Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

23.11.25

Aos Domingos, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos principais acontecimentos desportivos da década.

463609602_4718451295046640_8779396070437907049_n.p

À entrada para a época 1999/2000, o Benfica vivia uma das suas muitas revoluções da era Vale e Azevedo. Graeme Souness tinha acabado de ser despedido, após uma das piores épocas da História das 'águias', e para o seu lugar havia sido escolhido outro estrangeiro, o alemão Jupp Heynckes, que se via forçado a fazer 'omeletes sem ovos', e a montar uma equipa à sua imagem com um orçamento de transferências irrisório. Assim, as contratações mais sonantes da época (curiosamente, ambas de origem espanhola) chegariam, respectivamente, a custo zero (Chano) e por empréstimo (Tote). E se o primeiro conseguiu deixar marca na equipa 'encarnada', o segundo não chegaria a efectuar uma dúzia de aparições durante a única época que passou na Luz, sendo recordado hoje em dia mais pela peculiar alcunha do que por qualquer outra razão.

E a verdade é que Jorge López Marco tinha tudo para vingar em Portugal, já que havia sido formado num 'galáctico' Mundial, no caso o Real Madrid, e era presença constante nas suas equipas secundárias. No entanto, por alguma razão, o espanhol (então apenas com vinte anos) não convenceu Heynckes, tendo sido utilizado pouquíssimas vezes durante a temporada, ao longo da qual, 'tapado' por Nuno Gomes, ainda lograria marcar três golos. No entanto, seria na Segunda Divisão espanhola que verdadeiramente se afirmaria (já depois de se ter sagrado campeão da La Liga, tendo três aparições pelos 'blancos' sido suficientes para lhe garantir esse estatuto), tendo sido 'histórico' do modesto Hércules, pelo qual contabilizou quase duzentos jogos ao longo de seis temporadas, e pelo qual jogava quando 'pendurou as botas'.

Para os adeptos portugueses, no entanto, o nome do espanhol não passará de mais um daqueles que, ao serem mencionados, suscitam uma reacção do tipo 'eisssh, o Tote!', e vagas recordações do cromo na caderneta da Panini. Ainda assim, por pouco que tenha sido o seu impacto no futebol português, o avançado merece uma nota de parabéns no dia em que completa quarenta e sete anos de idade, e após uma carreira perfeitamente honrosa – apenas não na Primeira Divisão portuguesa...

10.11.25

NOTA: Este 'post' é respeitante a Domingo, 09 de Novembro de 2025.

Aos Domingos, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos principais acontecimentos e personalidade do desporto da década.

Há jogadores assim: não despertam a paixão dos adeptos fora do seu próprio clube, não partem em aventuras nos 'grandes' ou no estrangeiro, nem sequer são particularmente lembrados pelo grande repositório digital de memórias (pesquisar o nome e clube na Wikipédia talvez até direccione para um homónimo mais famoso) mas constroem carreiras honrosas, ligadas ao emblema de formação ou de coração, e encarnam a expressão que escolhemos para dar nome a esta rubrica, tornando-se verdadeiros 'Grandes dos 'Pequenos''.

112290_pedro_miguel.gif

A única foto do jogador actualmente disponível na Web.

É o caso do jogador a que dedicamos estas linhas, por ocasião dos seus cinquenta e três anos, celebrados este fim de semana: Pedro Miguel Almeida Santos (mais vulgarmente conhecido pelos dois primeiros nomes) defesa formado no Feirense e que, à parte uma muito breve incursão pelo futebol amador à saída dos escalões jovens (no clube da terra, o Caldas de São Jorge) passaria nada menos do que quinze anos ligado ao histórico emblema nortenho, que acompanhou nos diversos 'altos e baixos' ao longo dos anos 90, tendo chegado a sagrar-se campeão da então II Divisão de Honra e militado mesmo no principal escalão português. E, embora tenha demorado algumas épocas a verdadeiramente se afirmar no esteio da defesa do seu clube de formação, uma vez conquistado esse estatuto, não mais o perderia, tendo sido peça activa das campanhas dos homens de Santa Maria da Feira entre as temporadas de 1994/95 e 1997/98, e elemento transmissor da 'mística', a partir do banco, nas duas seguintes.

Não seria, pois, senão na primeira temporada completa do Novo Milénio, já sem a mesma preponderância de outrora no seio do plantel, que Pedro Miguel finalmente deixaria em definitivo o clube que o vira nascer e crescer, regressando ao futebol amador ao serviço do Lusitânia de Lourosa. Não demoraria, no entanto, mais do que duas épocas até o defesa regressar a 'casa' – onde, infelizmente, se tornaria a ver algo 'proscrito', pouco passando da meia-dúzia de presenças ao longo da temporada de 2002/2003.

