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Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

01.12.25

Qualquer jovem é, inevitavelmente, influenciado pela música que ouve – e nos anos 90, havia muito por onde escolher. Em segundas alternadas, exploramos aqui alguns dos muitos artistas e géneros que faziam sucesso entre as crianças daquela época.

O já aqui muito discutido 'boom' do pop-rock nacional de meados dos anos 90 não teve nas sonoridades mais radiofónicas o seu único expoente; embora as mesmas tenham dominado a 'cena' à época, e sejam hoje associadas com a dita, houve também muitos artistas mais alternativos que souberam 'aproveitar a onda' para se mostrarem a um público mais vasto. Foi o caso, por exemplo, dos Mão Morta, Lulu Blind, e do colectivo que abordamos esta Segunda-feira, e que logrou ter uma das mais auspiciosas carreiras de entre as bandas desta vertente menos comercial.

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Formados em 1994 em torno do vocalista Miguel Guedes, os portuenses Blind Zero posicionavam-se, inicialmente, como o 'representante' português na cena 'grunge' que, então, ainda fazia sucesso um pouco por todo o Mundo. Com esta sonoridade mais pesada e intensa gravam um EP, que esgota em apenas nove dias, e a estreia 'Trigger', ambos há exactos trinta anos. E se o primeiro destes registos se tornou item de colecção, o segundo lançaria mesmo os Blind Zero para a fama nacional, muito graças ao tema 'Recognize', que levou a que o colectivo portuense passasse a fazer parte da colecção de muitos 'roqueiros' nacionais.

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Esses mesmos fãs terão, no entanto, tido um choque quando, logo no ano seguinte, Guedes e seus 'comparsas' surgem com uma sonoridade mais 'calcada' no 'hip-hop' do que propriamente na 'imitação' de Pearl Jam que apresentavam em 'Trigger'. O EP 'Flexogravity' era, inclusivamente, um esforço conjunto com os conterrâneos Mind Da Gap, numa 'jogada' que desassociava definitivamente os Blind Zero da cena 'rock' e 'grunge', gerando controvérsia entre os fãs mas também libertando a banda para fazer aquilo de que realmente gostava: um som de fusão, que marcaria o restante da sua carreira.

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O primeiro 'aperitivo' desse novo som surgiria, novamente, em rápida sequência com os lançamentos anteriores, tendo 1996 visto o grupo lançar um álbum ao vivo na Antena 3 (um 'marco' obrigatório para bandas 'mainstream' portuguesas da época) e articipar num concurso de jovens talentos de âmpbito europeu (que acaba mesmo por vencer com uma nova composição, 'My House') antes de, já em 1997, lançar então o sucessor 'oficial' de 'Trigger', 'Redcoast', que tem a particularidade de ter sido um dos primeiros 'CDs aumentados' ('enhanced CDs') da Europa, apresentando conteúdos multimédia quando inserido num leitor de CD-ROM. Além dessa peculiar distinção, o álbum contava ainda com a produção do famoso Mark Wilder, nos estúdios Sony de Nova Iorque, continuando o percurso declaradamente profissionalizante da banda.

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Após 'Redcoast', o alucinante ritmo de trabalho da banda abranda um pouco, tendo o grupo gravado apenas uma música em 1998, 'The Wire', e tirado os dois anos seguintes para trabalhar no seu próximo álbum, que viria a sair em 2000. Com o título 'One Silent Accident' e produção de mais um nome sonante, Don Fleming, este álbum ajudaria a 'dar o mote' para mais duas décadas de sucesso no Novo Milénio, com direito a mais oito lançamentos, concertos ao vivo na MTV (um dos quais em Milão, na festa de lançamento da MTV Portugal) e mesmo um Video Music Award para Melhor Banda Portuguesa em 2003 – uma distinção que terá, previsivelmente, deixado 'inchado' qualquer fã de 'rock' português, mesmo aqueles que só conheciam o grupo dos seus já distantes primórdios como 'grungers' 'à portuguesa'. E apesar de o último registo da banda datar já de 2017 (com um regresso a sonoridades mais 'rock', pela primeira vez em mais de duas décadas) os Blind Zero continuam 'por aí', a marcar presença e posição nos palcos nacionais, como vêem já fazendo, praticamente sem interrupções e a nível tanto nacional como internacional, há quase exactas três décadas...

