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Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

11.09.21

NOTA: Este post corresponde a Sexta-feira, 10 de Setembro de 2021.

Os anos 90 estiveram entre as melhores décadas no que toca à produção de filmes de interesse para crianças e jovens. Às sextas, recordamos aqui alguns dos mais marcantes.

Embora os portugueses nascidos nos anos 70, 80 e 90 tenham experienciado um sem-número de filmes marcantes durante a sua infância e adolescência, poucos destes foram feitos dentro de portas. O cinema português tem, desde há muito, a reputação de ser ‘chato’ e algo pretensioso, características que nunca agradaram ao público mais jovem, pelo que não se afigura de todo surpreendente que o português médio que tenha vivido a infância durante aqueles anos não consiga nomear sequer um filme nacional que tenham visto durante esse período.

Mesmo entre aqueles que se lembram, a escolha será, por força, limitada – tirando aqueles filmes ‘importantes’ que éramos mais ou menos obrigados a ver, fosse na escola ou em casa, talvez o único título verdadeiramente memorável seja aquele de que se fala no post de hoje, até por ser explicitamente dirigido a um público juvenil.

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Trata-se de ‘Zona J’, um telefilme de 1998 produzido pela SIC, e que viria a arrecadar dois Globos de Ouro na cerimónia promovida pela estação de Carnaxide no ano seguinte - e, interesses à parte, pode dizer-se que esses prémios até foram bem merecidos. De facto, com o seu argumento socialmente engajado, centrado sobre um bairro problemático (no caso, a Zona homónima de Lisboa) e os adolescentes que nele procuram, bem ou mal, sobreviver, o filme afirma-se como um precursor português de ‘Cidade de Deus’, a mega-popular película de 2002 ambientada nas favelas brasileiras – ou, se preferirmos, como um sucessor do também popular ‘La Haine’, de 1995, que tratava da mesma temática, mas em relação aos bairros de banlieue franceses. Junte-se a essa temática de interesse directo para os jovens o facto de o filme ter passado na SIC – à época, talvez a mais popular das estações de televisão portuguesas – e não é de admirar que, se houver um filme de que os jovens portugueses da altura verdadeiramente se lembrem, seja este.

Mais – a longevidade do filme não se ficou por aquele período de sensivelmente um ano entre a estreia e a premiação nos Globos de Ouro; isto porque o mesmo seria incluído, já no século e milénio seguintes, na também icónica ‘Série Y’, a colecção de filmes mais ou menos ‘artsy’ lançada pelo jornal Público e que apresentou a muitos jovens filmes de culto, que de outra forma talvez não vissem. Um desses filmes foi, precisamente, ‘Zona J’, que voltou assim a ganhar exposição, salvando-se do esquecimento a que a maioria dos filmes portugueses, e particularmente os telefilmes, costumam ficar votados.

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Capa do lançamento em DVD do filme promovido pelo jornal 'Público'

Se merece ou não essa distinção, quase um quarto de século após o seu lançamento, fica ao critério de cada um – aliás, vejam o filme completo abaixo e tirem as vossas próprias conclusões. Independentemente das opiniões, no entanto, a verdade é que o filme de Leonel Vieira conseguiu conquistar o seu espaço no panteão do cinema português, e, por se tratar um produto nacional de inegável relevância e pertinência para os jovens portugueses daquele tempo, merece bem a chamada nas páginas deste blog…

 

 

30.07.21

NOTA: Este post corresponde a Sexta-feira, 2 de Julho de 2021.

Os anos 90 estiveram entre as melhores décadas no que toca à produção de filmes de interesse para crianças e jovens. Às sextas, recordamos aqui alguns dos mais marcantes.

Corria o ano de 1999. A histeria sobre o chamado ‘Millennium Bug’ estava ao rubro, e toda a gente estava preparade para ficar sem computadores às doze badaladas da meia-noite do 1 de Janeiro seguinte (embora ninguém soubesse ao certo em que fuso horário é que a maldição se aplicaria.) 2021 era o future longínquo, e ninguém fazia ideia de como e quanto o Mundo estaria a ponto de mudar, no espaço de pouco mais de dois anos.

Era este o panorama, não só em Portugal como um pouco por toda a sociedade ocidental, quando um dos maiores filmes-evento daquela década – e da seguinte – chegava aos cinemas. Com estreia em Portugal na última Primavera do século XX, esta co-produção australiana e norte-americana trazia como cabeça de cartaz o enigmático Keanu Reeves, tão conhecido pelos seus dotes cómicos na duologia ‘Bill e Ted’, como pelo seu convincente desempenho como herói de acção em ‘Speed – Velocidade Terminal’ ou o seu trabalho com realizadores de enorme renome, como Francis Ford Coppolla ou Bernardo Bertolucci. Neste novo filme, que se inseria no campo da ficção científica, era-lhe pedido que encarnasse uma variação do habitual ‘Escolhido’ – um programador informático que descobre que o Mundo em que vive é uma ilusão, que a verdadeira realidade se encontra ameaçada, e que só ele a pode salvar…

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Falamos, é claro, de ‘Matrix’, um filme revolucionário à época e que, desde então, se instalou confortavelmente no seio da cultura ‘pop’ contemporânea; tanto assim que os seus momentos mais marcantes e memoráveis – o contorcionismo em câmara lenta, a câmara rotativa com ‘freeze frame’ incluído, as pílulas vermelha e azul, a exclamação ‘Whoa’ – informaram desde referências em filmes de comédia como ‘Shrek’, até técnicas de filmagem em filmes mais do que sérios, como ‘O Tigre e o Dragão’, e mesmo nomes de comunicades cibernéticas de ideologia duvidosa, como The Red Pill. Por meio a toda esta influência e omnipresença, no entanto, há um factor que tende a ser esquecido: Matrix era, na verdade, um excelente filme, que merece em pleno a notabilidade que obteve.

A cena original de câmara lenta de 'Matrix', e as muitas homenagens que inspirou

De facto, antes de as sequelas e outras adendas à mitologia da série a estragarem completamente, 'Matrix' era uma das propriedades intelectuais mais entusiasmantes daquele final de século. Toda a gente tinha visto, toda a gente comentava, e toda a gente aguardava com impaciência as anunciadas sequelas, que trariam o Anderson de Reeves já plenamente integrado na sua nova identidade como Neo, salvador da sociedade distópica em que agora reside. Como infelizmente se viria a constatar, tal entusiasmo era infundado; à altura da estreia do ‘Matrix’ original, no entanto, ninguém o poderia adivinhar, sendo a qualidade do primeiro filme mais do que justificativa do ‘hype’ que se gerara - e do qual Portugal não ficava, de todo, isento.

