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Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

06.03.26

Os anos 90 estiveram entre as melhores décadas no que toca à produção de filmes de interesse para crianças e jovens. Às sextas, recordamos aqui alguns dos mais marcantes.

Os meados da decada de 90 marcaram o auge da carreira de Robin Williams enquanto actor cómico em filmes de família (depois de, na década anterior, se ter afirmado em papéis mais sérios) com uma sequência de êxitos tanto de bilheteira como de crítica, fossem eles animados (como 'Ferngully - As Aventuras de Zak e Chrysta na Floresta Tropical' ou 'Aladdin') ou de acção real (como 'Hook', 'Papá Para Sempre' ou 'Flubber - O Professor Distraído'). Assim, a associação de Williams a um novo filme passou, via de regra, a ser suficiente para despertar o interesse do público jovem, com a vantagem de, normalmente, os sobreditos filmes terem mesmo inegável qualidade, como demonstram os exemplos acima. Não é, pois, de surpreender que a colaboração do actor com o realizador Joe Johnston, embora menos bem recebido pela imprensa especializada, fez sucesso entre o público-alvo, que o elevou, ao longo dos trinta anos subsequentes, ao estatuto de filme de culto, motivando o inevitável 'remake', já na década de 2010.

Falamos de 'Jumanji', um dos melhores exemplos do género do 'realismo mágico' tão popular à época, e que, além de Williams, conta no elenco com David Alan Grier, Bebe Neuwirth e Bonnie Hunt, além de uma jovencíssima Kirsten Dunst, ainda longe do sucesso que almejaria a partir de finais dessa mesma década. É ela, aliás, a catalista de grande parte da trama, como a mais velha de duas crianças, irmãs, que descobrem no sótão da sua nova casa um jogo de tabuleiro mágico, que, quando jogado, traz à vida seres reais – animais e humanos – presos dentro do mesmo por um feitiço. Williams interpreta, precisamente, um destes prisioneiros, um parente das crianças 'engolido' pelo jogo quando tinha a idade das mesmas, em finais dos anos 60, e 'trazido de volta' pelos irmãos, um quarto de século depois. Uma premissa que, apesar de parca em desenvolvimentos – não obstante ser adaptada de uma obra literária – proporciona uma experiência verdadeiramente mágica para o público-alvo (ainda que, por vezes, tecnicamente questionável, como no caso dos macacos expelidos pelo jogo titular) Assim, e conforme já mencionámos, a afeição de uma determinada demografia a este título é tudo menos surpreendente, continuando o mesmo a constituir uma excelente escolha para uma Sessão de Sexta em família.

Foi, também, como resultado deste sucesso que 'Jumanji' se transformou, já no Novo Milénio, de filme único em franquia, recebendo não só uma sequela directa ('Zathura', de 2005) como também um 'reboot' modernizado – o termo Jumanji refere-se, agora, a um jogo de vídeo – que rendeu dois filmes divertidíssimos, encabeçados por Dwayne 'The Rock' Johnson, Jack Black e Karen Gillan; para muitos 'millennials', no entanto, continua a ser o original – que celebrou há poucos dias o trigésimo aniversário da sua estreia nas salas de cinema nacionais, a 01 de Março de 1996 – o favorito de entre os quatro. Independentemente de qualquer preferência individual, no entanto, não há dúvida de que 'Jumanji' justifica plenamente toda a atenção positiva que ainda hoje vai recebendo, mesmo num Mundo (cinematográfico e real) totalmente diferente daquele em que originalmente foi lançado – uma das marcas de um filme verdadeiramente intemporal, adjectivo que encaixa bem na película de Joe Johnston.

07.02.26

NOTA: Este 'post' é correspondente a Sexta-feira, 06 de Fevereiro de 2026.

Os anos 90 estiveram entre as melhores décadas no que toca à produção de filmes de interesse para crianças e jovens. Às sextas, recordamos aqui alguns dos mais marcantes.

A transição de um actor do seu género de eleição para algo menos convencional é, invariavelmente, motivo para curiosidade, interesse e espanto por parte da sua base de fãs, e não só - seja um actor cómico como Jim Carrey a aceitar um papel mais sério e a brilhar a ponto de lançar uma nova fase na sua carreira ou, como é mais comum, um 'matulão' do cinema de acção a aventurar-se num papel cómico. E se, hoje, é The Rock o 'rei' desta última vertente, durante muitos anos, o título pertenceu a outro herói hipermusculado, o qual, em inícios dos anos 90, arriscou vários papéis de índole mais cómica e até auto-crítica, que lhe valeram algum sucesso, apreciação crítica e, pelo menos, um clássico do cinema infantil da época. É, precisamente, esse filme que escolhemos para esta Sessão de Sexta, meros dias antes de se celebrarem os trinta e cinco anos da sua estreia em Portugal.

