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Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

09.12.23

Os Sábados marcam o início do fim-de-semana, altura que muitas crianças aproveitam para sair e brincar na rua ou no parque. Nos anos 90, esta situação não era diferente, com o atrativo adicional de, naquela época, a miudagem disfrutar de muitos e bons complementos a estas brincadeiras. Em Sábados alternados, este blog vai recordar os mais memoráveis de entre os brinquedos, acessórios e jogos de exterior disponíveis naquela década.

Numa altura do ano em que nem sempre apetecia passar a tarde na rua, existiam ainda assim, nos anos 90 e 2000, vários jogos e brincadeiras que se podiam levar a cabo entre amigos, mesmo num espaço interior. De uma delas, o jogo do quarto escuro, já aqui falámos numa rubrica anterior; esta semana, chega a altura de recordar outra, que persiste também até aos dias de hoje, apesar de com menor expressão: o jogo do 'telefone estragado'.

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Conhecido por várias variantes desse mesmo nome – como 'telefone avariado' – o jogo tem mantido, no entanto, as mesmas regras através das gerações: os participantes dispõem-se em linha, e cabe ao primeiro da fila escolher e transmitir uma mensagem que deverá chegar até ao fim da mesma. Para este efeito, cada participante sussurra ao ouvido do seguinte aquilo que ouviu, ou pelo menos, aquilo que pensa que ouviu – sendo este, precisamente, o aspecto fulcral que dá ao jogo o seu apelo. Isto porque, na maioria das vezes, a mensagem que chega ao fim da fila é hilariantemente diferente da original, o que ajuda a realçar os problemas de compreensão e, por arrasto, de comunicação que existem, mesmo entre amigos, e mesmo em proximidade. Mesmo em algo 'dito ao ouvido', existe sempre aquela palavra que 'engana', sendo este erro, depois, transmitido ao próximo jogador, e por aí fora até ao final da linha, resultando na mensagem errónea que o último jogador recebe.

Um jogo simples, que não envolve quaisquer recursos excepto os próprios participantes, e cujo factor de diversão o torna intemporal – afinal, quem não gosta de dar umas gargalhadas à 'custa' dos amigos, ou mesmo de si próprio? É este aspecto que faz crer que o jogo do 'telefone estragado' continue a persistir nos recreios da Geração Z – isto, claro, se não tiver sido substituído por uma 'app' ou serviço de inteligência artificial que tome o lugar dos jogadores e retire toda a 'piada' à brincadeira...

28.08.23

NOTA: Este post é respeitante a Domingo, 27 de Agosto de 2023.

Ser criança é gostar de se divertir, e por isso, em Domingos alternados, o Anos 90 relembra algumas das diversões que não cabem em qualquer outra rubrica deste blog.

Apesar de o Verão ser, regra geral, sinónimo de férias na praia e brincadeiras no exterior, ao ar livre, a verdade é que surge sempre um ou outro dia chuvoso para estragar os planos, o qual - nos anos 90 - era uma desculpa perfeita para um jogo de cartas ou de tabuleiro em família; e a verdade é que o mercado dos anos 90 oferecia uma quase infindável selecção deste tipo de jogos, quer em 'tamanho completo' quer em versão portátil, ideal para levar em viagem. De clássicos como o Monopólio ou Trivial Pursuit a opções mais complexas e modernas, havia para todos os gostos no que tocava a formas de tornar um dia de chuva num Domingo Divertido; e o produto de que falamos hoje constituía (e continua a constituir) um autêntico clássico nesse capítulo.

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Falamos dos eternos mini-tabuleiros magnéticos de damas e xadrez, parte integrante obrigatória da bagagem estival de quem apreciasse, ou quisesse aprender, qualquer desses jogos. Ganhando com o seu reduzido tamanho e tabuleiro dobrável mais pontos do que perdia com as minúsculas peças (mesmo a pedir para se 'perderem' debaixo de um qualquer sofá ou cadeira de uma acomodação de praia), estes tabuleiros (que, por vezes, incluíam no reverso mesas para outros jogos, como o gamão) ajudaram a 'salvar' muitos fins-de-semana chuvosos para a geração 'millennial', para quem a absorção nos referidos jogos ajudava a acelerar a passagem das intermináveis horas antes da próxima 'sessão' de praia.