Efectivamente, quem era da idade certa para ter interesse neste blog certamente se lembrará da excitação causada pelo anúncio de ‘Matrix’, e da reacção entusiástica ao filme propriamente dito. Na era pré-‘Ameaça Fantasma’, ‘Senhor dos Anéis’ e ‘Harry Potter’, e dez anos antes da formação oficial do ‘Universo Cinematográfico Marvel’, ‘Matrix’ era o maior evento cinematográfico entre a juventude desde ‘A Máscara’, senão mesmo ‘Parque Jurássico’. E o melhor era que, conforme indicado, esse estatuto era mais que merecido. De facto, recomenda-se que quem não tenha visto o filme desde essa altura experimente revisitá-lo; certamente não deixará de se surpreender com o quão bem o mesmo envelheceu nas mais de duas décadas desde a estreia. De facto, a surpresa pode ser tal que vos leve mesmo a exclamar...

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17.07.21

NOTA: Este post corresponde a Sexta-feira, 16 de Julho de 2021.

Os anos 90 estiveram entre as melhores décadas no que toca à produção de filmes de interesse para crianças e jovens. Às sextas, recordamos aqui alguns dos mais marcantes.

 

E porque esta semana marca a estreia da sequela de Space Jam - com LeBron James no lugar do seu homólogo dos anos 90, Michael Jordan – nada melhor do que dedicar algumas linhas a recordar o original, estreado há quase exactamente vinte e cinco anos (em Novembro de 1996) e que conseguiu a proeza de se manter popular e relevante desde essa altura, justificando o investimento numa sequela, mesmo tantos anos depois.

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Essa popularidade continuada é – pelo menos para a geração que era da idade certa aquando da estreia do filme – bastante fácil de explicar; afinal, só quem viveu aquele momento da História consegue perceber o quão atrativa era a ideia de ter Michael Jordan e Bugs Bunny a contracenar no mesmo filme. Aquela que foi a primeira ‘mega-estrela’ do basquetebol norte-americano estava em plena alta de popularidade, graças às suas inacreditáveis exibições ao comando da ‘Dream Team’ dos Bulls e da Selecção Nacional norte-americana, enquanto o líder dos Looney Tunes é daquelas figuras perpetuamente populares entre os fãs de desenhos animados, muito graças às frequentes repetições das suas clássicas ‘curtas’ em canais de televisão por esse Mundo fora; assim, juntar os dois numa mesma produção tinha tudo para dar certo. E deu.

A história de Space Jam é, objectivamente, algo parva; uma raça de ‘aliens’ pretende raptar os Looney Tunes para os usar como atracção principal no seu parque de diversões espacial, e a ‘troupe’ animada decide confundi-los, apostando a sua liberdade num jogo de basquete, um conceito perfeitamente desconhecido para os pequenos seres espaciais (os quais não primam pela proeza física, assemelhando-se, mais do que nada, a pequenas lagartas de olhos grandes.) Um plano que teria tudo para dar certo – não fora o facto de os extraterrestres conseguirem roubar os talentos de alguns dos principais jogadores da NBA, com os quais se transformam em literais ‘monstros de esteròides’, bem maiores e mais poderosos do que os Tunes. A última esperança para Bugs Bunny e companhia – aqui aumentada com a adição da recém-chegada ‘craque’ e futura namorada de Bugs, Lola Bunny - reside, pois, numa ex-super-estrela do desporto, a qual se havia retirado do basquete para se dedicar ao beisebol – Michael Jordan, claro. Um rapto bem 'animado’ mais tarde, o prodígio dos Chicago Bulls vê-se convertido em capitão da auto-intitulada TuneSquad, e envolvido num desafio em que, por uma vez na sua carreira, não é favorito…

Uma premissa algo tola, portanto, e que serve, mais que nada, de pretexto para juntar as duas ‘estrelas’ do filme – bem como vários dos mais conhecidos jogadores da NBA à época, de Muggsy Bogues a Charles Barkley, Patrick Ewing, Shawn Bradley e Larry Johnson, os quais alinham numa bem-humorada sátira ao seu próprio estatuto, fingindo ter perdido as suas habilidades e ‘desaprendido’ a jogar basquetebol. ‘Space Jam’ conta, ainda, com Bill Murray, Theresa Randle e Wayne Knight em papéis de apoio, dando ao filme um elenco de luxo, bem acima do que seria expectável para uma produção deste tipo.

A intenção de criar algo que respeitasse o público-alvo não se fica, no entanto, pelo elenco e interpretações; apesar do argumento algo tonto, o filme conta com uma excelente banda sonora (a começar pelo tema-título, e passando pelo entretanto infame ‘I Believe I Can Fly’, de R. Kelly) e tem o cuidado de retratar os Looney Tunes exactamente como os conhecemos, sem quaisquer concessões ao politicamente correcto – tirando, talvez, o facto de Bugs Bunny nunca se vestir de mulher. De resto, e apesar do novo ‘look’ assistido por CGI, a turma animada aparece igual a si própria, com muitas ‘gags’ absurdas (incluindo uma no famoso lance final do jogo decisivo) e literalmente explosivas, assegurando que – ao contrário do infame filme de Tom e Jerry, lançado alguns anos antes – quem conhecesse os Looney Tunes não sairia defraudado do cinema.

As cenas de jogo contêm muitas das melhores 'gags' do filme

O resultado foi, previsivelmente, um sucesso de bilheteira, que reavivou o interesse nos Looney Tunes, e justificou o lançamento de vários novos produtos alusivos a Bugs e companhia, agora, previsivelmente, com o seu novo ‘look’ e equipados à basquetebol; entre os mais memoráveis encontravam-se um jogo para PlayStation (basicamente um 'NBA Jam', mas com os Looney Tunes no lugar dos jogadores cabeçudos) e o relançamento, em formato VHS, de vários episódios clássicos de cada um dos principais personagens, com uma nova dobragem em português, sob a denominação ‘Estrelas do Space Jam’.

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Um volume da colecção 'Estrelas do Space Jam', focada no personagem de Marvin, o Marciano

Nada de muito surpreendente – não fosse o facto de o ‘merchandise’ alusivo ao filme ter continuado a vender (e bem) durante as duas décadas seguintes (ainda em 2018-2019, o Primark lançava uma t-shirt alusiva ao filme, destinada a um público-alvo que mal era nascido quando o filme estreou!) Um caso de popularidade apenas explicável pelo facto de este filme aparentemente menor ter sido passado de irmãos para irmãos e de pais para filhos, beneficiando da nostalgia prevalente pela década de 1990 para se manter ‘nas bocas do povo’.

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T-shirt alusiva ao filme, lançada pela Primark mais de uma década após a estreia do mesmo

Seja qual for o motivo por detrás da intemporalidade de um filme que, teoricamente, só funcionaria no contexto específico em que foi lançado, a verdade é que ‘Space Jam’ a merece – por muito que a Internet queira fazer dele ‘bombo de festa’, a verdade é que se continua a tratar de uma excelente obra para toda a família, com muita diversão, momentos memoráveis, uma boa mensagem, e aquele tipo de violência animada que nunca sai de moda, por muito politicamente correcto que o Mundo se torne. Seria uma pena, portanto, se a recém-estreada sequela destruísse o consenso que o original ainda hoje consegue reunir – embora, a julgar pelas primeiras críticas, seja exactamente isso que se vá passar. Resta o consolo de, pelo menos, ainda termos o original para nos relembrar de que, na verdade, esta fórmula pode ser executada, mais do que correctamente, com louvor e distinção. ‘COME ON AND SLAM! AND WELCOME TO THE JAM!’

