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Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

27.09.25

NOTA: Este post é respeitante a Quinta-feira, 25 de Setembro de 2025.

Todas as crianças gostam de comer (desde que não seja peixe nem vegetais), e os anos 90 foram uma das melhores épocas para se crescer no que toca a comidas apelativas para crianças e jovens. Em quintas-feiras alternadas, recordamos aqui alguns dos mais memoráveis ‘snacks’ daquela época.

De entre as sobremesas típicas de uma mesa portuguesa, a gelatina sempre esteve entre as mais populares junto dos mais jovens. Não é, pois, de admirar que as versões instantâneas desta mesma iguaria surgidas em Portugal na recta final dos anos 90 tenham 'caído no gosto' tanto dos 'putos' como dos seus pais, que podiam assim preparar uma surpresa aos filhos em poucos minutos, e com um mínimo de esforço.

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Uma das mais populares de entre estas gelatinas – talvez pelo esforço de 'marketing' que fazia, com um nome memorável e 'jingle' a condizer – era a Gelly-Já, da Alsa, à época a principal concorrente da líder de mercado Royal. Sem apresentar qualquer outro traço distintivo relativamente às outras gelatinas instantâneas disponíveis no mercado, a referida variante da gama da Alsa fazia-se mesmo valer dos elementos acima referidos para estabelecer o seu nome junto do público-alvo – estratégia que resultava em pleno, pondo miúdos e graúdos a entoar 'treme-tremeeee!', e levando a que esta 'palavra de ordem' fosse adoptada em outros contextos sociais, como quando alguém hesitava ou mostrava receio relativamente a uma qualquer situação. E embora seja mesmo este o grande legado da entretanto desaparecida Gelly-Já para a cultura 'millennial' portuguesa, o mesmo é, ainda assim, suficiente para valer a esta gelatina um lugar nesta nossa secção relativa aos alimentos mais populares entre a juventude portuguesa de finais do século XX.

 

19.06.25

Todas as crianças gostam de comer (desde que não seja peixe nem vegetais), e os anos 90 foram uma das melhores épocas para se crescer no que toca a comidas apelativas para crianças e jovens. Em quintas-feiras alternadas, recordamos aqui alguns dos mais memoráveis ‘snacks’ daquela época.

Uma das grandes curiosidades na aproximação de cada época balnear é saber que gelados a Olá vai adicionar ao seu já icónico cartaz. Seja qual fôr a abordagem – inovação, nostalgia, ou uma mistura de ambos – é certo e sabido que haverá sempre, pelo menos, um par de gelados novos no catálogo anual da marca. Neste ano de 2025, uma dessas atracções é uma versão em cone do icónico Perna de Pau – o que, por sua vez, justifica uma pequena 'revisão' das variantes deste gelado que a Olá introduziu (e fez desaparecer) nos anos da viragem do Milénio.

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A primeira destas, lançada em 1998, foi o Perna de Pau Mega – que, como o nome indicava, era tão-sómente uma versão gigante do clássico gelado de morango, baunilha e chocolate. Com cerca do dobro do tamanho de um Perna de Pau normal (aproximando-se mais às dimensões do não menos icónico Magnum) esta variação sobre o tema fez as delícias dos fãs desse ícone da Olá durannte os dois últimos Verões do século XX, antes de ser substituído, há um exacto quarto de século, pela outra variante que aqui abordaremos, nas próximas linhas.

Falamos do Perna de Pau Moeda, um gelado de 'sanduíche' em que o exterior era de chocolate, e o interior trazia o clássico recheio de morango e baunilha, permitindo assim saborear o velho favorito de forma nova e diferente. E a verdade é que esta proposta fez sucesso entre a juventude da época, a ponto de o Perna de Pau Moeda ter sido finalista da votação que, no Verão de 2024, acabaria por fazer regressar às arcas o também histórico Fizz Limão. Mesmo saindo derrotado, no entanto, a 'sanduíche' de Perna de Pau não deixou de contar com a lealdade dos seus fãs de há vinte e cinco anos, que até hoje esperam nova oportunidade de voltar a provar esta variante, descontinuada em 2003.