Esta situação motivaria nova transferência para as ligas amadoras, desta vez para o Pampilhosa, mas seria apenas na época seguinte que Pedro Miguel viveria novamente uma situação de estabilidade e preponderância dentro de um grupo de trabalho, vindo a tornar-se 'Grande' de um segundo 'Pequeno' ao serviço da Sertanense, onde viria a passar sete épocas – tantas quantas fizera como sénior no Feirense – e a pendurar as botas, já com quase quarenta anos. Para trás, ficava uma carreira discreta, quase sempre longe dos holofotes da ribalta, mas onde, ainda assim, lograra deixar marca consideravelmente longeva em dois clubes, e viver o sonho de jogar pelo clube da terra-natal, e do coração – bem vistas as coisas, uma história bem mais feliz do que a de muitos jogadores com perfil bastante mais destacado, e que lhe merece a homenagem nestas páginas por ocasião do seu aniversário. Parabéns, e que conte ainda muitos.

26.10.25

Aos Domingos, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos principais acontecimentos e personalidade do desporto da década.

download.jpeg

A mais icónica imagem associada a estas provas.

Sendo o atletismo um dos desportos com maior expressão em Portugal, logo atrás do futebol e ao mesmo nível do hóquei em patins, e tendo em conta a quantidade de atletas de topo que representaram o País na modalidade ao longo dos anos – de Rosa Mota e Carlos Lopes a Fernanda Ribeiro ou, mais recentemente, o 'adoptivo' Francis Obikwelu – não é de admirar que as provas de corrida sejam das que mais adesão e consenso reúnem entre os fãs nacionais de desporto, fazendo 'parar' (por vezes, literalmente) as ruas do País aquando da sua realização. E porque este 'post' será publicado no rescaldo de mais uma Meia-Maratona de Lisboa, e no mês em que a Meia-Maratona e Portugal completa vinte e cinco anos de existência, seria impossível deixar passar em claro esta oportunidade de falar sobre as duas grandes provas de atletismo surgidas em finais do século XX e inícios do seguinte.

Destas, a mais famosa é, claro, a Maratona de Lisboa, organizada desde 1986, sempre no mês de Outubro (tendo a última edição tido lugar no dia em que este 'post' é publicado) e sempre com o patrocínio da EDP. Trata-se de uma corrida disputada em estrada, e que se desenrola, historicamente, na zona ribeirinha da capital, com passagem para a Margem Sul (sobre o tabuleiro da Ponte 25 de Abril!) incluída, obrigando a uma interdição ao tráfego naquela zona da cidade, e atraindo, naturalmente, largas centenas de espectadores à mesma, na esperança de verem, ou pelo menos vislumbrarem, os atletas, e de disfrutarem da música ao vivo que também caracteriza a prova.

Das três provas em destaque neste 'post', esta é a que mais diversidade reúne em termos de nacionalidades dos vencedores, tendo mesmo havido uma certa hegemonia lusófona (com vencedores portugueses e brasileiros) ao longo dos anos, bem como uma certa prevalência de vencedores do Centro Europeu em finais dos anos 90, antes da previsível 'invasão' de atletas da Etiópia, Quénia e outros países africanos, que se vêm desde então sagrando campeões da quase totalidade das provas.

Lisboa-logo.jpg

Em segundo lugar da lista, e com quase tanta importância e visibilidade como a 'irmã mais velha', surge a Meia-Maratona de Lisboa, organizada desde 1991 pela World Athletics (principal entidade global para a modalidade) primeiro no mês de Março e, mais recentemente, em Setembro. Trata-se de uma corrida de pouco mais de dois quilómetros, com partida da Ponte Vasco da Gama e que, sem render imagens tão icónicas como a prova de maior distância, não deixa ainda assim de atrair a sua quota-parte de interessados sempre que atravessa a cidade.

download (3).jpeg


Em termos de vitórias, é sem surpresas que se constata que a larga maioria das mesmas foi para atletas africanos, com particular ênfase para o Quénia. Destaque, no entanto, para Rosa Mota, que venceu a metade feminina da primeiríssima edição da prova, afirmando-se como um dos dois únicos nomes portugueses na lista de vencedores, sendo o outro António Pinto, o vencedor masculino em 1998. O nome mais dominante durante os anos 90 seria, no entanto, o da queniana Tegla Louroupe, que venceria seis das nove corridas realizadas entre a edição inaugural da prova e o Novo Milénio – incluindo vitórias consecutivas entre 1994 e 1997 - tendo a sua hegemonia neste período sido interrompida apenas pela irlandesa Catherina McKiernan, uma de apenas quatro vencedoras europeias da prova, que sairia vitoriosa em 1998, constando hoje como o único outro nome a sagrar-se campeão na categoria feminina entre 1994 e 2000. Já do lado masculino, a liderança era mais disputada e renhida, não tendo existido qualquer bicampeão até ao início da década de 2010, quando Zersenay Tadese, da Eritreia, venceria três provas seguidas. Destaque, ainda, para Mo Farah, vencedor masculino em 2015 pela Inglaterra e, a par de Rosa, talvez o mais famoso atleta a participar na prova.

De menor dimensão, mas ainda assim atractiva para os entusiastas do desporto, é a Meia-Maratona de Portugal, a qual, apesar do nome, se desenrola também apenas em Lisboa. Inaugurada nos primeiros meses do Novo Milénio (a primeira edição desenrolou-se em Outubro de 2000) e organizada pelo Maratona Clube de Portugal, esta prova é, como a sua congénere, realizada sob a égide da World Athletics, inserindo-se na sua série 'Road Race Label Events', na categoria 'Gold', e reúne anualmente cerca de quinze mil participantes.

