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Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

29.09.22

Todas as crianças gostam de comer (desde que não seja peixe nem vegetais), e os anos 90 foram uma das melhores épocas para se crescer no que toca a comidas apelativas para crianças e jovens. Em quintas-feiras alternadas, recordamos aqui alguns dos mais memoráveis ‘snacks’ daquela época.

Em Portugal, à semelhança do que acontece um pouco por todo o Mundo, certos tipos de produtos são associados a determinadas marcas a ponto de se confundirem com as mesmas, mesmo quando existem no mercado alternativas concorrentes; o sector alimentício não é, de forma alguma, excepção a esta regra, sendo qualquer pão com chocolate (por exemplo) um 'Bollycao', qualquer fermento químico 'pó Royal', qualquer sobremesa à base de iogurte e fruta um 'Suissinho' ou 'Danoninho', e qualquer achocolatado para beber 'Nesquik' ou 'Cola Cao', entre outros exemplos. Nos anos 90, esta tendência estendia-se, no nosso País, também ao domínio dos bolos e artigos de pastelaria industrializados, a esmagadora maioria dos quais surgia nas prateleiras nacionais com a chancela de uma marca nacional e – à época – em rápido crescimento rumo à monopolização do mercado; a Dan Cake.

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Fundada nos anos 80 (e, aparentemente, extinta, ou pelo menos trespassada, há menos de dois anos à data de publicação deste post) a Dan Cake oferecia produtos ao longo de todo o espectro das bolachas e bolos, sendo também suas, por exemplo, as primeiras 'Madalenas' de pacote, bem como as bolachas 'Danish', comercializadas nas icónicas latas azuis que muita gente usava para guardar os artigos de costura; no entanto, por muito sucesso que esses artigos fizessem (até pela practicidade da embalagem das bolachas...) não era com elas que a marca era sinónima na mente das crianças e jovens noventistas – esse privilégio pertencia às 'tortas', das quais a marca disponibilizava, à época, uma enorme variedade, desde as mais pequenas, em tamanho 'snack' (as famosas Cake Bar), até formatos mais substanciais, aproximadamente do tamanho de um bolo de pastelaria.

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Dois dos mais famosos e icónicos produtos da marca nos anos 90

Invariavelmente à base de chocolate, estas tortas podiam, no entanto, vir recheadas dos mais diversos sabores, dos quais se destacavam os clássicos cacau e morango, os mais populares entre a 'meninência' daquela época; populares eram, também, os brindes oferecidos com as 'Cake Bar', que nos anos 90 se resumiam já a cromos – à semelhança do que famosamente fazia o 'Bollycao', e esporadicamente também outras marcas – mas que na década anterior haviam incluído bonecos em plástico monocromático, ao estilo 'Monsters in My Pocket', ligados às principais propriedades intelectuais juvenis da época. O problema? Estes bonecos eram, literalmente, enfiados DENTRO do bolo (sem qualquer invólucro protector, como acontecia nos pacotes de cerais de pequeno almoço ou batatas fritas), criando o mesmo tipo de situação que, anos mais tarde, viria a descaracterizar para sempre o bolo-rei. À época, no entanto, ninguém parece ter visto problema, e a troca para os mais inócuos autocolantes parece ter sido apenas uma questão de mudança dos interesses do público-alvo.

Com ou sem brindes, no entanto, os bolos e tortas Dan Cake faziam, mesmo, furor entre o público-alvo, pelo simples facto de serem deliciosos (embora estivessem também entre as opções MENOS saudáveis, mesmo da prateleira de doces e guloseimas!) E apesar de hoje em dia continuar a ser possível adquirir produtos deste tipo das mais diversas marcas (os chamados, no Brasil, 'alfajores') nenhuma delas vai, para quem cresceu nos anos 80, 90 ou até mesmo 2000, alguma vez substituir os 'Dan Cake'; afinal, como muito bem declaram os Corn Flakes da Kellogg's, 'o original é sempre o melhor...'

