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Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

29.11.25

NOTA: Este 'post' é respeitante a Sexta-feira, 28 de Novembro de 2025.

Os anos 90 estiveram entre as melhores décadas no que toca à produção de filmes de interesse para crianças e jovens. Às sextas, recordamos aqui alguns dos mais marcantes.

A época natalícia foi, desde sempre, catalista de produções cinematográficas para toda a família, muitas das quais postumamente consideradas clássicos do género ou da época do ano; de 'Do Céu Caiu Uma Estrela' ou 'Uma História de Natal', passando pelas 'milhentas' adaptações de Dickens, até clássicos modernos como 'Sozinho Em Casa' (e respectiva primeira sequela) 'O Expresso Polar' ou 'Milagre em Manhattan', o que não falta são exemplos de películas unanimemente consideradas emblemáticas do período em causa. No entanto, tal como sempre acontece, nem todos os filmes de Natal são cem por cento consensuais, e a passagem dos anos tem adicionado algumas obras mais 'divisoras de opiniões' ao cânone do género, bastando pensar em 'O Tesouro de Natal', de Schwarzenegger, ou 'Elf – O Falso Duende', de Will Ferrell, para descobrir exemplos deste fenómeno. O filme que abordamos nesta Sessão de Sexta pré-quadra, e sobre cuja estreia nacional se celebra dentro de poucos dias (concretamente a 1 de Dezembro) o exacto quarto de século, é mais um título a adicionar a esta lista, contando como clássico para muitos 'millennials' e até alguns 'Z', mas gerando opiniões menos favoráveis por parte de quem era até ligeiramente mais velho aquando da sua chegada a Portugal.

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O contexto nacional (onde o personagem tinha expressão nula até à chegada do filme) também não ajudou a que 'O Grinch' granjeasse de imediato o favor do público-alvo, que, sem a 'ajuda' do especial animado dos anos 70, ou mesmo da história original de Dr. Seuss (ambos elementos profundamente enraizados na cultura infantil norte-americana) era obrigada a 'descobrir' por si mesma aquele monstro verde com desprezo pelo Natal, interpretado em 'carne e osso' por um Jim Carrey em puro 'modo caretas', escondido atrás de uma maquiagem verde que o tornava praticamente irreconhecível, não fossem as referidas expressões 'elásticas'. E embora o restante elenco não deixe, de todo, a desejar, com 'character actors' como Christine Baranski, Molly Shannon, Clint Howard ou Mindy Sterling, a verdade é que Carrey é mesmo a 'estrela da companhia', assumindo quase total protagonismo – algo que acaba por prejudicar o filme, sobretudo aos olhos de quem não aprecia esta faceta do actor, ou a prefere em pequenas doses. Isto porque grande parte do filme é passada com o Grinch a monologar para o seu cão, na sua caverna, o que dá a Carrey amplas oportunidades de improvisar e 'fazer caretas', de que o actor principal acaba por abusar um pouco, prejudicando tanto o ritmo como o potencial cómico do filme. No final, fica a sensação de que talvez o comediante tivesse conseguido 'safar-se' com este tipo de abordagem cinco anos antes, quando estava no seu auge, mas que, em Dezembro de 2000, a mesma parecia já um pouco 'estafada'.

Ainda assim, para quem QUER ver Jim Carrey fazer o máximo de caretas e trejeitos possível – ou, pelo menos, não se importa que tal aconteça – 'O Grinch' é uma opção perfeitamente viável para a 'rotação' filmográfica do mês de Dezembro, sobretudo para quem tem crianças pequenas. Trata-se de um filme relativamente inofensivo, com uma boa mensagem (apesar de um ou outro momento algo mais 'descabido') e boas interpretações de todo o elenco (ainda que se desaconselhe a horrível dobragem portuguesa, que torna a obra ainda mais intragável). Pena, portanto, que o veterano do cinema familiar Ron Howard não tenha sabido (ou querido) 'travar' um pouco o seu actor principal, preferindo 'vender' o filme precisamente na base do seu nome e modo típico de actuar, e acabando assim por alienar a parcela da audiência capaz de apreciar (ou, pelo menos, tolerar) um filme de família com tema natalício, mas com pouca 'paciência' para exageros pseudo-cómicos em demasia...

20.09.25

NOTA: Este post é respeitante a Sexta-feira, 18 de Setembro de 2025.

Os anos 90 estiveram entre as melhores décadas no que toca à produção de filmes de interesse para crianças e jovens. Às sextas, recordamos aqui alguns dos mais marcantes.

Qualquer membro da geração 'millennial' tem bem presente que os filmes baseados em bandas desenhadas apenas começaram a ser sucessos garantidos a partir do dealbar do Novo Milénio, quando os 'X-Men' de Bryan Singer revolucionaram o paradigma em termos de qualidade, e 'abriram a porta' àquele que, hoje em dia, talvez seja o género cinematográfico mais lucrativo e bem-sucedido. Para que se chegasse a esse ponto, no entanto, foi necessário passar por consideráveis 'dores de crescimento', sendo que, durante décadas, os fãs de 'comics' americanos nunca podiam saber o que esperar de cada nova adaptação cinematográfica, já que para cada mega-sucesso como o 'Batman' de Tim Burton havia outros quatro filmes que passavam despercebidamente para o mercado do vídeo, incapazes de concorrer com as mega-produções Hollywoodescas. O filme sobre o qual nos debruçamos nesta Sessão de Sexta (poucos dias após se terem completado trinta e cinco anos sobre a sua estreia em Portugal, a 14 de Setembro de 1990) fica a meio-caminho entre estas duas vertentes, tendo logrado ser um sucesso à época do seu lançamento, mas tendo caído no esquecimento quase generalizado nas três décadas e meia subsequentes.

