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Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

19.11.22

As saídas de fim-de-semana eram um dos aspetos mais excitantes da vida de uma criança nos anos 90, que via aparecerem com alguma regularidade novos e excitantes locais para visitar. Em Sábados alternados (e, ocasionalmente, consecutivos), o Portugal Anos 90 recorda alguns dos melhores e mais marcantes de entre esses locais.

A explosão dos movimentos pop-rock e alternativo nas décadas de 80 e 90 (já aqui documentada em vários dos nossos posts anteriores) levou, lógica e previsivelmente, ao aparecimento de inúmeros espaços (a maioria, também naturalmente, nas áreas urbanas de Lisboa e Porto) onde os fãs destes estilos se podiam juntar para ouvirem o tipo de som da sua preferência, sempre devidamente acompanhado de alguns comes e muitos bebes, ou não se estivesse em Portugal. E se, na década seguinte, ganhariam proeminência e relevância salas como o Paradise Garage, em Lisboa, ou o seu congénere portuense, o Hard Club, nos anos 90 o destaque nesse campo pertencia a espaços como o Dramático de Cascais, ou o estabelecimento de que hoje falamos, o Johnny Guitar.

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Sala mítica da Lisboa dos noventas, sobretudo para quem gostava de um som mais voltado ao 'punk', rock alternativo e até heavy metal, o espaço inaugurado há quase exactos trinta e dois anos (a 7 de Novembro de 1990) por Zé Pedro (dos Xutos & Pontapés), Alex e Kalú (dos Rádio Macau) como 'substituto' para o lendário e malogrado Rock Rendez-Vous conseguiu, nos seus poucos anos de existência, deixar o mesmo tipo de marca na sociedade lisboeta, e sobretudo na sua juventude, que o seu antecessor, tornando-se A sala de referência, por excelência, para concertos de bandas dos estilos supramencionados. Pelo palco do pequeno mas carismático espaço da Calçada Marquês de Abrantes passaram nomes tão díspares como Peste & Sida, Ramp, Pop Dell'Arte, e até Jorge Palma (na sua encarnação mais 'alternativa' como Palma's Gang) ou uns Da Weasel ainda com um som mais puramente hip-hop e letras em inglês; no total, em escassos quatro anos de existência, o mítico espaço albergou mais de quinhentos espectáculos, tendo alguns dos artistas que ali tocaram, inclusivamente, ficado imortalizados no CD 'Johnny Guitar Ao Vivo em 1994, Vol. I', bem como no álbum ali gravado pelo Palma's Gang.

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Os dois álbuns alusivos ao espaço.

Infelizmente, antes que pudesse ser compilado um segundo volume desta colectânea, o bar e sala de espectáculos de Zé Pedro, Alex e Kalú viu-se obrigado a encerrar portas, como consequência de repetidas queixas relativas ao ruído e volume da música que ali se ouvia: uma perda de vulto para a juventude 'roqueira' nacional, que se via assim privada de uma das muito poucas salas declaradamente dedicadas a um som mais barulhento e menos comercial. Fica, pois, a homenagem possível a uma sala que, imagina-se, terá sido marcante na juventude de alguns dos leitores mais velhos deste blog, a quem convidamos a deixarem quaisquer testemunhos sobre o espaço na nossa caixa de comentários.

08.08.22

Qualquer jovem é, inevitavelmente, influenciado pela música que ouve – e nos anos 90, havia muito por onde escolher. Em segundas alternadas, exploramos aqui alguns dos muitos artistas e géneros que faziam sucesso entre as crianças daquela época.

Quem foi jovem durante os primeiros anos do novo século e milénio certamente terá uma relação muito especial com os festivais de Verão, verdadeiros locais de 'romaria' para fãs de música autêntica e de qualidade, independentemente do género. Só os nomes já são suficientes para causar nostalgia em qualquer ex-'puto' que tenha ido, ou querido ir, a um destes certames: Super Bock Super Rock, Ilha do Ermal, Vilar de Mouros, Paredes de Coura, e aquele sobre o qual nos debruçamos na Segunda de Sucessos de hoje, e cuja edição transacta, realizada este fim-de-semana, marcou os seus vinte e cinco anos de existência – o Festival do Sudoeste.