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Era, de facto, a 08 de Fevereiro de 1991 que chegava às salas de cinema nacionais 'Um Polícia No Jardim-Escola', a impagável comédia de acção do veterano Ivan Reitman em que Arnold Schwarzenegger se vê obrigado a substituir a parceira numa operação infiltrada...como professor de uma turma do pré-escolar. Os resultados são previsíveis, com o 'durão' Schwarzenegger completamente fora do seu elemento, a tentar desesperadamente conter várias dezenas de crianças durante tempo suficiente para desempenhar a sua missão, e a acabar por criar laços de afecto com elas, por entre muitas e hilariantes peripécias. O elemento de acção, esse, apenas se 'chega à frente' no último terço, quando o Mr. Kimble de Arnie descobre o seu suspeito e o mesmo rapta o próprio filho, obrigando o musculado herói a proceder ao resgate da criança; paradoxalmente, esta é a parte mais fraca do filme, talvez por apenas envolver o menos interessante ou carismático dos mini-actores, sendo que os restantes quase 'roubam' o filme a Schwarzenegger com os seus dichotes adoráveis e perguntas ingénuas.

No cômputo geral, no entanto, 'Um Polícia no Jardim-Escola' consegue balancear bem os seus dois géneros – à maneira de um 'Polícia de Beverly Hills', '48 Horas', 'Táxi' ou 'Hora de Ponta' – de modo a proporcionar uma experiência extremamente divertida para todas as idades, tornando-o parte integrante da nostalgia de toda uma faixa etária, perfeito para uma Sessão de Sexta em família – pelo menos para quem não se incomode com a ponta final algo mais 'intensa' – e bem merecedor de homenagem por ocasião do trigésimo-quinto aniversário da sua estreia nacional.

23.01.26

Os anos 90 estiveram entre as melhores décadas no que toca à produção de filmes de interesse para crianças e jovens. Às sextas, recordamos aqui alguns dos mais marcantes.

Recentemente, falámos nesta rubrica de um dia, perto do final do ano 2000, em que estrearam em Portugal vários filmes de interesse para o público jovem; no entanto, por nos termos focado numa data específica, ficou por mencionar uma outra película, estreada em Portugal cinco anos antes, e que, como tal, acaba de completar, há pouco mais de um mês, trinta anos sobre a sua exibição no nosso País.

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Tratava-se de 'A Chave Mágica', a adaptação cinematográfica da obra 'O Índio no Armário', de Lynne Reid Banks, publicada quinze anos antes (em 1980) e que, por alturas do lançamento do filme, se havia tornado já num clássico infantil moderno entre as crianças norte-americanas, as quais se terão regozijado com esta adaptação. Já em Portugal, o livro era menos conhecido (apesar de ter sido publicado em tradução portuguesa) e, como tal, será mesmo o filme o principal ponto de referência para quem era de uma certa idade à época; e a verdade é que, como principal forma de conhecer a história, é um veículo perfeitamente válido, sendo daqueles filmes que seguem o material de origem quase 'à letra', retendo todas as suas qualidades e não arriscando incorrer em quaisquer defeitos.

Tematicamente, 'A Chave Mágica' insere-se naquela 'safra' muito particular de longas-metragens infantis de meados dos anos 90 centradas em torno de uma situação de 'realismo mágico' causada por um objecto quotidiano aparentemente inofensivo, da qual 'Jumanji', 'Pagemaster' ou 'Pequenos Guerreiros' talvez sejam os exemplos mais conhecidos; no caso do filme em questão, a 'pista' está no próprio título; de facto, é quando o protagonista Omri usa o armário encontrado e consertado pelo seu irmão mais velho para guardar duas das suas figuras de índios e 'cowboys' de plástico, e dá a volta à chave para o fechar, que se descobre que o sobredito móvel tem a capacidade de dar vida a objectos inanimados. Assim, quando Omri volta a rodar a chave na fechadura, depara-se não com os brinquedos que ali deixara, mas com um índio e um 'cowboy' de carne e osso, transportados através do tempo algumas centenas de anos e 'encolhidos' para o tamanho de uma figura de acção, mas de outro modo vivos, conscientes...e aterrorizados.

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Touro Sentado e Boone, dois humanos magicamente transportados para o futuro pela titular Chave Mágica.

Segue-se a habitual trama de tentar esconder os 'convidados' sobrenaturais dos adultos, com a agravante de que o cobarde Boone e o intempestivo Touro Sentado (inexplicavelmente chamado Touro Pequeno na tradução do livro) não parecem capazes de parar de se tentar agredir mutuamente, nem dispostos a evitar o choque de personalidades – pelo contrário, cada um dos homens faz a Omri exigências que o pequeno tem de se esforçar por cumprir, apesar das circunstâncias menos do que habituais. O resultado são noventa minutos (ou algumas centenas de páginas) de peripécias que balanceiam muito bem o humor, o drama e o sentimentalismo (sem que este nunca chegue a tornar-se 'lamechiche'), além de procurarem veicular algumas informações sobre o modo de vida dos nativos e colonos americanos no período histórico de que Boone e Touro Pequeno são oriundos. Uma boa escolha para uma Sessão de Sexta em família, portanto, que merecia ser mais lembrada, trinta anos depois da sua chegada aos cinemas lusitanos.

14.12.25

NOTA: Este 'post' é respeitante a Sexta-feira, 12 de Dezembro de 2025.

Os anos 90 estiveram entre as melhores décadas no que toca à produção de filmes de interesse para crianças e jovens. Às sextas, recordamos aqui alguns dos mais marcantes.

