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Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

11.06.22

Os Sábados marcam o início do fim-de-semana, altura que muitas crianças aproveitam para sair e brincar na rua ou no parque. Nos anos 90, esta situação não era diferente, com o atrativo adicional de, naquela época, a miudagem disfrutar de muitos e bons complementos a estas brincadeiras. Em Sábados alternados, este blog vai recordar os mais memoráveis de entre os brinquedos, acessórios e jogos de exterior disponíveis naquela década.

E porque a época balnear oficialmente abriu, e o calor aperta e convida a uma ida à praia, piscina ou parque aquático, nada melhor do que recordar um dos passatempos por excelência de qualquer Saída ao Sábado desse tipo – o clássico Beach Ball, ou 'jogo das raquetes'.

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O clássico 'design' da grande maioria das raquetes deste tipo comercializadas em Portugal durante os anos 90

Uma das poucas actividades verdadeiramente intemporais abordadas neste blog (ainda hoje é possível ver pessoas de todas as idades a disputar uma partida em qualquer praia de Norte a Sul do país, e a clássica 'redinha' com duas raquetes de madeira ou plástico e uma bola de borracha continua a ser omnipresente em qualquer loja de praia, e até em lojas generalistas ou de bairro) o Beach Ball é um daqueles jogos sem regras definidas, e que convidam cada par ou grupo a inventar as suas próprias variantes – há quem delimite 'campos', há quem simplesmente se coloque a uma certa distância, há quem permita dois toques enquanto outros apenas admitem um único....em suma, cada um joga da maneira que mais lhe aprouver, sem grandes preocupações quanto às regras.

O 'outro lado' desta questão surge, claro, quando jogadores habituados a jogar de forma distinta se juntam, causando potenciais discordâncias quanto ao que é, ou não, permitido – no fundo, o mesmo problema que se coloca com o popular jogo de cartas Uno; no entanto, muito mais do que com o referido jogo, qualquer 'desavença' resultante de experiências distintas tende a ser rapidamente sanada em nome da diversão conjunta.

Qualquer que seja a forma de jogar de cada indivíduo, no entanto, uma coisa é certa – o Beach Ball foi, é e certamente continuará a ser, para a maioria dos jovens portugueses, sinónimo com o Verão e a praia, merecendo, portanto, ser o primeiro tema contemplado no início desta nova época balnear.

07.05.22

Os Sábados marcam o início do fim-de-semana, altura que muitas crianças aproveitam para sair e brincar na rua ou no parque. Nos anos 90, esta situação não era diferente, com o atrativo adicional de, naquela época, a miudagem disfrutar de muitos e bons complementos a estas brincadeiras. Em Sábados alternados, este blog vai recordar os mais memoráveis de entre os brinquedos e acessórios de exterior disponíveis naquela década.

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A década de 90 ajudou, entre outras coisas, a cimentar definitivamente o gosto dos jovens portugueses pelo basquetebol. A ascensão de equipas como os Los Angeles Lakers e os Chicago Bulls, transmitida aos lares portugueses pelo excelente programa NBA Action, filmes como Space Jam e, dentro de portas, um Carlos Lisboa em auge de carreira, fez com que muitas crianças descobrissem esta fascinante e excitante modalidade, e desenvolvessem por ela uma paixão a merecer ser explorada.

Um dos principais meios de demonstrar (e extravasar) esse gosto pela modalidade passava pela aquisição de uma réplica de uma tabela de basket, uma visão extremamente comum nos quintais e garagens da época. Com um cesto de tamanho oficial, embora o painel fosse mais pequeno, estes equipamentos - facilmente adquiríveis nos então emergentes hipermercados, ou nas lojas de desporto dos também embrionários 'shoppings' - estavam, invariavelmente, entre os mais cobiçados (sobretudo) pelos rapazes da época, e quem tivesse o espaço e/ou dinheiro para adquirir uma não deixava de ser motivo de inveja dos colegas menos afortunados – sobretudo se a tabela tivesse pé, não necessitando portanto do 'ritual' de a pregar à parede, e podendo ser levada para qualquer lugar onde um jogo se pudesse desenrolar.

Quem não tinha a sorte de ter um espaço exterior onde instalar a tabela, no entanto, não ficava impedido de demonstrar o seu gosto (e jeito, ou falta dele) pelo basket; isto porque qualquer loja de bairro ou loja de brinquedos tradicional da época veiculava uma alternativa (mais ou menos) válida às tabelas em 'tamanho real' – nomeadamente, mini-tabelas em tamanho reduzido, com uma bola de plástico e muito leve, que tornava possível a sua instalação e uso em qualquer quarto de cama. Não era a mesma coisa (longe disso) e dificilmente suscitaria a cobiça e inveja dos amigos e colegas de turma, mas para quem não tinha mais do que um apartamento, era mais do que suficiente para extravasar o Michael Jordan dentro de si.

