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Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

28.01.22

Os anos 90 estiveram entre as melhores décadas no que toca à produção de filmes de interesse para crianças e jovens. Às sextas, recordamos aqui alguns dos mais marcantes.

A habilidade para interpretar, convincentemente, elementos do sexo oposto sempre foi, e continua a ser, uma das marcas de um cómico acima da média. Do teatro de revista a conjntos como os Monty Python ou actores como Dustin Hoffman, são inúmeros os exemplos de actores e artistas que souberam explorar esta vertente humorística com arte e categoria, demonstrando assim a sua versatilidade.

A estes nomes, há que juntar outro, já conhecido pela sua capacidade de encarnar qualquer personagem, mas que teve na comédia 'travesti' a sua última prova de fogo; falamos, é claro, de Robin Williams, que, em 1993, envergou uma peruca, vestido e peitos de silicone para ajudar a criar um clássico do cinema familiar dos anos 90 – o inesquecível 'Papá Para Sempre'.

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Estreado em Portugal há quase exactamente 28 anos (a 4 de Fevereiro de 1994), 'Mrs. Doubtfire' oferecia, desde logo, um motivo de enorme interesse para o público-alvo, por trazer a chancela de Chris Columbus (futuro responsável por trazer a saga 'Harry Potter' para o grande ecrã), que fizera nome no início da década com o mega-clássico de Natal 'Sozinho em Casa', e fora também responsável pela sua (muito inferior) sequela, dois anos depois. O nome do realizador, juntamente com o de Robin Williams – favorito do público jovem após a participação em 'Hook', de Steven Spielberg, dois anos antes – terão sido, por si só, motivos mais que suficientes para atrair a demografia infanto-juvenil; o facto de o filme ser marcante e memorável terá constituído, tão-sómente, um bónus acrescido.

E a verdade é que é mesmo a mestria de Columbus e Williams que eleva 'Papá Para Sempre´acima daquilo que parece ser – um filme parvo de comédia para crianças – e o torna num clássico nostálgico ainda hoje lembrado e acarinhado por quem o viu em pequeno. O realizador faz uso de toda a sua experiência como director de filmes infantis – e reúne em seu redor uma equipa de efeitos práticos e maquiagem de topo, responsável pela transformação justamente premiada do actor principal em 'velhota' de carrapito - enquanto que o actor surge em magnífica forma, 'desaparecendo' na personagem da velha ama Euphegenia Doubtfire, num desempenho ora caracteristicamente caricatural e exagerado, ora mais vulnerável e subtil, à semelhança do que Williams apresentara em filmes como 'O Clube dos Poetas Mortos'. Nenhum dos dois intervenientes precisava de ter dado o seu melhor num filme tão aparentemente banal, mas foi exactamente isso que aconteceu – e é precisamente graças a esse esforço extra que 'Papá Para Sempre' NÃO se salda como apenas 'mais um' filme para crianças, tendo mesmo sido premiado com um Oscar (para melhor maquiagem, naturalmente) na cerimónia de 1994, algo que normalmente se afiguraria praticamente impensável para um filme deste tipo.

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A espantosa transformação de Robin Williams é um dos grandes trunfos (e triunfos) do filme.

Seria injusto, no entanto, destacar a prestação de Williams sem falar dos seus coadjuvantes (entre os quais se destacam Sally Fields, o futuro 007 Pierce Brosnan, e Mara Wilson, que até ao final da década voltaria a brilhar nos papéis principais de 'Milagre em Manhattan' e 'Matilda') que – embora nunca se desviem muito dos protótipos dos seus respectivos papéis – ajudam também a manter o nível técnico e artístico do filme acima da média, e a justificar, assim, o sucesso do mesmo entre as crianças de todo o Mundo.

