08.01.26
NOTA: Este 'post' é respeitante a Terça-feira, 06 de Janeiro de 2026.
A década de 90 viu surgirem e popularizarem-se algumas das mais mirabolantes inovações tecnológicas da segunda metade do século XX, muitas das quais foram aplicadas a jogos e brinquedos. Às terças, o Portugal Anos 90 recorda algumas das mais memoráveis a aterrar em terras lusitanas.
Como cenário eternamente popular junto de uma certa demografia mais introvertida e sedentária, não é de admirar que os mundos de fantasia de atmosfera medieval, repletos de heróis de espada e armadura, princesas e magos perversos, tenham desde sempre tido uma presença exacerbada na cultura popular, servindo de base a materiais literários, filmográficos, musicais e, claro, interactivos. De facto, a 'segunda vaga' de videojogos, iniciada em meados dos anos 80 e que dominou a década seguinte, tinha neste tipo de universo um dos seus temas mais recorrentes, a ponto de os mesmos se terem tornado um dos mais imediatos e reconhecíveis estereótipos daquela era dos jogos de computador e consola.
Uma das muitas séries a tirar partido da atmosfera muitas vezes chamada 'sword and sandal' (algo como 'espada e sandálias') era uma trilogia lançada para a Nintendo original (com um quarto capítulo 'paralelo' a surgir no Game Boy) e cujo primeiro capítulo era lançado na Europa há quase exactos trinta e seis anos, a 07 de Fevereiro de 1990. Falamos de 'Wizards & Warriors', um jogo de plataformas bem típico da época, originalmente lançado nos mercados NTSC três anos antes e que, no período subsequente, perdera o seu principal motivo de interesse – os aspectos técnicos 'à frente do seu tempo' para 1987, mas que, em 1990, constituíam já a norma vigente. O que restava era um título absolutamente característico da era em causa, sem nada que o distinguisse por aí além nem que lhe desse 'vantagem competitiva' sobre concorrentes de peso como 'Castlevania', e que parecia destinado a passar despercebido.


No entanto, o exterior algo mediano de 'Wizards & Warriors' escondia o envolvimento de dois futuros pesos-pesados da indústria: a Acclaim, que tinha no jogo o seu primeiro título como distribuidora, e a Rare, que tantas alegrias daria aos fãs das consolas da Nintendo nas décadas subsequentes. Dois nomes que, alguns anos depois, justificariam por si só a compra de qualquer título em que se envolvessem (especialmente juntas) e que tinham aqui um início algo 'humilde'.


O mesmo, aliás, pode ser dito da própria série 'Wizards & Warriors', que veria serem lançados mais três títulos na meia década após a saída do original. O primeiro destes seria o 'originalmente' intitulado 'Ironsword: Wizards & Warriors II', surgido menos de um ano após o original, e que se inseria no tipo de sequela 'mais do mesmo', com o herói Kuros a ter agora de reunir os quatro elementos naturais para derrotar o inimigo Malkil. Assim, e face à jogabilidade e ambientes muito semelhantes aos do antecessor, o destaque deste segundo capítulo vai mesmo para a presença, na capa, do 'galã' Fabio, bem conhecido como modelo de capa em romances 'de cordel' e que, aqui, faz a sua melhor imitação de Conan, O Bárbaro, numa capa que horrorizou os próprios criadores do jogo - cujo herói é, aliás, um cavaleiro medieval de armadura completa, e não um bárbaro musculado de tronco nu.


O mesmo tema seria, infelizmente, mantido na capa do 'capítulo paralelo' 'Wizards & Warriors X: The Fortress of Fear' (sendo o X, neste caso, uma letra, e não um numeral romano indicador de oito capítulos 'perdidos' da saga), lançado em Novembro de 1990 em exclusivo para o Game Boy original. Como seria de esperar, este semi-'spin-off' mais não é do que uma versão simplificada e monocromática dos jogos principais, constituindo, como estes, um exemplo em tudo típico do que era a biblioteca de jogos da portátil da Nintendo à época, e sobre o qual pouco mais há a dizer.


Ainda assim, também este titulo faria sucesso suficiente para justificar um 'capítulo final' na saga, lançado novamente para Nintendo 8-bits em Janeiro de 1993 - praticamente três anos depois do surgimento do original no mercado europeu – e que apresenta, pela primeira vez, mudanças na jogabilidade, agora mais declaradamente focada na exploração não-linear, ao estilo de 'Metroid' ou do já mencionado 'Castlevania'. Esta alteração não seria, no entanto, bem recebida, já que era implementada em detrimento dos elementos de combate, tornando o jogo algo aborrecido para quem gostava do típico molde de atacar e matar inimigos sem maiores preocupações. E apesar de o fim deixar em aberto a possibilidade de novas aventuras para Kuros, o fim da Zippo Games (também conhecida como Rare Manchester, e que fecharia portas logo após a conclusão deste jogo) vinha mesmo pôr um ponto final na sua saga de jogos – o que talvez seja para melhor, já que este tipo de aventura teria os 'dias contados' um par de anos depois, quando o advento dos 32-bits viria revolucionar e alterar para sempre o mundo dos videojogos.

Curiosamente, no entanto 'Wizards & Warriors III: Kuros' Visions of Power' não representaria o último uso da denominação num contexto interactivo, já que em finais de 2000 (mais de uma década após o lançamento da primeira aventura do cavaleiro Kuros) um RPG em primeira pessoa 'repescaria' o título, ainda que esse fosse o único elo de ligação entre o novo título e a saga original da Acclaim e Rare. Ainda assim, é a esta que o nome fica indelevelmente ligado, apesar da pouca repercussão da mesma na cultura popular actual, exactos trinta anos após o seu início – um paradigma que, espera-se, este 'post' terá ajudado, pelo menos em parte, a rectificar...
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