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Exemplo actual de uma mini-tabela

Fosse qual fosse o modelo, no entanto, uma coisa é certa – as tabelas de basket fizeram mesmo furor entre os jovens dos anos 90. E ainda que, actualmente, seja cada vez mais raro encontrar um destes equipamentos numa casa particular (até porque quem quer jogar tem agora muitos espaços exteriores onde o fazer) temos a certeza de que, algures por esse país fora, existem ainda vários LeBron James em potência que, em Sábados de sol como este, resolvem dar uns Saltos (literalmente) no quintal das traseiras, e tentar 'meter' uns cestos na tabela pregada por cima da porta da garagem – tal como o faziam os seus pais, três décadas antes...

11.04.22

NOTA: Este post diz respeito a Domingo, 10 de Abril de 2022.

Aos Domingos, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos principais acontecimentos desportivos da década.

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A década de 90 marcou a chegada à consciência popular portuguesa da principal liga de basquetebol profissional americana - vulgo, NBA - muito graças ao mítico programa 'NBA Action', uma espécie de 'colecção de clipes' que apresentou essa excitante e fascinante competição desportiva a toda uma geração de crianças e jovens. E embora fossem muitos e variados os protagonistas das diversas montagens de 'afundanços' e jogadas mirabolantes que compunham o programa, desde cedo tomaram a dianteira no coração dessa mesma geração duas equipas: por um lado, os LA Lakers, na altura 'movidos' a Kobe e Shaq, e os Chicago Bulls, onde pontuava um dos mais lendários 'trios de ataque' da História do basquetebol.

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E se, nestes últimos, a componente visual era dominada pela sucessão de penteados cada vez mais 'berrantes' do 'maluco' Dennis Rodman, na quadra, a atenção ia todinha para o homem que esse mesmo Rodman - ao lado do mais discreto mas não menos influente Scottie Pippen - tinha por missão servir.

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Sim, Michael Jordan, ainda hoje um sério competidor ao titulo de 'GOAT' - Greatest of All Time - que discute com nomes como o mítico Wilt Chamberlain, o seu 'rival' da altura Kobe Bryant, ou o seu sucessor natural LeBron James. De todos os nomes sonantes (e hoje lendários) daquela época áurea da NBA - Pippen, Rodman, Kobe, Shaq, Magic Johnson ou Charles Barkley, para citar apenas alguns - Jordan era, sem qualquer sombra de dúvida, o maior, e (ao lado de Rodman) o único que transcendia verdadeiramente as barreiras do desporto em que se especializava, tornando-se parte da cultura 'pop' da altura; em suma, num mundo ainda quase a uma década de ser apresentado a Cristiano Ronaldo, Michael Jordan era tão célebre quanto um desportista da sua época podia almejar a ser - e a verdade é que CR7 ainda não viu o conceito de um filme inteiro ser baseado, tão-somente, no seu 'star appeal'...

Escusado será dizer que este nível de popularidade influenciou, em larga medida, a escolha de equipa favorita da NBA para muitos jovens portugueses; embora alguns dos outros emblemas apresentados pelo 'NBA Action' tivessem os seus atractivos próprios - fossem as mascotes 'cartoonescas' dos Boston Celtic e Charlotte Hornets ou a presença de nomes sonantes nas respectivas equipas -foi mesmo a efígie daquele touro estilizado vermelho que, a partir de meados da década, mais se passou a ver (mais ou menos bem desenhada) em artigos de 'merchandising' (quer oficial quer pirata) que iam de peças de vestuário - como as tradicionais t-shirts e os icónicos bonés - a cadernos escolares e até carteiras; a dada altura, parecia praticamente impossível ir a uma loja ou até passear na rua sem dar de caras com a mascote da instituição basquetebolística de Chicago - e tudo graças àqueles 'poste' careca com a camisola 23, baixo para a posição, mas que compensava largamente esse facto com um talento astronómico, e um carisma de verdadeira 'superstar'...

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Lá em casa havia um igualzinho a este, ali por volta de 1996...

Hoje em dia, no contexto da NBA moderna, os Bulls são uma sombra do que eram naquela época do 'dream team', ainda que continuem a contar com talentos acima da média; quem viveu aquela época, no entanto, associará sempre a equipa do Noroeste Pacífico americano aos nomes de Rodman, Pippen e, sobretudo, Jordan - lendas daquele calibre que o tempo nunca conseguirá apagar, e responsáveis por, em meados da última década do século XX, tantos jovens portugueses se terem 'convertido' aos Chicago Bulls...

31.03.22

Os anos 90 viram surgir nas bancas muitas e boas revistas, não só dirigidas ao público jovem como também generalistas, mas de interesse para o mesmo. Nesta rubrica, recordamos alguns dos títulos mais marcantes dentro desse espectro.

Já aqui por diversas vezes mencionámos o fascínio que a juventude da década de 90 nutria pelos desportos radicais – perfeitamente ilustrada pelo sucesso não só de meios de locomoção como o skate, os patins em linha ou a BMX, mas também pelo sucesso do primeiro programa nacional inteiramente dedicado a este tipo de modalidade, o lendário Portugal Radical, que teve inclusivamente direito a uma versão em revista e a CD's de banda sonora lançados pelas principais editoras discográficas portuguesas.

