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Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

23.12.21

Todas as crianças gostam de comer (desde que não seja peixe nem vegetais), e os anos 90 foram uma das melhores épocas para se crescer no que toca a comidas apelativas para crianças e jovens. Em quintas-feiras alternadas, recordamos aqui alguns dos mais memoráveis ‘snacks’ daquela época.

A doçaria regional portuguesa é conhecida pela sua grande variedade de opções para todas as ocasiões, e o Natal não é excepção; mas entre as azevias, os coscorões e as lampreias de ovos, há um doce que se destaca acima de todos, e que simboliza, para muitos portugueses, a culinária da quadra.

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Falamos, claro, do bolo-rei, aquela deliciosa confecção encimada com frutos secos e frutas cristalizadas (ou, no caso da variante 'rainha', apenas com os primeiros) e que rivaliza favoravelmente com as especialidades natalícias de qualquer outro país do Mundo - incluindo congéneres como o 'stollen' alemão ou o 'fruitcake' norte-americano. Melhor - tirando a maior industrialização (antigamente, dificilmente se encontrava este bolo em supermercados) o bolo-rei sofreu muito poucas alterações na sua essência, continuando a ser (quase) exactamente aquilo que sempre foi, desde a sua introdução e popularização em Portugal, em inícios do século XIX.

É no 'quase', no entanto, que reside o cerne deste post; isto porque quem tem idade para se recordar dos assuntos falados neste blog certamente sentirá, ano após ano, falta de dois elementos já de há muito retirados do bolo-rei, mas que ainda marcaram muitos Natais e dias de Ano Novo da nossa infância: o brinde e a fava.

Tradicional brindes oferecidos nos Bolo Rei portug

 

Ambas intimamente ligadas à tradição do bolo-rei (quem encontrasse o brinde podia considerar-se sortudo, enquanto que quem tivesse na sua fatia a fava tinha de pagar o bolo seguinte - daí a expressão 'sair a fava' como sinónimo de 'ter azar') as duas 'surpresas' anteriormente contidas neste bolo foram retiradas, precisamente em 1999, após a aprovação de uma lei europeia que proibia a comercialização de géneros alimentícios com brindes misturados; apesar de o bolo-rei ter inicialmente sido considerado excepção, pelo significado cultural do seu brinde e da fava, o mesmo acabou mesmo por se ver despojado dos seus elementos tradicionais quando a referida lei foi revista, dois anos mais tarde.

Até hoje, apesar de não ser exactamente proibido vender o bolo com brinde e fava, é essa a percepção geral, sendo o mesmo comercializado sem qualquer dos dois elementos já desde o inicio do século. Uma pena, visto que eram precisamente estas duas 'surpresas' que davam o carácter ao bolo-rei, e tornavam a experiência de o comer ainda mais memorável; sem eles, resta um bolo ainda (e sempre) delicioso, mas já sem aquele pequeno 'extra' que tanto nos deliciava nas nossas infâncias. Ainda assim, a compra (e posterior partilha) de um bolo-rei é uma daquelas experiências sem as quais nenhum Natal luso podia passar - fosse nos anos 90, ou nos dias de hoje. Com ou sem 'surpresas' adicionais...

30.10.21

As saídas de fim-de-semana eram um dos aspetos mais excitantes da vida de uma criança nos anos 90, que via aparecerem com alguma regularidade novos e excitantes locais para visitar. Em Sábados alternados, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos melhores e mais marcantes de entre esses locais.

Nas primeiras edições desta rubrica, abordámos o fenómeno dos hipermercados e dos shoppings, e o fascínio que – por factores como a dimensão e a novidade – os mesmos exerciam nos jovens portugueses dos anos 90; hoje, damos conscientemente um passo atrás, a fim de demonstrar como uma ida ao bom e honesto supermercado do bairro podia, também, ser uma experiência divertida e fascinante, ainda que não tão memorável quanto as atrás descritas - até porque bastante mais corriqueira.

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De facto, ao passo que uma ida ao hipermercado implicava, muitas vezes, um planeamento cuidado de todo ou quase todo o dia, a visita ao supermercado fazia-se de forma bem mais espontânea, estando o único planeamento relacionado com a execução de uma lista de compras e uma vista de olhos ao folheto, para perceber onde cada produto se poderia encontrar mais barato. A partir daí, bastava pôr pés a caminho até à sucursal local do supermercado pretendido e adquirir os produtos necessários.

