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Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

18.06.22

As saídas de fim-de-semana eram um dos aspetos mais excitantes da vida de uma criança nos anos 90, que via aparecerem com alguma regularidade novos e excitantes locais para visitar. Em Sábados alternados (e, ocasionalmente, consecutivos), o Portugal Anos 90 recorda alguns dos melhores e mais marcantes de entre esses locais.

Depois de na passada Quarta-feira termos falado das circulares escolares, nada mais apropriado do que, neste Sábado de Saídas, abordarmos uma das razões mais comuns – e entusiasmantes – para as mesmas serem distribuídas: as visitas de estudo.

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Representação aproximada da experiência de sair em visita de estudo

Apesar de não terem, regra geral, lugar ao Sábado, por não ser dia de escola – quem tivesse uma visita de dois dias ou fim-de-semana podia considerar-se invulgarmente afortunado – as visitas de estudo não deixavam de estar entre as saídas mais memoráveis para a geração que cresceu e andou na escola entre as décadas de 80 e 2000 (situação que se crê, presumivelmente, ser semelhante para as crianças e jovens que frequentam actualmente o ensino, por muito que o cariz dos próprios passeios tenha mudado nos entrementes.) As razões para tal carácter marcante eram várias, e iam da mais básica – a disrupção do habitual 'rame-rame' das aulas ao dia de semana – até outras menos evidentes, mas não menos válidas, como o facto de as referidas visitas permitirem conhecer locais novos e, potencialmente, relevantes para os interesses de certos alunos.

De facto, entre os dois tipos de visita de estudo – a de proximidade e a que implicava viagens mais longas – este último tipo era sempre o mais entusiasticamente recebido e antecipado, não só pela perspectiva da própria viagem de camioneta, mas também por permitir aos alunos visitar localidades e locais de que dificilmente teriam tido conhecimento por si mesmos; no entanto, até mesmo as visitas a sítios mais próximos tinham o seu quê de entusiasmante, especialmente se o destino fosse um museu ou exposição de carácter apelativo para a demografia-alvo, fosse pelo tema (sendo que dinossauros ou o espaço exterior eram sempre mais interessantes do que arte antiga, por exemplo), fosse pelo cariz interactivo que apresentava.

Fosse qual fosse o teor, no entanto, qualquer visita de estudo era sempre bem recebida, quanto mais não fosse pela oportunidade de passar um dia fora da sala de aula, com os amigos, e viver experiências diferentes das habituais; talvez por isso tantos ex-jovens dos anos 90 tenham recordações vivas e nostálgicas deste tipo de saída, cuja importância foi algo diminuída (embora de modo algum obliterada) pela era da Internet, em que tudo pode ser feito de forma virtual. Espere-se, pois, que as gerações vindouras possam, ainda, vir a vivenciar esta experiência tão marcante do período de frequência da escola.

15.06.22

Em quartas-feiras alternadas, falamos sobre tudo aquilo que não cabe em nenhum outro dia ou categoria do blog.

Qualquer criança ou jovem em idade escolar do Portugal de finais do século XX e inícios do XXI se lembra daquele momento em que, durante uma aula perfeitamente vulgar, o professor ou professora retirava da pasta ou secretária uma resma de papéis em formato A6 (ou ainda menor) e começava a distribuí-los pelas carteiras. O mero vislumbre das ditas-cujas folhas dava, quase de imediato, azo a uma catadupa de emoções, à medida que o jovem em causa tentava adivinhar o teor do que nelas estava escrito, que podia ir de uma autorização para uma visita de estudo (momento de júbilo para qualquer estudante, fosse à época ou nos dias de hoje) a um convite para uma festa da escola, ou ainda informações relativamente a uma reunião de pais (que já causavam sentimentos um pouco mais díspares, dependendo da conduta do aluno) ou à periódica e bem clássica inspecção aos piolhos.

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Exemplo moderno de uma típica circular escolar, no caso para informar sobre uma visita de estudo.

Fosse qual fosse o seu conteúdo, o simples acto de levar para casa uma circular (nome genérico para qualquer pedaço de papel de cariz oficial recebido na escola) era, já de si, disruptivo o suficiente para tornar aquele dia marcante – mesmo quando, por vezes, havia um quê de preocupação com o modo como a mesma iria ser recebida em casa - qualquer ex-aluno recordará o terror absoluto de receber uma circular INDIVIDUAL, a convocar APENAS OS SEUS pais para uma reunião com a directora de turma...

