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Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

14.12.25

NOTA: Este 'post' é respeitante a Sexta-feira, 12 de Dezembro de 2025.

Os anos 90 estiveram entre as melhores décadas no que toca à produção de filmes de interesse para crianças e jovens. Às sextas, recordamos aqui alguns dos mais marcantes.

Já aqui numa outra ocasião falámos de um fim-de-semana em que, no espaço de dois dias, em dois anos separados, estrearam em Portugal vários filmes que formariam parte da nostalgia cultural da geração 'millennial'; agora, chega a altura de recordar o dia, há exactos vinte e cinco anos, em que se passou algo de semelhante, ainda que de forma algo mais 'extremada'. Isto porque os dois filmes chegados às salas de cinema portuguesas no dia 14 de Dezembro de 2000 tinham interesse para os pólos diametralmente opostos da demografia nascida entre inícios dos anos 80 e meados dos 90, com um deles a ser mais relevante para a parcela mais jovem da mesma, e o outro para a mais 'colada' à Geração X, além de para os próprios elementos da mesma.

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No primeiro caso inseria-se 'Pokémon 2: O Poder Único' (mais conhecido como 'Pokémonn 2000'), o segundo filme baseado no icónico 'anime' baseado no mega-sucesso da Nintendo, então ainda a gozar os dividendos dos jogos lançados dois anos antes para o Game Boy original (bem como da posterior 'Edição Amarela') enquanto os fãs esperavam ansiosamente pela saída da 'segunda geração', daí a alguns meses, já em exclusivo para o sucessor Game Boy Color. Nos entrementes, os muitos entusiastas da franquia podiam ficar a conhecer um dos novos Pokémon: Lugia, o plesiossauro que ajuda os heróis a salvar os três pássaros lendários (Zapdos, Moltres e Articuno) das mãos de um coleccionador mal intencionado. Nada que sequer beliscasse o impacto do primeiro filme (onde era revelado o segredo do famoso 'Pokémon número 151', MewTwo) mas ainda assim entusiasmante para os pequenos 'Pokémaníacos', sobretudo pela oportunidade de ver pela primeira vez um dos novos espécimes que integrariam os futuros 'Gold' e 'Silver'.

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Já o segundo filme de que falaremos nesta Sessão de Sexta tinha interesse por motivos totalmente distintos – nomeadamente, por trazer uma das 'musas' do cinema de então naquele que talvez fosse o seu 'pico' de forma, e num dos seus papéis mais icónicos. De facto, 'Sedutora Endiabrada' sabia qual o seu ponto forte, e não procurava 'vender-se' como mais nada que não uma comédia vagamente erótica que servia de 'desculpa' para ver Elizabeth Hurley numa série de roupas sensuais, do icónico biquíni vermelho-carmim a vestidos, fatos de vinil, 'blazers' ou uniformes de 'menina da escola' e chefe de claque. Como coadjuvante, a estonteante morena tinha um Brendan Fraser cujo habitual ar esgazeado, desta vez, talvez não fosse totalmente representado, e que serve bem o seu propósito como o 'totó' que a diaba de Hurley utiliza como 'brinquedo' privativo – embora, claro, tudo acabe em bem, com o personagem de Fraser a aprender uma importante lição e a conseguir, finalmente, encontrar a felicidade. Um filme que, naturalmente, se viria a tornar também um 'clássico' do mercado de vídeo e DVD, e que terá feito parte da adolescência de muitos portugueses (e não só) de uma certa idade.

Em suma, dois filmes quase exactamente opostos a nível de conceito, proposta, motivos de interesse e demografia-alvo, mas que não deixaram, ambos, de integrar a consciência colectiva (e, mais tarde, nostálgica) da 'sua' geração, justificando portanto esta recordação 'colectiva', no fim-de-semana em que se completa um quarto de século sobre a sua estreia em Portugal.

15.11.25

NOTA: Este 'post' é respeitante a Sexta-feira, 14 de Novembro de 2025.

Os anos 90 estiveram entre as melhores décadas no que toca à produção de filmes de interesse para crianças e jovens. Às sextas, recordamos aqui alguns dos mais marcantes.

A par de nomes como Quentin Tarantino, Danny Boyle e Edgar Wright, o inglês Guy Ritchie faz parte de uma restrita lista de cineastas modernos capazes de conjugar na perfeição acção frenética, personagens carismáticos e diálogos 'impagáveis', produzindo filmes de acção 'inteligentes' de primeira categoria – no caso de Ritchie, especificamente incluídos na categoria de 'thrillers' com mafiosos londrinos como protagonistas. E se o seu primeiro filme, do qual já aqui falámos, colocou o inglês no 'radar' de muitos cinéfilos, seria a obra seguinte que verdadeiramente o consagraria como parte da 'nata' do cinema de autor moderno, tornando-se ao mesmo tempo um clássico de culto entre fãs do estilo de filme que produz. E com razão, já que 'Snatch – Porcos e Diamantes' talvez represente mesmo a cristalização perfeita de uma obra deste género.

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Prestes a completar um quarto de século sobre a sua estreia em Portugal – a 17 de Novembro de 2000 – o segundo filme de Ritchie mistura os seus típicos 'gangsters' com a versão britânica do povo cigano (constituída não pelos 'romani' bem conhecidos dos portugueses, mas sobretudo pelos chamados 'itinerantes irlandeses') numa trama suscitada, como o nome indica, por um diamante, o qual se perde na sequência de várias peripécias. Junte-se a isto uma segunda linha narrativa sobre um promotor de boxe e um campeão amador da modalidade que é também chefe dos ciganos (interpretado por um Brad Pitt 'acabadinho de sair' do não menos icónico 'Clube de Combate', e que aqui surge com um impagável sotaque irlandês) e estão reunidos os ingredientes para uma 'mistura explosiva' bem ao estilo de Ritchie, em que tudo não tarda a 'descambar' em cenas de acção e tiros, sempre apimentadas com muito sarcasmo, e o tipo de situações semi-cómicas que já ajudavam a distinguir o primeiro filme do realizador da 'maralha'.