A simplicidade e mundaneidade deste processo escondiam, no entanto, um atractivo adicional para as crianças e jovens mais curiosos. Isto porque os supermercados dos anos 90, muito menos padronizados e mais individuais que os de hoje em dia, escondiam mil e uma surpresas, fossem os carrinhos que apenas se soltavam após a inserção de uma moeda, os expositores de nozes a granel (das quais se conseguiam sempre 'roubar' algumas para a boca) as secções de brinquedos (bem mais pequenas que as dos hipermercados, mas ainda assim de algum interesse) ou até simplesmente produtos bem do agrado das crianças, como bolachas, sobremesas, bolos, iogurtes ou cereais - já para não falar da oportunidade de ajudar os pais ou familiares a procurar cada produto, tirá-lo do expositor e colocá-lo no carrinho, um acto simples, mas que deixava muitos de nós pouco menos que ufanos da nossa utilidade.

Para as crianças mais pequenas, havia ainda o divertimento de se sentar dentro do próprio carrinho e ser 'conduzido' numa visita guiada às prateleiras, sendo que alguns supermercados incorporavam mesmo uma área para este fim nos seus carrinhos, talvez a fim de evitar que as crianças tivessem de se sentar na área destinada às compras. No fim da visita, para os mais bem comportados, havia ainda a (forte) possibilidade de ser presenteado com um doce – como um chupa-chupa, um chocolate, um pacote de Sugus ou uma simples pastilha – ou uma banda desenhada, como recompensa pela maturidade demonstrada. Razões mais do que suficientes para considerar a simples e singela visita ao supermercado da esquina, na companhia dos pais ou avós, como parte integrante da experiência da infância, quer nos anos 90, quer hoje em dia.

22.10.21

NOTA: Este post é respeitante a Quinta-feira, 21 de Outubro de 2021.

Todas as crianças gostam de comer (desde que não seja peixe nem vegetais), e os anos 90 foram uma das melhores épocas para se crescer no que toca a comidas apelativas para crianças e jovens. Em quintas-feiras alternadas, recordamos aqui alguns dos mais memoráveis ‘snacks’ daquela época.

Qualquer pessoa que tenha frequentado uma festa de anos, festa da escola, ou até visitado uma avó ou tia certamente terá sido transportado para esses tempos simplesmente por ler o título deste post. Isto porque o doce que hoje abordaremos foi e continua a ser um clássico de qualquer gaveta de guloseimas ou festa infantil, pelo seu sabor tão agradável quanto o preço.

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Falamos dos rebuçados Penha, que ainda hoje continuam a ser vendidos – e, certamente, a marcar a infância de tantas crianças quanto naqueles tempos. Fossem os tradicionais rebuçados de fruta, de invólucro branco com 'lacinhos' de cores distintas e uma imagem do próprio fruto como principal indicador do sabor, ou os inacreditáveis rebuçados de nata (ou, mais concretamente, 'toffee') os doces da Penha estavam entre as opções mais fiáveis, incontroversas e universalmente aceites de entre os doces processados disponíveis no mercado português da época; ninguém gostava particularmente destes doces (com possível excepção dos de nata) e poucos os teriam como primeira opção no momento de comprar guloseimas...mas, ao mesmo tempo, não havia quem NÃO gostasse deles, e não ficasse satisfeito por os ver numa mesa de festa, saquinho de brindes, ou na gaveta de casa da avó. Constituíam, pois, uma aposta segura, tanto para quem os comprava como para quem os comia, o que talvez ajude a explicar a sua continuada popularidade.

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'If you know, you know...'

Outro potencial factor dessa mesma popularidade era a consistência destes rebuçados, diferente da da maioria dos competidores, e mais próxima da dos Sugus (que também paulatinamente abordaremos aqui no blog) do que de uns Bola de Neve, por exemplo (e sim, os Bola de Neve também vão aparecer por aqui mais cedo ou mais tarde.) O próprio sabor ficava próximo do dos Sugus, sendo tão abertamente artificial como inegavelmente agradável – a combinação perfeita para apelar ao público-alvo, tanto naquele tempo como agora.