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O excelente elenco do filme

De facto, 'Papá Para Sempre' é daqueles filmes – a exemplo de 'Sozinho em Casa', ou dos filmes da era de ouro da Disney – que continua a ser descoberto por cada nova geração de crianças, seja em DVD ou nas plataformas digitais, seja através da exibição na televisão - e numa altura em que quem viu o filme no cinema se começa a tornar pai de filhos em idade apropriada para serem apresentados ao filme, não se prevê que essa tendência se venha a alterar, ou sequer a abrandar. Não, o 'Papá' de Robin Williams faz jus ao nome escolhido para exibição em Portugal, já que promete mesmo permanecer na vida das crianças e jovens portugueses 'Para Sempre'....

14.01.22

Os anos 90 estiveram entre as melhores décadas no que toca à produção de filmes de interesse para crianças e jovens. Às sextas, recordamos aqui alguns dos mais marcantes.

Na última edição desta rubrica, em relação a 'O Projecto Blair Witch', observámos como cada década cinematográfica apenas tem uma mão-cheia de filmes que verdadeiramente transcendem o seu estatuto como obras de entretenimento e se tornam parte da cultura popular: e se aquele filme tinha definitivamente lugar em qualquer lista deste tipo criada para os anos 2000 (dado ter estreado precisamente no último dia da década, século e milénio) o filme de que hoje falamos é um sólido candidato ao primeiro lugar da lista equivalente para os anos 90, visto que até o cinéfilo mais distraído ou o mais veemente opositor de filmes de acção violentos saberá o que é, e do que trata.

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À época a produção mais cara da História de Hollywood, com um orçamento em torno dos cem milhões de dólares, 'O Exterminador Implacável 2: O Dia do Julgamento' foi o maior sucesso de bilheteira de 1991 e é, ainda hoje, considerado homónimo com a série 'Exterminador' como um todo (praticamente eclipsando o seu já bem-sucedido antecessor, de 1984) além de elogiado como um dos melhores filmes de ficção científica de sempre, e como um prodígio técnico para a época; nada, aliás, a que o realizador James Cameron fosse alheio, ele que já havia realizado o igualmente inovador 'Aliens' alguns anos antes, e que viria a bater o seu próprio recorde de custos não uma, mas duas vezes em anos subsequentes – primeiro com 'Titanic' (um dos principais concorrentes de 'Exterminador 2' ao trono cultural dos anos 90, a par de 'Matrix') e, mais tarde, com outro espectáculo audio-visual topo de gama, com o nome de 'Avatar'.

Mais ainda do que Cameron, no entanto, 'Exterminador 2' é sinónimo, na consciência popular, de dois nomes, ambos de actores que ocupavam papéis principais: por um lado, o jovem Edward Furlong, que viria a evoluir do seu papel como John Connor para outros papéis marcantes em filmes como 'América Proibida', e por outro, o de Arnold Schwarzenegger, para quem este filme cimentou o estatuto como principal herói de acção da década, e aniquilou de vez a possibilidade de o voltar a ver em filmes do calibre de 'Hércules em Nova Iorque'. Juntamente com o aterrorizante T-1000 de Robert Patrick (de quem o agora heróico T-101 tem de proteger John e a mãe, Sarah) os dois são responsáveis pela maioria dos elementos mais memoráveis do filme, com Arnie, em particular, a adicionar mais alguns exemplos à sua longa lista de 'frases feitas', prontos a serem referenciados e parodiados até à exaustão nas três décadas seguintes.

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Uma imagem icónica dos dois não menos icónicos protagonistas do filme

De facto, 'Exterminador 2' está tão indelevelmente enraizado na cultura popular que se torna quase redundante explanar sobre o seu sucesso, o seu impacto cultural, ou a sua importância para o género da ficção científica nas três décadas subsequentes; basta referir que, além das honras já mencionadas no início deste texto, o filme é, ainda hoje, o mais bem-sucedido da carreira de Arnold Schwarzenegger, e parcialmente responsável por iniciar o 'franchise' Terminator, que nas décadas seguintes veria surgirem novas séries de televisão, jogos de computador, e toda uma nova série de filmes centrados em torno do universo aqui retratado. E se esses mesmos filmes não são de forma alguma obras-primas do cinema, sendo controversos até mesmo entre os fãs do 'franchise', já 'Exterminador 2' é indiscutível como um dos maiores filmes dos anos 90, uma das maiores obras de ficção científica de sempre, e um marco cultural bem digno de ser celebrado – até porque, poucos meses depois de se ter celebrado a preceito o seu trigésimo aniversário, com um relançamento em 3D, continua a ser um filme tão impressionante, relevante e importante como sempre.

