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Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

18.12.25

NOTA: Este 'post' é parcialmente respeitante a Quarta-feira, 17 de Dezembro de 2025.

Em quartas-feiras alternadas, falamos sobre tudo aquilo que não cabe em nenhum outro dia ou categoria do blog.

Todas as crianças gostam de comer (desde que não seja peixe nem vegetais), e os anos 90 foram uma das melhores épocas para se crescer no que toca a comidas apelativas para crianças e jovens. Em quintas-feiras alternadas, recordamos aqui alguns dos mais memoráveis ‘snacks’ daquela época.

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A última década do século XX sobressai, à distância de trinta anos, como uma era de sensibilização para diversos assuntos até então relativamente ignorados e menosprezados, mas aos quais era importante – quase indispensável – começar a dar mais atenção. E, entre assuntos algo mais 'sérios' e impressionantes para a juventude da época (como as drogas, a SIDA, a fome em África ou os direitos das minorias) existiam também outros mais 'corriqueiros', com escala e impacto significativamente menores, mas que afectavam mais directamente o quotidiano das crianças e jovens, não só em Portugal como um pouco por todo o Mundo. Era o caso, por exemplo, da ecologia, ou do tópico que abordamos neste 'post' duplo, a nutrição infantil.

De facto, enquanto Jamie Oliver se preparava para revolucionar o sistema de refeições escolares inglês, em Portugal, era a Nestlé quem fazia por que, no País, houvesse Crianças Mais Saudáveis. Era este o nome dado ao programa desenvolvido pela produtora alimentar multinacional, em parceria com o Ministério da Educação, Ciência e Inovação, e lançado em Julho de 2000, com o intuito de sensibilizar crianças em idade pré-escolar e primária (concretamente entre os três e os dez anos) quanto à importância de uma alimentação equilibrada e saudável, através de uma série de iniciativas, eventos e desafios lúdico-didácticos levados a cabo em, e junto de, escolas de Norte a Sul do País – o que também teria qualificado esta iniciativa, potencialmente, para uma Saída de Sábado.

E o mínimo que se pode dizer é que a iniciativa se saldou num retumbante sucesso, dado facto de ter acabado de celebrar os seus vinte e cinco anos, no caso com um evento na sede da própria Nestlé, com a participação da turma vencedora do desafio deste ano. Um aniversário marcante para uma iniciativa meritória, e que, espera-se, continue por muitos anos a melhorar os hábitos alimentares de gerações vindouras, com o apoio daquelas (entretanto 'crescidas') que ajudou a 'aprender a comer'...

17.12.25

NOTA: Este 'post' é respeitante a Terça-feira, 16 de Dezembro de 2025.

Porque nem só de séries se fazia o quotidiano televisivo das crianças portuguesas nos anos 90, em terças alternadas, este blog dá destaque a alguns dos outros programas que fizeram história durante aquela década.

Já aqui em outra quadra natalícia falámos da iniciativa 'Querido Pai Natal', desenvolvida pelos CTT a partir dos anos 90, como forma de alimentar a fantasia das crianças portuguesas relativamente ao 'bom velhinho'; pois bem, já ao 'cair do pano' do século XX, a RTP levaria ainda mais longe esse conceito, transformando-o numa emissão televisiva em que uma parte da demografia em causa era surpreendida com o seu pedido de Natal em frente às câmaras.

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Com apresentação de Guilherme Leite (então em alta devido ao sucesso de 'Cromos de Portugal' e sobretudo o perene 'Malucos do Riso'), o programa homónimo da iniciativa (estreado há quase exactos vinte e cinco anos, a 14 de Dezembro de 2000) via o apresentador, uma equipa técnica e o Pai Natal (ou seja, um actor disfarçado) visitar diversas escolas de Norte a Sul do País, e distribuir entre os alunos das mesmas algumas das prendas mencionadas nas suas cartas para o Pólo Norte, para que as suas férias de Natal começassem da melhor maneira. Um conceito simples, mas perfeito para a época em causa (pleno como era de boas intenções e espírito natalício) e impossível de criticar com qualquer tipo de cinicismo - o que talvez explique a sua longevidade, já que o formato foi 'repescado' durante os sete natais seguintes, tendo desaparecido apenas após a quadra de 2007, por razões que não ficam claras com os poucos dados ainda disponíveis 'online' sobre o programa.