A diferença para essa obra é que, em 'Snatch', tudo é ainda mais bem feito, já sem as hesitações típicas de um realizador de 'primeira viagem', substituídas pela 'mão segura' de quem sabe o que quer e como o atingir. O resultado é um filme de visualização ainda mais obrigatória do que 'Um Mal Nunca Vem Só', que pode e deve ser revisitado aquando de uma Sessão de Sexta, numa altura em que se celebram os exactos vinte e cinco anos da sua chegada às salas de cinema nacionais.

27.07.25

NOTA: Este 'post' é respeitante a Sexta-feira, 27 de Julho de 2025.

Os anos 90 estiveram entre as melhores décadas no que toca à produção de filmes de interesse para crianças e jovens. Às sextas, recordamos aqui alguns dos mais marcantes.

As sequelas e os 'remakes' de filmes de sucesso estão longe de ser novidade no Mundo movido a dinheiro de Hollywood. Menos comum, no entanto, é ver dois exemplos deste tipo de filme estrearem no mesmo fim de semana - e, no entanto, foi precisamente essa a situação verificada nos dias anteriores à data de edição deste 'post', que viram chegar aos cinemas uma nova tentativa de retratar o 'Quarteto Fantástico', e à Netflix uma continuação de 'O Demónio do Golfe', um dos maiores sucessos da filmografia de Adam Sandler. Nada melhor, pois, do que recordar neste 'post' os antecessores de ambos os filmes produzidos durante os anos 90, os quais tiveram destinos diametralmente opostos.

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Começando pelo 'Quarteto Fantástico' de Roger Corman, o filme de 1994 é, hoje em dia, infame entre cinéfilos fãs de banda desenhada de super-heróis. Isto porque a película – exibida uma única vez no cinema, na Alemanha, e surgida na Internet mais de um quarto de século após a sua produção – foi feita, apenas e tão somente, para que Corman pudesse reter os direitos sobre a franquia, não tendo o realizador qualquer intenção de levar o material às salas de cinema, ou mesmo ao circuito 'directo a vídeo'. Talvez resida aí a explicação para a falta de cuidados técnicos evidenciada em cada cena do filme – com particular expressão nos efeitos práticos – e para a escolha de actores desconhecidos para viverem tanto os quatro heróis como o seu inimigo Dr. Destino, personagem icónica para os leitores das BD originais.

A verdade, no entanto, é que, apesar destas falhas técnicas, o filme é bastante fiel ao material idealizado por Stan Lee, conseguindo capturar as personalidades dos membros do Quarteto (embora nem tanto a de Destino) e mostrando mesmo laivos de querer ser algo mais do que um esquema de evasão fiscal. Os actores, que desconheciam as verdadeiras intenções de Corman, têm também actuações passáveis no contexto de um filme de 'Série B', deixando a ideia que, com alguma dedicação e empenho, este pudesse ter sido um filme menor, mas de culto, entre os fãs de 'quadradinhos'.

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Num patamar diametralmente oposto está o filme de Sandler, não só lançado oficialmente em cinema (curiosamente, ao contrário da sequela) como considerado um dos grandes clássicos de Adam Sandler, um daqueles actores cujo estilo divide opiniões, mas não deixa ainda assim de encontrar o seu público-alvo. Nesta tentativa de parodiar o mais que batido formato das comédias desportivas (no caso com o golfe como modalidade de eleição) o seu habitual personagem simplório revela-se um 'génio' no tocante a colocar bolas brancas em buracos na relva, embarcando no habitual percurso delineado em filmes deste tipo, ao qual nem sequer falta um rival ciumento e sem escrúpulos que o herói deve derrotar no último buraco de um jogo para poder levar para casa o prémio e salvar a casa da sua avó.

Uma paródia declarada e descarada, portanto, mas ainda imbuída da sinceridade que diferenciava os primeiros filmes de Sandler dos que viria a realizar no auge da sua fama, tornando-o uma boa aposta para quem conseguir lidar com o tipo de actuação e situações típicas da obra do actor, ambas as quais se encontram em grande evidência neste filme. Já a sequela parece reunir menos consenso, podendo vir a tornar-se rapidamente 'apenas mais um' dos muitos filmes exclusivos para a Netflix lançados a cada ano – o que não invalida que, tal como no caso de 'Quarteto Fantástico', dediquemos algumas linhas ao seu antecessor, esse sim (e ao contrário do filme de Roger Corman) um verdadeiro clássico do seu estilo.

21.06.25

NOTA: Este 'post' é respeitante a Sexta-feira, 20 de Junho de 2025.

Os anos 90 estiveram entre as melhores décadas no que toca à produção de filmes de interesse para crianças e jovens. Às sextas, recordamos aqui alguns dos mais marcantes.