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Cartaz promocional da edição especial em 3D, recentemente lançada

31.12.21

Os anos 90 estiveram entre as melhores décadas no que toca à produção de filmes de interesse para crianças e jovens. Às sextas, recordamos aqui alguns dos mais marcantes.

Cada década, desde o início do cinema moderno, tem tido uma série de filmes (quer populares, quer de culto) que se destacam acima dos demais, transcendendo o seu estatuto de simples obra cinematográfica bem conseguida para se tornarem verdadeiros eventos mediáticos. E ainda que, na última década, o advento do Multiverso Marvel tenha tornado a ocorrência deste tipo de filme mais comum do que nunca, a verdade é que, em décadas anteriores, as películas que atingiam este estatuto se contavam pelos dedos de uma mão.

Tomemos como exemplo a década que nos concerne, unanimemente considerada excelente no que toca a produção cinematográfica, mas que ao mesmo tempo ilustra o fenómeno de que aqui falamos; isto porque os anos 90 tiveram muitos BONS filmes, mas apenas uma mão-cheia desses se tornaram marcantes ao ponto de terem impacto, e até moldarem, a cultura popular da década. Deixando de parte os filmes animados, que são sempre um evento independentemente da sua qualidade ou escala, a década teve Matrix, O Dia da Independência, Sozinho em Casa, Parque Jurássico, A Lista de Schindler, O Sexto Sentido, Exterminador Implacável 2, o infame Episódio I de Star Wars, e pouco mais. Até mesmo filmes extremamente populares, como as diferentes aventuras de Batman, A MáscaraSpace Jam, Speed - Perigo a Alta Velocidade ou os dois primeiros filmes das Tartarugas Ninja não chegam ao estatuto das obras acima citadas, visto o seu impacto cultural ter tido lugar, sobretudo, à época da estreia, e progressivamente esmorecido ao longo dos anos.

No último dia da década, no entanto (há exactos vinte e dois anos) estreava em Portugal uma obra que se viria a juntar à restrita lista acima enumerada, ainda que - por razões de 'timing' - apenas na década seguinte. Falamos, é claro, de 'O Projecto Blair Witch', uma obra que, mais do que um filme, foi uma autêntica sensação mediática à época da estreia, e teve influência directa em todo um novo género de filme, que ainda hoje perdura.

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Realizado e protagonizado por perfeitos desconhecidos - opção que era, em si mesma, parte da inteligente estratégia de 'marketing' em torno do filme - 'Blair Witch' apresentava-se, num primeiro momento, como uma gravação real - no caso, das filmagens de um documentário sobre a bruxa do titulo, captadas em 'primeira pessoa' por três estudantes de cinema, e mais tarde encontradas no local do seu desaparecimento. A primeira parte do filme é, assim, constituída por cenas perfeitamente normais para este tipo de projecto, baseadas sobretudo na interacção entre os três cineastas, antes de as coisas começarem lentamente a descambar, e o terror a aumentar, culminando numa daquelas imagens que constituiu um 'meme' antes de o próprio conceito de 'meme' existir, e que foi parodiada até à exaustão em anos subsequentes.

