Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

01.02.24

Todas as crianças gostam de comer (desde que não seja peixe nem vegetais), e os anos 90 foram uma das melhores épocas para se crescer no que toca a comidas apelativas para crianças e jovens. Em quintas-feiras alternadas, recordamos aqui alguns dos mais memoráveis ‘snacks’ daquela época.

No que toca a marcas e empresas alimentares praticamente sinónimas com os anos 90 em Portugal, a Dan Cake fica, talvez, apenas atrás da Matutano no imaginário sócio-cultural das gerações 'X' e 'millennial'. Tal como a empresa das batatas fritas, a magnata das bolachas e bolos industriais deixou na memória de quem foi jovem à época uma série de produtos, com destaque para os alfajores de chocolate (as famosas Cake Bar) como por um outro produto, talvez mais lembrado pela embalagem do que pelo conteúdo em si, e ainda hoje instantaneamente reconhecível para as gerações em causa.

image.webp

A versão da icónica lata que muitos conheceram nos anos 80 e 90. (Crédito da foto: OLX)

Falamos das bolachas de manteiga (ou Danish Butter Cookies), com a sua icónica e inconfundível caixa de lata azul, tantas vezes utilizada, depois de vazia, como 'estojo' para os materiais de costura lá de casa – uma tradição cuja origem se perde nas 'brumas do tempo', mas que terá sido partilhada pela grande maioria da população infanto-juvenil portuguesa das duas últimas décadas do século XX. De facto, e como acima mencionámos, este aspecto da utilização da embalagem é, indubitavelmente, mais recordado hoje em dia do que as bolachas em si, o que não deixa de ser um pouco injusto para as mesmas, que apresentavam um excelente sortido, com variedade suficiente para agradar a qualquer gosto, de bolachas que se desfaziam na boca a outras mais firmes e rijas, e até algumas polvilhadas de açúcar cristalizado ou com sabores adicionais, como coco. Na verdade, o facto de as caixas tão rapidamente passarem a repositórios de agulhas e linhas devia-se, precisamente, à velocidade a que os conteúdos no seu interior 'voavam', particularmente no contexto de festa ou convívio em que este tipo de 'guloseima' tendia a surgir.

Tal como tantos outros produtos que abordamos nestas páginas, no entanto, também os sortidos Dan Cake foram, gradualmente, perdendo preponderância em inícios do século XX, ao mesmo ritmo do que a própria companhia, hoje longe da expressão que já teve no mercado alimentar nacional. Assim, e apesar de ainda hoje haver sortidos de bolachas das mais diversas marcas à venda por todo o País, algumas, inclusivamente, em latas muito semelhantes às da Dan Cake, as actuais 'costureiras amadoras' ter-se-ão visto forçadas a 'engendrar' outro tipo de recipiente improvisado para guardar os seus materiais. De facto, é de duvidar se as actuais crianças e jovens da Geração Z alguma vez se terão sorrateiramente aproximado de uma lata de bolachas 'em repouso' sobre um balcão e prateleira, aberto a mesma com o intuito de 'sacar' subrepticiamente umas quantas, e tido a desilusão de apenas agarrar na mão carretos de linhas – uma experiência que continua fresca na memória dos seus pais e que, para muitos deles, ficará para sempre conotada com este tipo de bolachas...

30.11.23

Todas as crianças gostam de comer (desde que não seja peixe nem vegetais), e os anos 90 foram uma das melhores épocas para se crescer no que toca a comidas apelativas para crianças e jovens. Em quintas-feiras alternadas, recordamos aqui alguns dos mais memoráveis ‘snacks’ daquela época.

O último dia do mês de Novembro marca, para muitas crianças e jovens das últimas três gerações, a data em que se adquire ou tira do armário o calendário do advento, e em que cresce a antecipação por um mês passado a procurar e abrir 'janelinhas' naquela 'caixinha mágica', e a desfrutar dos mini-chocolates escondidos por detrás de cada uma. No entanto, o que muitos dos actuais participantes nesta tradição podem não saber é que, em Portugal, o calendário do advento é uma tradição natalícia relativamente recente, remontando a sua vaga inicial de popularidade, precisamente, aos anos 90.

download.jpg

Exemplo moderno, mas de estética muito parecida com os calendários dos anos 90.