30.06.22

Todas as crianças gostam de comer (desde que não seja peixe nem vegetais), e os anos 90 foram uma das melhores épocas para se crescer no que toca a comidas apelativas para crianças e jovens. Em quintas-feiras alternadas, recordamos aqui alguns dos mais memoráveis ‘snacks’ daquela época.

Dizer que os anos 90 foram um tempo diferente é mais do que apenas um chavão; de facto, os últimos trinta anos viram tomar efeito na sociedade ocidental um número considerável de mudanças (para melhor) ao nível da tolerância à diversidade e da compreensão das diferenças, transversais a todos os sectores da sociedade, e com impacto considerável sobre cada um dos mesmos. O 'marketing' e design de produto não foi, de todo, excepção a esta regra, estando a maioria das companhias, hoje em dia, atenta ao aspecto sócio-cultural dos bens que comercializam, de modo a não ofender – intencional ou acidentalmente – qualquer minoria ou grupo de risco.

Serve isto para dizer que, nos dias que correm, seria praticamente impossível ver surgir nas prateleiras nacionais ou internacionais um produto como os Conguitos, que até nos mais 'insensíveis' anos da viragem do milénio chamava a atenção pela sua embalagem, e sobretudo pela sua mascote – um indígena africano estereotipado, de lança em riste, que certamente suscitaria, hoje, um sem-número de artigos de opinião, e colocaria a empresa responsável (a espanhola Lacasa) em riscos de 'cancelamento'.

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Mesmo há trinta anos, isto era 'puxado'...

Há trinta anos, no entanto, a embalagem até parecia combinar bem com as pequenas drageias de chocolate contidas no interior do pacote, e com o nome escolhido para as mesmas. Quem olhasse com mais atenção, aliás, veria que a mascote representava, na verdade, uma versão antropomórfica do próprio doce; ainda assim, como diz o ditado, no entanto, são as primeiras impressões que contam, e nesse aspecto, a Lacasa ficava muito mal na fotografia.

Mais surpreendente é verificar que, hoje em dia, a imagem dos Conguitos permanece essencialmente imutável - embora a mascote tenha perdido os elementos declaradamente africanizantes, a única outra alteração foi uma passagem do desenho tradicional para o CGI. Ou seja, a Lacasa continua, voluntariamente, a incorrer risco de boicote por parte da geração 'woke', mesmo estando ciente do panorama social de hoje em dia – uma opção surpreendente e que, para alguns, poderá mesmo influenciar a sua opinião do próprio produto alimentício. Para quem os comeu na infância, no entanto, os Conguitos continuarão, provavelmente, a ser apenas um chocolate perfeitamente aceitável (muito longe do nível dos ovos Kinder ou dos Galak Buttons) em que o principal chamariz estava mesmo na quase absurdamente datada mascote...

09.06.22

Todas as crianças gostam de comer (desde que não seja peixe nem vegetais), e os anos 90 foram uma das melhores épocas para se crescer no que toca a comidas apelativas para crianças e jovens. Em quintas-feiras alternadas, recordamos aqui alguns dos mais memoráveis ‘snacks’ daquela época.

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Tradicionalmente, uma das melhores maneiras de vender um produto ao segmento jovem é ter um ângulo apelativo ou, alternativamente, um 'truque na manga'. A maioria das crianças e jovens é extremamente susceptível até mesmo a uma pequeníssima inovação, pelo que tentar destacar-se da concorrência é 'meio caminho andado' para o sucesso.

Foi precisamente isto que o químico americano William A. Mitchell percebeu, e utilizou a seu favor, em meados da década de 1950; no caso, a proposta era um tipo de doce composto de açúcar, lactose, xarope de milho, condimentos, e um tratamento especial que fazia com que, ao contactar com a língua, se desencadeasse um efeito borbulhante e levemente picante, semelhante ao de uma minúscula explosão química. O resultado, patenteado logo nesse ano, levou o nome de Pop Rocks.