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Um momento que, no final dos anos 90, só perdia mesmo para 'I see dead people' em termos de volume de referências e paródias mediáticas

Apesar da influência que teve no cinema do novo milénio - tendo, basicamente, ajudado a criar o género hoje conhecido como 'found footage', que 'Cloverfield' e 'Actividade Paranormal' viriam mais tarde a expandir - 'O Projecto Blair Witch' é, à luz de vinte anos no futuro, um filme que parece não merecer todo o 'hype' que teve à época. Talvez por culpa da exaustão do género, e dos 'clichés' introduzidos precisamente por este filme, a obra parece, hoje, algo previsível e até um pouco cómica, ficando a ideia de que, se estreasse hoje na Netflix, seria alvo de um absoluto arraso crítico; em 1999, no entanto, viviam-se tempos diferentes, e o factor novidade de 'Blair Witch' - aliado a uma audiência de adolescentes prontos a serem assustados - foi suficiente para incluir este filme na curta mas honrosa lista de obras transcendentes, quer da década que findava, quer da que dealbava. Razão mais que suficiente para dedicarmos a nossa última postagem do ano de 2021 à celebração do vigésimo-segundo aniversário de uma película muito 'do seu tempo', mas ao mesmo tempo, extremamente influente na História do cinema moderno como um todo.

19.11.21

Os anos 90 estiveram entre as melhores décadas no que toca à produção de filmes de interesse para crianças e jovens. Às sextas, recordamos aqui alguns dos mais marcantes.

Os meados de Novembro marcam, no calendário de muito boa gente – e, certamente, da maioria das empresas e estabelecimentos de comércio – o início da época natalícia. As iluminações, armadas e colocadas nos respectivos lugares desde há pelo menos seis semanas, são finalmente acesas; os supermercados inserem uma série de temas natalícios nas suas 'playlists' musicais; o comércio de rua toma a liberdade de começar a decorar as montras com Pais Natais, árvores decoradas e desenhos de flocos de neve; e milhares de ex-crianças dos anos 90 começam a tentar prever em que data passará na televisão o 'Sozinho em Casa'.

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Uma imagem que está indelevelmente gravada na memória de todos nós.

Um dos três filmes de Natal inescapáveis em Portugal – ao lado de 'Mary Poppins' e 'Música no Coração', sendo, nos últimos anos, também provável que alguma emissora exiba um dos filmes da série 'Shrek' – 'Sozinho em Casa' é uma das obras cinematográficas mais imediatamente associadas a esta época do ano por qualquer pessoa que fosse da idade certa quando o mesmo estrou nos cinemas de todo o Mundo há quase exactamente trinta e um anos, a 16 de Novembro de 1990. E ainda que a constante e quase anual repetição do filme nos diversos canais da TV portuguesa tenha contribuído para reduzir significativamente a boa-vontade exibida por essa mesma geração em relação ao filme, a verdade é que também há pouco quem se oponha a ver o filme ainda mais uma vez...

Vendo bem, em retrospectiva, era inevitável que 'Sozinho em Casa' fizesse sucesso entre o público-alvo da altura, que não podia deixar de se rever no protagonista Kevin McAllister, interpretado por um rapazinho de nove anos que se viria em anos subsequentes a tornar um dos principais actores juvenis de Hollywood – o inconfundível Macaulay Culkin, cuja cara seria em breve objecto de capa de revistas infanto-juvenis como a Super Jovem, sempre acompanhada do icónico 'pullover' castanho-avermelhado envergado por Kevin durante a grande maioria da hora e 45 do filme. Quanto ao realizador Chris Columbus, vir-se-ia também a tornar uma estrela por direito próprio, tendo o seu segundo momento de glória surgido quase exactamente uma década após o primeiro, quando foi seleccionado para realizar as primeiras duas adaptações cinematográficas da estratosférica saga 'Harry Potter'.

