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Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

04.01.26

Aos Domingos, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos principais acontecimentos desportivos da década.

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Para qualquer adepto do futebol nacional da primeira década do século XXI, o nome de Miguel Monteiro (ou simplesmente Miguel) será sobejamente conhecido. Esteio da ala defensiva direita de Benfica, Valência e de uma Selecção Portuguesa em transição entre a Geração de Ouro e a 'era Cristiano Ronaldo', o 'baixote' mas rápido e aguerrido lateral pode não ter chegado ao nível máximo do futebol mundial e internacional, mas gozou de uma carreira suficientemente ilustre para ser nome sobejamente conhecido e indissociável dessa era do futebol nacional. O que poucos dos seus futuros admiradores talvez soubessem, no entanto, é que, pouco tempo antes, Miguel havia sido apenas mais uma promissora Cara (Des)conhecida ao serviço de um histórico do futebol nacional, no caso o clube da zona onde nascera e crescera.

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Ao serviço do Benfica...

De facto, seria ao serviço do Estrela da Amadora que o ex-iniciado do Sporting - dispensado por ser demasiado franzino, e que passara por quatro outros clubes até à idade de sénior - e futuro titular indiscutível de Benfica e Valência desponta, na última época futebolística do século XX. E a verdade é que o descendente de guineenses e cabo-verdianos, então recém-consagrado campeão europeu de sub-18, não tardaria a impressionar, e a 'cavar' um lugar para si mesmo na ala direita dos amadorenses - embora numa posição mais recuada do que aquela em que iniciara a formação, no caso a lateral, por oposição a extremo. No total, seriam mais de três dezenas os jogos de Luís Miguel Brito Garcia Monteiro com a camisola tricolor, numa época suficientemente bem-sucedida para despertar o interesse e a cobiça do Benfica, que permitiria ao lateral dar o inevitável 'salto', no primeiro defeso de Verão do século XXI.

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...e do Valência.

Do resto, reza a História (bem como o primeiro parágrafo deste texto) - uma carreira repleta de títulos (em Portugal, ganhou 'tudo' pelo Benfica, e amealhou ainda uma Taça do Rei espanhola, além de ter perdido 'em casa' o Euro 2004, na infame final frente à Grécia) que o tornam bem merecedor da presente recordação do seu início de carreira, no dia em que completa quarenta e cinco anos de idade. Parabéns, e que conte muitos.

22.12.25

NOTA: Este 'post' é respeitante a Domingo, 21 de Dezembro de 2025.

Aos Domingos, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos principais acontecimentos desportivos da década.

Apesar de jogadores gémeos não serem, de todo, um conceito desconhecido no futebol moderno, os mesmos tendem, grosso modo, a seguir percursos semelhantes em termos de expressividade, muitas vezes militando, inclusivamente, no mesmo clube ao mesmo tempo. Não é, no entanto, esse o caso de um dos dois jogadores que focamos esta semana, 'metade' de um par de gémeos futebolistas que completaram cinquenta e seis anos naquela que teria sido a data de publicação deste 'post', e que, apesar de terem ambos chegado a ter estatuto de 'Grandes dos 'Pequenos'' em emblemas históricos do futebol nacional, tiveram carreiras, de outro modo, bastante distintas. De facto, enquanto Jorge Neves fez o habitual 'périplo' pelas divisões inferiores até se estabelecer no Beira-Mar, onde passou sete épocas, já o irmão, Rui, dedicou dezassete dos seus dezoito anos como futebolista (e catorze dos quinze que passou como profissional) ao serviço de um clube então com presença constante nos campeonatos profissionais lusitanos, e onde assumiu contornos de figura mítica entre os adeptos.

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Os dois irmãos, com as camisolas com que se notabillizaram.

De facto, apesar de ter começado o percurso futebolístico no modesto Juventude Operária de Monte Abraão, Rui Miguel Leal das Neves ver-se-ia ligado ao Estrela da Amadora logo a partir dos seus dezasseis anos, quando ele e Jorge ingressavam na equipa de Juvenis. Três anos depois - no dealbar da década de 90 - chega a profissionalização, já com estatuto de figura de proa na equipa de Juniores, o que lhe permite uma transição para o plantel sénior mais célere que o habitual; de facto, Rui rapidamente se estabelece como elemento importante da equipa amadorense, apesar da tenra idade, participando em mais de duas dezenas de jogos logo nessa primeira época, e partilhando o relvado e balneários com nomes como Paulo Bento ou Dimas.

As temporadas seguintes apenas cimentariam o lugar de Neves na equipa, com o jogador a consolidar o lugar na linha defensiva, muito graças à capacidade de jogar em qualquer das duas alas, bem como à identificação com o próprio clube. Durante esse período, participaria na histórica edição da Taça de Portugal que veria os tricolores erguer o único troféu da sua história, em 1989-90 - e em virtude da qual se estrearia nas competições europeias, ainda antes de completar vinte e um anos - veria o seu clube descer de divisão uma época depois e voltar a subir na seguinte, e conseguiria as primeiras internacionalizações, ao serviço da equipa de sub-21. Por comparação, na mesma altura, o 'mano' Jorge representaria emblemas menores, como Marinhense, Fafe e Fanhões.