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A primeira edição do Festival, realizada em 1997

Realizado anualmente na localidade de Zambujeira do Mar, na região de Odemira, no Alentejo, o agora intitulado MEO Sudoeste (o quarto patrocínio do certame em vinte e cinco anos, após TMN, Optimus e a Sagres dos primórdios) inseria-se, inicialmente, na franja mais 'roqueira' do espectro dos festivais de Verão portugueses - sem nunca ser tão declaradamente pesado ou 'metaleiro' como o seu extinto congénere da Ilha do Ermal, o certame reservava, no entanto, a grande maioria do seu cartaz para artistas do espectro do 'rock', tanto comercial como alternativo; e embora, na última década, o foco se tenha gradualmente voltado para a 'pop', para o 'hip-hop' e para a música de dança, é provável que quem visitou o festival nos seus tempos áureos o recorde mesmo como um evento centrado no 'rock', com cabeças de cartaz do calibre de Marilyn Manson, Faith No More, Oasis, The Cure, Sonic Youth ou até Sepultura.

Foi, aliás, precisamente a Brian Hugh Warner (vulgo Marilyn Manson) e à sua banda homónima que couberam as honras de encabeçar o segundo dia da primeiríssima edição do festival, que contou ainda com a participação dos inevitáveis Xutos & Pontapés (que, à época como hoje em dia, dificilmente deixam de estar presentes algures no cartaz de qualquer evento sequer remotamente ligado ao 'rock' realizado em Portugal) e dos então também 'em alta' Blasted Mechanism, entre outros; já os restantes dois dias do festival tinham como cabeças-de-cartaz, respectivamente, as então 'coqueluches' da cena Britpop, Blur (que abriam o festival juntamente com, entre outros, as 'riot grrrls' Veruca Salt, os metaleiros Anger, os indefiníveis Bizarra Locomotiva e a 'instituição' do pop-rock nacional, Entre Aspas) e aos Suede, que alinhavam ao lado de dEUS, Rio Grande, Cool Hipnoise ou Turbojunkie para proporcionar um dia de encerramento tão ecléctico como os dois anteriores, e com alinhamento não menos de luxo.

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O cartaz completo da edição inaugural do certame

De facto, essa primeira edição do Sudoeste estabeleceu, desde logo, uma característica que se estenderia à maioria, senão totalidade, dos festivais de Verão das décadas seguintes – nomeadamente, o facto de a organização ter assegurado que os pagantes tiravam o devido proveito do preço do bilhete, quer o mesmo fosse válido apenas para um dia, quer para dois ou até todos; quem esteve no Sudoeste '97 teve direito a três grandes cartazes - uma tendência que se manteria mesmo depois de o festival ser alargado para quatro dias, já no novo milénio, e que ajudaria a que o festival, e a localidade de São Teotónio, se tornassem num dos pontos de referência dos melómanos portugueses durante os meses de Verão durante o quarto de século seguinte, com que nem a pandemia de COVID-19 conseguiu acabar. Parabéns, Sudoeste – e que ainda contes muitos!

 

05.07.21

Qualquer jovem é, inevitavelmente, influenciado pela música que ouve – e nos anos 90, havia muito por onde escolher. Em segundas alternadas, exploramos aqui alguns dos muitos artistas e géneros que faziam sucesso entre as crianças daquela época.

Na última Quinta no Quiosque, recordámos a revista Super Jovem, uma pioneira das publicações de variedades para jovens nos anos 90. Nesse post, entre outras lembranças, foi feita menção dos excelentes brindes por vezes incluídos com a revista, dos quais um se havia destacado como particularmente memorável.

É, precisamente, desse brinde – ou antes, desses brindes – que falaremos nesta Segunda de Sucessos; porque a verdade é que, como uma rápida visita ao Google comprovará, os mesmos marcaram mesmo época junto dos fãs de música da época.

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Isto porque a referida colecção consistia, nem mais nem menos, do que de CDs de música, com o patrocínio da Frisumo - que, como era habitual neste tipo de iniciativas, reservava uma faixa no final do disco para o seu 'jingle' - cada um com entre uma a quatro músicas da autoria de uma banda portuguesa considerada em ascensão. Descritos pela própria revista como CDs single, estes discos acabavam, muitas vezes, por ficar mais próximo dos formatos ‘split’ ou EP, especialmente aqueles que incluíam mais do que uma banda.