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Macaulay Culkin, então e agora

E se a carreira do seu actor principal viria eventualmente a descarrilar, levando Culkin a afastar-se do mundo do cinema durante quase vinte anos, o legado do filme em si sobreviveria, tanto por culpa das repetições constantes como parte da programação natalícia de canais de televisão em todo o Mundo, como por mérito próprio do seu guião, assumidamente 'pastelão' a pontos de se assemelhar a um desenho animado de acção real, mas ao mesmo tempo alicerçado numa situação realista q.b., e tão excitante quanto aterrorizante para o seu público-alvo – ser esquecido pelos pais aquando de uma viagem, e ter que defender a sua casa contra assaltantes. Junte-se a isto uma pitada de sentimentalismo, sem exageros, e muitos, muitos momentos memoráveis (encabeçadas pela impagável cena do 'after-shave' e pelo icónico 'keep the change, ya filthy animal!') e está encontrada a receita perfeita para o maior filme de Natal do ano – ou, no caso de Sozinho em Casa, um dos maiores filmes do ano, ponto (ao que também ajudou o facto de a proposta da Disney para esse Natal ser 'Bernardo e Bianca na Cangurulândia', um dos filmes menos lembrados da safra anos 90 da companhia.) 

Méritos à parte, o facto é que Sozinho em Casa foi um estrondoso sucesso (só por aqui, foram CINCO as idas ao cinema para ver o filme!), tendo não só justificado, à época, a inevitável sequela (por sinal muito abaixo do nível do original) como também dado origem, anos mais tarde, a um inenarrável 'franchise' de lançamentos 'direct-to-video', já sem o envolvimento de qualquer membro da equipa original (Columbus só não sentirá vergonha destes filmes porque deve receber 'royalties' relativas aos mesmos), e com orçamentos significativamente mais reduzidos. Isto sem esquecer o 'remake' recém-estreado no canal Disney +, agora com um jovem britânico (Archie Yates, de 'Jojo Rabbit') inexplicavelmente residente nos EUA, no papel outrora interpretado pelo americaníssimo Culkin. MV5BNDI1MzM0Y2YtYmIyMS00ODE3LTlhZjEtZTUyNmEzMTNhZW

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A primeira regra das sequelas de 'Sozinho em Casa' é que não se fala das sequelas de 'Sozinho em Casa'...

Pelo caminho, o filme original foi também indelevelmente incorporado na cultura 'pop' (na Primark britânica podiam, há uns anos, encontrar-se 'pullovers' de Natal com a legenda 'Merry Christmas, you filthy animal!') a um ponto que tornava inevitável que o seu aniversário fosse celebrado, e lhe fossem dadas honras de abertura da época natalícia, neste nosso blog nostálgico. Chegou, pois, oficialmente a altura de começar a consultar as grelhas de programação dos diversos canais (vai passar ALGURES. Todos sabemos que vai passar ALGURES!) e a 'arrumar' a agenda para, no momento certo, podermos estar à frente da televisão a ver o gorro de Joe Pesci a pegar fogo e Daniel Stern a apanhar com a bola de bólingue na cabeça pela 6,427,139ª vez... Feliz Natal, seus animais!

05.11.21

Os anos 90 estiveram entre as melhores décadas no que toca à produção de filmes de interesse para crianças e jovens. Às sextas, recordamos aqui alguns dos mais marcantes.

Desde a estreia do primeiro filme, há já mais de quarenta anos, que a saga 'Guerra nas Estrelas' tem sido uma das mais duradouras e populares propriedades intelectuais na área do cinema de longa-metragem; de facto, os filmes de George Lucas são tão populares que, mesmo quando não há qualquer novo filme (ou, agora, série) em estreia, nunca cessam de haver no mercado novos produtos alusivos ao 'franchise' 'Star Wars', sejam eles livros, jogos de computador, brinquedos, vestuário ou até items mais insólitos, como alimentos.

Escusado será dizer que os anos 90 não foram excepção a esta regra, tendo esta mesma década visto serem relançados os (então únicos) três filmes da saga, com novos efeitos e cenas (a primeira de muitas decisões controversas que Lucas viria a tomar nos anos seguintes), o que por sua vez deu azo ao aparecimento de toda uma nova leva de 'merchandising', incluindo a inevitável colecção de cromos da responsabilidade da Panini, alusiva à trilogia original.