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Falamos de 'Dick Tracy', adaptação da banda desenhada do mesmo nome, presença assídua nas páginas de BD dos jornais americanos, e que narra as desventuras do detective homónimo, reconhecível pela icónica gabardine amarela, na sua luta contra os mafiosos que regem a típica cidade dos anos 30 ou 40 onde vive. Um conceito mais na linha dos velhos livros de ficção barata do que propriamente dos super-heróis da Marvel e DC, mas que, ainda assim, apresenta semelhanças com séries como 'Batman', 'Sin City' ou 'Spirit', cujos filmes empregariam elementos estéticos a fazer lembrar os do filme em causa - o qual, no entanto, ficaria bastante aquém de qualquer deles em termos de impacto duradouro no Mundo cinematográfico.

Para os jovens cinéfilos daquele ano de 1990, no entanto, o filme trazia bastantes atractivos, da gama de cores da roupa dos personagens (a remeter intencionalmente aos tons vivos do Technicolor) até à presença de Madonna, então em alta, como interesse romântico do Tracy vivido pelo também realizador Warren Beatty, a participação de nomes como Al Pacino, Dustin Hoffman, James Caan ou Dick Van Dyke, ou mesmo apenas o apelo estético do icónico logotipo do personagem, que gerou alguma procura a nível de 'merchandise' alusivo ao filme imediatamente após a sua estreia.

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O elenco recheado de estrelas do filme.

Infelizmente, ao contrário de outros exemplos de que já aqui falámos, e apesar da 'parada de estrelas' que constituía o seu elenco a adaptação em 'carne e osso' de 'Dick Tracy' não logrou suster esse nível de interesse a longo-prazo, tendo-se rapidamente tornado 'apenas' mais um filme, mesmo enquanto a BD original continuasse de 'pedra e cal' nas páginas dos jornais. Ainda assim, numa altura em que se assinala um 'aniversário' marcante para o filme de Beatty, é justo homenageá-lo com estas singelas linhas, as quais (quem sabe?) talvez motivem quem ainda não conhece o filme – ou mesmo quem já o tenha visto – a procurar forma de o (re)ver nos tempos modernos...

12.04.25

NOTA: Este 'post' é respeitante a Sexta-feira, 11 de Abril de 2025.

Os anos 90 estiveram entre as melhores décadas no que toca à produção de filmes de interesse para crianças e jovens. Às sextas, recordamos aqui alguns dos mais marcantes.

Nenhum membro da primeira metade da geração 'millennial' (aquela nascida, maioritariamente, durante a década de 80) e oriundo de um país ocidental necessita de quaisquer explicações quanto ao nível ou à razão da fama de Macaulay Culkin. Dois mega-sucessos de Natal em anos consecutivos – o filme de estreia 'Sozinho em Casa' e a sua primeira sequela – colocaram aquele 'puto' loirinho de sorriso maroto nas 'bocas do Mundo' e projectaram-no para um sucesso que talvez ainda fosse muito novo para gerir, transformando-o naquilo a que a revista Super Jovem chamava, no seu 'número zero', uma 'mini super-star' (e só o facto de uma revista emergente para jovens utilizar 'Mac' como chamariz já diz tudo o que é preciso saber sobre a influência do rapazinho na cultura popular juvenil da altura).

Não é, pois, de surpreender que, após o sucesso dos dois primeiros 'Sozinho em Casa', os produtores de Hollywood procurassem integrar o jovem nos seus projectos, nem tão-pouco que o próprio Culkin quisesse diversificar o seu repertório, fazendo alguns 'desvios' do seu nicho de comédia infantil, o principal dos quais foi o papel dramático e até sádico em 'O Bom Filho', ao lado de outra jovem revelação, Elijah Wood, ele próprio a menos de uma década do mega-estrelato. Mais curioso é perceber que dois desses filmes chegaram às salas de cinema portuguesas lado a lado, exactamente no mesmo dia - há quase exactos trinta anos, a 7 de Abril de 1995  - criando assim uma espécie de 'dose dupla' de 'Mac', que não terá deixado de fazer as delícias dos seus pequenos fãs.

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O primeiro, e mais ambicioso, destes filmes foi 'A Grande Viagem' (título bem mais genérico que o original 'The Pagemaster') que propunha uma arrojada combinação de acção real com animação, ao estilo do que a Disney havia feito, com excelentes resultados, durante os anos 60. À cabeça de um elenco 'de luxo' que inclui Christopher Lloyd, Whoopi Goldberg e dois dos mais emblemáticos tripulantes da nave 'Enterprise' (Patrick Stewart, que à época ainda não se sentara na cadeira de capitão, e Leonard Nimoy, maior ícone d''O Caminho das Estrelas' original) 'Mac' embarca numa viagem através de várias cenas típicas da literatura infanto-juvenil, apresentadas no estilo de animação típico da altura.

Uma abordagem que tinha tudo para agradar ao público jovem...mas, por uma razão ou outra, não agradou. Antes pelo contrário – o falhanço deste filme, juntamente com o de 'Gatos Não Sabem Dançar', de 1997, viria a colocar entraves no departamento de animação da Turner, adiando ou cancelando vários projectos. E se as razões para tal desprezo por parte do público são incertas, a verdade é que o filme pouco faz para se destacar de qualquer outro filme infantil da época, tendo sido largamente ignorado pela 'onda' nostálgica que entretanto tomou conta das redes sociais.