Enfim, este é daqueles tópicos sobre os quais não há muito a dizer; são aqueles rebuçados da nossa infância, que a professora distribuía na aula, ou que apanhávamos da mesa da festa de anos do nosso melhor amigo, e mais tarde punhamos na nossa para ele e outros comerem. No entanto, apesar de simples e 'sem história', a verdade é que estas pequenas guloseimas acabaram por deixar uma marca indelével em todas as nossas infâncias, justificando assim plenamente a sua presença neste nosso blog...

 

02.10.21

NOTA: Este post é respeitante a Quinta-feira, 30 de Setembro de 2021.

Todas as crianças gostam de comer (desde que não seja peixe nem vegetais), e os anos 90 foram uma das melhores épocas para se crescer no que toca a comidas apelativas para crianças e jovens. Em quintas-feiras alternadas, recordamos aqui alguns dos mais memoráveis ‘snacks’ daquela época.

Na última edição destas Quintas ao Quilo, falámos aqui das pastilhas Gorila, as quais eram praticamente sinónimo da expressão ‘pastilha elástica’ para as crianças portuguesas até meados dos anos 90; pois foi nessa altura que surgiu em cena um concorrente directo à hegemonia símia – no caso, um gato de óculos escuros com pinta de ‘gajo fixe’, e cujo produto, apesar de importado e não tão icónico como o do gorila lusitano, conseguiu ainda assim usurpar uma tranche significativa do mercado.

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Falamos, é claro, das pastilha Bubblicious e Bubbaloo, mais conhecidas entre os ‘putos’ portugueses como a principal (e praticamente única) alternativa para quem queria uma pastilha elástica mais macia e menos ‘combativa’ do que a Gorila – ou, alternativamente, quem procurava algo um pouco diferente da norma no que tocava a doces para mascar. Isto porque o principal atractivo da Bubbaloo era o facto de – ao contrário de qualquer outra pastilha existente no mercado – ser recheada de geleia líquida, a qual irrompia do interior da pastilha e inundava as papilas gustativas logo à primeira trinca, oferecendo assim uma espécie de ‘dois doces pelo preço de um’ a quem dispendesse os (caríssimos!) 15 ou 20 escudos a que cada pastilha desse tipo era comercializada. Este factor não terá, certamente, sido alheio ao sucesso da pastilha, quer em Portugal, quer no estrangeiro – afinal, que criança não gosta de surpresas, inovações e outros ‘truques’ nos produtos a ela dirigidos?

No entanto, a Bubbaloo não alicerçava a sua estratégia de marketing simplesmente na inovação, abrangendo também a fatia de público que mais não queria do que uma pastilha mais tradicional, mas menos difícil de comer do que a Gorila – e que encontrava na marca ‘baixa gama’, a Bubblicious, precisamente a resposta a esse seu desejo. Notáveis e ainda hoje lembradas pela textura fofa e sabores acentuados (bem mais do que no caso das Gorila) estas pastilhas terão, certamente, suscitado dúvidas existenciais em crianças que gostavam de ambas as marcas, mas só tinham os dez escudos correspondentes a uma única pastilha…

Qualquer que tenha sido o caso, no entanto, o impacto das Bubbaloo e Bubblicious entre a camada mais jovem foi inegável – tanto assim que a marca continua de vento em popa, discutindo o monopólio do mercado das pastilhas com a Gorila, tal como o fez desde a sua entrada no nosso país, há já quase três décadas. Boas notícias para os fãs de pastilhas elásticas, que continuam a ter dois óptimos produtos de entre os quais escolher…

 

10.09.21

NOTA: Este post é relativo a Quinta-feira, 9 de Setembro de 2021.

Todas as crianças gostam de comer (desde que não seja peixe nem vegetais), e os anos 90 foram uma das melhores épocas para se crescer no que toca a comidas apelativas para crianças e jovens. Em quintas-feiras alternadas, recordamos aqui alguns dos mais memoráveis ‘snacks’ daquela época.