O início dos anos 90 viram ter lugar uma mudança de paradigma no tocante ao produto cinematográfico de Hollywood, em mais do que uma vertente. Para além das mudanças na apresentação e estética dos filmes considerados 'blockbusters', assistiu-se também a um influxo de realizadores estrangeiros – nomeadamente asiáticos e europeus – que trouxeram consigo as influências do cinema dos seus respectivos países e regiões, incorporando nos seus filmes elementos estilísticos e temáticos a que os espectadores norte-americanos não estavam necessariamente habituados, e estabelecendo assim uma reputação como criadores de 'cinema de autor' que, ao mesmo tempo, conseguia ser bem aceite pelas massas. E se John Woo e seus comparsas se centravam sobretudo no estilo, com recurso à câmara lenta e inclusão de simbologia visual, o contingente europeu preferia destacar-se pela inclusão de temáticas humanistas e filosóficas naquilo que, regra geral, seria apenas 'mais um' filme de acção ou suspense. Um dos melhores exemplos desta abordagem estreou nas salas de cinema nacionais há pouco mais de trinta anos (a 28 de Abril de 1995) e granjeou imediatamente o estatuto de obra de culto para amantes de 'thrillers' mais cerebrais e menos imediatistas.

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Falamos de 'Léon – O Profissional', o 'thriller' responsável por lançar em Hollywood não só os seus dois actores principais – o francês Jean Reno e uma jovem Natalie Portman, para quem este era o primeiro papel cinematográfico – como também o seu realizador, Luc Besson, que rapidamente ficaria conhecido como um dos melhores 'balanceadores' de estilo e conteúdo do período em causa. E a verdade é que essas qualidades ficam bem vincadas neste filme, que, apesar de longe dos excessos visuais de 'O Quinto Elemento' e outros filmes do realizador, tem um estilo visual próprio, que complementa uma trama centrada, não em tiros e cenas de acção, mas no relacionamento do titular assassino a soldo com a menina que resgata após a morte dos pais – um elemento que Reno e, sobretudo, Portman (em extraordinária actuação para uma criança de apenas 13 anos e sem qualquer experiência no ramo) conseguem transmitir de forma exímia, dando ao filme um 'centro' emocional que muitas outras obras do estilo nunca chegam a almejar.

Não admira, pois, que 'Léon – O Profissional' seja ainda hoje alvo de elogios por parte da crítica especializada, e conste das listas de favoritos de muitos cinéfilos (nacionais e não só) com preferência por filmes com alguma 'substância' a ancorar os momentos de emoção e acção. Mais – nas três décadas subsequentes, o filme quase não 'envelheceu', quer do ponto de vista visual quer a nível do enredo e temáticas, continuando a constituir uma excelente base para uma Sessão de Sexta, e a justificar algumas breves linhas a seu respeito neste nosso 'blog' nostálgico.

03.01.25

Os anos 90 estiveram entre as melhores décadas no que toca à produção de filmes de interesse para crianças e jovens. Às sextas, recordamos aqui alguns dos mais marcantes.

Na última Sessão de Sexta, referimo-nos a 'Os Dias do Fim' como um dos últimos filmes de acção a estrear em 1999, e, por conseguinte, no século XX e no Segundo Milénio; agora, duas semanas depois, recuamos cinco anos no tempo para relembrar o filme que teve a honra de 'fechar', em Portugal, o ano cinéfilo de 1994 (pelo menos em matéria de 'blockbusters) e que comemorou há cerca de dez dias o trigésimo aniversário da sua estreia nas salas de cinema nacionais. E a verdade é que, tal como 'Os Dias do Fim', o filme desta Sexta se saldou como uma desilusão, embora de forma totalmente diferente da película de Arnold Schwarzenegger - e bastante mais notória.

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De facto, enquanto que 'Os Dias do FIm' foi 'apenas' um 'flop' de bilheteira pouco notável para uma estrela de acção oitentista em fase decadente da carreira, 'Street Fighter - A Batalha Final' quase acabou com a carreira já periclitante daquele que talvez seja o 'herói de acção' dos anos 80 e 90 mais próximo de Schwarzenegger - pelo menos em termos geográficos - e é hoje visto tanto como um dos mais famosos filmes 'tão maus que são bons' como como um dos melhores exemplos - a par de 'Super Mário' - de como NÃO converter uma propriedade interactiva para o grande ecrã. E a verdade é que, como no caso de 'Super Mário', do ano anterior, a receita-base tinha tudo para resultar, combinando um dos mais populares jogos de arcada, computador e consola com um dos mais populares actores entre a faixa etária que mais interesse tinha pelo mesmo; o facto de o resultado final quase parecer uma paródia de filmes do seu tipo não pode, portanto, ser considerado menos do que um falhanço em toda a linha por parte da equipa técnica, que parece ter-se esforçado ao máximo para errar em absolutamente TODOS os detalhes do material original.

Senão veja-se: 'Street Fighter - A Batalha Final' traz Jean-Claude Van Damme (um belga de sotaque pronunciado) no papel de Guile, um capitão da Força Aérea NORTE-AMERICANA, com direito a tatuagem da bandeira no braço (que talvez até fosse aceitável como nativo da Luisiana, fosse feita qualquer menção a esse facto no argumento) Chun-Li como repórter (ela que é agente da Interpol no jogo original), E. Honda como seu 'cameraman' (e interpretado por um actor samoano, talvez inspirando-se no Yokozuna da WWF), Dhalsim como cientista ao serviço de M. Bison (no original, é um místico indiano...parecido, mas não idêntico) e o próprio M. Bison como um esqueleto ambulante a bordo de uma cadeira voadora (e interpretado por um Raul Julia terminalmente doente, e que já não assistiria à estreia do filme, deixando assim a 'memética' actuação como temido ditador ASIÁTICO como seu último legado)!! Uma verdadeira 'comédia de erros', que se sobrepõe às poucas escolhas acertadas, como a excelente nomeação de Kylie Minogue para o papel de Cammy (se bem esta seja inglesa, e não australiana...mais uma vez parecido, mas não idêntico) e as acertadas referências visuais para personagens como Vega, Sagat ou Zangief, este utilizado como competente 'alívio cómico', constituindo um dos pontos altos do filme. Mesmo com estes (poucos) pontos positivos, no entanto, não deixa de ser estarrecedor como foi possível aos guionistas e realizador falhar em tão grande escala escala na adaptação do material original.