Os desportos praticados na água não ficavam, de todo, de fora deste leque – antes pelo contrário, o 'surf', o 'bodyboard' e os seus 'parentes' menos famosos eram tão ou mais aliciantes para os jovens portugueses de finais do século XX e inícios do seguinte como qualquer dos desportos 'terrestres', como o demonstra a popularidade de toda e qualquer  marca de vestuário alusiva a esse tipo de modalidade. Mais - ao passo que estes se tinham de contentar com 'clipes' no Portugal Radical e um ou outro jogo para PlayStation ou Nintendo 64 como forma de se 'mostrarem' ao público-alvo nacional, os desportos aquáticos gozavam, cada um, de várias publicações especializadas, exclusivamente dedicadas a noticiar os mais recentes desenvolvimentos e eventos no seio de cada modalidade.

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No caso do 'surf', essa tarefa cabia, durante os anos 90, à Surf Magazine, uma daquelas publicações cujo conteúdo ficava bem explícito logo a partir do título: eram páginas atrás de páginas dedicadas à divulgação de novas pranchas, cobertura de eventos especializados, apresentação do perfil de alguns dos principais nomes da modalidade, e, claro, os inevitáveis concursos, ainda e sempre parte integrante de qualquer publicação comercial. Com um grafismo estranhamente sóbrio para uma publicação dedicada ao 'surf' e lançada em inícios de 90 – quando imperavam, na sociedade em geral, os padrões chamativos e cheios de contrastes entre cores pastel e 'neon' de fazer doer os olhos – a Surf afirmava-se, desde logo, como uma publicação sóbria, que tratava tanto os praticantes como os adeptos deste desporto de forma séria, e que não descurava a cobertura de outros elementos culturais populares entre a sua demografia-alvo, como a música; talvez por isso a publicação tenha conseguido ultrapassar a marca da década e meia de vida nas bancas, do seu lançamento em 1987 até à eventual extinção em 2003.

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Edição de 1992 da Surf Portugal, ainda com o grafismo mais vibrante

Por muito impressionante que essa marca fosse, no entanto – e era – outra ainda mais admirável foi estabelecida pela principal 'concorrente' da Surf Magazine nas bancas noventistas, a Surf Portugal. De conteúdo muito semelhante à da 'rival' (não é, afinal de contas, possível expandir muito sobre o conceito de uma única modalidade desportiva) esta publicação terá, presumivelmente, encetado com a Surf Magazine uma relação semelhante à que, no final da década, se verificaria no mundo da imprensa de jogos de vídeo, com as famosas Mega Score e BGamer – sendo que a 'Surf Portugal' tinha o atractivo extra de, nos primeiros anos, ter lançado calendários anuais, que os fãs da modalidade certamente apreciariam poder ter na parede.

De destacar, ainda, o grafismo mais 'radical' dos primeiros anos desta revista – mais na linha do que se esperaria, tendo em conta o tema e o público-alvo – o qual rapidamente se transmutaria em algo bem mais sóbrio e adulto, presumivelmente como forma de ser levada mais 'a sério', ou apenas de competir com a rival. Fosse qual fosse o motivo, a verdade é que esta abordagem claramente resultou, levando a quase três décadas de publicação ininterrupta – uma marca impensável para a maioria das revistas especializadas, e ainda mais para as que versam sobre interesses 'de nicho'.

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Número de 1993, já com o grafismo mais sóbrio

No final desta análise, fica a sensação de que, entre elas, as duas revistas de surf portuguesas terão feito as delícias dos adeptos da modalidade, que certamente apreciariam a possibilidade de escolher entre duas fontes de informação sobre o seu desporto favorito.

Não era apenas o 'surf' que tinha direito a representação nos quiosques e tabacarias nacionais, no entanto; o 'irmão pequeno' desta modalidade, o 'bodyboard', também contava com mais do que uma publicação disponível durante a época a que este texto respeita.

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Exemplo dos diversos grafismos da Vert magazine ao longo das décadas

Destas, a mais famosa era a ainda resistente Vert Magazine, a auto-proclamada 'Bíblia do bodyboard nacional', que continua até hoje a servir como elo de ligação entre os membros da 'triBBo' e a sua modalidade de eleição, apresentando toda a gama de artigos acima discutidos aquando da análise às publicações de 'surf' e – como estas – assentando num grafismo sóbrio e abordagem séria à modalidade, que qualquer entusiasta certamente apreciará – um facto, aliás, corroborado pela longevidade da revista, cujo ciclo de publicação caminha também já a passos largos para as três décadas.

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Como acontecia no caso do 'surf', também a referência do 'bodyboard' nacional tinha, na década em causa, concorrência à altura, sob a forma da explicitamente intitulada Body Board Portugal. De conteúdo bastante semelhante ao da rival – como também acontecia com as duas publicações dedicadas ao 'surf' - esta revista destaca-se, no entanto, por ser a única a aderir (ainda que apenas ocasionalmente) aos 'clichés' visuais normalmente associados aos desportos radicais da época – como o comprova a caveira demoníaca e puramente 'heavy metal' que se afadiga a tentar engolir o logotipo da capa do número da revista que abaixo reproduzimos... Ainda assim, tais ocorrências pautavam-se por excepções, sendo o grafismo, no cômputo geral, tão discreto como o de qualquer das outras revistas de que aqui falámos nos parágrafos anteriores.

