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Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

17.01.24

Em Segundas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das séries mais marcantes para os miúdos daquela década, sejam animadas ou de acção real.

A última Quarta aos Quadradinhos foi dedicada à adaptação oficial em BD de 'Indiana Jones – Crónicas da Juventude', a série de TV que serviu, em 1992-93, de prequela às aventuras cinematográficas do arqueólogo e aventureiro Henry Jones Jr.; nada melhor, portanto, do que dedicarmos a edição seguinte desta rubrica à outra adaptação em banda desenhada do personagem de Steven Spielberg e George Lucas, esta directamente relacionada com a trilogia inicial de filmes lançada nos anos 80 e inícios de 90.

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Capa do primeiro dos quatro números da série.

Trata-se de 'Indiana Jones e a Última Cruzada', mini-série originalmente lançada pela Marvel ainda nos anos 80, e que surgia em Portugal nos primeiros meses da década de 90, nos mesmos quatro volumes da edição original e, curiosamente, pela mão da Meribérica-Liber (conhecida, sobretudo, pelos seus álbuns de BD franco-belga) e não da Abril Jovem, que detinha, à época, os direitos de edição nacionais da maioria dos títulos da Marvel e DC. O conteúdo, esse, não deixava margem para quaisquer surpresas, tratando-se de uma recriação do enredo e cinematografia do filme em formato gráfico, que se inseria declaradamente na então bastante popular categoria das adaptações de filmes em banda desenhada, que veria também serem editados em Portugal, na primeira metade dos anos 90, álbuns e colecções alusivas a 'Batman Para Sempre' e 'Parque Jurássico'.

Ao contrário do que acontecia com aquelas obras, no entanto, esta adaptação em BD apresenta uma série de pequenas diferenças, justificadas pelo facto de a adaptação gráfica se basear na novelização oficial do filme, onde se verificavam os mesmos desvios. Nada que prejudique a experiência ou até o desfecho da trama, no entanto, sendo que qualquer fã dos filmes se sentirá em 'território familiar' ao explorar a obra do argumentista David Michelinie (à época um nome sonante no seio da Marvel) e dos artistas Brett Blevins e Gregory Wright. Uma proposta interessante, pois, para quem queira 'mergulhar' no 'Universo circundante' da franquia 'Indiana Jones', e descobrir um pouco do 'merchandising' e produtos complementares que a mesma gerava no auge da sua popularidade – dos quais esta adaptação em 'quadradinhos' está longe de ser a mais inusitada.

08.12.23

NOTA: Por motivos de relevância, todas as Sextas-feiras de Dezembro serão Sessões.

Os anos 90 estiveram entre as melhores décadas no que toca à produção de filmes de interesse para crianças e jovens. Às sextas, recordamos aqui alguns dos mais marcantes.

Hoje em dia, os filmes de super-heróis, ou simplesmente baseados em obras de banda desenhada, são um dos géneros mais prolíficos, bem-sucedidos e de maior orçamento do panorama cinematográfico. No entanto, quem já era fã deste tipo de filme antes do advento dos Multiversos Cinematográficos Marvel e DC sabe que nem sempre foi esse o caso, antes pelo contrário, e que os filmes baseados em BD's tiveram, durante várias décadas, custos de produção baixíssimos e níveis de qualidade que oscilavam entre o aceitável e o tenebroso. De facto, já nos primeiros anos do Novo Milénio, era ainda possível sentir o receio dos 'nerds' de todo o Mundo sempre que era anunciado um novo filme do estilo, mesmo depois de terem já havido vários exemplos do género de qualidade muito acima da média. E se os 'Batmans' de Tim Burton e Joel Schumacher e os 'X-Men' de Bryan Singer são, normalmente, creditado como os primeiros filmes a contribuir para o inverter da tendência, a verdade é que o género 'quadradinhos no grande ecrã' produzia, na mesma altura, outro filme de algum sucesso, sobre cuja estreia em Portugal se celebram na próxima semana vinte e cinco anos.

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Surgido nas salas lusas a 11 de Dezembro de 1998 (mesmo dia em que era lançado o muito diferente 'Pai Para Mim...Mãe Para Ti', de que falámos na última edição desta rubrica), 'Blade' baseava-se no personagem da Marvel com o mesmo nome, um 'híbrido' de vampiro e humano conhecido como 'dhampir', que utiliza as suas habilidades vampíricas para caçar e eliminar os 'puros sangues', em cenas bem 'sangrentas', repletas de acção com armas brancas e do tipo de artes marciais que viria a ganhar (ainda mais) popularidade com o lançamento de 'Matrix', no ano seguinte.

