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Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

22.08.22

NOTA: Este post é respeitante a Domingo, 21 de Agosto de 2022.

Aos Domingos, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos principais acontecimentos e personalidades do desporto da década.

Apesar de o mundo do futebol ser dos que mais exalta os seus 'craques', nem todos os jogadores mais memoráveis da História do desporto-rei foram, necessariamente, sobredotados ou prodígios de talento; muitos deles destacaram-se por outras qualidades, como a raça, a entrega, a dedicação a um determinado clube, a aparência bizarra ou original, ou simplesmente a longevidade no seio de uma determinada liga. O homem de quem vamos, nas próximas linhas, traçar um esboço de carreira faz, precisamente, parte deste segundo lote - apesar de ter chegado a ser internacional portuguêm em plena era da Geração de Ouro e a jogar no Real Madrid, dificilmente será recordado como um portento técnico; quaisquer memórias positivas a ele associadas terão, precisamente, a ver com os factores acima elencados, em particular a sua dedicação a um clube específico do campeonato português.

Falamos de Carlos Secretário, eterno defesa-direito do FC Porto da fase hegemónica, e que dedicou ao emblema nortenho nove das suas quinze épocas como profissional de futebol - mais de metade do total da sua carreira - apenas entrecortadas por uma passagem algo 'desastrada' pelo referido Real Madrid, por quem não conseguiu almejar mais do que treze jogos antes de voltar à 'casa de partida', para mais seis épocas. Conforme é apanágio desta secção, no entanto, não é nessas épocas ao mais alto nível que nos focaremos; pelo contrário, neste post, contaremos a história futebolística de Secretário enquanto foi uma Cara (Des)conhecida do panorama desportivo português.

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O defesa ao serviço da Selecção das Quinas, em 1999

Nascido em S. João da Madeira a 12 de Maio de 1970, foi, com naturalidade, no clube local que o jovem Secretário iniciou a sua formação futebolística, já relativamente tarde, aos 14 anos; os quatro anos que mediariam até à sua estreia como sénior veriam, ainda, o lateral passar pelas academias de Sporting e Porto, iniciando-se aí, aos dezassete anos, a relação do atleta com a agremiação azul e branca. A estreia como profissional, no entanto, dar-se-ia não no seio do clube das Antas, mas (ainda) mais a Norte, em Barcelos, onde um Secretário de apenas dezoito anos amealharia vinte e nove jogos e dois golos ao serviço do clube local, o Gil Vicente.

De Barcelos, o atleta rumaria, na época seguinte, a Penafiel, onde permaneceria por duas épocas, afirmando-se como presença quase indiscutível na equipa; no total, foram sessenta e quatro jogos com a camisola dos penafidelenses, com mais dois golos a juntar à conta pessoal do defesa. Nas duas épocas seguintes, ao serviço do Famalicão e Braga, respectivamente, o defesa conseguiria a proeza de totalizar números exactamente iguais, terminando cada uma das épocas com exactamente trinta e uma exibições e...dois golos!

Seria aqui, no final da época 1992-93 (e já como internacional sub-21 por Portugal) que Secretário chegaria, finalmente, à sua casa (quase) definitiva, onde viria a 'morar' por duas vezes: primeiro entre 1993 e 1996, contabilizando 86 jogos e mantendo a sua média de dois golos por época (num total de seis) e depois entre 1998 e 2004, período durante o qual alinharia praticamente cento e trinta vezes pelo clube das Antas, ainda que sem qualquer golo. Pelo meio, ficavam a referida (e azarada) passagem pelo campeonato espanhol, e umas nada despiciendas trinta e cinco internacionalizações AA, com duas competições internacionais disputadas ao serviço das Quinas (os Campeonatos Europeus de 1996 e 2000) e um golo marcado.

Apesar do seu longo e honroso vínculo ao FC Porto, no entanto, não seria nas Antas que Secretário viria a terminar carreira; ao invés, a última época do futebolista seria disputada ao serviço do Maia, tendo o lateral alinhado por vinte e quatro vezes com a camisola do clube dos arredores do Porto. Seria, aliás, também no Maia que Secretário iniciaria a sua nova carreira, a de treinador, que o veria passar por diversos clubes amadores e semi-profissionais dos campeonatos português (Lousada, Arouca, Salgueiros 08 e Cesarense) e francês (Lusitanos Saint-Maur e Créteil Lusitanos, clube que actualmente orienta); e apesar de não ter tanto 'brilho' como a sua carreira de jogador, esta nova etapa do ex-internacional português não deixa de ser honrada e honrosa, merecendo tanto respeito quanto foi atribuído à sua profissão passada. Numa altura em que o ex-defesa enfrenta problemas de saúde - tendo, por esse motivo, sido homenageado no último 'derby' entre Sporting e Porto - não queríamos, pois, deixar de homenagear o ex-atleta, a quem enviamos também votos de rápidas melhoras, e de que a carreira de treinador venha a ser tão notável como a de jogador profissional.