 

04.07.21

NOTA: Este post corresponde a Sexta-feira, 2 de Julho de 2021.

Os anos 90 estiveram entre as melhores décadas no que toca à produção de filmes de interesse para crianças e jovens. Às sextas, recordamos aqui alguns dos mais marcantes.

E porque se celebra, este fim-de-semana, o famoso Dia da Independência norte-americano, nada melhor do que recordar o filme que colocou essa data (ainda mais) nas bocas do resto do Mundo – Portugal incluído – e que foi lançado há quase exactamente 25 anos, a 3 de Julho de 1996.

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Falamos de ‘O Dia da Independência’, o filme-evento realizado por Roland Emmerich que transformou Will Smith de actor de ‘sitcom’ em herói de acção, com resultados surpreendentemente convincentes.

Não que Smith fosse a única ‘estrela da companhia’ – longe disso. Além do eterno ‘Príncipe de Bel-Air’, o elenco reunido por Emmerich contava ainda com Jeff Goldblum, Bill Pullman, Randy Quaid ou Harvey Fierstein, entre outros – isto, claro, sem falar do verdadeiro centro das atenções: os efeitos especiais.

De facto, ‘O Dia da Independência’ é quase mais um espectáculo visual do que um filme; ainda que as prestações dos principais actores sejam fortes, a história é o típico exagero absurdo característico deste tipo de produção, e que fornece bastas oportunidades para Emmerich e companhia utilizarem efeitos de computador absurdamente avançados para a época. Sejam as naves dos extraterrestres ou as habituais explosões, há (havia) muito com o que ficar de boca aberta nas quase duas horas e meia de duração do filme (também aqui Emmerich foi visionário, afirmando-se como precursor da tendência para filmes mais longos do que a média que se verificaria alguns anos depois.)

Os efeitos visuais do filme eram nada menos do que impressionantes, e extremamente avançado para a época.

O resultado foi um sucesso absoluto de bilheteira, tendo-se ‘O Dia da Independência’ tornado o filme mais lucrativo do ano, e o segundo mais lucrativo de sempre até então, apenas atrás do outro grande filme-evento da década, o ainda mais nostálgico ‘Parque Jurássico’. E apesar de essa marca ter sido, desde então, largamente ultrapassada (basta recordar os absurdos números de bilheteira de ‘Vingadores: Endgame’), a verdade é que ‘O Dia da Independência’ conseguiu manter-se marcante e relevante o suficiente para justificar uma sequela celebratória das suas duas décadas de vida, lançada em finais de Junho de 2016; o impacto desta última esteve, no entanto, longe do conseguido pelo seu precursor, um filme-espectáculo numa época em que os mesmos ainda eram a excepção, e não a regra. Nada melhor, portanto, do que celebrar o 25º aniversário deste marco do cinema dos anos 90 relembrando o furor que o mesmo causou à época…

19.06.21

NOTA: Este post corresponde a Sexta-feira, 18 de Junho de 2021.

Os anos 90 estiveram entre as melhores décadas no que toca à produção de filmes de interesse para crianças e jovens. Às sextas, recordamos aqui alguns dos mais marcantes.

 O futebol não é, exactamente, uma temática muito comum em filmes de longa-metragem. Em parte, tal deve-se ao facto de a maioria deles ser produzida nos Estados Unidos, onde o ‘soccer’ é visto como uma coisa mais de crianças (e de nicho) e onde ‘football’ designa um desporto completamente diferente; não é, portanto, de surpreender que eles prefiram falar do ‘football’ ‘deles’ do que do ‘nosso’,

O que é mais surpreendente é terem, também, havido tão poucos filmes europeus sobre aquele que é o desporto mais popular do Velho Continente. O novo milénio contribuiu para a ‘causa’ com a trilogia ‘Goal’, e houve um ou outro filme independente sobre o tema, mas em geral, a referência do género continua a ser americana, e tem já cerca de cinco décadas (‘Fuga Para a Vitória’, que nem sequer é verdadeiramente um filme ‘de futebol’).

A situação agrava-se ainda mais ao analisar os anos 90 da perspectiva de um mini-adepto de futebol que desejasse ver o desporto reproduzido no ecrã gigante. Havia ‘Se A Minha Cama Voasse’, é verdade – mas, de resto, os poucos filmes infantis em que o desporto era abordado, como ‘The Big Green’ ou ‘Switching Goals’, ou nunca chegavam a Portugal, ou se perdiam no circuito de video, onde seriam vistos apenas por acaso, se a criança visse a cassette no clube de vídeo e a capa lhe agradasse.

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Poster de 'The Big Green'

Para adeptos mais velhos, a situação não era muito melhor, existindo, em toda a década de 90, apenas dois filmes com a temática futebolística dignos de destaque.

O primeiro é ‘Amor em Jogo’ (‘Fever Pitch’), de 1997, e que se diz inspirado no livro do mesmo nome, que revelou o escritor Nick Hornby; no entanto, as semelhanças entre filme e livro resumem-se a alguns pormenores e cenas, não aproveitando o longa-metragem quase nada da obra autobiográfica de Hornby que supostamente lhe serve de inspiração.

Assim, seguimos no filme a saga de Paul Ashworth (Colin Firth), um fanático por futebol (é, inclusivamente, treinador da equipa da escola) que se vê obrigado a redefinir prioridades quando inicia uma relação com a nova colega Sarah Hughes (Ruth Gemmell). Seguem-se as habituais peripécias, enquanto Paul tenta balancear os seus ‘dois amores’, não sendo o final tão feliz quanto se poderia esperar num filme deste tipo. Um bom ‘filme de Sábado à tatde’, que inclusivamente foi objecto de um ‘remake’ americano, em que o casal romântico é interpretado por Jimmy Fallon e Drew Barrymore, e o desporto em foco passa a ser o muito mais americano beisebol.

Trailer da versão original (britânica) de 'Fever Pitch - Amor em Jogo'

O único outro filme sobre o desporto-rei digno de nota durante os anos 90 é ‘When Saturday Comes’, de 1996. Nele, um Sean Bean bastante mais magro do que é hábito interpreta Jimmy Muir um futebolista amador que é alvo de prospecção por do Sheffield United, e tem de lidar com essa mudança de paradigma.

Trailer de 'When Saturday Comes'

De resto, há muito pouco – além dos supracitados ‘Switching Goals’ (com Mary-Kate e Ashley Olsen) e ‘The Big Green’ (uma divertida comédia infantil nos moldes de ‘The Mighty Ducks’, ‘Little Giants’ ou ‘The Bad News Bears’) o único outro filme é ‘Ladybugs’, com Rodney Dangerfield, uma comédia absurda sobre uma equipa de futebol feminino, bem típica da época, a qual talvez encontrasse público entre os mais novos, mas não era abertamente dirigida a estes. Muito, mas mesmo muito pouco, quando comparado à oferta relativa ao ‘outro’ futebol, que na mesma época, incluía ‘Rudy’ e ‘Little Giants’, entre outros…

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O poster de 'Ladybugs'

Ainda assim, por pouco que representassem, vale a pena, e época de Europeu, relembrar estes filmes da ‘nossa’ década dedicados ao desporto-rei…

05.06.21

Os anos 90 estiveram entre as melhores décadas no que toca à produção de filmes de interesse para crianças e jovens. Às sextas, recordamos aqui alguns dos mais marcantes.

