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Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

08.08.21

Aos Domingos, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos principais acontecimentos desportivos da década.

E porque acaba de se iniciar mais uma época do nosso ‘querido’ campeonato português (força Sporting! De três em três, sempre a somar!), nada melhor do que recordar as provas que completam, este ano, precisamente 30 e 25 anos de vida, respectivamente.

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Não que as épocas de 91/92 e 96/97 tenham tido, de todo, algo de especial; pelo contrário, qualquer das duas serviria como exemplo perfeito do paradigma do futebol português dos anos 90, o qual ficou, acima de tudo, marcado pela hegemonia do Futebol Clube do Porto, a qual se faz sentir em ambos estes campeonatos (o de 91/92 marca, inclusivamente, o início dessa hegemonia, sendo que na época imediatamente transacta – a primeira dos anos 90 – o campeão havia sido o Benfica).

A Oeste nada de novo, portanto – o que não significa que os dois campeonatos escolhidos não tenham, mesmo assim, tido os seus motivos de interesse; de facto, uma consulta rápida aos plantéis dos ‘três grandes’ em cada um dos anos revela um sem-fim de nomes bem conhecidos e memoráveis para qualquer jovem adepto. Na época de 91/92, por exemplo, militavam em Portugal nomes como Vítor Paneira, Paulo Madeira, Tahar El-Khalej, El Hadrioui, Figo, Balakov, Cadete, Iordanov, Vítor Baía, Aloísio, Fernando Couto, Timofte, Kostadinov ou Domingos, enquanto a época de 96/97 seria palco para o despontar de jovens promessas nacionais como Hugo Leal, Simão Sabrosa, ou um jovem ponta-de-lança brasileiro de 22 anos chegado a Portugal nesse mesmo ano para representar um Futebol Clube do Porto em transição da fase ‘trauliteira’ do início dos 90 para o futebol mais artístico que marcaria a década seguinte – um tal de Mário Jardel…

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O genial Balakov em acção contra o FC Porto

Mesmo fora dos ‘grandes’, havia nomes memoráveis a reter, como o de Jimmy Floyd Hasselbaink, que seguiria do Boavista onde ainda militava em 1996 para (muito) mais altos vôos em anos seguintes.

Em termos futebolísticos, no entanto, o cenário era o mesmo que se verificaria em quase todos os anos dessa década, e muitos dos da seguinte – o Porto a ganhar campeonatos de forma conclusiva, deixando Benfica, Sporting, e por vezes Boavista a digladiar-se pelo 2º e 3º lugares. Anos subsequentes revelariam a verdadeira razão dessa hegemonia, mas naqueles tempos mais inocentes, os adeptos pouco podiam fazer senão encolher os ombros e admitir que sim, CLARO que o Porto ganhava mais um…era apenas parte do ‘status quo’ futebolístico da altura, especialmente depois de os do Norte se tornarem ‘movidos’ a Jardel…

images.jpgAté ele parece confuso sobre como marcava tantos golos...

Vinte anos depois, muita coisa mudou - o futebol português assistiu, entre outras efemérides, a um Porto campeão europeu, a um novo período hegemónico mais a sul, no caso do Benfica, e até a um Sporting capaz de surpreender e deixar a sua posição de eterno derrotado na corrida aos títulos. Perante este paradigma, aqueles tempos mais inocentes, em que o campeonato se chamava Primeira Divisão, se disputava entre equipas de homens feios e brutos em lodaçais disfarçados de campos da bola, e onde se jogavam 90 minutos e no fim o Porto ganhava pode até parecer nunca ter existido, um pouco à semelhança do que acontece com o campeonato inglês pré-Premiership.

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Antes dos patrocínios e do futebol-espetáculo, era assim...fi

No entanto, quem esteve lá sabe que tal cenário não só foi absolutamente verdadeiro, como extremamente empolgante para quem a ele assistia, com as emoções à flor da pele próprias da infância; será, talvez, essa a razão para termos acabado de dedicar uma página inteira a duas épocas pouco ou nada marcantes daquele tempo – e para os nossos leitores terem dedicado algum do seu tempo a lê-la…

16.05.21

Aos Domingos, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos principais acontecimentos desportivos da década.

E porque ontem houve ’derby’ de Lisboa, nada melhor do que falar desses jogos que apaixonavam os pequenos fãs de futebol durante a década de 90.

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Dimas, um dos grandes nomes do futebol português dos anos 90, aqui em jogo contra o Sporting.

