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Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

18.01.26

Aos Domingos, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos principais acontecimentos desportivos da década.

Para qualquer apreciador do futebol português e internacional de inícios do século XXI, Paulo Renato Rebocho Ferreira (que não deve ser confundido com o seu homónimo e 'Grande dos Pequenos' do Estrela da Amadora durante o mesmo período) será tudo menos uma Cara (Des)conhecida – antes pelo contrário, qualquer adepto da época será capaz de identificar o jogador como o lateral direito titularíssimo do 'Super-Porto' de José Mourinho, do Chelsea do mesmo Mourinho, e ainda da Selecção Nacional pós-Geração de Ouro de grande parte da década de 2000 (onde, curiosamente, se revezou com o jogador que homenageamos na última edição do Domingo Desportivo, e em relação ao qual tem quase exactamente um ano de diferença). O que poucos saberão é que, antes de ganhar tudo o que havia para ganhar a nível doméstico e internacional, e de inscrever o seu nome na lista de futebolistas históricos portugueses, o lateral-direito havia já sido figura de proa de dois históricos dos campeonatos profissionais lusitanos.

Na Selecção Sub-21.

O primeiro destes, onde o lateral oriundo de Cascais despontaria para o futebol sénior, era o Estoril Praia, então na antiga Segunda Divisão de Honra, onde Paulo Ferreira completaria a sua formação (após passagens por Alcabideche e Cascais), e em cuja equipa principal seria integrado para a época de 1998/99, quando contava 18 para 19 anos. Como a maioria das promessas nesta situação, no entanto, o jovem Paulo viu-se sem espaço, acabando por realizar apenas uma partida nessa primeira época; a diferença é que os 'canarinhos' não abdicariam do promissor jovem, que, nas duas épocas seguintes, viria a ter papel consideravelmente mais proeminente no seio da equipa (curiosamente, a médio-centro) e realizando quinze jogos na última época do século XX, e vinte e cinco na primeira do Terceiro Milénio. À entrada para o segundo ano do século XXI, o lateral já era, pois, um jogador completo, presença assídua na Selecção Nacional sub-21, e clara promessa de futuro – tanto assim que nem a chamada para o serviço militar obrigatório conseguiria travar a sua ascensão.

Ao serviço do Vitória de Setúbal.

O 'salto', no entanto, far-se-ia ainda esperar, sendo a próxima transferência de Ferreira – precisamente no final dessa época de 2000/2001 – para outro clube da 'Segundona', o ainda mais histórico Vitória de Setúbal, onde o jogador 'pegaria de estaca' quase de imediato sob o comando de Jorge Jesus, ganhando a titularidade na direita da defesa (ainda que por necessidade, já que fora contratado para jogar ao ataque, e no outro flanco!) e realizando a quase totalidade dos jogos nas duas épocas que passou no Bonfim, e tendo inclusivamente papel fulcral na subida dos sadinos à Primeira Liga, na sua segunda e última época.

E, desta vez, o momento do 'salto' chegaria mesmo para o lateral-direito, o qual, aos vinte e três anos, se via integrado no plantel de um dos 'grandes' nacionais (após acordo falhado com outro, no caso o Sporting de Lazlo Boloni, recém-sagrado Campeão Nacional pela segunda vez em três anos), ao qual o seu nome ficaria indelevelmente ligado, pelas razões já elencadas acima: em apenas duas épocas (e com menos jogos realizados do que ao serviço do Vitória de Setúbal) Ferreira 'roubaria' o lugar ao experiente Secretário e ajudaria os 'Dragões' a vencer dois campeonatos nacionais, uma Taça de Portugal, uma Supertaça e – mais relevantemente – uma Taça UEFA e uma Liga dos Campeões, feito inédito para uma equipa portuguesa desde a implementação do formato moderno da prova, e que colocou todos os jogadores daquele super-plantel portista no 'radar' dos grandes tubarões internacionais.