De facto, apesar de existir há já quase dois séculos, e de ser parte integrante da quadra natalícia de muitos outros países, sobretudo no Norte da Europa, foi apenas já na 'recta final' do século XX que este tipo de produto começou a surgir nas prateleiras portuguesas, pela mão de chocolateiras ibéricas como a Regina e a Imperial. Escusado será dizer que a premissa de um jogo de observação cujo prémio eram chocolates não tardou a popularizar-se entre o público-alvo, sendo o mais difícil, muitas vezes, evitar que fosse comido mais do que um chocolate por dia; assim, não foi de todo surpreendente que os referidos calendários se tenham rapidamente estabelecido como parte integrante da decoração da sala ou cozinha de muitas famílias portuguesas durante o mês de Dezembro, estatuto que, aliás, mantêm até hoje.

De facto, tal como naqueles anos 90, continua a ser hoje relativamente comum ver crianças sair do supermercado com os respectivos calendários do advento (um por cabeça, claro) sendo a única diferença relativamente aos finais do século XX a presença de mais mascotes licenciadas nos desenhos da caixa – enquanto que há trinta anos os mesmos tendiam a representar apenas cenas natalícias 'genéricas', hoje, é possível encontrar calendários alusivos a franquias como PJ Masks, Patrulha Pata, LOL, Vingadores ou Barbie, entre muitos outros. De igual modo, muitos destes calendários são, agora, específicos a uma marca ou variante de chocolate (como Cadbury's, Kinder ou os diferentes chocolates da Nestlé, por exemplo) e existem mesmo versões tematizadas, em que os chocolates são substituídos por prémios como figuras da LEGO ou mesmo bebidas alcoólicas, no caso dos calendários para adultos.

225075-CALENDARIO-ADVIENTO-XMAS-PATRULLA-CANINA-CO

Blog_KinderMaltesersAdvent-e1541708394635-533x400.

Exemplos de calendários licenciados e tematizados modernos.

Assim, apesar da sua relativa brevidade no panorama natalício português, é justo afirmar que os calendários do advento se afirmaram, logo desde essa altura, como parte tão integrante do mesmo como as iluminações, os catálogos de brinquedos na caixa do correio ou as 'visitas ao Pai Natal' no hipermercado. E apesar de esse mesmo paradigma ter, entretanto, sofrido algumas alterações, as caixinhas-surpresa de chocolates lograram manter o seu posto no contexto do mesmo, preparando-se para fazer novamente as delícias da juventude de Norte a Sul do País nesta quadra natalícia de 2023 – razão mais que suficiente para aqui recordarmos os anos em que a geração que hoje compra calendários do advento para os seus filhos teve, pela primeira vez, contacto com os mesmos...

09.11.23

Todas as crianças gostam de comer (desde que não seja peixe nem vegetais), e os anos 90 foram uma das melhores épocas para se crescer no que toca a comidas apelativas para crianças e jovens. Em quintas-feiras alternadas, recordamos aqui alguns dos mais memoráveis ‘snacks’ daquela época.

Na última edição desta rubrica, falámos das Oreos, ainda hoje entre as bolachas mais icónicas em Portugal, a par  das antecessoras Belinhas; esta semana, abordamos a principal companheira das 'bolachas-sanduíche' nesse panteão, uma marca que apesar de, a certo ponto, ter sido descontinuada, provou ser popular o suficiente para justificar o regresso, ainda que sob a alçada de um novo fabricante – as clássicas bolachas Belgas, da Triunfo, e hoje comercializadas pela Saborosa.

download.jpg

Surgidas nos supermercados e hipermercados portugueses, como as Oreos, algures na década de 90 (a data é, infelizmente, impossível de verificar) as Belgas partilhavam com as congéneres da Nabisco o facto de serem embaladas em pequenos pacotes metalizados com um número limitado de bolachas – quatro no caso das Oreos, cinco no das Belgas. Como é evidente, esta limitação servia a dupla função de tornar as referidas bolachas ideais para inclusão na lancheira e, ao mesmo tempo, deixar aquela vontade de abrir um segundo pacote e comer mais três...