Raul Julia é responsável por muitos dos momentos mais memoráveis do filme.

Felizmente, pouco depois do lançamento desta desapontante adaptação, os fãs da franquia receberiam a tão desejada 'prenda', sob a forma de 'Street Fighter - O Filme', a magnífica adaptação em anime que é tudo o que 'A Batalha Final' não consegue ser: dinâmico, fiel ao material original e, sobretudo, muito divertido. Quanto à 'bomba' de Van Damme, a mesma é divertida por razões totalmente opostas, mas pouco recomendável a maiores de dez anos (seja nos tempos que correm ou na altura da estreia do filme) ou a quem queira ver uma adaptação genuinamente boa do seu jogo de luta favorito, saldando-se ainda hoje como um dos mais frustrantes e desapontantes filmes dos anos 90, que terá, sem dúvida, 'estragado o Natal' a muitos fãs esperançosos ao 'aterrar' nas salas de cinema dois dias antes da festividade em causa, há quase exactos trinta anos.

22.12.24

NOTA: Este 'post' é respeitante a Sexta-feira, 20 de Dezembro de 2024.

Os anos 90 estiveram entre as melhores décadas no que toca à produção de filmes de interesse para crianças e jovens. Às sextas, recordamos aqui alguns dos mais marcantes.

Os anos 90 foram palco de uma mudança de paradigma no campo do cinema de acção, com os enredos centrados em mercenários em luta com exércitos inimigos ou terroristas, típicos da década anterior, a serem substituídos por um maior influxo de elementos de ficçáo científica, inspirados nos sucessos de 'Exterminador Implacável 2' e, mais tarde, 'Matrix'. E se, eventualmente, este género viria a lançar uma série de novos potenciais heróis de acçáo, a fase inicial do mesmo serviu, ainda, de veículo a nomes da 'velha escola', como Sylvester Stallone, Jean-Claude Van Damme ou o 'Exterminador' em pessoa, Arnold Schwarzenegger. Foi, aliás, este último a ter as honras de 'encerrar' tanto o século XX como o Segundo Milénio, com um filme bem característico da sua época e, pelos critérios do actor, até bastante ambicioso; uma pena, portanto, que o resultado tenha ficado um pouco aquém das expectativas.

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Falamos de 'Os Dias do Fim', película que celebrou há poucos dias os vinte e cinco anos da sua estreia em Portugal (a 17 de Dezembro de 1999) e que vê Arnold travar uma batalha com o próprio Diabo para o impedir de procriar com uma mulher humana e gerar, assim, o Anticristo. Um conceito muito mais sério e sombrio do que os de filmes anteriores do ex-culturista, e que lhe atribui um personagem também ele mais 'humano' e menos perfeito e invencível do que os que normalmente encarnava, que lidava inclusivamente com problemas de alcoolismo. Um veículo mais do que credível, portanto, para a planeada evoluçáo de carreira do actor, que pretendia expandir os seus horizontes enquanto intérprete, e adaptar-se ao novo 'clima' cinematográfico de inícios do Terceiro Milénio.

Infelizmente, consecutivos problemas impediram que 'Os Dias do Fim' atingisse o seu potencial, tendo uma série de bons realizadores optado por declinar o projecto, fosse por outros compromissos (como Guillermo del Toro ou Sam Raimi) fosse por problemas com o guiáo e a produçáo, como foi o caso com Marcus Nispel, e a realizaçáo a acabar por ficar a cargo de Peter Hyams. De igual modo, actores como Tom Cruise, Liv Tyler ou Kate Winslet tiveram de ser 'substituídos' por Schwarzenegger e a futura estrela de televisão, Robin Tunney. E embora o impacto destas mudanças no produto final nunca possa ser contabilizado, a verdade é que a versáo final de 'Os Dias do Fim' teve uma recepçáo extremamente negativa por parte da crítica e do público e foi um relativo fracasso de bilheteira, sendo hoje visto, ironicamente, como o início dos 'dias do fim' da carreira de Arnold Schwarzenegger, a qual entraria em abrupto declínio no Novo Milénio.

Embora ainda apreciado em certos círculos como filme 'tão mau que é bom', 'Os Dias do Fim' é, pois, lembrado hoje em dia sobretudo como aposta falhada, ou 'passo maior do que a perna'; ainda assim, como um dos últimos filmes a estrear em Portugal no Segundo Milénio, o filme merece ainda assim uma homenagem por altura dos vinte e cinco anos da sua estreia nas salas de cinema nacionais.

27.09.24

Os anos 90 estiveram entre as melhores décadas no que toca à produção de filmes de interesse para crianças e jovens. Às sextas, recordamos aqui alguns dos mais marcantes.