O verdadeiro evento da década para fãs da série deu-se, no entanto, já ao cair do pano, com o lançamento de um novíssimo filme da série, que representava, simultaneamente, o regresso da mesma aos cinemas após um interregno de mais de quinze anos e um novo início – o VERDADEIRO início, segundo o próprio realizador – para as aventuras galácticas criadas por George Lucas.

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Isto porque 'Episódio I – A Ameaça Fantasma' (lançado nos EUA em Maio de 1999 e que chegava a Portugal cinco meses depois, em Outubro) se posicionava como uma prequela aos filmes saídos duas décadas antes – um conceito, à época, ainda relativamente desconhecido, mas que 'Ameaça Fantasma' viria a tornar economicamente viável em décadas vindouras. Traduzido em miúdos, o filme procurava recuar no tempo em relação aos episódios originais, e contar a história de como uma inocente criança loira de um planeta do fim do Mundo se viria a tornar o sádico imperador supremo de toda uma galáxia; uma ideia, na prática, excelente, e que levaria os níveis de entusiasmo pelo filme aos píncaros (imaginem a reacção aos últimos filmes dos 'Vingadores', mas num ambiente pré-Net 2.0, em que as imagens e notícias eram muito mais raras e menos facilmente acessíveis) , com muita gente pelo Mundo fora a 'baldar-se' ao trabalho ou à escola para estar presente nas primeiras sessões.

Com todo este entusiasmo gerado à sua volta, não foi de surpreender que o filme tivesse ficado aquém das expectativas dos fãs; surpreendente, mesmo, só a quantidade de ódio destilada pelos mesmos contra esta película, que durante décadas foi – e, até certo ponto, continua a ser – objecto de chacota, e considerado dos piores filmes alguma vez feitos. Uma opinião obviamente exagerada, e em grande parte motivada pela presença do personagem Jar Jar Binks, um óbvio e irritante 'comic relief' destinado a fazer rir o público-alvo do filme – as crianças.

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O principal responsável pela violenta recepção ao filme à época de lançamento

Sim, a grande pecha de 'Ameaça Fantasma' é mesmo ser, declaradamente, um filme para crianças, em vez de oferecer uma experiência adequada a todas as idades, como era o caso com os filmes originais. Do herói pré-adolescente – interpretado pelo supremamente irritante Jake Lloyd – ao referido personagem cómico, passando pela falta de violência explícita, tudo parece apontar a um público-alvo imberbe – tudo, isto é, menos o próprio guião, que trata de temas tão interessantes como a política financeira de uma galáxia fictícia...

Ainda assim, se visto sem quaisquer expectativas e tomado pelo que é, sem mais, 'Ameaça Fantasma' não é um mau filme, e serve como distracção para uma tarde em casa sem muito que fazer. O filme que relançou a saga não é, obviamente, nem de longe tão bom quanto os que o precederam (e alguns dos que lhe sucederam), mas também não é o pior filme com 'Star Wars' no nome – essa distinção continua a pertencer ao Episódio seguinte da saga; a reacção vitriólica que recebeu, e continua a receber, um pouco por todo o Mundo alicerça-se, sobretudo, na excitação que o seu lançamento gerou junto dos fãs. Quanto a nós, não podíamos deixar passar em branco um dos maiores acontecimentos cinematográficos da década a que este blog diz respeito, fosse ele uma obra-prima imortal ou – como acabou por suceder – apenas mais um 'blockbuster' com demasiado 'hype'...

30.07.21

NOTA: Este post corresponde a Sexta-feira, 2 de Julho de 2021.

Os anos 90 estiveram entre as melhores décadas no que toca à produção de filmes de interesse para crianças e jovens. Às sextas, recordamos aqui alguns dos mais marcantes.