No papel do enigmático e sorumbático personagem surgia Wesley Snipes, actor em tempos tido como revelação (actuou em filmes como 'New Jack City', por exemplo) mas cuja carreira ficara marcada pela combinação de um temperamento complicado com abuso de substâncias, que o vira embarcar em obras de muito menor calibre – embora ainda tivesse conseguido trabalhar com um dos grandes heróis de acção dos anos 80 e 90, Sylvester Stallone, durante a segunda 'fase áurea' deste último, ao representar o vilão em 'Homem Demolidor', de 1994. No entanto, 'Blade' é geralmente tido como o filme que permitiu trazer Snipes de volta à ribalta, numa trajectória semelhante à que Eddie Murphy encetava no mesmo período, com a sua participação vocal em 'Mulan' e o sucesso de 'Doutor Doolittle'.

E a verdade é que, sem ser nenhum portento cinematográfico, 'Blade' resulta bem para aquilo que é – um veículo para Snipes, que nada mais pretende do que oferecer noventa minutos de entretenimento descartável para adolescentes e fãs do personagem. A referida demografia respondeu, aliás, em peso, tornando 'Blade' num dos primeiros verdadeiros sucessos de um género até então representado por obras medianas, como 'O Juiz', ou declaradamente fracas.

Tendo em conta este sucesso, não é de surpreender que Snipes tenha voltado a vestir a capa de cabedal do 'dhampir' dos quadradinhos, não uma, mas duas vezes – a primeira em 2002, sob a direcção do 'lunático' Guillermo del Toro, num filme considerado uma versão melhorada e alargada do seu antecessor, e a segunda em 2004, para o menos consensual 'Blade III: Trinity', que conseguiu ainda assim um desempenho meritório nas bilheteiras tanto nacionais quanto mundiais. Já a série baseada no personagem, também com argumento de David S. Goyer (que escrevera todos os filmes e realizara o terceiro) mas com o 'rapper' Sticky Fingaz no lugar do demissionário Snipes, não chegou a estrear em Portugal.

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Os dois filmes que completam a trilogia, também eles bastante bem sucedidos.

É fácil de perceber, portanto, que apesar de algo esquecida vinte anos passados, a trilogia 'Blade' não deixou de marcar época entre os adolescentes das gerações 'X' e 'millennial', aos quais ofereceu, precisamente, aquilo que procuravam: acção bem sangrenta e com a estética de 'cabedal negro' tão apreciada naqueles anos de viragem de Milénio. Além disso, a série explora o reavivar de interesse em vampiros, iniciado com 'Entrevista com o Vampiro', de 1995, e que viria, em anos subsequentes, a inspirar várias versões do conto de Drácula, além, claro, da inescapável 'Saga Crepúsculo'. Em finais de 1998, no entanto, os vampiros estavam, ainda, muito longe de brilhar ao sol, sendo Blade um muito melhor exemplo de como modernizar as míticas criaturas, e o seu primeiro filme um clássico nostálgico menor para a geração crescida durante os anos 90.

18.03.21

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A banda desenhada fez, desde sempre, parte da vida das crianças e jovens portugueses. Às quartas, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos títulos e séries mais marcantes lançados em território nacional.

Neste post inaugural, traçaremos o percurso da mais bem-sucedida tentativa de publicar comics americanos em terras lusas – as icónicas séries da Marvel e DC publicadas pela Editora Abril Controljornal em meados da década de 90.

Embora atravessassem, à época, mais um dos seus frequentes períodos áureos, as BDs de super-heróis não eram algo com tradição em Portugal. A maioria dos títulos disponíveis chegava às bancas diretamente do Brasil – mesma origem de outras ‘revistinhas’ icónicas, como as da Turma da Mônica – e apesar das tentativas regulares, por parte de diferentes editoras, de criar publicações deste tipo 100% nacionais, nunca nenhuma conseguiu o nível de sucesso de que gozavam as suas congéneres importadas.