18.11.25

NOTA: Este 'post' é parcialmente correspondente a Segunda-feira, 17 de Novembro de 2025.

Qualquer jovem é, inevitavelmente, influenciado pela música que ouve – e nos anos 90, havia muito por onde escolher. Em segundas alternadas, exploramos aqui alguns dos muitos artistas e géneros que faziam sucesso entre as crianças daquela época.

Porque nem só de séries se fazia o quotidiano televisivo das crianças portuguesas nos anos 90, em terças alternadas, este blog dá destaque a alguns dos outros programas que fizeram história durante aquela década.

Qualquer português nascido ou crescido nas décadas de 80 e 90 recorda programas musicais de referência como 'Top +', ou até mesmo 'Pop Off' ou 'Mapa Cor de Rock', que ofereciam à juventude de então uma experiência o mais próxima possível do que era ver a MTV norte-americana antes da chegada da TV Cabo e de canais como o Sol Música, em meados dos anos 90. No entanto, enquanto esses programas se focavam em divulgar os mais entusiasmantes sucessos e artistas nacionais e internacionais da época, existia uma vertente paralela da TV musical, voltada a um público mais adulto, que punha na personalidade do anfitrião – normalmente um músico de renome – o principal foco, quase que se aproximando mais de um tradicional 'talk show' do que do conceito vulgarmente associado a um programa de música. Era assim com 'Marco Paulo Com Música No Coração', em finais da década, e era assim com um programa exibido na RTP2 vários anos antes (algures em 1994) e centrado numa figura não menos proeminente (embora de cariz menos popular) da música portuguesa: Luís Represas.

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Falamos de 'A Música dos Outros', formato apresentado pelo ex-Trovante e Resistência no auge da sua popularidade, mas que, apesar de ter chegado aos vinte e seis episódios (o equivalente a duas 'temporadas' de uma série, ou a seis meses de emissões semanais) se encontra hoje algo Esquecido Pela Net, sendo pouca e contraditória a informação disponível a respeito do programa. As poucas fontes fidedignas que sequer falam do mesmo sugerem que Luís Represas recebia uma série de convidados ligados às principais cenas musicais portuguesas (que incluía todos os 'suspeitos do costume') com os quais interpretava duetos ao vivo em estúdio, após conduzir a habitual entrevista.

Infelizmente, não é possível expandir mais sobre este tema, já que apenas resta na Internet um único 'clip' do programa, o qual apenas mostra Represas a interpretar uma música dos UHF, não dando qualquer pista quanto ao conteúdo da restante meia-hora de programa. Resta, pois, imaginar (ou recordar, para quem tenha presenciado as emissões em primeira mão) como seria este veículo televisivo para o cantor de 'Timor', e de que forma se encaixaria no panorama televisivo nacional de há mais de trinta anos...

               

O único vestígio do programa remanescente na Internet.

03.11.25

Qualquer jovem é, inevitavelmente, influenciado pela música que ouve – e nos anos 90, havia muito por onde escolher. Em segundas alternadas, exploramos aqui alguns dos muitos artistas e géneros que faziam sucesso entre as crianças daquela época.

Em 1989, o desconhecido grupo franco-brasileiro Kaoma inscrevia permanentemente o seu nome na lista de 'one-hit wonders' contemporâneos após o mega-sucesso da sua versão de uma música brasileira que, por sua vez, nada mais era que uma tradução ou localização (não autorizada!) de uma versão 'cover' da música 'Llorando Se Fue', do grupo boliviano Los Kjarkas. Ou seja, 'Lambada (Chorando Se Foi)' era, na sua base, uma versão de uma versão de uma versão do original de 1981! E porque poucas coisas com o nível de sucesso da referida música conseguem evitar o aparecimento de imitadores e 'cópias' fraudulentas, não tardou até que Portugal tivesse a sua própria versão do tema, a qual conseguia a proeza de ser uma 'cover' em quarto grau (!) da inspiração original dos Kaoma!

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Capa do primeiro álbum de 'Camuta'.