No Verão de 1993, dá-se o inusitado - após uma época em que apenas participara de oito partidas, Rui Neves deixa o Estrela da Amadora para rumar ao Gil Vicente. E apesar de a temporada única ao serviço dos gilistas ter sido bem sucedida, tendo Neves participado em quase todas as partidas do clube nesse campeonato (ou talvez por essa razão) a 'casa-mãe' não tardaria a chamar de volta o 'filho pródigo', para não mais o deixar partir - no total, seriam mais dez as épocas de Rui Neves na Reboleira, sempre como peça-chave do plantel, do qual apenas se desvincularia ao 'pendurar as botas', aos já trinta e quatro anos, em finais da época de 2003/2004, quando contava já com o estatuto de 'lenda' do clube. Pelo meio, ficavam as memórias de um sétimo lugar, uma despromoção, e um histórico golo que garantiria a permanência dos amadorenses na antiga Primeira Divisão, logo no primeiro ano após o seu regresso - apenas alguns dos momentos que fariam desta 'metade' dos gémeos Neves a verdadeira definição de um 'Grande dos 'Pequenos''.

Ao mesmo tempo, um pouco mais a Norte, o irmão gémeo fazia também por merecer esta designação (embora em menor escala) encontrando finalmente uma 'casa' em Aveiro, onde passaria sete épocas e disputaria mais de cento e sessenta jogos e onde, curiosamente, venceria exactamente o mesmo troféu do que o irmão, em circunstâncias muito semelhantes - nomeadamente, numa final entre dois 'históricos' de menor dimensão, que o seu clube acabaria por vencer (no caso, a de 1998-99) e que lhe permitiria a estreia, ainda que fugaz, nas competições europeias.

Para Jorge, no entanto, a 'caminhada' profissional ainda englobaria paragens em Chaves e no modesto São Marcos, onde penduraria as botas três anos depois do irmão, e a um nível consideravelmente mais modesto, tendo depois, ao contrário deste, enveredado pela carreira de treinador. Ainda assim, pelo seu contributo prolongado para um 'histórico' do futebol português, Jorge acaba por merecer tanto o epíteto de 'Grande dos 'Pequenos' como o irmão, bem como o seu lugar ao lado do mesmo naquele que acaba por se saldar como a primeira edição 'dupla' desta rubrica. Parabéns, e que contem ainda muitos.

23.11.25

Aos Domingos, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos principais acontecimentos desportivos da década.

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À entrada para a época 1999/2000, o Benfica vivia uma das suas muitas revoluções da era Vale e Azevedo. Graeme Souness tinha acabado de ser despedido, após uma das piores épocas da História das 'águias', e para o seu lugar havia sido escolhido outro estrangeiro, o alemão Jupp Heynckes, que se via forçado a fazer 'omeletes sem ovos', e a montar uma equipa à sua imagem com um orçamento de transferências irrisório. Assim, as contratações mais sonantes da época (curiosamente, ambas de origem espanhola) chegariam, respectivamente, a custo zero (Chano) e por empréstimo (Tote). E se o primeiro conseguiu deixar marca na equipa 'encarnada', o segundo não chegaria a efectuar uma dúzia de aparições durante a única época que passou na Luz, sendo recordado hoje em dia mais pela peculiar alcunha do que por qualquer outra razão.

E a verdade é que Jorge López Marco tinha tudo para vingar em Portugal, já que havia sido formado num 'galáctico' Mundial, no caso o Real Madrid, e era presença constante nas suas equipas secundárias. No entanto, por alguma razão, o espanhol (então apenas com vinte anos) não convenceu Heynckes, tendo sido utilizado pouquíssimas vezes durante a temporada, ao longo da qual, 'tapado' por Nuno Gomes, ainda lograria marcar três golos. No entanto, seria na Segunda Divisão espanhola que verdadeiramente se afirmaria (já depois de se ter sagrado campeão da La Liga, tendo três aparições pelos 'blancos' sido suficientes para lhe garantir esse estatuto), tendo sido 'histórico' do modesto Hércules, pelo qual contabilizou quase duzentos jogos ao longo de seis temporadas, e pelo qual jogava quando 'pendurou as botas'.

Para os adeptos portugueses, no entanto, o nome do espanhol não passará de mais um daqueles que, ao serem mencionados, suscitam uma reacção do tipo 'eisssh, o Tote!', e vagas recordações do cromo na caderneta da Panini. Ainda assim, por pouco que tenha sido o seu impacto no futebol português, o avançado merece uma nota de parabéns no dia em que completa quarenta e sete anos de idade, e após uma carreira perfeitamente honrosa – apenas não na Primeira Divisão portuguesa...

10.11.25

NOTA: Este 'post' é respeitante a Domingo, 09 de Novembro de 2025.

Aos Domingos, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos principais acontecimentos e personalidade do desporto da década.

