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Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

13.01.26

NOTA: Este 'post' é parcialmente respeitante a Segunda-feira, 12 de Janeiro de 2026.

Qualquer jovem é, inevitavelmente, influenciado pela música que ouve – e nos anos 90, havia muito por onde escolher. Em segundas alternadas, exploramos aqui alguns dos muitos artistas e géneros que faziam sucesso entre as crianças daquela época.

A década de 90 viu surgirem e popularizarem-se algumas das mais mirabolantes inovações tecnológicas da segunda metade do século XX, muitas das quais foram aplicadas a jogos e brinquedos. Às terças, o Portugal Anos 90 recorda algumas das mais memoráveis a aterrar em terras lusitanas.

Apesar de os jogos de ritmo e acompanhamento musical se terem tornado um dos principais géneros do século XXI (com títulos como 'Dance Dance Revolution' ou os diversos 'Hero'), a criação de música através de ferramentas especializadas continua a ser uma actividade de foro eminentemente técnico, realizada através de 'software' sem qualquer tipo de vertente lúdica, como o popular GarageBand. Nos anos da viragem do Milénio, no entanto, a reputada programadora e distribuidora Codemasters procurou reunir em um só título essas duas vertentes normalmente com pouco ou nenhum contacto, num projecto ambicioso que chegou a render quatro jogos, tendo os primeiros dois sido particularmente bem recebidos.

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Falamos de 'Music', lançado na Europa no início do Inverno de 1998, e da sequela 'Music 2000', surgida um ano depois. Disponíveis tanto para o previsível PC como para PlayStation, os dois títulos posicionavam-se, desde logo, como geradores de música 'sérios', sem recurso a 'truques de marketing' ou quaisquer aspectos competitivos (pese embora a presença de um modo colaborativo para até quatro aspirantes a DJ); em vez disso, os dois programas ofereciam uma variedade de 'samples' musicais (chamados 'riffs', embora nem todos fossem de guitarra) os quais podiam, através de um 'interface' simples e intuitivo, ser 'colados' para produzir faixas originais – ou, pelo menos, tão originais quanto era possível com recurso a fragmentos licenciados. E, embora o 'acervo' de 'samples' fosse forçosamente reduzido, a verdade é que qualquer dos jogos oferecia variedade mais do que suficiente para manter o interesse do utilizador durante um período de tempo mais ou menos extenso.

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De facto, estes dois jogos que terão, sem dúvida, feito as delícias de artistas de 'hip-hop' e DJ's emergentes, e entretido quanto-baste qualquer entusiasta de videojogos com uma vertente criativa e um mínimo de competência tecnológica; foi, pois sem surpresas que os mesmos se viram incluídos nas séries de 'best-sellers' tanto da Sony como da própria Codemasters, e que os fãs da série viram surgir mais duas sequelas na era da PlayStation 2 – agora acrescidas de uma licença 'de peso', e que lhes permitia ter acesso a uma gama ainda mais alargada de fragmentos musicais sob licença. No entanto, em comparação com os dois antecessores, os dois 'MTV Music Generator' ficaram aquém a nível de sucesso crítico e vendas, talvez devido ao facto de a tecnologia para criação de música ter sofrido consideráveis avanços, que o 'interface' dos novos títulos não foi capaz de acompanhar. No tocante aos dois primeiros títulos da série, no entanto, os mesmos continuam a gozar do apreço de quem, à época, os utilizou para dar largas à sua veia criativa e treinar os seus dotes de DJ amador, sendo mais do que merecedores de retrospectiva nas páginas deste nosso 'blog' nostálgico.

29.12.25

Qualquer jovem é, inevitavelmente, influenciado pela música que ouve – e nos anos 90, havia muito por onde escolher. Em segundas alternadas, exploramos aqui alguns dos muitos artistas e géneros que faziam sucesso entre as crianças daquela época.

No Portugal de meados de 90 e inícios de 2000, qualquer fenómeno cultural servia como pretexto para o lançamento de um disco tematizado, fosse com as músicas que formavam a banda sonora do programa em causa, fosse com músicas (mais ou menos vagamente) relacionadas ao tema da mesma. É deste último caso que tratamos no 'post' de hoje, em vésperas de aniversário da final do programa a que o disco é alusivo.