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\m/ \m/

Em suma, os adeptos de 'surf' e 'bodyboard' dos anos 80, 90 e 2000 tinham, no que toca a publicações especializadas, tantas e tão boas opções como os entusiastas de carros ou motociclos – e mais do que os da maioria dos outros 'hobbies', como por exemplo a música. Uma situação, aliás, que se manteve no novo milénio, com o aparecimento de ainda mais publicações alusivas a estas duas modalidades – algumas, aliás, ainda existentes - embora nenhuma tão longeva quanto as analisadas neste post; ainda assim, mais uma prova de que a referida era foi mesmo a época de ouro dos desportos radicais...

13.03.22

Aos Domingos, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos principais acontecimentos desportivos da década.

Embora Portugal tenha um longo e ilustre historial em certas modalidades desportivas (com destaque para o futebol e o atletismo), outras há em que o país pouco ou nada se destaca. Talvez por isso seja tão moralizante ver aparecer atletas lusos em desportos com pouco historial em solo nacional, como a Fórmula 1 (por muito azarada que a carreira do representante nacional, Pedro Lamy, tenha sido) ou o basquetebol, que ainda recentemente viu um jovem luso atingir o patamar máximo do desporto, ao ser recrutado para alinhar nos Sacramento Kings, da toda-poderosa NBA.

No entanto, apesar de pertencer a Neemias Queta o maior feito da história da modalidade em Portugal, o mesmo não foi o primeiro nome de destaque mundial a emergir do basquetebol lusitano; pelo contrário, quase um quarto de século antes do nascimento do jovem, despontava na sua Lisboa natal um outro nome, que se tornaria o mais reconhecível do basket português durante os mais de 45 anos seguintes.

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Falamos de Carlos Humberto Lehmann de Almeida Benholiel Lisboa Santos – mais comummente conhecido apenas como Carlos Lisboa – um natural da Cidade da Praia, Cabo Verde, criado em Lourenço Marques (hoje Maputo), mas que viria a fazer nome e carreira em outra capital, com a qual partilhava o apelido e à qual chegaria em 1974, com apenas 16 anos, para representar os juniores do Benfica.

Apesar de não ter sido particularmente auspiciosa – Lisboa foi pouco utilizado, e ponderou mesmo abandonar o basquetebol - essa primeira experiência no clube da Luz permitiu, ainda assim, a Lisboa demonstrar qualidade suficiente para atrair a atenção do rival do outro lado da Segunda Circular, que não tardou em abordar o atleta, por intermédio do seu ídolo Mário Albuquerque. Lisboa não hesitaria em aceitar a proposta, e, na época seguinte (ainda com idade de júnior) surgiria na equipa principal do clube listrado de verde e branco, cores que defenderia durante os sete anos seguintes, ajudando a agremiação de Alvalade a conquistar, durante esse período, três campeonatos nacionais e duas Taças de Portugal da modalidade, além de ter sido homenageado com o Prémio Stromp (atribuído aos atletas do clube que mais se destacam em cada ano) em 1981.

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Lisboa ao serviço do Sporting

Tudo parecia correr bem para Lisboa quando, no final dessa mesma época de 1981/82, o Sporting decide extinguir a secção de basquetebol, uma decisão que vigoraria por quase quarenta anos; o base via-se assim, de rompante, 'desalojado' no auge da sua carreira, e obrigado a procurar nova 'casa'. Propostas não faltaram, entre elas uma do FC Porto, mas Lisboa optaria mesmo por se manter na zona de Lisboa, assinando pelo Clube Atlético de Queluz; e o mínimo que se pode dizer é que a decisão do atleta foi extremamente benéfica para o até então modesto clube dos arredores de Lisboa, que, em duas épocas de Lisboa, ganharia a primeira Taça de Portugal (contra o primeiro clube do basquetebolista, o Benfica) e o primeiro campeonato nacional da sua história, elevando consideravelmente o seu estatuto no panorama basquetebolístico nacional.

Não foi apenas o estatuto do clube que se elevou durante este período, no entanto – antes pelo contrário. Com fama de 'decisor' e vencedor de títulos, e presença cativa na Selecção Nacional da modalidade, o basquetebolista não podia deixar de despertar o interesse e a cobiça de vários emblemas, e foi sem surpresas que o Queluz viu o base abandonar os seus quadros em favor do clube que o dispensara quase exactamente dez anos antes (sim, este fenómeno não é, de todo, do domínio exclusivo do futebol...)

Seria aí – no Benfica – que Lisboa viria a passar os restantes doze anos da sua carreira, sempre num registo diferenciado; e apesar de um início, novamente, pouco auspicioso (o Benfica perdeu tudo na primeira época de regresso do atleta, uma situação anómala na carreira de Lisboa) a resposta do base e do respectivo emblema seria retumbante, vindo o Benfica a estabelecer uma hegemonia que duraria quase uma década, e resultaria em sete campeonatos nacionais consecutivos, ainda que apenas em uma Taça de Portugal (em 1991-92.) E apesar de os anos 90 terem representado o ocaso da carreira de um Lisboa já envelhecido, o mesmo ainda iria a tempo de fazer muitos estragos ao serviço dos encarnados – inclusivamente na Euroliga, a principal competição europeia em basquetebol, em que o Benfica teria prestação honrosa na época de 1995-96, e onde, no feriado do 5 de Outubro, Lisboa (na sua última época enquanto profissional da modalidade) estabeleceria um novo recorde de pontos num só jogo, ao conseguir 45 contra o Partizan de Belgrado.