Numa época em que existem 'apps' e programas informáticos para suprir todas as necessidades que estes tabuleiros preenchiam, é de duvidar que os mesmos continuem a ter a mesma relevância, sucesso e expansão de que gozavam nas últimas décadas do século XX e primeiras do Novo Milénio; para quem nasceu ou cresceu durante essa época, no entanto, estes tabuleiros estarão, certamente, ao nível da bola de praia, colchão insuflávelraquetes ou balde e forminhas na lista de coisas a não serem esquecidas ao fazer a mala para as férias - sob pena de Domingos potencialmente Divertidos se tranformarem, antes, em Domingos muito aborrecidos...

18.06.23

NOTA: Este post é respeitante a Sábado, 17 de Junho de 2023.

As saídas de fim-de-semana eram um dos aspetos mais excitantes da vida de uma criança nos anos 90, que via aparecerem com alguma regularidade novos e excitantes locais para visitar. Em Sábados alternados (e, ocasionalmente, consecutivos), o Portugal Anos 90 recorda alguns dos melhores e mais marcantes de entre esses locais e momentos.

Numa edição recente desta rubrica, falámos das feiras de diversões itinerantes, que surgiam numa área a determinada altura do ano e ali permaneciam durante algumas semanas, dando aos habitantes da região a possibilidade de gozarem a 'experiência de feira' antes de a mesma seguir caminho rumo a novas paragens. No entanto, os habitantes de certas partes do País podiam,em finais do século XX, usufruir dessa mesma experiência a 'tempo inteiro', mediante a visita a um dos poucos, mas ainda assim existentes, parques de diversões 'fixos' em território nacional.

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O icónico frontispício da Feira Popular

O exemplo mais óbvio deste tipo de recinto era, obviamente, a Feira Popular de Lisboa, de onde deriva o nome ainda hoje informalmente utilizado para todos os parques deste tipo, e onde também 'aterrava' anualmente um dos Circos de Natal da capital. Este foi um espaço que deixou saudades aquando do seu encerramento em inícios do século XX, dada a forma como combinava, num só recinto, as diversões habituais de um parque de diversões – como o comboio-fantasma, a montanha-russa, a roda gigante ou as barraquinhas de jogos de habilidade 'a prémio' – um sem-número de salões de jogos equipados com a 'nata' dos videojogos de arcada noventistas (além das tradicionais máquinas de 'garra') os tradicionais fornecedores de churros e outras iguarias altamente calóricas, e ainda alguns divertimentos mais elaborados, como os 'Póneis Vivos' – operação extremamente problemática do ponto de vista da crueldade animal, mas que, à época, fazia as delícias dos mais pequenos – ou a 'Casa do Terror', uma mansão 'assombrada' por actores de carne e osso, e inspirada num conceito popularizado nos parques temáticos Disney. Tudo isto pelo preço de um só bilhete, ainda que – talvez evidentemente – fosse depois também necessário pagar por certas diversões, bem como pelas máquinas de jogo e comes e bebes, o que tornava a visita algo dispendiosa e a colocava na categoria de 'Saída de Sábado especial', por oposição a algo corriqueiro.

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Vista panorâmica da antiga Feira.

Ainda assim, quem visitou na infância esse marco da antiga cidade de Lisboa, situado na zona de Entrecampos-Campo Grande, certamente guardará dele boas memórias nostálgicas, e sentirá um aperto no coração ao vê-lo, hoje, transformado num descampado para sempre à espera que um suposto projecto de renovação 'saia do papel'...

Ainda na zona de Lisboa, e 'acoplado' a outra atracção especial que em breve aqui merecerá a nossa atenção – o Jardim Zoológico – existia, também, uma mini-feira, inicialmente constituída apenas por um carrossel, carrinhos de choque, casas em miniatura e os habituais jogos de habilidade e videojogos, e mais tarde expandida para incluir também o tradicional 'barco pirata' oscilante, e a tradicional diversão em que os participantes deslizavam, dentro de um barco, para uma piscina, apanhando assim um 'banho'.