Sim, esses mesmos – aqueles docinhos 'explosivos' que, segundo um mito urbano vigente na cultura popular norte-americana, não se devem misturar com Coca-Cola, sob pena de ocorrer uma explosão no estômago; este mito foi, aliás, responsável pelo pouco sucesso desta guloseima aquando do seu lançamento original, em 1979, uns espantosos VINTE E TRÊS ANOS depois da patente ter sido registada.

O fraco desempenho destes doces no seu mercado original não impediu, no entanto, a empresa espanhola Zeta Espacial de adquirir os direitos de produção e distribuição para a Europa Latina, onde os mesmos surgiriam, ainda na década de 80, com o nome pelo qual ficaram conhecidos junto das crianças ibéricas daquele tempo: Peta Zetas.

Sem qualquer mito urbano para impedir a sua popularidade, o renomeado doce encontrou significativo sucesso no seu novo mercado – embora nem todos se atrevessem a colocar uma mão-cheia de Peta Zetas na boca, a 'novidade' de um doce que 'explodia' na boca era suficiente para fazer a maioria dos jovens ultrapassar as suas reservas, e experienciar por si mesmo a referida sensação.

Este efeito não se produziu, aliás, apenas na Península Ibérica; de facto, uma das principais idiossincrasias do produto é ter, após a venda à Zeta Espacial por parte da General Foods, voltado a ser exportado para os EUA, agora sob o nome Frizz Wiz, e gozado de sucesso considerável entre o mesmo público que pouca atenção lhes ligara poucos anos antes! Por sua vez, este sucesso levou a que a marca fosse adquirida pela Kraft Foods, que, em 1985, lança uma terceira versão do doce nos EUA, agora com o nome de 'Action Candy' – e novamente sem conseguir grande sucesso!

Por muito estranha que tenha sido o seu percurso além-mar, no entanto, na Península Ibérica, as Peta Zetas continuaram a fazer sucesso junto dos jovens durante largos anos, não sendo portanto de estranhar que, mesmo sem nunca terem conseguido o estatuto 'perene' de congéneres como os Sugus ou Smarties, se continuem a contar ainda hoje como uma referência nostálgica de alguma monta para a geração que com elas cresceu.

 

19.05.22

Todas as crianças gostam de comer (desde que não seja peixe nem vegetais), e os anos 90 foram uma das melhores épocas para se crescer no que toca a comidas apelativas para crianças e jovens. Em quintas-feiras alternadas, recordamos aqui alguns dos mais memoráveis ‘snacks’ daquela época.

Na última edição desta rubrica, recordámos as mini-caixas de Smarties, presença habitual nos saquinhos de lembranças distribuídos em certas festas de anos: hoje, chega a altura de falarmos de um produto adjacente – de facto, quase idêntico – mas cujo mercado era bem menos alargado, e a marca bem menos conhecida, ainda que reconhecível pela geração que com ela conviveu.

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Falamos das Pintarolas, nada mais nada menos do que os 'Smarties ibéricos'. Em tudo semelhantes aos discos redondos de puro açúcar comercializados pela Nestlé, o mais surpreendente em relação às variantes da Imperial (à época, um sério competidor no panorama ibérico dos doces e guloseimas) foi o facto de terem, apesar da óbvia concorrência, conseguido arranjar o seu 'nicho' em tão concorrido mercado; porque a verdade é que – fosse por que motivo fosse – havia pouco quem, à época, não tivesse pelo menos noção da existência destas 'imitações' dos Smarties (bem como dos seus 'primos' ligeiramente maiores, os Lacasitos, da espanhola Lacasa, versão 'alternativa' dos ainda mais populares M&M's). De facto, a marca Pintarolas era tão popular que chegou mesmo, em finais dos anos 80, a dar azo a calendários de parede próprios, algo de que poucos outros produtos do seu tipo e posicionamento de mercado se podiam gabar.