Qualquer que seja o formato em que é apresentada, no entanto, é óbvio que a tradicional e icónica 'fórmula Perna de Pau' encontrará sempre o seu público, nostálgico ou mais recente. É, pois, de esperar que, este ano, se vejam muitos cones 'piratas' nas mãos de miúdos e graúdos, em praias e localidades por esse Portugal fora...

09.08.24

NOTA: Este 'post' é respeitante a Quinta-feira, 8 de Agosto de 2024.

Todas as crianças gostam de comer (desde que não seja peixe nem vegetais), e os anos 90 foram uma das melhores épocas para se crescer no que toca a comidas apelativas para crianças e jovens. Em quintas-feiras alternadas, recordamos aqui alguns dos mais memoráveis ‘snacks’ daquela época.

Hoje em dia, o monopólio da Olá sobre o mercado dos gelados portugueses é evidente e incontestado, sobretudo após a assimilação da Ben & Jerry's ao catálogo – antes a principal concorrente ao 'trono' da multinacional. Nos anos 90, no entanto, o referido campo de negócios apresentava-se bastante mais aberto, oferecendo condições bastante mais favoráveis ao aparecimento de concorrência – condições essas que acabariam por ser aproveitadas não por uma, mas por duas marcas, gerando uma 'luta a três' que, apesar de longe de ser equilibrada, dava ainda assim mais opções à juventude portuguesa no tocante a guloseimas congeladas, até por cada uma das três produtoras ter pelo menos uma característica que a demarcava das rivais.

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No caso da Camy, por exemplo, o chocolate dos gelados era muito melhor que o da Olá – o que não surpreendia, já que a marca surgia obviamente ligada à Nestlé, bastando olhar para o logotipo que ambas utilizavam à época para perceber a conexão. Surpreendente era, portanto, apenas o facto de a Camy não ser tão conceituada entre a juventude portuguesa como a concorrente, dada a reputação (e consequente estatuto hegemónico) da Nestlé no campo dos doces e chocolates – apesar de a distribuição bem mais reduzida e localizada que a da concorrente não deixar de ter algum impacto neste campo. De facto, apesar de nada deixar a desejar à rival no tocante a qualidade, a Camy tinha uma presença muito mais esporádica do que esta nos cafés e praias de Portugal, nunca conseguindo por isso ultrapassar o seu estatuto de 'segunda classificada' – uma espécie de 'versão gelada' do Bimbocao, sendo a Olá o equivalente ao Bollycao nesta analogia. Ainda assim, para quem era 'conhecedor' de gelados, havia muito do que gostar no cartaz da Camy, a começar pelas deliciosas sanduíches geladas,bem melhores do que qualquer coisa que a hoje hegemónica concorrente alguma vez tenha apresentado nesse campo.

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Se a Camy sofria de distribuição esporádica, no entanto, que dizer da Menorquina? Quase tão popular em Espanha como a própria Olá (ou Frigo, como é conhecida no país vizinho) a gelataria oriunda das Canárias e com origem na década de 40 encontrava-se, cinquenta anos depois, em processo de expansão internacional, mas a sua penetração no mercado nacional não era, ainda, suficiente para lhe permitir aspirar a algo mais que um distante terceiro lugar. Tal como no caso da Camy, no entanto, a gelataria espanhola apresentava pontos fortes bastante distintos para quem se dava ao trabalho de investigar, sendo a qualidade dos seus gelados, sobretudo dos recheios, também bastante superior ao da cada vez mais processada Olá.