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Falamos, é claro, do duplo-CD oficial da primeira série do 'Big Brother', publicado pela BMG algures no último quarto do ano 2000 (na mesma altura em que o programa da TVI captava audiências recorde um pouco por todo o País) e cujo alinhamento trazia músicas e grupos - presumivelmente - favorecidos pela dezena e meia de concorrentes participantes naquela primeira e histórica 'casa'. Ficava, assim, explicada a disparidade de estilos do lançamento, que faria corar um qualquer volume da série Now! com a sua mistura do rock alternativo radiofónico de Guano Apes, HIM e Lit com a pop comercial de Westlife, Five e Pink, os ritmos brasileiros de Adriana Calcanhotto, Daniela Mercury ou Fábio Júnior, o pop-rock bem português de uns Delfins, Pólo Norte ou Sara Tavares ou até a 'europop' de Lou Bega - uma autêntica 'salgalhada' de estilos que, apesar de bem típica das compilações da época, acabava por não 'apontar' a nenhum público, já que cada sector melómano apenas encontrava 'meia dúzia' de músicas para o seu gosto.

Apesar deste ecletismo exacerbado e exagerado, no entanto, o disco era bem sucedido na sua tentativa de apresentar (e representar) a diversidade dos diferentes concorrentes da casa através do seu gosto musical, e terá representado compra obrigatória para os milhões de fãs do programa de Norte a Sul do território, sendo um daqueles lançamentos em que o próprio nome na capa já assegurava, por si mesmo, um alto volume de vendas. Razão mais que suficiente para o recordamos, em vésperas da data que mudou para sempre a vida de um dos indivíduos cujo gosto musical nele se encontra representado.

16.12.25

NOTA: Este 'post' é respeitante a Segunda-feira, 15 de Dezembro de 2000.

Qualquer jovem é, inevitavelmente, influenciado pela música que ouve – e nos anos 90, havia muito por onde escolher. Em segundas alternadas, exploramos aqui alguns dos muitos artistas e géneros que faziam sucesso entre as crianças daquela época.

Embora não seja, normalmente, uma das pedras basilares de uma franquia infanto-juvenil de sucesso, o álbum musical tão-pouco é presença rara neste tipo de esforço de 'marketing', antes pelo contrário - se o 'franchise' fôr suficientemente bem-sucedido, nem mesmo é preciso que as músicas contidas no lançamento sejam temáticas, como o prova 'Dragon Ball Z – Vivam Os Meus Amigos', álbum lançado no auge da maior febre de recreio de sempre em Portugal e que contém um total de zero músicas alusivas ao 'anime' em que nominalmente se baseia. Felizmente, o disco de que falamos nesta Segunda de Sucessos opta pela abordagem oposta – e mais honesta – oferecendo precisamente aquilo que promete, e conseguindo assim a lealdade de um público-alvo que pouco ou nada mais exige.

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Falamos de 'Pokémon – Vamos Apanhá-los Todos!', a tradução-localização em Português para '2 B A Master', o primeiro álbum de músicas do 'anime' de 'Pokémon' – o qual, como qualquer pessoa que tenha visto o referido programa atestará, dispunha de uma banda-sonora instantaneamente apelativa, e composta por várias músicas que se tornaram icónicas entre a demografia-alvo. E, em mais uma mostra de inteligência e sabedoria no que toca a 'marketing' para um público jovem, todos esses temas se encontram inseridos na versão completa deste álbum, com a versão em 'cassette' a focar-se apenas nos mais populares e conhecidos, como o lendário genérico de abertura ou o não menos memorável 'PokéRap', todos traduzidos em 'bom Português' e interpretados pelos mesmos artistas da série, como André Maia ou Henrique Feist.