Na verdade, e mais concretamente, os primeiros seis discos seguiam, na verdade, o formato single, com apenas uma música; os três seguintes apresentavam o formato ‘split’, os dois primeiros com dois artistas – cada um com duas faixas - e o terceiro (o nono da série) com três, cada um com uma faixa; por fim, o décimo e último disco constituía, para todos os efeitos, um EP próprio da banda em destaque, os cómicos pop Mercurioucromos, que surgiam com quatro temas, incluindo o então muito badalado ‘O Camionista Cantor’. No fundo, e apesar das discrepâncias de formato a partir de meio da colecção, uma excelente ‘montra’ para bandas aspirantes do panorama musical português.

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Exemplos da divisão de faixas de dois dos CDs da segunda metade da colecção

Talvez a melhor característica desta colecção de CDs fosse o facto de a Super Jovem não se cingir àquilo que podiam ser entendidas como as preferências do seu público-alvo; antes pelo contrário, a revista tentava, com esta série, agradar a um leque de leitores o mais vasto possível, apresentando bandas de todos os géneros e para todos os gostos. Era esta abrangência estudada que permitia ter, lado a lado, bandas de pop-rock como HuaHine, Linda Love Lace ou os referidos Mercurioucromos, ‘hard rockers’ como Alcoolémia e os heróis do ‘grunge’ tuga SG’s, colectivos de New Wave como Ruído Sónico, artistas mais ‘dançáveis’ como Ithaka e DJ Don Juan, e grupos de heavy metal ou até death metal (!) como os também heróis de culto Disaffected. A Super Jovem não brincou em serviço no que tocou a agradar a todos os públicos, e o esforço resultante terá apresentado a muitas crianças de dez anos a oportunidade de ouvir pelo menos uma música de death metal na vida; se gostaram ou não, já são ‘outros quinhentos’, mas o esforço, pelo menos, é louvável.

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Os dois últimos sobreviventes da nossa colecção pessoal

Enfim, independentemente de preferências musicais, esta colecção de CD’s (que vinha agarrada às revistas com plástico) terá sem dúvida sido marcante para qualquer criança ou jovem que tenha tido contacto com ela. Se, como nós, se contam entre esse número, deixem as vossas recordações nos comentários!

19.04.21

Qualquer jovem é, inevitavelmente, influenciado pela música que ouve – e nos anos 90, havia muito por onde escolher. Em segundas alternadas, exploramos aqui alguns dos muitos artistas e géneros que faziam sucesso entre as crianças daquela época.

E hoje vamos falar de um estilo que, apesar de mais popular entre os jovens, ainda se insere dentro dos parâmetros deste blog – o chamado ‘alternativo’.

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O movimento alternativo dos anos 90 teve expressão, em Portugal, em dois momentos distintos, divididos quase exactamente entre as duas metades da década. O primeiro destes bebia clara inspiração no som e visual ‘grunge’ de bandas como Nirvana e Pearl Jam, e traduziu-se no aparecimento de bandas como SG’s, Turbojunkie, Blind Zero e Lulu Blind, cujo som era claramente influenciado por estes e outros grupos (como os Soul Asylum) mas com sotaque ‘à portuguesa’ – ou, no caso dos Lulu Blind, letras declaradamente em português.

Dos nomes anteriormente referidos, destaque para os Blind Zero, o único dos grupos dessa primeira ‘vaga’ de rock alternativo português a sobreviver até aos dias de hoje, bem como a primeira banda de rock portuguesa a conseguir um Disco de Ouro, e ainda o artista vencedor do prémio de Melhor Banda Portuguesa nos prémios MTV Europe de 2003, já muito depois do pico do seu sucesso. Dos outros, ficam os discos, e as memórias de um som muito ‘de época’, mas ainda assim bem feito, e ainda apelativo nos dias de hoje.