Em finais de 1994 e inícios de 1995, um inusitado filme de comédia captava a curiosidade das crianças portuguesas, graças a uma premissa original e a uma campanha de marketing extremamente bem estruturada e orquestrada, toda ela centrada em torno do personagem principal, um monstrengo verde, de fato amarelo-canário, com todo um arsenal de frases-feitas e piadas prontas a disparar ao ritmo de cinco ou dez por ‘trailer’.

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Falamos, é claro, de ‘A Máscara’, filme que viria a lançar as carreiras não de um, mas de dois futuros pesos-pesados de Hollywood. O principal, claro está, seria Jim Carrey, o homem por baixo da maquilhagem verde, e capaz de recriar todas as ‘caras e bocas’ do Máscara sem recurso a quaisquer técnicas de computador – habilidade que, basicamente, lhe valeu a carreira, pelo menos até se conseguir afirmar como actor ‘sério’ com os seus papéis em ‘O Despertar da Mente’, ‘The Truman Show’ e ‘O Homem na Lua’. A seu lado, como principal interesse romântico do ‘nerd’ Stanley Ipkiss estava, no entanto, outra futura ‘megastar’, uma jovem de 21 anos de ascendência cubana que obtinha ali o seu primeiro papel de destaque. O seu nome? Cameron Diaz…

Mesmo com a bombástica loira a desviar ocasionalmente as atenções, no entanto, não restam qualquer dúvidas de que ‘A Máscara’ é o filme de Carrey. Depois de efectivada a transformação que dá azo aos restantes acontecimentos, é raro o momento em que a câmara se desvia do tresloucado ‘boneco’ que corre, pula, rodopia, canta e diz dichotes, claramente deliciado pela oportunidade de o fazer - com a apoteose a surgir na famosa cena em que o personagem interpreta um número de 'cabaret'.

 

 

 

O 'Máscara' é, para todos os efeitos, um desenho animado vivo - o tipo de personagem tresloucado, hiperactivo e 'espertalhaço' que as crianças daquela época se haviam habituado a ver nos seus desenhos animados de eleição, com claras semelhanças tanto com Beetlejuice (outro favorito das crianças cuja vida havia começado numa comédia negra para adultos) como com Freakazoid.

O conceito de um 'cartoon' de carne e osso não podia, evidentemente, deixar de agradar ao público infanto-juvenil - e foi isso mesmo que se verificou, com 'A Máscara', ironicamente planeado como comédia negra para adultos, a tornar-se o novo ‘filme-que-tem-de-se-ver’ dos recreios por esse país afora – e, verdade seja dita, um pouco por todo o Mundo também. Pouco tempo depois da estreia do filme, o seu personagem principal era já objecto de uma série animada – o sinal inequívoco de que algo ‘pegou’ entre a miudagem – e de algum merchandise, incluindo bonecos de acção, outro sinal claro de interesse infanto-juvenil. Enfim, tal como outra famosa propriedade intelectual da época , também ela baseada numa BD de humor negro para adultos, este filme e o seu protagonista foram alvo de uma acentuada ‘infantilização’ imediatamente após o seu lançamento – a qual, tal como no outro caso citado, acabou por render dividendos a longo-prazo.

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Algumas das figuras de acção alusivas ao filme e à respectiva série animada.      

De facto, ainda que tivesse ‘condenado’ Carrey a vários anos de papéis baseados em ‘caretas’ e exageros, não há dúvida de que este filme foi uma enorme bênção para a carreira do norte-americano, que, sem ele, talvez nunca tivesse atingido os níveis de sucesso que mais tarde conheceu (o mesmo se passando, aliás, com Cameron Diaz, a quem um falhanço de bilheteira poderia, literalmente, ter 'afundado' a carreira de actriz ainda antes de esta ter começado).

Independentemente do furor que causou à época da sua estreia, no entanto, a pergunta que se impõe vinte e sete anos depois de o filme ter causado sensação pelo Mundo fora, é: afinal, ‘A Máscara’ é ou não um bom filme? E a resposta é, ainda, um inequívoco ‘sim’. Seja como comédia de humor negro ou como ‘cartoon’ de acção real tresloucado, o filme continua a constituir uma excelente forma de passar uma hora e meia, a dar umas gargalhadas, admirar as pernas da Cameron Diaz (que nunca esteve tão bonita) e recordar a loucura que o filme suscitou nos tempos da nossa infância. Em suma, e como diria o próprio personagem, o filme continua ‘SSSSSSSSSmokinnnnnn’!’

 

21.05.21

Os anos 90 estiveram entre as melhores décadas no que toca à produção de filmes de interesse para crianças e jovens. Às sextas, recordamos aqui alguns dos mais marcantes.

E se na primeira destas nossas Sessões falámos dos filmes da segunda época áurea da Walt Disney, nada mais justo do que falarmos hoje daquelas animações que se pareciam ‘materializar’ nos escaparates, do nada, de cada vez que um deles estreava; animações comercializadas em VHS’s manhosos, muitas vezes em bancas de jornal, e cujos títulos e capas remetiam invariavelmente para um dos filmes recentes da Disney, Fox ou Warner Bros., sem no entanto resistirem a um escrutínio mais apertado.

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Acima: ideias cem por cento originais e sem inspiração em nenhuma companhia em especial

Comercializados em Portugal pela Goodtimes e pela Trisan Vídeo (sob a sigla ‘Classic Animations’, cuja escolha de tipo de letra para o logo era certamente aleatória e de forma alguma deliberada), estes filmes apresentavam-se, normalmente, divididos em dois tipos; por um lado, havia produções originais especificamente concebidas para serem ‘mockbusters’ dos filmes animados de grande orçamento, e por outro, havia desenhos animados mais antigos, alguns já com várias décadas, que eram oportunisticamente colocados de volta no mercado como tentativa de lucrar com a ‘febre’ invariavelmente causada por qualquer que fosse o novo filme animado em estreia nos cinemas - ambas práticas que, aliás, se mantêm até aos dias de hoje, agora com o DVD e o 'streaming' como formatos de eleição.

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Não lembra nada, pois não...?

E se estes últimos ainda gozam de alguma boa-vontade – por terem sido feitos muito tempo antes de a Disney ou Warner Bros. terem a mesma ideia – o primeiro tipo, que era também o mais frequente, só ganha pontos pelo seu descaramento. Basicamente, estes vídeos (a maioria deles da Goodtimes) eram as ‘cassettes amarelas’ dos filmes animados infantis – prometiam um produto excitante q.b. e ofereciam outro muito menos entusiasmante. A diferença é que, no caso dos vídeos, era fácil de perceber que aquele não seria o filme ‘oficial’ apenas olhando para a capa – ainda que algumas tentassem ao máximo confundir-se com as da ‘casa-mãe…

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'Coincidence? I THINK NOT!!'