Tal facto está, no entanto, longe de ser a parte mais mirabolante da história de Camuta, que conseguiu a proeza de lançar três álbuns em inícios dos anos 90...sem nunca ter chegado a existir. Isto porque, por detrás do nome em causa escondia-se apenas um homem: Toy, figura mítica da música popular e 'pimba' portuguesa, recrutado pela Discossete para gravar 'às pressas' várias lambadas, com a voz disfarçada e cantando em 'brazuquês', como forma de capitalizar sobre o sucesso do original. E embora Toy surgisse ainda creditado, no interior do álbum, como autor de vários dos temas, a interpretação dos mesmos era atribuída ao fictício 'Camuta', uma designação sob a qual o cantor viria a lançar não só esse primeiro álbum, de 1989, mas um segundo (criativamente intitulado 'Lambada 2') no ano seguinte, e, em 1992, também um álbum de versões de músicas de telenovelas (como 'Tieta' ou 'Rainha da Sucata', que dava título ao disco) desta vez emulando a voz da lendária Fafá de Belém!

Um 'embuste' que, obviamente, apenas seria possível numa época da História bastante mais crédula e inocente, mas que, de algum modo, conseguiu permanecer intocado mesmo após o início da 'era da Internet', tendo sido o próprio Toy a assumir a farsa, primeiro em entrevista à revista VIP e, mais tarde, no fascinante documentário sobre o movimento 'pimba' produzido e exibido pela RTP. Só então quem, à época, tinha adquirido este álbum (provavelmente em 'cassette', num daqueles icónicos expositores existentes nas tabacarias, bombas de gasolina ou estações de serviço do Portugal dos anos 80 a 2000) ficou a saber ter em sua posse o equivalente a um disco 'pirata', (uma espécie de versão portuguesa dos grupos de Frank Farian ou Jonathan King) naquele que ainda hoje se afirma como um dos mais fascinantes 'truques' de 'marketing' da História da música portuguesa.

21.10.25

NOTA: Este 'post' é parcialmente respeitante a Segunda-feira, 20 de Outubro de 2025.

Qualquer jovem é, inevitavelmente, influenciado pela música que ouve – e nos anos 90, havia muito por onde escolher. Em segundas alternadas, exploramos aqui alguns dos muitos artistas e géneros que faziam sucesso entre as crianças daquela época.

Porque nem só de séries se fazia o quotidiano televisivo das crianças portuguesas nos anos 90, em terças alternadas, este blog dá destaque a alguns dos outros programas que fizeram história durante aquela década

Ao falar de programas televisivos sobre música no Portugal dos anos 90, a referência é, obviamente, o 'Top +', o mais próximo a que a TV portuguesa chegava de uma MTV. No entanto, durante o longo período de 'vida' do referido programa, o mesmo partilhou tempo de antena com outros que, sem lograrem ser tão populares, procuravam compensar tal facto com abordagens ou características distintivas e originais. Já aqui falámos, por exemplo, do 'Pop Off', cujo foco se voltava para a música radiofónica de produção nacional, e iremos agora abordar outro programa, seu contemporâneo, e que se destacava ainda mais da norma estabelecida pelo 'Top +'.

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Isto porque 'Mapa Cor de Rock' não só era gravado em directo (e a partir de uma discoteca, a Number One do Porto, por oposição a um estúdio de televisão) como também dava aos seus artistas a oportunidade de tocarem verdadeiramente 'ao vivo', por oposição ao habitual 'playback' televisivo. Além disso, o espectro de estilos abrangido pelo programa era, também, mais vasto do que o habitual, permitindo a bandas e artistas com sonoridades menos aptas para as ondas radiofónicas terem alguns minutos de tempo de antena – uma comodidade tão valiosa quanto rara na era pré-digital e pré-TV Cabo. A título de exemplo, o programa teve episódios dedicados tanto aos 'metaleiros' Tarantula, V12 e Ibéria ou aos 'esquizóides' Mão Morta como a nomes mais convencionais Delfins, GNR, UHF, Rádio Macau, Jorge Palma ou Quinta do Bill

Esta junção de características permitia ao programa apresentado por José Manuel Pinheiro e seus três coadjuvantes – Joaquim Paulo, Bárbara C. Henriques e Maria João Cunha Gomes – desenvolver uma identidade muito própria, como faceta mais 'alternativa' da televisão musical portuguesa, mais centrada nas 'performances' do que nos 'videoclips', e atenta ao que de melhor se vinha fazendo no País, independentemente do género musical. É, pois, surpreendente que, além do curto tempo de antena de que desfrutou (pouco mais de vinte episódios) este programa seja tão pouco lembrado nos dias que correm – embora uma coisa possa bem ser função da outra. Cabe, pois, ao Anos 90 assegurar que, pouco mais de um mês após se celebrarem trinta e cinco anos sobre a sua estreia, é prestada a devida homenagem a um bloco que tentou fazer algo verdadeiramente original no tocante a programas de música em Portugal.