E se a Meia-Maratona de Lisboa apresenta forte domínio de atletas africanos, nesta prova, os mesmos são ainda mais hegemónicos, com particular ênfase para dois países, o Quénia e a Etiópia. que reúnem a quase totalidade dos vencedores tanto da prova masculina como da feminina – em vinte e cinco anos, apenas uma participante feminina (a italiana Valeria Straneo, em 2013) e dois masculinos (o sul-africano Hendrick Ramaala, em 2003, e o eritreano Nguse Amsolom, em 2015) não foram oriundos de uma dessas duas nações!

Ainda assim, e apesar desta hegemonia, a Meia-Maratona de Portugal não deixa, como a de Lisboa, de suscitar emoções suficientemente fortes para atrair espectadores a cada nova edição, desde há já um exacto quarto de século, merecendo – como a sua congénere e a Meia-Maratona do Porto, inaugurada mais tarde, em 2007 – a distinção como uma das principais provas de atletismo portuguesas desde os finais do século XX e inícios do XXI até aos dias que correm.

12.10.25

Aos Domingos, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos principais acontecimentos e personalidade do desporto da década.

download.jpeg

Quando se fala de provas de ciclismo em território nacional, o evento que vem imediatamente à mente é, claro, a Volta a Portugal, a mais antiga, abrangente e icónica corrida de bicicletas realizada no nosso País. Apesar de quase monopolizar as atenções dos entusiastas do desporto, no entanto, a Volta está longe de ser a única prova disputada no 'rectângulo' português, havendo, pelo menos historicamente, pelo menos mais um evento de nota no calendário do ciclismo nacional, o qual, caso ainda se realizasse, completaria este ano vinte e cinco anos de existência.

Era, de facto, na Primavera do ano 2000 que se realizava a primeira da dezena de edições do Grande Prémio Internacional CTT Correios de Portugal, um nome que remete a outro tipo de competição (talvez algo mais literário) mas que designava mesmo uma prova de ciclismo de estrada por etapas, organizada pela União Ciclística Internacional e inserida no Tour UCI Europe. Apesar desse cariz internacional e aberto a ciclistas de todo o Mundo, no entanto, a referida prova seria, tradicionalmente, disputada entre os dois 'rivais' ibéricos, com essa primeira edição a ser ganha pelo espanhol Jordi Edo (no primeiro de cinco triunfos para o país vizinho) e apenas um dos dez certames a ter um vencedor fora do 'eixo' ibérico, com a vitória,em 2005, do russo Alexei Markov, que partilha com o português Nuno Marta a honra de ter sido o único ciclista a ganhar todas as três medalhas da prova – Bronze, Prata e Ouro.

Infelizmente, após mais de uma década e meia de inactividade (o último certame data já de 2009) é de crer que o Grande Prémio Internacional CTT tenha deixado de fazer parte do calendário da UCI, e sido efectivamente extinto. Ainda assim, para os amantes do ciclismo, esta prova terá, sem dúvida, sido um 'prato cheio', embora efémero, e bem merecedor de ser lembrado por ocasião do vigésimo-quinto aniversário da sua criação.

29.09.25

NOTA: Este 'post' é respeitante a Domingo, 28 de Setembro de 2025.

Aos Domingos, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos principais acontecimentos e personalidade do desporto da década.

Um dos maiores axiomas do senso comum futebolístico é que a maioria dos jovens com potencial formados em grandes clubes 'ficam pelo caminho', acabando por fazer carreira em emblemas mais pequenos, muitas vezes como peças destacadas dos mesmos. E apesar de este fenómeno ser, hoje em dia, prevalente ao ponto de constituir a norma, tal não significa que, em outros períodos da História do desporto-rei, tal não fosse também o paradigma; antes pelo contrário, o século XX viu um sem-número de jovens jogadores falharem na sua tentativa de singrar profissionalmente num 'grande', apesar do talento nítido e óbvio. Portugal não foi, de todo, excepção a esta regra, tendo oferecido ao mundo futebolístico de finais do Segundo Milénio um verdadeiro 'ror' de 'promessas adiadas', que tardavam ou falhavam em evidenciar o seu potencial. É, precisamente, sobre um desses jogadores que nos debruçamos neste 'post', por ocasião do seu quinquagésimo-primeiro aniversário – um futebolista que foi internacional português, jogou por Sporting e Benfica, foi feliz em Inglaterra, mas não deixou, ainda assim, de passar ao lado de uma carreira ao nível do seu talento.

17856_20210424173650_hugo_porfirio.png

Com a camisola do Benfica.

Nascido em Lisboa e formado nas escolas do Sporting (já então um viveiro de jovens talentos, mesmo uma década antes de construída a sua famosa Academia), Hugo Cardoso Porfírio destacou-se o suficiente para ser promovido à equipa principal dos 'Leões' no seu primeiro ano de sénior, em 1992, reencontrando assim o colega de equipa dos Juniores, Emílio Peixe. Ao contrário deste, no entanto, Porfírio não singraria de leão ao peito, realizando apenas uma dúzia de partidas com a 'Listrada' ao longo de duas épocas antes de, em 1994, se ver sem espaço no plantel e com viagem marcada para um clube mais pequeno – ou, no caso, três.

hugo-porfrio-863087bf-4f14-4260-a4c2-a8c8214875d-r

Porfírio no Sporting.