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E se 'A Grande Viagem' é apenas descartável, já o outro filme de Culkin estreado na mesma altura é notável apenas e só por ser a obra que veria Culkin, então com catorze anos, 'reformar-se' como actor infantil, entrando num hiato que viria a durar toda uma década, e que ficou marcado por uma 'espiral' de problemas pessoais por parte do jovem. Falamos de 'Riquinho', adaptação em acção real do desenho animado e banda desenhada do mesmo nome (ambas da Harvey) que vê 'Mac' interpretar o impossivelmente rico personagem principal, em mais uma comédia infantil sem nada de particularmente errado ou entusiasmante, sem grandes estrelas no elenco, e que só é mesmo lembrada por ter sido a 'despedida' de Culkin dos écrãs até à idade adulta, e por trazer o irmão mais novo da mini-estrela, Rory, como a versão de menos idade do personagem principal.

Dois filmes, portanto, que, sem serem obras-primas do cinema infanto-juvenil, ofereciam ainda assim ao seu público o suficiente para manter elevado o interesse na 'jovem estrela' do momento, e terão constituído uma excelente Sessão de Sexta dupla para os fãs do pequeno actor...

08.03.25

NOTA: Este 'post' é respeitante a Sexta-feira, 7 de Março de 2025.

Os anos 90 estiveram entre as melhores décadas no que toca à produção de filmes de interesse para crianças e jovens. Às sextas, recordamos aqui alguns dos mais marcantes.

No panteão das citações de filmes que penetraram e se mantiveram na cultura popular, 'a vida é como uma caixa de chocolates – nunca sabemos o que nos vai sair' figura ao lado de 'eu vejo pessoas mortas' (de 'O Sexto Sentido'), 'eu voltarei' (de 'Exterminador Implacável 2') ou dos famosos monólogos de Samuel L. Jackson em 'Pulp Fiction' ou Marlon Brando em 'O Padrinho' como uma daquelas citações que até o cinéfilo mais distraído saberá identificar. E não é para menos, já que o filme em que figura foi um dos grandes eventos cinematográficos do ano de 1994, tendo inclusivamente arrebatado o Óscar para Melhor Filme na cerimónia do ano seguinte.

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Falamos, claro está, de 'Forrest Gump', um daqueles filmes que terá para sempre lugar cativo numa lista, senão dos melhores filmes dos anos 90, pelo menos dos mais influentes e mediáticos. Isto porque, apesar do sucesso crítico e comercial, o filme continua a dividir opiniões quase tanto quanto um 'Titanic' ou 'A Vida É Bela', com grande parte do público a considerar tratar-se de uma obra-prima, e uma minoria muito mais vocal a apontar os elogios de que é alvo como algo exagerados para aquilo que é, essencialmente, uma comédia romântica com alguns elementos mais 'ousados', mas sem nunca entrar por terrenos sequer adjacentes a um 'American Pie – A Primeira Vez', 'Um Susto de Filme' ou mesmo 'Dez Coisas Que Odeio Em Ti' – todos eles filmes que nunca teriam sequer oportunidade de competir por um Óscar, e ainda menos de ganhar.

Não que 'Forrest Gump' não fosse merecedor das nomeações que conquistou; o filme é tecnicamente bem executado, e Tom Hanks tem uma interpretação de relevo no papel do simplório mas bem intencionado personagem titular, cujas necessidades especiais deixa evidentes, sem que a sua actuação alguma vez pareça insultuosa (à semelhança do que, no ano anterior, fizera Leonardo DiCaprio em 'Gilbert Grape', filme onde roubara a cena ao protagonista Johnny Depp, no papel do seu irmão mais novo). O que torna a experiência ligeiramente mais frustrante e mundana, no entanto, é o facto de o livro em que o filme se baseia, da autoria de Winston Groom e lançado em 1986, trazer uma trama muito mais adequada a uma longa-metragem do que a efectivamente apresentada pelo filme, com Forrest a viver uma série de peripécias adicionais que envolvem viagens ao espaço, cenas de fuga ao lado de Raquel Welch e de um gorila, e estadias sazonais em ilhas do Pacífico habitadas por tribos canibais – todas as quais se traduziriam maravilhosamente para um meio áudio-visual, e, em conjunção com os cuidados aspectos técnicos, teriam tornado o filme numa comédia surreal de 'primeira apanha', por oposição ao romance com leves toques de hmor situacional que Robert Zemeckis efectivamente levou ao grande ecrã.

Ainda assim, talvez essa abordagem tenha mesmo sido a mais apropriada para apelar a uma demografia o mais vasta possível, sendo que os episódios adicionais acima descritos teriam tornado 'Forrest Gump', o filme, numa experiência destinada a um público bem mais 'de nicho'; e a verdade é que, sob essa perspectiva, e para quem não leu o livro, o que de facto se vê ao longo das duas horas constitui um produto muito acima da média para um filme de grande orçamento de meados dos anos 90. Fica a ideia, no entanto, de que, como sucessor da obra-prima 'A Lista de Schindler' nos anais da História dos Óscares – e com 'adversários' como 'Os Condenados de Shawshank', 'Quatro Casamentos e Um Funeral' e o supracitado 'Pulp Fiction' – o filme em si fica um pouco aquém da sua reputação, que lhe valeu inclusivamente a inclusão na biblioteca cinematográfica do Congresso norte-americano, bem como um 'remake' oficial indiano, produzido em Bollywood em 2022. Essas distinções são, no entanto, mais que suficientes para justificar a sua inclusão nesta nossa rubrica sobre os mais memoráveis e influentes filmes de finais do século XX – uma descrição em que, goste-se ou não do facto, 'Forrest Gump' não deixa de encaixar perfeitamente.

03.01.25

Os anos 90 estiveram entre as melhores décadas no que toca à produção de filmes de interesse para crianças e jovens. Às sextas, recordamos aqui alguns dos mais marcantes.