Também ao contrário dos cartuchos amarelos, muitos destes filmes nem sequer eram, necessariamente, toscos ou mal feitos; pelo contrário, a maioria dos enredos tendia a manter-se mais fiel ao material original que a habitual ‘adaptação livre’ da Disney, e embora a animação ficasse obviamente muitos furos abaixo, o nível de qualidade era, normalmente, equiparante ao de uma série televisiva média. Ou seja, havia muito para gostar nestes vídeos – ainda que os pontos positivos fossem, infelizmente, ofuscados pela estratégia de marketing, essa sim, tosca e desingénua.

Mesmo assim, talvez devido ao baixo preço e fácil acessibilidade (muitas, como referimos acima, eram vendidas em papelarias e bancas de jornais, coladas àquelas icónicas cartolinas que eram sinónimas com o ‘VHS de quiosque’) estas cassettes conseguiram encontrar lugar nas colecções de VHS de muits crianças por esse Portugal fora. E embora (pelo menos por cá) não fossem dos filmes mais vezes postos a rodar, eram sempre uma óptima solução de recurso quando não apetecia ver mais nada – isto, claro, se soubéssemos de antemão ao que íamos, e não estivéssemos à espera de ver o filme oficial quando puséssemos a cassette no VHS…

01.05.21

NOTA: Este post é correspondente a Sexta-feira, 30 de Abril de 2021.

Os anos 90 estiveram entre as melhores décadas no que toca à produção de filmes de interesse para crianças e jovens. Às sextas, recordamos aqui alguns dos mais marcantes.

E para teminar a ‘Tarta-Semana’, nada melhor do que fazer uma breve retrospectiva dos filmes alusivos ao quarteto conhecido como Tartarugas Ninja – com especial ênfase, é claro, nos que saíram durante a época que nos concerne.

Destes, houve três, tendo o primeiro, inclusivamente, saído ainda antes da chegada da ‘febre’ a Portugal – o que poderá explicar o porquê de muitos ‘tarta-maníacos’ da época não terem qualquer memória dele. Tratava-se do criativamente intitulado ‘Tartarugas Ninja: O Filme’, lançado em 1990 e que contava com o talento vocal do então ainda popular Corey Feldman, que interpretava Donatello, bem como com um trabalho de fatos e marionetas a cargo da Creature Workshop, a então omnipresente companhia de Jim Henson, criador dos Marretas. (Henson viria, aliás, a morrer pouco depois da estreia deste filme, sendo este um dos últimos projectos que a companhia completou sob a sua supervisão directa.)

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Capa do lançamento em DVD da aventura original

Em vista deste ‘pedigree’ dos animadores, não é de admirar que o trabalho de efeitos especiais empregue para dar vida âs Tartarugas e ao seu mestre, Splinter, seja de excelente qualidade, especialmente para a época; o que é, de facto, surpreendente é que o filme se leva bastante a sério enquanto produção de artes marciais, resistindo à tentação de ‘ancorar’ todo o seu interesse na novidade dos répteis praticantes de kung-fu, e tendo o cuidado de criar uma história que mantivesse o interesse dos espectadores. De facto, a história funciona tão bem que, se as Tartarugas fossem retiradas por completo de cena e substituídas por vulgares heróis humanos, o filme perderia muito pouco (ou quase nenhum) interesse! As Tartarugas são, neste caso, um mero ‘embelezamento’, a proverbial cereja no topo do bolo – algo que, um mero ano ou dois depois, seria já completamente impensável, como o prova o filme seguinte da trilogia. Quanto ao primeiro, apesar de decididamente datado (o tipo de produção cinematográfica que representa saiu de moda a partir de meados da década de 90, para não mais regressar) continua a ser uma bela maneira de passar uma hora e meia, mesmo para espectadores adultos – o que não deixa de ser admirável para um filme centrado em répteis antropomórficos com atitudes radicais.

(Nota, ainda, para a presença entre os actores de um ainda jovem e desconhecido Sam Rockwell, que aparece por alguns momentos no papel do líder de um gangue de ‘durões’ de rua.)

Infelizmente, e como mencionámos acima, o apelo (mais ou menos) ‘universal’ da primeira adaptação ‘live-action’ dos Tarta-Heróis não se manteria para o filme seguinte; ‘Tartarugas Ninja 2: O Segredo da Lama Verde’ (lançado apenas um ano após o original, mas já no auge da ‘Tarta-Mania’) é – decidida e declaradamente - um filme para crianças, com muito mais de Spielberg do que de John Woo. E nesse aspecto, funciona sem dùvida muitíssimo bem; tanto assim é que se tornou, durante algum tempo após o seu visionamento, o segundo filme favorito do autor deste blog, que, do alto dos seus seis anos, declarava ser o mesmo o melhor filme de sempre…a seguir a ‘Sozinho em Casa’, claro. (E falando nesse êxito do Natal de 1990, lá chegaremos, provavelmente na respectiva época do ano.)

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Poster do segundo filme

Infelizmente – e, novamente, ao contrário do filme anterior - um espectador com mais de 13 anos encontrará muito poucos motivos de interesse nos 80 e muitos minutos que dura o filme. Isto porque ‘Turtles 2’ é já um produto puramente ‘corporate’, designado para roubar o máximo de dinheiro possível aos pais das crianças que constituem o público-alvo, mais do que para providenciar uma experiência consistente ou memorável. Ou seja, uma espécie de ‘fast-food’ cinematográfico, que deixa de parte aspectos bem cuidados no primeiro filme, como o enredo ou as coreografias de luta, em favor de aspectos que circunscrevem o seu interesse exclusivamente a um público infantil, como uma sobredose de dichotes ‘radicais’, cenas de acção em lojas de brinquedos e participações especiais de celebridades ‘da moda’ entre a juventude, como Vanilla Ice (que aparece aqui no auge de uma fama que cedo se viria a provar efémera.) O resultado é um produto muito, MUITO datado, que comete conscientemente todos os erros que o seu antecessor não cometeu, centrando todo o seu interesse no apelo dos ‘bonecos’ e respectivas ‘catchphrases’, e alienando assim quaisquer audiências periféricas que possam ter sido arrastadas para o cinema pelos mini-Tartafanáticos. Visto da perspectiva de um espectador adulto, este é daqueles filmes que nos fazem ter pena dos pais que se encontraram nesta situação ali por volta de 1991.

Mas se ‘O Segredo da Lama Verde’ ainda era divertido, pelo menos para a faixa etária a que se destinava, o mesmo não pode ser dito do seu sucessor. Lançado em 1993, e já sem o ‘input’ da equipa de Jim Henson ou de quaisquer nomes sonantes a nível dos actores, o fraquíssimo ‘Tartarugas Ninja 3’ é um dos poucos produtos mediáticos a merecer o escárnio que a Internet lhe passou a dirigir assim que se tornou aceitável gozar com aquilo de que se gostava na infância – com a ressalva de que, neste caso, nem quando se era criança o filme era grande coisa.