Uma proposta nada menos que irrecusável para o público-alvo, portanto, e que desde logo garantia lugar a 'Pokémon – Vamos Apanhá-los Todos!' num número considerável de lares portugueses, onde seria presença assídua no gira-discos ou leitor de CD e cassette durante um período mais ou menos alargado, até passar a ser uma daquelas recordações vagamente embaraçosas da infância, a exemplo dos discos d''Os Patinhos', 'Buereré' ou 'Batatoon'. Não faltará, assim, entre os nossos leitores quem se recorde de ter tido este álbum ou cassette na infância, no auge da 'Pokémania' em Portugal; e, apesar de não ter sido esse o caso lá por casa (sendo o autor deste 'blog' já demasiado 'crescido' para algo do género), fica ainda assim neste 'post' a breve homenagem a este álbum saído há pouco mais de um quarto de século, pouco antes de o segundo filme da franquia baseda na série de jogos da Nintendo chegar aos cinemas nacionais, e que terá sem dúvida marcado a infância de inúmeros 'millennials' portugueses, os quais talvez ainda hoje saibam de cor todas as músicas. Para esses, fica abaixo o álbum completo, para que possam 'matar' as devidas saudades...

https://on.soundcloud.com/nDlBtbyF7RPPnENXre

 

01.12.25

Qualquer jovem é, inevitavelmente, influenciado pela música que ouve – e nos anos 90, havia muito por onde escolher. Em segundas alternadas, exploramos aqui alguns dos muitos artistas e géneros que faziam sucesso entre as crianças daquela época.

O já aqui muito discutido 'boom' do pop-rock nacional de meados dos anos 90 não teve nas sonoridades mais radiofónicas o seu único expoente; embora as mesmas tenham dominado a 'cena' à época, e sejam hoje associadas com a dita, houve também muitos artistas mais alternativos que souberam 'aproveitar a onda' para se mostrarem a um público mais vasto. Foi o caso, por exemplo, dos Mão Morta, Lulu Blind, e do colectivo que abordamos esta Segunda-feira, e que logrou ter uma das mais auspiciosas carreiras de entre as bandas desta vertente menos comercial.

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Formados em 1994 em torno do vocalista Miguel Guedes, os portuenses Blind Zero posicionavam-se, inicialmente, como o 'representante' português na cena 'grunge' que, então, ainda fazia sucesso um pouco por todo o Mundo. Com esta sonoridade mais pesada e intensa gravam um EP, que esgota em apenas nove dias, e a estreia 'Trigger', ambos há exactos trinta anos. E se o primeiro destes registos se tornou item de colecção, o segundo lançaria mesmo os Blind Zero para a fama nacional, muito graças ao tema 'Recognize', que levou a que o colectivo portuense passasse a fazer parte da colecção de muitos 'roqueiros' nacionais.

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Esses mesmos fãs terão, no entanto, tido um choque quando, logo no ano seguinte, Guedes e seus 'comparsas' surgem com uma sonoridade mais 'calcada' no 'hip-hop' do que propriamente na 'imitação' de Pearl Jam que apresentavam em 'Trigger'. O EP 'Flexogravity' era, inclusivamente, um esforço conjunto com os conterrâneos Mind Da Gap, numa 'jogada' que desassociava definitivamente os Blind Zero da cena 'rock' e 'grunge', gerando controvérsia entre os fãs mas também libertando a banda para fazer aquilo de que realmente gostava: um som de fusão, que marcaria o restante da sua carreira.

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O primeiro 'aperitivo' desse novo som surgiria, novamente, em rápida sequência com os lançamentos anteriores, tendo 1996 visto o grupo lançar um álbum ao vivo na Antena 3 (um 'marco' obrigatório para bandas 'mainstream' portuguesas da época) e articipar num concurso de jovens talentos de âmpbito europeu (que acaba mesmo por vencer com uma nova composição, 'My House') antes de, já em 1997, lançar então o sucessor 'oficial' de 'Trigger', 'Redcoast', que tem a particularidade de ter sido um dos primeiros 'CDs aumentados' ('enhanced CDs') da Europa, apresentando conteúdos multimédia quando inserido num leitor de CD-ROM. Além dessa peculiar distinção, o álbum contava ainda com a produção do famoso Mark Wilder, nos estúdios Sony de Nova Iorque, continuando o percurso declaradamente profissionalizante da banda.