E seria mesmo um desses tubarões o próximo destino de Paulo Ferreira, que – pela mão de Mourinho, e juntamente com vários colegas de equipa no Porto – rumaria ao Chelsea, onde se tornaria pedra basilar da equipa durante as oito épocas seguintes, e onde viria a reencontrar Luiz Felipe Scolari, seu ex-técnico na Selecção. Tão marcante seria a sua contribuição para os 'Blues', aliás, que, após a 'reforma' no final da época 2012/2013, Ferreira ficaria ligado aos quadros do clube durante quase mais uma década, primeiro na qualidade de 'olheiro' e, mais tarde, de treinador-adjunto, cargo que viria posteriormente a desempenhar também no Lille, Milão e Lyon, onde actualmente exerce funções. Uma trajectória de sonho para um jovem que, enquanto Cara (Des)conhecida adolescente no banco do icónico Estádio António Coimbra da Mota, certamente apenas poderia sonhar vir a ser aquilo em que se tornou – uma das grandes referências do futebol português moderno, bem merecedor de homenagem no dia em que completa quarenta e sete anos. Parabéns, e que conte anda muitos.

22.12.25

NOTA: Este 'post' é respeitante a Domingo, 21 de Dezembro de 2025.

Aos Domingos, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos principais acontecimentos desportivos da década.

Apesar de jogadores gémeos não serem, de todo, um conceito desconhecido no futebol moderno, os mesmos tendem, grosso modo, a seguir percursos semelhantes em termos de expressividade, muitas vezes militando, inclusivamente, no mesmo clube ao mesmo tempo. Não é, no entanto, esse o caso de um dos dois jogadores que focamos esta semana, 'metade' de um par de gémeos futebolistas que completaram cinquenta e seis anos naquela que teria sido a data de publicação deste 'post', e que, apesar de terem ambos chegado a ter estatuto de 'Grandes dos 'Pequenos'' em emblemas históricos do futebol nacional, tiveram carreiras, de outro modo, bastante distintas. De facto, enquanto Jorge Neves fez o habitual 'périplo' pelas divisões inferiores até se estabelecer no Beira-Mar, onde passou sete épocas, já o irmão, Rui, dedicou dezassete dos seus dezoito anos como futebolista (e catorze dos quinze que passou como profissional) ao serviço de um clube então com presença constante nos campeonatos profissionais lusitanos, e onde assumiu contornos de figura mítica entre os adeptos.

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Os dois irmãos, com as camisolas com que se notabillizaram.

De facto, apesar de ter começado o percurso futebolístico no modesto Juventude Operária de Monte Abraão, Rui Miguel Leal das Neves ver-se-ia ligado ao Estrela da Amadora logo a partir dos seus dezasseis anos, quando ele e Jorge ingressavam na equipa de Juvenis. Três anos depois - no dealbar da década de 90 - chega a profissionalização, já com estatuto de figura de proa na equipa de Juniores, o que lhe permite uma transição para o plantel sénior mais célere que o habitual; de facto, Rui rapidamente se estabelece como elemento importante da equipa amadorense, apesar da tenra idade, participando em mais de duas dezenas de jogos logo nessa primeira época, e partilhando o relvado e balneários com nomes como Paulo Bento ou Dimas.

As temporadas seguintes apenas cimentariam o lugar de Neves na equipa, com o jogador a consolidar o lugar na linha defensiva, muito graças à capacidade de jogar em qualquer das duas alas, bem como à identificação com o próprio clube. Durante esse período, participaria na histórica edição da Taça de Portugal que veria os tricolores erguer o único troféu da sua história, em 1989-90 - e em virtude da qual se estrearia nas competições europeias, ainda antes de completar vinte e um anos - veria o seu clube descer de divisão uma época depois e voltar a subir na seguinte, e conseguiria as primeiras internacionalizações, ao serviço da equipa de sub-21. Por comparação, na mesma altura, o 'mano' Jorge representaria emblemas menores, como Marinhense, Fafe e Fanhões.