De entre os muitos géneros cinematográficos a viver um bom momento nos anos 80 e 90, o cinema de acção talvez seja, a par da animação, aquele que mais e melhores trabalhos viu serem lançados durante o referido período; aquela foi, afinal, a época áurea dos heróis musculados, a realizarem feitos impossíveis sem mais do que um par de arranhões e um penteado ligeiramente desfeito, que constituíam o equivalente da altura aos super-heróis de hoje. A par destes 'nacos de carne' e dos seus respectivos épicos de violência, no entanto, a era em causa via também surgir, no seio do cinema de acção, outro tipo de herói, menos bem preparado para a sua função e, muitas vezes, com uma aura de 'cidadão comum' que apenas tornava as suas façanhas ainda mais impressionantes, do simples polícia Axel Foley de 'O Caça-Polícias' ao John McClain da série 'Assalto'. A essa lista há, ainda, que juntar um personagem com o qual a maioria dos portugueses tomava contacto há quase exactos trinta anos, e cujo filme adquiriria a merecida reputação de clássico 'menor' da acção noventista.

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Falamos de Jack Traven, o especialista em desarme de bombas vivido por Keanu Reeves em 'Speed – Perigo a Alta Velocidade', o grande êxito do 'regresso às aulas' de 1994. Estreado nas salas de cinema lusitanas a 9 de Setembro desse ano, o filme do estreante Jan de Bont (que se viria a tornar um especialista reconhecido do género, responsável por filmes como 'Twister – Tornado', e 'Lara Croft – Tomb Raider', além da sequela do próprio 'Speed') rapidamente se tornava assunto dos primeiros recreios do novo ano lectivo, pela premissa original, ritmo frenético, sonoplastia impressionante (que lhe valeria um Óscar na cerimónia desse ano) e, claro, muitos tiros, explosões e 'malabarismos' diversos, além da presença de dois actores principais então em alta, Reeves (no seu período de transição entre galã adolescente com veia cómica e herói de acção consagrado) e Sandra Bullock, vinda de 'Homem Demolidor' no ano anterior, e prestes a iniciar a fase hegemónica de uma carreira lendária. Juntamente com Dennis Hopper (no papel do vilão, como já sucedera em 'Super Mário') e Jeff Daniels, os dois garantiam um nível de representação mais do que razoável, sobretudo para um filme de acção.

Era no argumento, no entanto, que 'Speed' brilhava. A ideia de um autocarro armadilhado que deve ser mantido a uma determinada velocidade era tão simples quanto criativa, conseguindo manter o espectador de respiração presa ao longo de toda a duração do filme - sobretudo por constituir uma premissa significativamente mais realista do que a da normal película de acção da época – e, embora o resultado final nunca estivesse em dúvida, proporcionar uma experiência cinematográfica entusiasmante e satisfatória. Foi, pois, sem surpresas que o filme rapidamente se tornou um dos dez mais lucrativos de 1994, surgindo em oitavo lugar de uma lista encabeçada pelos titãs 'Forrest Gump' e 'O Rei Leão'; mais surpreendente é, talvez, o facto de 'Speed' continuar a desfrutar de uma boa reputação tanto entre os fãs de filmes de acção como junto da crítica, algo de que poucos filmes da mesma época se podem gabar.

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Este alinhamento de circunstâncias era, claro está, propício à realização de uma sequela, e era com naturalidade que, três anos após o original, os cinéfilos viam chegar às salas 'Speed 2: Perigo a Bordo' (no original, 'Cruise Control'), pronto a ser um dos grandes êxitos veranis de 1997. A verdade, no entanto, é que a premissa da série não resulta da mesma forma quando transposta para um barco (um meio de transporte conhecido pela sua POUCA velocidade) factor que, aliado à substituição pouco feliz de Reeves por Jason Patric, fazia da sequela uma experiência significativamente inferior à do filme original. Nem as presenças de Jan de Bont novamente ao 'leme' (passe o trocadilho), de Bullock novamente como co-heroína, e do sempre competente Willem Dafoe foram suficientes para evitar que 'Speed 2' recebesse duras críticas, tanto da imprensa como dos próprios espectadores, e viesse a merecer um lugar na lista de piores sequelas de sempre, bem como em algumas listas dos piores filmes de acção de sempre.

Felizmente, tanto o realizador como os actores da referida 'bomba' (passe, novamente, o trocadilho) viriam a 'sobreviver' ao desastre, o qual tão-pouco beliscaria a reputação do original como representante de uma nova 'vertente' de filmes de acção, menos 'bombástica' e violenta e mais centrada no 'suspense', a qual viria a grassar durante as duas épocas seguintes, até ser sumariamente 'aniquilada' pelo 'assalto' dos super-heróis, não ao arranha-céus ou ao aeroporto, mas aos grandes ecrãs do Mundo civilizado. Ainda assim, trinta anos volvidos sobre a sua estreia, um filme como 'Speed' serve, quanto mais não seja, como lembrete de que é possível fazer cinema de acção sem heróis musculosos em uniformes justos ou efeitos CGI topo de gama, desde que se exerça alguma criatividade e imaginação...

07.09.24

NOTA: Este 'post' é respeitante a Sexta-feira, 06 de Setembro de 2024.

Os anos 90 estiveram entre as melhores décadas no que toca à produção de filmes de interesse para crianças e jovens. Às sextas, recordamos aqui alguns dos mais marcantes.

Numa era em que os 'remakes' e 'reboots' se contam entre os géneros de filme mais produtivos em Hollywood e não só, e em que todas as maiores propriedades nostálgicas já viram ser-lhes aplicado tal tratamento, não é de admirar que toque a vez a franquias e personagens menos lembrados, ou com estatuto de culto. O mais recente exemplo desta mesma tendência estreou em Portugal há cerca de duas semanas, pouco mais de trinta anos após o original que o inspirou, e ao qual presta homenagem; e visto que tal data recaiu durante o período de férias do Anos 90, nada melhor do que aproveitar esta primeira Sessão após o hiato para recordar, oportunamente, esse primeiro filme, enquanto o seu sucessor ainda se encontra em cartaz nas salas lusitanas.