Na última Sessão de Sexta, referimo-nos a 'Os Dias do Fim' como um dos últimos filmes de acção a estrear em 1999, e, por conseguinte, no século XX e no Segundo Milénio; agora, duas semanas depois, recuamos cinco anos no tempo para relembrar o filme que teve a honra de 'fechar', em Portugal, o ano cinéfilo de 1994 (pelo menos em matéria de 'blockbusters) e que comemorou há cerca de dez dias o trigésimo aniversário da sua estreia nas salas de cinema nacionais. E a verdade é que, tal como 'Os Dias do Fim', o filme desta Sexta se saldou como uma desilusão, embora de forma totalmente diferente da película de Arnold Schwarzenegger - e bastante mais notória.

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De facto, enquanto que 'Os Dias do FIm' foi 'apenas' um 'flop' de bilheteira pouco notável para uma estrela de acção oitentista em fase decadente da carreira, 'Street Fighter - A Batalha Final' quase acabou com a carreira já periclitante daquele que talvez seja o 'herói de acção' dos anos 80 e 90 mais próximo de Schwarzenegger - pelo menos em termos geográficos - e é hoje visto tanto como um dos mais famosos filmes 'tão maus que são bons' como como um dos melhores exemplos - a par de 'Super Mário' - de como NÃO converter uma propriedade interactiva para o grande ecrã. E a verdade é que, como no caso de 'Super Mário', do ano anterior, a receita-base tinha tudo para resultar, combinando um dos mais populares jogos de arcada, computador e consola com um dos mais populares actores entre a faixa etária que mais interesse tinha pelo mesmo; o facto de o resultado final quase parecer uma paródia de filmes do seu tipo não pode, portanto, ser considerado menos do que um falhanço em toda a linha por parte da equipa técnica, que parece ter-se esforçado ao máximo para errar em absolutamente TODOS os detalhes do material original.

Senão veja-se: 'Street Fighter - A Batalha Final' traz Jean-Claude Van Damme (um belga de sotaque pronunciado) no papel de Guile, um capitão da Força Aérea NORTE-AMERICANA, com direito a tatuagem da bandeira no braço (que talvez até fosse aceitável como nativo da Luisiana, fosse feita qualquer menção a esse facto no argumento) Chun-Li como repórter (ela que é agente da Interpol no jogo original), E. Honda como seu 'cameraman' (e interpretado por um actor samoano, talvez inspirando-se no Yokozuna da WWF), Dhalsim como cientista ao serviço de M. Bison (no original, é um místico indiano...parecido, mas não idêntico) e o próprio M. Bison como um esqueleto ambulante a bordo de uma cadeira voadora (e interpretado por um Raul Julia terminalmente doente, e que já não assistiria à estreia do filme, deixando assim a 'memética' actuação como temido ditador ASIÁTICO como seu último legado)!! Uma verdadeira 'comédia de erros', que se sobrepõe às poucas escolhas acertadas, como a excelente nomeação de Kylie Minogue para o papel de Cammy (se bem esta seja inglesa, e não australiana...mais uma vez parecido, mas não idêntico) e as acertadas referências visuais para personagens como Vega, Sagat ou Zangief, este utilizado como competente 'alívio cómico', constituindo um dos pontos altos do filme. Mesmo com estes (poucos) pontos positivos, no entanto, não deixa de ser estarrecedor como foi possível aos guionistas e realizador falhar em tão grande escala escala na adaptação do material original.

Raul Julia é responsável por muitos dos momentos mais memoráveis do filme.

Felizmente, pouco depois do lançamento desta desapontante adaptação, os fãs da franquia receberiam a tão desejada 'prenda', sob a forma de 'Street Fighter - O Filme', a magnífica adaptação em anime que é tudo o que 'A Batalha Final' não consegue ser: dinâmico, fiel ao material original e, sobretudo, muito divertido. Quanto à 'bomba' de Van Damme, a mesma é divertida por razões totalmente opostas, mas pouco recomendável a maiores de dez anos (seja nos tempos que correm ou na altura da estreia do filme) ou a quem queira ver uma adaptação genuinamente boa do seu jogo de luta favorito, saldando-se ainda hoje como um dos mais frustrantes e desapontantes filmes dos anos 90, que terá, sem dúvida, 'estragado o Natal' a muitos fãs esperançosos ao 'aterrar' nas salas de cinema dois dias antes da festividade em causa, há quase exactos trinta anos.

22.12.24

NOTA: Este 'post' é respeitante a Sexta-feira, 20 de Dezembro de 2024.

Os anos 90 estiveram entre as melhores décadas no que toca à produção de filmes de interesse para crianças e jovens. Às sextas, recordamos aqui alguns dos mais marcantes.

Os anos 90 foram palco de uma mudança de paradigma no campo do cinema de acção, com os enredos centrados em mercenários em luta com exércitos inimigos ou terroristas, típicos da década anterior, a serem substituídos por um maior influxo de elementos de ficçáo científica, inspirados nos sucessos de 'Exterminador Implacável 2' e, mais tarde, 'Matrix'. E se, eventualmente, este género viria a lançar uma série de novos potenciais heróis de acçáo, a fase inicial do mesmo serviu, ainda, de veículo a nomes da 'velha escola', como Sylvester Stallone, Jean-Claude Van Damme ou o 'Exterminador' em pessoa, Arnold Schwarzenegger. Foi, aliás, este último a ter as honras de 'encerrar' tanto o século XX como o Segundo Milénio, com um filme bem característico da sua época e, pelos critérios do actor, até bastante ambicioso; uma pena, portanto, que o resultado tenha ficado um pouco aquém das expectativas.

