Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

25.05.21

Porque nem só de séries se fazia o quotidiano televisivo das crianças portuguesas nos anos 90, em terças alternadas, este blog dá destaque a alguns dos outros programas que fizeram história durante aquela década.

images.jpg

Uma imagem vale mais do que 200 e tal palavras

‘Ponha, ponha, ponha!!! AAAAAAIIII!!!’

Esta frase – que se tornou um ‘meme’ décadas antes de esse conceito ter sido oficialmente inventado – é, ainda hoje, a primeira coisa que vem à memória quando se fala do programa abordado neste post, a ponto de haver quem já nem se lembre do nome, mas ainda se lembre do homem careca, sentado de olhos fechados, aos gritos, enquanto lhe eram postas iguanas na calva.

x435 (1).jpg

Esse homem chamava-se João Muge, e o programa, Agora ou Nunca – um conceito que, à época, até foi bastante popular, sobretudo devido à enérgica apresentação de Jorge Gabriel, mas que hoje tem como único legado esse famoso ‘clip’ e a respectiva citação, incessantemente repetida por esse país afora naqueles idos de 1997.

Baseado, como quase todos os programas nacionais à época, num formato estrangeiro (neste caso, alemão), o programa tinha uma ideia-base simples, que consistia tão somente em ajudar os concorrentes a ultrapassar as suas maiores fobias, através do comprovado método de as expor, em directo, a uma audiência de milhões de portugueses. Uma espécie de sessão de terapia televisionada, em que a maioria das fobias oscilava entre o inusitado e o ridículo, expondo, por isso, os seus detentores ao ridículo, como foi o caso com o Sr. João Muge e as suas iguanas.

Mesmo assim, a maioria dos participantes não se parecia importar grandemente com as ‘figuras’ que ia fazer para a televisão, até porque havia uma inevitável recompensa em dinheiro à espera de quem fosse ‘valente’ o suficiente para enfrentar os seus medos – e os risos da audiência. No caso de João Muge, 225 contos foram a soma recebida em troco da exposição ao ridículo no programa e (ainda que ninguém o antevisse na altura) da entrada no imaginário humorístico popular, com a sua ‘catchphrase’ a virar dichote de recreio, e Herman José – então a atravessar um momento alto da sua carreira – a satirizar a participação de Muge no programa da SIC com uma rábula na sua ultra-popular ‘Enciclopédia’. Estava, assim, criado um 'meme' que perdurou tanto que, literalmente décadas mais tarde, o próprio Jorge Gabriel viria a recriar o momento no programa '5 Para a Meia-Noite' - desta vez, tendo ele próprio a iguana na cabeça...

naom_5a61c9ff7d37d.jpg

O Jorge também não parece gostar lá muito da situação...

Do restante programa, restam muito poucas recordações, pelo menos para quem não foi espectador fiel ou tenha uma memória acima da média (ou ambos.) Comparados com a performance digna de um Óscar de João Muge, os restantes desafios (e respectivos ‘freakouts’) não eram, nem de longe, tão memoráveis, ainda que alguns tivessem tudo para o ser (como a pobre concorrente que, para enfrentar o seu medo de montanhas-russas, se deslocou, não até à Feira Popular de Lisboa, ou na Bracalândia minhota, mas…a Inglaterra.) Assim, vão valendo os gritos de um careca com iguanas na cabeça (e um blog nostálgico de um gajo trintão) para impedir que este tesourinho deprimente caia, de vez, no esquecimento. E para que a memória perdure, aqui fica o registo desse momento lendário da televisão portuguesa...

Vá, força - digam lá 'a frase'. Vocês sabem que não vão resistir...

20.04.21

Porque nem só de séries se fazia o quotidiano televisivo das crianças portuguesas nos anos 90, em terças alternadas, este blog dá destaque a alguns dos outros programas que fizeram história durante aquela década.

E se nos dois posts anteriores falámos dos mais célebres programas ‘de auditório’ para crianças, na publicação de hoje vamos falar daquele que foi talvez o mais célebre representante ‘para adultos’ do género durante os anos 90.

Sim, esse mesmo, o Big Show SIC -  uma espécie de versão ‘para gente grande’ do Buereré, concebido pelo mesmo criador do programa de Ana Malhoa, Ediberto Lima. Neste, não havia desenhos animados (o que faz sentido, dado o programa não ser dirigido a um público infanto-juvenil) mas havia concursos, rábulas e atuações dos mais variados artistas de música popular portuguesa – a chamada música ‘pimba’, da qual já falamos noutro post deste blog – os quais eram frequentemente ignorados pelas estações de televisão devido à sua conotação com o ‘popularucho’. Ao resolver remediar esta situação e dar a estes artistas um palco para brilhar, Ediberto acabou por criar um dos mais bem-sucedidos programas de variedades da década, e o programa-estandarte da estação de Carnaxide durante os próximos seis anos.