Há jogadores assim: não despertam a paixão dos adeptos fora do seu próprio clube, não partem em aventuras nos 'grandes' ou no estrangeiro, nem sequer são particularmente lembrados pelo grande repositório digital de memórias (pesquisar o nome e clube na Wikipédia talvez até direccione para um homónimo mais famoso) mas constroem carreiras honrosas, ligadas ao emblema de formação ou de coração, e encarnam a expressão que escolhemos para dar nome a esta rubrica, tornando-se verdadeiros 'Grandes dos 'Pequenos''.

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A única foto do jogador actualmente disponível na Web.

É o caso do jogador a que dedicamos estas linhas, por ocasião dos seus cinquenta e três anos, celebrados este fim de semana: Pedro Miguel Almeida Santos (mais vulgarmente conhecido pelos dois primeiros nomes) defesa formado no Feirense e que, à parte uma muito breve incursão pelo futebol amador à saída dos escalões jovens (no clube da terra, o Caldas de São Jorge) passaria nada menos do que quinze anos ligado ao histórico emblema nortenho, que acompanhou nos diversos 'altos e baixos' ao longo dos anos 90, tendo chegado a sagrar-se campeão da então II Divisão de Honra e militado mesmo no principal escalão português. E, embora tenha demorado algumas épocas a verdadeiramente se afirmar no esteio da defesa do seu clube de formação, uma vez conquistado esse estatuto, não mais o perderia, tendo sido peça activa das campanhas dos homens de Santa Maria da Feira entre as temporadas de 1994/95 e 1997/98, e elemento transmissor da 'mística', a partir do banco, nas duas seguintes.

Não seria, pois, senão na primeira temporada completa do Novo Milénio, já sem a mesma preponderância de outrora no seio do plantel, que Pedro Miguel finalmente deixaria em definitivo o clube que o vira nascer e crescer, regressando ao futebol amador ao serviço do Lusitânia de Lourosa. Não demoraria, no entanto, mais do que duas épocas até o defesa regressar a 'casa' – onde, infelizmente, se tornaria a ver algo 'proscrito', pouco passando da meia-dúzia de presenças ao longo da temporada de 2002/2003.

Esta situação motivaria nova transferência para as ligas amadoras, desta vez para o Pampilhosa, mas seria apenas na época seguinte que Pedro Miguel viveria novamente uma situação de estabilidade e preponderância dentro de um grupo de trabalho, vindo a tornar-se 'Grande' de um segundo 'Pequeno' ao serviço da Sertanense, onde viria a passar sete épocas – tantas quantas fizera como sénior no Feirense – e a pendurar as botas, já com quase quarenta anos. Para trás, ficava uma carreira discreta, quase sempre longe dos holofotes da ribalta, mas onde, ainda assim, lograra deixar marca consideravelmente longeva em dois clubes, e viver o sonho de jogar pelo clube da terra-natal, e do coração – bem vistas as coisas, uma história bem mais feliz do que a de muitos jogadores com perfil bastante mais destacado, e que lhe merece a homenagem nestas páginas por ocasião do seu aniversário. Parabéns, e que conte ainda muitos.

29.09.25

NOTA: Este 'post' é respeitante a Domingo, 28 de Setembro de 2025.

Aos Domingos, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos principais acontecimentos e personalidade do desporto da década.

Um dos maiores axiomas do senso comum futebolístico é que a maioria dos jovens com potencial formados em grandes clubes 'ficam pelo caminho', acabando por fazer carreira em emblemas mais pequenos, muitas vezes como peças destacadas dos mesmos. E apesar de este fenómeno ser, hoje em dia, prevalente ao ponto de constituir a norma, tal não significa que, em outros períodos da História do desporto-rei, tal não fosse também o paradigma; antes pelo contrário, o século XX viu um sem-número de jovens jogadores falharem na sua tentativa de singrar profissionalmente num 'grande', apesar do talento nítido e óbvio. Portugal não foi, de todo, excepção a esta regra, tendo oferecido ao mundo futebolístico de finais do Segundo Milénio um verdadeiro 'ror' de 'promessas adiadas', que tardavam ou falhavam em evidenciar o seu potencial. É, precisamente, sobre um desses jogadores que nos debruçamos neste 'post', por ocasião do seu quinquagésimo-primeiro aniversário – um futebolista que foi internacional português, jogou por Sporting e Benfica, foi feliz em Inglaterra, mas não deixou, ainda assim, de passar ao lado de uma carreira ao nível do seu talento.

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Com a camisola do Benfica.

Nascido em Lisboa e formado nas escolas do Sporting (já então um viveiro de jovens talentos, mesmo uma década antes de construída a sua famosa Academia), Hugo Cardoso Porfírio destacou-se o suficiente para ser promovido à equipa principal dos 'Leões' no seu primeiro ano de sénior, em 1992, reencontrando assim o colega de equipa dos Juniores, Emílio Peixe. Ao contrário deste, no entanto, Porfírio não singraria de leão ao peito, realizando apenas uma dúzia de partidas com a 'Listrada' ao longo de duas épocas antes de, em 1994, se ver sem espaço no plantel e com viagem marcada para um clube mais pequeno – ou, no caso, três.

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Porfírio no Sporting.