06.10.25

Qualquer jovem é, inevitavelmente, influenciado pela música que ouve – e nos anos 90, havia muito por onde escolher. Em segundas alternadas, exploramos aqui alguns dos muitos artistas e géneros que faziam sucesso entre as crianças daquela época.

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Antes do kuduro, kizomba e outros géneros musicais afins, havia 'Danças no Huambo' – uma música que misturava 'reggae' aos referidos ritmos africanos, com letra contestatária e anti-colonial, mas que – numa daquelas ironias próprias do mundo das Artes – conseguiu pôr o povo colonizador criticado na música a dançar ao som dela ao longo de largos meses, e catapultar os seus autores (um trio angolano de nome impronunciável e ainda mais insoletrável) para um breve mas memorável período de mega-estrelato.

De facto, em conjunto com a sucessora 'Perigosa' (um tema bem mais de festa, cujo refrão pedia canto em uníssono e de mãos no ar, e que mostrava outra vertente da música do grupo) 'Danças no Huambo' foi o grande responsável pela disseminação, naquele Verão de 1995, do nome Kussondulola, o qual é, ainda hoje, associado quase exclusivamente a essas duas músicas. Isto porque, apesar dos largos anos de carreira (ainda hoje se encontram no activo) o trio centrado em torno do ex-futebolista Janelo da Costa não mais voltaria a almejar o sucesso que ambos os temas granjeavam ao seu álbum de estreia, o excelentemente intitulado ´Tá-se Bem´. Às 'costas' de 'Danças no Huambo' e 'Perigosa', Janelo e seus comparsas almejariam tocar em Vilar de Mouros, veriam o seu disco ser lançado também em Espanha, e saíriam os grandes vencedores do Prémio Revelação do mítico jornal 'Blitz' para aquele ano, distinção que lhes permitiria também figurar no CD 'Portugal ao Vivo', patrocinado e divulgado por essa mesma publicação.

O grande problema de ter um 'ano de estreia' repleto de conquistas, no entanto, é que é tão necessário quanto difícil ir de encontro às expectativas dos novos fãs angariados. E a verdade é que, para os Kussondolola, esse desiderato nunca foi totalmente conseguido, pesem embora os quatro álbuns (mais um 'boxset') que lançariam após 'Tá-se Bem' – o primeiro destes ainda na década de 90, em 1998, e com um título tão genial quanto o do seu antecessor. Apesar da fantástica designação, no entanto, 'Baza Não Baza' não lograria catapultar qualquer dos seus dois 'singles' para o nível estratosférico do seu antecessor, nem manter os Kussondolola como nome relevante no panorama musical português.

A partir desse ponto, o trajecto do grupo far-se-ia estritamente para uma base de fãs leal, mas significativamente menor do que três anos antes – a mesma que acolheria de braços abertos 'O Amor É...Bué', de 2001 (que continuava a comprovar o 'jeito' do grupo para nomear os seus álbuns), o 'ao vivo' 'Vive! Tens De Viver', no ano seguinte, a colectânea 'Cumué?', em 2004, e 'Survivor', de 2005, disco que contava com colaborações do calibre de Vitorino, Kalú, os 'dois Ruis' - Reininho e Veloso - Miguel Ângelo ou Sara Tavares, entre outros. Esta panóplia de convidados não foi, ainda assim, suficiente para voltar a pôr o trio no 'mapa' melómano português, e Janelo e seus colegas vir-se-iam a despedir das lides discográficas com um último álbum, 'Guerrilheiro', de 2006, seguido de um 'boxset' com músicas inéditar e ao vivo, em jeito de resumo de carreira, lançado em 2007.

Desde então, o grupo tem feito parte do circuito de música ao vivo português, 'animando' palcos de Norte a Sul do País com a sua sonoridade 'afro-reggae' bem contagiante e apelativa – não podendo, claro, faltar em cada concerto qualquer dos dois grandes sucessos que puseram Portugal a 'desbundar' há já trinta anos atrás...