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Uma das muitas revistas de super-heróis importadas do Brasil à época

Esta situação viria a alterar-se por volta do ano de 1995, quando a Abril Controljornal (antes Abril Morumbi) decide mais uma vez arriscar na criação de revistas de BD de super-heróis 100% nacionais. Seguindo a máxima que diz que ‘em equipa que ganha não se mexe’, a editora optou, sensatamente, por não arriscar demasiado no formato ou conteúdo destes novos comics, mantendo o mesmo formato pequeno das edições sul-americanas (o chamado ‘formatinho’) e limitando-se a ‘aportuguesar’ os textos para eliminar os ‘brasileirismos’. Esta táctica, que permitia reduzir o custo das revistas de modo a que fossem acessíveis a bolsos mais jovens, rapidamente começou a surtir efeito, com as BDs portuguesas a ‘expulsarem’ as brasileiras das bancas quase por completo, iniciando um período de aproximadamente três anos de hegemonia da Abril no mercado dos super-heróis.

Durante estes anos (sensivelmente de 1995 até 1998) a editora investiu numa selecção dos mais populares títulos americanos, publicando indiscriminadamente as principais propriedades da Marvel (Homem-Aranha, X-Men e Wolverine) e da DC (Super-Homem, Batman e Liga da Justiça.)  A receção extremamente positiva que estes títulos receberam permitiu, até, que a Abril expandisse o seu raio de ação a publicações de cariz temático ou especial - como ‘Origens dos Super-Heróis Marvel’, que republicava histórias da chamada silver age - ou a séries menos conhecidas ou populares, como o universo 2099 da Marvel ou o impagável Superboy, da DC. Foi, até, criada uma revista totalmente dedicada a este tipo de lançamentos, a criativamente intitulada 'Heróis' - uma espécie de parente (muito) pobre da referência norte-americana (e brasileira) Wizard, de conteúdo muito mais básico e virado a um público muito mais jovem. Ainda assim, o título conseguiu algum sucesso enquanto durou, sobretudo devido ao preço 'simpático' para os bolsos do público-alvo.

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Número inaugural da revista 'Heróis'

As razões para este sucesso são fáceis de explicar – apesar de algumas falhas (como a permanência de formas gramaticais ‘abrasileiradas’ em quase todos os números de quase todas as revistas), a Abril teve a sorte de conseguir material da última grande fase dos comics americanos à época. Da Marvel foram publicadas, por exemplo, as sagas Venom e Carnage do Homem-Aranha e a fase original da X-Force; da DC, surgiram, entre outras, a ‘storyline’ em que Bruce Wayne é paralisado por Bane e substituído por um Batman mais jovem e futurista, e a mítica e icónica saga da morte (e retorno) do Super-Homem. Mesmo com as supramencionadas falhas – na tradução e não só – este material era suficientemente forte para atrair o público-alvo, gerando vendas consistentemente altas para a editora durante os primeiros dois anos de publicação das revistas.

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Dois dos especiais da saga 'A Morte e o Regresso do Super-Homem'

O ano de 1998 não foi, no entanto, tão prolífico para a editora, que viu o interesse nos seus comics diminuir consideravelmente – e, com ele, as vendas. Assim, ainda nesse mesmo ano, aquele que havia sido o argonauta dos ‘quadradinhos’ de super-heróis portugueses suspendia a publicação de todas as suas revistas, voltando a deixar os fanboys lusitanos à mercê de importações americanas proibitivamente caras e difíceis de encontrar, ou na melhor das hipóteses, números antigos comprados a alfarrabistas. Voltavam os ‘anos negros’…

Demoraria apenas um ano, no entanto, até esta situação se voltar a alterar, e os heróis americanos (embora apenas os da Marvel) voltarem às bancas portuguesas - desta vez pela mão de uma editora com muito melhor reputação entre os geeks, e cujo trabalho foi, objetivamente, muito melhor e mais cuidado que o da Abril - e gerarem uma nova vaga de interesse nos comics americanos em Portugal. Mas dessa falaremos noutra ocasião – até porque a verdade é que, mesmo com todos os seus defeitos, as revistas aos quadradinhos da Marvel e DC publicadas pela Abril marcaram uma época, e constituíram o primeiro contacto de muitos futuros fanboys com os icónicos heróis e vilões da BD norte-americana. E vocês? Contavam-se entre este número? Se sim, qual o vosso herói favorito? (Daqui, sempre foi e sempre será o inimitável Homem-Aranha.) Digam de vossa justiça nos comentários!

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