De facto, entre as temporadas de 1994-95 e 1996-97, o extremo rumaria primeiro a Santo Tirso, depois a Leiria, e por fim, inesperadamente, a Londres, Inglaterra, onde representaria o West Ham. Apesar da escala marcadamente distinta dos três empréstimos, em nenhum deles Porfírio 'fez feio', tendo realizado épocas de excelente nível, e sido presença regular nos jogos de todos os emblemas que representou durante este período – feito que lhe valeu a presença na equipa que representava Portugal no Euro '96, no decurso do qual fez a sua estreia como Internacional A (antes, havia sido presença assídua nas Selecções jovens, tendo disputado os Campeonatos Europeus de sub-16 em 1990 e sub-18 em 1992, e o Mundial de sub-20 em 1993) jogando quinze minutos da partida contra a Turquia, e seguindo depois viagem para os Jogos Olímpicos de Atlanta.

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Em acção pelo Tirsense, e no seu único jogo no Euro '96.

As boas indicações deixadas ao longo daqueles três anos não foram, no entanto, suficientes para garantir a Porfírio um lugar no plantel principal do Sporting, que o dispensava no Verão de 1997. O extremo via-se, assim, obrigado a abraçar novos desafios, acabando por rumar a Espanha, para representar o Racing Santander. Ao contrário da primeira experiência internacional, no entanto, esta segunda 'aventura' pelo exterior não lhe correria de feição, levando a que, apenas um ano depois – e com o Racing Santander já despromovido da La Liga – caísse a 'bomba': Porfírio, o antigo 'leão', assinava contrato com o grande rival da Segunda Circular, passando assim a fazer parte do grupo dos 'vira-casacas', isto é, jogadores que representaram dois clubes grandes em Portugal. Ainda assim, durante este período, conseguiria ainda a sua terceira e última internacionalização pela Selecção Nacional, participando no jogo contra a Ucrânia, a contar para a fase de qualificação para o Mundial de França '98.

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As aventuras internacionais no West Ham, Racing Santander e Nottingham Forest.

Ao contrário de 'companheiros' ilustres como Yuran, João Vieira Pinto, Simão Sabrosa, Ricardo Quaresma ou Mário Jardel (entre outros) Porfírio não viria, no entanto, a relançar a carreira no rival do seu clube de origem; antes pelo contrário, seria ainda menos utilizado do que havia sido no Sporting, totalizando metade das exibições que fizera pelo clube de Alvalade ao longo de duas épocas, e vindo a ser emprestado ao Nottingham Forest, onde passaria também despercebido, antes de se desvincular do clube das Águias, alegando salários em atraso, e se 'mudar' para as ilhas, para representar o Marítimo. Não tardaria mais que uma época, no entanto, até regressar à Luz, para mais três temporadas anónimas, a maioria das quais passada na equipa B. O outrora promissor extremo entrava assim, oficialmente, no ocaso de uma carreira que o veria ainda passar por clubes semi-amadores da zona da Grande Lisboa antes de rumar às Arábias (então ainda longe do estatuto desejável que possuem hoje) para pendurar definitivamente as botas ao serviço do Al-Nassr, hoje conhecido como o clube de Cristiano Ronaldo, mas, à época, um emblema perfeitamente desconhecido para a maioria dos adeptos europeus.

Consumava-se, assim, o estatuto de 'promessa (eternamente) adiada' de um jogador cuja 'sorte' e oportunidades estiveram sempre algo aquém do talento que exibia nos pés (mesmo numa era que favorecia os 'baixinhos' com 'magia', como ele), e que será sempre lembrado como um dos grandes 'e se...?' do futebol português moderno – estatuto que lhe vale, agora, a presença nestas páginas, à laia de 'prenda de anos'. Parabéns, e que conte ainda muitos.

14.09.25

Aos Domingos, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos principais acontecimentos e personalidade do desporto da década.

Da quase infinita quantidade de jovens futebolistas que passam pelas camadas jovens dos grandes clubes mundiais, apenas uma ínfima parte logra, efectivamente, ascender à equipa principal, ficando a restante (esmagadora) maioria 'pelo caminho', seja por questões técnicas, por tardarem a demonstrar o potencial esperado, por opção técnica dos treinadores, ou até por razões do foro pessoal. Portugal não é, de todo, excepção a esta regra, sendo habitual ver jovens jogadores acabados de sair dos 'fornos' de Sporting, Benfica e Porto reforçarem emblemas de menor dimensão, e construírem carreiras que, embora honrosas, acabam por ficar longe do esperado. Cabe, pois, a cada jogador decidir como encarar este trajecto alternativo, acabando por ser tantos os que desanimam com o que percebem como um 'falhanço' como aqueles que vêm o 'copo meio cheio', e decidem, literalmente, 'vestir a camisola' do novo clube.