Esta tendência para suscitar uma resposta emocional da parte dos alunos foi, aliás, precisamente o que ajudou a fazer das circulares escolares um dos muitos elementos marcantes da infância e juventude de quem frequentou o ensino básico ou secundário em Portugal na era imediatamente anterior ao advento da Internet. Pena, portanto, que hoje em dia todas estas comunicações sejam feitas directamente com os encarregados de educação, por e-mail, e sem necessidade de utilizar o aluno como intermediário – pois a verdade é que as crianças e jovens de hoje em dia jamais conhecerão a sensação de ver um professor tirar aquela resma de papéis de um qualquer canto da sua secretária, e a emoção que tal gesto provocava entre os alunos...

04.05.22

Em quartas-feiras alternadas, falamos sobre tudo aquilo que não cabe em nenhum outro dia ou categoria do blog.

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Numa época em que o acto de conhecer uma pessoa do outro lado do Mundo se desenrola em alguns cliques, pode parecer caricato que, há menos de um quarto de século, ainda era difícil a muitos jovens portugueses conhecerem pessoas fora da própria turma da escola, e menos ainda conseguirem os seus números de telefone para os contactar à distância (as redes sociais eram, ainda, meros produtos da imaginação de universitários californianos.)

Um dos muitos métodos que instituições frequentadas diariamente por jovens – como escolas, grupos de juventude e colónias de férias – utilizavam para assegurar que esses mesmos jovens se conheciam e comunicavam, mesmo que não em pessoa, era o mítico e sempre divertido jogo do 'Amigo Secreto' – não aquele em que toda a gente do escritório troca prendas no Natal, mas sim a versão que envolve uma 'caixa do correio' e a atribuição aleatória de um correspondente, ao qual cada jovem deve escrever anonimamente, até que o mesmo desvende o mistério da sua identidade.

Uma premissa que dava, invariavelmente, azo a muita diversão, até porque havia sempre quem não fosse cem por cento honesto, optando por incluir nas suas missivas supostas pistas destinadas a desviar a atenção do correspondente, e o fazer pensar que o seu Amigo Secreto era qualquer outra pessoa. Desde a escrita com uma letra diferente à ambiguidade quanto a detalhes pessoais, eram muitos os subterfúgios utilizados pelos correspondentes mais 'espertos' para prolongar mais um pouco o jogo – e a verdade é que a maioria dos mesmos resultava, obrigando muitas vezes o coordenador do jogo (normalmente um professor ou monitor) a revelar ao respectivo jovem de quem eram, afinal, aquelas cartas secretas.

À semelhança de muitos dos assuntos nostálgicos de que aqui falamos, é fácil perceber porque é que o 'Amigo Secreto' saiu de moda; o advento da Internet 2.0 não só veio facilitar as interacções, conforme descrito no início deste texto, mas também viu nascer uma geração para quem certas nuances desse tipo de jogo talvez não fossem aceitáveis - até porque, no mundo cibernético, a anonimidade é normalmente vista como desculpa para testar limites de que, naqueles idos de 1990 e 2000, a geração hoje entre os vinte e os quarenta anos nem sonhava em tentar aproximar-se, naquele que é só mais um exemplo da forma como a sociedade mudou nas últimas duas a três décadas.

Assim, para quem alguma vez participou num jogo de Amigo Secreto, restam hoje apenas as memórias daquelas folhas de papel cuidadosamente dobradas, com o respectivo nome escrito (e, muitas vezes, decorados a preceito) que se recolhiam daquela caixa toscamente forrada com cartolina e se liam, vorazmente, a um canto, tentando esconder a missiva dos amigos, a fim de evitar a galhofa se, porventura, esta fosse de um membro do sexo oposto...

14.04.22

Trazer milhões de ‘quinquilharias’ nos bolsos, no estojo ou na pasta faz parte da experiência de ser criança. Às quintas, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos brindes e ‘porcarias’ preferidos da juventude daquela época.

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Quando se é criança, 'vale tudo' para 'desligar', mesmo que por momentos, de uma aula chata; e nos anos 90, quando os telemóveis ainda eram mais excepção que regra e os 'tablets' ainda nem eram ideia no cérebro de um qualquer cientista, uma das principais formas que as crianças de todo o Mundo encontravam para 'matar tempo' nessas alturas mais chatas (quando não estavam a passar papéis entre si, claro) eram as confecções em papel, criadas com as folhas dos cadernos e 'dossiers'.

