11.02.26
Em quartas-feiras alternadas, falamos sobre tudo aquilo que não cabe em nenhum outro dia ou categoria do blog.
Apesar de Dezembro ser, tradicionalmente, um mês festivo, a quadra natalícia portuguesa do primeiro ano do século XXI iniciava-se, não com alegria, mas com tragédia. Isto porque, a 11 de Dezembro do ano transacto, assinalaram-se os exactos vinte e cinco anos sobre o desastre ferroviário de Ermida, em que um comboio de passageiros acabou parcialmente submerso no Rio Douro, vitimando o maquinista e fazendo ainda sete feridos, naquele que fora um dos mais impactantes acidentes de comboio da década, a par do ocorrido mais de uma década antes, na zona da Grande Lisboa, e que já abordámos nesta rubrica.

Seria pouco depois de a locomotiva 1400 da CP deixar a estação de Ermida, no concelho de Baião, no distrito do Porto, que a queda de uma pedra nos carris causaria o descarrilamento da mesma ao passar sobre uma ponte, fazendo com que todo o comboio ficasse 'pendurado' sobre o rio, com a locomotiva a desaparecer mesmo sob as águas, levando consigo Bruno Sousa Vieira, de 59 anos, que servia de maquinista, e cujo corpo seria recolhido do rio poucas horas depois. Melhor sorte teve o assistente do mesmo, que ficaria apenas ferido, o mesmo acontecendo com dois revisores e quatro passageiros; o condutor do comboio, esse, sairia incólume, tendo conseguido saltar da locomotiva antes de a mesma submergir completamente. Os passageiros das carruagens traseiras não sofreriam igualmente quaisquer sequelas, já que as mesmas nem sequer chegaram a desviar-se dos carris.
O acidente levou, naturalmente, a uma investigação, e ao habitual 'apontar de dedos' entre as partes responsáveis pela manutenção do comboio e da via férrea. Ainda assim, o acidente foi considerado 'imprevisível', já que a pedra responsável pelo descarrilamento caíra já depois de um veículo de inspecção da linha ter passado pela zona naquela manhã, sem encontrar nada a registar. Uma tragédia no mais puro sentido da palavra, portanto, que fazia com que a época natalícia daquele ano se iniciasse em tom mais sombrio do que o habitual, e que deixava pelo menos uma família sem vontade de celebrar fosse o que fosse...