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Após 'Redcoast', o alucinante ritmo de trabalho da banda abranda um pouco, tendo o grupo gravado apenas uma música em 1998, 'The Wire', e tirado os dois anos seguintes para trabalhar no seu próximo álbum, que viria a sair em 2000. Com o título 'One Silent Accident' e produção de mais um nome sonante, Don Fleming, este álbum ajudaria a 'dar o mote' para mais duas décadas de sucesso no Novo Milénio, com direito a mais oito lançamentos, concertos ao vivo na MTV (um dos quais em Milão, na festa de lançamento da MTV Portugal) e mesmo um Video Music Award para Melhor Banda Portuguesa em 2003 – uma distinção que terá, previsivelmente, deixado 'inchado' qualquer fã de 'rock' português, mesmo aqueles que só conheciam o grupo dos seus já distantes primórdios como 'grungers' 'à portuguesa'. E apesar de o último registo da banda datar já de 2017 (com um regresso a sonoridades mais 'rock', pela primeira vez em mais de duas décadas) os Blind Zero continuam 'por aí', a marcar presença e posição nos palcos nacionais, como vêem já fazendo, praticamente sem interrupções e a nível tanto nacional como internacional, há quase exactas três décadas...

18.11.25

NOTA: Este 'post' é parcialmente correspondente a Segunda-feira, 17 de Novembro de 2025.

Qualquer jovem é, inevitavelmente, influenciado pela música que ouve – e nos anos 90, havia muito por onde escolher. Em segundas alternadas, exploramos aqui alguns dos muitos artistas e géneros que faziam sucesso entre as crianças daquela época.

Porque nem só de séries se fazia o quotidiano televisivo das crianças portuguesas nos anos 90, em terças alternadas, este blog dá destaque a alguns dos outros programas que fizeram história durante aquela década.

Qualquer português nascido ou crescido nas décadas de 80 e 90 recorda programas musicais de referência como 'Top +', ou até mesmo 'Pop Off' ou 'Mapa Cor de Rock', que ofereciam à juventude de então uma experiência o mais próxima possível do que era ver a MTV norte-americana antes da chegada da TV Cabo e de canais como o Sol Música, em meados dos anos 90. No entanto, enquanto esses programas se focavam em divulgar os mais entusiasmantes sucessos e artistas nacionais e internacionais da época, existia uma vertente paralela da TV musical, voltada a um público mais adulto, que punha na personalidade do anfitrião – normalmente um músico de renome – o principal foco, quase que se aproximando mais de um tradicional 'talk show' do que do conceito vulgarmente associado a um programa de música. Era assim com 'Marco Paulo Com Música No Coração', em finais da década, e era assim com um programa exibido na RTP2 vários anos antes (algures em 1994) e centrado numa figura não menos proeminente (embora de cariz menos popular) da música portuguesa: Luís Represas.

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Falamos de 'A Música dos Outros', formato apresentado pelo ex-Trovante e Resistência no auge da sua popularidade, mas que, apesar de ter chegado aos vinte e seis episódios (o equivalente a duas 'temporadas' de uma série, ou a seis meses de emissões semanais) se encontra hoje algo Esquecido Pela Net, sendo pouca e contraditória a informação disponível a respeito do programa. As poucas fontes fidedignas que sequer falam do mesmo sugerem que Luís Represas recebia uma série de convidados ligados às principais cenas musicais portuguesas (que incluía todos os 'suspeitos do costume') com os quais interpretava duetos ao vivo em estúdio, após conduzir a habitual entrevista.

Infelizmente, não é possível expandir mais sobre este tema, já que apenas resta na Internet um único 'clip' do programa, o qual apenas mostra Represas a interpretar uma música dos UHF, não dando qualquer pista quanto ao conteúdo da restante meia-hora de programa. Resta, pois, imaginar (ou recordar, para quem tenha presenciado as emissões em primeira mão) como seria este veículo televisivo para o cantor de 'Timor', e de que forma se encaixaria no panorama televisivo nacional de há mais de trinta anos...

               

O único vestígio do programa remanescente na Internet.

