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Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

17.01.26

As saídas de fim-de-semana eram um dos aspetos mais excitantes da vida de uma criança nos anos 90, que via aparecerem com alguma regularidade novos e excitantes locais para visitar. Em Sábados alternados (e, ocasionalmente, consecutivos), o Portugal Anos 90 recorda alguns dos melhores e mais marcantes de entre esses locais e momentos.

Hoje em dia, a compra de mobiliário e acessórios para casa em Portugal é praticamente sinónima com duas grandes superfícies multinacionais – a IKEA e a Leroy Merlin. Antes da entrada de qualquer destas companhias em Portugal, no entanto, existiam já diversas opções de cunho cem por cento nacional, algumas das coisas existentes (e resistentes) até aos dias de hoje, e outras – infelizmente – 'abafadas' pelo domínio dos dois 'gigantes' internacionais, ou de outro modo extintas 'antes de tempo'.

Deste último grupo, destaca-se o Kit-Market, outrora uma loja de referência no tocante à aquisição de móveis, mas que, nos anos da viragem do Milénio, perdera já muita da influência e renome que tivera na década anterior, muito por culpa das outras companhias de que falaremos neste artigo. Ainda assim, durante a última década e meia do século XX, a cadeia fundada em 1985 e sedeada no Centro Comercial das Olaias, em Lisboa, conseguiu ainda encontrar o seu público, não só devido à proposta à época inovadora (tendo basicamente sido o antecessor nacional da IKEA, oferecendo mobiliário desmontável que cabia ao cliente construir), como também pelo 'design' jovem e arrojado das peças (algumas com alusões a elementos como fechos 'éclair') e ainda à diversidade de produtos vendidos, que se estendiam a acessórios de moda, de entre os quais se destacavam as pulseiras pretas, muito do agrado do emergente público gótico nacional.

Apesar do sucesso, no entanto, o Kit-Market tomou, nos primeiros anos do século XXI, a decisão consciente de não travar uma luta desigual com a IKEA, encerrando funções voluntariamente e passando a sua base de clientes para a loja-mãe, a Dimensão (hoje DimensãoNova). E o facto é que aqueles anos da viragem do Milénio representaram mesmo o auge da companhia, que diversificava a sua oferta, sagrava contractos com 'designers' internacionais, e expandia o alcance da sua marca com numerosas filiais em regime de 'franchise' – isto além, claro, de oferecer móveis que aliavam a qualidade e o 'design' a preços competitivos e apelativos, permitindo à Dimensão tornar-se um dos dois grandes nomes do comércio de mobiliário em Portugal.

O outro, claro, era a Moviflor, conhecida pelo seu maior foco na publicidade (com alguns anúncios ainda hoje icónicos, um dos quais com a participação de Herman José, no papel do seu clássico personagem 'Estebes') e que, em todos os restantes aspectos, competia com a Dimensão, ainda que a sua oferta se focasse um pouco menos no 'design' do que o da concorrente, oferecendo peças mais simples e neutras e um modelo comercial mais centrada na revenda do que no fabrico próprio que caracterizava a Dimensão. Ainda assim (ou talvez como consequência disso) a companhia conseguiu lutar 'taco a taco' com a rival até 2014, ano em que – tal como o Kit-Market anteriormente – acabaria por encerrar face à concorrência da IKEA, com a agravante de, ao contrário da subsidiária da Moviflor, ter tentado fazer frente ao gigante sueco, naquela que foi uma luta previsivelmente desigual mas que ainda durou mais de uma década.

É, pois, fácil ver como a chegada da multinacional em causa ao nosso País veio causar um rombo no mercado do mobiliário, obrigando as principais empresas nacionais a encerrar actividades (como o Kit-Market ou a Moviflor) ou a mudar o seu foco (como foi o caso da Dimensão e também da pioneira e hoje septuagenária Altamira). Quem viveu os últimos anos do século XX e inícios do seguinte, no entanto, terá certamente memória de visitar estes espaços com os pais, em busca de móveis para a sala ou quartos, e de ver os seus anúncios na televisão, no intervalo dos seus programas favoritos, tornando-os assim parte integrante da memória nostálgica da geração 'millennial' nacional, e merecedores de espaço neste nosso 'blog' nostálgico.