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Blind Zero

Já a segunda vaga de música alternativa em Portugal teve lugar já nos últimos anos da década – sensivelmente a partir de 1997 ou 98 – e ficou caracterizada pela sua muito maior abrangência em relação à primeira fase do movimento. As bandas ‘aceitáveis’ por quem se identificava com este movimento iam, desta feita, do indie pop-rock de uns Wheatus, Weezer ou The New Radicals ao pós-grunge de Hole, Bush, Smashing Pumpkins, Skunk Anansie ou Radiohead (fase pré-hipster), o industrial gótico de Marylin Manson, o pop-punk de Green Day, Blink-182 e Offpsring, o alt/nu-metal de uns Red Hot Chili Peppers, Incubus, Korn e Limp Bizkit, ou mesmo a electrónica de uns The Prodigy. Desde que fosse barulhento, rebelde e pouco comercial q.b. para captar a imaginação dos à época denominados ‘freaks’, era aceite como parte do movimento.

Uma banda, no entanto, sobressai acima de todas as outras, e afirma-se como incontornável ao falar desta segunda fase do movimento em Portugal: Guano Apes. A banda alemã foi, pura e simplesmente, o grupo favorito de um determinado segmento da população portuguesa nos anos que mediaram entre o seu registo de estreia (‘Proud Like a God’, de 1997) e o seu igualmente bem-sucedido sucessor, ‘Don’t Give Me Names’, de 2000. Nesse período de três anos, o colectivo liderado pela giraça Sandra Nasic terá sido, possivelmente, mais popular em Portugal do que na sua própria pátria, sendo as visitas ao nosso país, a certa altura, tão frequentes, que parecia não passarem seis meses sem os Guano Apes cá estarem mais uma vez, a encher mais uma sala de concertos ou duas. Chegaram mesmo a tocar na televisão - e não, não foi num programa de música num canal marado da então jovem TV Cabo. Foi na RTP1, em horário nobre, no programa do Herman José!

Talvez o 'booking' mais marado desde que os RAMP apareceram no Buereré...

Infelizmente (para eles), o interesse do público português na banda esmoreceu bastante depois de ‘Don’t Give Me Names’, tornando a banda em mais uma vítima do fenómeno ‘eu-ouvia-isso-quando-era-puto’. O que, neste caso, até é uma pena, sendo que pelo menos o terceiro disco da banda – ‘Walking on A Thin Line’, de 2003 – ainda se afirma como uma proposta sólida no campo do rock barulhento mas comercialmente viável.

De realçar que, ao contrário da primeira vaga, este segundo fôlego do movimento alternativo não gerou quaisquer bandas portuguesas dignas de nota – à excepção, talvez, e se formos generosos, de uns Anger. A cena musical portuguesa à época estava mais virada para o indie pop-rock, e os novos grupos que surgiram a tentar emular este estilo acabaram por passar despercebidos, ao contrário do que acontecera com os ‘grungers’ ‘tugas alguns anos antes.

Mesmo sem este aspeto, no entanto, esta segunda vaga do ‘alt-rock’ em Portugal – que, aliás, se esticou até ao fim da primeira metade da década seguinte – ficou na memória de muitos jovens, que tinham, na altura, a idade certa para serem influenciados pelos grupos que dela faziam parte. Quem era puto em finais dos ‘90 e nunca usou (ou quis usar…) calças, t-shirts ou pullovers um tamanho acima, correntes e bonequinhos pendurados da mochila, um boné vermelho (para trás, claro), ténis Airwalk ou Vans, ou um daqueles chapeuzinhos tipo panamá com flores havaianas, que se acuse…

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Vocês sabem que se vestiram (ou queriam vestir) assim aos 14 anos. Não mintam.

Falando nisso, chegou aquela hora – a hora de serem vocês a partilhar as vossas memórias do(s) movimento(s) alternativo(s) dos ‘90s e princípios de 2000. Faziam parte? Que bandas ouviam? Deste lado, foi a época de formação e ‘afirmação’ de uma identidade musical como ‘rocker’, a qual começou nos Beatles e passou por grupos como Nirvana, Green Day, Offspring, Limp Bizkit, terminando na ‘chapada na cara’ que foi o primeiro álbum dos Slipknot. E vocês? Tiveram trajetos semelhantes? Partilhem nos comentários. E para se inspirarem, aqui fica um ‘shot’ de nostalgia directo ‘na veia’…

 

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