Corria o ano de 1999. A histeria sobre o chamado ‘Millennium Bug’ estava ao rubro, e toda a gente estava preparade para ficar sem computadores às doze badaladas da meia-noite do 1 de Janeiro seguinte (embora ninguém soubesse ao certo em que fuso horário é que a maldição se aplicaria.) 2021 era o future longínquo, e ninguém fazia ideia de como e quanto o Mundo estaria a ponto de mudar, no espaço de pouco mais de dois anos.

Era este o panorama, não só em Portugal como um pouco por toda a sociedade ocidental, quando um dos maiores filmes-evento daquela década – e da seguinte – chegava aos cinemas. Com estreia em Portugal na última Primavera do século XX, esta co-produção australiana e norte-americana trazia como cabeça de cartaz o enigmático Keanu Reeves, tão conhecido pelos seus dotes cómicos na duologia ‘Bill e Ted’, como pelo seu convincente desempenho como herói de acção em ‘Speed – Velocidade Terminal’ ou o seu trabalho com realizadores de enorme renome, como Francis Ford Coppolla ou Bernardo Bertolucci. Neste novo filme, que se inseria no campo da ficção científica, era-lhe pedido que encarnasse uma variação do habitual ‘Escolhido’ – um programador informático que descobre que o Mundo em que vive é uma ilusão, que a verdadeira realidade se encontra ameaçada, e que só ele a pode salvar…

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Falamos, é claro, de ‘Matrix’, um filme revolucionário à época e que, desde então, se instalou confortavelmente no seio da cultura ‘pop’ contemporânea; tanto assim que os seus momentos mais marcantes e memoráveis – o contorcionismo em câmara lenta, a câmara rotativa com ‘freeze frame’ incluído, as pílulas vermelha e azul, a exclamação ‘Whoa’ – informaram desde referências em filmes de comédia como ‘Shrek’, até técnicas de filmagem em filmes mais do que sérios, como ‘O Tigre e o Dragão’, e mesmo nomes de comunicades cibernéticas de ideologia duvidosa, como The Red Pill. Por meio a toda esta influência e omnipresença, no entanto, há um factor que tende a ser esquecido: Matrix era, na verdade, um excelente filme, que merece em pleno a notabilidade que obteve.

A cena original de câmara lenta de 'Matrix', e as muitas homenagens que inspirou

De facto, antes de as sequelas e outras adendas à mitologia da série a estragarem completamente, 'Matrix' era uma das propriedades intelectuais mais entusiasmantes daquele final de século. Toda a gente tinha visto, toda a gente comentava, e toda a gente aguardava com impaciência as anunciadas sequelas, que trariam o Anderson de Reeves já plenamente integrado na sua nova identidade como Neo, salvador da sociedade distópica em que agora reside. Como infelizmente se viria a constatar, tal entusiasmo era infundado; à altura da estreia do ‘Matrix’ original, no entanto, ninguém o poderia adivinhar, sendo a qualidade do primeiro filme mais do que justificativa do ‘hype’ que se gerara - e do qual Portugal não ficava, de todo, isento.

Efectivamente, quem era da idade certa para ter interesse neste blog certamente se lembrará da excitação causada pelo anúncio de ‘Matrix’, e da reacção entusiástica ao filme propriamente dito. Na era pré-‘Ameaça Fantasma’, ‘Senhor dos Anéis’ e ‘Harry Potter’, e dez anos antes da formação oficial do ‘Universo Cinematográfico Marvel’, ‘Matrix’ era o maior evento cinematográfico entre a juventude desde ‘A Máscara’, senão mesmo ‘Parque Jurássico’. E o melhor era que, conforme indicado, esse estatuto era mais que merecido. De facto, recomenda-se que quem não tenha visto o filme desde essa altura experimente revisitá-lo; certamente não deixará de se surpreender com o quão bem o mesmo envelheceu nas mais de duas décadas desde a estreia. De facto, a surpresa pode ser tal que vos leve mesmo a exclamar...

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