07.12.25

NOTA: Este 'post' é respeitante a Sexta-feira, 06 e Sábado, 07 de Dezembro de 2025.

Um dos aspetos mais marcantes dos anos 90 foi o seu inconfundível sentido estético e de moda. Em sextas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das marcas e modas mais memoráveis entre os jovens da ‘nossa’ década.

As saídas de fim-de-semana eram um dos aspetos mais excitantes da vida de uma criança nos anos 90, que via aparecerem com alguma regularidade novos e excitantes locais para visitar. Em Sábados alternados (e, ocasionalmente, consecutivos), o Portugal Anos 90 recorda alguns dos melhores e mais marcantes de entre esses locais e momentos.

Apesar de a chegada de grandes cadeias internacionais a Portugal ser normalmente associada com a inauguração das primeiras grandes superfícies no País, a verdade é que, por essa altura (finais dos anos 90) já algumas companhias multinacionais haviam saído ou se preparavam para sair do território nacional, após décadas de exploração comercial no mesmo. Já aqui mencionámos os exemplos de duas companhias especializadas em material pré-natal – a Mothercare e a Chicco – mas outro exemplo, não menos famoso ainda que menos especializado, desistia também do retalho em Portugal por volta da mesma altura: o lendário Marks & Spencer.

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De facto, apenas a parcela mais velha dos leitores deste 'blog' recordará a presença da companhia britânica em Portugal – e, mesmo assim, apenas a porção que morasse perto de uma das apenas cinco lojas que a mesma explorava no País. Quem visitou um destes estabelecimentos, no entanto, certamente recordará a diversidade e combinação pouco habitual de produtos que a cadeia propunha – numa altura em que ainda era muito raro encontrar peças de roupa e géneros alimentares dentro da mesma loja, a Marks & Spencer utilizava esta abordagem para se destacar da concorrência e incentivar a visitas repetidas.

Também motivo de destaque para quem, à época, era ainda menor de idade eram as colecções de roupa infantil, que estavam entre as primeiras a propôr peças com personagens licenciados, como os Looney Tunes, e cujo sentido estético e 'design' se afirmavam como extremamente apelativos para a demografia em causa, ainda que o preço proibitivo as tendesse a deixar no campo das 'obras de arte', admiradas e desejadas, mas não necessariamente adquiridas. O mesmo, aliás, se passava com os restantes produtos comercializados pela companhia, que se posicionava como uma loja algo mais 'fina' do que as mercearias ou supermercados convencionais, ou mesmo do que muitas lojas de roupa da época.

Infelizmente, e apesar da conjectura favorável, a Marks & Spencer não viria a terminar o Segundo Milénio em Portugal, tendo a sede britânica decidido retirar-se do mercado nacional poucos meses antes da chegada do ano 2000, após falhas no pagamento por parte da empresa que explorava as suas lojas em território nacional. Para quem chegou a visitar as mesmas, ficava a sensação de uma leve mas perceptível mudança no paradigma nacional, com a perda de uma cadeia que, apesar da presença discreta, chegou a ser icónica para uma parcela do público nacional da época.

22.11.25

NOTA: Este 'post' é parcialmente respeitante a Sexta-feira, 21 de Novembro de 2025.

Um dos aspetos mais marcantes dos anos 90 foi o seu inconfundível sentido estético e de moda. Em sextas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das marcas e modas mais memoráveis entre os jovens da ‘nossa’ década.

As saídas de fim-de-semana eram um dos aspetos mais excitantes da vida de uma criança nos anos 90, que via aparecerem com alguma regularidade novos e excitantes locais para visitar. Em Sábados alternados (e, ocasionalmente, consecutivos), o Portugal Anos 90 recorda alguns dos melhores e mais marcantes de entre esses locais e momentos.

Já muito foi dito sobre como a chegada das grandes superfícies a Portugal veio 'matar' o pequeno comércio de proximidade, uma situação que apenas agora se começa a reverter, e apenas em alguns sectores. A conjugação 'letal' de vasta oferta e baixos preços tornou impossível a muitas lojas 'tradicionais' competir com estes estabelecimentos, e causou uma baixa nos volumes de vendas que rapidamente tornou insustentável a manutenção de muitas delas, contribuindo ainda mais para a centralização de todo o comércio em supermercados, 'shoppings' e hipermercados.