22.07.25

NOTA: Este 'post' é parcialmente respeitante a Segunda-feira, 30 de Março de 2024.

Qualquer jovem é, inevitavelmente, influenciado pela música que ouve – e nos anos 90, havia muito por onde escolher. Em segundas alternadas, exploramos aqui alguns dos muitos artistas e géneros que faziam sucesso entre as crianças daquela época.

Porque nem só de séries se fazia o quotidiano televisivo das crianças portuguesas nos anos 90, em terças alternadas, este blog dá destaque a alguns dos outros programas que fizeram história durante aquela década.

No tocante a programas de música e telediscos no Portugal dos anos 90, a referência imediata (e praticamente única) para a maioria dos 'millennials' nacionais será o icónico 'Top +', o mais próximo a que a televisão lusa da altura chegava do estilo de programação de uma MTV, cuja reputação atravessava, à época, o oceano, fazendo muitos jovens sonhar com algo equivalente mas falado e criado em Português. No entanto, nessa mesma época, a própria RTP veiculava um segundo magazine sobre música, hoje mais esquecido, mas que, à época, representou uma importante mudança de paradigma na grelha audiovisual do Portugal pré-SIC e TVI.

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Tratava-se do 'Pop-Off', da autoria de José de Freitas, à época figura de proa nos esforços de representação do 'pop-rock' português nos 'media', e que decidia, com este formato, deitar ele próprio 'mãos à obra'. Não é, pois, de estranhar que este programa se destaque do 'irmão' do 'Canal 1' pelo seu foco exclusivo na cena portuguesa, à época num dos seus muitos períodos de florescimento. As habituais bandas internacionais que dominavam os 'tops' (incluindo o '+') eram, assim, substituídas tanto por 'suspeitos do costume' como Xutos & Pontapés, Delfins, GNR, Resistência ou Madredeus como por novas sensações do movimento, como LX-90 ou Sitiados. Eram, no total, cerca de vinte e cinco minutos diários dedicados a telediscos, reportagens e notícias sobre música portuguesa, com a apresentadora Sofia Morais a servir de elo de ligação entre os diferentes segmentos que perfaziam o programa.

Um formato que tinha tudo para agradar ao público-alvo e que, sem surpresas, viria a reter um lugar na grelha de programação do 'Canal Dois' durante dois anos - período que até parece pouco, tendo em conta a relevância da temática e a excelente execução técnica do programa, sobretudo se se tiver em conta a duração substancialmente mais considerável do contemporâneo dedicado aos 'tops' internacionais. O curto ciclo de vida não impediu, no entanto, que 'Pop-Off' conquistasse um lugar tanto no coração dos melómanos da época como na própria história dos programas musicais na televisão portuguesa, tornando praticamente obrigatórias estas poucas linhas a ele dedicadas neste nosso 'blog' dedicado, precisamente, a recordar esses e outros aspectos da sociedade portuguesa de outros tempos.

 

 

 

 

 

08.07.25

NOTA: Este 'post' é parcialmente respeitante a Segunda-Feira, 07 de Julho de 2025.

Qualquer jovem é, inevitavelmente, influenciado pela música que ouve – e nos anos 90, havia muito por onde escolher. Em segundas alternadas, exploramos aqui alguns dos muitos artistas e géneros que faziam sucesso entre as crianças daquela época.

Porque nem só de séries se fazia o quotidiano televisivo das crianças portuguesas nos anos 90, em terças alternadas, este blog dá destaque a alguns dos outros programas que fizeram história durante aquela década.

Na última Segunda de Sucessos, passámos em revista a carreira do duo romântico Anjos, hoje de novo na ribalta devido a um mediático processo judicial em que se encontram envolvidos. Nessa ocasião, fizemos também menção ao programa que ajudou a lançar o duo, 'Casa de Artistas'; nada melhor, portanto, do que dedicarmos agora algumas linhas a esse importante, mas esquecido, formato televisivo.

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Uma das poucas actuações do programa registadas na Internet actual.