A ajudar a este sentimento estava o gosto das bolachas em si, sendo ambas as variantes disponíveis à época (com os dois lados de manteiga ou com um revestido de chocolate) absolutamente irresistíveis para qualquer paladar infanto-juvenil, e até para muitos já adultos – basta ver as reacções de choque em 'websites' e fóruns de meados dos anos 2010, quando as Belgas foram descontinuadas e retiradas do mercado português, deixando as variantes de 'marca branca' dos supermercados como única alternativa. A demanda foi tanta, aliás, que, poucos anos depois, a marca foi re-instaurada, desta vez pela mão da Saborosa, que tratou mesmo de adicionar novos sabores à tradicional dicotomia, criando toda uma gama de Belgas prontas a (re)conquistar o paladar dos portugueses.

caixas-saborosa-1.png

A gama actual de Belgas, produzidas e comercializadas pela Saborosa.

Melhor, 'estas' Belgas sabem exactamente como as originais, já que a Saborosa faz parte do grupo Triunfo e, como tal, utiliza a mesma receita. Fica, pois, a 'dica' para quem quiser recuperar um daqueles sabores icónicos da infância e adolescência que, a certo ponto, se julgou tão desaparecido quanto os lendários Galak Buttons, mas que teve a oportunidade de gozar de uma 'segunda vida' que promete ser tão bem-sucedida quanto a primeira...

19.10.23

Todas as crianças gostam de comer (desde que não seja peixe nem vegetais), e os anos 90 foram uma das melhores épocas para se crescer no que toca a comidas apelativas para crianças e jovens. Em quintas-feiras alternadas, recordamos aqui alguns dos mais memoráveis ‘snacks’ daquela época.

13004217-800-auto.webp

A variedade quase infindável de produtos actualmente disponíveis no nosso País, bem como a facilidade de ligação e conexão a mercados internacionais, podem levar a pensar que este paradigma tenha, já, alguns anos ou até décadas de precedência. Quem nasceu e cresceu num Portugal nem tão distante assim, no entanto, sabe que tal ideia não podia estar mais longe da verdade; de facto, há parcas três décadas, grande parte dos produtos hoje tomados como garantidos pela população nacional eram totalmente desconhecidos num mercado ainda muito fechado sobre si próprio, e onde imperavam, sobretudo, as marcas ibéricas, sendo qualquer produto importado quase automaticamente considerado luxuoso.

Um dos melhores exemplos desta mudança de paradigma – vivida, sobretudo, a partir da segunda metade da década de 90 – prende-se com uma das mais conhecidas e apreciadas marcas de bolachas a nível mundial, hoje perfeitamente ubíqua nas prateleiras nacionais, mas cuja chegada a Portugal data de há apenas um mero quarto de século. Falamos, claro está, das Oreos, as icónicas e deliciosas 'sanduíches' de creme branco em bolachas de chocolate que vinham já fazendo as delícias dos 'putos' americanos e britânicos – entre outros – há mais de três quartos de século quando, finalmente, conseguiram entrar no mercado lusitano (através do espanhol, como era comum acontecer na altura) algures nos anos 90.

Escusado será dizer que o sucesso encontrado foi tão imediato quanto o havia sido naqueles mercados, e as Oreos (então vendidas em caixas, cada uma com quatro 'saquetas' de quatro bolachas) rapidamente se tornaram favoritas para a hora do lanche na escola, como 'snack' para pôr na lancheira, ou simplesmente como recheio para a lata das bolachas lá de casa. Num mercado deprivado, desde há alguns anos, das 'Bélinhas', as bolachas da Nabisco vieram preencher uma lacuna importante, assumindo-se como substitutas à altura daquelas que haviam sido as suas 'antecessoras espirituais' no coração das crianças portuguesas.

O resto da história é bem conhecido, tendo'se os volumes de vendas das Oreos em Portugal ao longo dos últimos vinte e cinco anos mantido estáveis o suficiente para justificar a expansão da oferta da gama a umas impressionantes dezasseis variedades, entre as quais se incluem mesmo algumas edições limitadas, como aquela que apresentava uma embalagem cor-de-rosa, em alusão à cantora pop Lady Gaga - infelizmente, ao contrário do que sucedeu no sempre anárquico mercado norte-americano, a versão portuguesa desta promoção NÃO trazia bolachas cor-de-rosa, nem recheio de creme verde... Em suma, Portugal juntou-se ao lote de países que permitem à Nabisco apregoar a Oreo como a bolacha mais vendida em todo o Mundo, tendo-se a mesma tornado parte integrante da vida quotidiana de grande parte da população – o que torna ainda mais difícil recordar que a sua presença no mercado nacional data de pouco mais de um quarto de século...