Da mais famosa destas - o quantos-queres - já falámos numa edição anterior desta rubrica; hoje, dedicaremos a nossa atenção às outras principais categorias de criações deste tipo - a saber, os barcos, os chapéus e, claro, os aviões de papel.

Dos três tipos, o mais universal era, sem dúvida, o último, até por um avião de papel ser tão fácil de criar - e a definição do que constituía uma criação deste tipo tão lata - que até quem não tinha grande jeito podia rapidamente 'fabricar' um destes artefactos e gerar algum entusiasmo, fosse na sala de aula ou cá fora, no recreio (as competições para ver que avião voava mais longe eram praticamente um ritual entre jovens de uma certa idade); por contraste, os barquinhos requeriam água nas proximidades (e tendiam a desfazer-se rapidamente) e os chapéus deixavam de servir após uma certa (pouca) idade. Ainda assim, qualquer destes três elementos constituía uma 'quinquilharia' artesanal perfeitamente válida - e, mais importante, uma forma divertida de fazer 'acelerar' o tempo num dia de escola mais lento...

06.04.22

Em quartas-feiras alternadas, falamos sobre tudo aquilo que não cabe em nenhum outro dia ou categoria do blog.

Na última edição desta rubrica, falámos de uma das instâncias mais desagradáveis da vida escolar dos anos 90, nomeadamente a inspecção aos piolhos; para contra-balancear esse post, esta semana, vamos falar de uma das mais agradáveis: a chegada das férias da Páscoa.

desenhos-para-colorir-da-pascoa-feliz-pascoa.jpgUm desenho para pintar bem típico da época

E se os principais atractivos da época natalícia eram os presentes, a boa comida e o tempo passado em família (isto sem contar com a inevitável ida ao hipermercado), já a Páscoa 'conquistava' os corações dos mais novos com uma mistura de chocolate (o 'rei' das guloseimas), bom tempo (QUASE sempre...), brincadeiras como a caça aos ovos e, claro, também a oportunidade de celebrar junto da família o feriado, quer de forma religiosa, quer laica.

Fosse qual fosse o motivo, a verdade é que as férias da Páscoa causavam, na mente de uma criança em idade de instrução primária, um alvoroço tão grande quanto as do Natal, e apenas excedido pelas férias grandes; por este motivo, poucos eram os docentes que procuravam ensinar matéria nova no final do segundo período, preferindo as habituais actividades de trabalhos manuais relacionadas com a Páscoa, ou a pintura de desenhos, sempre tão do gosto dos mais novos – sendo, em ambos os casos, os motivos voltados à festa da Primavera, com coelhinhos e ovos à cabeça. Os mais sortudos poderiam, até, esperar um pacotinho de amêndoas doces na sua carteira nos últimos dias antes das férias...

E embora nas escolas 'dos grandes' este 'feeling' se perdesse um pouco – entre testes de fim de período e o 'stress' de saber as notas – a verdade é que, para os estudantes primários dos anos 90 (e talvez também um pouco hoje em dia) a Páscoa era uma época de sensações especiais, combinando a alegria da Primavera com a de duas semanas de férias que se esperam cheias de chocolates e tempo passado em família – uma combinação que, espera-se, essas mesmas ex-crianças tentem, hoje, transmitir aos respectivos filhos...

Feliz Páscoa, caros leitores!

23.03.22

Em quartas-feiras alternadas, falamos sobre tudo aquilo que não cabe em nenhum outro dia ou categoria do blog.

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Nós também, miúda...nós também.

Sempre que chegava a Primavera, era certo e sabido – qualquer criança dos anos 90 em idade de instrução primária trazia da escola, na mochila, uma circular a informar os pais de que estava na altura de fazer a inspecção anual para detecção de piolhos e lêndeas.

Não há certezas se esta prática continua a ser comum nas escolas portuguesas (alguém aí que tenha filhos, deixe resposta nos comentários) mas, nos anos 90, a mesma era inescapável. Todos os anos, sem falha, havia alguém na turma que apanhava (ou se pensava ter apanhado) piolhos, e lá tinha a turma toda de levar para casa o tradicional pedaço de papel assinado pela professora, para entregar à mãe.