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Falamos de 'Os Dias do Fim', película que celebrou há poucos dias os vinte e cinco anos da sua estreia em Portugal (a 17 de Dezembro de 1999) e que vê Arnold travar uma batalha com o próprio Diabo para o impedir de procriar com uma mulher humana e gerar, assim, o Anticristo. Um conceito muito mais sério e sombrio do que os de filmes anteriores do ex-culturista, e que lhe atribui um personagem também ele mais 'humano' e menos perfeito e invencível do que os que normalmente encarnava, que lidava inclusivamente com problemas de alcoolismo. Um veículo mais do que credível, portanto, para a planeada evoluçáo de carreira do actor, que pretendia expandir os seus horizontes enquanto intérprete, e adaptar-se ao novo 'clima' cinematográfico de inícios do Terceiro Milénio.

Infelizmente, consecutivos problemas impediram que 'Os Dias do Fim' atingisse o seu potencial, tendo uma série de bons realizadores optado por declinar o projecto, fosse por outros compromissos (como Guillermo del Toro ou Sam Raimi) fosse por problemas com o guiáo e a produçáo, como foi o caso com Marcus Nispel, e a realizaçáo a acabar por ficar a cargo de Peter Hyams. De igual modo, actores como Tom Cruise, Liv Tyler ou Kate Winslet tiveram de ser 'substituídos' por Schwarzenegger e a futura estrela de televisão, Robin Tunney. E embora o impacto destas mudanças no produto final nunca possa ser contabilizado, a verdade é que a versáo final de 'Os Dias do Fim' teve uma recepçáo extremamente negativa por parte da crítica e do público e foi um relativo fracasso de bilheteira, sendo hoje visto, ironicamente, como o início dos 'dias do fim' da carreira de Arnold Schwarzenegger, a qual entraria em abrupto declínio no Novo Milénio.

Embora ainda apreciado em certos círculos como filme 'tão mau que é bom', 'Os Dias do Fim' é, pois, lembrado hoje em dia sobretudo como aposta falhada, ou 'passo maior do que a perna'; ainda assim, como um dos últimos filmes a estrear em Portugal no Segundo Milénio, o filme merece ainda assim uma homenagem por altura dos vinte e cinco anos da sua estreia nas salas de cinema nacionais.

27.09.24

Os anos 90 estiveram entre as melhores décadas no que toca à produção de filmes de interesse para crianças e jovens. Às sextas, recordamos aqui alguns dos mais marcantes.

De entre os muitos géneros cinematográficos a viver um bom momento nos anos 80 e 90, o cinema de acção talvez seja, a par da animação, aquele que mais e melhores trabalhos viu serem lançados durante o referido período; aquela foi, afinal, a época áurea dos heróis musculados, a realizarem feitos impossíveis sem mais do que um par de arranhões e um penteado ligeiramente desfeito, que constituíam o equivalente da altura aos super-heróis de hoje. A par destes 'nacos de carne' e dos seus respectivos épicos de violência, no entanto, a era em causa via também surgir, no seio do cinema de acção, outro tipo de herói, menos bem preparado para a sua função e, muitas vezes, com uma aura de 'cidadão comum' que apenas tornava as suas façanhas ainda mais impressionantes, do simples polícia Axel Foley de 'O Caça-Polícias' ao John McClain da série 'Assalto'. A essa lista há, ainda, que juntar um personagem com o qual a maioria dos portugueses tomava contacto há quase exactos trinta anos, e cujo filme adquiriria a merecida reputação de clássico 'menor' da acção noventista.

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Falamos de Jack Traven, o especialista em desarme de bombas vivido por Keanu Reeves em 'Speed – Perigo a Alta Velocidade', o grande êxito do 'regresso às aulas' de 1994. Estreado nas salas de cinema lusitanas a 9 de Setembro desse ano, o filme do estreante Jan de Bont (que se viria a tornar um especialista reconhecido do género, responsável por filmes como 'Twister – Tornado', e 'Lara Croft – Tomb Raider', além da sequela do próprio 'Speed') rapidamente se tornava assunto dos primeiros recreios do novo ano lectivo, pela premissa original, ritmo frenético, sonoplastia impressionante (que lhe valeria um Óscar na cerimónia desse ano) e, claro, muitos tiros, explosões e 'malabarismos' diversos, além da presença de dois actores principais então em alta, Reeves (no seu período de transição entre galã adolescente com veia cómica e herói de acção consagrado) e Sandra Bullock, vinda de 'Homem Demolidor' no ano anterior, e prestes a iniciar a fase hegemónica de uma carreira lendária. Juntamente com Dennis Hopper (no papel do vilão, como já sucedera em 'Super Mário') e Jeff Daniels, os dois garantiam um nível de representação mais do que razoável, sobretudo para um filme de acção.

Era no argumento, no entanto, que 'Speed' brilhava. A ideia de um autocarro armadilhado que deve ser mantido a uma determinada velocidade era tão simples quanto criativa, conseguindo manter o espectador de respiração presa ao longo de toda a duração do filme - sobretudo por constituir uma premissa significativamente mais realista do que a da normal película de acção da época – e, embora o resultado final nunca estivesse em dúvida, proporcionar uma experiência cinematográfica entusiasmante e satisfatória. Foi, pois, sem surpresas que o filme rapidamente se tornou um dos dez mais lucrativos de 1994, surgindo em oitavo lugar de uma lista encabeçada pelos titãs 'Forrest Gump' e 'O Rei Leão'; mais surpreendente é, talvez, o facto de 'Speed' continuar a desfrutar de uma boa reputação tanto entre os fãs de filmes de acção como junto da crítica, algo de que poucos filmes da mesma época se podem gabar.