De facto, entre as temporadas de 1994-95 e 1996-97, o extremo rumaria primeiro a Santo Tirso, depois a Leiria, e por fim, inesperadamente, a Londres, Inglaterra, onde representaria o West Ham. Apesar da escala marcadamente distinta dos três empréstimos, em nenhum deles Porfírio 'fez feio', tendo realizado épocas de excelente nível, e sido presença regular nos jogos de todos os emblemas que representou durante este período – feito que lhe valeu a presença na equipa que representava Portugal no Euro '96, no decurso do qual fez a sua estreia como Internacional A (antes, havia sido presença assídua nas Selecções jovens, tendo disputado os Campeonatos Europeus de sub-16 em 1990 e sub-18 em 1992, e o Mundial de sub-20 em 1993) jogando quinze minutos da partida contra a Turquia, e seguindo depois viagem para os Jogos Olímpicos de Atlanta.

download (1).jpg

954375_med_.jpg.jpg

Em acção pelo Tirsense, e no seu único jogo no Euro '96.

As boas indicações deixadas ao longo daqueles três anos não foram, no entanto, suficientes para garantir a Porfírio um lugar no plantel principal do Sporting, que o dispensava no Verão de 1997. O extremo via-se, assim, obrigado a abraçar novos desafios, acabando por rumar a Espanha, para representar o Racing Santander. Ao contrário da primeira experiência internacional, no entanto, esta segunda 'aventura' pelo exterior não lhe correria de feição, levando a que, apenas um ano depois – e com o Racing Santander já despromovido da La Liga – caísse a 'bomba': Porfírio, o antigo 'leão', assinava contrato com o grande rival da Segunda Circular, passando assim a fazer parte do grupo dos 'vira-casacas', isto é, jogadores que representaram dois clubes grandes em Portugal. Ainda assim, durante este período, conseguiria ainda a sua terceira e última internacionalização pela Selecção Nacional, participando no jogo contra a Ucrânia, a contar para a fase de qualificação para o Mundial de França '98.

download (2).jpgimages (5).jpgdownload (3).jpg

As aventuras internacionais no West Ham, Racing Santander e Nottingham Forest.

Ao contrário de 'companheiros' ilustres como Yuran, João Vieira Pinto, Simão Sabrosa, Ricardo Quaresma ou Mário Jardel (entre outros) Porfírio não viria, no entanto, a relançar a carreira no rival do seu clube de origem; antes pelo contrário, seria ainda menos utilizado do que havia sido no Sporting, totalizando metade das exibições que fizera pelo clube de Alvalade ao longo de duas épocas, e vindo a ser emprestado ao Nottingham Forest, onde passaria também despercebido, antes de se desvincular do clube das Águias, alegando salários em atraso, e se 'mudar' para as ilhas, para representar o Marítimo. Não tardaria mais que uma época, no entanto, até regressar à Luz, para mais três temporadas anónimas, a maioria das quais passada na equipa B. O outrora promissor extremo entrava assim, oficialmente, no ocaso de uma carreira que o veria ainda passar por clubes semi-amadores da zona da Grande Lisboa antes de rumar às Arábias (então ainda longe do estatuto desejável que possuem hoje) para pendurar definitivamente as botas ao serviço do Al-Nassr, hoje conhecido como o clube de Cristiano Ronaldo, mas, à época, um emblema perfeitamente desconhecido para a maioria dos adeptos europeus.

Consumava-se, assim, o estatuto de 'promessa (eternamente) adiada' de um jogador cuja 'sorte' e oportunidades estiveram sempre algo aquém do talento que exibia nos pés (mesmo numa era que favorecia os 'baixinhos' com 'magia', como ele), e que será sempre lembrado como um dos grandes 'e se...?' do futebol português moderno – estatuto que lhe vale, agora, a presença nestas páginas, à laia de 'prenda de anos'. Parabéns, e que conte ainda muitos.

14.09.25

Aos Domingos, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos principais acontecimentos e personalidade do desporto da década.

Da quase infinita quantidade de jovens futebolistas que passam pelas camadas jovens dos grandes clubes mundiais, apenas uma ínfima parte logra, efectivamente, ascender à equipa principal, ficando a restante (esmagadora) maioria 'pelo caminho', seja por questões técnicas, por tardarem a demonstrar o potencial esperado, por opção técnica dos treinadores, ou até por razões do foro pessoal. Portugal não é, de todo, excepção a esta regra, sendo habitual ver jovens jogadores acabados de sair dos 'fornos' de Sporting, Benfica e Porto reforçarem emblemas de menor dimensão, e construírem carreiras que, embora honrosas, acabam por ficar longe do esperado. Cabe, pois, a cada jogador decidir como encarar este trajecto alternativo, acabando por ser tantos os que desanimam com o que percebem como um 'falhanço' como aqueles que vêm o 'copo meio cheio', e decidem, literalmente, 'vestir a camisola' do novo clube.