Exibido pela RTP, com apresentação da então veterana dos ecrãs, Serenella Andrade, 'Casa de Artistas' (não confundir com o 'reality show' brasileiro, 'Casa DOS Artistas') podia ser descrito como um sucedâneo de 'Chuva de Estrelas', mas sem a vertente teatral e de reprodução dos visuais dos artistas homenageados, e com a característica única e distintiva de os participantes serem, forçosamente, membros da mesma família, regra que permitiu que os irmãos Rosado tomassem parte, e eventualmente se sagrassem vencedores. As diversas famílias concorrentes em cada programa competiam, pois, entre si, cabendo ao júri do programa escolher um vencedor final - um formato entre o concurso tradicional e 'talent shows' como o posterior (e bastante mais lembrado) 'Ídolos', e dos ainda mais posteriores 'Factor X' e 'The Voice Portugal', este último ainda hoje no ar. que apresentava alguma originalidade, e que fazia crer que 'Casa de Artistas' viesse a ser bastante mais recordado do que de facto é.

Efectivamente, apesar da premissa original e vertente competitiva, o programa em causa encontra-se, hoje, algo Esquecido Pela Net, sendo recordado apenas e só no contexto do início de carreira dos Anjos – razão mais que suficiente para que este nosso blog, 'especialista' em 'desenterrar' elementos esquecidos da vida de então, lhe dedique algumas linhas, e o procure trazer, novamente, para a ribalta, tal como sucedeu recentemente com os seus mais famosos e mediáticos vencedores.

24.06.25

NOTA: Este 'post' é respeitante a Segunda-Feira, 23 de Junho de 2025.

Qualquer jovem é, inevitavelmente, influenciado pela música que ouve – e nos anos 90, havia muito por onde escolher. Em segundas alternadas, exploramos aqui alguns dos muitos artistas e géneros que faziam sucesso entre as crianças daquela época.

Já aqui, anteriormente, falámos dos Excesso e D'Arrasar, duas das principais 'boy bands' portuguesas; no entanto, aquando desse 'post', deixámos de fora outros dois grandes nomes da música popular vocal da altura – os Millennium (a terceira grande 'boy band' nacional) e a dupla constituída pelos irmãos Rosado (Nélson e Sérgio) sob a denominação Anjos. Numa altura em que estes últimos voltam a estar na ribalta, devido a um processo jurídico movido contra a humorista Joana Marques, nada melhor do que dedicar algumas linhas àquela que continua a ser uma das grandes referências do seu nicho no nosso País.

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Nascidos na Margem Sul do Tejo mas com raízes alentejanas, os irmãos Rosado desde cedo principiaram a seguir o seu sonho, tendo ingressado na Academia de Música ao completarem sete anos, e dado o seu primeiro espectáculo pago quando o mais velho dos dois, Nélson, contava apenas doze anos, e o irmão apenas oito. Por essa actuação – a primeira de muitas – receberam quinze mil escudos, uma autêntica 'fortuna' para 'putos' dos anos 80, e que servia como uma espécie de antevisão do que o futuro reservava aos dois.

Ainda assim, os futuros Anjos não 'embandeiravam em arco', e continuavam a conciliar a música com a escola e o futebol, sem, no entanto, deixarem de 'agarrar' qualquer oportunidade que surgisse para mostrarem o seu talento. Foi esta abordagem que lhes permitiu, já no final da adolescência, em 1996, participar no programa 'Lugar Aos Mais Novos', da Rádio Renascença e, no ano seguinte, na 'Casa dos Artistas' da RTP, saindo vencedores de ambos – mais um augúrio auspicioso para o que esperava os irmãos a breve trecho.

Após este sucesso enquanto dupla, Nélson e Sérgio ingressaram nos Sétimo Céu, uma tentativa de 'concorrente' a Excesso e D'Arrasar que não deu certo, durando menos de um ano. Longe de se deixarem desanimar, os dois irmãos viram este percalço como uma oportunidade para, mais uma vez, trabalharem como dupla, dando oficialmente e definitivamente início ao percurso dos Anjos no panorama musical português, corriam os últimos meses do Segundo Milénio. Era a convite de uma produtora nacional que a nova dupla – cujo nome remetia a uma 'alcunha' dada aos jovens pela sua avó – surgia na 'cena' popular nacional, e seria também, quiçá, essa ligação a permitir aos irmãos gravar o primeiro álbum, 'Ficarei', logo nesse ano de 1999, estabelecendo desde logo a sua fórmula assente na 'pop' romântica, com ênfase nas vozes dos dois integrantes. Ainda antes do final do Milénio (embora já nas últimas semanas do mesmo) o álbum viria a ser relançado com uma música adicional – o mega-sucesso de Natal 'Noite Branca', em que Sérgio e Nélson Rosado surgiam em dueto com a cantora Susana.