03.11.25

Qualquer jovem é, inevitavelmente, influenciado pela música que ouve – e nos anos 90, havia muito por onde escolher. Em segundas alternadas, exploramos aqui alguns dos muitos artistas e géneros que faziam sucesso entre as crianças daquela época.

Em 1989, o desconhecido grupo franco-brasileiro Kaoma inscrevia permanentemente o seu nome na lista de 'one-hit wonders' contemporâneos após o mega-sucesso da sua versão de uma música brasileira que, por sua vez, nada mais era que uma tradução ou localização (não autorizada!) de uma versão 'cover' da música 'Llorando Se Fue', do grupo boliviano Los Kjarkas. Ou seja, 'Lambada (Chorando Se Foi)' era, na sua base, uma versão de uma versão de uma versão do original de 1981! E porque poucas coisas com o nível de sucesso da referida música conseguem evitar o aparecimento de imitadores e 'cópias' fraudulentas, não tardou até que Portugal tivesse a sua própria versão do tema, a qual conseguia a proeza de ser uma 'cover' em quarto grau (!) da inspiração original dos Kaoma!

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Capa do primeiro álbum de 'Camuta'.

Tal facto está, no entanto, longe de ser a parte mais mirabolante da história de Camuta, que conseguiu a proeza de lançar três álbuns em inícios dos anos 90...sem nunca ter chegado a existir. Isto porque, por detrás do nome em causa escondia-se apenas um homem: Toy, figura mítica da música popular e 'pimba' portuguesa, recrutado pela Discossete para gravar 'às pressas' várias lambadas, com a voz disfarçada e cantando em 'brazuquês', como forma de capitalizar sobre o sucesso do original. E embora Toy surgisse ainda creditado, no interior do álbum, como autor de vários dos temas, a interpretação dos mesmos era atribuída ao fictício 'Camuta', uma designação sob a qual o cantor viria a lançar não só esse primeiro álbum, de 1989, mas um segundo (criativamente intitulado 'Lambada 2') no ano seguinte, e, em 1992, também um álbum de versões de músicas de telenovelas (como 'Tieta' ou 'Rainha da Sucata', que dava título ao disco) desta vez emulando a voz da lendária Fafá de Belém!

Um 'embuste' que, obviamente, apenas seria possível numa época da História bastante mais crédula e inocente, mas que, de algum modo, conseguiu permanecer intocado mesmo após o início da 'era da Internet', tendo sido o próprio Toy a assumir a farsa, primeiro em entrevista à revista VIP e, mais tarde, no fascinante documentário sobre o movimento 'pimba' produzido e exibido pela RTP. Só então quem, à época, tinha adquirido este álbum (provavelmente em 'cassette', num daqueles icónicos expositores existentes nas tabacarias, bombas de gasolina ou estações de serviço do Portugal dos anos 80 a 2000) ficou a saber ter em sua posse o equivalente a um disco 'pirata', (uma espécie de versão portuguesa dos grupos de Frank Farian ou Jonathan King) naquele que ainda hoje se afirma como um dos mais fascinantes 'truques' de 'marketing' da História da música portuguesa.

21.10.25

NOTA: Este 'post' é parcialmente respeitante a Segunda-feira, 20 de Outubro de 2025.

Qualquer jovem é, inevitavelmente, influenciado pela música que ouve – e nos anos 90, havia muito por onde escolher. Em segundas alternadas, exploramos aqui alguns dos muitos artistas e géneros que faziam sucesso entre as crianças daquela época.

Porque nem só de séries se fazia o quotidiano televisivo das crianças portuguesas nos anos 90, em terças alternadas, este blog dá destaque a alguns dos outros programas que fizeram história durante aquela década

Ao falar de programas televisivos sobre música no Portugal dos anos 90, a referência é, obviamente, o 'Top +', o mais próximo a que a TV portuguesa chegava de uma MTV. No entanto, durante o longo período de 'vida' do referido programa, o mesmo partilhou tempo de antena com outros que, sem lograrem ser tão populares, procuravam compensar tal facto com abordagens ou características distintivas e originais. Já aqui falámos, por exemplo, do 'Pop Off', cujo foco se voltava para a música radiofónica de produção nacional, e iremos agora abordar outro programa, seu contemporâneo, e que se destacava ainda mais da norma estabelecida pelo 'Top +'.