Esse acto marcava, aliás, o início do não menos inevitável ritual de ficar sentado num banquinho, na casa de banho, cozinha ou até quintal, enquanto cada milímetro do nosso cabelo era cuidadosamente esquadrinhado com um pente para piolhos, para ter a certeza de que nenhum desses nefastos bicharocos lá morava - seguindo-se, se necessário, o tratamento com champô Quitoso, para debelar definitivamente qualquer potencial infestação. O alívio, esse, vinha no fim, quando o teste era passado por mais um ano – ou, pelo menos, até mais alguém na turma aparecer com suspeitas de piolhos...

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O champô Quitoso, parte integrante de muitas infâncias

Numa época em que as comunicações escolares são primariamente feitas por intermédio de portais virtuais, e em que existe um muito maior cuidado com a saúde e a higiene por parte da família média portuguesa, é pouco provável – senão mesmo impossível – que a nova geração portuguesa venha a ter a mesma experiência que os seus pais tiveram, há já mais anos do que parecem; resta, pois, a quem andou na escola primária na década de 90 ou anteriores preservar a memória oral desse verdadeiro ritual de passagem escolar do século XX...

 

08.12.21

Em quartas-feiras alternadas, falamos sobre tudo aquilo que não cabe em nenhum outro dia ou categoria do blog.

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Para mutas crianças – de qualquer idade, nacionalidade ou era – a escola primária é a única que chega a ser divertida, em grande parte graças aos esforços dos professores deste sector em tornar a aprendizagem intuitiva, variada e até algo relaxada, o que deixa quase totalmente de acontecer do quinto ano em diante. Nos anos 90, em Portugal, a situação não era diferente, e havia certas alturas do ano – sobretudo na aproximação aos diferentes períodos de férias – em que os professores ajuizavam (acertadamente) que qualquer tentativa de aprendizagem sairia frustrada, e as aulas eram passadas a pintar desenhos alusivos à estação ou período festivo em curso.

O Natal não era, claro, diferente – afinal de contas, das diversas festas que povoam o calendário português, essa é, talvez, a que maior significado tem para as crianças e jovens. E se na Páscoa havia ovos e desenhos de coelhinhos, e no S. Martinho se comiam castanhas no pátio, era certo e sabido que, no Natal, a sala de aula se iria decorar com motivos alusivos a esta festa (e, com sorte, uma árvore com luzinhas, junto à qual se tiravam fotos), e que se iriam pintar desenhos de Pais Natais, árvores, anjos e estrelinhas para pendurar à entrada da sala (alguns, inevitavelmente, com a cara verde, roxa ou amarela e a roupa da cor errada), fazer presentes artesanais para os pais, e que (com sorte) iria ter lugar uma festa de Natal ou troca de prendas – ou, melhor ainda, se iria tão simplesmente RECEBER uma prenda, entregue por um dos ajudantes do velhote de barbas brancas (a quem, a propósito, já se escrevera uma carta, em papel especial fornecido pelos CTT, que os pais ou a própria professora haviam ajudado a depositar no marco do correio, em envelope também expressamente fornecido para o efeito.) Eram dias mágicos em que a sensação de férias se combinava com o típico ambiente natalício para criar memórias que, à distância de duas ou três décadas, parecem ainda mais idílicas.

Infelizmente, este tipo de experiência não perdurava para lá do quinto ano, altura em que o sistema de ensino principia o seu processo de formatação dos futuros adultos que acolhe; ainda assim, qualquer pessoa que tenha vivenciado aquelas semanas antes do Natal numa sala de aula primária ainda hoje, certamente, os recorda, e espera sinceramente que os filhos, sobrinhos e outras crianças na sua vida possam, a seu tempo, vivenciar algo semelhante...

16.10.21

NOTA: Este post corresponde a Sexta-feira, 15 de Outubro de 2021.

Um dos aspetos mais marcantes dos anos 90 foi o seu inconfundível sentido estético e de moda. Em sextas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das marcas e modas mais memoráveis entre os jovens da ‘nossa’ década.

Na passada Quarta-feira, falámos neste espaço dos cadernos dos anos 90, muitos dos quais eram utilizados como 'statement' pelos jovens em idade escolar, nomeadamente mediante capas apelativas e ligadas ao que então se considerava estar 'na moda'. No entanto, os cadernos estavam longe de ser a única forma de um aluno afirmar a sua identidade na sala de aula; nesse aspecto, havia outro tipo de item, bem mais impactante e relevante na prossecução desse mesmo objectivo, do qual falaremos no post de hoje.