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O tradicional carrossel do Zoo de Lisboa.

Infelizmente, em anos subsequentes, muitas destas atracções foram forçadas a fechar ou deixadas ao abandono, tendo a mais recente remodelação do espaço adjacente ao Jardim Zoológico eliminado os últimos vestígios dos mesmos, além de outras características arquitectónicas bem mais clássicas. Uma pena, pois a referida mini-feira (tal como a sua antecessora, com a pista de 'karts' e a boneca do corpo humano) era um excelente complemento ao dia especial que invariavelmente se passava no 'Zoo'.

E como quase todas as localizações 'especiais' existentes na capital têm um equivalente mais 'a Norte', também no caso das feiras de diversões se verificava este paradigma. No caso, a representante nortenha deste conceito era a Bracalândia, situada não no Porto mas, como o nome indica, na zona de Braga.

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O recinto da antiga Bracalândia, a 'resposta' nortenha à Feira Popular.

Relativamente à Feira Popular, o parque nortenho apostava numa abordagem mais diversificada, dividida em 'zonas' temáticas alusivas a várias culturas existentes ou fictícias, dos 'cowboys' do Faroeste ao continente africano, passando pela terra dos contos de fadas. Ainda assim, e apesar desta divergência, não faltavam na Bracalândia os divertimentos tradicionais de feira acima elencados, e que, quando combinados com a referida abordagem conceitual, a tornavam num dia muito bem passado para os jovens residentes no Norte do País. Melhor – apesar de ter encerrado actividades em finais da década de 2000, e novamente no início da seguinte, a Bracalândia conseguiu, ao contrário da Feira Popular, gozar de uma 'segunda vida', agora na zona de Penafiel, no distrito do Porto, e sob o nome algo mais genérico de Magikland, identidade sob a qual pode, ainda hoje, ser visitada.

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Aspecto da actual Magikland.

Em suma, apesar de serem poucas, e de não terem a dimensão ou projecção de uma Eurodisney ou mesmo do Parque Astérix, as feiras de diversões 'fixas' do Portugal de finais do século XX não deixavam, ainda assim, de constituir excelentes Saídas de Sábado para toda a família, justificando plenamente a sua inclusão nesta nossa rubrica.

 

10.06.23

Os Sábados marcam o início do fim-de-semana, altura que muitas crianças aproveitam para sair e brincar na rua ou no parque. Nos anos 90, esta situação não era diferente, com o atrativo adicional de, naquela época, a miudagem disfrutar de muitos e bons complementos a estas brincadeiras. Em Sábados alternados, este blog vai recordar os mais memoráveis de entre os brinquedos, acessórios e jogos de exterior disponíveis naquela década.

Já aqui falámos, em edições passadas, dos jogos de rua, tão populares entre as crianças do século XX, e que se vêm progressivamente perdendo na era dos telemóveis e redes sociais; e, no Portugal dos anos 90, um dos muitos por que qualquer grupo de 'putos' reunido na rua ou num jardim poderia optar era o chamado 'futebol humano'.

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O jogo no programa 'Love on Top', da TVI.

Sem ter absolutamente nada a ver com qualquer tipo de futebol – seja de rua ou de campo – à excepção do objectivo final de marcar 'golo', chegando ao fim do 'meio-campo' adversário, este jogo é uma adaptação do americano 'freeze tag', e tem a particularidade de extravasar o mundo dos Sábados aos Saltos, sendo também um recurso extremamente popular e frequentemente utilizado pelos professores de Educação Física da época, a par dos jogos do 'Mata' e da 'Corrente', talvez as únicas outras actividades a marcar presença nos dois contextos. Ainda assim, e ao contrário do que normalmente sucede, o facto de ser utilizado como parte de uma disciplina da escola em nada diminuía o atractivo ou o 'factor diversão' deste jogo, que se manteve popular até os dispositivos digitais tomarem o lugar das brincadeiras nos recreios e tempos mortos portugueses.