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Um dos calendários das Pintarolas (crédito da imagem: Enciclopédia de Cromos)

Mais - ao contrário de muitos dos produtos abordados nestas páginas, tanto as Pintarolas como os Lacasitos não só continuam a ser comercializados, como se souberam adaptar às sucessivas 'modas' infantis, apresentando hoje associações a propriedades como os Mínimos (de 'Gru, o Maldisposto') ou a Porquinha Peppa; um percurso de sucesso nada menos que impressionante, para um produto que nunca foi (ou quis ser) mais do que uma 'alternativa regional' a uma marca conhecida...

28.04.22

Todas as crianças gostam de comer (desde que não seja peixe nem vegetais), e os anos 90 foram uma das melhores épocas para se crescer no que toca a comidas apelativas para crianças e jovens. Em quintas-feiras alternadas, recordamos aqui alguns dos mais memoráveis ‘snacks’ daquela época.

Na última Quarta de Quase Tudo, abordámos no Anos 90 as festas de anos infantis daquela época, tendo nesse mesmo 'post' mencionando o facto de que muitas delas incluíam, à saída, um pequeno saquinho de 'gratificações', oferecido pela família do aniversariante a cada convidado, para lhe agradecer a presença na festa. E embora os conteúdos destes 'pacotes' reservassem, por vezes, algumas surpresas (por aqui, por exemplo, recebeu-se certa vez um boneco do GI Joe em tamanho miniatura) os mesmos tendiam a centrar-se sobre doces e guloseimas de menores dimensões ou individualizáveis, como Sugus, rebuçados ou chupa-chupas.

Em meio a este tipo de doce, no entanto, os referidos saquinhos incluíam, invariavelmente, um outro 'brinde' nunca visto fora desse contexto, pelo menos na altura: as mini-caixas de Smarties.

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Exemplo moderno das referidas caixas

Apesar de serem precisamente e simplesmente aquilo que pareciam (uma caixinha de papel com talvez uma dúzia de Smarties dentro, sem qualquer outra particularidade que não fosse o ser especialmente criada para uso em ocasiões deste tipo, como festas de anos, eventos infantis ou até no contexto do Halloween norte-americano) receber uma destas caixas após uma festa de anos não deixava de ter os seus atractivos – nomeadamente, o facto de a dose contida no interior da mesma ser suficientemente pequena para poder ser comida toda de uma vez, sem que a criança se sentisse culpada ou os pais a evitassem. Para além disso, cada caixa trazia impresso no verso e numa das laterais um pequeno desenho, muitas vezes parte de uma imagem maior que se obtinha juntando todas as caixinhas de um determinado lote, levando a inevitáveis comparações e tentativas de criar o mosaico completo em conjunto com os outros convidados. Em suma, um brinde que, apesar de aparentemente simples, não deixava ainda assim de 'cair no gosto' de quem o recebia.

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As caixas incluídas no mesmo 'pack' formavam muitas vezes um mosaico quando juntas umas às outras

À semelhança de muitos dos doces nostálgicos de que aqui falamos, uma rápida pesquisa na Internet revela que estas mesmas caixinhas continuam a ser produzidas até aos dias de hoje, embora não nos seja possível discernir se as mesmas continuam a ser utilizadas para a mesma função que exerciam naquele tempo (talvez algum leitor que conheça crianças ainda em idade de ir a festas infantis nos possa elucidar neste aspecto); certo é que, para toda uma geração de jovens, as icónicas mini-caixinhas foram quase sinónimas com celebrações de aniversário, quer próprias, quer de colegas e amigos, merecendo bem estas poucas linhas de homenagem.

17.03.22

Todas as crianças gostam de comer (desde que não seja peixe nem vegetais), e os anos 90 foram uma das melhores épocas para se crescer no que toca a comidas apelativas para crianças e jovens. Em quintas-feiras alternadas, recordamos aqui alguns dos mais memoráveis ‘snacks’ daquela época.