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Na década de 90, um dos exemplos desta última filosofia foi Paulo Alexandre Marques Ferreira. Formado nas escolas do Sporting em finais da década de 80, seria, no entanto, num outro clube da zona de Lisboa que viria a completar a formação – nomeadamente, o histórico Estrela da Amadora, então da antiga II Divisão de Honra, onde viria a passar literalmente toda a década de 90, primeiro como júnior e, mais tarde, como membro efectivo da equipa A, ao lado de nomes como os futuros internacionais Dimas e Paulo Bento. E se, a princípio, a sua participação na mesma era tão periférica quanto a de qualquer outro jovem em início de carreira, paulatinamente, vir-se-ia mesmo a afirmar como peça importante do plantel dos alvirrubros, tomando conta da ala esquerda na grande maioria das impressionantes sete épocas e meia (de um total de nove) que ali passou como sénior, e conseguindo mesmo honras de campeão da II de Honra, com apenas 19 anos, na época 1992/93, tendo os seis jogos em que participou ao longo dessa campanha sido suficientes para lhe outorgar esse título, e para lhe valer um lugar nas Selecções Nacionais Sub-20 e Sub-21, com as quais disputou, nesse Verão, o Torneio de Toulon (em que fez três jogos) e o Campeonato Mundial da categoria (em que participou em dois).

Ao mesmo tempo que a lealdade de Ferreira ao emblema da Reboleira fazia dele um Grande dos Pequenos naquele histórico do futebol português, as boas exibições chamavam a atenção dos ditos 'grandes', acabando o extremo por ser mesmo abordado por um deles, no caso o então 'campeão crónico' Futebol Clube do Porto, para o qual se transferia no final da época 1998/99. No entanto, a estadia do extremo na Invicta não foi feliz, não indo a sua participação de azul e branco além de cinco jogos na equipa B (em que, ainda assim, logrou marcar um golo) em menos de quatro meses passados no antigo Estádio das Antas. De facto, logo em Janeiro de 1999, o nome de Paulo Ferreira constava já da lista de dispensáveis, estando o extremo a um passo de voltar a 'casa' por empréstimo, mas acabando a escolha por recair no Farense, onde ingressou para o que restava da época, e onde voltou a ser feliz, participando em catorze jogos e contribuindo com dois golos para ajudar os algarvios a evitar a despromoção da Liga Portuguesa, antiga I Divisão.

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O 'regresso a casa' de Paulo Ferreira teria, pois, de esperar até à época seguinte, tendo o extremo ingressado a título efectivo no clube que o vira despontar para o futebol, e onde voltaria a ser peça-chave, agora a um nível mais elevado. Duraria apenas uma temporada esta segunda passagem de Ferreira pela Reboleira, no entanto, sendo que a época seguinte o via envergar novamente as cores do Farense, desta vez a título efectivo. No final de mais uma bem-sucedida época, nova mudança, desta vez para o Varzim, onde se viria a iniciar o ocaso de carreira do jogador, que poria no futebol amador, ao serviço do 9 de Abril de Trajouce, ponto final definitivo numa carreira honrosa, em que, embora passando ao largo dos grandes palcos, conseguiu ser ídolo em pelo menos um clube, e rectificar adequadamente todos os (poucos) passos em falso. Razão mais que suficiente, pois, para a honrarmos, e ao próprio jogador, no dia em que este completa cinquenta e dois anos de idade. Parabéns, Paulo, e que conte ainda muitos.

16.06.25

NOTA: Este 'post' é respeitante a Domingo, 15 de Junho de 2025.

Aos Domingos, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos principais acontecimentos e personalidade do desporto da década.

Veio com selo de jogador de Selecção, para jogar num histórico, e acabou na então II Divisão B nacional; mais tarde, passou 'despercebido' por um grande, singrou noutro, e foi convidado a representar a Selecção Nacional Portuguesa, apesar de ter nacionalidade brasileira; já em fim de carreira, ainda foi campeão da Liga de Honra com apenas uma mão-cheia de aparições; pelo meio, gravou o seu nome nos anais da História do futebol português, tanto pelo talento como pelo caricato percurso que empreendeu. Falamos de Luiz Bonfim Marcos, mais conhecido como Lula, o 'centralão' que, ao longo dos anos 90, impressionou pela sua estatura e capacidade de 'mandar' no sector mais recuado da defesa de vários clubes históricos dos campeonatos nacionais, quer ao nível mais alto, quer em contextos mais discretos.

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Com a camisola do Famalicão.

'Caído de pára-quedas' em Famalicão em 1988 – sem nada saber sobre a localidade, ou mesmo o país para onde vinha jogar – Lula não começou da forma mais auspiciosa a sua estadia naquele que se tornaria o seu país de acolhimento, sendo 'apanhado' nas teias de um caso de secretaria que atiraria o 'Fama' – cujo plantel havia sido formatado para competir no patamar principal – para a II Divisão B. Para seu crédito, o brasileiro não se queixou; antes, tomou parte activa no restabelecer da equipa aos escalões profissionais, tendo o clube, logo no ano seguinte, 'saltado' a então II Divisão de Honra para de novo se integrar entre os maiores nomes do desporto-rei em Portugal. Cumprindo a promessa feita aos jogadores, a direcção famalicense libertou Lula e dois dos seus compatriotas, tendo o defesa regressado ao seu país-natal para jogar no Sport Recife.

