Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

01.06.21

A década de 90 viu surgirem e popularizarem-se algumas das mais mirabolantes inovações tecnológicas da segunda metade do século XX, muitas das quais foram aplicadas a jogos e brinquedos. Às terças, o Portugal Anos 90 recorda algumas das mais memoráveis a aterrar em terras lusitanas.

O que se obtém quando se mistura um produto eletrónico de grande popularidade com tecnologia barata e métodos de distribuição e aquisição de grande alcance e baixo custo? A resposta é, claro, um fenómeno de vendas – e foi precisamente isso que se verificou com os chamados ‘Brick Game’, na primeira metade dos anos 90.

6eb4c41581d049bbcec5725dbea70200.jpg

Como o próprio nome indica, estas pequenas consolas portáteis, de formato algures entre um dos jogos LCD típicos da época e um Game Boy, tinham como principal foco o ‘jogo dos tijolos’ - ou seja, o bom e velho Tetris, que a Nintendo havia apresentado ao grande público poucos anos antes, como título de lançamento do Game Boy. Mas enquanto alguns modelos eram relativamente honestos em relação àquilo que ofereciam, outros havia que, à boa maneira dos multi-cartuchos de Family Game, não resistiam a anunciar uns hiperbólicos ‘9999 jogos em 1’; escusado será dizer que também estes jogos cumpriam essa promessa apenas no sentido mais lato e literal. Com sorte, um modelo mais elaborado de Brick Game ofereceria cinco ou seis jogos; mais frequentemente, eram apenas dois ou três, normalmente variantes do próprio Tetris com mecânicas ligeiramente diferentes - uma versão, por exemplo, tinha uma peça que era apenas um ponto, e que podia ‘atravessar’ filas sólidas para ocupar espaços em branco e ocupar linhas, tornando o jogo mais fácil, mas ainda mais divertido e gratificante. Cada um destes jogos era, depois, repetido literalmente milhares de vezes no menu, por forma a completar as prometidas 9999 entradas. Uma táctica herdada, conforme referido acima, das cassettes falsas para Famiclone, e que deixaria um sabor não menos amargo na boca àqueles que, verdadeiramente, esperassem encontrar 10.000 jogos diferenciados dentro daquele joguinho que os pais tinham ganho na máquina de ‘gancho’ do café da esquina.

162690550.jpg

Um dos modelos 'mentirosos' 

Ainda assim, alguns desses modelos mais avançados faziam um esforço bastante comendável para tentar ‘espremer’ ao máximo as capacidades de ‘hardware’ da máquina, e criar jogos verdadeiramente diferenciados. Claro que nenhum destes era um prodígio técnico (todos tinham como base a limitadíssima tecnologia do Tetris, e como tal, os gráficos eram todos criados a partir dos ‘tijolos’ desse mesmo jogo) mas não deixava, ainda assim, de ser impressionante ver um clone de Breakout/Arkanoid e até um jogo de corridas (!) a rodar numa maquineta destas. Em conjunção com as já referidas variantes mais imaginativas de Tetris, este esforço dos programadores anónimos deste tipo de jogo ajudava a mitigar um pouco a decepção resultante do número limitado de jogos.

4a90a06f6ff1a7dfcbf7efb6b3dfed8d.png

O jogo de corridas para 'Brick Game' não deixa de ser um feito admirável, tendo em conta o 'hardware' limitado da máquina

Mesmo estas limitações, no entanto, não impediam estes ‘Brick Games’ de se espalharem pelos quartos de crianças um pouco por todo o Mundo, incluindo em Portugal. A facilidade em obter uma destas máquinas (conforme referido, este era um prémio frequente nas máquinas de ‘gancho’, bem como presença frequente em lojas de artigos electrónicos baratos) fazia com que quase todas as crianças portuguesas tivessem pelo menos um destes aparelhos (por aqui eram dois, um no tradicional branco-acinzentado semelhante ao do Game Boy, quase igual ao que ilustra o cabeçalho deste post, e outro com exterior preto, muito semelhante ao apresentado abaixo) e fizessem dele frequente uso. Numa época em que o Game Boy era ainda proibitivamente caro, a Game Gear ainda mais, e os tradicionais jogos LCD invariavelmente desapontantes, os ‘Brick Games’ perfilavam-se como uma excelente solução de compromisso, proporcionando aos jovens uma experiência de jogo electrónico portátil sem obrigar a que os pais gastassem dinheiro que, muitas vezes, não tinham.

images.jpg

Os nossos eram (quase) iguais a este e ao apresentado no início deste post

Talvez tenha sido por isso que, nesse mundo em que as consolas portáteis eram ainda incipientes e fora do alcance económico da maioria das famílias, este aparelho de modestas ambições tenha conseguido cativar e ganhar tracção a ponto de ainda hoje ser relembrado – ainda que, no fundo, não passasse de uma simples maquineta ‘manhosa’ para jogar Tetris…

28.04.21

Nota: Este post é respeitante a Terça-Feira, 28 de Abril de 2021.