07.08.22

Aos Domingos, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos principais acontecimentos e personalidades do desporto da década.

Há duas semanas, falámos aqui de Aloísio, lenda do Futebol Clube do Porto; pois bem, o brasileiro teve participação activa num evento que, por lapso, acabámos por não abordar no final da época futebolística passada, mas que, pelo seu carácter histórico, merece que esse erro seja rectificado – o inédito (e ainda hoje recordista) pentacampeonato conquistado pelo Futebol Clube do Porto há pouco mais de vinte e três anos, no final da última época completa do século XX.

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Corolário da fase hegemónica que o clube do Norte vivera durante a década de 90 (embora anos vindouros viessem a revelar que tal domínio se devia a mais que apenas qualidade dentro das quatro linhas) o 'penta' do Porto veio, conforme acima referimos, estabelecer um novo recorde de conquistas de campeonatos, destronando o tetracampeonato conquistado pelo Sporting durante os anos 50, e que se mantivera intacto durante quase cinco décadas; curiosamente, seria também o Sporting a impedir o Porto de expandir ainda mais este recorde, com a conquista do seu primeiro campeonato em dezoito anos, logo na década seguinte. Nada que minimize ou trivialize o recorde do Porto, o qual se mantém vigente até aos dias de hoje.

Orientada pelo hoje Seleccionador Nacional e ainda 'engenheiro do penta', Fernando Santos, a equipa pentacampeã pelo Futebol Clube do Porto centrava-se (como, aliás, as quatro anteriores) numa das figuras maiores do desporto-rei em Portugal – Mário Jardel, avançado famosamente prolífico e que, nesta época, estabeleceria o primeiro de três recordes pessoais de golos por época, o último dos quais (42 golos, pelo Sporting, na época 2001/2002) ainda hoje vigente; no caso da época do 'penta', seriam 36 os golos na conta pessoal do avançado, cujo prodigioso e mortífero jogo aéreo chegou, à época, a inspirar estribilhos de Rui Veloso e Carlos Tê.

Como qualquer adepto certamente saberá, no entanto, mesmo o melhor jogador, sozinho, dificilmente faz milagres, pelo que não chegava ao Porto ter um Jardel na frente – era necessário construir uma equipa forte de uma ponta à outra; felizmente para os nortenhos, Fernando Santos tinha matéria-prima de primeira qualidade à disposição, contando 'aquela' equipa do Porto com o com nomes instantaneamente reconhecíveis para qualquer adepto da altura, muitos já com largos anos de 'casa' e parte integrante da chamada Geração de Ouro do futebol português - casos de Vítor Baía (ainda a alguns anos de dar hipóteses a qualquer concorrente), Jorge Costa, Paulinho Santos, Secretário, Peixe ou Capucho - que dividiam espaço no balneário com os não menos marcantes Chippo, João Manuel Pinto, Doriva, Deco, Panduru, Rui Barros, Folha, Fehér (ainda longe da tragédia que acabaria com a sua promissora carreira) e Mielcarski, além da eterna dupla Zahovic/Drulovic, do referido Aloísio e de um jovem central de 21 anos, com enorme margem de progressão, chamado Ricardo Carvalho.

É claro que até as melhores equipas não podem deixar de ter aqueles jogadores que se podem considerar – no mínimo – estar no sítio certo no momento certo, e este Porto não era excepção, com elementos como Quinzinho, Chaínho (uma daquelas contratações aos 'pequenos' que acabam por não se afirmar) Butorovic ou o lendário Esquerdinha a serem bafejados pela sorte; no entanto, estas acabavam por ser excepções à norma numa equipa com um nível médio impressionante, cuja vantagem de seis pontos sobre o segundo classificado, o então 'quarto grande' Boavista, indica que, mesmo sem os hoje famosos 'jogos de bastidores', os nortenhos teriam sido perfeitamente capazes de revalidar o título por mais um ano.

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A parte mais negativa da época? Este 'magnífico' equipamento alternativo...

Mesmo com os factos que viriam à luz em épocas subsequentes, no entanto, o pentacampeonato do Futebol Clube do Porto não deixa de ser uma marca bonita e honrosa, que ajudou o clube a fechar em grande não só a década de 90, como o século XX e o Segundo Milénio, e serviu de trampolim para futuras aventuras hegemónicas na Europa, sob o comando de José Mourinho – motivos mais que suficientes para que façamos dela o tema de mais um Domingo Desportivo.

24.07.22

Aos Domingos, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos principais acontecimentos e personalidades do desporto da década.

Quando se fala dos campeonatos portugueses da década de 90, há alguns nomes que vêem imediatamente à baila, seja pelo talento invulgar, pela falta do mesmo, ou simplesmente por parecerem já fazer parte da 'mobília' no início de cada nova época. Nesta nova rubrica, o Portugal Anos 90 propõe-se recordar as carreiras de algumas dessas Lendas do Campeonato Nacional.

