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Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

30.04.23

Ser criança é gostar de se divertir, e por isso, em Domingos alternados, o Anos 90 relembra algumas das diversões que não cabem em qualquer outra rubrica deste blog.

O Mundo dos adultos exerce, invariavelmente, um enorme fascínio para qualquer criança ou jovem, sendo a vivência dessas mesmas experiências a título próprio um dos grandes objectivos de qualquer menor de idade. E apesar de certos aspectos desse mesmo Mundo permanecerem vedados até serem completados dezoito anos, outros há que conseguem ser 'replicados' em ponto miniatura, para enorme deleite da demografia em causa. Nos anos 90, um exemplo desta última vertente eram as versões 'de brincar' de alguns dos mais populares jogos competitivos do Mundo adulto, de que eram exemplo o 'snooker', os dardos, os matraquilhos ou ainda o bólingue – todas elas diversões de cujas versões 'reais' a criança ou jovem médio da época desfrutaria apenas muito esporadicamente, durante uma ida ao café ou salão de jogos ou bólingue.

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Exemplo moderno deste tipo de divertimento.

Estas versões em 'ponto pequeno', disponíveis em qualquer loja de brinquedos ou grande superfície, ajudavam, pois, a tornar esses jogos numa experiência mais quotidiana, permitindo a quem tinha uma destas mesas desfrutar de uma partida sempre que lhe apetecesse – e fazendo uso de apetrechos adaptados ao seu tamanho, por oposição a tacos gigantes ou bolas tão pesadas que mal se lhes conseguia pegar.

Não é, pois, de estranhar que este tipo de mesas de jogo rapidamente se tenham tornado um sucesso (e motivo de cobiça) entre as crianças e jovens daquela época, com as mesas de matraquilhos, em particular, a constituírem uma excelente fonte não só de 'gabarolice' como também de muita diversão sempre que se recebiam familiares ou amigos para uma festa de anos ou, simplesmente, uma tarde de brincadeira. E embora o teor significativamente reduzido das mesas e apetrechos as restringisse a uma faixa etária declaradamente infantil – já que, para os jovens, era tudo muito baixo e pequeno – tal acabava por não importar, já que, chegada a adolescência, era já possível tirar partido das versões 'reais' da maioria destes jogos.

Para as crianças, no entanto, cada um destes brinquedos representava uma oportunidade única de fazer coisas 'de adulto', tornando-as parte acarinhada de qualquer quarto de brinquedos noventista; e, apesar de este tipo de produto se ter tornado significativamente mais raro ao longo das últimas três décadas, é de crer que algo deste tipo fizesse, ainda hoje, sucesso junto de um público infantil muito menos 'restrito' em termos de interesses (e mais voltado para a vertente digital) mas não menos interessado em crescer o mais rapidamente possível...

24.06.21

NOTA: Este post é relativo a Quarta-feira, 23 de Junho de 2021.

Em quartas-feiras alternadas, falamos sobre tudo aquilo que não cabe em nenhum outro dia ou categoria do blog...

…como é o caso dos matraquilhos.

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Complemento perene de cafés, pastelarias e ‘tascas’ por esse Portugal afora, os matraquilhos não são um passatempo exclusivamente nacional (foram, aliás, inventados em Espanha, mais concretamente na Galiza) mas para quem seja mais desapercebido, quase pode parecer ser esse o caso. Afinal, ainda hoje, mais de três quartos de século após terem sido patenteados, os matraquilhos ou ‘matrecos’ marcam presença em estabelecimentos de refeições leves, acampamentos, colónias de férias, salões de jogos, e onde mais couber uma mesa.

E se muitos países estrangeiros se contentam com ter aquelas mesas básicas, com bonecos azuis sem feições a defrontar bonecos laranjas sem feições, nós portugueses não fazemos por menos – os nossos jogadores de mesa de ‘matrecos’ surgem, inevitavelmente, vestidos a rigor com os equipamentos do Sporting, Benfica ou Porto.

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Podia-se fazer uma 'jogatana' numa mesa destas? Podia, mas não era a mesma coisa...

De igual modo, enquanto no estrangeiro se vão popularizando as horríveis mesas modernas de plástico, em Portugal continuamos apegados às nossas históricas e maravilhosas criações em madeira, tão sólidas e resistentes como intemporais, sempre com aquele ar de quem já foi usado por gerações de jogadores, e estará lá para ser utilizada por várias gerações mais…

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Mesa de 'matrecos' que se preze simula um 'derby'. E quanto mais gastos os jogadores, melhor...

Enfim, apesar de serem de origem galega, os ‘matrecos’ foram-se, ao longo das suas décadas de existência no nosso país, transformando numa experiência bem ‘portuguesa’ – não só no aspecto e envolvência, como na própria forma de jogar (certos países, por exemplo, não respeitam a Regra Sagrada; no Reino Unido, as roletas não só valem, como são mais abusadas do que um Hadouken num jogo de Street Fighter.)

No entanto, a verdade é que este jogo tão simples quanto viciante – seja a dois ou, preferencialmente, a quatro jogadores – é popular o suficiente a nível internacional para justificar a existência, por exemplo, de (múltiplos!) videojogos de ‘simulação’; isto já sem contar, é claro, com as mesas em formato miniatura que todos nós queríamos ter no quarto nos idos de 90 (por aqui, havia uma, muito apreciada.) Enfim, um jogo intemporal, que atravessa gerações, e que, em tempos de euforia futebolística como os que se vivem nestas duas ou três semanas do Verão de 2021, merece bem a homenagem retrospectiva!

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