O mais histórico jogo da carreira de Carlos Lisboa, disputado mesmo ao 'cair do pano' da mesma

Uma carreira de mais de duas décadas, e repleta de títulos nacionais (só pelo Benfica, foram dez campeonatos em doze possíveis), via-se, assim, coroada com um feito histórico, bem merecido pela então figura maior do basquetebol nacional, mas também com uma desilusão, já que o último jogo de sempre de Carlos Lisboa seria uma derrota na final do campeonato nacional desse ano, frente ao FC Porto, e já depois de o Benfica ter arrebanhado todos os restantes títulos nacionais da modalidade.

Não terminaria aí, no entanto, a ligação de Lisboa ao desporto que o cativara aos nove anos de idade, ainda em Moçambique; pelo contrário, após a despedida dos 'courts' na qualidade de jogador, o ex-base transpôs toda a sua experiência para o outro lado das linhas, assumindo o posto de técnico em emblemas como o Estoril, o Aveiro Basket e, por duas vezes, o seu clube do coração, o qual levou a mais uma 'enxurrada' de títulos, renovando o seu estatuto como lenda viva do clube da Luz, não só dentro, como também fora dos 'courts'.

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Lisboa ao comando do seu clube do coração

Hoje com 63 anos, o 'Eusébio do basket' – cuja camisola com o número 7 'mora' ainda sobre o Pavilhão da Luz – pode ter sido destronado como detentor do maior feito de sempre da História do basket nacional, mas a verdade é que aquele que parece ser o seu sucessor natural, Neemias Queta, terá de ter uma carreira extraordinária para conseguir igualar o notável percurso de Lisboa, ainda hoje o mais condecorado e consagrado atleta português da modalidade.

 

25.02.22

Os anos 90 estiveram entre as melhores décadas no que toca à produção de filmes de interesse para crianças e jovens. Às sextas, recordamos aqui alguns dos mais marcantes.

Nas Olimpíadas de Inverno de 1988, disputadas em Calgary, no Canadá, uma equipa de um país totalmente improvável protagonizou uma daquelas histórias de 'sangue, suor, lágrimas e triunfo' que normalmente só se vêem nos filmes; cinco anos depois, essa mesma história teve direito ao inevitável tratamento 'Hollywoodesco', que transformava a saga puramente 'underdog' da equipa jamaicana de 'bobsledding' (e que estranho é pensar que algo assim existiu MESMO, e não apenas na mente de um argumentista sob o efeito de drogas) numa daquelas comédias infantis coloridas e barulhentas típicas dessa época do cinema infantil. O que talvez não fosse de esperar seria que dessa manobra potencialmente cínica resultasse um filme que (no fim-de-semana em que se celebram exactos vinte e oito anos da sua estreia em Portugal, a 26 de Fevereiro de 1994) continua a ser um dos melhores representantes do seu estilo de cinema, e a agregar novos fãs a cada geração.

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Vendo bem as coisas, talvez isso não seja assim TÃO surpreendente – afinal, 'Jamaica Abaixo de Zero' (o horrendo título lusófono para 'Cool Runnings', o filme de que aqui se fala) teve a chancela da Walt Disney Pictures, ela que já havia sido responsável, um ano antes, por outro clássico do género, 'A Hora dos Campeões' (no original, 'The Mighty Ducks'), cuja sequela, lançada um ano depois de 'Cool Runnings', continua ainda hoje, a constituir o 'standard' máximo para as comédias desportivas infanto-juvenis. Uma companhia que percebia da 'poda', portanto, e que utilizou as suas décadas de experiência no ramo do cinema para crianças para assegurar que o filme sobre os jamaicanos a andar de trenó obedecia aos seus padrões de qualidade.- uma missão que não se pode considerar nada menos do que um retumbante sucesso.

De facto, 'Jamaica Abaixo de Zero' é aquele raro filme que consegue ter piada sem sacrificar o âmago da história – no caso, a luta dos quatro protagonistas (jamaicanos, mas interpretados por quatro actores nova-iorquinos...) para conseguirem a 'missão impossível' de qualificar pela primeira vez o seu país para as Olimpíadas de Inverno, com a ajuda de um treinador caído em desgraça, interpretado pelo malogrado John Candy.

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Os quatro protagonistas do filme

Um enredo que facilmente seria transformável numa sucessão de quedas supostamente 'humorísticas', mas que na verdade, deriva muito do seu humor e momentos mais memoráveis das interacções entre os personagens, cinco personalidades muito diferentes (e, por vezes, diametralmente opostas) que se vêem forçados a aprender a conviver em prol do bem comum; sim, há algumas quedas (a esmagadoria maioria protagonizadas pelo personagem de Doug E. Doug, Sanka Coffie, suscitando, inevitavelmente, o memorável bordão 'Sanka, morreste?') mas mesmo essas são bem contextualizadas pelos treinos e dificuldades da equipa em se adaptar a um desporto totalmente novo, nunca parecendo gratuitas ou forçadas.