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Há cartazes que mentem sobre a qualidade do filme, e depois há este...

Com um enredo que vê os nossos heróis viajarem até ao Japão feudal – fazendo jus à máxima de que quando os personagens viajam no tempo ou para o espaço, é sinal de que o ‘franchise’ está nas últimas – o filme optava por uma abordagem diametralmente oposta ao da segunda parte, tirando deliberadamente o foco das Tartarugas durante largos períodos, para o colocar nos personagens humanos que com eles interagiam. O problema é que esses mesmos humanos estavam longe do carisma de uma April O’Neil, Shredder ou Casey Jones, fazendo com que a ausência das Tartarugas fosse ainda mais notada por um público que estava lá precisamente por causa delas. O resultado foi um filme que nem mesmo a um público-alvo sedento de todo e qualquer produto com o nome das Tartarugas conseguiu agradar, e que acabaria por se afirmar como um golpe fatal no ‘franchise’ de filmes em acção real do quarteto, que se veria remetido a um limbo forçado durante quase exactamente duas décadas.

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Poster do filme animado de 2007

Antes do ressurgimento dos Tarta-Heróis em filmes de ‘carne e osso’, no entanto, teria lugar uma experiência em animação CGI, lançada em 2007 e tendo como base o interesse renovado nos ‘heróis de meia casca’ suscitado pelo ‘reboot’ de 2003. Simplesmente intitulado ‘TMNT’, trata-se de um filme discreto, nem muito bom nem muito mau, sem grandes pretensões para além de avaliar o interesse do público, e de servir como episódio-piloto alargado para a segunda série ‘reboot’, exibida na Nickelodeon, e que iniciaria produção no mesmo ano. Ainda assim, conseguiu ser bem-sucedido o suficiente para manter vivo o interesse nas Tartarugas, e continuar a fazer mexer o fluxo de ‘merchandise’ iniciado pela série de 2003.

Esse interesse, aliás, continuou a mostrar-se vivo o suficiente para justificar uma segunda tentativa de criar um ‘franchise’ em acção real baseado nas Tartarugas Ninja. Ao contrário do que acontecera duas décadas antes, no entanto, este esforço começaria com o ‘pé esquerdo’, com o realizador Michael Bay a enfurecer grande parte dos fãs do grupo ao pretender mudar a origem do quarteto – em vez de tartarugas normais acidentalmente vítimas de mutação devido a contacto com uma substância radioactiva, os irmãos seriam agora extraterrestres oriundos de outro planeta (!!!!) Esta sugestão foi, previsivelmente, alvo de uma reacção como não se tornaria a ver até ser anunciado o ‘remake’ de ‘Os Caça-Fantasmas’ alguns anos depois, pelo que, aquando do lançamento do produto final, em 2012, a história da origem dos Tarta-Heróis se mantinha igual ao que sempre foi, com as únicas diferenças em relação ao cânone original a residirem no facto de os quatro serem agora os animais de estimação de uma jovem April O’Neil, a qual, por sua vez, é apresentada como sendo a filha do cientista responsável pela criação do Mutagen.

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Poster do filme de Michael Bay

Quanto ao filme em si, este é na verdade bastante aborrecido – um facto que não deixa de ser paradoxal, tendo em conta que se trata de uma obra sobre répteis antropomórficos praticantes de artes marciais, dirigido pelo ‘mestre das explosões’ Michael Bay. O ponto alto de 'Tartarugas Ninja' (até o título é pouco inspirado...) são mesmo as personalidades dos heróis homónimos, as quais se mantêm fiéis às estabelecidas pela série animada de finais dos anos 80, embora alvo de um ‘update’ (Miguel Ângelo, por exemplo, é agora um adepto do hip-hop com vocabulário a condizer); no restante, no entanto, pode considerar-se ‘Tartarugas Ninja’ o segundo ‘franchise’ nostálgico estragado por Michael Bay, após a ainda pior tentativa de trazer os ‘Transformers’ para o mundo real, dez anos antes. E isto sem sequer falar do horrível novo 'look' das Tartarugas, mais próximo do Incrível Hulk do que de qualquer anterior encarnação do quarteto.

Felizmente, os Tarta-Heróis conseguiriam dar a volta por cima com aquele que é, à data de publicação deste post, o mais recente lançamento cinematográfico com o seu nome – o divertidíssimo ‘Para Fora das Sombras’, de 2017. Após a excessiva seriedade e tentativas de epicidade do filme de Bay (sim, o homem tentou transformar um filme das Tartarugas Ninja num épico ao estilo Marvel…)é refrescante assistir a uma produção que adopta precisamente a abordagem contrária, dando prioridade à diversão e acção ligeira que marcaram os dois primeiros filmes, no início dos anos 90.

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Poster do divertido 'Para Fora das Sombras'

E o mínimo que se pode dizer é que se sai muitíssimo bem neste desiderato – de facto, a sensação que prevalece durante grande parte do filme é o de estarmos a ver um episódio alargado e em acção real da série de 1987. Os elementos estão lá todos, de April O’Neil a Shredder, Krang (SIM!) e os capangas Bebop e Rocksteady - os quais fazem, FINALMENTE, a sua estreia no grande ecrã, sendo este um dos grandes ‘selling points’ do ‘trailer’ do filme - passando pelos diálogos bem-humorados entre os quatro irmãos, os quais se mantêm gloriosamente iguais a si próprios (tirando, claro, os ‘designs’ horrorosos herdados do filme anterior). Destaque, ainda, para o aumento do protagonismo de Donatello e Miguel Ângelo, em detrimento do foco único na relação entre o líder Leonardo e o irascível ‘número dois’ Rafael, a qual se começava já a tornar cansativa após dois filmes.

No cômputo geral, ‘Para Fora das Sombras’ afirma-se como o melhor filme das Tartarugas Ninja desde o original (sim, a sério) e o único cujo visionamento se recomenda a fãs dos filmes originais dos anos 90; de facto, pode-se mesmo fingir que ‘Tartarugas Ninja 3’ nunca existiu, e usar o filme de 2017 como a terceira parte daquilo que será, então, uma trilogia quase perfeita de filmes de acção para toda a família.

E pronto – com esta retrospectiva, mais ou menos exaustiva, dos filmes das Tartarugas Ninja chegamos ao fim da nossa primeira semana temática aqui no Anos 90. Antes de devolvermos os quatro amantes de pizza esverdeados ao baú, no entanto, queremos saber – quais as vossas memórias destes filmes? Viram-nos? Gostaram? As nossas, já as saberão, se tiverem lido o post… Além disso, queremos também saber se gostaram desta semana temática. Podemos ‘repetir a dose’ com outros temas? Ou já deram por vocês a imitar James Rolfe e a gritar ‘COWABUNGA PIECE OF DOGSHIT’ com o aparecimento de cada novo post sobre os Tarta-Heróis? Partilhem o vosso ‘feedback’ nos comentários! Até lá, COWABUNGA, DUDES!