Já aqui foi referido inúmeras vezes que, nos anos 90. não eram necessárias grandes inovações tecnológicas ou conceitos 'avant-garde' para fazer as delícias do público mais jovem, pelo contrário; muitas vezes, eram mesmo as coisas mais simples que ganhavam tracção entre a miudagem, a ponto de se manterem relevantes e populares entre essa demografia até aos dias de hoje – um feito ainda mais notável se tivermos em conta que o tempo médio de vida de uma 'febre' dos anos 90 era de entre alguns meses a um ano.

O produto que recordamos hoje é prova cabal desse mesmo apanágio, tendo atravessado as décadas (entre elas a de 90) sem nunca perder o apelo junto do público mais jovem, e mantendo sempre imutável o seu já de si simplicíssimo conceito, que em nada mais consiste do que num tubo recheado de minúsculas pastilhas semi-azedas, e encabeçado por um mecanismo dispensador na forma da cabeça de um popular personagem infantil.

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Exemplos de dispensadores dos anos 90

Sim, falamos precisamente dos dispensadores de Pez, um artefacto (e respectiva guloseima) famosa a nível mundial pelo menos desde a década de 1960, e que continua até aos dias de hoje a constituir um apelativo misto de guloseima e brinquedo para crianças e jovens de uma certa idade. E apesar de os motivos disponíveis se irem, obviamente, adaptando aos tempos - nos anos 90, por exemplo, os clássicos e imortais personagens dos Looney Tunes ou da Disney dividiam o seu espaço com mascotes da Nintendo e Sega, ou bonecos da Rua Sésamo – o conceito-base permance, conforme já referimos, imutável: as drageias Pez são colocadas no tubo e, posteriormente, libertadas uma a uma através de um mecanismo de 'patilha' impulsionado por um toque na cabeça do personagem que encima o tubo. À medida que o tubo se vai esvaziando, a base vai-se, progressivamente, elevando, de modo a que haja sempre uma drageia à 'boca' do dispensador, directamente atrás da cabeça do boneco, pronta a ser libertada quando o mecanismo é accionado.

Um conceito sumamente simples, mas que resulta bem o suficiente para manter estas pastilhas duras, com aspecto de comprimido e sabor a chupa-chupas ácidos, nas prateleiras dos supermercados desde há já várias décadas; afinal, conforme se referiu no início deste texto, por vezes, são os conceitos mais simples, básicos e despretensiosos que mais rapidamente acabam por 'pegar' entre a criançada...

24.02.22

Todas as crianças gostam de comer (desde que não seja peixe nem vegetais), e os anos 90 foram uma das melhores épocas para se crescer no que toca a comidas apelativas para crianças e jovens. Em quintas-feiras alternadas, recordamos aqui alguns dos mais memoráveis ‘snacks’ daquela época.

Hoje em dia, a prática de fumar tabaco é activamente desencorajada na grande maioria da sociedade ocidental, com medidas cada vez mais restritivas e alternativas cada vez mais viáveis a serem implementadas como forma de reduzir o número de afectados por este vício. No século passado, no entanto, não era exactamente este o paradigma; pelo contrário, até à última década do Segundo Milénio, o tabaco era uitas vezes visto como um símbolo de 'status' social, tanto por alguns adultos, como pela maioria das crianças e jovens - o que, em perspectiva, torna os esforços para erradicar esta substância da vida quotidiana das mesmas nada menos do que louváveis.

A não ajudar nada a este 'estado da arte' estava um produto bastante popular entre o público mais jovem, e que, pela sua natureza, se tornou naturalmente um dos primeiros e mais óbvios 'alvos' da guerra ao tabaco: os cigarros de chocolate.