download.jpg

Na década de 90, um dos exemplos desta última filosofia foi Paulo Alexandre Marques Ferreira. Formado nas escolas do Sporting em finais da década de 80, seria, no entanto, num outro clube da zona de Lisboa que viria a completar a formação – nomeadamente, o histórico Estrela da Amadora, então da antiga II Divisão de Honra, onde viria a passar literalmente toda a década de 90, primeiro como júnior e, mais tarde, como membro efectivo da equipa A, ao lado de nomes como os futuros internacionais Dimas e Paulo Bento. E se, a princípio, a sua participação na mesma era tão periférica quanto a de qualquer outro jovem em início de carreira, paulatinamente, vir-se-ia mesmo a afirmar como peça importante do plantel dos alvirrubros, tomando conta da ala esquerda na grande maioria das impressionantes sete épocas e meia (de um total de nove) que ali passou como sénior, e conseguindo mesmo honras de campeão da II de Honra, com apenas 19 anos, na época 1992/93, tendo os seis jogos em que participou ao longo dessa campanha sido suficientes para lhe outorgar esse título, e para lhe valer um lugar nas Selecções Nacionais Sub-20 e Sub-21, com as quais disputou, nesse Verão, o Torneio de Toulon (em que fez três jogos) e o Campeonato Mundial da categoria (em que participou em dois).

Ao mesmo tempo que a lealdade de Ferreira ao emblema da Reboleira fazia dele um Grande dos Pequenos naquele histórico do futebol português, as boas exibições chamavam a atenção dos ditos 'grandes', acabando o extremo por ser mesmo abordado por um deles, no caso o então 'campeão crónico' Futebol Clube do Porto, para o qual se transferia no final da época 1998/99. No entanto, a estadia do extremo na Invicta não foi feliz, não indo a sua participação de azul e branco além de cinco jogos na equipa B (em que, ainda assim, logrou marcar um golo) em menos de quatro meses passados no antigo Estádio das Antas. De facto, logo em Janeiro de 1999, o nome de Paulo Ferreira constava já da lista de dispensáveis, estando o extremo a um passo de voltar a 'casa' por empréstimo, mas acabando a escolha por recair no Farense, onde ingressou para o que restava da época, e onde voltou a ser feliz, participando em catorze jogos e contribuindo com dois golos para ajudar os algarvios a evitar a despromoção da Liga Portuguesa, antiga I Divisão.

download (1).jpg

O 'regresso a casa' de Paulo Ferreira teria, pois, de esperar até à época seguinte, tendo o extremo ingressado a título efectivo no clube que o vira despontar para o futebol, e onde voltaria a ser peça-chave, agora a um nível mais elevado. Duraria apenas uma temporada esta segunda passagem de Ferreira pela Reboleira, no entanto, sendo que a época seguinte o via envergar novamente as cores do Farense, desta vez a título efectivo. No final de mais uma bem-sucedida época, nova mudança, desta vez para o Varzim, onde se viria a iniciar o ocaso de carreira do jogador, que poria no futebol amador, ao serviço do 9 de Abril de Trajouce, ponto final definitivo numa carreira honrosa, em que, embora passando ao largo dos grandes palcos, conseguiu ser ídolo em pelo menos um clube, e rectificar adequadamente todos os (poucos) passos em falso. Razão mais que suficiente, pois, para a honrarmos, e ao próprio jogador, no dia em que este completa cinquenta e dois anos de idade. Parabéns, Paulo, e que conte ainda muitos.

28.07.25

NOTA: Este 'post' é respeitante a Sábado, 26 de Julho e Domingo, 27 de Julho de 2025.

As saídas de fim-de-semana eram um dos aspetos mais excitantes da vida de uma criança nos anos 90, que via aparecerem com alguma regularidade novos e excitantes locais para visitar. Em Sábados alternados (e, ocasionalmente, consecutivos), o Portugal Anos 90 recorda alguns dos melhores e mais marcantes de entre esses locais e momentos.

Aos Domingos, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos principais acontecimentos e personalidade do desporto da década.

download.jpeg

Num já remoto 'post' neste nosso blog, recordámos as actividades extra-curriculares, as quais acabavam por contar tanto como Saídas de Sábado (ou até Sábados aos Saltos) como como Domingos Desportivos. A disciplina específica sobre a qual nos debruçamos nesta publicação dupla não fugia a essa regra, sendo uma das mais populares entre os jovens da época e tendo conseguido, ainda que de forma efémera, escapar do seu 'nicho' habitual e encontrar um público mais globalizado.

Falamos da equitação, desporto habitualmente associado ao sexo feminino e aos estratos sociais mais altos (e com precedentes que justificam esse estereótipo) mas que, na primeira metade dos anos 90, encantou e fascinou crianças e jovens de ambos os sexos e dos mais diversos estratos sociais, de Norte a Sul de Portugal. Talvez pela divulgação de espaços como o picadeiro do Campo Grande, em Lisboa, talvez pelo fascínio exercido por todo e qualquer animal junto da criança comum, ou talvez apenas pelo sempre infalível 'efeito passa-palavra' no recreio, a verdade é que as aulas de equitação viram, durante este período, gerar-se um influxo de interesse nos seus serviços, com muitos meninos e meninas a quererem aprender a andar a cavalo – ainda que, em muitos casos, esse interesse acabasse por ser de pouca duração, sendo poucos os que continuavam a prática da disciplina a longo-prazo.