16.04.21

Os anos 90 estiveram entre as melhores décadas no que toca à produção de filmes de interesse para crianças e jovens. Às sextas, recordamos aqui alguns dos mais marcantes.

E hoje falamos daquele que é, senão o mais marcante, pelo menos um dos mais marcantes filmes dos anos 90 para todos aqueles que tinham idade suficiente para o ver: o glorioso e inesquecível ‘Parque Jurássico’.

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Lançado em 1993, mas chegado a Portugal com alguns meses de atraso, este filme trazia a chancela, por um lado, de Steven Spielberg – O realizador por excelência de filmes ‘de família’ nos anos 80 e 90 – e, por outro, da Industrial Light and Magic, a lendária companhia de efeitos especiais de George Lucas, que se encarregava dos efeitos e criaturas do filme.

A junção destes dois gigantes da indústria de ‘blockbusters’ para todas as idades só podia mesmo resultar num clássico do género, e foi sem dúvida nisso que ‘Parque Jurássico’ se tornou, cativando crianças e adolescentes um pouco por todo o Mundo, e lançando – ou relançando – o interesse das mesmas nesses seres misteriosos e majestosos chamados dinossauros.

Portugal não foi, é claro, excepção, e naquele ano de 1994 era difícil encontrar uma criança, especialmente do sexo masculino, que não tivesse pelo menos um dinossauro de borracha no quarto. A maioria, além dos brinquedos, tinha também livros explicando a vida destes seres – em maior ou menor detalhe – além de outros objetos alusivos ou à pré-história, ou pelo menos ao filme de Spielberg. O sucesso da temática pré-histórica entre as crianças portuguesas já não era novidade à época – o Museu Nacional de História Natural já tivera enorme sucesso com a sua exposição sobre dinossauros no início da década – mas ‘Parque Jurássico’ veio contribuir para que mesmo quem não tinha qualquer interesse nesse tipo de assunto tentasse descobrir o máximo possível sobre a verdadeira existência das criaturas retratadas no filme.

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Quem era da idade certa e não tinha pelo menos um destes em 1994, que se acuse...

A razão de tal sucesso é fácil de compreender; o filme combina um argumento inteligente ‘para todas as idades’ (cheio de ação e aventura mas com o cuidado de criar personagens memoráveis para alicerçar os momentos mais excitantes) com efeitos especiais que continuam a ser impressionantes quase trinta anos depois, criando uma fórmula vencedora e única que tanto a ‘concorrência’ como os próprios Spielberg e Lucas nunca mais conseguiriam repetir. Certos momentos do filme (como o primeiro contato da equipa de cientistas com um dos dinossauros recriados, a famosa cena com o T-Rex, na floresta, ou a igualmente célebre cena com as duas crianças na cozinha) eram extremamente eficazes em evocar as emoções corretas por parte do público-alvo, fossem elas de fascínio ou de medo – sendo este, aliás, um dos pontos mais fortes de Spielberg como realizador. Os seus filmes tendem a colocar o espectador ‘ali mesmo’, com os personagens, a sentir o que eles sentem – e, nesse aspeto, ‘Parque Jurássico’ não é, definitivamente, exceção. Em suma, o filme merece não só o sucesso de que gozou à época, mas também o estatuto de clássico que adquiriu desde então, continuando a constituir uma excelente escolha para uma tarde de cinema em família.

Com todo o burburinho que causou, e lucro de bilheteira que obteve, não foi de todo de admirar que ‘Parque Jurássico’ fosse alvo de uma sequela ainda na mesma década.

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Lançado nos cinemas quatro anos depois do original, em 1997, ‘O Mundo Perdido’ baseava-se, tal como o original, num romance de Michael Crichton, ele próprio uma sequela do livro em que o primeiro filme se baseara. Infelizmente, tanto o livro como o filme ficaram muito aquém dos seus antecessores, não tendo conseguido causar a mesma sensação do original – talvez por a fórmula já estar gasta, ou talvez por o público que aderira em massa ao filme de 1993-94 ser agora alguns anos mais velho, e ter já ultrapassado a ‘fase’ dos dinossauros.

Apesar deste revés, o ‘franchise’ teria ainda ‘pernas’ suficientes para se esticar a uma segunda (e discretíssima) sequela, já no novo milénio - o estúpido-mas-divertido ‘Parque Jurássico 3’, lançado em 2001, já muito longe do orçamento de produção e ‘glamour’ mediático do primeiro filme da série.

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Ainda assim, o terceiro episódio vale a pena para os fãs do original, já que introduz um novo dinossauro, o estupidamente ‘cool’ Spinosaurus – isto para além de não ser, de todo, um mau filme de aventuras para toda a família, tendo herdado pelo menos essa característica do seu antecessor.

Apesar deste último esforço, no entanto, o ‘franchise’ ‘Parque Jurássico’ ficar-se-ia mesmo por aí…pelo menos até 2015, ano em que – em plena febre dos ‘reboots’ – também esta série seria alvo de um ‘novo início’, com Tom Hardy no papel principal que, em tempos, fora de Sam Neill.

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Agora com o título de ‘Mundo Jurássico’ – porque um ‘remake’ tem sempre de ser maior e mais ambicioso – o filme centrava-se no parque zoológico do mesmo nome, construído no local do parque original, e que também não conseguia evitar alguns dos problemas que assolaram o mesmo – nomeadamente a tendência que criaturas de vários metros de altura e dentes aguçados têm para perseguir visitantes indefesos… Divertido ‘sem mais’, o filme foi no entanto um êxito de bilheteira, dando azo (até agora) a pelo menos uma sequela, que - como já havia sido o caso com ‘O Mundo Perdido’ – foi bastante menos bem recebida que o original.

Nenhum destes filmes, no entanto, consegue superar o original, que continua a afirmar-se como o expoente máximo da franquia, vinte e sete anos após o seu lançamento em Portugal ter tornado toda uma geração de ‘putos’ em maníacos dos dinossauros. E vocês? Contavam-se entre eles? Que pensavam do filme? Deste lado, éramos definitivamente fãs, daqueles que tinham um cesto cheio de replicas de borracha das diferentes espécies, e ‘devoravam’ tudo quanto fossem livros sobre o assunto. Também era o caso convosco? Partilhem as vossas opiniões nos comentários! Entretanto, fiquem com o tema clássico de John Williams, para vos ajudar a reavivar as memórias...

DO-DO-DOOO-DOO-DOO! DO-DO-DOOO-DO-DOO! DO-DO-DOO-DOO!

05.04.21

NOTA: Por lapso, este post e o da passada sexta-feira foram publicados na ordem inversa. Retomaremos a ordem correta das rubricas no próximo ciclo.

Os anos 90 estiveram entre as melhores décadas no que toca à produção de filmes de interesse para crianças e jovens. Às sextas (ou às vezes às segundas, quando nos confundimos com a ordem do calendário) recordamos aqui alguns dos mais marcantes.