Um ‘derby’ – ou seja, uma confrontação directa entre dois clubes historicamente rivais, normalmente da mesma cidade ou de localizações adjacentes – tende a ser, invariavelmente, um dos pontos altos de qualquer campeonato, especialmente se disputado entre equipas de qualidade equivalente, e que ambas militem no primeiro escalão dos respectivos campeonatons nacionais. Os ‘derbies’ portugueses reúnem ambas estas condições, e adicionam-lhe uma terceira – nomeadamente, o facto de as equipas intervenientes serem as maiores e mais poderosas do campeonato. Assim, não é de estranhar que os jogos entre essas equipas sejam sempre os de maior interesse para adeptos de todas as idades, e especialmente para as crianças, que sentem o futebol como ninguém.

Por sorte, quem cresceu nos anos 90 teve oportunidade de assistir a alguns ‘derbies’ verdadeiramente apaixonantes. Os ‘três grandes’ portugueses tiveram, ao longo da década, equipas muito equilibradas, com alguns grandes jogadores - entre eles a grande maioria dos elementos da chamada 'Geração de Ouro' - que ajudavam a garantir a emoção e o bom futebol a cada confronto directo.

No início da década, por exemplo, o Sporting apresentava uma equipa ‘movida’ a Balakov, e que contava ainda com nomes como Figo, Carlos Xavier, Paulo Torres, Oceano ou Cadete; o Benfica, por sua vez, respondia com Rui Águas, Veloso, Paulo Madeira, Paneira, Sánchez e Magnusson, enquanto o Porto apresentava uma equipa muito física, com nomes como Aloísio, Fernando Couto, João (Manuel) Pinto, Jorge Couto, Kostadinov, Madjer e, claro, Domingos. Ao longo dos anos seguintes, pontificariam nos diferentes ‘grandes’ nomes que marcaram época no futebol português, como o binómio Drulovic/Zahovic, Iordanov, Michel Preud’Homme, Vidigal, Marco Aurélio, e os vários ‘Paulos’ que se destacavam à época (como Bento, Futre, Sousa ou Paulinho Santos.)

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Figo (à esquerda) num dos 'derbies' em que participou

Ainda mais à frente, fariam história na I Divisão portuguesa nomes como João Vieira Pinto - um dos mais talentosos futebolistas portugueses de todos os tempos - Rui Jorge, Jorge Costa ou Dimas, além de estrangeiros de enorme qualidade como Karel Poborsky (vindo do Manchester United de Cantona e onde despontava já a Class of '92) ou o incontornável e exímio cabeceador brasileiro, Mário Jardel. Já no final da década, um Sporting campeão após jejum de 18 anos contava com Peter Schmeichel na baliza (uma das mais inacreditáveis contratações da história do futebol nacional) e um ‘velhote’ reabilitado chamado Acosta a mandar ‘charutadas’ na frente, e a rivalizar com o goleador do outro lado da estrada, um jovem de cabelo comprido chamado Nuno Gomes. Mais a Norte, o Porto segurava Jardel mais um ano e revelava ao mundo do futebol um ‘mago’ descoberto no Salgueiros – Anderson Luís de Souza, mais conhecido como Deco…

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Jorge Costa em acção contra o Benfica

É claro que, com nomes deste calibre, os ‘derbies’ da década de 90 (e inícios da seguinte) nunca poderiam ser menos do que emocionantes; no entanto, o entusiasmo natural decorrente deste tipo de jogo era, ainda, aumentado por alguns resultados atípicos em termos de volume de golos, como o 3-3 entre Benfica e Porto, em 1993, o histórico 3-6 do Benfica ao Sporting em Alvalade, em 1994, o 1-4 (novamente em Alvalade) na época seguinte, o outro empate a 3 bolas, desta vez entre os rivais de Lisboa, em 1998-99, ou os ‘três secos’ do Porto ao Sporting, na época em que este último se sagraria campeão. E embora este tipo de resultados acabasse sempre por ‘doer’ a alguém – e ainda mais tratando-se de adeptos jovens e ainda na fase da paixão assolapada pelos ‘seus’ clubes – a verdade é que em termos de espectáculo, estes jogos contavam-se entre o melhor que o campeonato português ainda algo ‘desnivelado’ da época tinha para oferecer.

Infelizmente, a evolução do futebol nas duas décadas subsequentes, de um jogo mais emocional e disputado para outro mais clínico e táctico, tornou este tipo de resultado cada vez menos frequente – o que torna resultados como o 4-3 de ontem (conseguido num jogo emotivo e bem disputado, à moda antiga) ainda mais dignos de nota. Pena, pois, que o contacto das gerações futuras com este tipo de partida tenda a ser cada vez mais ocasional, pois a verdade é que, para um jovem adepto, estes são os jogos que tendem a ficar na memória para sempre…

E vocês? Que memórias têm dos ‘derbies’ daquela época? Por quem ‘sofriam’? Partilhem as vossas histórias nos comentários! Entretanto, fiquem com a recordação da noite mais memorável (seja positiva ou negativamente) do futebol daquela década...

 

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