De todos os ‘snacks’ normalmente associados às crianças e adolescentes, as pastilhas elásticas perderão apenas para os chupa-chupas e batatas fritas no que toca à associação de ideias – e com bons motivos. Seja como forma de ‘entreter’ numa aula ou espera particularmente aborrecida, seja para aferir quem consegue fazer o maior balão (ou, se forem particularmente dotados, até dividir um balão em dois) ou até para oferecer à pessoa que se ‘curte’, à laia de subtil presente, a verdade é que a maioria das crianças tende a gravitar para este tipo de doce, até pelo seu preço unitário extremamente baixo, convidativo até à mais vazia das carteiras.

Isto em Portugal, claro – há países onde as pastilhas apenas são vendidas em embalagens tipo Chiclets, não conhecendo as respectivas crianças as alegrias das ‘chiclas’ vendidas avulso, nem daquele tipo de pastilha de que falaremos no post de hoje, de goma extra-dura e que obrigam os dentes a uma verdadeira ‘aula de ginástica’ para as amolecer, tornando-as por isso o pesadelo de qualquer dentista.

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Falamos, claro, das pastilhas Gorila, um produto tão reconhecivelmente português como os sumos Compal (de que aqui falaremos paulatinamente) ou as papas Milupa, e que leva já quase meio século a pôr as crianças portuguesas a ‘mascar’.

Criadas pela Lusiteca (também responsável pelos rebuçados Penha, entre outras marcas bem conhecidas de quem aprecia doces) em 1975, as pastilhas Gorila surgem hoje em vários formatos, juntando-se á tradicional pastilha da nossa infância e respective versão ‘Super’ (mais fina e comprida) uma variante sem sal, e até um chupa-chupa; no entanto, para uma larga camada da população portuguesa, o nome estará, para sempre, ligado àqueles rectângulos brancos grossos, embrulhados em papel colorido codificado conforme os sabores, e que se compravam a cinco ou dez escudos cada no café da esquina ou no quiosque ao pé da escola. Durante, pelo menos, as primeiras duas décadas de existência, as pastilhas Gorila eram ‘as’ pastilhas elásticas portuguesas – se havia alternativas, estas não eram, a maior parte das vezes, sequer consideradas pelo público-alvo.

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Ah, memórias...

A partir da primeira metade dos anos 90, esse paradigma viria a mudar ligeiramente, com o aparecimento da primeira concorrente à altura para a Gorila – a poderosa ‘multinacional’ Bubbaloo, cujo ‘truque’ de rechear as pasilhas com uma espécie de geleia ‘caiu no goto’ dos jovens portugueses, tendo tanto esta pastilha como a sua a versão sem geleia, a Bubblicious, sido sucessos imediatos entre a demografia em causa, e posto em causa o reinado incontestado das Gorila.

Ainda assim, embora tivesse perdido o monopólio do mercado, as pastilhas nacionais por excelência retiveram uma fatia suficientemente grande do mercado para continuarem de vento em popa, e cativarem – até agora – mais duas gerações de jovens portugueses, para não falar daqueles que cativam a partir de cafés lusitanos em países estrangeiros (e podemos afirmar, por experiência própria, que ver uma caixa de Gorilas na montra de uma pastelaria em Londres é uma sensação difícil de qualificar.) Assim, não é de admirar que, quase cinquenta anos após o seu lançamento, estes singelos mas populares doces continuem a ter presença cativa nas prateleiras da maioria dos cafés, pastelarias e quiosques de Norte a Sul do país…

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E nem falámos dos cromos...

 

29.07.21

Todas as crianças gostam de comer (desde que não seja peixe nem vegetais), e os anos 90 foram uma das melhores épocas para se crescer no que toca a comidas apelativas para crianças e jovens. Em quintas-feiras alternadas, recordamos aqui alguns dos mais memoráveis ‘snacks’ daquela época.

Puxa um Push Pop

Puxa-lhe o gusto

Fecha um Push-Pop

E guarda o restooo!

Chupa-chupas com ‘caixinha’, que permitia guardá-los para ‘segundas núpcias’ – uma oportunidade de mercado tão útil, lógica e rentável que o mais surpreendente é ter levado até 1996 até alguém se lembrar de a tornar realidade. E escusado será dizer que, quando isso aconteceu, o sucesso foi imediato, e considerável.