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Um dos sectores onde tal mais se verificou foi o do calçado. Embora ainda prolíferas nos anos 90 e 2000, também as sapatarias tradicionais não escapariam ao novo paradigma, tendo este período marcado o início de um pronunciado declínio deste tipo de loja, que as veria praticamente extinguirem-se num espaço de menos de uma década, com as poucas ainda existentes a focarem-se em marcas específicas (como a Geox ou a Camper) perdendo assim o aspecto generalista que as caracterizava. De facto, qualquer português nascido e crescido nos últimos vinte anos do Segundo Milénio se lembrará de, tal como já haviam feito os seus pais e avós, ir à pequena sapataria do bairro (ou a outra de maior renome mas iguais dimensões físicas) e escolher um novo par de sapatos ou ténis - muito provavelmente feitos em Portugal, com a qualidade que tal 'selo' ainda hoje acarreta – de entre as 'pilhas' que enchiam a loja, sempre com a ajuda de um simpático e prestável funcionário 'à moda antiga', para quem nada dava demasiado trabalho. Era uma daquelas experiências inerentes à infância e que, de tão repetida, acabava por se 'gravar' na memória, bem mais do que uma ida à anónima secção de calçado de um qualquer 'shopping'.

Infelizmente, esta tornar-se-ia a 'norma' para a compra de sapatos no século XXI, com a grande maioria das poucas lojas de desporto e sapatarias de bairro a desaparecerem, e apenas uma ou outra cadeia a continuar, ainda, a tradição do comércio de calçado de proximidade – e, nesses casos, apenas com recurso a materiais relativamente baratos ou peças de grandes marcas, com o apelo quase instantâneo que as mesmas acarretam. Uma dessas terá, aliás, aqui paulatinamente o seu espaço; por agora, no entanto, limitemo-nos a recordar a 'categoria' das sapatarias como um todo, e as memórias que a mesma traz a várias gerações de adultos portugueses.

09.11.25

NOTA: Este 'post' é respeitante a Sexta-feira, 07 e Sábado, 08 de Novembro de 2025.

Um dos aspetos mais marcantes dos anos 90 foi o seu inconfundível sentido estético e de moda. Em sextas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das marcas e modas mais memoráveis entre os jovens da ‘nossa’ década.

As saídas de fim-de-semana eram um dos aspetos mais excitantes da vida de uma criança nos anos 90, que via aparecerem com alguma regularidade novos e excitantes locais para visitar. Em Sábados alternados (e, ocasionalmente, consecutivos), o Portugal Anos 90 recorda alguns dos melhores e mais marcantes de entre esses locais e momentos.

Em alguns dos 'posts' mais recentes desta rubrica, temos vindo a abordar lojas fundadas ou surgidas em Portugal pela primeira vez nos anos 90, mas que, grosso modo, se encontram ainda em actividade, em maior ou menor grau. Desta feita, no entanto, partilhamos a memória de uma companhia cem por cento nacional que, ainda que em tempos saudável e apreciada por uma larga fatia do público nacional, acabou mesmo por sucumbir ao mesmo destino de companhias como a Coronel Tapiocca, declarando insolvência após vários anos de declínio e dificuldades.

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Uma das lojas da companhia, já do tempo dos centros comerciais.

Falamos da Maconde (não confundir com a grossista francesa do mesmo nome, ainda hoje existente) uma proeminente companhia de manufactura têxtil aberta no dealbar da década de 70, na prolífica zona de Vila do Conde, e que, no auge da popularidade da marca, chegou a ter uma sucursal em Marrocos, duas cadeias de lojas presentes um pouco por toda a Península Ibérica, e mais de dois mil trabalhadores. Fazendo da comprovada qualidade do têxtil nacional o seu principal argumento, a companhia – liderada, durante esse período áureo dos anos 90, por Joaquim Cardoso – dividia-se, à época, entre a Macmoda (que apontava à faixa etária então entre os vinte e cinco e os quarenta anos, e com um estilo de vida mais executivo ou corporativo, como principal público-alvo, procurando oferecer peças relativamente intemporais e neutras com uma relação preço-qualidade apelativa) e a Tribo, sob cuja égide se inseriam as peças mais casuais e juvenis produzidas pelas fábricas da companhia. Ambas as marcas são, para uma determinada parcela da população nacional, emblemáticas do comércio português de finais dos anos 90 e inícios de 2000,