Ainda assim, quem quiser 'ver por si mesmo' do que constava o programa (ou simplesmente recordá-lo) pode fazê-lo mediante os três episódios ainda constantes dos Arquivos RTP, único vestígio mais 'tangível' da existência de uma emissão surpreendentemente Esquecida Pela Net, e intemporal o suficiente para poder perfeitamente ter tido continuidade nos anos subsequentes.

13.09.25

NOTA: Este 'post' é respeitante a Quinta-feira, 11 de Setembro de 2025.

Trazer milhões de ‘quinquilharias’ nos bolsos, no estojo ou na pasta faz parte da experiência de ser criança. Às quintas, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos brindes e ‘porcarias’ preferidos da juventude daquela época.

Eram um dos principais símbolos de 'status' do regresso às aulas – especialmente se viessem naqueles estojos grossos com uma imagem bonita no topo, mas também na sua forma mais simples, dentro de um invólucro plástico e com uma folha de cartão com a marca a tapar as tampas. E apesar de, invariavelmente, acabarem secos e sem tampa dentro de poucas semanas (senão mesmo dias, no caso de um tratamento especialmente descuidado) eram, até esse momento, um dos 'ex-libris' das mochilas da escola de crianças e jovens da idade pré-escolar até ao ensino secundário.

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Falamos, claro, dos tradicionais marcadores, os 'todo-o-terreno' da arte infantil, já que requeriam menos precisão que os lápis de cor ou de cera, não precisavam de ser afiados como os primeiros, e duravam bastante mais do que os segundos, tornando-os ideais para crianças mais novas, menos pacientes ou simplesmente com menos talento para as artes. Mesmo quem tinha 'jeito', no entanto, não deixava de aproveitar qualquer oportunidade para comprar um estojo grande, com o espectro completo de cores (e, de preferência, da Molin) com o qual fazer inveja aos colegas de turma nas primeiras semanas do novo ano lectivo – única altura em que a maioria dos pais se mostrava disposta a fazer tal investimento, sendo que, em qualquer outra ocasião, o mais natural seria receber um estojo mais simples, de cores básicas, que fazia menos vista mas servia perfeitamente o propósito-base de pintar ou criar desenhos.

Fosse qual fosse o formato, no entanto, os marcadores formavam parte integrante do dia-a-dia de qualquer criança de finais do século XX e inícios do seguinte – e, apesar de longe da expressividade que outrora tiveram, continuam presentes no quotidiano escolar das gerações Z e Alfa, mostrando que, por mais tempo que passe, há conceitos e produtos que se afirmam como verdadeiramente imortais.

26.06.25

NOTA: Este 'post' é parcialmente respeitante a Quarta-feira, 25 de Junho de 2025.

Em quartas-feiras alternadas, falamos sobre tudo aquilo que não cabe em nenhum outro dia ou categoria do blog.

Trazer milhões de ‘quinquilharias’ nos bolsos, no estojo ou na pasta faz parte da experiência de ser criança. Às quintas, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos brindes e ‘porcarias’ preferidos da juventude daquela época.

Eram prática corrente sempre que era preciso auto-financiar uma viagem de finalistas ou visita de estudo, ou sempre que a escola, clube desportivo ou paróquia queria adicionar um incentivo extra para comparecer na sua festa de Natal ou em qualquer outro evento dessa índole. Ensinavam às crianças e jovens auto-confiança, ousadia, gestão de risco e o valor do trabalho, mas também a 'lei do menor esforço' e a arte de 'se safar', à boa maneira portuguesa. Eram, para uns, um frete e, para outros, um divertido desafio. E, como tantas outras coisas de que falamos nesta e noutras rubricas, caíram em desuso na era digital, a ponto de se encontrarem quase ausentes da sociedade actual - pelo menos da mais urbanizada – preteridas em favor dos mais simples e económicos sorteios digitais, por 'email', 'app' ou nas redes sociais. Falamos das rifas, aqueles pedacinhos de papel arrancados de um bloco, à maneira dos cheques ou bilhetes da altura, e que podiam deter em si o acesso a um prémio (mais ou menos) apelativo, ligado ao evento em causa e, mais que provavelmente, custeado pela própria organização.