As regras eram simples, e – como costuma suceder neste tipo de jogos – transmitidas quase 'por osmose' entre diferentes gerações de crianças; o objectivo, conforme mencionado no parágrafo anterior, passava por marcar 'golo', e para tal, era necessário passar por todos os jogadores da equipa adversária, cuja missão era tentar travar essas investidas, tocando no oponente. Caso esse desiderato fosse bem sucedido, o jogador que procurava o 'golo' tinha de ficar 'congelado' no sítio exacto onde houvera contacto, de braços abertos, e esperar que alguém da sua equipa o viesse 'libertar' ou 'salvar'; caso contrário, o 'golo' era válido, e o jogo recomeçava 'a meio campo', com as duas equipas alinhadas cada uma do seu lado.

Como não podia deixar de ser, este modelo de jogo dava azo a estratégias ao mesmo tempo inteligentes e anárquicas, em que alguns dos participantes de cada equipa se 'sacrificavam' para distrair a atenção dos adversários, permitindo aos colegas correr por fora e 'marcar um golo' limpo e relativamente fácil, ou em que todos os jogadores investiam simultaneamente, deixando o resultado nas mãos da sorte; longe de serem vistos como 'batota' ou criticados, estes estratagemas faziam parte do jogo, eram esperados, e apenas adicionavam à diversão, obrigando cada uma das equipas a tentar contrariá-los, num jogo que também se poderia facilmente ter chamado 'xadrez humano'.

Conforme referimos no início deste texto, jogos como o futebol humano vêm, progressivamente, perdendo preponderância nos recreios e Sábados aos Saltos das crianças e jovens portugueses, substituídos pelos vídeos de YouTube, Instagram e TikTok. Há, no entanto, que esperar que esta brincadeira não desapareça totalmente da 'consciência partilhada' infanto-juvenil, já que se trata(va) de um dos jogos de rua (ou de ginásio) mais divertidos de uma época repleta deles.

20.05.23

As saídas de fim-de-semana eram um dos aspetos mais excitantes da vida de uma criança nos anos 90, que via aparecerem com alguma regularidade novos e excitantes locais para visitar. Em Sábados alternados (e, ocasionalmente, consecutivos), o Portugal Anos 90 recorda alguns dos melhores e mais marcantes de entre esses locais e momentos.

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Em finais do século XX e inícios do seguinte – e ainda, até certo ponto, hoje em dia - a chegada do bom tempo, e fim (quase) definitivo da época das chuvas primaveris em Portugal era o mote para o aparecimento, tanto nas cidades e vilas como em localidades mais recônditas, de feiras de diversões itinerantes, as quais – tal como acontecia com os circos nos meses invernais – 'assentavam arraiais' durante um período de algumas semanas (ou, por vezes, até apenas de alguns dias) antes de seguirem caminho rumo ao seu próximo destino. Escusado será dizer que, para quem não morava em Lisboa e não tinha, portanto, acesso a uma Feira Popular durante a maior parte do ano, este tipo de estrutura constituía um verdadeiro 'acontecimento', atraindo inevitavelmente a população jovem da área onde surgia – e, por vezes, até alguns visitantes mais 'crescidos', aliciados pelas diversões mais 'de risco' oferecidas por este tipo de feiras.

A razão para este sucesso era evidente, e traduzia-se numa combinação de oferta e 'timing', Muitas vezes montadas para coincidir com as Festas da localidade a que chegavam (embora nem sempre fosse esse o caso) estas feiras ofereciam à juventude da área diversões de feira a que a mesma dificilmente teria, de outro modo, acesso, como o barco pirata oscilante, os carrinhos de choque, as cadeiras voadoras, o comboio-fantasma, e pelo menos uma atracção que implicasse subir a grande altura e cair abruptamente até ao solo, fosse qual fosse a sua configuração; as companhias mais endinheiradas ou elaboradas poderiam, mesmo, dispôr de uma roda gigante ou montanha-russa, tornando a perspectiva de uma Saída de Sábado à noite ainda mais atractiva para o público-alvo.