Durou apenas alguns meses, no entanto, esse regresso ao Brasil, sendo que, no dealbar dos anos 90, Lula regressava a Famalicão, por pedido expresso de Abel Braga, para se afirmar como peça-chave dos famalicenses durante as próximas duas épocas. Tais eram o seu talento e potencial, de facto, que o jogador foi mesmo equacionado para jogar pela Selecção...portuguesa, provando que a naturalização de jogadores estrangeiros (sobretudo brasileiros) remonta a muito antes de Deco. E apesar de esse pedido, em particular, ter sido recusado, Lula ficou mesmo no 'radar' dos dirigentes portugueses, sobretudo do seleccionador Carlos Queiroz, que chamaria mesmo o jogador para jogar no Sporting após assumir o comando técnico dos 'Leões'. Por essa altura, já Lula era campeão paulista e da Taça Libertadores, pelo São Paulo, mas ainda assim, aquiesceu em vir jogar para aquele que era um dos principais clubes do seu 'outro' país.

Mais uma vez, no entanto, o azar bateu à porta, já que Lula foi incapaz de fazer uso da sua dupla nacionalidade, contando como estrangeiro num plantel já no limite imposto pelas regras de então; o central acabou, assim, por ficar cinco meses sem jogar em Alvalade, antes de procurar relançar a carreira com uma mudança para Leiria. Esta estratégia resultou e, longe de polémicas e azares, o brasileiro foi capaz de relançar a carreira, tanto nessa época na cidade do Lis como na seguinte, em que regressou à capital para ser peça-chave de outro histórico nacional, o Belenenses, onde partilhou plantel com futuros 'grandes' como Ivkovic, Paulo Madeira ou Mauro Airez, e onde encontrou maior prazer em jogar, de entre todos os clubes da sua carreira.

As suas boas exibições ao longo dessas duas épocas voltaram, naturalmente, a valer-lhe o interesse de um 'grande', desta vez mais próximo da sua 'base' original em Famalicão. Lula viria mesmo, assim, a vestir a camisola listada de um dos principais clubes de Portugal...só que listada de azul, e não de verde. Seria, de facto, ao serviço do FC Porto, e não do Sporting, que o brasileiro passaria as duas temporadas seguintes, embora sem nunca se afirmar, e não chegando às duas mãos-cheias de presenças pelos então hegemónicos 'Dragões' nortenhos – números, ainda assim, suficientes para o sagrarem bicampeão nacional, com participação em dois dos inéditos cinco títulos ganhos pelo conjunto da Invicta durante esse período, mas que não chegaram para evitar que o jogador rumasse novamente ao Brasil em finais da época de 1997-98, desta feita para representar o Vitória Esporte Clube.

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Numa das escassas aparições que fez pelo FC Porto.

Não terminaria aí, no entanto, a ligação de Lula a Portugal, já que, nos primeiros meses do Novo Milénio, o defesa regressaria ao nosso País para ganhar a edição de 1999-2000 da II Liga ao serviço do Paços de Ferreira, pesem embora as apenas oito presenças com a camisola dos 'castores'. Só então o brasileiro diria, definitivamente, adeus a Portugal, para rumar à 'reforma dourada' dos campeonatos chineses, onde actuaria ainda durante mais três épocas e meia, ao serviço de dois clubes, antes de pendurar definitivamente as botas, em 2003, já com trinta e sete anos praticamente completos. Como registo de uma carreira que não conta com quaisquer cargos técnicos, fica um percurso repleto de altos, baixos, 'carambolas' e momentos inusitados, mas que – talvez por isso mesmo – garante a Lula um lugar na galeria dos 'figurões' dos campeonatos de futebol portugueses de há trinta anos; nem bem Grande dos Pequenos, nem bem Lenda da Primeira Divisão, mas ainda assim mais que merecedor de espaço nestas nossas páginas, por ocasião dos seus cinquenta e nove anos. Parabéns, e que conte muitos.

08.06.25

Aos Domingos, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos principais acontecimentos e personalidade do desporto da década.

Independentemente de quaisquer preferências clubísticas, há que reconhecer que o Sport Lisboa e Benfica teve, nos anos 80 e inícios de 90 (antes do início da década de hegemonia do Futebol Clube do Porto) uma série de grandes equipas, com nomes que se viriam a tornar símbolos do futebol em Portugal, e a estabelecer carreiras não menos honrosas em cargos técnicos após 'pendurarem as botas'. De facto, a profundidade dos plantéis dos 'encarnados' durante esta época fazia com que mesmo os jogadores menos 'notáveis' das equipas das águias lograssem atingir os píncaros do desporto-rei em Portugal, e estabelecer-se como nomes sonantes dos campeonatos nacionais até mesmo após o seu período áureo. É precisamente, esse o caso com o jogador de que falamos este Domingo, por ocasião do seu sexagésimo-sétimo aniversário, e que foi 'grande' não só do Benfica, como também de dois outros históricos do futebol nacional.

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Nascido na vila da Moita, na Margem Sul do Rio Tejo, e formado no 1º de Maio Sarilhense e no Rosairense, António Henriques Fonseca de Jesus Oliveira (conhecido apenas pelo seu último apelido) iniciou a carreira sénior no clube hoje conhecido como Fabril do Barreiro, que na altura (finais dos anos 70) adoptava a denominação de duas das principais unidades industriais da área. Ali jogaria por quatro anos, sempre como peça importante no seio da defensiva (ocupando a extinta posição de líbero) até almejar dar um 'salto' considerável – directamente para a então chamada Primeira Divisão nacional – ao ser contratado pelo Marítimo, em 1982.

