11.06.25
Em quartas-feiras alternadas, falamos sobre tudo aquilo que não cabe em nenhum outro dia ou categoria do blog.
A literatura infantil atravessava, em finais dos anos 80 e inícios dos 90, um dos seus períodos áureos, com séries como 'Uma Aventura' ou 'O Clube das Chaves' e autores como Alice Vieira a fazerem as delícias dos mais jovens. Não é, pois, de admirar que esse período tenha, também, visto surgir no mercado muitos novos escritores de contos para crianças, ansiosos por se mostrar ao público-alvo. E essa tarefa viria a ficar facilitada quando, logo nos primeiros meses da última década do século e Milénio, a Editorial Verbo lançava um prémio literário para, simultaneamente, divulgar autores principiantes e homenagear um icónico nome do meio, falecido pouco antes, em 1989.

O livro vencedor da primeira edição do Prémio.
Apesar das boas intenções, no entanto, o Prémio Adolfo Simões Muller (ou, pelo menos, a primeira configuração do mesmo) apenas viria a ter quatro edições - ou, pelo menos, assim rezam os registos actualmente disponíveis. As três primeiras teriam lugar em anos consecutivos – 1991, 1992 e 1993 – e a quarta já no dealbar do Novo Milénio, e uma década após a criação do Prémio. Nessa última selecção, o livro vencedor terá sido Rubens e a Companhia do Espanto em O Caso da Mitra Desaparecida de António Garcia Barreto, enquanto que nos outros anos os vencedores foram Ana Maria Meireles, com 'O Mistério dos Cães Desaparecidos' (em 1991), Luís da Silva Pereira com 'A História de Davidim' (em 1992) e 'Este Pinhal Tão Verde' de Graça Matos de Sousa (em 1993, ano em que pela primeira vez se atribuíram menções honrosas, no caso duas, a 'Três Semanas Com a Avó' de Ana Saldanha e 'A Vida É Uma Grande Ideia' de Carla Oliveira.) Estes livros foram, posteriormente, editados pela própria Verbo sob o cabeçalho 'Grande Prémio'.
Como se pode ver pelo elenco de nomes no parágrafo anterior, este prémio não logrou concretizar o seu objectivo de lançar novos nomes no panorama da escrita infantil em Portugal, sendo Garcia Barreto o único nome conhecido da lista, e já 'famoso' antes de vencer a distinção em causa. Assim, não é de admirar que a Verbo tenha rapidamente desistido da iniciativa – tendo, no entanto, o nome da mesma sido adoptado por um prémio literário muito semelhante atribuído pela Câmara Municipal de Sintra. É através deste que o nome e legado de Adolfo Simões Muller sobrevivem hoje em dia, tendo a primeira tentativa 'falhada' caído no esquecimento...isto é, até termos, com as linhas anteriores, reavivado a memória dos jovens leitores da época, os quais poderão, inclusivamente, ter memórias nostálgicas quanto a algum dos livros premiados durante a efémera vida do prémio da Verbo. Fica a eles dedicada esta breve recordação.












