Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

19.06.22

Ser criança é gostar de se divertir, e por isso, em Domingos alternados, o Anos 90 relembra algumas das diversões que não cabem em qualquer outra rubrica deste blog.

Conforme mencionámos noutra edição desta rubrica, os jogos de tabuleiro estiveram entre as ocupações mais populares para um Domingo de chuva em casa, em família. No entanto, apesar de a típica configuração com 'casas' numeradas ser a mais popular e vulgarmente utilizada pelos fabricantes deste tipo de jogos, como a Majora ou a MB, este tipo de jogo estava longe de ser o único disponível nas prateleiras dos supermercados, hipermercados e lojas de brinquedos; pelo contrário, os anos 90 foram a década, por excelência, dos jogos 'de mesa' mais elaborados, alguns até com recurso a tecnologia.

Dois bons exemplos deste fenómeno – e que, pelas suas semelhanças, costumam ser mencionados em conjunto – vêm precisamente dos acervos noventistas da MB e Concentra, que, em espírito de concorrência directa, apresentavam o mesmo conceito em duas 'embalagens' diferentes.

00197632601726____6__640x640.webp

D_NQ_NP_879361-MLB44318904959_122020-W.jpg

Falamos, claro, do 'Mauzão' da Concentra e do 'Crocodilo no Dentista' da MB, ambos os quais envolviam a remoção cuidadosa, utilizando a pinça fornecida com o jogo, de algum elemento dos animais homónimos (os dentes no caso do crocodilo, ou os ossos no caso do Mauzão), sob pena de levar uma 'dentada' dos mesmos; no fundo, uma variação sobre o sempre popular jogo da 'Operação', mas neste caso, com consequências algo mais nefastas do que vibração e uma luz vermelha, visto que ambos os bonecos estavam, também, programados para avançar na direcção do jogador que arrancasse o dente errado, tendo o Mauzão, até, direito a efeitos sonoros de ladridos e rosnadelas! Claro que estes factores apenas tornavam cada partida mais tensa (e divertida), já que nenhum jogador queria arriscar-se a apanhar a 'dentada'...

Curiosamente, os dois jogos acabaram, acidentalmente ou não, por partilhar mais do que apenas mecânicas e conceitos; ambos, por exemplo, tiveram uma versão 'de viagem', simplificada e à escala reduzida. No caso do Mauzão, a mesma foi comercializada como um produto distinto, com o nome de Mauzão Júnior, e algumas diferenças estéticas em relação à versão de mesa; por contraste, o Crocodilo no Dentista 'de bolso' limitava-se a tornar tudo mais pequeno, sem que fossem efectuadas quaisquer alterações no conceito do jogo. Além destas versões 'mini', os dois jogos partilharam ainda anúncios televisivos relativamente memoráveis, sobretudo no que toca às suas melodias e 'jingles'.

Outra particularidade destes produtos prende-se com o facto de, ao contrário da maioria dos brinquedos e jogos que aqui abordamos, ambos ainda serem comercializados, embora o 'Crocodilo no Dentista' surja agora sob o selo da Hasbro. Quanto ao seu impacto junto de um público-alvo bem mais 'desligado' dos jogos tradicionais e voltado para o 'online', não sabemos comentar – mas quem sabe, talvez algum dos nossos leitores nos saiba elucidar quanto ao assunto...

20.02.22

Ser criança é gostar de se divertir, e por isso, em Domingos alternados, o Anos 90 relembra algumas das diversões que não cabem em qualquer outra rubrica deste blog.

No vocabulário de hoje em dia, a expressão 'jogo de tabuleiro' evoca imagens de jovens reunidos numa qualquer loja de cave, em torno de uma mesa apinhada de miniaturas de Warhammer 40.000 ou algum outro jogo semelhante, Nos anos 90, no entanto, esse termo tinha conotações bem mais simples, muitas das quais se vêm rapidamente perdendo; nada melhor, portanto, do que dedicar um post a preservar a memória daquela que foi uma das épocas áureas dos jogos de mesa para toda a família,

shutterstock_C8gIAfp.jpg

De facto, quem queria passar uma tarde chuvosa a divertir-se em família tinha, entre os anos 80 e o início do novo milénio, uma panóplia de opções à escolha, de clássicos intemporais como o Monopólio (um dos poucos a sobreviver à transição para a era digital), o Trivial Pursuit, o Jogo da Glória, o Jogo do Ganso ou o Ludo, até jogos mais elaborados e ilustrativos do momento cultural de finais do século XX, como o eterno e lendário Quem É Quem (hoje ainda no mercado, mas praticamente irreconhecível), o Labirinto Mágico, o excelente Piloto Piruetas, ou ainda títulos criados especificamente para facturar com a ligação a uma qualquer propriedade intelectual popular, como o algo peculiar jogo da série Dinossauros.

D_NQ_NP_777183-MLB41816207648_052020-O.jpg

Sim, isto existia.

Os esforços, durante estes anos, de companhias como a nacional Majora ou a internacionalmente famosa MB (distribuída no nosso país pela inevitável Concentra) garantiam a diversão de famílias de Norte a Sul do País, e era raro o aniversário ou, principalmente, Natal que não contasse pelo menos um destes jogos entre a sua selecção de presentes.

Como tudo, no entanto, também os jogos de tabuleiro foram obrigados a adaptar-se com o passar do tempo, a fim de conseguirem fazer frente às muitas alternativas digitais que a era informática trouxe – especialmente dado que, graças à Internet 2.0, era agora possível jogar, não apenas com a família em torno da mesa da sala, mas com milhões de outros seres humanos, espalhados pelos quatro cantos do globo. Assim, não foi de todo surpreendente ver desaparecer a grande maioria dos jogos tradicionais de tabuleiro – hoje em dia, muitos dos exemplos deste tipo de jogo disponíveis nas lojas são de cariz mais educativo, sendo o seu público-alvo, precisamente, quem procura uma alternativa aos Candy Crush e Roblox – e os restantes adaptarem-se ao que as novas gerações procuravam (actualmente, são poucas as edições do Monopólio ou Trivial Pursuit que NÃO são alusivas a qualquer tipo de instituição ou tema.)

711jqIrUnEL._AC_SS450_.jpg

Exemplo de uma edição moderna, temática, do clássico Trivial Pursuit

No entanto, apesar destes poucos títulos continuarem, qual aldeia gaulesa do Astérix, a resistir ainda e sempre ao invasor, é justo dizer que a era dos jogos de tabuleiro clássicos como meio de preencher 'tempos mortos' na companhia de familiares e amigos havia, infelizmente, passado; mas é também justo teorizar que, numa altura em que a geração que viveu essa mesma era se vem tornando responsável pela seguinte, é possível que haja um esforço de sensibilização da mesma para as diversões que entretinham os seus pais em fins-de-semana preguiçosos de Inverno. Se a mesma surtirá algum tipo de efeito, há que esperar para ver: mas, como sucede com a maioria dos produtos do 'nosso tempo' de que aqui falamos, a perspectiva de uma 'era Renascentista' dos jogos de tabuleiro não é, de todo, descabida...

Mais sobre mim

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2022
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2021
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
Em destaque no SAPO Blogs
pub