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Chegado ao nosso País em pleno Verão de 1994 – estreou a 15 de Julho – a primeira adaptação oficial da banda desenhada 'The Crow' trazia um ambiente tudo menos estival, fielmente passado das páginas do material de base para o grande ecrã. Talvez por isso 'O Corvo' tenha rapidamente assumido contornos de culto entre as franjas mais alternativas da sociedade, com especial incidência nos movimentos gótico e 'heavy metal', para quem a estética sombria e narrativa de tendências poéticas eram sobremaneira apelativas.

Uma pena, pois, que a adaptação cinematográfica do 'comic' independente pouco mais tenha para oferecer do que esses mesmos aspectos estéticos. De facto, um desempenho carismático de Brandon Lee (filho de Bruce) no papel do protagonista homónimo não chega a ser suficiente para colmatar o argumento algo superficial, que reduz a relativa profundidade da narrativa da BD a uma simples história de vingança igual a tantas outras. Ainda assim, não faltam ao benjamim do clã Lee oportunidades para se afirmar como a estrela de acção perfeitamente viável que se teria, sob outras circunstâncias, certamente tornado, e o jovem enfrenta com desenvoltura as múltiplas cenas de pancadaria e tiroteios em que o seu personagem se vê envolvido.

E seria, precisamente, no decurso de um desses tiroteios que se daria a tragédia pela qual o filme é hoje, sobretudo, lembrado, quando Brandon foi fatalmente atingido por uma bala verdadeira, por oposição ao simulacro em borracha que deveria ter sido instalado no seu lugar. Uma morte envolta em inevitável controvérsia, e que ceifava o jovem actor aos apenas vinte e oito anos, pondo um ponto final macabro naquela que poderia ter sido uma carreira honrosa, nas passadas do pai, e cuja sombra assola inevitavelmente o filme, sobrepondo-se às criadas pelos artefactos cénicos do filme.

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Apesar da trágica perda do seu actor principal, no entanto, os estúdios de Hollywood não desistiram de adaptar as histórias d''O Corvo'; pelo contrário, o filme daria azo a nada menos do que três sequelas antes de ser refeito e iniciar nova continuidade. A primeira destas, 'O Corvo: Cidade dos Anjos', surgia quase exactamente três anos após o lançamento do original, novamente no Verão – estreou em Portugal a 1 de Agosto de 1997 – e trazia 'mais do mesmo', agora com Vincent Perez no papel do justiceiro. O grande relevo, no entanto, não vai para a estrela principal, e sim para a inusitada presença de Iggy Pop no papel de um dos vilões, a qual acentua ainda mais a ligação entre esta série de filmes e o movimento do rock pesado, do qual Iggy foi um dos pioneiros, como líder da banda The Stooges. Apesar do convidado 'de peso', no entanto, o filme falhou redondamente nas bilheteiras mundiais, tendo sido alvo de críticas manifestamente negativas por parte da imprensa especializada.

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Foi, portanto, com surpresa que os poucos fãs da franquia ainda restantes receberam, em 2001, uma segunda sequela alusiva ao espírito vingador. Chegado a Portugal a 8 de Junho de 2001, 'O Corvo 3: Pena Capital' traz Eric Mabius no papel de Alex Corvis, regressado dos mortos para ilibar o próprio nome num caso de homicídio, ao lado de Kirsten Dunst, então a poucos meses de filmar 'Tudo Por Elas'. Fruto da péssima recepção do filme anterior, esta terceira parte apenas teve direito a exibição limitada nos cinemas, tendo essencialmente sido lançado em formato 'direct-to-video', com orçamento e valores de produção a condizer, e sofrido o mesmo fado da maioria das produções do género, ou seja, o quase total esquecimento.

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Não ficava ainda por aqui, no entanto, a saga d''O Corvo', sendo que sairia ainda uma quarta parte, em 2005, novamente em formato 'direct-to-video', e que, apesar disso, conta com um elenco de luxo. Senão veja-se: em contraste com os anónimos actores do filme anterior (com excepção de Dunst) 'O Corvo: A Reencarnação' conta com a participação de Edward Furlong (de 'Exterminador Implacável 2' e 'América Proibida'), Tara Reid (de 'American Pie: A Primeira Vez'), David Boreanaz (o Angel de 'Buffy, Caçadora de Vampiros'), Dennis Hopper, Danny Trejo, do lutador Tito Ortiz e até da cantora Macy Gray, então 'em alta' entre a demografia-alvo do filme. Talento até demais para uma quarta parte de uma franquia há muito moribunda, e que era, mais uma vez, alvo de enormes críticas por parte da imprensa especializada.

Felizmente, ao contrário de franquias como 'Halloween' ou 'Sexta-Feira, 13', os criadores dos filmes d''O Corvo' souberam onde parar, deixando 'morrer' definitivamente a série antes de a mesma se adentrar ainda mais na espiral descendente em que já se encontrava. O filme de 2024 é, pois, uma oportunidade para 'começar de novo', e voltar a despertar interesse na obra de James O'Barr, a qual – ao contrário do que as suas adaptações cinematográficas poderiam indicar – tem algum mérito artístico, e merece ser conhecida ou relembrada por fãs de banda desenhada de teor obscuro e gótico. Já os filmes podem ser votados ao esquecimento onde já se encontram, sendo o original o único dos quatro digno de uma Sessão de Sexta nostálgica e de cérebro totalmente 'desligado'...