Durou apenas uma época a primeira experiência de Oliveira no Arquipélago da Madeira, no entanto, já que, após uma boa época, o líbero era sondado e contratado pelo Benfica, subindo assim mais um patamar na sua carreira sénior. E a verdade é que, ao contrário do que é habitual, a camisola não 'pesou' ao defesa, que, ao longo dos seus quatro anos de águia ao peito, se viria a afirmar como peça importante (sendo titular quase indiscutível em duas das temporadas que passou na Luz) e a contribuir para dois títulos de campeão nacional, três Taças de Portugal e uma Supertaça.

Seria, também, durante esta fase da sua carreira que Oliveira lograria atingir a honra máxima, ao ser convocado para a Selecção Nacional portuguesa, primeiro para um particular frente ao Brasil, em Coimbra (no dia do seu vigésimo-quinto aniversário, portanto, há exactos quarenta e dois anos) e depois para disputar o Mundial de 1986, onde participaria em todos os apenas três jogos da equipa das Quinas. No total, o jogador viria ainda a somar mais cinco internacionalizações ao longo da sua carreira, a última das quais no âmbito da qualificação para o Mundial de Itália '90, já depois de ter deixado o Benfica para representar, novamente, os verderrubros insulares do Clube Sport Marítimo, aos quais regressaria em 1987, e com os quais veria, ainda, o dealbar da última década do século XX.

Haviam decorrido apenas alguns meses do ano de 1990, no entanto, quando Oliveira deixava pela última vez o Estádio dos Barreiros para rumar mais uma vez ao continente, desta vez a Aveiro, 'casa' da última equipa que viria a representar como profissional. Ao serviço do Beira-Mar, o libero (tornado defesa-central com a extinção táctica da posição) faria ainda quatro épocas, sempre como peça-chave quase indiscutível, antes de 'pendurar as botas' a nível profissional (representaria ainda, a nível amador, os veteranos de ainda outro histórico, o Clube Sport Campomaiorense, que, anos depois, viria a ser o adversário do Beira-Mar na final da Taça de Portugal de 1998-99) aos trinta e seis anos de idade,

Ao contrário de muitos dos seus contemporâneos (incluindo um seu homónimo, também jogador do Benfica), 'este' António Oliveira não transitou, após a conclusão da carreira, para qualquer cargo técnico, preferindo ser lembrado apenas como esteio defensivo do Benfica numa das suas melhores épocas, e 'colega' mais discreto de Bobó, Chalana, Rui Águas, Bento, Silvino e outros nomes lendários das 'águias' lisboetas. Só esse estatuto, no entanto, já lhe outorga o estatuto de 'lenda' da Primeira Divisão, o qual é cimentado pelas suas passagens pelos outros dois clubes do principal escalão que representou, sempre de forma honrada e honrosa. Razão mais que suficiente, pois, para lhe dedicarmos esta 'prenda de anos', restando-nos desejar-lhe as maiores felicidades, e que conte ainda muitos mais anos felizes de vida.

18.05.25

NOTA: Este 'post' é parcialmente respeitante a Sábado, 17 de Maio de 2025.

Os Sábados marcam o início do fim-de-semana, altura que muitas crianças aproveitam para sair e brincar na rua ou no parque. Nos anos 90, esta situação não era diferente, com o atrativo adicional de, naquela época, a miudagem disfrutar de muitos e bons complementos a estas brincadeiras. Em Sábados alternados, este blog vai recordar os mais memoráveis de entre os brinquedos, acessórios e jogos de exterior disponíveis naquela década.

Aos Domingos, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos principais acontecimentos e personalidade do desporto da década.

Hoje em dia, tornou-se já tradição que, caso a equipa campeã nacional de futebol masculino sénior esteja sedeada na capital portuguesa, a mesma se dirija, em cortejo, até à Rotunda do Marquês de Pombal, onde os adeptos a esperam para várias horas de esfuziantes festejos, discursos, música e animação. No entanto, apesar de profundamente enraizada na cultura dos adeptos lisboetas, esta Saída (que, no presente ano de 2025, até foi mesmo de Sábado) tem as suas origens num passado não muito distante, em que uma equipa decidiu honrar o seu símbolo e acabou por gerar uma nova tradição nos meandros do futebol português.

Foi na Primavera de 2000, após consumado o primeiro título de campeão nacional na modalidade em quase duas décadas, que o Sporting Clube de Portugal decidiu fazer da artéria em causa o cenário dos seus festejos, muito por conta do leão que se perfila ao lado de Sebastíão José de Carvalho e Melo na estátua que dá nome à rotunda – o qual, aliás, acabaria com um cachecol em torno do pescoço, por cortesia de um dos maiores símbolos do clube de Alvalade, o avançado búlgaro Ivaylo Yordanov. E se, nessa ocasião, a escolha do local não passava de uma referência não muito velada ao animal que serve de símbolo ao clube, a verdade é que o rival Benfica não tardou também a adoptar esta prática, a qual se iria repetindo ao longo dos anos até se tornar um ritual expectável, do qual se fala semanas e até meses antes da última jornada da hoje Liga Sagres. Nada melhor, pois, do que recordar a primeira destas celebrações, no rescaldo de mais uma edição das mesmas, e no ano em que completam um quarto de século de existência...