Infelizmente, tal como sucede com muitas das outras excursões e atracções de que aqui falamos, as crescentes preocupações com a segurança e a criação de novos regulamentos relativos às diversões de feira vieram restringir significativamente tanto o alcance como a frequência deste tipo de companhias itinerantes, que se vêem hoje muito reduzidas tanto em número como na variedade de atracções de que podem dispôr; naqueles tempos mais simples de finais do Segundo Milénio, no entanto, este tipo de feira de diversões temporária veio alegrar o final do ano lectivo e início de férias de muitas crianças e jovens, fornecendo-lhes uma Saída de Sábado diferenciada e bem demarcada da rotina quotidiana, e que, como tal, terá certamente criado memórias nostálgicas indeléveis na geração que com elas conviveu.

30.04.23

Ser criança é gostar de se divertir, e por isso, em Domingos alternados, o Anos 90 relembra algumas das diversões que não cabem em qualquer outra rubrica deste blog.

O Mundo dos adultos exerce, invariavelmente, um enorme fascínio para qualquer criança ou jovem, sendo a vivência dessas mesmas experiências a título próprio um dos grandes objectivos de qualquer menor de idade. E apesar de certos aspectos desse mesmo Mundo permanecerem vedados até serem completados dezoito anos, outros há que conseguem ser 'replicados' em ponto miniatura, para enorme deleite da demografia em causa. Nos anos 90, um exemplo desta última vertente eram as versões 'de brincar' de alguns dos mais populares jogos competitivos do Mundo adulto, de que eram exemplo o 'snooker', os dardos, os matraquilhos ou ainda o bólingue – todas elas diversões de cujas versões 'reais' a criança ou jovem médio da época desfrutaria apenas muito esporadicamente, durante uma ida ao café ou salão de jogos ou bólingue.

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Exemplo moderno deste tipo de divertimento.

Estas versões em 'ponto pequeno', disponíveis em qualquer loja de brinquedos ou grande superfície, ajudavam, pois, a tornar esses jogos numa experiência mais quotidiana, permitindo a quem tinha uma destas mesas desfrutar de uma partida sempre que lhe apetecesse – e fazendo uso de apetrechos adaptados ao seu tamanho, por oposição a tacos gigantes ou bolas tão pesadas que mal se lhes conseguia pegar.

Não é, pois, de estranhar que este tipo de mesas de jogo rapidamente se tenham tornado um sucesso (e motivo de cobiça) entre as crianças e jovens daquela época, com as mesas de matraquilhos, em particular, a constituírem uma excelente fonte não só de 'gabarolice' como também de muita diversão sempre que se recebiam familiares ou amigos para uma festa de anos ou, simplesmente, uma tarde de brincadeira. E embora o teor significativamente reduzido das mesas e apetrechos as restringisse a uma faixa etária declaradamente infantil – já que, para os jovens, era tudo muito baixo e pequeno – tal acabava por não importar, já que, chegada a adolescência, era já possível tirar partido das versões 'reais' da maioria destes jogos.

Para as crianças, no entanto, cada um destes brinquedos representava uma oportunidade única de fazer coisas 'de adulto', tornando-as parte acarinhada de qualquer quarto de brinquedos noventista; e, apesar de este tipo de produto se ter tornado significativamente mais raro ao longo das últimas três décadas, é de crer que algo deste tipo fizesse, ainda hoje, sucesso junto de um público infantil muito menos 'restrito' em termos de interesses (e mais voltado para a vertente digital) mas não menos interessado em crescer o mais rapidamente possível...

04.04.23

NOTA: Este 'post' é correspondente a Domingo, 02 de Abril de 2023.

Ser criança é gostar de se divertir, e por isso, em Domingos alternados, o Anos 90 relembra algumas das diversões que não cabem em qualquer outra rubrica deste blog.