A década de 90 viu surgirem e popularizarem-se algumas das mais mirabolantes inovações tecnológicas da segunda metade do século XX, muitas das quais foram aplicadas a jogos e brinquedos. Às terças, o Portugal Anos 90 recorda algumas das mais memoráveis a aterrar em terras lusitanas.

E visto que ontem falámos das Tartarugas Ninja, nada mais justo do que fazermos um intervalo na saga das consolas de sucesso dos anos 90 para falarmos, em vez disso, dos jogos de video alusivos a este ‘franchise’ lançados na era ‘clássica’ dos videojogos.

images.jfif

Leonardo em acção em 'Manhattan Missions', o único título das Tartarugas Ninja exclusivo para PC/DOS

Embora fossem apenas uma das muitas, muitas ramificações do ‘merchandising’ dos Tarta-Heróis, os videojogos protagonizados pelos personagens capturaram a imaginação da geração de crianças nascida entre o final da década de 70 e o princípio da ‘nossa’ década – ainda que, neste caso, o impacto entre a juventude portuguesa nem tenha sido tanto como em outros países, em que estes jogos ainda são fervorosamente amados por essa mesma geração de (agora) ‘retro-gamers’.

Ainda assim, pelo menos um dos títulos relativos às Tartarugas teve algum sucesso no nosso país - nomeadamente, o primeiro, lançado para a velhinha Nintendo Entertainment System (NES), bem como para todos os principais computadores da época, e que chegou a muitos lares portugueses dentro daqueles saudosos cartuchos às cores usados pelas consolas ‘Family Game’, o nome então dado àquilo que hoje é conhecido como ‘Famiclone’. (E sim, lá chegaremos também em breve. Por ora, falemos do jogo.)

Teenage_Mutant_Ninja_Turtles_(1989_video_game)_gam

O primeiro jogo homónimo da série, lançado para NES em 1989

Famoso hoje em dia pela ‘descasca’ que levou da maioria dos ‘críticos cáusticos’ da Internet há cerca de década e meia, quando esse estilo de conteúdo ainda estava na moda, o jogo das Tartarugas Ninja conseguiu, ainda assim, algum sucesso, mais não fora porque chegou a vir incluído num dos ‘packs’ de compra da consola disponíveis na altura. Sem esse atrativo, e sem a ainda mais atrativa licença TMNT, talvez não tivesse passado de ‘mais um’ jogo de plataformas mediano, excessivamente difícil e com algumas falhas no ‘design’ dos níveis. Longe de ser um clássico da era 8-bits, mas nada que merecesse a ‘sova’ que levou da Internet.

O sucesso dessa primeira tentativa foi, no entanto, suficiente para justificar uma sequela, também para NES, e lançada no ano seguinte. Criativamente intitulado ‘Teenage Mutant Ninja Turtles 2: The Arcade Game’, este jogo era - como o próprio nome indicava - uma conversão direta do título de ‘arcade’ também disponível à época, e como tal, abandonava o formato de plataformas puro do seu antecessor em favor de um estilo ‘beat ‘em up’ de progressão – o chamado ‘beat-‘em-all’ -  semelhante ao de clássicos como ‘Final Fight’, ‘Double Dragon’, ‘Golden Axe’ ou ‘Streets of Rage’. Escusado será dizer que esta escolha resultou em pleno, sendo este um jogo muito melhor, e muito mais adaptado à realidade do ‘franchise’, do que o primeiro. Também não é, de todo, surpreendente, que quase todos os restantes jogos do ‘franchise’ lançados na era dos 8 e 16 bits tenham seguido este formato.

hqdefault.jpg

'Teenage Mutant Ninja Turtles II: The Arcade Game', de 1990

O primeiro desses jogos, ‘Teenage Mutant Ninja Turtles III: The Manhattan Project’, surgiria em 1992, ainda na Nintendo Entertainment System. Muito semelhante ao seu antecessor, este jogo continuava a fórmula de sucesso a nível de jogabilidade, e apresentava mais uma vez gráficos muito bons, justificando a boa recepção que teve entre os ‘gamers’.