Infelizmente, esses anos viriam, mesmo, a representar o apogeu da Maconde; a saída de Cardoso, em 2002, precipita uma súbita 'espiral' de despedimentos, fechos de lojas e outras reduções necessárias que, em literal meia dúzia de anos, vê a outrora próspera empresa ser obrigada a declarar insolvência, acabando mesmo por se extinguir ainda antes do final da década de 2000. Um final triste e algo inglório (embora, infelizmente, longe de ser inaudito) para uma das mais emblemáticas lojas portuguesas dos tempos do comércio de rua e dos primeiros anos dos 'shoppings', e que terá, durante esse período, constituído uma Saída de Sábado para muitos portugueses, em busca de artigos de qualidade 'à moda antiga' para usar numa Sexta com Style.

25.10.25

NOTA: Este 'post' é parcialmente respeitante a Sexta-feira, 24 de Outubro de 2025.

Um dos aspetos mais marcantes dos anos 90 foi o seu inconfundível sentido estético e de moda. Em sextas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das marcas e modas mais memoráveis entre os jovens da ‘nossa’ década.

As saídas de fim-de-semana eram um dos aspetos mais excitantes da vida de uma criança nos anos 90, que via aparecerem com alguma regularidade novos e excitantes locais para visitar. Em Sábados alternados (e, ocasionalmente, consecutivos), o Portugal Anos 90 recorda alguns dos melhores e mais marcantes de entre esses locais e momentos.

Já aqui anteriormente falámos da 'fast fashion', a tendência para comercializar artigos de vestuário baratos e descartáveis que 'invadiu' Portugal algures nos anos 90, para não mais o abandonar. E apesar de as principais proponentes deste tipo de comércio no nosso País serem estrangeiras – tendo à cabeça as lojas do famoso grupo espanhol Inditex – houve também, ao longo dos anos, tentativas bem-sucedidas de criar cadeias de 'fast fashion' dentro de portas. Uma das mais famosas, e ainda hoje presente um pouco por todo o território, teve a sua génese em 1993, quando um grupo de importadores do ramo do vestuário decidiu criar a sua própria cadeia de lojas para comercializar os artigos importados, ao invés de os vender a outras companhias.

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Nascia assim a Shop One (ou, como é normalmente estilizada, Shop1One), inicialmente apenas um pequeno e discreto estabelecimento na Rua Morais Soares, ao Chile, em Lisboa, mas cujo sucesso rapidamente obrigou a uma mudança de instalações – no caso para um espaço diametralmente oposto, com três pisos, e situado na Praça do Rossio, em plena zona nobre de Lisboa. Esta loja, que ainda hoje se encontra em actividade precisamente no mesmo local, vir-se-ia a tornar a mais conhecida de entre as 'sucursais' da marca, afirmando-se até aos dias que correm como estandarte da mesma.

A Shop One não se ficaria, no entanto, pela influência regional, procurando, de forma natural, expandir a sua base de operações para fora da capital. Também naturalmente, foi a 'segunda capital' portuguesa, o Porto, a localidade escolhida para acolher a primeira loja deste processo de expansão, a qual abria em 1998. Seguir-se-iam, já no Novo Milénio, uma loja na terceira maior cidade do País, Braga, um 'outlet' na zona dos Anjos, em Lisboa (denominado Klear) e, ao longo dos mais de vinte anos seguintes, quase mais três dezenas de lojas, com uma média de mais de um novo estabelecimento por ano que faz da Shop One um dos melhores exemplos de sucesso para uma empresa de vestuário nacional – sobretudo por a marca não contar com o renome ou popularidade de concorrentes como a Mango, a Primark ou as referidas lojas do Grupo Inditex – e. por isso, bem merecedora desta presença nas nossas páginas.

28.09.25

NOTA: Este 'post' é parcialmente respeitante a Sexta-feira, 12 de Setembro de 2025.

Um dos aspetos mais marcantes dos anos 90 foi o seu inconfundível sentido estético e de moda. Em sextas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das marcas e modas mais memoráveis entre os jovens da ‘nossa’ década.