E para começar, nada melhor do que recordar um nome que será lembrado com saudade ou com antagonismo (dependendo do clube do coração) pela maioria dos adeptos que ainda recordem esses tempos: Aloísio Pires Alves, 'centralão' do FC Porto conhecido por ser – a par de Jorge Costa ou Paulinho Santos - uma das principais caras daquelas equipas extremamente físicas que os 'Dragões' apresentavam no início da década, e um dos últimos resistentes das mesmas (a par do referido Jorge Costa) a sobreviver à transição para o 'novo' Porto europeu, no virar do milénio.

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O central com a camisola com que se tornou sinónimo

Nascido em Pelotas, Rio Grande do Sul, a 16 de Agosto de 1983, Aloísio iniciou a sua carreira profissional dezanove anos depois, ao serviço do Internacional de Porto Alegre, onde permaneceria seis épocas e realizaria mais de cem jogos, ajudando a equipa a conquistar três campeonatos estaduais, bem como a atingir uma inédita segunda posição na Série A brasileira (então conhecida como Copa União) em 1987.

A preponderância que assumia no seio da equipa gaúcha, bem como o elevado nível exibicional que mantinha, acabaram eventualmente por propiciar o sonho de qualquer jogador sul-americano, nomeadamente, o de se transferir para um grande clube europeu. No caso de Aloísio, foi o Barcelona quem mostrou interesse, acabando mesmo por assinar contrato com o jogador no início da época 1988/89. Surpreendentemente (ou talvez não), Aloísio conseguiu corresponder às expectativas associadas a tal transferência, encontrando o seu espaço no Barça dos anos pré-'dream team', pelo qual alinhou um total de 48 vezes ao longo de duas épocas, uma das quais na final da Taça dos Campeões Europeus (hoje, Liga dos Campeões) da época 1988/89, que terminaria com o triunfo dos 'blaugrana' frente à Sampdoria por 2-0. As suas boas exibições ao serviço dos catalães valer-lhe-iam ainda, nessa mesma época, a chamada à Selecção Nacional brasileira, pela qual realizaria seis jogos, a juntar aos quatro que já lograra ao serviço dos Sub-20, ainda nos tempos do Internacional.

Apesar de se afirmar como parte importante da equipa catalã em ambas as épocas em que alinhou com o seu escudo, no entanto, Aloísio viria mesmo a embarcar em nova aventura a tempo da época 1990/91, galgando as montanhas transmontanas para assinar pelo Futebol Clube do Porto, então em fase dominante no contexto do Campeonato Nacional da I Divisão. Do resto, reza a história: no total, foram onze épocas (mais de metade da carreira total do brasileiro) e quase quinhentos jogos oficiais ao serviço dos 'Dragões', ao longo dos quais conquistou dezanove títulos (incluindo um penta-campeonato, louvor que partilha com apenas cinco outros jogadores em toda a História do clube), formou parte integrante de uma fortíssima defesa portista nos primeiros anos da década, alinhou em pelo menos 28 dos trinta e poucos jogos do campeonato em todas as épocas à excepção da última, e conquistou um lugar como figura maior não só da 'mística' portista, como dos campeonatos da década de 90 como um todo - o que torna mais que merecida a sua inclusão na lista de Lendas do Campeonato Nacional daquela época, e a honra de inaugurar mais esta nova rubrica do nosso blog.

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Aloísio com os quatro uniformes da sua carreira

13.02.22

Aos Domingos, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos principais acontecimentos desportivos da década.

O Futebol Clube do Porto 'conquistador' da Europa – aquela equipa treinada por José Mourinho, e da qual o mesmo levaria vários elementos consigo ao transitar para os ingleses do Chelsea – tinha na defesa um dos seus grandes esteios. A linha mais recuada do clube do Norte nesses anos de glória de inícios do século XXI contava com o histórico do clube, Jorge Costa, e ainda vários nomes que se tornariam indiscutíveis da Selecção Portuguesa pós-Geração de Ouro - Paulo Ferreira (à direita), Nuno Valente (a esquerda) e ao centro Ricardo Carvalho, todos os quais seguiriam o seu treinador rumo a Inglaterra. No meio de todas estas estrelas passadas e futuras, mais discreto mas não menos importante, alinhava um 'centralão' que, embora não tendo tido a mesma boa fortuna dos seus companheiros de defesa, conseguiu, ainda assim, tornar-se um nome histórico dos Dragões.

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Falamos de Pedro Emanuel, um produto da prolífica escola do Boavista de finais dos anos 80 e inícios de 90 – que também deu ao mundo futebolístico nomes como João Vieira Pinto, Jorge Couto, Nuno Gomes, Ricardo, Litos ou Frechaut, os três últimos colegas de equipa de Emanuel aquando do seu regresso a 'casa' – que viria a fazer carreira entre os dois clubes da Cidade Invicta, contabilizando mais de cem jogos por cada um deles (no Boavista, ficou a um jogo de completar 150) e assumindo-se como peça importante na 'fase áurea' de ambos.