Já aqui numa outra ocasião falámos de um fim-de-semana em que, no espaço de dois dias, em dois anos separados, estrearam em Portugal vários filmes que formariam parte da nostalgia cultural da geração 'millennial'; agora, chega a altura de recordar o dia, há exactos vinte e cinco anos, em que se passou algo de semelhante, ainda que de forma algo mais 'extremada'. Isto porque os dois filmes chegados às salas de cinema portuguesas no dia 14 de Dezembro de 2000 tinham interesse para os pólos diametralmente opostos da demografia nascida entre inícios dos anos 80 e meados dos 90, com um deles a ser mais relevante para a parcela mais jovem da mesma, e o outro para a mais 'colada' à Geração X, além de para os próprios elementos da mesma.

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No primeiro caso inseria-se 'Pokémon 2: O Poder Único' (mais conhecido como 'Pokémonn 2000'), o segundo filme baseado no icónico 'anime' baseado no mega-sucesso da Nintendo, então ainda a gozar os dividendos dos jogos lançados dois anos antes para o Game Boy original (bem como da posterior 'Edição Amarela') enquanto os fãs esperavam ansiosamente pela saída da 'segunda geração', daí a alguns meses, já em exclusivo para o sucessor Game Boy Color. Nos entrementes, os muitos entusiastas da franquia podiam ficar a conhecer um dos novos Pokémon: Lugia, o plesiossauro que ajuda os heróis a salvar os três pássaros lendários (Zapdos, Moltres e Articuno) das mãos de um coleccionador mal intencionado. Nada que sequer beliscasse o impacto do primeiro filme (onde era revelado o segredo do famoso 'Pokémon número 151', MewTwo) mas ainda assim entusiasmante para os pequenos 'Pokémaníacos', sobretudo pela oportunidade de ver pela primeira vez um dos novos espécimes que integrariam os futuros 'Gold' e 'Silver'.

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Já o segundo filme de que falaremos nesta Sessão de Sexta tinha interesse por motivos totalmente distintos – nomeadamente, por trazer uma das 'musas' do cinema de então naquele que talvez fosse o seu 'pico' de forma, e num dos seus papéis mais icónicos. De facto, 'Sedutora Endiabrada' sabia qual o seu ponto forte, e não procurava 'vender-se' como mais nada que não uma comédia vagamente erótica que servia de 'desculpa' para ver Elizabeth Hurley numa série de roupas sensuais, do icónico biquíni vermelho-carmim a vestidos, fatos de vinil, 'blazers' ou uniformes de 'menina da escola' e chefe de claque. Como coadjuvante, a estonteante morena tinha um Brendan Fraser cujo habitual ar esgazeado, desta vez, talvez não fosse totalmente representado, e que serve bem o seu propósito como o 'totó' que a diaba de Hurley utiliza como 'brinquedo' privativo – embora, claro, tudo acabe em bem, com o personagem de Fraser a aprender uma importante lição e a conseguir, finalmente, encontrar a felicidade. Um filme que, naturalmente, se viria a tornar também um 'clássico' do mercado de vídeo e DVD, e que terá feito parte da adolescência de muitos portugueses (e não só) de uma certa idade.

Em suma, dois filmes quase exactamente opostos a nível de conceito, proposta, motivos de interesse e demografia-alvo, mas que não deixaram, ambos, de integrar a consciência colectiva (e, mais tarde, nostálgica) da 'sua' geração, justificando portanto esta recordação 'colectiva', no fim-de-semana em que se completa um quarto de século sobre a sua estreia em Portugal.

29.11.25

NOTA: Este 'post' é respeitante a Sexta-feira, 28 de Novembro de 2025.

Os anos 90 estiveram entre as melhores décadas no que toca à produção de filmes de interesse para crianças e jovens. Às sextas, recordamos aqui alguns dos mais marcantes.

A época natalícia foi, desde sempre, catalista de produções cinematográficas para toda a família, muitas das quais postumamente consideradas clássicos do género ou da época do ano; de 'Do Céu Caiu Uma Estrela' ou 'Uma História de Natal', passando pelas 'milhentas' adaptações de Dickens, até clássicos modernos como 'Sozinho Em Casa' (e respectiva primeira sequela) 'O Expresso Polar' ou 'Milagre em Manhattan', o que não falta são exemplos de películas unanimemente consideradas emblemáticas do período em causa. No entanto, tal como sempre acontece, nem todos os filmes de Natal são cem por cento consensuais, e a passagem dos anos tem adicionado algumas obras mais 'divisoras de opiniões' ao cânone do género, bastando pensar em 'O Tesouro de Natal', de Schwarzenegger, ou 'Elf – O Falso Duende', de Will Ferrell, para descobrir exemplos deste fenómeno. O filme que abordamos nesta Sessão de Sexta pré-quadra, e sobre cuja estreia nacional se celebra dentro de poucos dias (concretamente a 1 de Dezembro) o exacto quarto de século, é mais um título a adicionar a esta lista, contando como clássico para muitos 'millennials' e até alguns 'Z', mas gerando opiniões menos favoráveis por parte de quem era até ligeiramente mais velho aquando da sua chegada a Portugal.