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O desafio era sempre o mesmo: ser o primeiro a vender todas as rifas do seu bloco ou, pelo menos, conseguir vender mais do que os colegas. Em teoria, o cumprimento de tal objectivo passaria pela abordagem de estranhos que parecessem dispostos a investir no evento infanto-juvenil associado ao sorteio; para a grande maioria dos alunos portugueses da época, no entanto, tratava-se apenas de convencer os familiares (e, quiçá, um ou outro amigo mais próximo) a darem 'uma ajuda', já que poucos eram os que verdadeiramente tinham coragem de 'jogar' da forma correcta, ou seja, de falar a estranhos em plena rua ou mesmo nas lojas ou cafés do bairro. Fosse qual fosse a forma de chegar ao objectivo, no entanto, o que contava era mesmo a angariação de fundos, essencial para qualquer que fosse o objectivo da organização do sorteio propriamente dito, e que nunca deixava de ser substancial.

Conforme já referimos, no entanto, as rifas 'físicas' caíram um pouco em desuso com o avançar da era digital, tendo as Gerações Z e Alfa, presumivelmente, encontrado outra forma de ganhar carácter e auto-confiança. Para quem alguma vez levou para casa um 'caderninho' de rifas para o sorteio da escola, no entanto, aqueles 'bilhetinhos mágicos' ficarão, ainda e sempre, associados a tempos mais simples, em que tentar convencer o pai ou a mãe a contribuir para a causa em questão era a maior das suas preocupações nessa semana...

11.01.25

NOTA: Este 'post' é parcialmente respeitante a Sexta-feira, 10 de Janeiro de 2025.

NOTA: Por razões temáticas, este Sábado será de Saídas.

Um dos aspetos mais marcantes dos anos 90 foi o seu inconfundível sentido estético e de moda. Em sextas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das marcas e modas mais memoráveis entre os jovens da ‘nossa’ década.

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Como o jovem médio de finais do século XX se sentia ao regressar às aulas após o Natal, a estrear a roupa nova...

Os primeiros dias do mês de Janeiro marcam, tradicionalmente, o regresso às aulas para o segundo período lectivo, após a paragem, em Dezembro, para o Natal e Ano Novo. E, mais do que assegurar que a matéria está estudada ou os materiais em ordem, o mais importante para qualquer jovem neste recomeço é entrar 'com o pé direito' no novo ano – de preferência, tendo vestido no mesmo o ténis 'da moda' que recebeu no Natal.

Sim, o regresso às aulas após as férias de Inverno sempre foi, e continua a ser, a época por excelência para ser 'vaidoso', e 'exibir' as prendas de vestuário que se receberam no dia 25, fazendo um esforço para combinar, na primeira semana lectiva após a pausa, absolutamente TODAS as roupas novas, por mais 'estrambólicos' que fiquem os conjuntos. Para os jovens dos anos 90 e 2000, era hora de mostrar aos colegas, amigos e até rivais o blusão da Duffy, a 'camisinha' da Sacoor, o 'sweat' da Gap, Gant, Amarras, No Fear ou Quebramar, as calças de ganga da Levi's, Lois ou Charro, os ténis Converse, Redley, Airwalk ou Skechers, as botas Doc Martens, Panama Jack ou Timberland, o boné com a equipa de desporto americana 'da moda', a mochila da Monte Campo, ou mesmo acessórios como brincos, pulseiras, gargantilhas, relógios ou carteiras, artigos que nunca deixavam de causar uma reacção (fosse ela positiva ou negativa) entre os pares em causa.

Ao contrário da maioria das vivências que recordamos neste 'blog', esta continua a verificar-se até aos dias de hoje, mudando apenas as marcas e artigos cobiçados ou exibidos; assim, quem tiver filhos em idade escolar certamente estará por estes dias a viver novamente, através dos seus olhos, uma situação tão familiar quanto intemporal, que eles próprios experienciaram quando tinham a mesma idade...

02.11.24

NOTA: Este 'post' é respeitante a Quinta-feira, 31 de Outubro de 2024.

Todas as crianças gostam de comer (desde que não seja peixe nem vegetais), e os anos 90 foram uma das melhores épocas para se crescer no que toca a comidas apelativas para crianças e jovens. Em quintas-feiras alternadas, recordamos aqui alguns dos mais memoráveis ‘snacks’ daquela época.