No 'momento da verdade', no entanto, a ubiquidade e o 'marketing' falavam mais alto, garantindo à Olá o 'lugar de ouro' no pódio desta 'contenda' noventista. Prova disso, aliás, é que as duas concorrentes parecem ter ficado, definitivamente, para trás, com a Menorquina a 'voltar-se para dentro' e a focar-se no mercado espanhol, e a Nestlé a continuar a surgir da mesma forma esporádica que há trinta anos, cedendo cada vez mais terreno à Olá. Mas se as Gerações Z e Alfa já não deverão saber o que é ter várias marcas de gelado por onde escolher, os seus pais recordam bem uma época em que era possível optar por entre múltiplas fabricantes, cada uma com as suas 'especialidades', e deixar que fosse o gosto pessoal a decidir, não só o tipo de gelado, mas também a marca do mesmo...

28.06.24

NOTA: Este 'post' é respeitante a Quinta-feira, 28 de Junho de 2024.

Todas as crianças gostam de comer (desde que não seja peixe nem vegetais), e os anos 90 foram uma das melhores épocas para se crescer no que toca a comidas apelativas para crianças e jovens. Em quintas-feiras alternadas, recordamos aqui alguns dos mais memoráveis ‘snacks’ daquela época.

Nos últimos anos, e sobretudo desde a pandemia, tem-se gradualmente vindo a tornar tradição ver no icónico cartaz dos gelados Olá um 'velho conhecido', há muito desaparecido, e temporariamente trazido de volta literalmente a pedido das massas, para fazer as delícias tanto de quem o comia nos idos de 80 e 90 como das novas gerações a que esses mesmos fãs deram entretanto origem. E depois do Super Maxi e do Rol, os ex-'putos' de finais do século XX têm agora a oportunidade de voltar a provar um antigo favorito, com o regresso, em 2024, do icónico Fizz Limão.

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Tendo-se superiorizado ao Pé e ao não menos marcante Feast Krisspy, o gelado com recheio e cobertura de limão (proporcionando assim uma 'dose dupla' de doçura acre, bem ao gosto de quem não aprecia gelados muito doces) irá, mais uma vez, marcar presença entre as escolhas da magnata multinacional para 2024, e, desta vez, sem quaisquer alterações de tamanho ou funcionalidade – àparte algumas mudanças expectáveis a nível dos ingredientes, o Fizz Limão que surgirá nas arcas congeladoras portuguesas este Verão pouco ou nada diferirá daquele a que os 'X' e 'millennials' portugueses disseram adeus há já mais de três décadas. Boas notícias, sem dúvida, para quem sentia vontade de provar, uma última vez, um gelado que, ainda que não incluído entre as escolhas declaradamente dirigidas ao público mais novo, não deixava ainda assim de ter alguma tracção junto do mesmo. Bem-vindo de volta, Fizz - e que este teu regresso te angarie toda uma nova geração de fãs.

16.05.24

A banda desenhada fez, desde sempre, parte da vida das crianças e jovens portugueses. Às quartas, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos títulos e séries mais marcantes lançados em território nacional.

Numa das primeiras Quartas aos Quadradinhos deste nosso 'blog', falámos da Turma da Mônica, um dos mais bem-sucedidos grupos de personagens de quadradinhos de sempre, rivalizado apenas pelos patos e ratos da Disney e pelos principais super-heróis da Marvel e DC. E ainda que, em Portugal, as criações de Mauricio de Sousa não chegassem a atingir o nível de impacto que tinham no seu Brasil natal (onde são verdadeiros ícones culturais) a sua popularidade entre os bedéfilos lusos era, ainda assim, suficiente para justificar tanto a criação de esculturas dos personagens num parque urbano como a importação de certos artigos com as efígies de Mônica, Cebolinha e restantes amigos. Destes, destacam-se as linhas de roupa, os bonecos de vinil, e talvez o mais lembrado por quem foi jovem em finais do século XX, e ao qual já aludimos aquando do 'post' original sobre a Turma: o delicioso chocolate de 'duas cores' que gozou de uma curta mas memorável presença nas prateleiras dos supermercados e hipermercados nacionais da época.