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O contexto nacional (onde o personagem tinha expressão nula até à chegada do filme) também não ajudou a que 'O Grinch' granjeasse de imediato o favor do público-alvo, que, sem a 'ajuda' do especial animado dos anos 70, ou mesmo da história original de Dr. Seuss (ambos elementos profundamente enraizados na cultura infantil norte-americana) era obrigada a 'descobrir' por si mesma aquele monstro verde com desprezo pelo Natal, interpretado em 'carne e osso' por um Jim Carrey em puro 'modo caretas', escondido atrás de uma maquiagem verde que o tornava praticamente irreconhecível, não fossem as referidas expressões 'elásticas'. E embora o restante elenco não deixe, de todo, a desejar, com 'character actors' como Christine Baranski, Molly Shannon, Clint Howard ou Mindy Sterling, a verdade é que Carrey é mesmo a 'estrela da companhia', assumindo quase total protagonismo – algo que acaba por prejudicar o filme, sobretudo aos olhos de quem não aprecia esta faceta do actor, ou a prefere em pequenas doses. Isto porque grande parte do filme é passada com o Grinch a monologar para o seu cão, na sua caverna, o que dá a Carrey amplas oportunidades de improvisar e 'fazer caretas', de que o actor principal acaba por abusar um pouco, prejudicando tanto o ritmo como o potencial cómico do filme. No final, fica a sensação de que talvez o comediante tivesse conseguido 'safar-se' com este tipo de abordagem cinco anos antes, quando estava no seu auge, mas que, em Dezembro de 2000, a mesma parecia já um pouco 'estafada'.

Ainda assim, para quem QUER ver Jim Carrey fazer o máximo de caretas e trejeitos possível – ou, pelo menos, não se importa que tal aconteça – 'O Grinch' é uma opção perfeitamente viável para a 'rotação' filmográfica do mês de Dezembro, sobretudo para quem tem crianças pequenas. Trata-se de um filme relativamente inofensivo, com uma boa mensagem (apesar de um ou outro momento algo mais 'descabido') e boas interpretações de todo o elenco (ainda que se desaconselhe a horrível dobragem portuguesa, que torna a obra ainda mais intragável). Pena, portanto, que o veterano do cinema familiar Ron Howard não tenha sabido (ou querido) 'travar' um pouco o seu actor principal, preferindo 'vender' o filme precisamente na base do seu nome e modo típico de actuar, e acabando assim por alienar a parcela da audiência capaz de apreciar (ou, pelo menos, tolerar) um filme de família com tema natalício, mas com pouca 'paciência' para exageros pseudo-cómicos em demasia...

01.11.25

Os anos 90 estiveram entre as melhores décadas no que toca à produção de filmes de interesse para crianças e jovens. Às sextas, recordamos aqui alguns dos mais marcantes.

Apesar de não ter, historicamente, tradição em qualquer outro país que não os Estados Unidos, o 'Halloween' é, já, parte integrante do calendário festivo de vários países (Portugal incluído) servindo de pretexto para as crianças se disfarçarem, comerem doces e brincarem na rua, e para os mais graúdos se 'aninharem' no sofá com um bom filme de terror temático. E porque este 'post' deveria ter sido publicado na própria noite (e surge no rescaldo da mesma) nada melhor do que nos debruçarmos sobre um filme que faz, sem dúvida, parte das escolhas para uma Sessão de Sexta em família, e que comemorou recentemente as três décadas da sua estreia em Portugal.

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Adaptação em acção real de um desenho animado e banda desenhada já pouco ou nada relevante (mas ainda conhecido dos jovens portugueses, graças à ocasional exibição televisiva dos episódios em domínio público e à inevitável continuação da banda desenhada por parte de estúdios brasileiros), 'Casper' (ou 'Gasparzinho', como era conhecido no mundo lusófono) chegava às salas de cinema nacionais não no Dia das Bruxas, ou mesmo na estação fria que evoca, mas em pleno Verão, a 21 de Julho de 1995 – uma altura em que a maioria das crianças portuguesas se encontraria, mais que provavelmente, em férias, e sem vontade de ver um filme que evoca ambientes mais lúgubres e invernais.

Isto porque, apesar de ser um mais do que declarado filme infantil, 'Casper' não 'poupa' na atmosfera 'fantasmagórica', bem a condizer com os personagens e o ambiente onde vivem. Junte-se a esta equação a presença de Christina Ricci (por esta altura já bem versada em papéis mais góticos, após a estreia como Wednesday na franquia 'A Família Addams') e o que resulta é um filme bastante bem-sucedido na criação do seu mundo e do respectivo ambiente, mas que estreava na altura totalmente errada do ano, pelo menos num país do Sul da Europa, com temperaturas elevadas nos meses de Verão e com não um, mas dois mares a banhar o seu território!

Não admira, pois, que a passagem de 'Casper' por Portugal tenha sido discreta, pese embora uma campanha de divulgação de monta, com a habitual caderneta de cromos, adaptação do filme em banda desenhada e outros 'artefactos' promocionais. Nada, infelizmente, que pudesse mudar o destino do filme, que nem sequer se logrou tornar um 'clássico' do VHS, tendo desaparecido relativamente rápido e sem deixar rasto – uma situação oposta à que viveu no mercado norte-americano, onde, apesar de ter estreado em Maio, logrou facturar quase trezentos milhões de dólares, contra um orçamento de pouco mais de cinquenta, um lucro correspondente a seis vezes o investimento, e que justificou a realização, nos dez anos seguintes, de mais quatro (!) filmes e uma série animada, nenhum dos quais com qualquer presença em Portugal.