Estava dado o mote para (à data deste 'post') duas décadas e meia de carreira, nem sempre com tanto sucesso como naqueles primórdios, mas sempre com uma audiência cativa e pronta a 'apadrinhar' cada novo lançamento da dupla, o último dos quais remete já a 2022. Ainda assim, os Anjos continuam a usufruir de fama suficiente para serem convidados a cantar o hino nacional no início de eventos – privilégio que está na base do actual processo movido a Joana Marques, e que se vai, desde Julho de 2024, 'arrastando' em tribunal. Qualquer que seja o resultado do mesmo, no entanto, o impacto dos Anjos no panorama da música romântica em português está estabelecido, e dificilmente poderá ser negado, merecendo-lhes o destaque nesta nossa rubrica dedicada a artistas musicais nostálgicos.

12.05.25

Qualquer jovem é, inevitavelmente, influenciado pela música que ouve – e nos anos 90, havia muito por onde escolher. Em segundas alternadas, exploramos aqui alguns dos muitos artistas e géneros que faziam sucesso entre as crianças daquela época.

Qualquer melómano velho o suficiente para ter tido interesse em música em inícios dos anos 90 não hesitará em apontar essa época como a era do nascimento do 'rap' e 'hip-hop' em Portugal, pelo menos no que ao 'mainstream' diz respeito. De facto, a primeira metade da última década do século XX marcava o momento em que o estilo musical nascido e popularizado do outro lado do Oceano Atlântico na década anterior extravasava a presença maioritariamente 'clandestina' que marcava nos bairros periféricos das grandes cidades, e 'explodia' nos ouvidos de toda uma geração de jovens prontos a receberem e assimilarem aquelas palavras de ordem e crítica social em ritmo sincopado. O culminar desta ascensão do chamado 'hip-hop tuga' seria, claro, a colectânea 'Rapública', lançada em 1994 e que popularizaria nomes como Black Company ou o produtor, Boss AC; no entanto, logo nos primeiros meses da década, já um grupo de jovens da mesma zona na Margem Sul do rio Tejo se havia aventurado na organização do primeiro festival de 'rap' nacional. Entre eles, encontrava-se um MC em ascensão, e que em breve viria a deixar a sua marca no panorama do 'rap' nacional: o moçambicano Sergio Matsinhe, mais conhecido pelo 'nome de guerra' General D.

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Membro fundador dos supracitados Black Company (embora já não fosse a tempo de desfrutar dos benefícios trazidos pelo mega-sucesso 'Nadar') e envolvido em inúmeros outros projectos da cena à época, General D destacava-se pela 'africanidade' que injectava no seu 'rap'/'hip-hop', fosse no aspecto musical, fosse na grafia das letras ou mesmo na forma como as interpretava. Esta vertente algo mais original do que a média, bem como mais flexível e versátil, não tardou a colocá-lo no 'radar' de artistas mais comerciais, tendo a primeira gravação do jovem MC sido como convidado num tema dos Pop Dell'Arte, em 1990. Ainda antes de qualquer registo próprio, D surge também como um dos compositores e intérpretes da banda sonora de 'Até Amanhã, Mário', de 1993, um dos poucos filmes portugueses da época a granjear atenção por parte do público.

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Com tal nível de exposição mediática, o surgimento de registos próprios era inevitável, e, em 1994, General D lança mesmo o seu primeiro EP, o provocatoriamente intitulado 'PortuKKKal É Um Erro'. Esta denominação, aliada às letras críticas do racismo vigente na sociedade portuguesa, caíram como uma 'pedrada no charco' da bem-comportada cena musical nacional, e valeram a D a presença em muitas plataformas de debate público, para discutir os problemas vividos por imigrantes, retornados e seus descendentes no Portugal daquela época.