NES_03.gif

O terceiro jogo lançado para Nintendo 8 bits, 'The Manhattan Project', de 1992

Entretanto, as consolas portáteis também não ficavam esquecidas, com o Game Boy a receber nada menos que três jogos: ‘Fall of the Foot Clan’ em 1990, ‘Back From the Sewers’ no ano seguinte, e ‘Radical Rescue’ em 1993. No entanto, nenhum destes jogos (que recuperavam o formato de plataformas do título original da NES) teve o impacto dos seus ‘irmãos mais velhos’, sendo pouco falados hoje em dia, tal como acontece com ‘Manhattan Missions’, o único jogo do quarteto lançado exclusivamente para PC (DOS) e que saiu em 1991.

timthumb.jfif

Back-from-the-Sewers-TMNT-gameboy-game.jpg

hqdefault (1).jpg

Os jogos das Tartarugas Ninja para Game Boy: de cima para baixo, 'Fall of the Foot Clan', 'Back From the Sewers' e 'Radical Rescue'

Ainda em 1992, mas já para as consolas de 16 bits, saiu ainda mais um jogo com os Tarta-Heróis, o qual é, hoje em dia, considerado unanimemente como o melhor de todos os jogos ‘caseiros’ do quarteto naquela época. Trata-se de ‘Teenage Mutant Hero Turtles IV: Turtles In Time’, mais um ‘beat-‘em-all’ convertido directamente das arcadas, e que beneficiou enormemente com o salto tecnológico dado entre a era 8-bits e a da Super Nintendo e Mega Drive. Lançado para ambas estas consolas – embora na Mega Drive se chamasse ‘Teenage Mutant Ninja Turtles: The Hyperstone Heist’ - o título era uma conversão fiel do título de arcada, tanto graficamente como em termos de jogabilidade, sendo o ‘multiplayer’ o único sacrifício necessário feito pelos criadores do jogo. Ainda assim, o jogo teve uma recepção estupenda por parte dos jovens ‘Tartamaníacos’, sendo ainda hoje tão acarinhado que um ‘remake’, subtitulado ‘Re-Shelled’, foi lançado para a XBoX Live e PlayStation Network em 2009 – 17 anos após o lançamento do jogo original! – fazendo enorme sucesso junto do público nostálgico por aquele clássico da sua infância.

Side-by-Side-TMNT-Beat-Em-Ups-1.gif

maxresdefault.jpg

As duas versões do quarto jogo lançadas nos anos 90, e a versão 'Reshelled', de 2009

Em 1993, já no ocaso do ciclo de vida da NES, era lançado o título mais atípico da história das Tartarugas Ninja. ‘Teenage Mutant Ninja Turtles Tournament Fighters’ é, como o nome indica, um ‘beat-‘em-up’ um-para-um, claramente inspirado no então ‘rei’ Street Fighter II, mas com os Tarta-Heróis e seus comparsas e vilões no lugar de Ryu, Ken, Guile ou Honda. O resultado é, a acreditar nas críticas espalhadas por essa Internet fora, surpreendentemente bom, fazendo deste título uma das ‘jóias escondidas’ da NES.

download.jfif

Imagem de 'Teenage Mutant Ninja Turtles: Tournament Fighters', com direito a publicidade gratuita à produtora do jogo...

Foi pouco depois do lançamento deste último jogo que a ‘Tartamania’ começou a esmorecer um pouco, fazendo com que as gerações de consolas seguintes – entre os 32 e os 128 bits – não contassem com qualquer jogo do quarteto. Só depois de a contagem de bits deixar de importar tanto (em 2003) é que os ‘heróis em meia-casca’ voltariam aos ecrãs dos ‘gamers’ de todo o Mundo,  com uma série de jogos homónimos lançados para todos os sistemas disponíveis à época, dos quais o mais conhecido talvez seja o do Game Boy Advance, outro excelente 'beat-'em-all' horizontal na melhor tradição dos títulos clássicos, e com gráficos a condizer. (Paradoxalmente, o segundo título homónimo para a consola, lançado em 2007 e baseado na série CGI do mesmo ano, teria gráficos comparativamente piores!)

hqdefault.jpg

A versão 2003 de 'TMNT', no Game Boy Advance

 

A partir daí, o ‘franchise’ ganhou novo fôlego, e desde então, os títulos alusivos ao mesmo vêm sendo lançados com alguma frequência. No entanto, qualquer desses jogos fica já fora do espectro deste blog, pelo que, por agora, nos ficaremos por aqui no que toca à cronologia dos mesmos.

E vocês? Chegaram a jogar alguns destes jogos? Que vos pareceram? Por aqui, naquele tempo, só jogámos mesmo o primeiro, num cartucho colorido, na ‘Family Game’ de um vizinho e colega de turma (olá, Riaz!); outros, já só em adultos, através da magia dos emuladores. Também aconteceu convosco? Partilhem nos comentários! E até lá, tentem não tocar nas algas elétricas…

Mais sobre mim

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2021
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
Em destaque no SAPO Blogs
pub