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Isto porque 'Mapa Cor de Rock' não só era gravado em directo (e a partir de uma discoteca, a Number One do Porto, por oposição a um estúdio de televisão) como também dava aos seus artistas a oportunidade de tocarem verdadeiramente 'ao vivo', por oposição ao habitual 'playback' televisivo. Além disso, o espectro de estilos abrangido pelo programa era, também, mais vasto do que o habitual, permitindo a bandas e artistas com sonoridades menos aptas para as ondas radiofónicas terem alguns minutos de tempo de antena – uma comodidade tão valiosa quanto rara na era pré-digital e pré-TV Cabo. A título de exemplo, o programa teve episódios dedicados tanto aos 'metaleiros' Tarantula, V12 e Ibéria ou aos 'esquizóides' Mão Morta como a nomes mais convencionais Delfins, GNR, UHF, Rádio Macau, Jorge Palma ou Quinta do Bill

Esta junção de características permitia ao programa apresentado por José Manuel Pinheiro e seus três coadjuvantes – Joaquim Paulo, Bárbara C. Henriques e Maria João Cunha Gomes – desenvolver uma identidade muito própria, como faceta mais 'alternativa' da televisão musical portuguesa, mais centrada nas 'performances' do que nos 'videoclips', e atenta ao que de melhor se vinha fazendo no País, independentemente do género musical. É, pois, surpreendente que, além do curto tempo de antena de que desfrutou (pouco mais de vinte episódios) este programa seja tão pouco lembrado nos dias que correm – embora uma coisa possa bem ser função da outra. Cabe, pois, ao Anos 90 assegurar que, pouco mais de um mês após se celebrarem trinta e cinco anos sobre a sua estreia, é prestada a devida homenagem a um bloco que tentou fazer algo verdadeiramente original no tocante a programas de música em Portugal.

06.10.25

Qualquer jovem é, inevitavelmente, influenciado pela música que ouve – e nos anos 90, havia muito por onde escolher. Em segundas alternadas, exploramos aqui alguns dos muitos artistas e géneros que faziam sucesso entre as crianças daquela época.

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Antes do kuduro, kizomba e outros géneros musicais afins, havia 'Danças no Huambo' – uma música que misturava 'reggae' aos referidos ritmos africanos, com letra contestatária e anti-colonial, mas que – numa daquelas ironias próprias do mundo das Artes – conseguiu pôr o povo colonizador criticado na música a dançar ao som dela ao longo de largos meses, e catapultar os seus autores (um trio angolano de nome impronunciável e ainda mais insoletrável) para um breve mas memorável período de mega-estrelato.

De facto, em conjunto com a sucessora 'Perigosa' (um tema bem mais de festa, cujo refrão pedia canto em uníssono e de mãos no ar, e que mostrava outra vertente da música do grupo) 'Danças no Huambo' foi o grande responsável pela disseminação, naquele Verão de 1995, do nome Kussondulola, o qual é, ainda hoje, associado quase exclusivamente a essas duas músicas. Isto porque, apesar dos largos anos de carreira (ainda hoje se encontram no activo) o trio centrado em torno do ex-futebolista Janelo da Costa não mais voltaria a almejar o sucesso que ambos os temas granjeavam ao seu álbum de estreia, o excelentemente intitulado ´Tá-se Bem´. Às 'costas' de 'Danças no Huambo' e 'Perigosa', Janelo e seus comparsas almejariam tocar em Vilar de Mouros, veriam o seu disco ser lançado também em Espanha, e saíriam os grandes vencedores do Prémio Revelação do mítico jornal 'Blitz' para aquele ano, distinção que lhes permitiria também figurar no CD 'Portugal ao Vivo', patrocinado e divulgado por essa mesma publicação.