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Longe de 'descansar sobre os louros', no entanto, General D voltava ao 'ataque' menos de um ano depois, desta vez com um longa-duração, em conjunto com o grupo Os Karapinhas. O título 'Pé Na Tchôn, Karapinha Na Céu' deixa desde logo bem evidente a filosofia e atitude perante a vida de General D, embora se afirme como algo introspectivo e humilde face à barragem de ácidos comentários tecidos pelo MC nas suas letras. Um registo cáustico, mesmo para os padrões do 'hip-hop', e que posicionava General D como um dos principais 'activistas' da cena nacional, bem mais engajado e combativo do que os muito mais explicitamente comerciais Da Weasel, ou mesmo do que a maioria dos nomes presentes em 'Rapública'. O vídeo de 'Black Magic Woman' (que, ao contrário do que se possa pensar, não constitui uma versão da música dos Fleetwood Mac) estava também em alta rotação nos programas de 'videoclips' nacionais, cimentando o estatuto de Boss AC como uma das grandes 'esperanças' do 'rap' nacional, uma reputação que apenas aumentaria com participações em temas de Cool Hipnoise e Ithaka.

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O passo final na evolução de D seria, no entanto, dado apenas dois anos depois, em 'Kanimambo', o segundo (e, até hoje, último) álbum do MC. Agora acompanhado por colaboradores de luxo, como António Chainho ou o congénere brasileiro Gabriel o Pensador, o General debitava mais uma série de temas cáusticos (embora também mais trabalhados) que lhe permitiam continuar a 'somar e seguir' na cena. Uma bem-sucedida 'tournée' por Portugal, Espanha e França parecia anunciar a 'explosão' definitiva de D, o qual, concluída a mesma, se deslocaria até à Jamaica para trabalhar com os renomados Sly and Robbie...

...e não voltaria a ser visto durante quase duas décadas.

De facto, seria apenas em 2014 que um jornalista seguiria o 'rasto' de Sergio Matsinhe, vindo a encontrá-lo em Londres. Em entrevista exclusiva, o MC revelava ter passado maus momentos tanto na capital britânica como nas ruas de Nova Iorque, vivendo uma existência muito distante dos dias de glória nos palcos nacionais. A entrevista, e respectiva capa, ajudavam o General a regressar à consciência popular dos melómanos nacionais, mesmo a tempo da reedição dos seus dois registos, em 2015. O regresso aos palcos, no entanto, dar-se-ia apenas quatro anos depois, num evento na Altice Arena que reunía muitos dos 'pais fundadores' do 'hip-hop tuga' – não só General D, como também Boss AC, Black Company ou Chullage, entre outros. Um final merecidamente apoteótico para uma carreira (e vida) que foi do Céu ao Inferno, sempre de pés no chão e carapinha no ar, e que continua, até hoje, a deixar a sua marca em todo um movimento musical.

17.03.25

Qualquer jovem é, inevitavelmente, influenciado pela música que ouve – e nos anos 90, havia muito por onde escolher. Em segundas alternadas, exploramos aqui alguns dos muitos artistas e géneros que faziam sucesso entre as crianças daquela época.

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Sim, tecnicamente, é 'batota' incluir um álbum musical lançado em 2022 num 'blog' sobre as décadas finais do século XX; no entanto, quando esse mesmo CD traz na capa um icónico 'Walkman' amarelo, e consiste de 'clássicos' radiofónicos por grupos como Os Lunáticos, Anjos, Santamaria ou Resistência, não há como não lhe dedicar espaço nestas nossas páginas. E embora haja que reconhecer que, passado o agradável 'choque' nostálgico, o alinhamento está longe de ser perfeito – as bandas acima citadas 'repetem' na segunda metade do disco, ao mesmo tempo que artistas tão ou mais seminais, como Silence 4, Excesso, D'ArrasarSantos & Pecadores, Pedro Abrunhosa, Paulo Gonzo ou Fúria do Açúcar, entre tantos outros, ficam de fora – o projecto em si é, ainda assim, de louvar, e deverá agradar a qualquer português das gerações 'X' e 'Millennial', mesmo sem lhe encher totalmente as medidas, e falhando no essencial da sua missão de capturar uma 'Polaroid' dos 'tops' nacionais da época. Fica lançado o repto para um potencial segundo volume; entretanto, podem recordar tempos mais simples e despreocupados ouvindo a primeira colectânea no Apple Music – embora, infelizmente, ainda não no YouTube...

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