Os avanços tecnológicos de finais do século XX permitiram que as crianças dos anos 80 e 90 disfrutassem de uma série de brinquedos que, sem serem aberta ou explicitamente tecnológicos, faziam uso das capacidades existentes para criarem funcionalidades apelativas que pudessem servir como argumentos de vendas junto do público-alvo. Dos mais complexos, como os 'Furbies', aos mais simples, como as flores dançarinas ou os animais a pilhas, foram inúmeros os exemplos deste tipo de produto disponibilzados ao longo dos últimos vinte anos do Segundo Milénio; no entanto, para as crianças portuguesas em particular, poucos simbolizam esse período da História comercial tão bem quanto os famosos 'papagaios repetidores'.

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Surgidos praticamente 'do nada' para se tornarem êxitos de vendas das lojas de brinquedos mais pequenas (e daquelas lojas 'vende-tudo' semi-duvidosas, a meio caminho entre as drogarias e as lojas dos 'trezentos', tão populares e frequentes no Portugal da época) estes papagaios movidos a pilhas tinham como proposta única a repetição - numa voz robótica e esganiçada - de parte ou da totalidade de qualquer frase dita por quem se encontrasse nas suas proximidades, normalmente acompanhado de um bater de asas mecanizado. Tal era, claro, possível graças aos componentes electrónicos localizados no seu interior, que certamente pareceriam simplistas e obsoletos do ponto de vista actual, mas que, à época, eram suficientemente impressionantes para tornar estes papagaios numa 'febre' entre as crianças e jovens de uma certa idade aquando da sua chegada a Portugal, em inícios dos anos 90.

De facto, por mais difícil que seja imaginá-lo nesta era de Tamagotchis com funcionalidades Bluetooth e brinquedos controlados por Wi-Fi, numa era não muito distante da História, ter no quarto um papagaio que repetia o que se dizia à sua frente era não só motivo de inveja e 'gabarolice', mas também de largos momentos de diversão, quer sozinho, que na companhia dos amigos - um marco (mais um) de tempos mais simples, em que as crianças e jovens eram bem menos exigentes no que tocava às funcionalidades dos seus brinquedos e divertimentos. De facto, apesar de estes papagaios se encontrarem ainda disponíveis hoje em dia, em sites como o AliExpress, é difícil imaginar que um brinquedo deste tipo suscite numa criança do século XXI o mesmo tipo de interesse que criou junto da geração anterior, ou que seja elevado ao estatuto de 'peça central' do quarto como o foi para os jovens de finais de 90; quem viveu o curto mas marcante auge de popularidade destes brinquedos, no entanto, certamente se lembrará da sensação que o mesmo causava junto de qualquer grupo de amigos de uma determinada idade...

03.04.23

NOTA: Este 'post' é correspondente a Sábado, 01 de Abril de 2023.

Os Sábados marcam o início do fim-de-semana, altura que muitas crianças aproveitam para sair e brincar na rua ou no parque. Nos anos 90, esta situação não era diferente, com o atrativo adicional de, naquela época, a miudagem disfrutar de muitos e bons complementos a estas brincadeiras. Em Sábados alternados, este blog vai recordar os mais memoráveis de entre os brinquedos, acessórios e jogos de exterior disponíveis naquela década.

No dia 1 de Abril celebra-se, tradicionalmente, o Dia das Mentiras, uma data sem grande significado para os adultos, mas que, para os mais novos, era o pretexto perfeito para contar 'petas' sem por isso se meter em sarilhos, bem como para levar a cabo algumas 'partidas' mais ou menos inofensivas tendo como 'vítimas' os familiares, vizinhos ou amigos. É de algumas das mais clássicas entre essas brincadeiras que falaremos neste 'post'.download.jfif

Uma partida clássica e intemporal

Havia, por exemplo, as clássicas partidas com recurso a balões de água ou estalinhos, que embora tivessem no Carnaval o seu auge, eram também por vezes levadas a cabo em outras alturas do ano. Outro clássico eram os insectos de borracha, à época bem fáceis de arranjar como brinde nas máquinas de bolas ou em qualquer tabacaria, drogaria ou loja de brinquedos, e perfeitos para assustar os familiares à mesa ou 'esconder' num sítio onde causassem o máximo impacto. Havia, ainda, a velha brincadeira de bater à porta ou tocar à campainha e sair em disparada antes que o dono da casa aparecesse, bem como as tradicionais partidas telefónicas, normalmente efectuadas a partir de cabines telefónicas, e tendo como alvo os números gratuitos, caso em que as consequências monetárias eram mínimas (nem sequer era preciso gastar impulsos no Credifone), e a possibilidade de ser descoberto através do número menor ainda.