E depois, claro, há o final, em que a Disney, numa atitude de louvar, decidiu preservar a verdade dos factos, em vez de optar pelo tradicional final feliz, que retiraria algum do impacto; tal como acaba, o filme suscita uma mistura de sentimentos perfeitamente deliciosa, que dificilmente se esperaria de um filme deste tipo. Um dos poucos casos em que o eterno 'cliché' do aplauso lento que vai aumentando de intensidade é bem merecido.

Grande parte destas decisões talvez derivem do facto de, na sua génese, 'Jamaica Abaixo de Zero' ter sido pensado como um filme totalmente sério, uma autobiografia ficcionada daquela equipa heróica, cuja história superava qualquer guião. Dificuldades na criação desta versão do filme ditaram, no entanto, a mudança de tom e toada, e a verdade é que – como sucederia com 'Pacha e o Imperador', do mesmo estúdio, alguns anos mais tarde – o filme não ficou a perder; antes pelo contrário, 'Cool Runnings' continua (conforme mencionado no início deste texto) a ser muitíssimo bem cotado por membros da 'geração X' e seguintes, tendo sobrevivido às enormes mudanças vividas pelo mundo do cinema nos últimos trinta anos. Como a equipa que retrata, o filme afirma-se como um 'sobrevivente', conseguindo manter-se à tona de sucessivas 'mudanças de maré', como que desafiando a que alguém pergunte: 'filme, morreste?', para que possa triunfalmente responder 'ná, meu...'

19.02.22

Os Sábados marcam o início do fim-de-semana, altura que muitas crianças aproveitam para sair e brincar na rua ou no parque. Nos anos 90, esta situação não era diferente, com o atrativo adicional de, naquela época, a miudagem disfrutar de muitos e bons complementos a estas brincadeiras. Em Sábados alternados, este blog vai recordar os mais memoráveis de entre os brinquedos e acessórios de exterior disponíveis naquela década.

Os anos 90 foram pródigos em 'febres' no que toca a brincadeiras de exterior. De várias delas, já aqui falámos, como foi o caso com as bicicletas BMX, o skate, os patins em linha ou o 'diabolo'; no entanto, existiu durante essa década outra moda que, embora mais discreta e menos declaradamente 'datada' do que as acima mencionadas, não deixa de estar ligada ao período em causa: o pingue-pongue.

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O 'kit' essencial do entusiasta de pingue-pongue dos anos 90

Sim, os anos 90 foram a época em que muitas crianças e jovens de Norte a Sul de Portugal descobriram a beleza desse jogo simples, mas que se pode tornar estupidamente competitivo, chamado ténis de mesa – e em que, encorajados pela difusão em larga escala dos acessórios necessários, se dedicaram à prática do mesmo, sobretudo nos intervalos das aulas. Aproveitando o facto de a maioria das escolas básicas e secundárias do País terem qualquer tipo de instalação ou equipamento para a prática do pingue-pongue, os referidos jovens (na sua maioria, do sexo masculino) trataram de adicionar uma ou duas raquetes e outras tantas bolas à sua lista de 'materiais indispensáveis' a colocar na mochila todas as manhãs.

Escusado será dizer que, como acontece com a maioria dos outros produtos de que aqui falamos, também as raquetes de pingue-pongue tinham a sua 'hierarquia' própria, havendo uma linha qualitativa definida entre as compradas nas lojas de desporto (mais pesadas, e com revestimento normalmente liso de um dos lados) e as disponíveis nas comuns lojas de brinquedos, ou até dos 'trezentos' (as quais eram significativamente mais leves, e tinham um revestimento rugoso em ambas as faces.) No entanto, sendo essas diferenças menos imediatamente aparentes do que em outros casos, tendia a não haver tanto o estigma do 'falso' entre os praticantes de pingue-pongue – até porque, melhores ou piores, todas as raquetes sofriam o mesmo fim, acabando invariavelmente desprovidas de 'capas' em pelo menos um dos lados, e provavelmente com a capa do outro já a 'pingar', a ameaçar destino idêntico dentro em breve. Não, no jogo de pingue-pongue, o facto de se ter ou não uma raquete de qualidade apenas afectava o próprio jogador, já que quanto mais pesada a raquete, mais precisão se conseguia ter no contacto com a bola.

E por falar em bolas, também estas variavam em qualidade, embora não tanto como as raquetes. As universalmente consideradas melhores entre a juventude da época eram cor-de-laranja vivo, enquanto que, entre as brancas, a qualidade era determinada pelo peso e pela facilidade com que 'amolgavam' (e se prestavam às subsequentes tentativas de 'desamolgar'.); ainda assim, por muita qualidade que as suas bolas de pingue-pongue tivessem, o jogador médio podia esperar perder, pelo menos, uma por semana, dependendo da frequência com que disputasse partidas.

Como a maioria das modas de que falamos nestas páginas, também a febre do pingue-pongue acabou por passar, ainda que este desporto continue a ser um passatempo extremamente popular nos intervalos das aulas, sobretudo entre crianças de uma certa idade; quem viveu a 'época áurea' nos anos 90, no entanto, e se recordar das multidões de 'mirones' que uma partida bem disputada atraía, certamente concordará que – ao contrário do imortal futebol de recreio e de rua – o ténis de mesa já não é o que foi durante esses anos...