07.09.23

Todas as crianças gostam de comer (desde que não seja peixe nem vegetais), e os anos 90 foram uma das melhores épocas para se crescer no que toca a comidas apelativas para crianças e jovens. Em quintas-feiras alternadas, recordamos aqui alguns dos mais memoráveis ‘snacks’ daquela época.

Hoje em dia, quando se fala em bolachas cobertas de chocolate, a mente da maioria dos portugueses vira-se, quase de imediato, para as Oreos (chegadas a Portugal em 1995, e que aqui terão, paulatinamente, o seu espaço) ou para as não menos icónicas Belgas de chocolate; para a geração nascida e crescida nos anos 80 e inícios de 90, no entanto, a referência a este tipo de bolachas evoca um outro nome, tão icónico como saudoso – o das Belinhas.

download.jpg

A única imagem das Belinhas disponível na Internet.

Fabricadas pela hoje desaparecida Aliança e vendidas num icónico pacote vermelho e prateado, as Belinhas consistiam, basicamente, de um misto entre 'wafer' e bolacha Maria recoberto de cacau, criando uma dicotomia que, como qualquer criança atestará, resulta sempre extremamente bem. Talvez por isso estas bolachas fossem das mais populares e cobiçadas nos recreios lusos dos anos 80 e inícios da década seguinte, onde a sua designação se tornou, inclusivamente, num sinónimo de 'calão' para o bom e velho 'calduço', neste caso acompanhado da expressão 'toma lá Belinhas!º

O aspecto pelo qual estas bolachas eram mais conhecidas, e se tornaram icónicas, era o facto de as bolachas das pontas gozarem, regra geral, de uma cobertura de cacau mais densa e espessa, que as tornava preferidas em relação às suas congéneres do meio do pacote, normalmente mais parcas nesse particular. Assim, qualquer criança ou jovem confrontado com um pacote de Belinhas não hesitaria a escolher uma das da ponta – até porque, se não o fizesse, alguém o faria por si...

Toda esta popularidade não foi, no entanto, suficiente para evitar que as Belinhas fossem retiradas do mercado algures na primeira metade dos anos 90, por motivos e sob circunstâncias ainda hoje pouco conhecidas, até por estas bolachas se contarem entre os muitos produtos da época hoje Esquecidos Pela Net. Esta saída de cena 'pela porta do cavalo' não significou, no entanto, a perda total de relevância das Belinhas entre as gerações 'X' e 'millennial' – antes pelo contrário, o desaparecimento das bolachas da Aliança das prateleiras dos supermercados apenas veio dar razão ao ditado que afirma que 'a ausência faz o amor aumentar', já que as mesmas estão entre os produtos mais saudosamente recordados por quem alguma vez as comeu. E depois de as contemporâneas 'Joaninhas', da Triunfo, terem mesmo acabado por ser relançadas no mercado (e com algum sucesso), quem sabe não serão as Belinhas as próximas a gozar de uma 'segunda vida', e a conquistar os corações de toda uma nova geração de pequenos consumidores?

17.08.23

Todas as crianças gostam de comer (desde que não seja peixe nem vegetais), e os anos 90 foram uma das melhores épocas para se crescer no que toca a comidas apelativas para crianças e jovens. Em quintas-feiras alternadas, recordamos aqui alguns dos mais memoráveis ‘snacks’ daquela época.

No que toca a doces e guloseimas, as férias de Verão portuguesas - sobretudo as passadas na praia - têm, actualmente, dois grandes estandartes: por um lado, os gelados da Olá, e, por outro, as inevitáveis e indispensáveis bolas de berlim, disponibilizadas de forma itinerante por vendedores cujos pregões fazem já parte da cultura popular, a ponto de informarem cartazes e 'slogans' de publicidade. No entanto, quem foi criança ou adolescente em finais dos anos 80 e inícios da década seguinte certamente se lembrará de, pelo menos, outras duas guloseimas que se podiam comprar nos areais portugueses e que, entretanto, foram perdendo gradualmente o seu espaço, acabando mesmo por se extinguir já no decurso do Novo Milénio: as 'línguas da sogra' e a bela bolacha americana. Os mais velhos talvez juntem a esta lista os 'barquilhos', cuja quantidade era determinada ao acaso numa 'roda da sorte', mas para os 'millennials', estes são mesmo os dois doces de praia desaparecidos.

bolacha-americana.jpg

Uma bolacha americana no seu 'habitat natural'.