O grande problema de ter um 'ano de estreia' repleto de conquistas, no entanto, é que é tão necessário quanto difícil ir de encontro às expectativas dos novos fãs angariados. E a verdade é que, para os Kussondolola, esse desiderato nunca foi totalmente conseguido, pesem embora os quatro álbuns (mais um 'boxset') que lançariam após 'Tá-se Bem' – o primeiro destes ainda na década de 90, em 1998, e com um título tão genial quanto o do seu antecessor. Apesar da fantástica designação, no entanto, 'Baza Não Baza' não lograria catapultar qualquer dos seus dois 'singles' para o nível estratosférico do seu antecessor, nem manter os Kussondolola como nome relevante no panorama musical português.

A partir desse ponto, o trajecto do grupo far-se-ia estritamente para uma base de fãs leal, mas significativamente menor do que três anos antes – a mesma que acolheria de braços abertos 'O Amor É...Bué', de 2001 (que continuava a comprovar o 'jeito' do grupo para nomear os seus álbuns), o 'ao vivo' 'Vive! Tens De Viver', no ano seguinte, a colectânea 'Cumué?', em 2004, e 'Survivor', de 2005, disco que contava com colaborações do calibre de Vitorino, Kalú, os 'dois Ruis' - Reininho e Veloso - Miguel Ângelo ou Sara Tavares, entre outros. Esta panóplia de convidados não foi, ainda assim, suficiente para voltar a pôr o trio no 'mapa' melómano português, e Janelo e seus colegas vir-se-iam a despedir das lides discográficas com um último álbum, 'Guerrilheiro', de 2006, seguido de um 'boxset' com músicas inéditar e ao vivo, em jeito de resumo de carreira, lançado em 2007.

Desde então, o grupo tem feito parte do circuito de música ao vivo português, 'animando' palcos de Norte a Sul do País com a sua sonoridade 'afro-reggae' bem contagiante e apelativa – não podendo, claro, faltar em cada concerto qualquer dos dois grandes sucessos que puseram Portugal a 'desbundar' há já trinta anos atrás...

24.09.25

NOTA: Este 'post' é respeitante a Domingo, 21 de Setembro e Segunda-feira, 22 de Setembro de 2025.

Os Sábados marcam o início do fim-de-semana, altura que muitas crianças aproveitam para sair e brincar na rua ou no parque. Nos anos 90, esta situação não era diferente, com o atrativo adicional de, naquela época, a miudagem disfrutar de muitos e bons complementos a estas brincadeiras. Em Sábados alternados, este blog vai recordar os mais memoráveis de entre os brinquedos, acessórios e jogos de exterior disponíveis naquela década.

Qualquer jovem é, inevitavelmente, influenciado pela música que ouve – e nos anos 90, havia muito por onde escolher. Em segundas alternadas, exploramos aqui alguns dos muitos artistas e géneros que faziam sucesso entre as crianças daquela época.

Numa ocasião anterior, falámos aqui dos microfones com eco, um brinquedo que, partindo de uma premissa simples, oferecia diversas formas de diversão ao seu público-alvo, não só através da mecânica como também das possibilidades a nível da imaginação e do faz-de-conta. No entanto, este estava longe de ser o único recurso que as 'futuras estrelas musicais' tinham a sua disposição à época; pelo contrário, quem quisesse emular mais aproximadamente a experiência de dar um concerto ao vivo tinha um brinquedo justamente à sua medida, especificamente idealizado e concebido para permitir dar largas à imaginação nesse sentido.

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Exemplo moderno do produto em causa.

Falamos dos microfones a pilhas, equipados com uma base na qual estavam inseridos um ou mais botões de efeitos sonoros, que podiam ser activados a qualquer momento mediante pressão com o pé. E, para tornar a ilusão ainda mais realista, a gama de sons não incluía apenas recepções positivas, como aplausos, mas também um simulacro de vaias e descontentamento, perfeito para quem procurasse fazer auto-crítica, ou para quem tivesse um irmão, primo ou amigo com gosto por 'partidas' que entrasse 'à sucapa' para interromper o 'concerto' com tais sons.

