27.07.25
NOTA: Este 'post' é respeitante a Sexta-feira, 27 de Julho de 2025.
Os anos 90 estiveram entre as melhores décadas no que toca à produção de filmes de interesse para crianças e jovens. Às sextas, recordamos aqui alguns dos mais marcantes.
As sequelas e os 'remakes' de filmes de sucesso estão longe de ser novidade no Mundo movido a dinheiro de Hollywood. Menos comum, no entanto, é ver dois exemplos deste tipo de filme estrearem no mesmo fim de semana - e, no entanto, foi precisamente essa a situação verificada nos dias anteriores à data de edição deste 'post', que viram chegar aos cinemas uma nova tentativa de retratar o 'Quarteto Fantástico', e à Netflix uma continuação de 'O Demónio do Golfe', um dos maiores sucessos da filmografia de Adam Sandler. Nada melhor, pois, do que recordar neste 'post' os antecessores de ambos os filmes produzidos durante os anos 90, os quais tiveram destinos diametralmente opostos.

Começando pelo 'Quarteto Fantástico' de Roger Corman, o filme de 1994 é, hoje em dia, infame entre cinéfilos fãs de banda desenhada de super-heróis. Isto porque a película – exibida uma única vez no cinema, na Alemanha, e surgida na Internet mais de um quarto de século após a sua produção – foi feita, apenas e tão somente, para que Corman pudesse reter os direitos sobre a franquia, não tendo o realizador qualquer intenção de levar o material às salas de cinema, ou mesmo ao circuito 'directo a vídeo'. Talvez resida aí a explicação para a falta de cuidados técnicos evidenciada em cada cena do filme – com particular expressão nos efeitos práticos – e para a escolha de actores desconhecidos para viverem tanto os quatro heróis como o seu inimigo Dr. Destino, personagem icónica para os leitores das BD originais.
A verdade, no entanto, é que, apesar destas falhas técnicas, o filme é bastante fiel ao material idealizado por Stan Lee, conseguindo capturar as personalidades dos membros do Quarteto (embora nem tanto a de Destino) e mostrando mesmo laivos de querer ser algo mais do que um esquema de evasão fiscal. Os actores, que desconheciam as verdadeiras intenções de Corman, têm também actuações passáveis no contexto de um filme de 'Série B', deixando a ideia que, com alguma dedicação e empenho, este pudesse ter sido um filme menor, mas de culto, entre os fãs de 'quadradinhos'.

Num patamar diametralmente oposto está o filme de Sandler, não só lançado oficialmente em cinema (curiosamente, ao contrário da sequela) como considerado um dos grandes clássicos de Adam Sandler, um daqueles actores cujo estilo divide opiniões, mas não deixa ainda assim de encontrar o seu público-alvo. Nesta tentativa de parodiar o mais que batido formato das comédias desportivas (no caso com o golfe como modalidade de eleição) o seu habitual personagem simplório revela-se um 'génio' no tocante a colocar bolas brancas em buracos na relva, embarcando no habitual percurso delineado em filmes deste tipo, ao qual nem sequer falta um rival ciumento e sem escrúpulos que o herói deve derrotar no último buraco de um jogo para poder levar para casa o prémio e salvar a casa da sua avó.
Uma paródia declarada e descarada, portanto, mas ainda imbuída da sinceridade que diferenciava os primeiros filmes de Sandler dos que viria a realizar no auge da sua fama, tornando-o uma boa aposta para quem conseguir lidar com o tipo de actuação e situações típicas da obra do actor, ambas as quais se encontram em grande evidência neste filme. Já a sequela parece reunir menos consenso, podendo vir a tornar-se rapidamente 'apenas mais um' dos muitos filmes exclusivos para a Netflix lançados a cada ano – o que não invalida que, tal como no caso de 'Quarteto Fantástico', dediquemos algumas linhas ao seu antecessor, esse sim (e ao contrário do filme de Roger Corman) um verdadeiro clássico do seu estilo.


