Estas não eram, claro, as únicas partidas levadas a cabo pelas crianças daquela época; antes pelo contrário, havia um sem-número de outras, de variados graus de 'gravidade' (dos 'nhecos' aos toques nas costas, imediatamente seguidos de um ar inocente, como se não se tivesse tocado) sendo o único limite a imaginação (e, por vezes, os princípios morais). Algumas dessas (e algumas das que acima mencionámos) continuam, mesmo, a divertir a nova geração de crianças nos dias que correm - embora, actualmente, o meio preferencial para pregar 'partidas' seja mesmo a Internet, e o cariz das mesmas se prenda mais com as identidades falsas e o chamado 'catfishing'. Quem viveu a sua juventude em finais do século XX, no entanto, terá - esperemos - chegado a estas últimas linhas deste 'post' com um enorme sorriso, ao recordar as partidas em que tomava parte ao lado dos amigos...

18.02.23

Os Sábados marcam o início do fim-de-semana, altura que muitas crianças aproveitam para sair e brincar na rua ou no parque. Nos anos 90, esta situação não era diferente, com o atrativo adicional de, naquela época, a miudagem disfrutar de muitos e bons complementos a estas brincadeiras. Em Sábados alternados, este blog vai recordar os mais memoráveis de entre os brinquedos, acessórios e jogos de exterior disponíveis naquela década.

O terceiro fim-de-semana de Fevereiro fica, no calendário lusitano, normalmente marcado pela festividade conhecida como Carnaval, a qual, por sua vez, acarreta consigo uma série de acções e tradições próprias e características, sem as quais a festa não tem o mesmo colorido. E por o Carnaval ser, historicamente, uma festa ligada à diversão (mais ou menos) sem regras, várias destas tradições tem um pendor algo 'maroto', procurando incomodar ou inconvenienciar o próximo – embora, claro, também haja algumas mais 'inocentes' e cujo espírito é meramente de festa. Este Sábado, elencamos cinco das principais diversões que punham os 'putos' noventistas aos Saltos a cada fim-de-semana de Carnaval.

  1. Serpentinas

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A menos lesante das divesões contidas nesta lista, o lançamento das tradicionais fitas em papel colorido tinha (e tem) a desvantagem de poluir bastante as ruas. Ainda assim, a sensação de ver aquela 'cobra' de papel desenrolar-se a um toque de pulso nunca deixará de ser gratificante, especialmente para uma criança ou jovem – à qual acresce, ainda, a possibilidade de ver o rolo embater numa qualquer cabeça mais desprevenida, juntando uma vertente cómico-maliciosa a todo o processo. Ainda assim, as serpentinas ficam mesmo pelos lugares inferiores da lista, por serem menos populares e versáteis do que os restantes divertimentos nela contidos.

  1. Martelinhos

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'Reciclados' das festas do São João, no Porto, os martelinhos têm a dupla aliciante de 'chatear' sem magoar, já que as suas superfícies são, regra geral, plastificadas e maleáveis, expressamente para permitirem bater nos mais diversos 'alvos', gerando a cada vez o tradicional 'pio', quase tão irritante quanto o próprio acto de levar com eles. Um 'clássico' do Carnaval, ainda hoje, que só fica a perder em relação aos três outros produtos ainda por citar no campo da versatilidade e potencial destrutivo.