Ainda assim, e apesar do sucesso, a opinião crítica em relação ao original era (e permanece) mista, com o filme a posicionar-se como o típico 'seis em dez' quer junto da crítica especializada, quer do próprio público. Nada melhor, pois, do que procurar o filme na Net, organizar uma Sessão de Sexta com amigos, familiares ou filhos, e tirar conclusões próprias quanto ao mesmo, como forma de celebrar (ainda que com atraso) não só o Dia das Bruxas, como o trigésimo aniversário do mesmo.

12.04.25

NOTA: Este 'post' é respeitante a Sexta-feira, 11 de Abril de 2025.

Os anos 90 estiveram entre as melhores décadas no que toca à produção de filmes de interesse para crianças e jovens. Às sextas, recordamos aqui alguns dos mais marcantes.

Nenhum membro da primeira metade da geração 'millennial' (aquela nascida, maioritariamente, durante a década de 80) e oriundo de um país ocidental necessita de quaisquer explicações quanto ao nível ou à razão da fama de Macaulay Culkin. Dois mega-sucessos de Natal em anos consecutivos – o filme de estreia 'Sozinho em Casa' e a sua primeira sequela – colocaram aquele 'puto' loirinho de sorriso maroto nas 'bocas do Mundo' e projectaram-no para um sucesso que talvez ainda fosse muito novo para gerir, transformando-o naquilo a que a revista Super Jovem chamava, no seu 'número zero', uma 'mini super-star' (e só o facto de uma revista emergente para jovens utilizar 'Mac' como chamariz já diz tudo o que é preciso saber sobre a influência do rapazinho na cultura popular juvenil da altura).

Não é, pois, de surpreender que, após o sucesso dos dois primeiros 'Sozinho em Casa', os produtores de Hollywood procurassem integrar o jovem nos seus projectos, nem tão-pouco que o próprio Culkin quisesse diversificar o seu repertório, fazendo alguns 'desvios' do seu nicho de comédia infantil, o principal dos quais foi o papel dramático e até sádico em 'O Bom Filho', ao lado de outra jovem revelação, Elijah Wood, ele próprio a menos de uma década do mega-estrelato. Mais curioso é perceber que dois desses filmes chegaram às salas de cinema portuguesas lado a lado, exactamente no mesmo dia - há quase exactos trinta anos, a 7 de Abril de 1995  - criando assim uma espécie de 'dose dupla' de 'Mac', que não terá deixado de fazer as delícias dos seus pequenos fãs.

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O primeiro, e mais ambicioso, destes filmes foi 'A Grande Viagem' (título bem mais genérico que o original 'The Pagemaster') que propunha uma arrojada combinação de acção real com animação, ao estilo do que a Disney havia feito, com excelentes resultados, durante os anos 60. À cabeça de um elenco 'de luxo' que inclui Christopher Lloyd, Whoopi Goldberg e dois dos mais emblemáticos tripulantes da nave 'Enterprise' (Patrick Stewart, que à época ainda não se sentara na cadeira de capitão, e Leonard Nimoy, maior ícone d''O Caminho das Estrelas' original) 'Mac' embarca numa viagem através de várias cenas típicas da literatura infanto-juvenil, apresentadas no estilo de animação típico da altura.

Uma abordagem que tinha tudo para agradar ao público jovem...mas, por uma razão ou outra, não agradou. Antes pelo contrário – o falhanço deste filme, juntamente com o de 'Gatos Não Sabem Dançar', de 1997, viria a colocar entraves no departamento de animação da Turner, adiando ou cancelando vários projectos. E se as razões para tal desprezo por parte do público são incertas, a verdade é que o filme pouco faz para se destacar de qualquer outro filme infantil da época, tendo sido largamente ignorado pela 'onda' nostálgica que entretanto tomou conta das redes sociais.

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E se 'A Grande Viagem' é apenas descartável, já o outro filme de Culkin estreado na mesma altura é notável apenas e só por ser a obra que veria Culkin, então com catorze anos, 'reformar-se' como actor infantil, entrando num hiato que viria a durar toda uma década, e que ficou marcado por uma 'espiral' de problemas pessoais por parte do jovem. Falamos de 'Riquinho', adaptação em acção real do desenho animado e banda desenhada do mesmo nome (ambas da Harvey) que vê 'Mac' interpretar o impossivelmente rico personagem principal, em mais uma comédia infantil sem nada de particularmente errado ou entusiasmante, sem grandes estrelas no elenco, e que só é mesmo lembrada por ter sido a 'despedida' de Culkin dos écrãs até à idade adulta, e por trazer o irmão mais novo da mini-estrela, Rory, como a versão de menos idade do personagem principal.

Dois filmes, portanto, que, sem serem obras-primas do cinema infanto-juvenil, ofereciam ainda assim ao seu público o suficiente para manter elevado o interesse na 'jovem estrela' do momento, e terão constituído uma excelente Sessão de Sexta dupla para os fãs do pequeno actor...