Ambos formulados à base de bolacha 'wafer', a principal diferença entre os dois acepipes residia no formato - a bolacha americana (cujo nome era enganoso, já que o doce é perfeitamente desconhecido nos EUA) era um enorme disco achatado dobrado sobre si mesmo, quase como que um cone de gelado 'aberto' e em formato maior, enquanto que a 'língua da sogra' (nome hoje politicamente incorrecto) conformava um tubo em espiral. Em comum, além da bolacha utilizada, os dois doces tinham o facto de serem perfeitamente deliciosos quando comidos na areia, em tronco nu, após um belo mergulho - embora perdessem, ainda assim, para a famosa 'bola'.

linguas-da-sogra-barquilhos-ou-bolachinhas-america

As 'línguas-da-sogra'

Talvez tenha sido por isso que foi a mesma a única sobrevivente daquela época - mesmo que fosse, ainda, possível obter uma língua da sogra (com cerca de metade do tamanho, ou talvez fosse o comprador quem tivesse duplicado) em certas praias da região de Lisboa em finais da década de 2010. Actualmente, no entanto, ambas as guloseimas parecem estar irremediavelmente extintas, tornando pertinente esta singela homenagem por parte de quem largamente as consumiu.

27.07.23

Todas as crianças gostam de comer (desde que não seja peixe nem vegetais), e os anos 90 foram uma das melhores épocas para se crescer no que toca a comidas apelativas para crianças e jovens. Em quintas-feiras alternadas, recordamos aqui alguns dos mais memoráveis ‘snacks’ daquela época.

Era uma das presenças perenes no cartaz da Olá, sempre ali, no canto inferior direito, abaixo do Super Maxi e Perna de Pau e ao lado do Epá, pronto a servir como 'solução de compromisso' para crianças e jovens cujo dinheiro não dava para mais, ou pais que não quisessem que os filhos comessem quantidades excessivas de gelado; chamava-se Mini Milk, surgiu há exactos trinta e cinco anos, e é omissão de vulto no cartaz da companhia para 2023, após ter sido descontinuado. Neste 'post', recordamos aquele que, sem ter sido o gelado favorito de ninguém, não deixou de ser um dos mais nostálgicos para a maioria dos jovens noventistas.

download.jpg

Introduzido pela primeira vez no Verão de 1988, o Mini Milk consistia, tão simplesmente, de um pequeno cilindro de leite gelado (daí o nome, apesar de mais tarde terem surgido também variantes de morango e chocolate) vendido a um preço condicente com o seu tamanho, e que – ao contrário da maioria dos produtos que o rodeavam no cartaz - 'cabia' no bolso de qualquer 'puto' armado de parte da mesada. Simultaneamente, a ausência de chocolate, baunilha ou qualquer outro dos ingredientes presentes nos restantes gelados, aliado ao tamanho mais pequeno do que a média e à predominância do leite como ingrediente, faziam com que parecesse uma opção mais saudável – uma impressão que era reforçada pela imagética de prados verdejantes com calmas vacas a pastar, por oposição às mascotes mais típicas dos outros gelados especificamente dirigidos ao público infanto-juvenil da época. Esta combinação de factores tornou, por sua vez, o Mini Milk num dos produtos Olá mais frequentemente consumidos pela referida demografia, tornando-o, assim, nostálgico por definição, e denotante de despreocupados dias de praia ou piscina ou períodos de férias.

Será, portanto, sobretudo essa faixa etária a sentir a falta do icónico gelado, uma daquelas presenças reconfortantemente familiares que faziam crer que, por muito que o Mundo mudasse, certas coisas se manteriam para sempre inalteradas – uma ideia que a Olá acaba de desmentir, fazendo desaparecer, poucos meses após ter feito regressar o Rol e um par de anos após a volta do Super Maxi, uma parte da infância 'millennial' tão importante como qualquer delas. Até sempre, Mini Milk.

06.07.23

Todas as crianças gostam de comer (desde que não seja peixe nem vegetais), e os anos 90 foram uma das melhores épocas para se crescer no que toca a comidas apelativas para crianças e jovens. Em quintas-feiras alternadas, recordamos aqui alguns dos mais memoráveis ‘snacks’ daquela época.