Talvez por isso a equitação tenha sido incapaz de reter o estatuto de actividade extra-curricular 'mainstream' de que gozou durante aqueles anos, tendo rapidamente regressado à qualidade de desporto 'de nicho', com interesse para, e ao alcance de, apenas alguns. Quem viveu aqueles anos em que o desporto em causa era tão popular quanto a dança ou o 'karaté', no entanto, certamente recordará a inveja sentida ao ouvir os colegas falar das aulas de equitação, e a vontade exacerbada de se juntar a eles. É a esses (entre os quais se contava o autor deste blog, ainda em idade de instrução primária) que dedicamos as breves linhas que compõem mais este 'post' duplo do Anos 90.

16.06.25

NOTA: Este 'post' é respeitante a Domingo, 15 de Junho de 2025.

Aos Domingos, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos principais acontecimentos e personalidade do desporto da década.

Veio com selo de jogador de Selecção, para jogar num histórico, e acabou na então II Divisão B nacional; mais tarde, passou 'despercebido' por um grande, singrou noutro, e foi convidado a representar a Selecção Nacional Portuguesa, apesar de ter nacionalidade brasileira; já em fim de carreira, ainda foi campeão da Liga de Honra com apenas uma mão-cheia de aparições; pelo meio, gravou o seu nome nos anais da História do futebol português, tanto pelo talento como pelo caricato percurso que empreendeu. Falamos de Luiz Bonfim Marcos, mais conhecido como Lula, o 'centralão' que, ao longo dos anos 90, impressionou pela sua estatura e capacidade de 'mandar' no sector mais recuado da defesa de vários clubes históricos dos campeonatos nacionais, quer ao nível mais alto, quer em contextos mais discretos.

download.jpeg

Com a camisola do Famalicão.

'Caído de pára-quedas' em Famalicão em 1988 – sem nada saber sobre a localidade, ou mesmo o país para onde vinha jogar – Lula não começou da forma mais auspiciosa a sua estadia naquele que se tornaria o seu país de acolhimento, sendo 'apanhado' nas teias de um caso de secretaria que atiraria o 'Fama' – cujo plantel havia sido formatado para competir no patamar principal – para a II Divisão B. Para seu crédito, o brasileiro não se queixou; antes, tomou parte activa no restabelecer da equipa aos escalões profissionais, tendo o clube, logo no ano seguinte, 'saltado' a então II Divisão de Honra para de novo se integrar entre os maiores nomes do desporto-rei em Portugal. Cumprindo a promessa feita aos jogadores, a direcção famalicense libertou Lula e dois dos seus compatriotas, tendo o defesa regressado ao seu país-natal para jogar no Sport Recife.

Durou apenas alguns meses, no entanto, esse regresso ao Brasil, sendo que, no dealbar dos anos 90, Lula regressava a Famalicão, por pedido expresso de Abel Braga, para se afirmar como peça-chave dos famalicenses durante as próximas duas épocas. Tais eram o seu talento e potencial, de facto, que o jogador foi mesmo equacionado para jogar pela Selecção...portuguesa, provando que a naturalização de jogadores estrangeiros (sobretudo brasileiros) remonta a muito antes de Deco. E apesar de esse pedido, em particular, ter sido recusado, Lula ficou mesmo no 'radar' dos dirigentes portugueses, sobretudo do seleccionador Carlos Queiroz, que chamaria mesmo o jogador para jogar no Sporting após assumir o comando técnico dos 'Leões'. Por essa altura, já Lula era campeão paulista e da Taça Libertadores, pelo São Paulo, mas ainda assim, aquiesceu em vir jogar para aquele que era um dos principais clubes do seu 'outro' país.

Mais uma vez, no entanto, o azar bateu à porta, já que Lula foi incapaz de fazer uso da sua dupla nacionalidade, contando como estrangeiro num plantel já no limite imposto pelas regras de então; o central acabou, assim, por ficar cinco meses sem jogar em Alvalade, antes de procurar relançar a carreira com uma mudança para Leiria. Esta estratégia resultou e, longe de polémicas e azares, o brasileiro foi capaz de relançar a carreira, tanto nessa época na cidade do Lis como na seguinte, em que regressou à capital para ser peça-chave de outro histórico nacional, o Belenenses, onde partilhou plantel com futuros 'grandes' como Ivkovic, Paulo Madeira ou Mauro Airez, e onde encontrou maior prazer em jogar, de entre todos os clubes da sua carreira.