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Sim, chegou hoje a vez de falarmos do Push-Pop, um dos quatro chupa-chupas que toda a criança dos anos 90 recorda com nostalgia (sendo os outros os chupas de apito, os chupas azedos e, claro, os ‘oficiais’ da Chupa Chups) e o único que se podia levar no bolso para a sala de aula sem ficar com as calças todas pegajosas e o chupa feito em geleia.

Isto porque, como já explicámos acima, os Push Pop tinham uma mecânica tão simples quanto genial, a qual se reflectia no próprio nome; em vez de virem no tradicional ‘pauzinho’, estes doces eram apresentados num tubo ao estilo batom de cieiro, e com um modo de funcionamento semelhante – para comer o chupa, rodava-se o tubo, e quando se queria parar, bastava rodar no sentido contrário, pôr a tampinha, e ele era novamente empurrado para baixo, onde ficava a aguardar a próxima ocasião. Um modo de funcionamento aparentemente básico, mas que abria inúmeras possibilidades para o público-alvo, que se via subitamente cara-a-cara com uma solução para o problema dos chupas engolidos à pressa porque estava na hora de entrar na aula, ou no treino de karaté, ou de jantar; agora, qualquer que fosse a situação, bastava fazer como indicava o anúncio, fechar o Push Pop, e guardar o resto. E a verdade é que, a maioria das vezes, era mesmo preciso fazer uso desta funcionalidade, porque estes chupas tinham muito que comer!

É claro que, por muito bem que funcionasse, este mecanismo não era perfeito; dependendo do ‘tratamento’ que se tivesse dado ao chupa, era possível que este se colasse um pouco à tampa, deteriorando a sua própria qualidade; no entanto, este era um risco que a maioria das crianças não se importava de correr, só para poder usufruir da magnífica funcionalidade concebida pelos criadores deste doce (um daqueles conceitos a que hoje em dia se chamaria ‘disruptivo’).

E para quem está, neste momento, a ter acessos de nostalgia ao lembrar este mítico chupa-chupa da sua infância, resta ressalvar que o Push Pop ainda hoje é fabricado vendido – embora não seja bem certo onde se podem encontrar estes nostálgicos doces. Será, talvez, um típico caso de ‘Google to the rescue’… Entretanto, vale bem a pena recordar aquela que foi uma das guloseimas mais marcantes para a geração que nasceu ou cresceu na segunda metade dos anos 90.

 

08.07.21

Todas as crianças gostam de comer (desde que não seja peixe nem vegetais), e os anos 90 foram uma das melhores épocas para se crescer no que toca a comidas apelativas para crianças e jovens. Em quintas-feiras alternadas, recordamos aqui alguns dos mais memoráveis ‘snacks’ daquela época.

A maioria das crianças gosta de chupa-chupas. A maioria das crianças também gosta de brinquedos e acessórios que lhes permitam fazer muito barulho sem grande esforço, como apitos. Era apenas uma questão de tempo até alguém juntar as duas ideias e criar um sucesso de vendas. Nos anos 90, esse ‘alguém’ acabou por ser a espanhola Chupa Chups, que lançava no mercado os seus Melody Pops, também conhecidos pela sua designação alternativa de ‘chupas de apito’.

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O conceito deste doce era único na sua simplicidade: cada Melody Pop era, basicamente, um mini-apito – daqueles compridos e longos estilo flauta, não dos de polícia ou árbitro desportivo - mas feito de doce com sabor artificial de morango, em vez de plástico ou metal. A criança podia, pois, unir o útil ao agradável, fazendo tanto ‘estardalhaço’ quanto quisesse (ou quanto o mecanismo básico de ‘ar pela ranhura’ do apito permitisse) enquanto saboreava um chupa-chupa acima da média, como era apanágio da Chupa Chups. Só era preciso ter cuidado para não cair na tentação de trincar o topo do chupa-chupa – caso contrário, passar-se-ia a ter ‘apenas’ um doce, em vez do apelativo dois-em-um inicial…