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Tratavam-se, é claro, das mochilas, talvez a primeira peça de material escolar adquirida pelo aluno médio daquele tempo sempre que se avizinhava um novo ano lectivo. Ainda mais do que hoje em dia, a mochila era extremamente importante enquanto afirmação de conformidade – ou não – às regras de 'estilo' da escola, e parte tão integrante do 'look' de um aluno como qualquer peça de vestuário – o que, aliás, explica a sua presença nesta rubrica em particular.

E oportunidades de comprar uma mochila à medida da nossa personalidade era coisa que não faltava naqueles anos 90, tal era a quantidade e variedade de modelos que se podiam encontrar na loja ou 'shopping' mais próximo - das mochilas coloridas ou com personagens de desenhos animados, típicas da escola primária, passando pelos modelos 'casa às costas' favorecidos por alunos do preparatório e secundário, até às mochilas que não se destinavam necessariamente a uso escolar, mas eram para isso adaptadas (destacando-se dentro deste tipo em particular as mochilas da Monte Campo, Eastpak e Jansport.)

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Um acessório tão popular que merecia o seu próprio post...

A arte estava mesmo em encontrar um modelo que conjugasse o apelo estético que interessava ao aluno com características favorecidas pelos pais, como a ergonomia e os suportes das alças, sendo que quem conseguisse tal proeza tinha quase garantida a relação de 'amizade' com a sua nova mochila (nesse aspecto, por aqui, recorda-se com carinho a mochila do Bart Simpson da primeira classe, e a verde da Slazenger dos quinto e sexto anos, além da Monte Campo azul para ir de férias.)

Em suma, além de acessório essencial para transporte das 'toneladas' de livros, 'dossiers' e folhas característicos do dia-a-dia escolar da época, as mochilas tinham dupla função como acessório estético, tão importante como a própria roupa no contexto de inserção na malha social da escola; tal como a mochila certa servia como meio de afirmação de identidade, também a mochila errada podia representar um 'suicídio' social, e fazer a criança ou jovem passar por alguns dissabores junto dos seus pares. Talvez fosse precisamente por isso que tantas e tantas crianças dispendiam, anualmente, largos minutos em frente ao expositor das mochilas do hipermercado mais próximo, a tentar assegurar que escolhiam o modelo perfeito para as suas necessidades – as quais, neste caso, iam bem além da capacidade e ergonomia...

14.10.21

NOTA: Este post corresponde a Quarta-Feira, 14 de Outubro de 2021.

Em quartas-feiras alternadas, falamos sobre tudo aquilo que não cabe em nenhum outro dia ou categoria do blog...

Numa altura em que o novo ano lectivo começa verdadeiramente a ‘engrenar’, muitas ex-crianças dos anos 90 – às compras com os filhos nos hipermercados e grandes superfícies por esse Portugal fora – certamente recordarão o tempo em que eles próprios precisavam de se ‘abastecer’ de todo o material necessário à aprendizagem; e certamente algumas das mais vivas memórias de todo esse processo terão a ver com a compra de materiais como cadernos e dossiers.

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Quem se lembra...?

Isto porque a década a que este blog diz respeito foi pródiga em ‘engendrar’ material escolar que quase fazia o fim das férias valer a pena, só pelo ‘gozo’ de poder mostrar aos colegas os novos cadernos. De linhas ligadas a licenças oficiais até ‘designs’ mais genéricos, mas não menos apelativos (quem não se lembra dos cadernos de espiral com motas, carros de corrida ou desenhos de flores?) a escolha era variada, existindo invariavelmente algo para todos os gostos.

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Lá por casa houve a dado ponto um destes...

O facto de a maioria destes materiais se encontrarem nos referidos hipermercados e 'shoppings' – implicando, portanto, a necessária viagem para serem adquiridos – apenas adicionava ao seu encanto, apesar de ter também o efeito colateral de fazer com que muitas crianças da mesma área ou escola tivessem os mesmos cadernos, o que os tornava um pouco menos únicos. Ainda assim, o sentimento de ‘pertença’ que essa situação acarretava acabava por compensar a perda de identidade única no que tocava a material escolar, levando a que muitos alunos não vissem na mesma qualquer problema. Lesados, mesmo, só acabavam por ficar os ‘coitados’ que haviam adquirido os materiais na sempre conveniente papelaria da esquina (ou da própria escola), e que acabavam invariavelmente com um caderno de capa lisa (normalmente azul, vermelha ou preta) e sem o mínimo interesse do ponto de vista estético.

