17.01.26
As saídas de fim-de-semana eram um dos aspetos mais excitantes da vida de uma criança nos anos 90, que via aparecerem com alguma regularidade novos e excitantes locais para visitar. Em Sábados alternados (e, ocasionalmente, consecutivos), o Portugal Anos 90 recorda alguns dos melhores e mais marcantes de entre esses locais e momentos.
Hoje em dia, a compra de mobiliário e acessórios para casa em Portugal é praticamente sinónima com duas grandes superfícies multinacionais – a IKEA e a Leroy Merlin. Antes da entrada de qualquer destas companhias em Portugal, no entanto, existiam já diversas opções de cunho cem por cento nacional, algumas das coisas existentes (e resistentes) até aos dias de hoje, e outras – infelizmente – 'abafadas' pelo domínio dos dois 'gigantes' internacionais, ou de outro modo extintas 'antes de tempo'.
Deste último grupo, destaca-se o Kit-Market, outrora uma loja de referência no tocante à aquisição de móveis, mas que, nos anos da viragem do Milénio, perdera já muita da influência e renome que tivera na década anterior, muito por culpa das outras companhias de que falaremos neste artigo. Ainda assim, durante a última década e meia do século XX, a cadeia fundada em 1985 e sedeada no Centro Comercial das Olaias, em Lisboa, conseguiu ainda encontrar o seu público, não só devido à proposta à época inovadora (tendo basicamente sido o antecessor nacional da IKEA, oferecendo mobiliário desmontável que cabia ao cliente construir), como também pelo 'design' jovem e arrojado das peças (algumas com alusões a elementos como fechos 'éclair') e ainda à diversidade de produtos vendidos, que se estendiam a acessórios de moda, de entre os quais se destacavam as pulseiras pretas, muito do agrado do emergente público gótico nacional.
Apesar do sucesso, no entanto, o Kit-Market tomou, nos primeiros anos do século XXI, a decisão consciente de não travar uma luta desigual com a IKEA, encerrando funções voluntariamente e passando a sua base de clientes para a loja-mãe, a Dimensão (hoje DimensãoNova). E o facto é que aqueles anos da viragem do Milénio representaram mesmo o auge da companhia, que diversificava a sua oferta, sagrava contractos com 'designers' internacionais, e expandia o alcance da sua marca com numerosas filiais em regime de 'franchise' – isto além, claro, de oferecer móveis que aliavam a qualidade e o 'design' a preços competitivos e apelativos, permitindo à Dimensão tornar-se um dos dois grandes nomes do comércio de mobiliário em Portugal.

O outro, claro, era a Moviflor, conhecida pelo seu maior foco na publicidade (com alguns anúncios ainda hoje icónicos, um dos quais com a participação de Herman José, no papel do seu clássico personagem 'Estebes') e que, em todos os restantes aspectos, competia com a Dimensão, ainda que a sua oferta se focasse um pouco menos no 'design' do que o da concorrente, oferecendo peças mais simples e neutras e um modelo comercial mais centrada na revenda do que no fabrico próprio que caracterizava a Dimensão. Ainda assim (ou talvez como consequência disso) a companhia conseguiu lutar 'taco a taco' com a rival até 2014, ano em que – tal como o Kit-Market anteriormente – acabaria por encerrar face à concorrência da IKEA, com a agravante de, ao contrário da subsidiária da Moviflor, ter tentado fazer frente ao gigante sueco, naquela que foi uma luta previsivelmente desigual mas que ainda durou mais de uma década.
É, pois, fácil ver como a chegada da multinacional em causa ao nosso País veio causar um rombo no mercado do mobiliário, obrigando as principais empresas nacionais a encerrar actividades (como o Kit-Market ou a Moviflor) ou a mudar o seu foco (como foi o caso da Dimensão e também da pioneira e hoje septuagenária Altamira). Quem viveu os últimos anos do século XX e inícios do seguinte, no entanto, terá certamente memória de visitar estes espaços com os pais, em busca de móveis para a sala ou quartos, e de ver os seus anúncios na televisão, no intervalo dos seus programas favoritos, tornando-os assim parte integrante da memória nostálgica da geração 'millennial' nacional, e merecedores de espaço neste nosso 'blog' nostálgico.