O que muitos adeptos talvez não saibam é que – à semelhança dos colegas de equipa Deco e Nuno Valente – Pedro Emanuel passou várias épocas a 'pagar dividendos' nas divisões inferiores antes de 'dar o salto' para a ribalta; no caso, foram três os clubes 'menores' representados em outras tantas épocas, curiosamente sempre com números extremamente semelhantes – cerca de 30 jogos (29 no Marco, 31 na Ovarense e 28 no Penafiel) e exactamente dois golos por cada uma das equipas.

Talvez tenha sido esta consistência que levou os olheiros do Boavista, numa jogada que faria corar o Sporting da era moderna, a repararem novamente no jovem que haviam dispensado da sua academia anos antes, voltando Emanuel a ser contratado pelos axadrezados no início da época 1996/97, quando ainda contava apenas vinte e um anos, e, como tal, apresentava ainda enorme margem de progressão, que acabaria mesmo por demonstrar – a restante carreira do atleta foi já descrita em parágrafos anteriores.

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O jogador durante o seu período no Boavista

Quando se retirou do futebol competitivo para se dedicar à função de treinador, Pedro Emanuel era (justamente) considerado uma 'lenda' do Futebol Clube do Porto; um nome, talvez, ofuscado pela 'constelação' que o rodeava, mas que não deixou, ainda assim, de ter papel preponderante nos triunfos e conquistas de um dos melhores períodos da História do clube nortenho – algo com que talvez nem sonhasse quando, ainda adolescente, envergava briosamente os emblemas de uma série de clubes das divisões amadoras...

30.01.22

Aos Domingos, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos principais acontecimentos desportivos da década.

Ao folhear a caderneta de cromos oficial do Sporting Clube de Portugal, lançada  a tempo do início da época 1994-95, lá estava ele; um jovem lateral-esquerdo de 19 anos, de sorriso tímido e cabelo até por baixo das orelhas, no então típico penteado 'à jogador da bola'. No topo da página, o nome - Nuno Valente.

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A página de cromos que deu a conhecer Nuno Valente (crédito da imagem: Armazém Leonino)

Foi desta forma inusitada – através de uma não menos inusitada, e nunca mais repetida, caderneta de cromos – que os pequenos 'leões' dos anos 90 tiveram o primeiro contacto com aquele que se viria a tornar um dos maiores laterais-esquerdos portugueses de sempre...ao serviço de um dos clubes rivais daquele que o viu 'nascer' para a bola.

Natural de Lisboa, seria no Norte que Nuno Jorge Pereira da Silva Valente viria a conhecer o sabor do sucesso, já no novo milénio, depois de nos anos 90 ter feito o habitual 'périplo' dos empréstimos comum a tantos jovens futebolistas, ao fim do qual foi dispensado pelo clube onde fizera (quase) toda a sua formação. Em seis anos, foram dois empréstimos – a Portimonense e Marítimo, tendo conseguido estabelecer-se em ambos – e menos de quarenta participações com a camisola do Sporting, nunca tendo, claramente, representado uma opção para qualquer dos diferentes treinadores dos 'leões', apesar da sua valorosa participação na campanha que culminou com a conquista da Taça de Portugal 1994-95.

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Valente passou quase despercebido nas suas seis épocas no Sporting

Assim, foi com naturalidade que, em 1999, os adeptos 'verdes e brancos' o viram sair, em final de contrato, para o União de Leiria - outra presença constante no meio da tabela do campeonato português dos anos 90, à época orientado por um jovem treinador de enorme valor chamado...José Mourinho – e continuar uma carreira que se previa do tipo 'honroso, mas sem brilho'.

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Cromo que mostra Nuno Valente enquanto jogador do Leiria

As coisas não viriam, no entanto, a revelar-se tão previsíveis quanto isso para Nuno Valente; as boas exibições ao serviço do Leiria, onde mais uma vez 'pegou de estaca', permitiram-lhe seguir Mourinho e o colega de equipa Derlei do clube do Lis para o Futebol Clube do Porto, ao qual chegava em 2003 com a chancela de um dos melhores laterais do campeonato.

O resto da história é bem conhecido: participação activa no período hegemónico e imperial do FC Porto na Europa, pedra basilar da Selecção Nacional do período pós-Geração de Ouro, transferência para o Everton, onde continuou a brilhar, e, finalmente, a retirada em alta do futebol profissional, aos 35 anos e com um palmarés invejável, para se tornar olheiro do Everton em Portugal e, mais tarde, treinador. E ainda que essa experiência não tenha corrido tão bem como seria desejável – foram apenas seis meses ao comando do Trofense antes de ser substituído – terá, certamente, sido mais do que aquele jovem de penteado questionável que lutava para se afirmar na equipa do Sporting alguma vez terá sonhado...

21.11.21

Aos Domingos, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos principais acontecimentos desportivos da década.