Os cadernos não eram, no entanto, a única oportunidade de utilizar o material escolar para estabelecer uma identidade – havia outra forma, bastante mais vistosa, e como tal, consideravelmente mais importante para a maioria dos alunos portugueses dos anos 90; essa, no entanto, está mais ligada ao Style, pelo que dela falaremos na próxima Sexta…

05.10.21

NOTA: Este post é respeitante a Segunda-feira, 5 de Outubro de 2021.

Em Segundas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das séries mais marcantes para os miúdos daquela década, sejam animadas ou de acção real.

Nas últimas edições desta rubrica, temos vindo a falar de séries para adolescentes americanas dos anos 90 que, por alguma razão, tiveram igual repercussão por terras lusitanas; e depois de termos falado das principais representantes da vertente mais séria e mais cómica do estilo, chega hoje a vez de falarmos do terceiro concorrente nesta competição pelo interesse dos espectadores mais jovens, o qual não chegou a conseguir o mesmo nível de sucesso das suas congéneres, mas deixou ainda assim a sua marca entre o público infanto-juvenil da época.

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Falamos de ‘Parker Lewis’ (ou ‘Parker Lewis Can’t Lose’, como era conhecido no seu país de origem), uma ‘sitcom’ da Fox que pegava em alguns dos elementos utilizados pela série rival, ‘Já Tocou!’, os aumentava a um nível quase caricatural, e os misturava com uma boa dose de inspiração retirada do filme ‘O Rei dos Gazeteiros’, que muitos dos nossos leitores mais provavelmente conhecerão pelo seu título original, ‘Ferris Bueller’s Day Off’.

Tal como o filme de 1982, ‘Parker Lewis’ segue as aventuras do gazeteiro e ‘gozão’ do mesmo nome (interpretado por Corin Nemec, que não viria a ter quaisquer outros papéis de nota), um sucedâneo (ou sucessor) de Ferris Bueller que frequenta  uma escola secundária californiana e que, com a ajuda dos seus dois melhores amigos e alguns outros colegas menos chegados, faz a vida negra à directora da escola, enquanto tenta evitar os ‘ataques’ estilo partida de Carnaval da sua maléfica irmã mais nova.

Uma premissa bastante comum, e até algo gasta, para uma série deste tipo, mas que, neste caso específico, era apimentada com uma dose considerável de referências à cultura ‘pop’da época e daquilo a que se convencionou chamar ‘fourth wall breaking’ – aquele fenómeno em que os personagens sabem estar dentro de uma ficção, e utilizam alguns dos elementos da mesma a seu favor. Embora não totalmente original – Zack Morris, de ‘Já Tocou!’, também era conhecido por se dirigir directamente aos espectadores, por exemplo – esta abordagem granjeava algum interesse a ‘Parker Lewis’, e ajudava a série a cimentar um lugar no concorrido mercado de ‘sitcoms’ para adolescentes, tanto nos EUA como em Portugal.

parker-lewis-cant-lose-the-complete-first-season-2O personagem principal em modo 'fourth wall break'

Ainda assim, o sucesso das aventuras de Parker e seus amigos não foi tão pronunciado que levasse à exibição em Portugal das três séries criadas pela Fox entre 1990 e 1993; a série passou em terras lusas durante apenas um ano, substituindo precisamente ‘Já Tocou!’ na grelha da TVI. Nesta batalha em particular, no entanto (e apesar dos ‘gadgets’ de que Parker e os seus comparsas dispunham na sua base secreta por baixo do ginásio) pode dizer-se que o liceu de Bayside saiu claramente a ganhar do confronto com o liceu de Santo Domingo - e que Parker Lewis, que segundo o próprio título da série, 'não pode perder'...perdeu. Ainda assim, os planos de Parker foram suficientemente bem sucedidos para lhe granjear algumas linhas – bem como a honra de concluir a retrospectiva sobre séries para adolescentes dos anos 90 - aqui neste nosso blog…

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