No Verão de 1993, dá-se o inusitado - após uma época em que apenas participara de oito partidas, Rui Neves deixa o Estrela da Amadora para rumar ao Gil Vicente. E apesar de a temporada única ao serviço dos gilistas ter sido bem sucedida, tendo Neves participado em quase todas as partidas do clube nesse campeonato (ou talvez por essa razão) a 'casa-mãe' não tardaria a chamar de volta o 'filho pródigo', para não mais o deixar partir - no total, seriam mais dez as épocas de Rui Neves na Reboleira, sempre como peça-chave do plantel, do qual apenas se desvincularia ao 'pendurar as botas', aos já trinta e quatro anos, em finais da época de 2003/2004, quando contava já com o estatuto de 'lenda' do clube. Pelo meio, ficavam as memórias de um sétimo lugar, uma despromoção, e um histórico golo que garantiria a permanência dos amadorenses na antiga Primeira Divisão, logo no primeiro ano após o seu regresso - apenas alguns dos momentos que fariam desta 'metade' dos gémeos Neves a verdadeira definição de um 'Grande dos 'Pequenos''.

Ao mesmo tempo, um pouco mais a Norte, o irmão gémeo fazia também por merecer esta designação (embora em menor escala) encontrando finalmente uma 'casa' em Aveiro, onde passaria sete épocas e disputaria mais de cento e sessenta jogos e onde, curiosamente, venceria exactamente o mesmo troféu do que o irmão, em circunstâncias muito semelhantes - nomeadamente, numa final entre dois 'históricos' de menor dimensão, que o seu clube acabaria por vencer (no caso, a de 1998-99) e que lhe permitiria a estreia, ainda que fugaz, nas competições europeias.

Para Jorge, no entanto, a 'caminhada' profissional ainda englobaria paragens em Chaves e no modesto São Marcos, onde penduraria as botas três anos depois do irmão, e a um nível consideravelmente mais modesto, tendo depois, ao contrário deste, enveredado pela carreira de treinador. Ainda assim, pelo seu contributo prolongado para um 'histórico' do futebol português, Jorge acaba por merecer tanto o epíteto de 'Grande dos 'Pequenos' como o irmão, bem como o seu lugar ao lado do mesmo naquele que acaba por se saldar como a primeira edição 'dupla' desta rubrica. Parabéns, e que contem ainda muitos.

31.03.25

NOTA: Este 'post' é respeitante a Domingo, 30 de Março de 2025.

Aos Domingos, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos principais acontecimentos e personalidade do desporto da década.

A passagem de um jogador talentoso de um clube de média dimensão para um de maior nomeada é comum ao ponto de ser um passo esperado na carreira de qualquer atleta; menos habitual, no entanto, é ver um futebolista fazer o percurso inverso, dando um 'passo atrás' enquanto ainda vive o auge da carreira. Não sendo de todo inaudita, esta situação prima pela raridade, o que torna ainda mais surpreendente constatar que um dos seus mais famosos exemplos teve lugar em Portugal, na década de 1990.

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Isto porque, ao assinar pelo Benfica no Verão de 1997 (em plena 'era Graeme Souness') o checo Karel Poborsky trazia já honras de campeão checoslovaco (pelo Slavia Praga) e inglês (pelo Manchester United de Alex Ferguson), bem como de semi-finalista da Taça UEFA e da Liga dos Campeões (pelos mesmos clubes, respectivamente) e de internacional indiscutível do seu país, tendo inclusivamente sido 'carrasco' de Portugal no icónico Euro '96, ao marcar o único golo do jogo dos quartos-de-final, uma 'chapelada' a Baía após excelente trabalho individual que ditaria o afastamento das Quinas da competição. Um palmarés mais 'decorado' que o habitual para um jogador que ingressasse no Campeonato Nacional português, e que tornava de imediato Poborsky numa das grandes 'estrelas' dessa edição da competição.