As suas boas exibições ao longo dessas duas épocas voltaram, naturalmente, a valer-lhe o interesse de um 'grande', desta vez mais próximo da sua 'base' original em Famalicão. Lula viria mesmo, assim, a vestir a camisola listada de um dos principais clubes de Portugal...só que listada de azul, e não de verde. Seria, de facto, ao serviço do FC Porto, e não do Sporting, que o brasileiro passaria as duas temporadas seguintes, embora sem nunca se afirmar, e não chegando às duas mãos-cheias de presenças pelos então hegemónicos 'Dragões' nortenhos – números, ainda assim, suficientes para o sagrarem bicampeão nacional, com participação em dois dos inéditos cinco títulos ganhos pelo conjunto da Invicta durante esse período, mas que não chegaram para evitar que o jogador rumasse novamente ao Brasil em finais da época de 1997-98, desta feita para representar o Vitória Esporte Clube.

771254_med__20210410140449_lula.jpg

Numa das escassas aparições que fez pelo FC Porto.

Não terminaria aí, no entanto, a ligação de Lula a Portugal, já que, nos primeiros meses do Novo Milénio, o defesa regressaria ao nosso País para ganhar a edição de 1999-2000 da II Liga ao serviço do Paços de Ferreira, pesem embora as apenas oito presenças com a camisola dos 'castores'. Só então o brasileiro diria, definitivamente, adeus a Portugal, para rumar à 'reforma dourada' dos campeonatos chineses, onde actuaria ainda durante mais três épocas e meia, ao serviço de dois clubes, antes de pendurar definitivamente as botas, em 2003, já com trinta e sete anos praticamente completos. Como registo de uma carreira que não conta com quaisquer cargos técnicos, fica um percurso repleto de altos, baixos, 'carambolas' e momentos inusitados, mas que – talvez por isso mesmo – garante a Lula um lugar na galeria dos 'figurões' dos campeonatos de futebol portugueses de há trinta anos; nem bem Grande dos Pequenos, nem bem Lenda da Primeira Divisão, mas ainda assim mais que merecedor de espaço nestas nossas páginas, por ocasião dos seus cinquenta e nove anos. Parabéns, e que conte muitos.

06.04.25

NOTA: Este 'post' é respeitante a Sábado, 5 de Abril de 2025.

Os Sábados marcam o início do fim-de-semana, altura que muitas crianças aproveitam para sair e brincar na rua ou no parque. Nos anos 90, esta situação não era diferente, com o atrativo adicional de, naquela época, a miudagem disfrutar de muitos e bons complementos a estas brincadeiras. Em Sábados alternados, este blog vai recordar os mais memoráveis de entre os brinquedos, acessórios e jogos de exterior disponíveis naquela década.

As saídas de fim-de-semana eram um dos aspetos mais excitantes da vida de uma criança nos anos 90, que via aparecerem com alguma regularidade novos e excitantes locais para visitar. Em Sábados alternados (e, ocasionalmente, consecutivos), o Portugal Anos 90 recorda alguns dos melhores e mais marcantes de entre esses locais e momentos.

De entre as muitas novas preocupações sociais a surgir durante as duas últimas décadas do século XX, a da vida saudável e perda de peso fica apenas atrás da ecologia como uma das mais relevantes no Mundo ocidental. Apesar de não ser nada de novo, estando presente na referida sociedade desde pelo menos há meio século a esse ponto, a preocupação com estar em forma, desenvolver músculos ou partes do físico, ou ainda perder peso ganhou novos contornos durante os anos 80 e 90, tendo simultaneamente ganho uma representação 'visível' e tangível, com o aparecimento dos ginásios e a difusão em massa de disciplinas como a aeróbica.

images.jpeg

De facto, foi precisamente nesses últimos anos do Segundo Milénio que se deu a génese do movimento pró-exercício físico que hoje permeia as vidas da quase totalidade dos cidadãos ocidentais. E se, ao contrário do que ocorre actualmente, os ginásios estavam, sobretudo, reservados aos culturistas e praticantes de desportos de combate, as 'donas de casa', profissionais de colarinho branco e outros sectores menos activos da sociedade encontraram na prática da referida actividade a sua forma de garantir a manutenção da tão importante 'linha'. Como consequência, verificou-se durante o período em causa um enorme aumento do número de aulas de aeróbica e 'step' oferecidos pelos supracitados ginásios, além do aparecimento de cassettes VHS que permitiam realizar o equivalente a uma sessão no conforto do lar.

Por sua vez, esta junção de factores resultou, inevitavelmente, na difusão da aeróbica a outros sectores da sociedade, não tardando a disciplina em causa a permear, por exemplo, o currículo das aulas de Educação Física do ensino preparatório e secundário, onde veio a encontrar toda uma nova demografia-alvo de jovens prontas (e, por vezes, também prontos) a emular os exercícios que viam as mães fazer no clube local ou em frente à televisão – ainda que, muitas vezes, num mero arremedo, mais próximo de uma brincadeira de faz-de-conta durante um Sábado aos Saltos do que de qualquer tipo de exercício sério. Ainda assim, esta actividade não deixava de constituir uma maneira de as crianças e jovens se manterem activos, ainda que talvez não a mais acertada ou apropriada para a faixa etária em causa.