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Este alinhamento de circunstâncias era, claro está, propício à realização de uma sequela, e era com naturalidade que, três anos após o original, os cinéfilos viam chegar às salas 'Speed 2: Perigo a Bordo' (no original, 'Cruise Control'), pronto a ser um dos grandes êxitos veranis de 1997. A verdade, no entanto, é que a premissa da série não resulta da mesma forma quando transposta para um barco (um meio de transporte conhecido pela sua POUCA velocidade) factor que, aliado à substituição pouco feliz de Reeves por Jason Patric, fazia da sequela uma experiência significativamente inferior à do filme original. Nem as presenças de Jan de Bont novamente ao 'leme' (passe o trocadilho), de Bullock novamente como co-heroína, e do sempre competente Willem Dafoe foram suficientes para evitar que 'Speed 2' recebesse duras críticas, tanto da imprensa como dos próprios espectadores, e viesse a merecer um lugar na lista de piores sequelas de sempre, bem como em algumas listas dos piores filmes de acção de sempre.

Felizmente, tanto o realizador como os actores da referida 'bomba' (passe, novamente, o trocadilho) viriam a 'sobreviver' ao desastre, o qual tão-pouco beliscaria a reputação do original como representante de uma nova 'vertente' de filmes de acção, menos 'bombástica' e violenta e mais centrada no 'suspense', a qual viria a grassar durante as duas épocas seguintes, até ser sumariamente 'aniquilada' pelo 'assalto' dos super-heróis, não ao arranha-céus ou ao aeroporto, mas aos grandes ecrãs do Mundo civilizado. Ainda assim, trinta anos volvidos sobre a sua estreia, um filme como 'Speed' serve, quanto mais não seja, como lembrete de que é possível fazer cinema de acção sem heróis musculosos em uniformes justos ou efeitos CGI topo de gama, desde que se exerça alguma criatividade e imaginação...

14.09.24

NOTA: Este 'post' é respeitante a Sexta-feira, 13 de Setembro de 2024.

NOTA: Por motivos de relevância, esta será novamente uma Sessão de Sexta. As Sextas com Style voltarão na próxima semana.

Os anos 90 estiveram entre as melhores décadas no que toca à produção de filmes de interesse para crianças e jovens. Às sextas, recordamos aqui alguns dos mais marcantes.

Um dos muitos elementos definidores da década de 80 no tocante ao cinema foram as séries de filmes de terror que, após um primeiro capítulo bem conseguido e muitas vezes inovador, entraram numa espiral descendente de infinitas sequelas, cada uma pior do que a outra, até darem um 'último suspiro' inglório, ignorados ou ridicularizados pelos mesmos fãs que tão entusiasticamente haviam acolhido o primeiro capítulo. Os exemplos deste paradigma são inúmeros, mas qualquer fã de terror da época imediatamente identificará três franquias que perfeitamente o exemplificam: 'Halloween', 'Pesadelo em Elm Street' e 'Sexta-Feira, 13'. Normalmente agrupadas numa só categoria, pelas suas semelhanças, todas as três séries possuem vilões do mais icónico que o género do terror 'slasher' ofereceu ao cinema, e todas seguiram o padrão descrito no início deste texto, vindo a ter fim já em meados dos anos 90, com filmes variavelmente péssimos, antes de serem 'revitalizadas' com 'reinícios', já no Novo Milénio. E porque esta Sexta-feira calhou, precisamente, num dia 13, nada melhor do que relembrar o único filme de Jason Voorhees produzido nos anos 90.

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Infelizmente, essa memória será, mais do que provavelmente, negativa, já que 'Jason Goes To Hell: The Final Friday' (que não parece ter sido lançado em Portugal, nem mesmo no habitual formato VHS) é universalmente considerado fraquíssimo, ainda pior do que as continuações de 'Halloween' e 'Pesadelo em Elm Street' e ao nível das últimas de 'Hellraiser' – ou seja, recomendado apenas a quem gosta da vertente mais 'noventista' dos filmes de série B de orçamento baixíssimo e feitos às 'três pancadas' para tentar fazer algum dinheiro com o nome a eles associado. Porque é isso, nem mais nem menos, que esta 'Sexta-feira Final' apresenta, com a absurda história sobre Jason Voorhees a possuir o corpo do médico legista que come o seu coração (!!!) a tirar desde logo de cena o icónico vilão (cujo corpo é destruído logo no início do filme) removendo assim o único ponto de interesse para os fãs da série! O que sobra é um 'slasher' vulgar, com enredo absurdo e realização técnica abaixo da média, que nem tão-pouco cumpre a promessa, feita pelo título, de mostrar Jason no Inferno a combater demónios, e que mais parece feito para o mercado do vídeo do que para exibição nas salas de cinema. De facto, sem a lucrativa e chamativa ligação à franquia 'Sexta-Feira 13', o filme de Adam Marcus certamente passaria despercebido – embora tal situação fosse, talvez, mais desejável do que a 'barragem' de críticas negativas (bem merecidas) de que o filme foi, e continua a ser, alvo.

Em suma, a nona (!) parte de 'Sexta-feira 13' constitui um final ainda mais inglório para Jason Voorhees do que os vividos por Freddy Krueger e Michael Myers nas suas franquias; felizmente, todos os três carismáticos assassinos veriam a sua credibilidade reinstaurada com uma série de bons filmes no século XXI – entre eles aquele em que Krueger e Voorhees se enfrentam directamente, num duelo que entusiasmou muitos fãs do género em inícios do século XXI. Quanto ao filme de 1993, o esquecimento é mesmo o destino que mais merece, e ao qual foi votado pelos fãs da franquia 'Sexta-feira 13', e do seu personagem principal.

07.09.24

NOTA: Este 'post' é respeitante a Sexta-feira, 06 de Setembro de 2024.