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De conceito algo semelhante ao do Kinder Surpresa, pelo menos no tocante à mistura de cores, o chocolate Turma da Mônica era vendido, não em barra, mas em 'packs' de quatro ou cinco chocolates individuais, aproximadamente do tamanho de uma palma da mão infantil, cada um deles composto por uma 'moldura' de chocolate de leite, no centro da qual era incrustada uma recriação surpreendentemente detalhada de um dos membros da Turma, feita de chocolate branco, criando assim a sempre saborosa dicotomia que garantia o sucesso dos produtos Kinder. E se, para um fã da Turma, não deixava de ser difícil dar aquela primeira 'dentada' na personagem favorita (sendo hábito 'roer' primeiro a moldura circundante, deixando a parte branca para o fim), a verdade é que o sacrifício compensava largamente, já que o resultado da combinação dos dois tipos de chocolate era nada menos do que delicioso, com o chocolate de leite bem rico (com a qualidade da Nestlé) a colmatar bem a doçura excessiva típica do chocolate branco. Difícil, pois, era comer um só destes chocolates, tendendo os pacotes a 'desaparecer' rapidamente, deixando para trás apenas o postal incluído como brinde em cada embalagem, e que retratava os personagens de Mauricio numa variedade de contextos, de cenas quotidianas a recriações de histórias clássicas.

Ao contrário do que sucedeu no Brasil, no entanto - onde o chocolate foi trazido de volta no seu formato original anos depois de ter sido descontinuado - o brinde, a qualidade, o sucesso e a licença 'sonante' não foram, no entanto, suficientes para manter o chocolate Turma da Mônica nas prateleiras a longo-prazo, vindo o mesmo a desaparecer pemanentemente, sem grande 'alarde', ao fim de um par de anos; uma verdadeira pena, já que qualquer pessoa que tenha comido uma daquelas 'molduras' individualmente embaladas certamente a terá como um dos seus chocolates favoritos de sempre, e a incluirá ao lado de uns Galak Buttons na lista de alimentos que desejaria, um dia, poder voltar a provar...

07.09.23

Todas as crianças gostam de comer (desde que não seja peixe nem vegetais), e os anos 90 foram uma das melhores épocas para se crescer no que toca a comidas apelativas para crianças e jovens. Em quintas-feiras alternadas, recordamos aqui alguns dos mais memoráveis ‘snacks’ daquela época.

Hoje em dia, quando se fala em bolachas cobertas de chocolate, a mente da maioria dos portugueses vira-se, quase de imediato, para as Oreos (chegadas a Portugal em 1995, e que aqui terão, paulatinamente, o seu espaço) ou para as não menos icónicas Belgas de chocolate; para a geração nascida e crescida nos anos 80 e inícios de 90, no entanto, a referência a este tipo de bolachas evoca um outro nome, tão icónico como saudoso – o das Belinhas.

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A única imagem das Belinhas disponível na Internet.

Fabricadas pela hoje desaparecida Aliança e vendidas num icónico pacote vermelho e prateado, as Belinhas consistiam, basicamente, de um misto entre 'wafer' e bolacha Maria recoberto de cacau, criando uma dicotomia que, como qualquer criança atestará, resulta sempre extremamente bem. Talvez por isso estas bolachas fossem das mais populares e cobiçadas nos recreios lusos dos anos 80 e inícios da década seguinte, onde a sua designação se tornou, inclusivamente, num sinónimo de 'calão' para o bom e velho 'calduço', neste caso acompanhado da expressão 'toma lá Belinhas!º

O aspecto pelo qual estas bolachas eram mais conhecidas, e se tornaram icónicas, era o facto de as bolachas das pontas gozarem, regra geral, de uma cobertura de cacau mais densa e espessa, que as tornava preferidas em relação às suas congéneres do meio do pacote, normalmente mais parcas nesse particular. Assim, qualquer criança ou jovem confrontado com um pacote de Belinhas não hesitaria a escolher uma das da ponta – até porque, se não o fizesse, alguém o faria por si...