14.03.25

Os anos 90 estiveram entre as melhores décadas no que toca à produção de filmes de interesse para crianças e jovens. Às sextas, recordamos aqui alguns dos mais marcantes.

Já aqui anteriormente mencionámos os filmes com animais falantes como uma das principais tendências do cinema infantil nos anos imediatamente anteriores e imediatamente posteriores à viragem do Milénio – e cuja popularidade continua em alta, como o atesta o sucesso da trilogia 'Paddington', cujo mais recente filme foi lançado há apenas alguns meses à data deste 'post'. De facto, enquanto em tempos a 'magia' vinha das peripécias protagonizadas pelas estrelas de quatro patas, a partir dos anos 90 verificou-se uma tendência cada vez maior para guarnecer os referidos animais com vozes humanas, normalmente de celebridades que se pudessem publicitar no cartaz.

Esse paradigma foi levado ainda mais ao extremo já perto do final da década em causa, quando a 'moda' dos animais falantes foi combinada com outra – a do 'hóspede' invulgar mas amigável que deve ser mantido em segredo, muito popular na televisão americana dos anos 80 – dando origem a uma série de filmes relativamente bem sucedidos, e que terão marcado a infância de muitas crianças das duas gerações seguintes. Talvez o mais famoso exemplo desse novo género seja o filme que comemorou há pouco mais de uma semana (a 7 de Março) os vinte e cino anos da sua estreia em Portugal; e por, nessa ocasião, termos escolhido erroneamente falar de outro filme, vimos nas linhas seguintes rectificar esse erro, e celebrar o aniversário 'atrasado' de um dos filmes mais falados entre as crianças e jovens nos primeiro meses do Novo Milénio.

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Referimo-nos à primeira adaptação cinematográfica do livro infantil 'Stuart Little', concebida nos anos 40 por E. B. White, mas que o filme, talvez por questões de conveniência, actualiza para os anos 90. Já a trama-base mantém-se semelhante, seguindo as aventuras de Stuart Little, um rapaz sobredotado que faz jus ao seu apelido, tendo apenas trinta centímetros de altura e, por razões nunca explicadas, o aspecto de um rato branco, apesar de se tratar de uma criança filha de humanos - isto no livro, já que no filme, é apenas filho adoptivo dos Little, e se trata verdadeiramente de um rato falante e com inteligência humana. Em ambos os casos, Stuart deve fazer uso da sua agilidade e pensamento rápido para ultrapassar situações típicas do dia-a-dia de um ser do seu tamanho, e para manter a distância o gato da família, Snowball, cujos instintos lhe dizem que cace Stuart, pese embora saiba tratar-se de um membro da família. A fórmula perfeita para um filme de família, que balança o factor puramente estético do adorável Stuart com uma história capaz de manter cativados os elementos do público-alvo, e interpretações com a qualidade expectável de nomes como Geena Davis, Hugh Laurie, Steve Zahn, Nathan Lane, Jennifer Tilly e Michael J. Fox, que volta a dar voz a um animal, após viver o impetuoso pitbull no 'remake' de 'Regresso A Casa'.

Não admira, pois, que 'O Pequeno Stuart Little' tenha feito sucesso, senão entre os críticos especializados, pelo menos junto de quem interessava: os mais pequenos. Tanto assim que o filme viria a gerar duas sequelas (em 2002 e 2006) e uma série animada (em 2003), além dos habituais videojogos licenciados e produtos de 'merchandising'. O apelo e sucesso de Stuart foram, aliás, suficientemente continuados ao longo das duas décadas e meia seguintes para justificar a proposta de um 'reboot', em formato de série televisiva, há apenas um par de anos. Mas se esse projecto ficou em 'águas de bacalhau' – pelo menos até à data – os filmes, esses, continuam a fazer parte da 'rotação' de filmes dos canais portugueses em alturas de férias escolares e festas familiares, e a constituir excelentes alternativas para visionamento em família durante uma Sessão de Sexta, mesmo um quarto de século após a sua chegada às salas de cinema nacionais.

Spot televisivo do filme, transmitido em Julho de 2012 no canal AXN White.

03.01.25

Os anos 90 estiveram entre as melhores décadas no que toca à produção de filmes de interesse para crianças e jovens. Às sextas, recordamos aqui alguns dos mais marcantes.

Na última Sessão de Sexta, referimo-nos a 'Os Dias do Fim' como um dos últimos filmes de acção a estrear em 1999, e, por conseguinte, no século XX e no Segundo Milénio; agora, duas semanas depois, recuamos cinco anos no tempo para relembrar o filme que teve a honra de 'fechar', em Portugal, o ano cinéfilo de 1994 (pelo menos em matéria de 'blockbusters) e que comemorou há cerca de dez dias o trigésimo aniversário da sua estreia nas salas de cinema nacionais. E a verdade é que, tal como 'Os Dias do Fim', o filme desta Sexta se saldou como uma desilusão, embora de forma totalmente diferente da película de Arnold Schwarzenegger - e bastante mais notória.