As saídas de fim-de-semana eram um dos aspetos mais excitantes da vida de uma criança nos anos 90, que via aparecerem com alguma regularidade novos e excitantes locais para visitar. Em Sábados alternados (e, ocasionalmente, consecutivos), o Portugal Anos 90 recorda alguns dos melhores e mais marcantes de entre esses locais e momentos.

Apesar de o foco deste 'blog' serem as memórias de juventude, e os locais, produtos e acontecimentos de maior interesse para quem era menor de idade em finais do século XX, tal não significa que descuremos produtos ou serviços surgidos durante essa década e destinados a um público-alvo mais velho – até porque alguns deles lograram manter-se activos tempo suficiente para serem úteis àqueles mesmos 'X' e 'Milllennials' já depois de adultos. É, precisamente, o caso das duas companhias de que falamos neste 'post', as quais se degladiam há já mais de três décadas pela clientela masculina profissional ou de meia-idade, em detrimento de qualquer outra demografia.

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Referimo-nos, claro está, à Massimo Dutti e à Giovanni Galli, duas rivais ibéricas com nome italiano (ou não continuasse a ser esse o país estereotipadamente conotado com a moda) que desde inícios dos anos 90 travam uma batalha comercial, sem que, até hoje, qualquer delas tenha conseguido provar definitivamente a superioridade do seu país de origem – o que acaba por ser lisonjeiro para a nacional Giovanni Galli, que se opõe de forma independente àquela que é apenas mais uma 'face' do gigantesco Grupo Inditex, também 'dono' da Zara, Pull & Bear e Bershka, entre outras marcas. No entanto, a Massimo Dutti tem a seu favor o facto de possuir também, desde há já trinta anos, uma linha feminina e ainda outra, mais recente, de criança - embora ambas tenham destaque quase nulo num catálogo que continua a ter o público masculino como principal alvo. Ainda assim, este acaba mesmo por ser um factor vantajoso para a empresa espanhola relativamente à rival nacional, cujo foco continua a ser exclusivamente a roupa de homem.

Apesar destes pontos vantajosos, no entanto (e dos preços algo mais acessíveis) a Massimo Dutti perde, aos olhos do público nacional, em dois aspectos: por um lado, a conotação com o 'fast fashion', que faz com que as suas roupas sejam vistas como mais descartáveis e de menor qualidade, e, por outro, o facto de muitos artigos da Giovanni Galli continuarem a ser produzidos em solo nacional, estando as origens da companhia profundamente ligadas à reputada indústria têxtil do Norte de Portugal, uma ligação que a marca faz questão de manter, e que constitui um trunfo importante junto da demografia que a mesma visa captar, e que talvez se sinta algo 'acima' de uma marca 'de centro comercial' como a Massimo Dutti. A contrapartida, claro está, passa pela necessidade de realizar maiores volumes de negócio para conseguir ter lucro, um paradigma que tem, recentemente, 'vitimado' algumas das mais de três dezenas de lojas da empresa em Portugal.

Mau-grado este revés para a marca nacional, no entanto, tudo leva a crer que a rivalidade a dois no seio do mercado de roupa masculina 'elegante' se mantenha ainda em anos vindouros, pelo menos num futuro próximo. Se a mesma terá ou não alguma vez uma vencedora declarada é algo que apenas se poderá saber paulatinamente; nos entrementes, quem favorece um estilo 'smart casual' ou 'business casual' continua a ter duas opções bem distintas onde adquirir roupa de qualidade e com bom corte a preços acessíveis, ambas as quais, curiosamente, teriam também sido alternativa para os seus pais, três décadas antes - uma situação que diz muito da força e posicionamento no mercado de ambas as marcas, e que lhes vale este 'post' tanto duplo como partilhado.

13.09.25

NOTA: Este 'post' é parcialmente respeitante a Sexta-feira, 12 de Setembro de 2025.

Um dos aspetos mais marcantes dos anos 90 foi o seu inconfundível sentido estético e de moda. Em sextas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das marcas e modas mais memoráveis entre os jovens da ‘nossa’ década.

As saídas de fim-de-semana eram um dos aspetos mais excitantes da vida de uma criança nos anos 90, que via aparecerem com alguma regularidade novos e excitantes locais para visitar. Em Sábados alternados (e, ocasionalmente, consecutivos), o Portugal Anos 90 recorda alguns dos melhores e mais marcantes de entre esses locais e momentos.