Toda esta popularidade não foi, no entanto, suficiente para evitar que as Belinhas fossem retiradas do mercado algures na primeira metade dos anos 90, por motivos e sob circunstâncias ainda hoje pouco conhecidas, até por estas bolachas se contarem entre os muitos produtos da época hoje Esquecidos Pela Net. Esta saída de cena 'pela porta do cavalo' não significou, no entanto, a perda total de relevância das Belinhas entre as gerações 'X' e 'millennial' – antes pelo contrário, o desaparecimento das bolachas da Aliança das prateleiras dos supermercados apenas veio dar razão ao ditado que afirma que 'a ausência faz o amor aumentar', já que as mesmas estão entre os produtos mais saudosamente recordados por quem alguma vez as comeu. E depois de as contemporâneas 'Joaninhas', da Triunfo, terem mesmo acabado por ser relançadas no mercado (e com algum sucesso), quem sabe não serão as Belinhas as próximas a gozar de uma 'segunda vida', e a conquistar os corações de toda uma nova geração de pequenos consumidores?

17.08.23

Todas as crianças gostam de comer (desde que não seja peixe nem vegetais), e os anos 90 foram uma das melhores épocas para se crescer no que toca a comidas apelativas para crianças e jovens. Em quintas-feiras alternadas, recordamos aqui alguns dos mais memoráveis ‘snacks’ daquela época.

No que toca a doces e guloseimas, as férias de Verão portuguesas - sobretudo as passadas na praia - têm, actualmente, dois grandes estandartes: por um lado, os gelados da Olá, e, por outro, as inevitáveis e indispensáveis bolas de berlim, disponibilizadas de forma itinerante por vendedores cujos pregões fazem já parte da cultura popular, a ponto de informarem cartazes e 'slogans' de publicidade. No entanto, quem foi criança ou adolescente em finais dos anos 80 e inícios da década seguinte certamente se lembrará de, pelo menos, outras duas guloseimas que se podiam comprar nos areais portugueses e que, entretanto, foram perdendo gradualmente o seu espaço, acabando mesmo por se extinguir já no decurso do Novo Milénio: as 'línguas da sogra' e a bela bolacha americana. Os mais velhos talvez juntem a esta lista os 'barquilhos', cuja quantidade era determinada ao acaso numa 'roda da sorte', mas para os 'millennials', estes são mesmo os dois doces de praia desaparecidos.

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Uma bolacha americana no seu 'habitat natural'.

Ambos formulados à base de bolacha 'wafer', a principal diferença entre os dois acepipes residia no formato - a bolacha americana (cujo nome era enganoso, já que o doce é perfeitamente desconhecido nos EUA) era um enorme disco achatado dobrado sobre si mesmo, quase como que um cone de gelado 'aberto' e em formato maior, enquanto que a 'língua da sogra' (nome hoje politicamente incorrecto) conformava um tubo em espiral. Em comum, além da bolacha utilizada, os dois doces tinham o facto de serem perfeitamente deliciosos quando comidos na areia, em tronco nu, após um belo mergulho - embora perdessem, ainda assim, para a famosa 'bola'.

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As 'línguas-da-sogra'

Talvez tenha sido por isso que foi a mesma a única sobrevivente daquela época - mesmo que fosse, ainda, possível obter uma língua da sogra (com cerca de metade do tamanho, ou talvez fosse o comprador quem tivesse duplicado) em certas praias da região de Lisboa em finais da década de 2010. Actualmente, no entanto, ambas as guloseimas parecem estar irremediavelmente extintas, tornando pertinente esta singela homenagem por parte de quem largamente as consumiu.

27.07.23

Todas as crianças gostam de comer (desde que não seja peixe nem vegetais), e os anos 90 foram uma das melhores épocas para se crescer no que toca a comidas apelativas para crianças e jovens. Em quintas-feiras alternadas, recordamos aqui alguns dos mais memoráveis ‘snacks’ daquela época.