19.04.24

Os anos 90 estiveram entre as melhores décadas no que toca à produção de filmes de interesse para crianças e jovens. Às sextas, recordamos aqui alguns dos mais marcantes.

A mistura cinematográfica de acção e aventura com toques de humor e romance foi, desde o início da História da Sétima Arte, uma das mais populares combinações entre o grande público, um paradigma que se mantém até aos dias de hoje – ou não fosse esta a fórmula-padrão para qualquer 'blockbuster' de super-heróis ou ficção científica lançado nos últimos quinze anos. Apesar deste apelo perene, no entanto, o género sofre, como qualquer outro, de 'altos e baixos' de popularidade, e o final dos anos 90 representava um dos períodos 'baixos'. O dealbar da era mais 'futurista', 'extrema' e 'radical' da História da humanidade não tinha lugar para aventuras 'à moda antiga', e a maioria dos filmes mais populares da época iam, propositadamente, na direcção contrária, apresentando estéticas sombrias e heróis sorumbáticos e sem grande apetência para interacções sociais, e menos ainda para ligações românticas - e os que não iam ou se traduziam em, na melhor das hipóteses, entradas menores nas respectivas franquias, ou, na pior, lendários 'flops' . Em meio a este paradigma, no entanto, um filme tentou 'resgatar' o clássico 'cocktail' que produzira, em décadas anteriores, mega-sucessos como a trilogia 'Indiana Jones', e acabou por dar início a, não uma, mas duas franquias distintas em décadas subsequentes.

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Falamos de 'A Múmia', um 'remake' do filme com o mesmo nome lançado pela icónica Hammer em 1932 protagonizado por Brendan Fraser e Rachel Weisz que chegava às salas de cinema portuguesas há quase exactos vinte e cinco anos, a 16 de Abril de 1999 – curiosamente, duas semanas antes da sua estreia em solo norte-americano – e cuja toada ao estilo comédia de acção imediatamente captava o interesse da 'geração Matrix', que crescera a ver a trilogia original de Lucas e Spielberg na televisão, e acolhia de bom grado uma actualização da fórmula 'incrementada' pelos novos recursos tecnológicos. E a verdade é que o primeiro capítulo da nova franquia excedia expectativas, conseguindo 'acertar' tanto no tom leve mas intenso que caracterizara as aventuras de Indy, como também na estética 'anos 30' e até na química do par romântico, que transcende o ecrã, e que apenas se viria a destacar ainda mais na sequela. De facto, só as interpretações de Fraser e Weisz fazem com que valha a pena 'gastar' duas horas de uma noite de final de semana com o filme, ou, melhor ainda, fazer uma Sessão de Sexta dupla com a sua igualmente divertida sequela; no entanto, há muito mais do que gostar nesta nova encarnação d''A Múmia', das paisagens desérticas de Marrocos aos efeitos especiais da lendária Industrial Light & Magic, de George Lucas, passando pela trilha sonora do não menos famoso Jerry Goldsmith.

Dado o envolvimento de todos estes nomes, e a boa recepção de que gozou por todo o mundo aquando da estreia, não é de admirar que este primeiro filme da franquia tenha rapidamente tido direito a uma sequela, com o óbvio título de 'A Múmia Regressa' lançada já no Novo Milénio, e que, apesar da duvidosa adição ao elenco de personagens de um 'puto esperto' – um dos piores personagens-tipo do cinema moderno – e do infame efeito especial durante a batalha climática com o Rei Escorpião (sim, esse mesmo), consegue manter e a até superar o nível do primeiro filme, afirmando-se como um dos melhores 'filmes de família' de inícios do século XXI, e valendo bem a visualização ao lado do seu antecessor.

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Talvez o legado mais importante da sequela, no entanto, tenha sido a personagem do referido Rei Escorpião, interpretada por um lutador da WWF à época acabado de se lançar na carreira cinematográfica, e de quem ninguém esperava mais do que o fraco nível atingido por antecessores como Hulk Hogan – um tal de Dwayne Johnson, conhecido como 'The Rock', e que, em 2002, daria vida à encarnação anterior do Rei Escorpião, um guerreiro residente num mundo de 'espadas e sandálias' puramente fantástico, a remeter às velhas aventuras de Conan, o Bárbaro.

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Este filme, por sua vez, faria tal sucesso entre o público-alvo que se transformaria, ele próprio, no ponto de partida de uma franquia, que renderia nada menos do que mais quatro filmes, embora todos já sem o contributo de 'The Rock', que seria substituído por uma sucessão de lutadores da UFC com talentos dramáticos consideravelmente mais limitados. Escusado será dizer que as restantes aventuras do Rei Escorpião são tão fracas como qualquer outra continuação de baixo orçamento destinada ao mercado do vídeo e DVD, merecendo bem o esquecimento a que são hoje em dia votadas; o mesmo, no entanto, não se pode dizer do original, um filme de aventura familiar 'tão mau que é bom', e que fará certamente as delícias de um público jovem e pouco exigente.

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'A Múmia', essa, voltaria apenas mais uma vez na presente encarnação - já depois de muitos imitadores terem, sem sucesso, tentado ocupar o seu trono nos anos subsequentes - numa aventura que via Jet Li juntar-se a Fraser e Maria Bello (que substituía Weisz), no papel do Imperador Dragão, o novo vilão que o casal deve combater. Apesar de perfeitamente aceitável, no entanto, o nível desta segunda continuação ficava bastante aquém do dos originais, sendo o filme bastante 'esquecido' (porque pouco memorável) e tendo, inadvertidamente, lançado a franquia para um limbo de vários anos, do qual só um 'desastre' encabeçado por Tom Cruise a retiraria – e para muito pior...