Mesmo tendo isto em conta, o grau de popularidade destes doces entre o público-alvo não era, de todo, de estranhar; antes pelo contrário, curioso seria se estes doces NÃO tivessem pegado entre as crianças e jovens. Numa era em que a Chupa-Chups procurava inovar o mercado dos doces – era, também, da marca espanhola o outro grande ‘chupa’ memorável da década, o Push Pop – os ‘chupas de apito’ foram, sem dúvida, um excelente acrescento às escolhas já disponíveis nos balcões e prateleiras de estabelecimentos Portugal fora, e os números de vendas provavam isso mesmo. Tanto assim que não tardaram a surgir chupa-chupas de apito de ‘marca branca’, conceptualmente funcionais, mas de acabamento e apresentação menos cuidada, os quais se podiam muitas vezes encontrar entre as gomas e os chupa-chupas azedos, em tabacarias e cafés de Norte a Sul do País.

Qualquer que fosse a versão consumida – e a ‘marca branca’ devia surpreendentemente pouco à oficial, diga-se de passagem – uma coisa é certa: os Melody Pops e outros ‘chupas de apito’ foram um dos principais elementos de uma ‘época de ouro’ no que toca  a doces industriais em Portugal, e mereciam ser tão lembrados quanto os igualmente saudosos Push Pops. Talvez esta pequena homenagem neste nosso blog em ascensão ajude a pôr em marcha um reviver deste populares ‘pirulitos’; ou, se não, pelo menos deu para recordar um doce que muitos de nós adorávamos, e gostávamos de ver regressar…

26.03.21

NOTA: Este post corresponde a quinta-feira, 25 de Março de 2021.

Todas as crianças gostam de comer (desde que não seja peixe nem vegetais), e os anos 90 foram uma das melhores épocas para se crescer no que toca a comidas apelativas para crianças e jovens. Em quintas-feiras alternadas, recordamos aqui alguns dos mais memoráveis ‘snacks’ daquela época.

E começamos por um que, embora exista até aos dias de hoje, marcou verdadeiramente época para a primeira geração de ‘millennials’ – o Bollycao.

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A tradicional embalagem do Bollycao nos anos 90, antes da mudança para vermelho.

Um forte candidato ao prémio de ‘melhor campanha de marketing para um alimento pouco excitante’ de sempre, o Bollycao – introduzido no mercado português em 1985, mesmo ano do aparecimento dos Donuts - era, pura e simplesmente, um pãozinho com chocolate, semelhante ao que se podia adquirir em qualquer supermercado ou padaria (ou até fazer em casa, usando outro alimento marcante dos anos 90, o Tuli-Creme) só que menos fresco, e mais processado. E sabendo que o produto em si não era mais do que isto, fica a pergunta: porquê tanto sucesso?

A resposta, como sempre, está numa estratégia comprovadamente eficaz, e já testada em outros alimentos, como os cereais – a inclusão de brindes com cada embalagem do produto. No caso do Bollycao, esses brindes consistiam, entre outros, da ‘Janela Mágica’ - pequenos mini-diapositivos com ‘animações’ simples - dos famosos cromos, primeiro da lendária colecção ‘Tou’ e, mais tarde, alusivos aos ‘franchises’ mais popular da altura (sim, houve do Dragon Ball Z. CLARO que houve do Dragon Ball Z!) e do jogo de cartas BoliKaos, semelhante aos da Top Trumps. Estes cromos e brindes (semelhantes, aliás, aos dos Donuts e Donettes, que também eram da Panrico) eram mesmo, para muitos, o principal incentivo para comprar ou pedir aos pais um Bollycao, em vez de uma alternativa que todos sabíamos ser mais fresca e saborosa, como um bolo do dia.

Basicamente, a Panrico não só soube ‘vender’ o seu produto como algo diferente das múltiplas outras alternativas disponíveis, como também percebeu quais os elementos-chave para obter sucesso de vendas junto do público infanto-juvenil. Foi essa combinação de fatores que rendeu ao Bollycao o posto de honra na lista dos ‘snacks’ embalados favoritos de muitas crianças, e que o faz ser recordado até hoje por toda uma geração.

