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Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

26.07.21

Em Segundas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das séries mais marcantes para os miúdos daquela década, sejam animadas ou de acção real.

Quantas mascotes de eventos desportivos conhecem que tenham a sua propria série animada, com personagens criados propositadamente e até um antagonista? Caso tenham sido crianças, em Portugal, no Verão de 1992, é provável que a resposta seja ‘pelo menos uma’.

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Isto porque Cobi, a simpática mascote de Barcelona 92 que era uma representação minimalista de uma raça de cão local, teve uma breve mas bastante honrosa passagem pelas ondas de UHF, na forma de ‘The Cobi Troupe’, uma série de 26 episódios que via o personagem e um grupo de amigos embarcar em aventuras e estragar os típicos planos malévolos do vilão, o Dr. Normal. Uma premissa algo rebuscada para uma mascote olímpica – seria talvez mais de esperar algo ao estilo Sport Billy – mas que funcionou bastante bem no contexto de curta duração da série.

Em termos técnicos, ‘The Cobi Troupe’ era bastante bem conseguido; a animação era fluida, os personagens tinham um estilo próprio – típico do seu criador, Mariscal – e as histórias, apesar de não serem particularmente originais ou memoráveis, eram divertidas o suficiente para passar o tempo. Isto, claro, sem esquecer o genérico, que era daqueles que ‘cola’ no cérebro durante literalmente décadas, e que provavelmente se irão encontrar a trautear, um belo dia, vinte anos depois de terem visto a série pela última vez…

Em suma, para série declaradamente ‘cash-in’ de um evento específico, com um contexto específico, e que não tinha qualquer hipótese de perdurar para lá do fim do mesmo, ‘The Cobi Troupe’ é melhor do que tinha qualquer direito de ser, e muito melhor do que teria precisado de ser. E embora a sua passagem pela TV portuguesa (na RTP, no ano da olimpíada, em versão original) não tinha sido particularmente memorável (à parte o genérico) em Espanha, a animação deu origem a uma mini-série de revistas aos quadradinhos, com seis números, e até a um CD de músicas alusivas a Cobi e aos Jogos Olímpicos!! (Com sorte, tinha a música do genérico da série, que era mesmo muito boa…) Enfim, nada mau para um membro de um grupo de personagens que muito raramente é lembrada durante os eventos que representam, quanto mais depois deles…

Desculpas antecipadas pela má qualidade de imagem...

25.07.21

Aos Domingos, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos principais acontecimentos desportivos da década.

E numa altura em que tem início mais uma edição dos Jogos Olímpicos – embora, tal como o Europeu de Futebol, com um ano de atraso – nada melhor do que recordar um outro evento deste tipo, sobre o qual se celebram agora exactos 25 anos, e que celebrava ele próprio o centenário dos Jogos Olímpicos como hoje os conhecemos.

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Essa prova – a de 1996, realizada em Atlanta, no estado da Geórgia, EUA - não foi especialmente memorável para o publico jovem – especialmente se comparada à de quatro anos antes, realizada em Espanha, cuja mascote teve até direito a uma série animada propria (o que, convenhamos, não é comum para um representante de um evento não especificamente dirigido a crianças.) Para o público jovem português, no entanto, talvez a situação tenha sido um pouco diferente, já que uma das atletas representantes do nosso país conseguiria ganhar a medalha máxima na sua modalidade, afirmando-se como a digna sucessora de uma outra olimpiana, do mesmo desporto, cuja carreira atingia o ocaso.

Falamos, claro, de Fernanda Ribeiro, a segunda maior velocista portuguesa, logo a seguir à mulher de quem recebeu o testemunho – Rosa Mota, claro. Em Atlanta, Fernanda foi porta-bandeira por Portugal na abertura, e não defraudou as expectativas nela colocadas, regressando dos EUA com a medalha de ouro nos 10.000 metros femininos; já Carla Sacramento, a outra esperança no campo do atletismo, foi porta-bandeira no encerramento, mas não conseguiu qualquer meta assinalável na competição em si.

A prova em que Fernanda participava, e que viria a vencer, teve transmissão em directo na RTP

Infelizmente, como Sacramento, a restante comitiva não teve, nem de perto nem de longe, um desempenho tão honroso. Dos 107 atletas, além de Fernanda, apenas o duo da vela masculina saiu de Atlanta medalhado – no caso, o Bronze na classe 470. Dois outros atletas, Luís Cunha e António Abrantes, conseguiram bons tempos nos 100 e 800m, respectivamente, mas os mesmos não foram suficientes para progredir e atingir o pódio.

No restante, umas Olimpíadas desapontantes para o comité português, em transição entre a fase Rosa Mota e Carlos Lopes e o futuro com Patrícia Mamona, Telma Rodrigues e Obikwelu. A Selecção de futebol somava resultados como 5-0 (contra…) e a maioria dos miúdos estaria certamente mais interessada na prova de basquetebol, onde uma equipa americana movida a Michael Jordan, Magic Johnson e outros que tais davam (previsivelmente) cartas, chegando com facilidade à medalha de ouro. Ainda assim, vale a pena assinalar o aniversário de quarto de século da prova – e esperar que a comitiva portuguesa (desfalcada pela primeira vez de Rosa Mota como acompanhante de honra, devido ao COVID-19, faça uma prova um pouco melhor do que então…

 

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