11.01.26
NOTA: Este 'post' é respeitante a Sexta-feira, 9 de Janeiro de 2025.
Os anos 90 estiveram entre as melhores décadas no que toca à produção de filmes de interesse para crianças e jovens. Às sextas, recordamos aqui alguns dos mais marcantes.
O final dos anos 90 e, sobretudo, a década seguinte viram ter lugar uma mudança significativa na natureza dos chamados 'blockbusters', isto é, os filmes que ancoravam cada 'temporada' cinematográfica. Enquanto que os primeiros anos dos 'noventas' traziam ainda uma continuidade da década anterior, com aventuras de família 'Spielbergianas' como 'Parque Jurássico', 'Hook' ou 'Jumanji', e filmes de acção explosiva com Arnold Schwarzenegger ou Sylvester Stallone a dominar cada novo ciclo, no último terço da década observava-se já uma transição para 'blockbusters' mais virados para géneros como a ficção científica, o terror, a comédia desbragada ou, como no caso do filme ora em análise, a comédia de acção com energia inversamente proporcional à inteligência.
De facto, os anos a partir de 1997 representaram o ocaso dos heróis ultramusculados que haviam inspirado 'mini-culturistas' durante os quinze anos anteriores, em favor de filmes protagonizados por personagens bastante mais próximas do 'normal' em termos de poderio físico, e cujo principal atractivo era a combinação de esperteza e 'desenrascanço' com uma beleza e carisma quase impossíveis de encontrar no comum dos mortais. Era a era de Ethan Hunt (ainda hoje em 'actividade', com o seu último filme a datar do ano passado) Lara Croft, Dom Toretto e do trio de que falamos neste 'post', e que fez a sua entrada 'explosiva' nas salas de cinema portuguesas no início da época natalícia de 2000 – os 'Anjos de Charlie'.

De facto, era a 24 de Novembro do primeiro ano do século XXI que as versões actualizadas das personagens surgidas na televisão americana na década de 70 surgiam pela primeira vez nos grandes ecrãs nacionais, a tempo de 'apaixonar' toda uma geração de adolescentes entusiastas dos filmes de acção. Isto porque as 'sex symbol' da série original – Farrah Fawcett, Kate Jackson e Jaclyn Smith – eram substituídas 'à altura' por Cameron Diaz, Lucy Liu e Drew Barrymore, três das principais 'beldades' Hollywoodianas da época (com Diaz, em particular, a surgir aqui no 'pico de forma'), devidamente acompanhadas por Bill Murray no papel do ajudante Bosley, o qual ajudava a dar um toque cómico à trama de acção e espionagem. Do elenco 'de luxo' faziam ainda parte John Forsythe, Sam Rockwell, Tim Curry, Kelly Lynch, Matt LeBlanc, Luke Wilson e Tom Green, num verdadeiro 'quem é quem' de ídolos adolescentes da época, que ajudava a 'empurrar' um filme que, a nível de história, não passava dos 'mínimos olímpicos' para justificar as sequências de acção e os inúmeros disfarces envergados pelos três 'Anjos'.
De facto, se há mérito a dar ao realizador McG (que se viria a tornar famoso não só pelo pseudónimo ridículo mas também por filmes como este) é o de saber manter o espírito da série original nesta adaptação para o grande ecrã. Tal como naquele caso, a intenção declarada é 'seduzir' o público-alvo, apresentando-lhe as três protagonistas numa série de vestimentas sensuais em meio às explosões e tiros, numa receita que não podia deixar de agradar à demografia a que o filme se destinava. Para quem gostava dessa combinação, a película era um prato cheio; quem procurava algo mais, no entanto, estaria a gastar o seu tempo e dinheiro ao escolher este filme.
Felizmente, o primeiro grupo era vasto o suficiente para tornar o filme um sucesso e justificar uma sequela, três anos depois, com ainda mais cenas dos 'Anjos' em biquíni ou disfarces 'sexy' e ainda menos história (além de cinco minutos de Shia LeBoeuf, ainda na sua fase de 'miúdo inocente', pré-Transformers, e de Bernie Mac como o 'novo' Bosley) bem como uma adaptação interactiva para PlayStation 2 e GameCube, universalmente considerada como um dos exemplos mais negativos a nível de jogos de acção licenciados. E ainda que o legado cinematográfico e cultural dos 'Anjos' se ficasse por aqui, pouco mais de vinte e cinco anos após a sua estreia, o primeiro filme é, ainda, lembrado por toda uma geração que, então em idade adolescente e numa era em que a Internet tinha bastante menos expressão, encontrava nele uma forma de, ao mesmo tempo, admirar três actrizes incrivelmente atraentes e desfrutar da sua 'dose recomendada' de tiros e explosões, numa fórmula que encapsulava na perfeição aquilo que viriam a ser os 'blockbusters' de acção das décadas seguintes.