Para a maioria das pessoas – incluindo os desportistas – a rota para o sucesso é longa e árdua. Embora haja quem pareça já ter nascido ali, no topo da cadeia alimentar da sua respectiva área, a verdade é que, a maior parte das vezes, até as mais distintas carreiras têm início nos locais mais insólitos e inesperados. Nesta nova rubrica aqui no Anos 90, vamos relembrar onde andavam algumas das caras mais icónicas do desporto português, antes de serem famosos.

E começamos, desde logo, com um exemplo perfeito do tipo de percurso acima descrito: a história de Anderson Luís de Sousa, um médio brasileiro que, no decorrer dos anos 2000, se viria a tornar um dos jogadores mais instantaneamente reconhecíveis do mundo do futebol, passeando a sua classe primeiro ao serviço de um FC Porto em transição da fase 'sarrafeira' para a fase de conquista da Europa, e mais tarde do Barcelona, do Chelsea e da Selecção Nacional portuguesa. O que poucos saberão, no entanto, é que antes de viver estes anos de glória, Deco – como era mais comummente conhecido – militou em dois outros 'históricos' do futebol português, ambos entretanto tombados: nada mais, nada menos do que o Alverca (aqui por empréstimo do 'clube-pai' Benfica, juntamente com o colega de equipa e histórico dos ribatejanos, Caju) e Sport Comércio e Salgueiros.

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Deco alinhou pelo Alverca e Salgueiros, nas épocas de 1997-98 e 1998-99, respectivamente

Sim, um dos jogadores mais claramente predestinados da sua geração começou a sua ascensão para o sucesso do mesmo modo que tantos outros: descoberto no seu Brasil natal por um 'grande', mas cedo 'despachado' para um clube satélite, onde acaba por se afirmar. No caso de Deco, no entanto, a excelente época realizada no clube ribatejano - onde foi, ao lado do conterrâneo e colega de equipa Caju, uma das figuras de proa, com 32 jogos e 12 golos - não foi suficiente para conseguir uma segunda oportunidade no Benfica de Souness, demasiado ocupado a arranjar lugares de plantel para os seus 'boys' para reparar na pérola que tina debaixo do seu nariz. No início da época de 98-99, naquele que foi considerado posteriormente como um 'erro histórico', Deco viria a desvincular-se definitivamente do Benfica, clube pelo qual nunca chegara a calçar, e rumaria a Norte, para se juntar ao Salgueiros, seguindo Nandinho (outra aposta falhada do clube da Luz) na direcção inversa. Uma época assolada por lesões levaria a que o hoje luso-brasileiro alinhasse apenas doze vezes pelo histórico clube nortenho, mas mesmo com poucas aparições e muito azar, Deco conseguiu mostrar o seu talento a ponto de despertar o interesse do Porto, que o viria a contratar ainda antes do fim da temporada. O médio estreava-se, assim, na elite do futebol mundial da melhor maneira – com um título de campeão nacional, que quase fazia esquecer a época desafortunada que acabara de viver.

O resto da história é bem conhecido – títulos europeus com o Porto, transferências para o Barcelona e depois Chelsea, participação em algumas das melhores campanhas da selecção nacional portuguesa, e eventual regresso a 'casa' para alinhar pelo Fluminense. Uma carreira verdadeiramente de 'top' mundial, que é difícil de acreditar que começou com a dispensa de uma equipa que ficou na história pelo seu elevado volume de 'mancos', mas que não teve lugar para um dos últimos grandes 'números dez' puros do futebol moderno. No entanto, como se disse no início deste texto, por vezes a vida tem destas coisas – e Deco não será, certamente, o último exemplo que aqui vemos disso mesmo...

18.10.21

NOTA: Este post é respeitante a Domingo, 17 de Outubro de 2021.

Aos Domingos, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos principais acontecimentos desportivos da década.

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De entre as (cada vez mais) provas que compõem a época futebolística portuguesa, a Taça de Portugal continua a ser a mais acarinhada pela maioria dos verdadeiros entusiastas de futebol. Isto porque, mais do que uma oportunidade para o nosso clube do coração ganhar mais um troféu, a Taça afirma-se como a mais pura das competições desportivas nacionais (talvez em qualquer modalidade) pelo carácter igualitário que fomenta, permitindo a agremiações que normalmente nunca chegariam a ver as luzes da ribalta jogar olhos nos olhos com as principais equipas nacionais, proporcionando-lhes assim, não só visibilidade e receitas, como também a oportunidade de 'fazer uma gracinha'; e embora este último cenário não seja por aí além frequente, a verdade é que, por vezes, a Taça de Portugal lá reserva uma surpresa aos entusiastas de futebol – e os 'nossos' anos 90 foram palco daquela que talvez seja a mais cabal demonstração deste princípio em toda a História moderna da prova: a Taça de 1998-99.