Como todas as 'manias' e 'febres' da sociedade ocidental, no entanto, também a aeróbica acabou por ser alvo de mutação, ainda que sem nunca ter desaparecido completamente.; em vez disso, a modalidade dividiu-se em diversas disciplinas, as quais ainda hoje podem ser vistas no horário ou lista de aulas do ginásio mais próximo. Quem viveu a 'febre' original da aeróbica, no entanto, certamente reconhecerá nestas divisões apenas o espírito da rotina de exercícios que pôs milhões de mulheres (e também muitos homens) num estúdio de musculação ou em frente à televisão, em 'leggings' e perneiras, a agitar freneticamente os braços durante meia hora de cada vez...

31.03.25

NOTA: Este 'post' é respeitante a Domingo, 30 de Março de 2025.

Aos Domingos, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos principais acontecimentos e personalidade do desporto da década.

A passagem de um jogador talentoso de um clube de média dimensão para um de maior nomeada é comum ao ponto de ser um passo esperado na carreira de qualquer atleta; menos habitual, no entanto, é ver um futebolista fazer o percurso inverso, dando um 'passo atrás' enquanto ainda vive o auge da carreira. Não sendo de todo inaudita, esta situação prima pela raridade, o que torna ainda mais surpreendente constatar que um dos seus mais famosos exemplos teve lugar em Portugal, na década de 1990.

download.jpeg

Isto porque, ao assinar pelo Benfica no Verão de 1997 (em plena 'era Graeme Souness') o checo Karel Poborsky trazia já honras de campeão checoslovaco (pelo Slavia Praga) e inglês (pelo Manchester United de Alex Ferguson), bem como de semi-finalista da Taça UEFA e da Liga dos Campeões (pelos mesmos clubes, respectivamente) e de internacional indiscutível do seu país, tendo inclusivamente sido 'carrasco' de Portugal no icónico Euro '96, ao marcar o único golo do jogo dos quartos-de-final, uma 'chapelada' a Baía após excelente trabalho individual que ditaria o afastamento das Quinas da competição. Um palmarés mais 'decorado' que o habitual para um jogador que ingressasse no Campeonato Nacional português, e que tornava de imediato Poborsky numa das grandes 'estrelas' dessa edição da competição.

E a verdade é que, na Luz, o checo, 'tapado', em Manchester, pelo indiscutível David Beckham, viria mesmo a conseguir relançar a carreira, afirmando-se como uma das peças preponderantes dos plantéis por onde passou nas suas três épocas e meia de águia ao peito, como um dos melhores jogadores dos últimos Campeonatos do século XX, e como uma das pouquíssimas contratações acertadas feitas pelo técnico escocês durante o seu infame período ao comando dos 'encarnados'. Médio rápido e tecnicista, o checo não tardou a mostrar a sua valia, e a sua icónica 'cabeleira' aloirada tornou-se praticamente sinónima com qualquer lance de perigo criado pela equipa do Benfica durante aqueles anos finais do Segundo Milénio.

Tudo o que é bom chega ao fim, no entanto, e Poborsky, como tantos outros jogadores antes de si, viria mesmo a deixar o Benfica, já nos primeiros meses do Novo Milénio, e pouco após a 'prenda de Natal' que foi o regresso de Toni ao comando técnico do clube da Luz. O destino era ainda outro país a adicionar ao currículo, e ainda outro clube de média-grande dimensão europeia – no caso a Lazio, onde fez uma época e meia 'ao seu nível', embora optasse por não renovar contrato e, ao invés, regressar à sua República Checa natal, no caso para o 'lado oposto' da cidade de Praga, onde vestiria a camisola do Sparta, rival acérrimo do mesmíssimo Slavia onde se afirmara, cerca de uma década antes.

Uma 'traição' que, no entanto, correria bem ao jogador, que se tornaria o atleta mais bem pago da República Checa e juntaria mais dois campeonatos e uma Taça ao seu palmarés, antes de escolher abraçar o desafio de regressar ao clube que o formara, o modesto Dynamo Ceske Budejovice, onde ainda faria mais de duas dezenas e meia de aparições nas ligas secundárias checas, marcando dez golos, antes de 'pendurar' de vez as botas. Pelo meio, participaria ainda em mais três icónicos torneios internacionais, os Campeonatos Europeus de 2000 (na Bélgica e Holanda) e 2004 – esse mesmo, o realizado em Portugal, onde a sua Selecção seria eliminada pela da...Grécia – e o Campeonato Mundial de 2006, após o qual se retiraria também do futebol internacional.

download (2).jpeg

Ao contrário de muitos dos seus colegas e contemporâneos de que aqui falamos, no entanto, o checo escolheu não transitar para cargos técnicos após o encerramento de carreira (excepção feita aos dois anos que passou como director técnico da Selecção checa), preferindo dedicar-se ao trabalho de escritório (quer no seu clube formador, quer no Sindicato dos Jogadores checo) e ser lembrado pelos seus feitos em campo, e como membro de uma das melhores gerações de sempre da República Checa, tendo partilhado o campo com nomes como Pavel Nedved ou Tomás Rosicky. Em fim-de-semana de aniversário (completou cinquenta e três anos) façamos-lhe, pois, a vontade, e recordemos a sua bem-sucedida passagem por Portugal, e o estatuto icónico que adquiriu junto dos adeptos do Benfica durante a mesma.

Mais sobre mim

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2025
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2024
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2023
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2022
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2021
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
Em destaque no SAPO Blogs
pub