Apesar de o currículo escolar português não contemplar, a qualquer dos seus quatro níveis, uma disciplina nos moldes da Economia Doméstica estudada pelos alunos britânicos ou norte-americanos, tal não invalida que as escolas portuguesas tenham, desde sempre, tentado incutir nos seus alunos algumas noções básicas de como cuidar do seu espaço ou contribuir para a vida quotidiana. E se esta tendência, outrora presente em aulas de Lavores e práticas semelhantes, se foi esfumando ao longo das décadas, nos anos 90, a mesma subsistia ainda sob a forma de ocasionais lições de culinária.

De facto, não era de todo infrequente ver uma professora do ensino primário (fase menos estruturada do processo educativo nacional, e que, como tal, oferece maior liberdade para iniciativas deste tipo) dedicar uma manhã ou tarde a ensinar aos seus alunos como preparar uma receita simples, mas saborosa; e, à falta de fornos e outros equipamentos semelhantes nas salas de aula nacionais, a escolha acabava, inevitavelmente, por recair num 'velho conhecido', que não requeria tempo de forno, ou mesmo grande iniciativa no tocante à preparação – o salame de chocolate.

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Doce marcadamente português – sendo a Itália o único outro país do Mundo onde é conhecido e confeccionado – muito popular entre a demografia infanto-juvenil, e que oferece a vantagem adicional de poder ser preparado de duas maneiras (com e sem recurso a ovos) não é de admirar que o salame de chocolate formasse parte de tantos 'ateliers' de culinária para crianças, quer no contexto das aulas, quer de iniciativas externas – quase sempre na sua versão sem ovos, dados os riscos inerentes ao uso de ovos crus, sobretudo quando consumidos por crianças. Mesmo essa variante 'simplificada', no entanto, era extremamente saborosa, e cumpria com louvor a tripla missão de ensinar rudimentos culinários às crianças, de lhes aumentar a auto-estima como resultado de um processo de confecção bem-sucedido, e de lhes proporcionar uma experiência diferente e, por isso, inesquecível, afirmando-se assim como uma escolha ideal para o efeito em causa.

Numa altura em que os cuidados e regulamentos em torno de produtos alimentares são muito mais rigorosos e exigentes, é de questionar se a prática de aulas de culinária – quer centradas em torno do salame de chocolate, quer de qualquer outro produto – continua a ser viável num contexto escolar ou educativo. Quem teve a sorte de participar numa destas sessões, no entanto, decerto a lembrará até aos dias de hoje, e quiçá nunca tenha voltado a comer um salame tão bom como o confeccionado naquele dia, na sala de aula, por si mesmo e pelos seus colegas de turma...

16.10.24

Em quartas-feiras alternadas, falamos sobre tudo aquilo que não cabe em nenhum outro dia ou categoria do blog.

Era a ameaça-mor dos professores do ensino preparatório e secundário dos anos 90; a forma quase garantida de fazer com que a parcela mais 'inocentemente' irreverente dos alunos (por oposição aos verdadeiramente indisciplinados) assumissem um comportamento mais condicente com o contexto da sala de aula. O simples receio de ver aquela meia-dúzia de linhas em cada página do pequeno livreto preenchidas com uma nota ou recado para os encarregados de educação fazia até o mais convicto dos 'gozões' repensar as suas prioridades, e concentrar-se na matéria a estudo, tornando a caderneta escolar numa das grandes 'armas' dos docentes para manter a paz ao longo do ano lectivo.

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Uma caderneta do período de 'viragem de Milénio'

Os relatos de mau comportamento estavam, claro, longe de ser a principal função da caderneta, a qual servia também como meio alternativo para convocar reuniões de pais ou comunicar visitas de estudo (à falta das tradicionais circulares) ou simplesmente para veicular recados mais generalistas. Para os alunos, no entanto, aquele pequeno livrinho de inofensiva aparência adquirido nos primeiros dias de regresso às aulas era o equivalente ao infame 'registo permanente' dos alunos norte-americanos – algo que os iria marcar não só a curto-prazo, como potencialmente num futuro mais distante, como o fim do ano lectivo, ou até mesmo o ano seguinte. Acima de tudo, a nota na caderneta era motivo de vergonha para a grande maioria dos alunos, o que, a juntar às inevitáveis consequências à chegada a casa, fazia dessa uma medida disciplinar indesejada e até temida por qualquer jovem de finais do século XX e inícios do seguinte.