O formato do Big Show SIC recriava diretamente o de produções análogas da terra-natal de Ediberto Lima, como o Domingão do Faustão ou o Caldeirão do Huck – ou seja, misturava performances musicais com passatempos e segmentos de humor, tudo apresentado por um mestre de cerimónias carismático e capaz de apelar a um vasto segmento da população. No caso português, o papel de Fausto Silva, Gugu Liberato ou Luciano Huck coube a João Baião, um (até então) ator de variedades que abraçou a nova carreira com gosto, tornando-se presença marcante das tardes portuguesas com o seu estilo de apresentação frenético e energético, ao mais puro estilo ‘coelhinho da Duracell depois de dez abatanados’. As suas frases feitas, dichotes e piadas, bem como as suas características ‘corridinhas’ pelo cenário, conferiam uma dose extra de charme e personalidade, tornando memorável aquilo que, de outro modo, seria apenas mais um programa de variedades mediano.

A 'corda' de João Baião era tanta, que às vezes até caía...

Para ajudar a ‘animar as hostes’, Baião contava com o apoio do DJ Pantaleão – autor da famosa frase ‘AI! EU TÔ MALUCOOOOO!’ – Alfredo Martins, o ‘Gaio’, e o Macaco Hadrianno, um homem num fato de gorila cuja função era transportar os participantes menos talentosos de um segmento musical para fora do estúdio…às suas costas. Este último viria, mais tarde, a renovar a sua fama entre a miudagem, ao ser ‘emprestado’ ao Buereré de Ana Malhoa que, famosamente, lhe dedicaria uma canção no primeiro disco de músicas retiradas do programa infantil.

Na fase de declínio do Big Show SIC – já na década de 2000 – este pequeno mas marcante lote de coadjuvantes ver-se-ia acrescido de mais um nome – o ratinho Topo Gigio, uma criação da TV italiana já com várias décadas de vida (e algum ‘merchandising’ à venda em Portugal) e que faria assim o seu regresso à televisão portuguesa, vinte anos após o programa que o celebrizou, apresentado por António Semedo.

Vídeo promocional alusivo à estreia de Topo Gigio no Big Show SIC

A sua adição não foi, ainda assim, suficiente para salvar o programa, que ainda conseguiria segurar-se por mais de um ano no novo milénio, antes de se despedir do público das tardes portuguesas, em Março de 2001. Por esta altura, o programa já não contava com a apresentação de João Baião, tendo como apresentadores, primeiro, Jorge Gabriel e, mais tarde, José Figueiras – nomes carismáticos, mas que não faziam esquecer aquele que se havia tornado um verdadeiro símbolo do programa (Baião revelou recentemente, em entrevista ao Canal Q, que ainda hoje é abordado na rua por fãs do Big Show SIC, que lhe perguntam sobre um possível regresso do programa.)

O Big Show SIC pós-Baião, nas variantes Jorge Gabriel e José Figueiras, respetivamente

Em suma, durante os seus seis anos de vida, o Big Show SIC logrou tornar-se um clássico da televisão portuguesa, e ficar na memória de milhões de telespectadores de Norte a Sul do País – entre os quais muitas crianças e jovens. Embora não fosse diretamente dirigido ao público mais novo, o horário do programa permitia a grande parte deste segmento assistir ao mesmo à chegada da escola, cimentando assim a sua popularidade entre os grupos etários mais baixos. A receita baseada em humor simples e popular, excitantes concursos e atuações de artistas de variedades também ajudava a tornar o programa atrativo para os mais novos, que só sentiam mesmo a falta dos desenhos animados que caracterizavam o programa-irmão do Big Show que lhes era, esse sim, dirigido - o Buereré.

E vocês? Viam o Big Show? Que memórias têm dele? Por aqui, confessamos ser este o primeiro post do blog cujo foco não faz, diretamente, parte das nossas memórias infantis – cá por casa, era programa que não se via. Ainda assim, muitos colegas na escola não perdiam uma emissão, e o Big Show era frequentemente motivo de conversa no recreio. Também era assim convosco? Partilhem as vossas memórias nos comentários!

E pronto, agora já podem ir fazer o chichizinho e tomar um cafezinho! Até à próxima!

 

 

Mais sobre mim

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2021
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
Em destaque no SAPO Blogs
pub