Os anos 90 estiveram entre as melhores décadas no que toca à produção de filmes de interesse para crianças e jovens. Às sextas, recordamos aqui alguns dos mais marcantes.

Numa era em que os 'remakes' e 'reboots' se contam entre os géneros de filme mais produtivos em Hollywood e não só, e em que todas as maiores propriedades nostálgicas já viram ser-lhes aplicado tal tratamento, não é de admirar que toque a vez a franquias e personagens menos lembrados, ou com estatuto de culto. O mais recente exemplo desta mesma tendência estreou em Portugal há cerca de duas semanas, pouco mais de trinta anos após o original que o inspirou, e ao qual presta homenagem; e visto que tal data recaiu durante o período de férias do Anos 90, nada melhor do que aproveitar esta primeira Sessão após o hiato para recordar, oportunamente, esse primeiro filme, enquanto o seu sucessor ainda se encontra em cartaz nas salas lusitanas.

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Chegado ao nosso País em pleno Verão de 1994 – estreou a 15 de Julho – a primeira adaptação oficial da banda desenhada 'The Crow' trazia um ambiente tudo menos estival, fielmente passado das páginas do material de base para o grande ecrã. Talvez por isso 'O Corvo' tenha rapidamente assumido contornos de culto entre as franjas mais alternativas da sociedade, com especial incidência nos movimentos gótico e 'heavy metal', para quem a estética sombria e narrativa de tendências poéticas eram sobremaneira apelativas.

Uma pena, pois, que a adaptação cinematográfica do 'comic' independente pouco mais tenha para oferecer do que esses mesmos aspectos estéticos. De facto, um desempenho carismático de Brandon Lee (filho de Bruce) no papel do protagonista homónimo não chega a ser suficiente para colmatar o argumento algo superficial, que reduz a relativa profundidade da narrativa da BD a uma simples história de vingança igual a tantas outras. Ainda assim, não faltam ao benjamim do clã Lee oportunidades para se afirmar como a estrela de acção perfeitamente viável que se teria, sob outras circunstâncias, certamente tornado, e o jovem enfrenta com desenvoltura as múltiplas cenas de pancadaria e tiroteios em que o seu personagem se vê envolvido.

E seria, precisamente, no decurso de um desses tiroteios que se daria a tragédia pela qual o filme é hoje, sobretudo, lembrado, quando Brandon foi fatalmente atingido por uma bala verdadeira, por oposição ao simulacro em borracha que deveria ter sido instalado no seu lugar. Uma morte envolta em inevitável controvérsia, e que ceifava o jovem actor aos apenas vinte e oito anos, pondo um ponto final macabro naquela que poderia ter sido uma carreira honrosa, nas passadas do pai, e cuja sombra assola inevitavelmente o filme, sobrepondo-se às criadas pelos artefactos cénicos do filme.

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Apesar da trágica perda do seu actor principal, no entanto, os estúdios de Hollywood não desistiram de adaptar as histórias d''O Corvo'; pelo contrário, o filme daria azo a nada menos do que três sequelas antes de ser refeito e iniciar nova continuidade. A primeira destas, 'O Corvo: Cidade dos Anjos', surgia quase exactamente três anos após o lançamento do original, novamente no Verão – estreou em Portugal a 1 de Agosto de 1997 – e trazia 'mais do mesmo', agora com Vincent Perez no papel do justiceiro. O grande relevo, no entanto, não vai para a estrela principal, e sim para a inusitada presença de Iggy Pop no papel de um dos vilões, a qual acentua ainda mais a ligação entre esta série de filmes e o movimento do rock pesado, do qual Iggy foi um dos pioneiros, como líder da banda The Stooges. Apesar do convidado 'de peso', no entanto, o filme falhou redondamente nas bilheteiras mundiais, tendo sido alvo de críticas manifestamente negativas por parte da imprensa especializada.

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Foi, portanto, com surpresa que os poucos fãs da franquia ainda restantes receberam, em 2001, uma segunda sequela alusiva ao espírito vingador. Chegado a Portugal a 8 de Junho de 2001, 'O Corvo 3: Pena Capital' traz Eric Mabius no papel de Alex Corvis, regressado dos mortos para ilibar o próprio nome num caso de homicídio, ao lado de Kirsten Dunst, então a poucos meses de filmar 'Tudo Por Elas'. Fruto da péssima recepção do filme anterior, esta terceira parte apenas teve direito a exibição limitada nos cinemas, tendo essencialmente sido lançado em formato 'direct-to-video', com orçamento e valores de produção a condizer, e sofrido o mesmo fado da maioria das produções do género, ou seja, o quase total esquecimento.

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Não ficava ainda por aqui, no entanto, a saga d''O Corvo', sendo que sairia ainda uma quarta parte, em 2005, novamente em formato 'direct-to-video', e que, apesar disso, conta com um elenco de luxo. Senão veja-se: em contraste com os anónimos actores do filme anterior (com excepção de Dunst) 'O Corvo: A Reencarnação' conta com a participação de Edward Furlong (de 'Exterminador Implacável 2' e 'América Proibida'), Tara Reid (de 'American Pie: A Primeira Vez'), David Boreanaz (o Angel de 'Buffy, Caçadora de Vampiros'), Dennis Hopper, Danny Trejo, do lutador Tito Ortiz e até da cantora Macy Gray, então 'em alta' entre a demografia-alvo do filme. Talento até demais para uma quarta parte de uma franquia há muito moribunda, e que era, mais uma vez, alvo de enormes críticas por parte da imprensa especializada.