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Muitas vezes com caixas a fazer lembrar (ou mesmo a imitar quase integralmente) os maços que os pais da demografia-alvo traziam no bolso, estes doces – que não faziam parte da categoria dos que se tinham em casa em permanência, sendo sobretudo um complemento a ocasiões especiais, como idas ao estádio para ver o futebol – revelavam também grande atenção ao detalhe no tocante ao interior do próprio pacote; isto porque não só o número de rolinhos de chocolate dentro do mesmo era mais ou menos equivalente ao número de cigarros num maço, mas cada um deles se encontrava envolto numa folha de papel de seda, que (pelo menos à primeira vista) criava um efeito muito semelhante ao da mortalha de um cigarro de verdade, Quando combinados com as caixas também bastante cuidadas, estes elementos ajudavam a criar uma ilusão que, embora na prática desfeita assim que o 'cigarro' era desembrulhado e se transformava 'apenas' em chocolate, permanecia na imaginação das crianças durante o tempo suficiente para se acabar de comer os doces em causa – ou antes, de os segurar entre os dedos e fingir tirar 'bafos', que eventualmente se transformavam em trincas.

Este aspecto – o de constituir não só um doce, como também um veículo para uma brincadeira de 'faz-de-conta' – era mesmo o principal atractivo dos cigarros de chocolate, cujo gosto, por si só, nunca os teria tornado tão populares como o foram. De facto, embora muitas vezes comercializados por companhias de renome na indústria do chocolate – como a francesa Jacquot ou a brasileira Garoto – aqueles rolinhos tinham um gosto muito característico, que só quem comeu saberá evocar; a consistência era, ao mesmo tempo, crocante e arenosa (quase como a de um salame de chocolate, por exemplo) enquanto o paladar ficava marcado pelo excesso desnecessário de açúcar, ficando ao nível daqueles 'sucedâneos' de chocolate vendidos em barra, e também bastante populares à época. Enfim, um chocolate 'barato' (objectivamente, nem ao nível daqueles chocolates em forma de bolas de Natal chegava) que alicerçava toda a sua estratégia de 'marketing' e vendas no aspecto e abordagem diferenciados – os quais, felizmente, acabavam por resultar favoravelmente.

Hoje em dia - e apesar de uma caixa de cigarros de chocolate não ser avistada numa prateleira de café ou supermercado há pelo menos um quarto de século – estes doces podem ainda ser adquiridos nessa 'caixinha de tesouros' e surpresas chamada Internet; no entanto, com a 'mística' em torno do tabaco drasticamente diminuída pelas medidas referidas no início deste texto (e a pouca qualidade do produto em si) é de duvidar que os mesmos voltem a ser populares entre o público jovem, como o foram no início dos anos 90. Posts como este, e outros facilmente acessíveis mediante uma rápida pesquisa, provam que o valor dos cigarros de chocolate é, hoje em dia, puramente nostálgico - e ainda bem, já que existem nos escaparates opções bem melhores pelas quais arriscar cáries e quilos a mais...

03.02.22

Todas as crianças gostam de comer (desde que não seja peixe nem vegetais), e os anos 90 foram uma das melhores épocas para se crescer no que toca a comidas apelativas para crianças e jovens. Em quintas-feiras alternadas, recordamos aqui alguns dos mais memoráveis ‘snacks’ daquela época.

No esquema global dos doces dirigidos a crianças, os simples quadrados de fruta mastigáveis podem, a princípio, parecer não ocupar lugar de grande destaque; no entanto, como os rebuçados da Penha continuam, cabalmente, a provar, existe mesmo um mercado para este tipo de guloseima entre o público infanto-juvenil – quanto mais não seja, como presença perene, indiscutível e indispensável das mesas de festa de anos (e, nos anos 90, também dos respectivos saquinhos de recordação.)