Foi tanto o sucesso do humilde pãozinho com chocolate que a Panrico arriscou mesmo, em meados dos anos 90, o lançamento de ‘variantes’, das quais a mais conhecida é o Bollycao Mix, cujo recheio combinava pasta de chocolate normal e chocolate branco. No entanto, como acontece na maioria dos casos deste tipo, estas variantes nunca chegariam sequer perto do sucesso do Bollycao original, acabando por desaparecer discretamente das prateleiras ao fim de algum tempo.

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E como não podia deixar de ser, tal como qualquer outro produto de sucesso, o Bollycao também teve os seus imitadores e ‘sósias’, determinados a roubar algum do ‘market share’ da Panrico. O primeiro desafio veio da Bimbo, através do imaginativamente chamado BimboCao, cuja embalagem era, digamos, ‘inspirada’ no snack da Panrico – que mais tarde viria a ‘retribuir o favor’ com a embalagem do Bollycao Mix, que copiava explicitamente o design da embalagem da concorrente. No entanto, embora em Espanha a ‘luta’ entre estas duas marcas tenha sido bastante acirrada, em Portugal, o Bollycao saiu como claro vencedor, com a Panrico, inclusivamente, a assimilar a Bimbo, que hoje em dia produz…Bollycaos!

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Se o Bollycao fosse a Barbie, o BimboCao seria a Sindy...

Assim, de longe o concorrente mais bem sucedido neste aspeto foi o Chipicao, importado para Portugal pela Chipita em 1995 como resposta direta ao sucesso de vendas da Panrico, e que. mesmo com 10 anos de atraso em relação ao principal concorrente, se conseguiu ainda assim estabelecer no mercado, onde aliás sobrevive até hoje.

Talvez a raiz do sucesso do Chipicao se deva ao facto de (ao contrário do malogrado BimboCao) ele não ser uma cópia EXACTA do Bollycao. Efetivamente, onde este tinha um formato tipo cachorro-quente, o Chipicao apresentava-se em formato ‘croissant’, o que era já de si um diferencial. A embalagem era, também, bastante diferente da do Bollycao, apostando também na cor amarela, mas apresentando um aspeto gráfico muito mais cuidado, inclusivamente com recurso a uma mascote ‘radical’ (e em 3D!), como era apanágio da época.

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A primeira embalagem portuguesa do Chipicao, com a sua mascote totalmente anos 90.

No entanto, enquanto produto comestível, o Chipicao era algo inferior ao Bollycao, mais fofo mas com uma distribuição de chocolate muito menos generosa do que a da sua congénere da Panrico (sendo que, muitas vezes, tanto o pão como a própria pasta de chocolate se apresentavam ressequidos, tornando o bolo praticamente incomestível.)

Isto seria, talvez, desculpável se este concorrente do Bollycao trouxesse brindes à altura do seu rival direto; no entanto, mais uma vez, a Chipita não estava à altura do desafio, sendo que os cromos do Chipicao (quando os havia) não eram nem de longe tão memoráveis quanto os do pão com chocolate da Panrico (o mesmo se passando, aliás, com o BimboCao). O bolo da Chipita ainda tentou aproveitar a onda dos ‘Tazos’, mas partiu com demasiado atraso para ter qualquer impacto nesse aspeto – para além do facto de os seus Tazos serem muito pouco memoráveis quando comparados aos da Matutano ou a outros, como os dos Power Rangers.

Ainda assim, tanto o Bollycao como o Chipicao (que também chegou a ter variantes, com recheio de morango ou baunilha, entre outros) marcaram uma época, e ambos tiveram os seus fãs – e é muito provável que os continuem a ter. Afinal, como referimos acima, qualquer dos dois produtos continua disponível nas prateleiras, e qual é a criança que não gosta de um bolo processado, com recheio de creme, brindes ‘à maneira’, valor nutritivo nulo, e a que a maioria dos pais torce o nariz? Esta combinação era praticamente garantia de vendas nos anos 90, e as crianças, ainda que tenham mudado desde então, também não mudaram assim tanto…

E vocês? Quais as vossas memórias destes dois bolos clássicos dos cafés e supermercados portugueses? De qual gostavam mais? Digam de vossa justiça nos comentários! Entretanto, fiquem com um anúncio clássico para vos reavivar a memória...

               

 

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