Felizmente, ao contrário de franquias como 'Halloween' ou 'Sexta-Feira, 13', os criadores dos filmes d''O Corvo' souberam onde parar, deixando 'morrer' definitivamente a série antes de a mesma se adentrar ainda mais na espiral descendente em que já se encontrava. O filme de 2024 é, pois, uma oportunidade para 'começar de novo', e voltar a despertar interesse na obra de James O'Barr, a qual – ao contrário do que as suas adaptações cinematográficas poderiam indicar – tem algum mérito artístico, e merece ser conhecida ou relembrada por fãs de banda desenhada de teor obscuro e gótico. Já os filmes podem ser votados ao esquecimento onde já se encontram, sendo o original o único dos quatro digno de uma Sessão de Sexta nostálgica e de cérebro totalmente 'desligado'...

20.07.24

NOTA: Este post é respeitante a Sexta-Feira, 19 de Julho de 2024.

Os anos 90 estiveram entre as melhores décadas no que toca à produção de filmes de interesse para crianças e jovens. Às sextas, recordamos aqui alguns dos mais marcantes.

Já aqui por várias vezes referimos a existência de videojogos licenciados como a grande marca de sucesso de qualquer franquia infanto-juvenil de finais do século XX; no entanto, existe outro indicador, apenas ligeiramente abaixo desse, que denota que uma propriedade intelectual tem tracção junto do público-alvo – o lançamento de um filme de longa-metragem com os seus personagens. As criações de Hanna-Barbera, que viviam, nos anos 90, um surpreendente 'segundo fôlego', não foram diferentes nesse aspecto, tendo a referida década e o início da seguinte visto serem lançados uma série de filmes alusivos aos mais diversos grupos de personagens criados pela dupla em meados do século XX.

De facto, dos principais núcleos saídos da imaginação de William e Joe, apenas um não teve, até à data, direito a adaptação para longa-metragem – a futurista família Jetson. Dos restantes, dois protagonizariam filmes ainda nos anos 90, e outros dois na década seguinte, entre 2000 e 2010. E se estes últimos ficam, já, fora do âmbito deste nosso blog, os dois primeiros merecem ser recordados, por terem sido (de uma forma ou de outra) marcos do cinema infanto-juvenil de finais do século XX. De um deles, falaremos na próxima Sessão de Sexta, que sairá dias antes de se comemorar o trigésimo aniversário do seu lançamento em Portugal; este post será, pois, dedicado a relembrar o outro, que atingiu há cerca de três semanas esse mesmo marco. E por, nessa altura, termos escolhido falar de 'Libertem Willy', outro clássico do cinema infantil da época, nada melhor do que celebrarmos agora, ainda que tardiamente, essa efeméride – ainda que, à altura do seu lançamento, o referido filme se tenha revelado largamente desapontante.

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Até mesmo o cartaz prometia algo que os fãs queriam ver, mas que ficava muito longe do que o filme apresentava.

Isto porque 'Tom e Jerry: O Filme' (que chegava às salas portuguesas a 1 de Julho de 1994, com quase dois anos de atraso sobre os seus EUA natais, num dos piores casos de 'décalage' cultural da época) cometia o erro simples, honesto, mas irreparável de tentar ser aquilo que não era, e que ninguém queria que fosse – nomeadamente, um típico filme infantil, com a clássica estrutura criada e implementada pela Walt Disney. De facto, ao pensar num filme protagonizado pelo gato e rato mais famosos da televisão (e ainda com a popularidade em alta, graças à repetição dos episódios clássicos nos diversos canais abertos e de TV Cabo portugueses, e de séries como 'Tom and Jerry Kids') a maioria dos fãs imaginaria uma hora e meia de caos, numa espécie de versão alargada das velhas curtas dos anos 40 e 50, por oposição a um filme em que Tom e Jerry falam (!), travam amizade (!!) e defendem uma jovem orfã de parentes malvados (!!!).

Sim, 'Tom e Jerry: O Filme' pouco mais é do que uma versão mal disfarçada do primeiro filme de Bernardo e Bianca (à época já com duas décadas de vida) que revela um total e perfeitamente estarrecedor desconhecimento da dupla de personagens sobre a qual supostamente se centra, e que, precisamente por esse facto, não logrou convencer o jovem público, que antecipava humor violento e pastelão – uma premissa que talvez não 'segurasse' um filme de noventa minutos, mas que poderia ser utilizada para, pelo menos, ancorar uma história característica da dupla e coerente com as suas aventuras passadas, talvez com Tom a ter de proteger a casa onde ambos vivem, ou de percorrer a cidade para evitar uma situação lesante para a sua pessoa. Estes são apenas dois dos muitos argumentos que se poderiam criar em torno de Tom e Jerry sem os descaracterizar completamente, e sem ter de recorrer a mais palavras do que as poucas ocasionalmente proferidas por Tom – dois factores que, inevitavelmente, teriam resultado num muito melhor filme do que o apresentado pela Hanna-Barbera. Pior – a primeira cena do filme apresenta precisamente aquilo que os fãs esperavam, elevando-lhes as expectativas com uma clássica (e hilariante) perseguição para depois os defraudar apresentando algo totalmente incaracterístico.

Em suma, apesar da boa animação e do orçamento razoável para a época, 'Tom e Jerry: O Filme' dá um gigantesco 'tiro no pé', conseguindo algo que parecia quase impossível: desperdiçar a premissa fácil e lucrativa de um filme centrado na dupla titular. Por esse motivo, e ao contrário da maioria dos filmes que passam nestas nossas Sessões, o mesmo apenas deve ser mostrado às novas gerações como exemplo do que NÃO fazer ao criar um filme licenciado, dado por pais que ainda lembram vivamente a desilusão que sentiram ao sair do cinema naquele Verão de 1994. Para esse efeito, fica abaixo o 'link' para o filme completo, em versão original; vejam por vossa própria conta e risco...

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