O doce que hoje abordamos, no entanto, nem carecia da justificação ou contexto de um aniversário para ser atractivo para o seu público-alvo; tão clássicos quanto os rebuçados da Penha (e, tal como estes, ainda largamente disponíveis nos dias de hoje) os Sugus eram, e continuam a ser, simultaneamente uma das mais simples e mais bem sucedidas guloseimas comercializadas em Portugal, havendo pouco quem desdenhe destes quadradinhos de fruta a meio caminho entre o rebuçado e a pastilha elástica.

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O que grande parte dos consumidores de Sugus, tanto à época como actuais, talvez não saiba é que estes doces têm já quase um século de História, tendo sido primeiramente comercializados na sua Suíça natal em inícios dos anos 30. Não menos espantoso é o facto de, desde essa altura, a sua essência pouco se ter alterado, tendo os Sugus resistido a inúmeras mudanças no mercado em que se inserem com pouco mais do que uma mudança de embalagem ou mascote (antes do macaquinho que todos conhecemos, a linha era representada por dois jovens cuja estilização étnica levantaria hoje, sem dúvida, vários pares de sobrancelhas.)

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Errrrmmm...pois...eram outros tempos...

O produto, esse, continua a ser exactamente o mesmo – mais sabor, menos sabor – e a fazer as delícias de geração após geração de crianças, as quais, por muito que a sociedade avance, continuam a ter enorme dificuldade em resistir ao chamamento de um quadrado de puro açúcar com vago sabor a laranja ou cereja, e embrulhado num papel da cor da fruta a que supostamente sabe. Uma receita simples, mas que prova - se tal ainda fosse necessário - que nem sempre um produto tem de ser muito elaborado ou sofisticado para ganhar tracção no mercado: por vezes - como estes quadradinhos de fruta tão bem demonstram - é mesmo na simplicidade que reside o segredo do sucesso...

 

23.12.21

Todas as crianças gostam de comer (desde que não seja peixe nem vegetais), e os anos 90 foram uma das melhores épocas para se crescer no que toca a comidas apelativas para crianças e jovens. Em quintas-feiras alternadas, recordamos aqui alguns dos mais memoráveis ‘snacks’ daquela época.

A doçaria regional portuguesa é conhecida pela sua grande variedade de opções para todas as ocasiões, e o Natal não é excepção; mas entre as azevias, os coscorões e as lampreias de ovos, há um doce que se destaca acima de todos, e que simboliza, para muitos portugueses, a culinária da quadra.

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Falamos, claro, do bolo-rei, aquela deliciosa confecção encimada com frutos secos e frutas cristalizadas (ou, no caso da variante 'rainha', apenas com os primeiros) e que rivaliza favoravelmente com as especialidades natalícias de qualquer outro país do Mundo - incluindo congéneres como o 'stollen' alemão ou o 'fruitcake' norte-americano. Melhor - tirando a maior industrialização (antigamente, dificilmente se encontrava este bolo em supermercados) o bolo-rei sofreu muito poucas alterações na sua essência, continuando a ser (quase) exactamente aquilo que sempre foi, desde a sua introdução e popularização em Portugal, em inícios do século XIX.

É no 'quase', no entanto, que reside o cerne deste post; isto porque quem tem idade para se recordar dos assuntos falados neste blog certamente sentirá, ano após ano, falta de dois elementos já de há muito retirados do bolo-rei, mas que ainda marcaram muitos Natais e dias de Ano Novo da nossa infância: o brinde e a fava.

Tradicional brindes oferecidos nos Bolo Rei portug

 

Ambas intimamente ligadas à tradição do bolo-rei (quem encontrasse o brinde podia considerar-se sortudo, enquanto que quem tivesse na sua fatia a fava tinha de pagar o bolo seguinte - daí a expressão 'sair a fava' como sinónimo de 'ter azar') as duas 'surpresas' anteriormente contidas neste bolo foram retiradas, precisamente em 1999, após a aprovação de uma lei europeia que proibia a comercialização de géneros alimentícios com brindes misturados; apesar de o bolo-rei ter inicialmente sido considerado excepção, pelo significado cultural do seu brinde e da fava, o mesmo acabou mesmo por se ver despojado dos seus elementos tradicionais quando a referida lei foi revista, dois anos mais tarde.