A abertura da época balnear nas praias portuguesas dos anos 90 e 2000 trazia consigo uma 'tradição' oficiosa, mas altamente antecipada pelas crianças e jovens da época: o aparecimento do novo cartaz de gelados da Olá, sempre com as icónicas jovens em fato de banho na parte superior (tendência, aliás, também seguida pela rival Camy, hoje Nestlé), e invariavelmente apetrechado com pelo menos uma mão-cheia de novidades a juntar aos perenes e clássicos Super Maxi, Epá, Cornetto, Calippo, Mini Milk, Feast e (o entretanto desaparecido e temporariamente 'ressuscitado') Rol.

E, apesar da sua curta permanência no catálogo da companhia, a verdade é que muitos destes gelados – a maioria dos quais era especificamente dirigida, precisamente, ao público infanto-juvenil – se tornaram, durante o seu breve tempo de vida, êxitos ainda hoje causadores de nostalgia entre a demografia em causa, bastando mencionar nomes como o Dedo ou o Super Mário (este disponível durante quase toda a primeira metade dos anos 90) para despoletar memórias de infância e adolescência em toda uma geração. Até mesmo os tradicionais 'gelados de gelo' (conhecidos simplesmente como 'Laranja' e 'Limão') teriam, decerto, admiradores que os recordam com carinho até aos dias de hoje.

Ao contrário de muitas tendências de que aqui vimos falando desde o início deste blog, a rotatividade de catálogo da Olá mantém-se até hoje, embora a diversidade de gelados disponível e a margem para 'experiências' do calibre de um Rol branco ou Epá de chocolate seja significativamente mais reduzida, traduzindo-se as 'novidades', regra geral, em gelados alusivos a filmes ou séries populares (como o gelado dos Mínimos), efemérides como a conquista do campeonato nacional de futebol por parte do Sporting, em 2021, ou regressos de 'estandartes' da época aqui em análise, como os supracitados Super Maxi e Rol. Esta é, assim, mais uma experiência que acabou por se perder na transição entre as gerações 'Millennial' e 'Z', mas que fez, em tempos, parte integrante da juventude da primeira; para esses (ou seja, para a maioria dos leitores deste blog) segue abaixo uma pequena 'viagem no tempo' pelos cartazes da década de 90, cortesia do site da Olá. Desfrutem!

36d959a4d29a8d61e7f3e18fa1eb596a.jpg

1992-1993-1255641.jpg.ulenscale.600x900.adjustheig

1994-1995-1255639.jpg

1996-1997-1255658.jpg.ulenscale.600x900.adjustheig

1998-1999-1255659.jpg.ulenscale.338x506.adjustheig

2000-1255660.jpg.ulenscale.600x900.adjustheight.we

 

 

15.06.23

Todas as crianças gostam de comer (desde que não seja peixe nem vegetais), e os anos 90 foram uma das melhores épocas para se crescer no que toca a comidas apelativas para crianças e jovens. Em quintas-feiras alternadas, recordamos aqui alguns dos mais memoráveis ‘snacks’ daquela época.

Apesar de não tirarem o lugar aos chocolates ou a doces como o Bollycao na lista de preferências das crianças e jovens, os chupa-chupas não deixam, ainda assim, de ser apreciados pelos mesmos, como aquela guloseima consistente e confiável para que se pode sempre reverter em caso de dúvida; e se a essas mesmas características se associar uma abordagem diferenciada ou baseada numa propriedade intelectual de sucesso, melhor ainda, E ainda que, hoje em dia, o panorama esteja mais 'simplificado' nesse aspecto – com os clássicos e óptimos Chupa-Chups a monopolizarem a quase totalidade do mercado – os anos 90 foram pródigos na oferta de chupa-chupas que reuníam todas as condições acima delineadas e que, como tal, se tornaram 'clássicos' nostálgicos para toda uma geração de ex-jovens – dos Melody Pops (ainda existentes) aos geniais Push Pops, passando pelos tradicionais chupa-chupas azedos e pelo produto de que falamos esta semana, os 'chupas' com pastilha alusivos aos Power Rangers.