Qualquer que fosse o caso, o saldo final era quase sempre suficientemente divertido para justificar quaisque revezes, e claramente apelativo que chegasse para manter estes microfones no mercado até aos dias de hoje – embora, como sucede com tantos outros brinquedos de que falamos nestas páginas, já sem a relevâmcia que outrora tiveram, e algo 'relegados' para plataformas de revenda 'online'. Ainda assim, não deixa de estar presente a oportunidade para os 'Millennial' e 'X' apresentarem às gerações mais novas mais um dos muitos brinquedos que, mediante mecânicas e propostas simples mas absolutamente irresistíveis, faziam as delícias da 'pequenada' no dealbar da era tecnológica.

10.09.25

NOTA: Este 'post' é respeitante a Segunda-feira, 08 de Setembro de 2025.

Qualquer jovem é, inevitavelmente, influenciado pela música que ouve – e nos anos 90, havia muito por onde escolher. Em segundas alternadas, exploramos aqui alguns dos muitos artistas e géneros que faziam sucesso entre as crianças daquela época.

De quando em vez, as tabelas de vendas musicais mundiais são 'tomadas de assalto' por uma 'daquelas' músicas – um tema concebido, não para o assalto aos 'tops', mas apenas como uma piada (ou, no limite, algo mais experimental) e 'interpretada' por um desenho animado, um fantoche, um criador de conteúdos, alguém sem o mínimo talento musical ou, como sucedeu momentaneamente na Europa de inícios dos anos 90, uma criança pequena.

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De facto, um dos mais notórios 'one-hit wonders' de toda a última década do século XX foi, não um qualquer artista estabelecido que lograva sair brevemente da mediania, nem tão-pouco um grupo de anónimos artistas de estúdio escondidos atrás de um avatar, mas um menino francês de apenas quatro anos e meio, que 'cantava' conforme sabia uma letra sobre como era difícil ter essa idade, por cima de uma batida de dança a cargo do próprio pai, naquilo que havia começado como um exercício de memorização de falas para um anúncio de fraldas. Quase parece um enredo para um filme ou livro (ou um qualquer delírio do ChatGPT), mas trata-se de uma história bem real: a do pequeno Jordy Lemoine, à época conhecido apenas pelo seu primeiro nome, e protagonista de um dos mais bizarros momentos da música comercial moderna.

Isto porque, conforme acima relatado, o futuro recordista (consta do Livro de Recordes do Guiness, enquanto artista mais jovem de sempre a conseguir ser número um de um 'top' de 'singles', e foi também o mais jovem a entrar no famoso 'Hot 100' da Billboard americana, além de deter o recorde de permanência no topo das tabelas francesas, com umas impressionantes quinze semanas como número 1) pôs toda a gente a cantar (em Francês!) sobre como era duro ser bebé, sem sequer conseguir enunciar correctamente a maioria das palavras. Claramente, a ideia era tirar partido do 'factor fofura' daquele menino classicamente bonito, loiro e de olhos verdes – um plano que se pode dizer ter resultado em pleno, dado o sucesso da sua música de estreia.

Infelizmente, o interesse no menino cantor gaulês não se estenderia para lá desse primeiro 'single', e daqueles poucos meses no Outono de 1992 – pelo menos na Europa, já que na sua França natal ainda viria a gozar de fama suficiente para lançar mais dois discos após 'Pochette Surprise', o álbum que continha a referida 'Dur, Dur, D'Être Bebé'. Ainda assim, são poucos (ou nenhuns) os artistas que podem dizer que a sua carreira na 'ribalta' terminou aos sete anos de idade, e que, ainda em idade escolar, já faziam parte do inevitável círculo de (ex-)celebridades a aparecer em 'Quintas' e outros programas que tais. E a verdade é que, mesmo sob estas circunstâncias, Jordy não desistiu por completo do 'sonho' musical, tendo mesmo lançado um 'single' já depois de adulto, em 2006, embora o mesmo não tenha tido qualquer sequência. Na memória colectiva europeia, no entanto, o hoje trintão será para sempre aquele miúdo loiro e 'bolachudo' que, durante um par de meses em fins de 1992, foi (literalmente 'sem saber ler nem escrever') protagonista de uma das mais insólitas histórias de sucesso 'instantâneo' do mundo da música popular contemporânea.

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