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De facto, enquanto que 'Os Dias do FIm' foi 'apenas' um 'flop' de bilheteira pouco notável para uma estrela de acção oitentista em fase decadente da carreira, 'Street Fighter - A Batalha Final' quase acabou com a carreira já periclitante daquele que talvez seja o 'herói de acção' dos anos 80 e 90 mais próximo de Schwarzenegger - pelo menos em termos geográficos - e é hoje visto tanto como um dos mais famosos filmes 'tão maus que são bons' como como um dos melhores exemplos - a par de 'Super Mário' - de como NÃO converter uma propriedade interactiva para o grande ecrã. E a verdade é que, como no caso de 'Super Mário', do ano anterior, a receita-base tinha tudo para resultar, combinando um dos mais populares jogos de arcada, computador e consola com um dos mais populares actores entre a faixa etária que mais interesse tinha pelo mesmo; o facto de o resultado final quase parecer uma paródia de filmes do seu tipo não pode, portanto, ser considerado menos do que um falhanço em toda a linha por parte da equipa técnica, que parece ter-se esforçado ao máximo para errar em absolutamente TODOS os detalhes do material original.

Senão veja-se: 'Street Fighter - A Batalha Final' traz Jean-Claude Van Damme (um belga de sotaque pronunciado) no papel de Guile, um capitão da Força Aérea NORTE-AMERICANA, com direito a tatuagem da bandeira no braço (que talvez até fosse aceitável como nativo da Luisiana, fosse feita qualquer menção a esse facto no argumento) Chun-Li como repórter (ela que é agente da Interpol no jogo original), E. Honda como seu 'cameraman' (e interpretado por um actor samoano, talvez inspirando-se no Yokozuna da WWF), Dhalsim como cientista ao serviço de M. Bison (no original, é um místico indiano...parecido, mas não idêntico) e o próprio M. Bison como um esqueleto ambulante a bordo de uma cadeira voadora (e interpretado por um Raul Julia terminalmente doente, e que já não assistiria à estreia do filme, deixando assim a 'memética' actuação como temido ditador ASIÁTICO como seu último legado)!! Uma verdadeira 'comédia de erros', que se sobrepõe às poucas escolhas acertadas, como a excelente nomeação de Kylie Minogue para o papel de Cammy (se bem esta seja inglesa, e não australiana...mais uma vez parecido, mas não idêntico) e as acertadas referências visuais para personagens como Vega, Sagat ou Zangief, este utilizado como competente 'alívio cómico', constituindo um dos pontos altos do filme. Mesmo com estes (poucos) pontos positivos, no entanto, não deixa de ser estarrecedor como foi possível aos guionistas e realizador falhar em tão grande escala escala na adaptação do material original.

Raul Julia é responsável por muitos dos momentos mais memoráveis do filme.

Felizmente, pouco depois do lançamento desta desapontante adaptação, os fãs da franquia receberiam a tão desejada 'prenda', sob a forma de 'Street Fighter - O Filme', a magnífica adaptação em anime que é tudo o que 'A Batalha Final' não consegue ser: dinâmico, fiel ao material original e, sobretudo, muito divertido. Quanto à 'bomba' de Van Damme, a mesma é divertida por razões totalmente opostas, mas pouco recomendável a maiores de dez anos (seja nos tempos que correm ou na altura da estreia do filme) ou a quem queira ver uma adaptação genuinamente boa do seu jogo de luta favorito, saldando-se ainda hoje como um dos mais frustrantes e desapontantes filmes dos anos 90, que terá, sem dúvida, 'estragado o Natal' a muitos fãs esperançosos ao 'aterrar' nas salas de cinema dois dias antes da festividade em causa, há quase exactos trinta anos.

02.08.24

Os anos 90 estiveram entre as melhores décadas no que toca à produção de filmes de interesse para crianças e jovens. Às sextas, recordamos aqui alguns dos mais marcantes.

A adaptação de desenhos animados episódicos em filmes de 'acção real' é, hoje em dia, um dos esteios da produção infanto-juvenil em Hollywood; no entanto, as raízes desta prática remetem a finais do século XX, época que viu surgirem as primeiras tentativas de trazer personagens animados para o mundo real. E se, hoje em dia, a prática vigente é colocar o próprio boneco, criado em CGI, no meio de actores de 'carne e osso', de modo a salientar as diferenças entre os dois, os anos 80, 90 e 2000 tinham uma abordagem algo diferente, em que os personagens em si surgiam como pessoas reais, interpretadas por actores invariavelmente bem caracterizados, de forma a que se assemelhassem aos seus 'equivalentes' animados.

Curiosamente, muitas das adaptações desta primeira fase centravam-se sobre propriedades intelectuais já, à época, com várias décadas de existência, mas que continuavam a gozar de relativa relevância e sucesso entre as crianças e jovens, fosse por conta das repetidas transmissões dos episódios na televisão ou por via de uma associação a outro meio, como o da banda desenhada. Entre os numerosos exemplos 'de época' deste paradigma incluem-se Dennis o Pimentinha, Riquinho, e os personagens cujos filmes abordamos nesta publicação, a poucos dias do trigésimo e vigésimo-quarto aniversários das suas estreias em Portugal: as famílias pré-históricas mais famosas de sempre, Fred e Wilma Flintstone e Barney e Betty Rubble.