31.03.25

NOTA: Este 'post' é respeitante a Domingo, 30 de Março de 2025.

Aos Domingos, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos principais acontecimentos e personalidade do desporto da década.

A passagem de um jogador talentoso de um clube de média dimensão para um de maior nomeada é comum ao ponto de ser um passo esperado na carreira de qualquer atleta; menos habitual, no entanto, é ver um futebolista fazer o percurso inverso, dando um 'passo atrás' enquanto ainda vive o auge da carreira. Não sendo de todo inaudita, esta situação prima pela raridade, o que torna ainda mais surpreendente constatar que um dos seus mais famosos exemplos teve lugar em Portugal, na década de 1990.

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Isto porque, ao assinar pelo Benfica no Verão de 1997 (em plena 'era Graeme Souness') o checo Karel Poborsky trazia já honras de campeão checoslovaco (pelo Slavia Praga) e inglês (pelo Manchester United de Alex Ferguson), bem como de semi-finalista da Taça UEFA e da Liga dos Campeões (pelos mesmos clubes, respectivamente) e de internacional indiscutível do seu país, tendo inclusivamente sido 'carrasco' de Portugal no icónico Euro '96, ao marcar o único golo do jogo dos quartos-de-final, uma 'chapelada' a Baía após excelente trabalho individual que ditaria o afastamento das Quinas da competição. Um palmarés mais 'decorado' que o habitual para um jogador que ingressasse no Campeonato Nacional português, e que tornava de imediato Poborsky numa das grandes 'estrelas' dessa edição da competição.

E a verdade é que, na Luz, o checo, 'tapado', em Manchester, pelo indiscutível David Beckham, viria mesmo a conseguir relançar a carreira, afirmando-se como uma das peças preponderantes dos plantéis por onde passou nas suas três épocas e meia de águia ao peito, como um dos melhores jogadores dos últimos Campeonatos do século XX, e como uma das pouquíssimas contratações acertadas feitas pelo técnico escocês durante o seu infame período ao comando dos 'encarnados'. Médio rápido e tecnicista, o checo não tardou a mostrar a sua valia, e a sua icónica 'cabeleira' aloirada tornou-se praticamente sinónima com qualquer lance de perigo criado pela equipa do Benfica durante aqueles anos finais do Segundo Milénio.

Tudo o que é bom chega ao fim, no entanto, e Poborsky, como tantos outros jogadores antes de si, viria mesmo a deixar o Benfica, já nos primeiros meses do Novo Milénio, e pouco após a 'prenda de Natal' que foi o regresso de Toni ao comando técnico do clube da Luz. O destino era ainda outro país a adicionar ao currículo, e ainda outro clube de média-grande dimensão europeia – no caso a Lazio, onde fez uma época e meia 'ao seu nível', embora optasse por não renovar contrato e, ao invés, regressar à sua República Checa natal, no caso para o 'lado oposto' da cidade de Praga, onde vestiria a camisola do Sparta, rival acérrimo do mesmíssimo Slavia onde se afirmara, cerca de uma década antes.

Uma 'traição' que, no entanto, correria bem ao jogador, que se tornaria o atleta mais bem pago da República Checa e juntaria mais dois campeonatos e uma Taça ao seu palmarés, antes de escolher abraçar o desafio de regressar ao clube que o formara, o modesto Dynamo Ceske Budejovice, onde ainda faria mais de duas dezenas e meia de aparições nas ligas secundárias checas, marcando dez golos, antes de 'pendurar' de vez as botas. Pelo meio, participaria ainda em mais três icónicos torneios internacionais, os Campeonatos Europeus de 2000 (na Bélgica e Holanda) e 2004 – esse mesmo, o realizado em Portugal, onde a sua Selecção seria eliminada pela da...Grécia – e o Campeonato Mundial de 2006, após o qual se retiraria também do futebol internacional.

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Ao contrário de muitos dos seus colegas e contemporâneos de que aqui falamos, no entanto, o checo escolheu não transitar para cargos técnicos após o encerramento de carreira (excepção feita aos dois anos que passou como director técnico da Selecção checa), preferindo dedicar-se ao trabalho de escritório (quer no seu clube formador, quer no Sindicato dos Jogadores checo) e ser lembrado pelos seus feitos em campo, e como membro de uma das melhores gerações de sempre da República Checa, tendo partilhado o campo com nomes como Pavel Nedved ou Tomás Rosicky. Em fim-de-semana de aniversário (completou cinquenta e três anos) façamos-lhe, pois, a vontade, e recordemos a sua bem-sucedida passagem por Portugal, e o estatuto icónico que adquiriu junto dos adeptos do Benfica durante a mesma.

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