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Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

13.06.22

Qualquer jovem é, inevitavelmente, influenciado pela música que ouve – e nos anos 90, havia muito por onde escolher. Em segundas alternadas, exploramos aqui alguns dos muitos artistas e géneros que faziam sucesso entre as crianças daquela época.

E depois de na última edição desta rubrica termos falado de Laura Pausini, chega hoje a vez de abordarmos aquele que foi o outro grande nome da 'mini-invasão italiana' dos tops musicais portugueses em inícios de 90, um seu contemporâneo com quem Laura chegou a gravar um dueto: Eros Ramazzotti.

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Nascido na capital italiana a 28 de Outubro de 1963, Eros Walter Luciano Ramazzotti viria a ter o seu primeiro encontro com o sucesso ainda adolescente, já depois de ter sido rejeitado pelo Conservatório de Roma e de ter composto várias canções em parceria com o seu pai; no caso, a grande oportunidade do jovem chegaria através de um concurso musical, 'Vuoci Novi di Castrocaro', vencido por Zucchero (outro nome que chegaria a ter algum impacto em Portugal) mas no qual Eros deixaria uma impressão suficientemente positiva para que um dos juízes lhe oferecesse o primeiro contrato discográfico. Corria o ano de 1981, e Eros mudava-se para Milão com o irmão e a mãe, para viver no próprio prédio da editora que o assinara.

O sucesso, no entanto, tardou a chegar, tendo o primeiro single, de 1982, sido virtualmente ignorado pelo meio discográfico italiano; só depois de um encontro com o seu futuro mentor, Renato Briochi, é que a carreira do jovem principiaria a descolar, com duas participações consecutivas no Festival de San Remo, em 1983 e 1984, a suscitarem algum interesse no seu álbum de estreia, que conheceu sucesso não só em Itália, mas também em França, onde chegou a vender um milhão de cópias. Os dois álbuns seguintes, de 1986 e 87, seguiriam a mesma tónica, atingindo vendas de Platina na Suíça (parte da qual, recorde-se, tem como idioma o italiano) e de Ouro na Alemanha. Os anos 80 concluem-se com um dueto com Patsy Kensit e um mini-EP, lançado em 1988.

A década seguinte prossegue na mesma toada, com mais um CD de enorme sucesso internacional, em 1990, que vale a Eros um concerto no Radio City Music Hall nova-iorquino, e participações no programa de Jay Leno e em 'Good Morning America'. Era o início do sucesso internacional, que se viria a consumar dois anos depois, com o lançamento de 'Tutti Stori' (cujo grafismo de capa recorda aliás, e muito, o álbum de estreia de Laura Pausini); de súbito, Eros Ramazzotti, um veterano com doze anos de experiência na indústria musical e prestes a completar trinta anos de idade, atingia vendas de Platina pela Europa fora, fazia a capa de revistas como a portuguesa Super Jovem, e encontrava espaço nas paredes de 'posters' das mesmas jovens que, na altura, cantarolavam a 'Solitudine' da compatriota Laura,

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'Tutti Storie', de 1993, foi o álbum de consagração internacional de Ramazzotti

Tal sucesso despertou a atenção da multinacional BMG, que, no ano seguinte, oferecia um contrato ao italiano, o qual lhe abria a porta para uma turnê com Elton John, Rod Stewart e Joe Cocker, no Verão de 1995. Os álbuns, esses, continuavam a surgir a bom ritmo, agora com a participação de ilustres do calibre de Andrea Bocelli e Tina Turner, ambos os quais surgem em versões regravadas de músicas do cantor, incluídas na sua primeira colectânea de êxitos, lançada em 1997 e que atingiria vendas de quíntupla platina; Turner viria também, aliás, a participar do álbum ao vivo lançado no ano seguinte, e que também trazia o contributo de Joe Cocker. No mesmo ano, Ramazzotti grava novo dueto com Andrea Boccelli, desta vez para inclusão no disco deste último, e ganha pela segunda vez consecutiva o prémio Echo - um importante galardão da indústria fonográfica alemã – na categoria de 'Melhor Artista Masculino Internacional'; uma prova cabal de que o italiano era mais do que apenas outra 'cara bonita' a cantar baladas românticas.

Essa impressão ficou, aliás, cimentada no novo milénio, que viu a carreira de Ramazzotti como compositor, intérprete e produtor seguir de vento em popa, com mais sete álbuns de originais, uma colectânea dupla, e colaborações com artistas de todos os quadrantes musicais, de Joe Satriani a Nicole Scherzinger, passando pelo compatriota Jovanotti e pela inevitável Laura Pausini; as vendas, essas, contabilizam-se em mais de 55 milhões, numa carreira que ultrapassa já as três décadas e meia – uma marca nada menos que impressionante.

Para os ex-jovens portugueses de finais do século XX, no entanto, Eros Ramazzotti continuará, provavelmente, a ser aquele 'menino bonito' de olhos azuis que cantava músicas românticas e fazia capa nas revistas 'da moda' – apesar de ser bem possível que, pelo menos para uma parcela dos mesmos, a música do italiano os tenha acompanhado até à idade adulta; de facto, a julgar pelos volumes de vendas que Ramazzotti continua, em plena era digital, a conseguir, essa hipótese não é, de todo, descabida...

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