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Chegado às salas de cinema portuguesas a 5 de Agosto de 1994, o simplesmente intitulado 'Os Flintstones' cativava de imediato os inúmeros jovens lusos que vinham, há vários anos, seguindo as aventuras animadas dos personagens titulares em programas como 'Oh! Hanna-Barbera'. Para esta demografia, era nada menos do que entusiasmante ver Fred, Wilma, Barney, Betty e restantes habitantes de Bedrock em versões de 'carne e osso' mais do que fiéis às animadas, com um elenco aparentemente escolhido a dedo e perfeitamente caracterizado. E dizemos 'aparentemente' porque, acredite-se ou não, Rick Moranis (que É Barney Rubble, capturando na perfeição os trejeitos e até a voz deste) não foi a primeira escolha do realizador Brian Levant, que queria Danny DeVito no papel – uma escolha que faria sentido do ponto de vista da estrutura física, mas que, no restante, ficaria bem mais distante do Barney animado do que a versão de Moranis.

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O elenco do primeiro filme recriava na perfeição os seus equivalentes animados.

O actor de 'Querida, Encolhi Os Miúdos!' encontra-se, aliás, em excelente companhia, em meio a um elenco de luxo no tocante a comédia em meados da década de 90. A escolha de John Goodman como Fred Flintstone é lógica a pontos de ser óbvia, dadas as parecenças físicas e vocais naturais entre o actor e o personagem, enquanto Rosie O'Donnell e Elizabeth Perkins vivem quase na perfeição a leviana Betty Rubble e a paciente Wilma Flinstone. A completar o elenco surgem ainda Elizabeth Taylor, no papel de sogra de Fred, Kyle McLachlan como o vilão, uma jovem e lindíssim Hale Berry (no papel de uma secretária de nome...Sharon Stone) e, claro, os BC-52's, ou seja, os B-52's 'trajados a rigor' em roupas pré-históricas, que se encarregam de criar uma versão bem 'gingada' do icónico tema da série, ajudando a criar o ambiente vivido em Bedrock.

Como qualquer boa adaptação de desenho animado, no entanto (e este primeiro filme dos Flintstones insere-se nessa categoria) a película não se contenta em recriar os personagens em 'carne e osso', introduzindo-os numa trama suficientemente complexa para durar perto de duas horas, sem no entanto ficar longe das histórias dos episódios; e se Dennis, o Pimentinha se via a braços com um bandido, Fred, Barney e companhia enfrentam um executivo sem escrúpulos que pretende reduzir o número de empregados da pedreira onde Fred trabalha, bem 'desviar' fundos dos cofres do patrão, Mr. Slate – usando o pouco perspicaz patriarca como 'bode expiatório'. Uma história que abre espaço tanto aos momentos cómicos pelos quais a série é conhecida, como a outros mais dramáticos, sobretudo ligados às situações financeiras e sociais de Fred, Wilma e respectivos vizinhos e amigos, os quais acabam de adoptar uma criança.

Conforme já demos a entender, o resultado desta mistura de ingredientes é uma das melhores adaptações de sempre de um desenho animado ao grande ecrã, totalmente fiel ao espírito da série original, com excelentes interpretações e caracterização, e uma banda sonora 'gingada', bem merecedora de ser lembrada por alturas do seu trigésimo aniversário, e que deixava a base perfeita a partir da qual criar uma sequela...ou talvez não.

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Isto porque 'Os Flintstones em Viva Rock Vegas', lançado em Portugal a 4 de Agosto de 2000, quase exactamente seis anos depois do original, é unanimemente considerado um péssimo filme, com orçamento muito mais reduzido, e já sem o envolvimento de Steven Spielberg (que, enquanto produtor, muito ajudara ao 'clima' e recursos à disposição do filme original) ou de qualquer dos actores de 1994. De regresso, portanto, apenas Brian Levant, que colmatava a ausência de Goodman, Moranis e restantes 'estrelas' com a aposta num formato de prequela. 'Viva Rock Vegas' segue, pois, as aventuras dos quatro personagens na sua visita à cidade titular, na época em que ainda eram jovens e solteiros, procurando mostrar a génese dos dois casais principais.

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As versões jovens dos dois casais protagonistas.

A presença de um dos irmãos Baldwin (Stephen, que interpreta Barney) e do muito acarinhado extraterrestre, The Great Gazoo, não ajuda, no entanto, a disfarçar as carências do filme, o qual, conforme mencionado, fica muito aquém do original em todos os aspectos, sendo ainda hoje alvo de acintosas críticas. Apesar de inicialmente entusiástico, o público infanto-juvenil também não se deixou 'levar' na cantiga de Levant, e o filme acabou por se revelar um fracasso de bilheteira, terminando prematuramente com aquela que poderia ter sido uma interessante franquia cinematográfica.

Apesar deste final pouco feliz, no entanto, Fred, Barney, Betty e Wilma afirmaram-se, ainda assim, como protagonistas de um dos melhores e mais divertidos filmes da primeira vaga de adaptações animadas, e que continua, ainda hoje, a ser uma proposta bem divertida para uma Sessão de Sexta em família – desde que, claro está, não se cometa o erro de o 'emparelhar' com a sequela...

 

 

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