15.10.21

NOTA: Este post corresponde a Quinta-feira, 14 de Outubro de 2021.

Os anos 90 viram surgir nas bancas muitas e boas revistas, não só dirigidas ao público jovem como também generalistas, mas de interesse para o mesmo. Nesta rubrica, recordamos alguns dos títulos mais marcantes dentro desse espectro.

Nos anos 90 e início do novo milénio, qualquer conceito ou propriedade intelectual de sucesso tinha grandes probabilidades de contar, entre o seu 'merchandising' oficial, com uma revista ou publicação, muitas vezes apenas tangencialmente conectada ao tema ou conceito em causa, outras mais directamente relevante para o mesmo. Foi assim, por exemplo, com a Rua Sésamo, no início da década, e com o Batatoon, já nos primeiros anos do novo milénio; exactamente a 'meio caminho' entre estas duas, no entanto, surgia uma outra representante do género, esta dirigida a um público um pouco mais velho - a revista 'Portugal Radical'.

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Capa de um dos números da revista

Baseada no programa do mesmo nome, exibido pela SIC, esta revista mantinha-se extremamente fiel ao conceito por detrás do mesmo, nomeadamente, o de manter informado um público ávido por desportos radicais, e espectador assíduo da emissão que esta publicação complementava. Assim, não é de surpreender que a mesma constasse, essencialmente, de página após página dedicada a dar a conhecer os mais populares desportos alternativos da época, bem como aquilo que se ia passando na 'cena' competitiva de cada um deles. Tal como acontecia na emissão televisiva, também aqui os principais desportos representativos do movimento - do skate ao surf, BTT, BMX, motocross ou patins em linha - tinham, cada um, direito ao seu próprio espaço, revezando-se no que tocava a honras de capa, mas nunca sendo deixados de fora de qualquer número da revista, abordagem que emprestava abrangência à publicação, e garantia a fidelidade do público-alvo, independentemente da sua modalidade de eleição.

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Exemplos do tipo de conteúdos da revista

Infelizmente, e apesar da notabilidade e popularidade durante a época áurea do programa, a revista 'Portugal Radical' não conseguiu emular a longevidade ou impacto cultural da sua emissão irmã; embora a maioria dos jovens daquele tempo ainda se lembrem de acompanhar o programa na televisão e de coleccionar os cromos, apenas os mais dedicados (quer aos desportos radicais, à época, quer à 'escavação' cibernética, hoje em dia) se lembrarão de que existiu também uma revista alusiva ao conceito, até porque 350 'paus' (como o anúncio televisivo apregoava) eram uma quantia considerável - quase duas semanadas para a maioria das crianças da época! - e, muitas vezes, valores mais altos se alevantavam...

Ainda assim, vale a pena recordar esta revista meio esquecida pelo passar do tempo (embora não pela Internet) e que serve, hoje em dia, como verdadeira 'cápsula do tempo' para uma época bem mais inocente, divertida, e (sim) radical...

Anúncio televisivo de promoção da revista

13.10.21

NOTA: Este post corresponde a Terça-feira, 12 de Outubro de 2021.

Porque nem só de séries se fazia o quotidiano televisivo das crianças portuguesas nos anos 90, em terças alternadas, este blog dá destaque a alguns dos outros programas que fizeram história durante aquela década.

O aparecimento da SIC, em 1992, representava uma revolução no mercado televisivo português. Enquanto primeira estação privada do país, a emissora de Carnaxide quis, desde logo, deixar evidentes as vantagens de não se encontrar limitada aos ‘guidelines’ e registos a que os canais nacionais se encontravam restritos, apresentando uma grelha programática mais vasta, abrangente e virada ao entretenimento do que aquela por que as RTPs se pautavam.

Um dos esteios iniciais deste manifesto foi, também ele, um programa pioneiro em Portugal, e cuja fórmula não mais viria a ser repetida nos vinte anos após a sua última emissão. Quer tal se devesse a uma mudança nos interesses dos jovens, à cada vez maior expressão da nova ferramenta chamada Internet, ou simplesmente ao facto de qualquer repetição do formato correr o risco de ser inferior, a verdade é que este programa continua – à semelhança de outros, como o Top +, por exemplo – a ser caso único na História da televisão portuguesa, e ainda hoje recordado com carinho por aqueles que o acompanharam.

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Falamos do Portugal Radical, programa que estreou ao mesmo tempo que a emissora onde era transmitido, e que se afirmou como pioneiro na divulgação dos chamados ‘desportos radicais’ junto da população jovem portuguesa. E a verdade é que o ‘timing’ de tal empreitada não podia ter sido melhor, já que o início dos anos 90 marca, precisamente, o primeiro grande ‘boom’ de interesse em modalidades como o skate, os patins em linha, o surf ou a BMX, que viriam a dominar o resto da época. Transmitido entre 1992 e 2002, o ‘Portugal Radical’ conseguiu acompanhar toda a evolução das ditas modalidades, desde os seus primeiros passos como fenómeno ‘mainstream’ até ao momento em que o fascínio com as mesmas começava a arrefecer um pouco, garantindo assim uma audiência constante durante a sua década de existência.