Tal como tantos outros elementos da vida de então, no entanto, também as cadernetas escolares perderam preponderância com a evolução dos meios digitais, os quais, pelo seu imediatismo e celeridade, rapidamente se assumiram como principal meio de comunicação entre docentes e pais ou educadores, 'eclipsando' progressivamente a tradicional caderneta. Convenhamos, no entanto, que uma queixa por email, lida no ecrã de um computador ou telemóvel, não tem o mesmo impacto daquelas linhas escritas à mão nas páginas daquele livrinho que havia depois que tirar da mochila e apresentar fisicamente aos pais, 'rezando' para não levar uma 'descasca', fazendo desta mais uma das muitas áreas em que as gerações 'Z' e 'Alfa' não sabem a sorte que têem. Qualquer 'X' ou 'millennial', no entanto, terá porventura estremecido um pouco ao ler estas linhas, e relembrar 'rasponços' memoráveis decorrentes de travessuras na escola, e as subsequentes e inevitáveis mensagens da professora na caderneta...

19.07.24

NOTA: Este 'post' é respeitante a Quarta-feira, 17 de Julho de 2024.

NOTA: Por motivos de relevância temporal da próxima Quarta aos Quadradinhos, a mesma será lançada na Quarta-feira, 24 de Julho. O 'post' desta semana será uma Quarta de Quase Tudo.

Em quartas-feiras alternadas, falamos sobre tudo aquilo que não cabe em nenhum outro dia ou categoria do blog.

Embora as férias de Verão sejam, tradicionalmente, um período em que os jovens procuram relaxar e afastar-se das obrigações académicas e escolares, aproveitando o clima ameno, existe sempre quem (por iniciativa própria ou dos pais) procure adiantar-se um pouco nas matérias do ano lectivo vindouro; e se, hoje em dia, esse objectivo é conseguido sobretudo através de portais educativos existentes na Internet, na era pré-digital, em que a referida plataforma era ainda incipiente, esse 'estudo avançado' era feito, maioritariamente, através de colecções de livros didácticos complementares aos utilizados na escola, e especificamente dedicados a serem utilizados durante as férias - os quais continuam, aliás, a existir até aos dias de hoje, como alternativa para quem prefira minimizar ao máximo a exposição digital dos educandos.

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Exemplo de livro de preparação de finais dos anos 90 ou inícios de 2000.

Tão-pouco ficava este tipo de livros restrito a apenas uma editora – antes pelo contrário, quase todas as casas conhecidas pelo enfoque didáctico possuíam uma edição deste tipo, renovada anualmente, de modo a manter os exercícios actualizados com os currículos dos respectivos anos. Apesar da premissa semelhante, no entanto, nem todos estes volumes eram equiparantes, sendo alguns propositalmente mais desafiantes enquanto outros, ao procurarem amenizar a 'carga mental' dos jovens discentes no período estival, acabavam por simplificar em demasia o nível dos exercícios, criando uma imagem ilusória do que seria o ano lectivo seguinte. Havia, pois, que saber escolher a colecção ou série certa, de modo a assegurar o nível adequado e desejado de preparação aquando do regresso às aulas, em Setembro. E apesar de nem toda a gente ter nostalgia por este tipo de actividade ou livro (muito pelo contrário) vale, ainda assim, a pena recordar como era feita a 'preparação de Verão' de um estudante português na época em que a Internet 2.0 era ainda um sonho na cabeça de algum informático norte-americano. 

 

23.05.24

Trazer milhões de ‘quinquilharias’ nos bolsos, no estojo ou na pasta faz parte da experiência de ser criança. Às quintas, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos brindes e ‘porcarias’ preferidos da juventude daquela época.

De entre os materiais essenciais na mochila de qualquer aluno do ensino básico ou secundário – até aos dias de hoje, mas sobretudo na era pré-digital – as borrachas estavam entre os mais indispensáveis; afinal, quando grande parte do dia é passada a tirar notas em papel, convém ter maneira de corrigir quaisquer eventuais erros ou fazer quaisquer mudanças que se afigurem necessárias. Não admira, pois, que as crianças e jovens da altura (e também, ainda, as actuais) tivessem à sua disposição toda uma panóplia de borrachas, das mais normais, brancas, de marcas como a Rotring, a modelos em forma de personagens ou até com cheiro. No entanto, de todos estes modelos, apenas um se destaca imediatamente na mente de quem andou na escola naquela época; a famosa e infame borracha de tinta.