Era uma das presenças perenes no cartaz da Olá, sempre ali, no canto inferior direito, abaixo do Super Maxi e Perna de Pau e ao lado do Epá, pronto a servir como 'solução de compromisso' para crianças e jovens cujo dinheiro não dava para mais, ou pais que não quisessem que os filhos comessem quantidades excessivas de gelado; chamava-se Mini Milk, surgiu há exactos trinta e cinco anos, e é omissão de vulto no cartaz da companhia para 2023, após ter sido descontinuado. Neste 'post', recordamos aquele que, sem ter sido o gelado favorito de ninguém, não deixou de ser um dos mais nostálgicos para a maioria dos jovens noventistas.

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Introduzido pela primeira vez no Verão de 1988, o Mini Milk consistia, tão simplesmente, de um pequeno cilindro de leite gelado (daí o nome, apesar de mais tarde terem surgido também variantes de morango e chocolate) vendido a um preço condicente com o seu tamanho, e que – ao contrário da maioria dos produtos que o rodeavam no cartaz - 'cabia' no bolso de qualquer 'puto' armado de parte da mesada. Simultaneamente, a ausência de chocolate, baunilha ou qualquer outro dos ingredientes presentes nos restantes gelados, aliado ao tamanho mais pequeno do que a média e à predominância do leite como ingrediente, faziam com que parecesse uma opção mais saudável – uma impressão que era reforçada pela imagética de prados verdejantes com calmas vacas a pastar, por oposição às mascotes mais típicas dos outros gelados especificamente dirigidos ao público infanto-juvenil da época. Esta combinação de factores tornou, por sua vez, o Mini Milk num dos produtos Olá mais frequentemente consumidos pela referida demografia, tornando-o, assim, nostálgico por definição, e denotante de despreocupados dias de praia ou piscina ou períodos de férias.

Será, portanto, sobretudo essa faixa etária a sentir a falta do icónico gelado, uma daquelas presenças reconfortantemente familiares que faziam crer que, por muito que o Mundo mudasse, certas coisas se manteriam para sempre inalteradas – uma ideia que a Olá acaba de desmentir, fazendo desaparecer, poucos meses após ter feito regressar o Rol e um par de anos após a volta do Super Maxi, uma parte da infância 'millennial' tão importante como qualquer delas. Até sempre, Mini Milk.

06.07.23

Todas as crianças gostam de comer (desde que não seja peixe nem vegetais), e os anos 90 foram uma das melhores épocas para se crescer no que toca a comidas apelativas para crianças e jovens. Em quintas-feiras alternadas, recordamos aqui alguns dos mais memoráveis ‘snacks’ daquela época.

A abertura da época balnear nas praias portuguesas dos anos 90 e 2000 trazia consigo uma 'tradição' oficiosa, mas altamente antecipada pelas crianças e jovens da época: o aparecimento do novo cartaz de gelados da Olá, sempre com as icónicas jovens em fato de banho na parte superior (tendência, aliás, também seguida pela rival Camy, hoje Nestlé), e invariavelmente apetrechado com pelo menos uma mão-cheia de novidades a juntar aos perenes e clássicos Super Maxi, Epá, Cornetto, Calippo, Mini Milk, Feast e (o entretanto desaparecido e temporariamente 'ressuscitado') Rol.

E, apesar da sua curta permanência no catálogo da companhia, a verdade é que muitos destes gelados – a maioria dos quais era especificamente dirigida, precisamente, ao público infanto-juvenil – se tornaram, durante o seu breve tempo de vida, êxitos ainda hoje causadores de nostalgia entre a demografia em causa, bastando mencionar nomes como o Dedo ou o Super Mário (este disponível durante quase toda a primeira metade dos anos 90) para despoletar memórias de infância e adolescência em toda uma geração. Até mesmo os tradicionais 'gelados de gelo' (conhecidos simplesmente como 'Laranja' e 'Limão') teriam, decerto, admiradores que os recordam com carinho até aos dias de hoje.