Numa edição anterior desta rubrica, falámos do aparecimento em Portugal das lojas de 'fast fashion', sem, no entanto, destacarmos qualquer uma delas em particular. Chega, pois, agora o momento de olhar mais a fundo para uma delas, que sempre quis ser menos 'fast' e mais 'fashion' do que as restantes, e que, por entre controvérsias, mantém inalteradas tanto a sua linha condutora como a forte presença em zonas comerciais de Norte a Sul de Portugal, país que continua a constituir o seu segundo maior mercado.

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Falamos da Mango, cadeia espanhola que abriu as suas primeiras lojas no 'outro' país ibérico em 1992, menos de uma década após a sua fundação – curiosamente, não em Lisboa ou no Porto, mas em Coimbra. Não tardaria senão mais uns meses, no entanto, até as 'capitais' começarem, também elas, a receber lojas da cadeia, entre elas a mais antiga hoje em actividade, inaugurada no CascaiShopping a 2 de Novembro de 1993. Era o início de uma expansão que, eventualmente, veria a Mango operar mais de cinco dezenas de lojas em território nacional, e tornar-se um dos nomes mais reconhecíveis do comércio de vestuário em Portugal, muito graças à oferta algo mais sofisticada e estética do que as da concorrência – mais perto de um Cortefiel do que de uma Zara ou Bershka, e mais coadunante com o público ligeiramente mais velho que a cadeia pretendia atingir.

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A loja do CascaiShopping, a mais antiga ainda em actividade.

E a verdade é que esta estratégia resultou em pleno, garantindo à Mango uma clientela demograficamente diversificada, grande parte da qual continua até hoje a visitar as lojas da marca – e, no caso das clientes mais jovens da época, a 'apresentá-la' também às novas gerações. Os cortes, padrões e acessórios, esses, continuam tão intemporais e clássicos como sempre (uma das imagens de marca da cadeia) tornando as suas peças adequadas a qualquer ocasião, e fáceis de 'transitar' de um ano para o outro sem parecerem antiquadas, e continuando a garantir o sucesso da marca como fornecedora de 'básicos' para o dia-a-dia, sobretudo para o público feminino.

E a verdade é que, embora não esteja imune a algumas controvérsias – a mais recente das quais ligada à actual guerra na Ucrânia – a cadeia fundada pelos irmãos Andic há mais de quatro décadas, e presente em Portugal há mais de três, não parece dar sinais de abrandar, quer na sua expansão, quer no volume de vendas, continuando a figurar entre as favoritas dos consumidores portugueses no sector do vestuário, o que faz prever uma presença continuada em Portugal, senão durante mais três décadas, pelo menos no futuro mais próximo.

 

29.06.25

NOTA: Este 'post' é parcialmente respeitante a Sexta-feira, 27 e Sábado, 28 de Junho de 2025.

Um dos aspetos mais marcantes dos anos 90 foi o seu inconfundível sentido estético e de moda. Em sextas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das marcas e modas mais memoráveis entre os jovens da ‘nossa’ década.

As saídas de fim-de-semana eram um dos aspetos mais excitantes da vida de uma criança nos anos 90, que via aparecerem com alguma regularidade novos e excitantes locais para visitar. Em Sábados alternados (e, ocasionalmente, consecutivos), o Portugal Anos 90 recorda alguns dos melhores e mais marcantes de entre esses locais e momentos.

Aos Domingos, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos principais acontecimentos e personalidade do desporto da década.

Em tempos, falámos nesta mesma rubrica das diversas cadeias de 'fast fashion' que, desde o advento dos 'shoppings' em finais dos anos 90, têm vindo progressivamente a substituir as lojas de roupa e boutiques tradicionais. Nessa ocasião, fizemos menção passageira às duas cadeias que, nessa mesma altura, surgiram para fazer frente às lojas de desporto de bairro, acabando por se tornar a nova referência para a compra de roupa e artigos de desporto. Nada melhor, pois, do que dedicarmos este 'post' triplo a uma análise mais alargada desses estabelecimentos, ambos ainda hoje em actividade, embora apenas um ainda em território português.