As peculiaridades da referida edição da Taça começaram logo na quinta eliminatória (a primeira considerada pela maioria das listagens 'online'), em que já só se perfilavam dois dos tradicionais 'três grandes' portugueses, tendo o Sporting ficado pelo caminho ainda numa das rondas anteriores. As duas equipas que sobravam, Benfica e Porto, tinham, obviamente, enorme favoritismo, mas também elas viriam a soçobrar logo nessa mesma eliminatória, com o campeão em título a ser alvo de uma das tais 'gracinhas' mencionadas anteriormente, ao ser batido pelo Torreense em pleno Estádio das Antas - num jogo que pôs o nome de Cláudio Oeiras no radar futebolístico português - e o Benfica a perder com o Vitória de Setúbal, no Bonfim, por 2-0 – um mau resultado, sim, mas longe de uma derrota em casa contra uma equipa da II Divisão B...

As desapontantes prestações dos 'grandes', juntamente com alguns 'agigantamentos' de agremiações mais pequenas (talvez motivadas pela janela de oportunidade que as mesmas proporcionavam) resultaram naquelas que talvez sejam as meias-finais mais atípicas da História da prova, sem nenhuma equipa grande, e com a presença insólita do Esposende, o mais valoroso 'tomba-gigantes' numa época repleta deles, mas que viria a claudicar perante um Campomaiorense então ainda no pleno das suas forças; já no outro jogo, o Beira-Mar levava a melhor sobre o Vitória de Setúbal, confirmando assim uma final da Taça entre dois emblemas de meio da tabela do escalão principal – uma lufada de ar fresco que não se viria a repetir, e que permitiria ao Beira-Mar (mediante um golo de Ricardo Sousa) alcançar um feito histórico para o seu palmarés, carimbando o acesso à Liga dos Campeões do ano seguinte e tornando-se a segunda equipa da década a conseguir desafiar a hegemonia dos 'grandes' (sendo a outra o Boavista, no extremo oposto da década, em 1991.)

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A equipa vencedora, em pleno momento de festa após o seu feito histórico

Uma edição da Taça a todos os níveis atípica, portanto, e que provavelmente já não seria possível na era moderna, em que o futebol é clínico e táctico, e os favoritos normalmente acabam mesmo por ganhar. Ainda assim, o desaire do Sporting frente ao Alverca em 2019-2020 mostra que, apesar de improvável, uma repetição desta Taça não é, de todo, impossível – bastando, para isso, que uma das equipas mais pequenas em prova saiba aproveitar as oportunidades, e apanhar os adversários de surpresa. Até lá, e num fim-de-semana em que se celebrou mais uma vez a chamada 'festa da Taça', nada melhor do que recordar o ano em que alguns dos mais históricos emblemas secundários dos campeonatos portugueses tiveram, por breves instantes, o seu 'lugar ao sol'...

 

16.08.21

Qualquer jovem é, inevitavelmente, influenciado pela música que ouve – e nos anos 90, havia muito por onde escolher. Em segundas alternadas, exploramos aqui alguns dos muitos artistas e géneros que faziam sucesso entre as crianças daquela época.

Sim, depois de um fim-de-semana de férias, estamos de volta – e logo para falar de um dos temas favoritos aqui no blog: música.

E se na última edição desta rubrica, dedicámos algumas linhas a falar dos Sitiados, um dos dois grandes responsáveis pela existência de um movimento folk-rock português nos anos 90, hoje, falaremos aqui do outro, nascido quase ao mesmo tempo que o grupo de Cascais, mas um pouco mais para o interior, nomeadamente no distrito de Tomar.

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Falamos dos Quinta do Bill, grupo que derivou o seu nome do espaço onde deu os primeiros passos, cujo proprietário se chamava, precisamente, Guilherme (que em inglês fica William, cujo diminutivo é Bill.) Foi aí que, em 1987, o líder incontestado Carlos Moisés se juntou pela primeira vez a Paulo Bizarro e Rui Dias para criar um som enraizado na tradição popular portuguesa, mas que, até então, quase não havia sido explorado na cena nacional. Misturando instrumentos como a flauta, o acordeão, a rabeca ou o banjo com as tradicionais guitarras e bateria e uma atitude ‘tudo a saltar’, o grupo perfilava-se como a resposta ‘tuga’ ao que grupos como Flogging Molly, Dropkick Murphys ou The Pogues vinham apresentando do outro lado do oceano.

A originalidade do som da banda (pelo menos por terras lusas) não tardou a granjear-lhes destaque, rendendo-lhes participações nos maiores concursos e ‘expositores musicais’ nacionais da época, como a edição de 1988 do histórico Rock Rendez-Vous, ou o Aqui D’El-Rock da RTP, já no virar da década – concurso este que o grupo viria, aliás, a vencer, obtendo assim a verba necessária para a gravação do álbum de estreia.