Apesar deste desaire, no entanto, os primórdios da franquia continuam a constituir excelentes comédias de acção de índole familiar - os chamados 'filmes de família' de molde clássico – tendo sido responsáveis pela ressurreição, qual múmia do Antigo Egipto, de um género que se julgava morto e enterrado, mas que estes filmes vieram provar ainda ter 'pernas para andar' no panorama cinematográfico da viragem de Milénio. Quanto mais não seja por isso, os filmes de Stephen Sommers merecem ser recordados (e elogiados) por alturas do vigésimo-quinto aniversário da estreia do original...

08.03.24

Os anos 90 estiveram entre as melhores décadas no que toca à produção de filmes de interesse para crianças e jovens. Às sextas, recordamos aqui alguns dos mais marcantes.

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Há quase exactos trinta anos, no fim-de-semana de 18, 19 e 20 de Fevereiro de 1994, dois filmes completamente distintos dividiam as atenções do público cinéfilo português; e se os mais velhos ou eruditos gravitavam naturalmente para 'Filadélfia', drama que versava sobre assuntos relevantes e importantes, bem veiculados por excelentes interpretações de Tom Hanks e Denzel Washington, para os mais novos ou 'descompromissados' a atracção principal era mesmo a terceira parte de uma das muitas franquias de acção e ficção científica 'herdadas' dos anos 80, que marcava o regresso aos écrãs nacionais de um dos ciborgues mais famosos da História do cinema – e, dada a boa recepção de que os dois primeiros filmes alusivos ao mesmo tinham sido alvo aquando da sua estreia, era natural que esta nova película fosse, também, aguardada com enorme entusiasmo.

De facto, o 'RoboCop' original, de 1987, ainda hoje goza do estatuto (merecido) de clássico da ficção científica oitentista, louvado por conseguir 'disfarçar' uma mensagem sobre a condição humana e a substituição de mão-de-obra por maquinaria de filme de 'acção científica', cheio de tiros e frases de efeito, como era apanágio da época, e 'fazer milagres' com um orçamento relativamente baixo. O sucesso imediato e considerável não podia, evidentemente, deixar de dar azo a uma sequela (lançada já nos primeiros meses da nova década, e estreada em Portugal em Novembro de 1990) de orçamento e pretensões filosóficas significativamente reduzidas (a ênfase era agora posta nos tiros e cenas de acção) mas que constituía, ainda assim, uma divertida proposta dentro do seu campo, perfeita para uma ida ao cinema ou 'sessão da tarde' de fim-de-semana descontraída e despretensiosa. 'RoboCop 3 – Fora da Lei' apenas precisava, portanto, de oferecer 'mais do mesmo', e o sucesso de bilheteira estaria quase garantido, tal era a força do nome da franquia no mercado cinematográfico.

E se é verdade que o terceiro filme consegue atingir esse objectivo, também não deixa de ser justo dizer que o mesmo fica alguns furos abaixo dos seus dois sucessores, como reflecte a opinião da crítica especializada, tanto da altura como dos dias de hoje. Comparativamente ao inflexível original e mesmo à algo mais simplista segunda parte, 'RoboCop 3' afirmava-se como um filme consideravelmente mais sanitizado e, simultaneamente, menos inteligente – uma combinação ainda piorada pela ausência de Peter Weller (icónico no papel do humano por baixo da armadura), substituído pelo desconhecido Robert Burke. Para agravar ainda mais a situação, o orçamento para filmagens foi ainda mais reduzido que o de 'RoboCop 2', tendo o projecto sido realizado meramente como tentativa de evitar a falência da produtora e distribuidora Orion Pictures – missão na qual falhou redondamente, tendo sido um falhanço de bilheteira não só nos EUA como um pouco por todo o Mundo, e contando hoje em dia com uma classificação média de apenas 9% (sim, NOVE POR CENTO!) no 'site' agregador de críticas especializadas Rotten Tomatoes.

Ainda assim, e de alguma forma, a franquia 'RoboCop' conseguiu sobreviver a esta verdadeira 'bomba' durante tempo suficiente para dar azo a não uma, mas duas séries televisivas (em 1994 e 2001), ambas as quais vêem o polícia-ciborgue lutar não só contra outros robôs futuristas, mas também contra as restrições de orçamento e argumento típicas de produções televisivas. Apesar de praticamente irrelevantes, ambas estas séries (mais tarde lançadas em alguns países como 'filmes', contidos num único DVD estilo '4 em 1') conseguiram ainda assim manter RoboCop suficientemente relevante no seio da cultura popular para que se justificasse um 'reinício' da franquia, com um inevitável 'remake' dirigido por Fernando Meirelles em 2014. O generalizado insucesso dessa tentativa de regresso (em contraste absoluto com o 'renascimento', no mesmo período, de outro polícia futurista, o Juiz Dredd) deverá, no entanto, ter ditado o fim de RoboCop como personagem cinematográfica relevante, relegando-o à condição de 'relíquia' de décadas passadas e deixando-o longe dos tempos em que, num fim-de-semana de Fevereiro de 1994, tinha feito toda uma geração de crianças e jovens portugueses antecipar o que previam vir a ser uma experiência inesquecível numa sala de cinema, a acompanhar as peripécias do polícia-robô...

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