download.jpg

Comercializados pela própria Chupa Chups, estas guloseimas já 'vieram ao Mundo' com a enorme vantagem de surgirem associadas a uma das mais populares franquias infanto-juvenis do período em causa (meados dos anos 90), que tornava qualquer controlo de qualidade quase irrelevante; no entanto, o facto de os referidos doces serem, também, genuinamente saborosos apenas ajudou a reforçar o seu estatuto de favoritos junto dos fãs da série da Saban, então 'cabeça de série' do 'Buereré' da SIC. E como se já não bastasse, cada chupa-chupa trazia também, no seu interior, uma pastilha elástica, adornada com uma imagem alusiva à série, e acessível após a habitual 'destruição' metódica da camada dura no exterior do chupa-chupa. Tal inclusão fazia deste doce uma espécie de 'dois em um', que oferecia aos seus compradores duas guloseimas pelo preço de uma – além de um cromo exclusivo alusivo à equipa representada na embalagem. Em suma, estes chupa-chupas eram o produto praticamente perfeito para agradar à enorme massa de pré-adolescentes fãs dos cinco virtuosos heróis de Angel Grove, garantindo assim o sucesso junto dos mesmos.

De facto, a adesão a estes doces foi tal que motivou a Chupa Chups a lançar novas séries, alusivas a outras propriedades intelectuais; embora as qualidades do doce em si se mantivessem, no entanto, estas 'sequelas' não conseguiram ter o mesmo sucesso que os originais vinculados aos Power Rangers, acabando estes chupa-chupas por desaparecer do mercado sem grande 'alarde'. Uma pena, pois a 'leva' original foi um dos mais icónicos doces de uma época repleta deles, e ofereceu ao seu jovem público-alvo um produto que, longe de se 'encostar à sombra' da popular licença, apostava na verdadeira qualidade, fazendo com que valesse bem a pena o (módico) investimento de quem os requisitava no café, supermercado, tabacaria ou bar da escola.

13.04.23

Todas as crianças gostam de comer (desde que não seja peixe nem vegetais), e os anos 90 foram uma das melhores épocas para se crescer no que toca a comidas apelativas para crianças e jovens. Em quintas-feiras alternadas, recordamos aqui alguns dos mais memoráveis ‘snacks’ daquela época.

Numa altura em que o tempo começa a aquecer e a pedir manga curta e um pulinho 'fora de época' à praia, a grande 'novidade' no campo dos produtos alimentícios prende-se com a 'guloseima' típica e caracteristicamente associada com este tipo de temperaturas – os gelados. Isto porque a Olá, actual 'monopolista' do mercado em causa, decidiu fazer voltar às arcas frigoríficas de Norte a Sul do País mais um dos muitos gelados emblemáticos disponíveis durante a sua 'era de ouro' em finais do século XX; e, depois do Super Maxi há dois anos, o privilégio coube desta vez ao não menos saudoso Rol.

rol.jpg

O anúncio do regresso oficial do gelado, agora em edição limitada.

Sim, o 'rolo' de caramelo, chocolate e baunilha envoltos numa 'capa' de chocolate duro ao estilo Snickers (e cujo formato dispensava a adição do tradicional 'pauzinho') foi o grande escolhido na sondagem levada a cabo pela Olá através do Instagram, que convidava os portugueses a votar (através de emojis) em qual de três gelados emblemáticos – Popsi, Dedo ou Rol - deveria regressar, por tempo limitado, como forma de celebrar o quinquagésimo aniversário da marca em Portugal. E apesar de os seus dois competidores não terem sido menos marcantes para a geração em causa, a grande maioria dos votantes decidiu que queria mesmo ver regressar o tradicional rolo gelado - ainda disponível, aliás, em países como o Reino Unido, sob a forma de uma sobremesa láctea.

gelados-da-ola-dedo.jpggelados-da-ola-popsi.jpg

Dedo e Popsi, os dois concorrentes do Rol na sondagem de Instagram da Olá.

Assim, desde Fevereiro deste ano de 2023 que o gelado voltou a estar disponível em qualquer estabelecimento distribuidor de gelados da Olá, pronto a evocar memórias nostálgicas em toda uma geração de adultos, e a ser apresentado pela mesma às crianças e jovens de hoje em dia. E quem sabe? Talvez os 'putos' actuais gostem tanto deste clássico da Olá como os seus antecessores, e Portugal possa assistir a um regresso 'verdadeiro' e em força do Rol aos cartazes anuais da Olá...

Mais sobre mim

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2024
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2023
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2022
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2021
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
Em destaque no SAPO Blogs
pub