Editado em 1992, ‘Sem Rumo’ passou ainda, no entanto, relativamente despercebido na cena musical portuguesa, tendo o grupo de esperar ainda mais um ano (e um album) para viver na pele a sensação de ser uma estrela pop ‘mainstream’; quando tal ocorreu, no entanto, ocorreu em grande, tendo a música em causa sido um dos maiores ‘hits’ daquele ano de 1993, e conseguido manter a sua relevância cultural no nosso país até aos dias de hoje.

Falamos, claro, de ‘Os Filhos da Nação’, mais conhecida hoje em dia como ‘meme’ de claque futebolística (sob a forma de ‘Os Filhos do Dragão’, hino quase-oficial dos Super Dragões, grupo de apoio do FC Porto) mas que, na sua forma original, era uma ‘malha’ de puro folk-punk-rock, com direito a letra de intervenção – a qual era, no entanto, ofuscada por aquele monstruoso refrão, que decerto alguém desse lado estará já a cantarolar.

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Os atractivos de ‘Os Filhos da Nação’, o disco, não se ficavam, no entanto, por aí; pelo contrário, quase todos os seus doze temas eram ‘malhas’, com destaque para ‘Senhora Maria do Olival’ – o muito aguardado ‘crossover’ entre Sitiados e Quinta do Bill, cantado que é por João Aguardela – e para a versão de ‘Menino’, nos mesmos moldes do que os lendários Xutos & Pontapés haviam feito anos antes com ‘A Minha Casinha’. No cômputo geral, um grande álbum de folk-rock, apadrinhado por nomes tão ilustres como Jorge Palma, que participa com voz e piano em uma faixa.

Infelizmente, tal como aconteceria com os Sitiados, os Quinta do Bill não mais conseguiriam replicar o sucesso daquele segundo álbum, e do seu mega-sucesso radiofónico. O grupo de Carlos Moisés prosseguiria actividades – encontrando-se, inclusivamente, ainda no activo! – mas com muito menos exposição mediática e quase sem ‘airplay’ radiofónico, limitando a sua base de fãs à meia-dúzia de ‘convertidos’ do costume; haverá, decerto, por aí quem saiba os nomes de todas as músicas da banda, e advogue convictamente os méritos do seu quinto álbum, mas para o português comum, os Quinta do Bill são, apenas e só, aquela banda que escreveu a música da claque do FC Porto – o que, convenhamos, não deixa de ser algo triste para uma banda de inegável valor e apostada em criar um som verdadeiramente original no panorama português da época.

Ainda assim, para quem goste de folk-rock com muita energia e uma pitada de atitude ‘punk’, os Quinta do Bill constituem uma proposta tão válida como a sua ‘banda gémea’, os Sitiados, com a ressalva de serem uma proposta de toada muito mais séria do que a (literalmente) folclórica banda de João Aguardela. Para os restantes, sobra ‘aquela’ música, cujo refrão é daqueles que, quando gritado a plenos pulmões em conjunto com uns passinhos de dança, tem o condão de fazer o ouvinte regressar no tempo, aos anos dourados da sua juventude…

Tínhamos que acabar assim, não concordam...?

 

08.08.21

Aos Domingos, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos principais acontecimentos desportivos da década.

E porque acaba de se iniciar mais uma época do nosso ‘querido’ campeonato português (força Sporting! De três em três, sempre a somar!), nada melhor do que recordar as provas que completam, este ano, precisamente 30 e 25 anos de vida, respectivamente.

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Não que as épocas de 91/92 e 96/97 tenham tido, de todo, algo de especial; pelo contrário, qualquer das duas serviria como exemplo perfeito do paradigma do futebol português dos anos 90, o qual ficou, acima de tudo, marcado pela hegemonia do Futebol Clube do Porto, a qual se faz sentir em ambos estes campeonatos (o de 91/92 marca, inclusivamente, o início dessa hegemonia, sendo que na época imediatamente transacta – a primeira dos anos 90 – o campeão havia sido o Benfica).

A Oeste nada de novo, portanto – o que não significa que os dois campeonatos escolhidos não tenham, mesmo assim, tido os seus motivos de interesse; de facto, uma consulta rápida aos plantéis dos ‘três grandes’ em cada um dos anos revela um sem-fim de nomes bem conhecidos e memoráveis para qualquer jovem adepto. Na época de 91/92, por exemplo, militavam em Portugal nomes como Vítor Paneira, Paulo Madeira, Tahar El-Khalej, El Hadrioui, Figo, Balakov, Cadete, Iordanov, Vítor Baía, Aloísio, Fernando Couto, Timofte, Kostadinov ou Domingos, enquanto a época de 96/97 seria palco para o despontar de jovens promessas nacionais como Hugo Leal, Simão Sabrosa, ou um jovem ponta-de-lança brasileiro de 22 anos chegado a Portugal nesse mesmo ano para representar um Futebol Clube do Porto em transição da fase ‘trauliteira’ do início dos 90 para o futebol mais artístico que marcaria a década seguinte – um tal de Mário Jardel…

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O genial Balakov em acção contra o FC Porto

Mesmo fora dos ‘grandes’, havia nomes memoráveis a reter, como o de Jimmy Floyd Hasselbaink, que seguiria do Boavista onde ainda militava em 1996 para (muito) mais altos vôos em anos seguintes.