  1. Balões de Água

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Já aqui lhes dedicámos um post completo – no qual, aliás, referimos o perigo de passar desprevenido debaixo de prédios de apartamentos na altura do Carnaval, tornando-se assim o alvo perfeito para um balão de água em queda livre em direcção ao alto da cabeça. Além desta vertente, os balões de água podiam ainda ser atirados a veículos – embora poucos fossem os que se atreviam, pelo alto potencial de acidentes que tal acto causava – ou usados em 'guerras' entre amigos ou rivais, razão que os via ser banidos da maioria das escolas do País nesta época do ano.

  1. Estalinhos

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Também já aqui falámos destes pequenos mas ruidosos apetrechos, ideais para assustar os mais distraídos, normalmente fazendo-os estalar mesmo nas suas costas – uma prática a que poucos conseguiam resistir durante este período...

  1. Ovos

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Um dos muitos resultados do lançamento de ovos durante o Carnaval.

A mais perigosa das diversões aqui citadas, mas também a que oferecia maior potencial destrutivo – e, por isso mesmo, a mais apreciada por quem via no Carnaval uma oportunidade de 'pregar partidas' e se portar mal sem consequências. Também, naturalmente, banido da maioria dos estabelecimentos escolares, este produto alimentar acabava ainda assim, inevitavelmente, espalhado nas roupas e cabelos dos jovens mais incautos, num efeito semelhante ao dos balões de água, mas ainda mais destrutivo – valendo-lhes, assim, a vantagem sobre os mesmos, e o primeiro lugar nesta nossa lista.

O que acharam deste Top 5? Concordam? Discordam? Esquecemo-nos de alguma 'partida'? Façam-se ouvir nos comentários!

16.02.23

Trazer milhões de ‘quinquilharias’ nos bolsos, no estojo ou na pasta faz parte da experiência de ser criança. Às quintas, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos brindes e ‘porcarias’ preferidos da juventude daquela época.

Nesta altura do ano, não havia criança que não os tivesse na mochila ou no bolso, ou que pelo menos convivesse com alguém que os tinha. Falamos dos famosos estalinhos, uma das 'quinquilharias' que literalmente 'estouravam' nos pátios das escolas (e, por vezes, também em plena rua) durante duas semanas em cada ano, antes de serem relegados ao esquecimento durante mais doze meses; uma espécie de versão mais barulhenta e perigosa dos enfeites de Natal, portanto, ou, se preferirmos, uma versão 'micro-mini' dos foguetes de Ano Novo.

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Qualquer que seja a comparação utilizada, no entanto, a conclusão é a mesma - nomeadamente, que estas pequenas bombinhas de papel multicolorido, perfeitamente inofensivas até ao momento do lançamento, eram um dos 'apetrechos' obrigatórios para os festejos carnavalescos infanto-juvenis no Portugal dos 90, quase tanto (ou mais) do que os espiritualmente semelhantes balões de água ou do que as mais inofensivas serpentinas ou martelinhos. Quem os tinha, deliciava-se em descobrir o momento certo para os lançar, de forma a surtir o máximo efeito; quem não tinha, via-se obrigado a redobrar a atenção, não fosse um dos colegas decidir 'mandar' um directamente nas suas costas para os fazer dar um 'salto' – uma prática que, aliás, estava longe de ser incomum nesta época do ano. Apesar da tentação (e aparente facilidade) em criar um 'mega-estalinho' feito de vários outros, no entanto, tal experiência era desencorajada pela existência de 'mitos urbanos' sobre a perda de dedos derivada, precisamente, da execução dessa ideia – num exemplo perfeito do modo como a população infantil garante a sua auto-sobrevivência e estabelece limites para a sua audácia, ainda que de forma ingénua e quase inconsciente.

Nestes tempos em que a sociedade ocidental está mais ciente dos perigos e questões de segurança em torno de várias práticas anteriormente comuns, é com naturalidade que vemos os 'estalinhos' perderem preponderância no contexto das celebrações de Carnaval; quem cresceu ainda no século XX, no entanto, certamente terá recordado a sua ubiquidade nos Fevereiros daqueles tempos, e quiçá até 'ouvido' mentalmente o característico estampido assim que leu o título deste post...

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