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E comecemos, precisamente, por esse, estabelecido em 1997 e durante as décadas seguintes parte do gigantesco Grupo Sonae, do qual servia como 'ramo' desportivo. Falamos, claro está, da icónica Sport Zone, a grande superfície dedicada ao desporto que, durante as duas primeiras décadas do século XXI, teve o quase monopólio deste sector comercial no mercado nacional, graças à sua boa relação preço-qualidade, grande variedade de artigos à escolha (e para todos os orçamentos) e algum cuidado no 'design' das peças das suas marcas próprias - a Berg, mais dedicada à caminhada e montanhismo, e a Deeply, mais voltada para o 'surf', bodyboard e outros desportos aquáticos.

Este conjunto de características fazia com que uma visita a uma qualquer Sport Zone (e continua, até hoje, a haver uma em praticamente todas as grandes superfícies ou zonas comerciais de destaque em Portugal) fosse quase garantia de se encontrar fosse o que fosse que se procurava, e a um preço muito competitivo em relação às lojas de bairro, cujo teor independente obrigava à cobrança de valores mais altos por cada artigo. Não é, pois, de admirar que, naqueles primeiros anos do Novo Milénio, a maioria dos portugueses acorresse a uma das lojas da cadeia de Belmiro de Azevedo para colmatar as suas necessidades em termos de material desportivo.

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Este monopólio da consciência popular nacional não correspondia, no entanto, a um monopólio comercial, já que uma outra cadeia, de cariz internacional, fazia, no mesmo período, frente à Sport Zone, almejando uma presença e variedade tão grande ou maior do que esta. Tratava-se da suíça Intersport, que, a acrescer a todos os benefícios da Sport Zone, tinha ainda a vantagem de três décadas de experiência adicional, e de uma ligação a diversos eventos desportivos de monta, com destaque para os Jogos Olímpicos, dos quais era a fornecedora oficial. Assim, era também com naturalidade que os portugueses recorriam a esta cadeia como alternativa à nacional Sport Zone, tendo a Intersport gozado, mesmo, de vários anos de monopólio, no período anterior à criação da marca da Sonae.

Tendo isto em conta, foi com alguma surpresa que os portugueses assistiram à retirada da Intersport do mercado português, algures nas últimas duas décadas, cedendo definitivamente à Sport Zone a parcela maior do sector de artigos desportivos a nível nacional – um desaparecimento que se torna ainda mais surpreendente ao perceber que, em outros países do estrangeiro, a marca continua forte, e a afirmar-se como uma referência no seu sector. Em Portugal, no entanto, essa distinção pertence, hoje, à Decathlon, a 'sucessora' da Intersport na concorrência à Sport Zone, e que almejou ser mais bem sucedida do que qualquer delas, sendo hoje o principal destino dos desportistas e caminhantes amadores nacionais. A 'decana' das grandes superfícies desportivas continua, no entanto, a ter, ela mesma, um grau considerável de sucesso, assegurando que, tal como sucedia há três décadas, os aficionados de desporto portugueses continuam a ter escolha no tocante a artigos e roupas para a prática da sua actividade favorita.

 

07.06.25

As saídas de fim-de-semana eram um dos aspetos mais excitantes da vida de uma criança nos anos 90, que via aparecerem com alguma regularidade novos e excitantes locais para visitar. Em Sábados alternados (e, ocasionalmente, consecutivos), o Portugal Anos 90 recorda alguns dos melhores e mais marcantes de entre esses locais e momentos.

Já aqui por diversas vezes recordámos estabelecimentos outrora comuns no tempo do comércio de proximidade, mas que a expansão e globalização das grandes cadeias de supermercados, juntamente com a emergência das grandes superfícies, veio extinguir, ou, pelo menos, reduzir substancialmente em presença e impacto, das leitarias às drogarias tradicionais e das lojas de desporto às lojas de brinquedos. Chega, agora, a hora de juntar mais um tipo de loja a essa lista – no caso, as mercearias tradicionais e, especificamente, aquela que era uma das maiores cadeias dentro do ramo, as lojas Grula.

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Um pacote de café com a marca da cadeia...