Em termos futebolísticos, no entanto, o cenário era o mesmo que se verificaria em quase todos os anos dessa década, e muitos dos da seguinte – o Porto a ganhar campeonatos de forma conclusiva, deixando Benfica, Sporting, e por vezes Boavista a digladiar-se pelo 2º e 3º lugares. Anos subsequentes revelariam a verdadeira razão dessa hegemonia, mas naqueles tempos mais inocentes, os adeptos pouco podiam fazer senão encolher os ombros e admitir que sim, CLARO que o Porto ganhava mais um…era apenas parte do ‘status quo’ futebolístico da altura, especialmente depois de os do Norte se tornarem ‘movidos’ a Jardel…

images.jpgAté ele parece confuso sobre como marcava tantos golos...

Vinte anos depois, muita coisa mudou - o futebol português assistiu, entre outras efemérides, a um Porto campeão europeu, a um novo período hegemónico mais a sul, no caso do Benfica, e até a um Sporting capaz de surpreender e deixar a sua posição de eterno derrotado na corrida aos títulos. Perante este paradigma, aqueles tempos mais inocentes, em que o campeonato se chamava Primeira Divisão, se disputava entre equipas de homens feios e brutos em lodaçais disfarçados de campos da bola, e onde se jogavam 90 minutos e no fim o Porto ganhava pode até parecer nunca ter existido, um pouco à semelhança do que acontece com o campeonato inglês pré-Premiership.

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Antes dos patrocínios e do futebol-espetáculo, era assim...fi

No entanto, quem esteve lá sabe que tal cenário não só foi absolutamente verdadeiro, como extremamente empolgante para quem a ele assistia, com as emoções à flor da pele próprias da infância; será, talvez, essa a razão para termos acabado de dedicar uma página inteira a duas épocas pouco ou nada marcantes daquele tempo – e para os nossos leitores terem dedicado algum do seu tempo a lê-la…

24.06.21

NOTA: Este post é relativo a Quarta-feira, 23 de Junho de 2021.

Em quartas-feiras alternadas, falamos sobre tudo aquilo que não cabe em nenhum outro dia ou categoria do blog...

…como é o caso dos matraquilhos.

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Complemento perene de cafés, pastelarias e ‘tascas’ por esse Portugal afora, os matraquilhos não são um passatempo exclusivamente nacional (foram, aliás, inventados em Espanha, mais concretamente na Galiza) mas para quem seja mais desapercebido, quase pode parecer ser esse o caso. Afinal, ainda hoje, mais de três quartos de século após terem sido patenteados, os matraquilhos ou ‘matrecos’ marcam presença em estabelecimentos de refeições leves, acampamentos, colónias de férias, salões de jogos, e onde mais couber uma mesa.

E se muitos países estrangeiros se contentam com ter aquelas mesas básicas, com bonecos azuis sem feições a defrontar bonecos laranjas sem feições, nós portugueses não fazemos por menos – os nossos jogadores de mesa de ‘matrecos’ surgem, inevitavelmente, vestidos a rigor com os equipamentos do Sporting, Benfica ou Porto.

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Podia-se fazer uma 'jogatana' numa mesa destas? Podia, mas não era a mesma coisa...

De igual modo, enquanto no estrangeiro se vão popularizando as horríveis mesas modernas de plástico, em Portugal continuamos apegados às nossas históricas e maravilhosas criações em madeira, tão sólidas e resistentes como intemporais, sempre com aquele ar de quem já foi usado por gerações de jogadores, e estará lá para ser utilizada por várias gerações mais…

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Mesa de 'matrecos' que se preze simula um 'derby'. E quanto mais gastos os jogadores, melhor...

Enfim, apesar de serem de origem galega, os ‘matrecos’ foram-se, ao longo das suas décadas de existência no nosso país, transformando numa experiência bem ‘portuguesa’ – não só no aspecto e envolvência, como na própria forma de jogar (certos países, por exemplo, não respeitam a Regra Sagrada; no Reino Unido, as roletas não só valem, como são mais abusadas do que um Hadouken num jogo de Street Fighter.)

No entanto, a verdade é que este jogo tão simples quanto viciante – seja a dois ou, preferencialmente, a quatro jogadores – é popular o suficiente a nível internacional para justificar a existência, por exemplo, de (múltiplos!) videojogos de ‘simulação’; isto já sem contar, é claro, com as mesas em formato miniatura que todos nós queríamos ter no quarto nos idos de 90 (por aqui, havia uma, muito apreciada.) Enfim, um jogo intemporal, que atravessa gerações, e que, em tempos de euforia futebolística como os que se vivem nestas duas ou três semanas do Verão de 2021, merece bem a homenagem retrospectiva!

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