Até hoje, apesar de não ser exactamente proibido vender o bolo com brinde e fava, é essa a percepção geral, sendo o mesmo comercializado sem qualquer dos dois elementos já desde o inicio do século. Uma pena, visto que eram precisamente estas duas 'surpresas' que davam o carácter ao bolo-rei, e tornavam a experiência de o comer ainda mais memorável; sem eles, resta um bolo ainda (e sempre) delicioso, mas já sem aquele pequeno 'extra' que tanto nos deliciava nas nossas infâncias. Ainda assim, a compra (e posterior partilha) de um bolo-rei é uma daquelas experiências sem as quais nenhum Natal luso podia passar - fosse nos anos 90, ou nos dias de hoje. Com ou sem 'surpresas' adicionais...

30.10.21

As saídas de fim-de-semana eram um dos aspetos mais excitantes da vida de uma criança nos anos 90, que via aparecerem com alguma regularidade novos e excitantes locais para visitar. Em Sábados alternados, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos melhores e mais marcantes de entre esses locais.

Nas primeiras edições desta rubrica, abordámos o fenómeno dos hipermercados e dos shoppings, e o fascínio que – por factores como a dimensão e a novidade – os mesmos exerciam nos jovens portugueses dos anos 90; hoje, damos conscientemente um passo atrás, a fim de demonstrar como uma ida ao bom e honesto supermercado do bairro podia, também, ser uma experiência divertida e fascinante, ainda que não tão memorável quanto as atrás descritas - até porque bastante mais corriqueira.

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De facto, ao passo que uma ida ao hipermercado implicava, muitas vezes, um planeamento cuidado de todo ou quase todo o dia, a visita ao supermercado fazia-se de forma bem mais espontânea, estando o único planeamento relacionado com a execução de uma lista de compras e uma vista de olhos ao folheto, para perceber onde cada produto se poderia encontrar mais barato. A partir daí, bastava pôr pés a caminho até à sucursal local do supermercado pretendido e adquirir os produtos necessários.

A simplicidade e mundaneidade deste processo escondiam, no entanto, um atractivo adicional para as crianças e jovens mais curiosos. Isto porque os supermercados dos anos 90, muito menos padronizados e mais individuais que os de hoje em dia, escondiam mil e uma surpresas, fossem os carrinhos que apenas se soltavam após a inserção de uma moeda, os expositores de nozes a granel (das quais se conseguiam sempre 'roubar' algumas para a boca) as secções de brinquedos (bem mais pequenas que as dos hipermercados, mas ainda assim de algum interesse) ou até simplesmente produtos bem do agrado das crianças, como bolachas, sobremesas, bolos, iogurtes ou cereais - já para não falar da oportunidade de ajudar os pais ou familiares a procurar cada produto, tirá-lo do expositor e colocá-lo no carrinho, um acto simples, mas que deixava muitos de nós pouco menos que ufanos da nossa utilidade.

Para as crianças mais pequenas, havia ainda o divertimento de se sentar dentro do próprio carrinho e ser 'conduzido' numa visita guiada às prateleiras, sendo que alguns supermercados incorporavam mesmo uma área para este fim nos seus carrinhos, talvez a fim de evitar que as crianças tivessem de se sentar na área destinada às compras. No fim da visita, para os mais bem comportados, havia ainda a (forte) possibilidade de ser presenteado com um doce – como um chupa-chupa, um chocolate, um pacote de Sugus ou uma simples pastilha – ou uma banda desenhada, como recompensa pela maturidade demonstrada. Razões mais do que suficientes para considerar a simples e singela visita ao supermercado da esquina, na companhia dos pais ou avós, como parte integrante da experiência da infância, quer nos anos 90, quer hoje em dia.

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