Com forte presença no sector das mercearias de bairro (muitas das quais exibiam o seu símbolo na porta ou janela, informando os clientes de que a sua loja local fazia parte da cadeia) nos anos 80 e 90, o grupo Grula deixava a sua marca não só através dos produtos e atendimento de qualidade, mas também (de forma literal) em pacotes de açúcar providenciados nas lojas que tinham café, ou ainda em calendários e outros brindes publicitários típicos da época. Esta estratégia permitia, por sua vez, que grande parte da população portuguesa passasse a associar a Grula ao comércio alimentar de proximidade, cimentando assim a marca na consciência popular do Portugal de finais do século XX.

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...e o calendário de 1992 da mesma.

A 'fama' (e proveito) de que disfrutavam as suas lojas permitiu, por sua vez, ao grupo comercial crescer, absorvendo a Coopertorres e Torrestir e adoptando vários outros nomes comerciais dentro do seu ramo, embora nenhum com tanta expressão quanto a Grula; infelizmente, este crescimento acarretou inevitavelmente consigo um acréscimo de dívidas, que acabou por ditar o fim do grupo, em 2014. Tal extinção não ditou, no entanto, o fim das marcas que o consórcio controlava, sendo que a Torrestir continua em actividade, e a designação Grula surge ainda no nome de uma ou outra mercearia por esse Portugal fora, embora já de forma muito mais esporádica que anteriormente.

Quem conheceu as lojas Grula no seu auge, no entanto, recordar-se-à de as visitar com a família, em Saídas ao Sábado em busca de frutas e legumes frescos, e do atendimento atencioso e personalizado que caracterizava tantas das lojas daquela era, hoje já infelizmente distante. Razão mais que suficiente para recordarmos esta icónica cadeia comercial do Portugal de outros tempos...

15.03.25

As saídas de fim-de-semana eram um dos aspetos mais excitantes da vida de uma criança nos anos 90, que via aparecerem com alguma regularidade novos e excitantes locais para visitar. Em Sábados alternados (e, ocasionalmente, consecutivos), o Portugal Anos 90 recorda alguns dos melhores e mais marcantes de entre esses locais e momentos.

Apesar de, obviamente, não constituir uma saída nostálgica por razões que lhes sejam directamente relevantes, as lojas de artigos para grávidas e recém-nascidos não deixarão, ainda assim, de fazer parte da memória remota de muitos portugueses das gerações 'X' e 'Millennial', sobretudo aqueles que contem com irmãos ou irmãs mais novos. Isto porque, na era anterior ao advento dos hipermercados, 'shoppings' e outras grandes superfícies, os referidos estabelecimentos eram a principal referência no tocante à aquisição de artigos para crianças de muito tenra idade - com o limite máximo a situar-se normalmente por volta dos três anos – sendo, por isso, expectável que muitas crianças as tenham visitado, pela mão dos pais, para adquirir algo para si ou para as outras crianças da família.

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As três grandes lojas do ramo a terem actuado em Portugal.

Curiosamente, e ao contrário do que acontecia com a maioria dos outros tipos de cadeia monotemáticas, o foco destas lojas nem sequer era, necessariamente, a roupa, sendo esta apenas um dos muitos elementos ali encontrados; pelo contrário, a maioria das mães que frequentavam este tipo de estabelecimento procurava produtos difíceis de encontrar no dia-a-dia, de biberões a berços e de carrinhos a 'cangurus', aquelas transportadoras usadas de encontro ao corpo de modo a manter o bebé seguro.

Era essa vertente mais especializada que assegurava a subsistência e clientela deste tipo de lojas, e só o facto de a maioria destes produtos ter passado a estar disponíveis nas referidas grandes superfícies veio tornar redundante a presença das várias cadeias do ramo em solo português. E se a Chicco ainda se vai conseguindo aguentar – embora com um número de lojas já muito reduzido, e sobretudo localizadas em 'shoppings' – muito à base da fama enquanto marca, as outras duas grandes lojas do ramo em solo nacional (a italiana Prénatal e a britânica Mothercare) acabaram mesmo por abandonar o território português. Uma perda, decerto, para as mães lusas, que deixaram de poder desfrutar do atendimento personalizado e variedade de escolha oferecida por este tipo de estabelecimento, algo que os preços mais baixos praticados nas grandes superfícies não chegam exactamente a colmatar, e que constitui um dos elementos que mais saudades causa a quem viveu aqueles anos mais simples e 'inocentes' de finais do século XX.

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