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E se no primeiro post desta série falámos de desenhos animados, hoje, rumamos no sentido quase exatamente oposto, e examinamos uma das outras grande ‘trends’ cinematográficas entre os miúdos daquela década, sobretudo os rapazes: os filmes de ação do tipo ‘explosivo’.

Todos (ou pelo menos todos os que gostavam do género) nos recordamos deles – os grandes épicos de ‘porrada’, tiros e explosões, protagonizados por machões com talento artístico inversamente proporcional ao tamanho dos seus músculos, nominalmente para adultos, mas (graças ao milagre do VHS e a grelhas televisivas algo previsíveis) vorazmente consumidos por toda uma geração ali a partir dos 7, 8 anos de idade.

Com expansão nos anos 80, e com génese nos filmes ‘exploitation’ da década anterior, estes filmes continuaram a estrear com regularidade, ao ritmo de dois ou três por ano, até pelo menos a meados da década de 90, com toda uma ‘segunda linha’ de série B a aparecer nos videoclubes em formato ‘direct-to-video’. Estes últimos eram, normalmente, protagonizados por ‘estrelas’ do calibre de Mark Dacascos, Don ‘The Dragon’ Wilson, ou a ‘Sonya Blade da vida real’, Cynthia Rothrock; no entanto, as produções maiores e mais caras apresentavam, normalmente, um de cinco ‘durões’ no papel principal:

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Schwarzenegger em 'O Último Grande Herói'

- Arnold Schwarzenegger. O futuro ‘Governator of California’ transformaria o estrondoso sucesso de ‘Total Recall’ e ‘Exterminador Implacável 2’ em mais uma década na ‘ribalta’, com filmes típicos do seu naipe, como ‘Eraser’ e ‘True Lies – A Verdade da Mentira’, e outros mais atípicos e voltados para a comédia, como ‘Junior’ ou o grande ‘Um Polícia no Jardim-Escola’. No entanto, muito do seu legado era devido à tecnologia VHS e à propria televisão, através dos quais as crianças ficavam a conhecer antigos sucessos como ‘Comando’. Eram dele, sobretudo, os filmes de tiros e explosões, embora, como mencionado, também tivesse revelado uma surpreendente veia cómica.

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Stallone em 'Demolition Man'

- Sylvester Stallone. Qualquer realizador que precisasse de um brutamontes de poucas palavras e perpétua cara de mau tinha no ‘Italian Stallion’ a sua estrela de eleição. Com ‘Rocky’ já no retrovisor mas ‘Rambo’ ainda em grande (sobretudo, novamente, devido ao VHS), Stallone apresentava-se à nova geração através de ‘thrillers’ como ‘Cliffhanger’ e filmes de ficção científica como 'Demolition Man' ou 'Judge Dredd', enquanto arriscava, como Schwarzenegger, em alguns papéis mais cómicos. No entanto, neste aspeto, ficava bem atrás do austríaco, e os poucos filmes que tentou nesta veia rapidamente caíram no esquecimento. O que o público queria, verdadeiramente, era vê-lo a dar tiros e socos aos mauzões – e foi isso que rapidamente voltou a fazer.

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JCVD na pose que o tornou famoso

- Jean-Claude Van Damme. Com este, não havia espaço para comédias - o ‘Muscles from Brussels’ derrotava mauzões a pontapés de karaté, e ponto final. Um dos atores mais lendariamente limitados da história do cinema de ação, o belga era, ainda assim, um ídolo entre os mais novos, muito graças a papéis em clássicos como ‘Kickboxer’ e ‘Força Destruidora’, além dos então recentes ‘Duplo Impacto’ e ‘Knock-Off – Embate’, este de John Woo. Haveria, ainda, tempo para JVCD deixar a sua marca naquele que é considerado um dos piores filmes de sempre, o mítico ‘Street Fighter – O Filme’, que vê o belga (com sotaque a condizer) interpretar o estereotipadamente americano Coronel Guile. Ainda assim, o ‘star power’ de JCVD era tanto que nem este papel descarrilou a sua carreira – pelo contrário, o filme foi um sucesso entre as crianças dos 90…

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Bruce Willis em 'Assalto Ao Arranha-Céus'

- Bruce Willis. ‘Die Hard’. ‘Nuff said. Embora menos popular entre a miudagem portuguesa que os restantes atores nesta lista, o eterno John McClane fazia ainda assim sucesso junto dos mesmos, com os seus filmes de ação brutos, diretos e cheios de explosões – com o bónus de, ao contrário dos outros, ser verdadeiramente bom ator.

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Steven Seagal nos anos 90, ainda elegante

- Steven Seagal. E por falar em filmes de ação brutos, diretos e cheios de explosões, eis o rei dos mesmos. Antes de se tornar uma auto-caricatura anafada, Seagal era um artista marcial de cinema ao nível de Jean-Claude Van Damme, e a única razão porque era menos conhecido da miudagem portuguesa é que os seus filmes passavam menos por cá.

A par de outros nomes lendários, mas já em declínio (como Chuck Norris, Dolph Lundgren ou Patrick Swayze), eram estes os ‘role models’ cinematográficos dos rapazes dos anos 90, aos quais, no decorrer da década, se juntaria um sexto nome:

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Keanu em 'Speed - Velocidade Sem Limites'

- Keanu Reeves. Revelado enquanto ator de ação pelo filme ‘Speed’, de 1994, o ex-ídolo romântico adolescente passaria o resto da década a fazer cinema ali na fronteira entre o ‘blockbuster’ e a série B até, em 1999, obter o papel principal num certo filme de ficção científica, e se tornar (ou voltar a ser) ídolo de toda uma geração. A reputação como ator de ação, mantém-na até hoje, graças a filmes como 'John Wick'.

Na segunda metade dos anos 90, este panorama alterar-se-ia um pouco, com o ocaso de Arnie e Stallone e as derrocadas de JCVD e Seagal, e com o aparecimento, nos seus lugares, de nomes como Wesley Snipes e Jason Statham, sem esquecer o contigente asiático, muito bem representado por Jet Li e Jackie Chan.

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Li e Chan nos anos 90

Ainda assim, durante três-quartos da década de 90, este tipo de filme revelou-se tão popular que até atores de géneros completamente ‘à parte’, como Will Smith ou Tom Cruise, tentaram a sua sorte – e com algum sucesso! Com o dealbar do novo milénio, a progressão natural do cinema – incluindo do cinema de ação – ditou a morte gradual deste tipo de filme; no entanto, qualquer ‘90s kid’ que veja – por exemplo – um dos filmes das séries ‘Missão Impossível’, ‘Velocidade Furiosa’ ou ‘Os Mercenários’ certamente se recordará daqueles tempos em que Van Damme ou Stallone representavam o píncaro da masculinidade, e em que vê-los dar ‘coças’ a vilões e seus capangas era suficiente para justificar um bilhete de cinema…

E vocês? Eram fãs deste tipo de filme? Qual o vosso ‘leading man’ favorito? Por aqui, era-se ‘team JCVD 4 lyfe’. Deixem os vossos testemunhos nos comentários!

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