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Teoricamente equipadas com duas secções distintas, que lhes davam o tradicional visual bicolor em tons de castanho e azul, as borrachas de tinta são vistas, por alguns, como um dos maiores embustes 'oficialmente reconhecidos' da História. Isto porque a parte azul, supostamente capaz de apagar traços de tinta de caneta, revelava-se inevitavelmente aquém das expectativas, não só não eliminando por completo os referidos traços, como sucedia com a parte para lápis, mas acabando ainda mais inevitavelmente por furar até a mais grossa e resistente das folhas de papel. Não têm conta os trabalhos, textos, folhas de caderno e até testes ou pontos estragados por este tipo de borracha, que muitas vezes causava mais problemas do que os que resolvia. E, apesar de tudo isto, ao início de cada novo ano lectivo, lá constava do estojo mais uma 'tablete' castanha e azul, a qual, certamente, iria funcionar bem melhor do que as últimas dez, e apagar a escrita a tinta sem furar o papel...

Quanto mais não seja por esta capacidade de 'enganar' sucessivas gerações de jovens, bem como pela sua ubiquidade nos estojos dos mesmos (ainda que não constituísse, exactamente, uma quinquilharia) a borracha de tinta merece um apontamento neste nosso blog nostálgico; afinal, quantos objectos existem que, depois de falharem naquilo para que foram destinados, continuem a ser sucessivamente substituídos por outros exactamente idênticos?

29.02.24

Trazer milhões de ‘quinquilharias’ nos bolsos, no estojo ou na pasta faz parte da experiência de ser criança. Às quintas, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos brindes e ‘porcarias’ preferidos da juventude daquela época.

O dicionário Priberam de língua portuguesa define 'quinquilharia' como 'objecto de pouco valor, geralmente de pequena dimensão, como brinquedos de criança' – e poucas coisas se encaixam tão bem nessa definição como o tema do nosso 'post' de hoje. Isto porque o referido objecto era, de facto, de valor negligenciável – sendo, inclusivamente, prémio habitual das máquinas de brindes de finais do século XX – e adequado a apenas uma função, ela mesma praticamente inútil; e, no entanto, não haverá criança dos anos 90 (nem, a julgar pelos resultados de uma rápida pesquisa na Net, dos dias de hoje) que não tenha tido, e apreciado, pelo menos um exemplar do mesmo.

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Versões modernas do intemporal artigo.

Falamos dos enfeites para lápis, muitas vezes designados informalmente como 'cabeças' – aquelas pequenas figuras ou formas com um buraco na base, através do qual se inseria o lápis, criando assim uma pequena decoração para o mesmo – sendo este o único objectivo a que se destinavam tais 'bugigangas' (embora, indirectamente, ajudassem também a prevenir que os 'roedores' de lápis, como o autor deste 'blog' quando criança e adolescente, danificassem a zona da borracha ou mesmo a madeira do velho HB.) Disponíveis numa grande variedade de materiais – borracha mole, borracha dura, plástico ou madeira – e num número quase infinito de motivos e padrões, estas literais 'quinquilharias' não deixavam, pese embora a sua inutilidade, de fazer as delícias das crianças como elemento puramente estético, particularmente quando combinados com um lápis com padrão e cores semelhantes ao da 'cabeça'.

Mesmo nos mais 'básicos' lápis ´às riscas´ ou de cor sólida, no entanto, estas decorações ajudavam a dar um toque de interesse e originalidade, tornando a experiência de tirar notas, fazer um ditado ou cópia ou preencher um teste ligeiramente mais agradável e divertida. Talvez por isso, ou talvez pela sua alta disponibilidade e preço relativamente baixo, as 'cabeças' de lápis fossem presença assídua, e quase obrigatória, ao lado da caneta multicores e da borracha de cheiro, nos estojos dos alunos do ensino básico daqueles finais de Segundo Milénio – um estatuto de que, presumivelmente, continuarão a desfrutar até o uso de 'tablets' e portáteis substituir, e tornar definitivamente obsoletas, as notas escritas à mão. Ou seja, enquanto houver lápis nos estojos escolares de crianças pré-adolescentes, haverá grandes probabilidades de, algures no interior dos mesmos, se encontrar também uma versão moderna do mesmo objecto que adornou, há duas ou três décadas atrás, as pontas dos lápis dos então jovens 'millennials'...

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