sexta-feira, 16 de Julho de 2021.

Os anos 90 estiveram entre as melhores décadas no que toca à produção de filmes de interesse para crianças e jovens. Às sextas, recordamos aqui alguns dos mais marcantes.

 

E porque esta semana marca a estreia da sequela de Space Jam - com LeBron James no lugar do seu homólogo dos anos 90, Michael Jordan – nada melhor do que dedicar algumas linhas a recordar o original, estreado há quase exactamente vinte e cinco anos (em Novembro de 1996) e que conseguiu a proeza de se manter popular e relevante desde essa altura, justificando o investimento numa sequela, mesmo tantos anos depois.

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Essa popularidade continuada é – pelo menos para a geração que era da idade certa aquando da estreia do filme – bastante fácil de explicar; afinal, só quem viveu aquele momento da História consegue perceber o quão atrativa era a ideia de ter Michael Jordan e Bugs Bunny a contracenar no mesmo filme. Aquela que foi a primeira ‘mega-estrela’ do basquetebol norte-americano estava em plena alta de popularidade, graças às suas inacreditáveis exibições ao comando da ‘Dream Team’ dos Bulls e da Selecção Nacional norte-americana, enquanto o líder dos Looney Tunes é daquelas figuras perpetuamente populares entre os fãs de desenhos animados, muito graças às frequentes repetições das suas clássicas ‘curtas’ em canais de televisão por esse Mundo fora; assim, juntar os dois numa mesma produção tinha tudo para dar certo. E deu.

A história de Space Jam é, objectivamente, algo parva; uma raça de ‘aliens’ pretende raptar os Looney Tunes para os usar como atracção principal no seu parque de diversões espacial, e a ‘troupe’ animada decide confundi-los, apostando a sua liberdade num jogo de basquete, um conceito perfeitamente desconhecido para os pequenos seres espaciais (os quais não primam pela proeza física, assemelhando-se, mais do que nada, a pequenas lagartas de olhos grandes.) Um plano que teria tudo para dar certo – não fora o facto de os extraterrestres conseguirem roubar os talentos de alguns dos principais jogadores da NBA, com os quais se transformam em literais ‘monstros de esteròides’, bem maiores e mais poderosos do que os Tunes. A última esperança para Bugs Bunny e companhia – aqui aumentada com a adição da recém-chegada ‘craque’ e futura namorada de Bugs, Lola Bunny - reside, pois, numa ex-super-estrela do desporto, a qual se havia retirado do basquete para se dedicar ao beisebol – Michael Jordan, claro. Um rapto bem 'animado’ mais tarde, o prodígio dos Chicago Bulls vê-se convertido em capitão da auto-intitulada TuneSquad, e envolvido num desafio em que, por uma vez na sua carreira, não é favorito…

Uma premissa algo tola, portanto, e que serve, mais que nada, de pretexto para juntar as duas ‘estrelas’ do filme – bem como vários dos mais conhecidos jogadores da NBA à época, de Muggsy Bogues a Charles Barkley, Patrick Ewing, Shawn Bradley e Larry Johnson, os quais alinham numa bem-humorada sátira ao seu próprio estatuto, fingindo ter perdido as suas habilidades e ‘desaprendido’ a jogar basquetebol. ‘Space Jam’ conta, ainda, com Bill Murray, Theresa Randle e Wayne Knight em papéis de apoio, dando ao filme um elenco de luxo, bem acima do que seria expectável para uma produção deste tipo.

A intenção de criar algo que respeitasse o público-alvo não se fica, no entanto, pelo elenco e interpretações; apesar do argumento algo tonto, o filme conta com uma excelente banda sonora (a começar pelo tema-título, e passando pelo entretanto infame ‘I Believe I Can Fly’, de R. Kelly) e tem o cuidado de retratar os Looney Tunes exactamente como os conhecemos, sem quaisquer concessões ao politicamente correcto – tirando, talvez, o facto de Bugs Bunny nunca se vestir de mulher. De resto, e apesar do novo ‘look’ assistido por CGI, a turma animada aparece igual a si própria, com muitas ‘gags’ absurdas (incluindo uma no famoso lance final do jogo decisivo) e literalmente explosivas, assegurando que – ao contrário do infame filme de Tom e Jerry, lançado alguns anos antes – quem conhecesse os Looney Tunes não sairia defraudado do cinema.

As cenas de jogo contêm muitas das melhores 'gags' do filme

O resultado foi, previsivelmente, um sucesso de bilheteira, que reavivou o interesse nos Looney Tunes, e justificou o lançamento de vários novos produtos alusivos a Bugs e companhia, agora, previsivelmente, com o seu novo ‘look’ e equipados à basquetebol; entre os mais memoráveis encontravam-se um jogo para PlayStation (basicamente um 'NBA Jam', mas com os Looney Tunes no lugar dos jogadores cabeçudos) e o relançamento, em formato VHS, de vários episódios clássicos de cada um dos principais personagens, com uma nova dobragem em português, sob a denominação ‘Estrelas do Space Jam’.

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Um volume da colecção 'Estrelas do Space Jam', focada no personagem de Marvin, o Marciano

Nada de muito surpreendente – não fosse o facto de o ‘merchandise’ alusivo ao filme ter continuado a vender (e bem) durante as duas décadas seguintes (ainda em 2018-2019, o Primark lançava uma t-shirt alusiva ao filme, destinada a um público-alvo que mal era nascido quando o filme estreou!) Um caso de popularidade apenas explicável pelo facto de este filme aparentemente menor ter sido passado de irmãos para irmãos e de pais para filhos, beneficiando da nostalgia prevalente pela década de 1990 para se manter ‘nas bocas do povo’.

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T-shirt alusiva ao filme, lançada pela Primark mais de uma década após a estreia do mesmo

Seja qual for o motivo por detrás da intemporalidade de um filme que, teoricamente, só funcionaria no contexto específico em que foi lançado, a verdade é que ‘Space Jam’ a merece – por muito que a Internet queira fazer dele ‘bombo de festa’, a verdade é que se continua a tratar de uma excelente obra para toda a família, com muita diversão, momentos memoráveis, uma boa mensagem, e aquele tipo de violência animada que nunca sai de moda, por muito politicamente correcto que o Mundo se torne. Seria uma pena, portanto, se a recém-estreada sequela destruísse o consenso que o original ainda hoje consegue reunir – embora, a julgar pelas primeiras críticas, seja exactamente isso que se vá passar. Resta o consolo de, pelo menos, ainda termos o original para nos relembrar de que, na verdade, esta fórmula pode ser executada, mais do que correctamente, com louvor e distinção. ‘COME ON AND SLAM! AND WELCOME TO THE JAM!’

 

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