Ao contrário de muitas tendências de que aqui vimos falando desde o início deste blog, a rotatividade de catálogo da Olá mantém-se até hoje, embora a diversidade de gelados disponível e a margem para 'experiências' do calibre de um Rol branco ou Epá de chocolate seja significativamente mais reduzida, traduzindo-se as 'novidades', regra geral, em gelados alusivos a filmes ou séries populares (como o gelado dos Mínimos), efemérides como a conquista do campeonato nacional de futebol por parte do Sporting, em 2021, ou regressos de 'estandartes' da época aqui em análise, como os supracitados Super Maxi e Rol. Esta é, assim, mais uma experiência que acabou por se perder na transição entre as gerações 'Millennial' e 'Z', mas que fez, em tempos, parte integrante da juventude da primeira; para esses (ou seja, para a maioria dos leitores deste blog) segue abaixo uma pequena 'viagem no tempo' pelos cartazes da década de 90, cortesia do site da Olá. Desfrutem!

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15.06.23

Todas as crianças gostam de comer (desde que não seja peixe nem vegetais), e os anos 90 foram uma das melhores épocas para se crescer no que toca a comidas apelativas para crianças e jovens. Em quintas-feiras alternadas, recordamos aqui alguns dos mais memoráveis ‘snacks’ daquela época.

Apesar de não tirarem o lugar aos chocolates ou a doces como o Bollycao na lista de preferências das crianças e jovens, os chupa-chupas não deixam, ainda assim, de ser apreciados pelos mesmos, como aquela guloseima consistente e confiável para que se pode sempre reverter em caso de dúvida; e se a essas mesmas características se associar uma abordagem diferenciada ou baseada numa propriedade intelectual de sucesso, melhor ainda, E ainda que, hoje em dia, o panorama esteja mais 'simplificado' nesse aspecto – com os clássicos e óptimos Chupa-Chups a monopolizarem a quase totalidade do mercado – os anos 90 foram pródigos na oferta de chupa-chupas que reuníam todas as condições acima delineadas e que, como tal, se tornaram 'clássicos' nostálgicos para toda uma geração de ex-jovens – dos Melody Pops (ainda existentes) aos geniais Push Pops, passando pelos tradicionais chupa-chupas azedos e pelo produto de que falamos esta semana, os 'chupas' com pastilha alusivos aos Power Rangers.

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Comercializados pela própria Chupa Chups, estas guloseimas já 'vieram ao Mundo' com a enorme vantagem de surgirem associadas a uma das mais populares franquias infanto-juvenis do período em causa (meados dos anos 90), que tornava qualquer controlo de qualidade quase irrelevante; no entanto, o facto de os referidos doces serem, também, genuinamente saborosos apenas ajudou a reforçar o seu estatuto de favoritos junto dos fãs da série da Saban, então 'cabeça de série' do 'Buereré' da SIC. E como se já não bastasse, cada chupa-chupa trazia também, no seu interior, uma pastilha elástica, adornada com uma imagem alusiva à série, e acessível após a habitual 'destruição' metódica da camada dura no exterior do chupa-chupa. Tal inclusão fazia deste doce uma espécie de 'dois em um', que oferecia aos seus compradores duas guloseimas pelo preço de uma – além de um cromo exclusivo alusivo à equipa representada na embalagem. Em suma, estes chupa-chupas eram o produto praticamente perfeito para agradar à enorme massa de pré-adolescentes fãs dos cinco virtuosos heróis de Angel Grove, garantindo assim o sucesso junto dos mesmos.

De facto, a adesão a estes doces foi tal que motivou a Chupa Chups a lançar novas séries, alusivas a outras propriedades intelectuais; embora as qualidades do doce em si se mantivessem, no entanto, estas 'sequelas' não conseguiram ter o mesmo sucesso que os originais vinculados aos Power Rangers, acabando estes chupa-chupas por desaparecer do mercado sem grande 'alarde'. Uma pena, pois a 'leva' original foi um dos mais icónicos doces de uma época repleta deles, e ofereceu ao seu jovem público-alvo um produto que, longe de se 'encostar à sombra' da popular licença, apostava na verdadeira qualidade, fazendo com que valesse bem a pena o (módico) investimento de quem os requisitava no café, supermercado, tabacaria ou bar da escola.

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