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A apresentadora Raquel Prates

Apresentado, durante a esmagadora maioria desse período, por Raquel Prates, com trabalho jornalístico de Rita Seguro, também do já referido ‘Top +’ (Rita Mendes, do ‘Templo dos Jogos’, tomaria as rédeas da apresentação já no último ano de vida do programa) o ‘PR’, como também era muitas vezes conhecido, era um conceito criado por Henrique Balsemão, a partir da rubrica com o mesmo nome na revista ‘Surf Portugal’, tendo sido exibido pela primeira vez no ‘Caderno Diário’ da RTP, ainda antes do nascimento da SIC. Foi, no entanto, a passagem para o canal de Carnaxide que ajudou a transformar um modesto conceito baseado numa coluna jornalística num verdadeiro fenómeno, com direito a ‘merchandising’ próprio, incluindo a inevitável caderneta de cromos, e ainda um CD com ‘malhas’ de grupos bem ‘anos 90’, como Oasis, Radiohead, The Cult, Smashing Pumpkins, Spin Doctors ou Manic Street Preachers.

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Capa do CD de 'banda sonora' do programa

Mais significativamente, no entanto, o programa terá tido uma influência mais ou menos directa no interesse que a maioria dos jovens portugueses desenvolveu por desportos radicais ao longo da década seguinte, o que, só por si, já lhe justifica um lugar no panteão de programas memoráveis da televisão portuguesa – bem como nesta nossa rubrica dedicada a recordar os mesmos. Uma aposta arrojada por parte da SIC, talvez, mas mais um dos muitos casos em que a atitude ‘nada a perder’ da estação de Francisco Pinto Balsemão viria, inequivocamente, a render dividendos...

 

06.09.21

Nota: Este post é respeitante a Domingo, 5 de Setembro de 2021.

Aos Domingos, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos principais acontecimentos desportivos da década.

E depois de na primeira edição desta rubrica termos recordado ‘Aquela’ Equipa do Benfica de Souness, chega hoje a vez de nos debruçarmos sobre outro onze (ou antes, onzes) clássico(s) da década de 90: ‘Aquela(s)’ Equipa(s) de ‘sarrafeiros’ por que o Futebol Clube do Porto ficou conhecido no início da década.

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A primeira equipa do Porto da década, uma verdadeira 'colecção' de partidores de pernas alheias

Sim, antes de ser a ‘potência’ europeia do novo milénio, e mesmo antes de ter ido descobrir ao Brasil um homem-golo que viria a bater recordes de tentos na Liga Portuguesa, a principal equipa do Norte do país primava por um futebol…digamos, ‘físico’ e ‘de combate’, perpetrado por nomes como Jorge Costa, Fernando Couto, Aloísio, João Pinto ou o ‘rei’ da ‘traulitada’, o eterno Paulinho Santos. Entre si, estes homens deixaram um impressionante ‘trilho’ de membros lesionados e ossos ‘amassados’ em campos ‘da bola’ de Norte a Sul do País, sendo esta a única característica pela qual o futebol do Porto da altura é lembrado hoje em dia.

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Paulinho Santos a fazer o que fazia melhor. Reparem onde está a bola...

Tal situação é, no entanto, algo injusta, ainda que não excessivamente; porque a verdade é que aquele Porto dos inícios de 90 contava, para além da sua ‘hit squad’ de ‘carniceiros’, com alguns excelentes jogadores, capazes de adicionar uma nota artística ao futebol ‘de guerrilha’ do emblema nortenho; nomes como Kostadinov, Madjer, Rui Jorge (a excepção à regra dos defesas portistas dos 90s, com os seus pés esclarecidos e elegantes) ou o goleador Domingos Paciência (sem esquecer o eterno guardião e lenda viva dos ‘Dragões’ chamado Vítor Baía) eram genuinamente ‘de outro campeonato’, e responsáveis os (poucos) motivos de interesse em jogos do Porto naquela época.

No entanto, não há como contornar os factos – o Porto das épocas entre finais dos 80s e o dealbar da ‘era Mário Jardel’ era conhecido, principalmente e acima de tudo, por distribuir ‘porrada’ a partir da sua defesa – tanto assim, aliás, que existem compilações de YouTube apenas dedicadas a esse tema!

Não só não foi feita por nós, como é um dos primeiros resultados da pesquisa por 'Porto Anos 90' no Google...

Assim, e por muita valia que o seu meio-campo e ataque possam ter tido, era mesmo pela defesa que os ‘Dragões’ da altura se destacavam; aliás, o Porto desta altura poderia ser visto como um bom exemplo da máxima de que ‘boas defesas ganham campeonatos’ – não fosse o facto de, como hoje bem se sabe, a hegemonia dos azuis e brancos durante este período se ter devido, em grande medida, a outros factores… Ainda assim, os diferentes onzes apresentados pelo clube na primeira metade dos anos 90 são, todos e cada um deles, candidatos mais que meritórios ao título de ‘Aquela’ Equipa – e como tal, plenamente justificados para inclusão nesta secção…

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