E a verdade é que, na Luz, o checo, 'tapado', em Manchester, pelo indiscutível David Beckham, viria mesmo a conseguir relançar a carreira, afirmando-se como uma das peças preponderantes dos plantéis por onde passou nas suas três épocas e meia de águia ao peito, como um dos melhores jogadores dos últimos Campeonatos do século XX, e como uma das pouquíssimas contratações acertadas feitas pelo técnico escocês durante o seu infame período ao comando dos 'encarnados'. Médio rápido e tecnicista, o checo não tardou a mostrar a sua valia, e a sua icónica 'cabeleira' aloirada tornou-se praticamente sinónima com qualquer lance de perigo criado pela equipa do Benfica durante aqueles anos finais do Segundo Milénio.

Tudo o que é bom chega ao fim, no entanto, e Poborsky, como tantos outros jogadores antes de si, viria mesmo a deixar o Benfica, já nos primeiros meses do Novo Milénio, e pouco após a 'prenda de Natal' que foi o regresso de Toni ao comando técnico do clube da Luz. O destino era ainda outro país a adicionar ao currículo, e ainda outro clube de média-grande dimensão europeia – no caso a Lazio, onde fez uma época e meia 'ao seu nível', embora optasse por não renovar contrato e, ao invés, regressar à sua República Checa natal, no caso para o 'lado oposto' da cidade de Praga, onde vestiria a camisola do Sparta, rival acérrimo do mesmíssimo Slavia onde se afirmara, cerca de uma década antes.

Uma 'traição' que, no entanto, correria bem ao jogador, que se tornaria o atleta mais bem pago da República Checa e juntaria mais dois campeonatos e uma Taça ao seu palmarés, antes de escolher abraçar o desafio de regressar ao clube que o formara, o modesto Dynamo Ceske Budejovice, onde ainda faria mais de duas dezenas e meia de aparições nas ligas secundárias checas, marcando dez golos, antes de 'pendurar' de vez as botas. Pelo meio, participaria ainda em mais três icónicos torneios internacionais, os Campeonatos Europeus de 2000 (na Bélgica e Holanda) e 2004 – esse mesmo, o realizado em Portugal, onde a sua Selecção seria eliminada pela da...Grécia – e o Campeonato Mundial de 2006, após o qual se retiraria também do futebol internacional.

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Ao contrário de muitos dos seus colegas e contemporâneos de que aqui falamos, no entanto, o checo escolheu não transitar para cargos técnicos após o encerramento de carreira (excepção feita aos dois anos que passou como director técnico da Selecção checa), preferindo dedicar-se ao trabalho de escritório (quer no seu clube formador, quer no Sindicato dos Jogadores checo) e ser lembrado pelos seus feitos em campo, e como membro de uma das melhores gerações de sempre da República Checa, tendo partilhado o campo com nomes como Pavel Nedved ou Tomás Rosicky. Em fim-de-semana de aniversário (completou cinquenta e três anos) façamos-lhe, pois, a vontade, e recordemos a sua bem-sucedida passagem por Portugal, e o estatuto icónico que adquiriu junto dos adeptos do Benfica durante a mesma.

06.01.25

NOTA: Este 'post' é respeitante a Domingo, 5 de Janeiro de 2025.

Aos Domingos, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos principais acontecimentos e personalidade do desporto da década.

Regra geral, o termo 'lendas' aplica-se, sobretudo, a praticantes de uma determinada actividade. No entanto, quando os líderes, mentores ou treinadores desses mesmos praticantes são tão carismáticos e marcantes como os mesmos, nada impede - antes pelo contrário - a que recebam, também eles, o epíteto de 'lendas'. Serve este ponto prévio para justificar (como se tal fosse necessário) a presença nesta rubrica dedicada às 'Lendas do Campeonato Nacional' de uma personalidade que, embora tenha desenvolvido carreira de ambos os 'lados' de um campo de futebol, se destacou, e é lembrado, sobretudo pelo seu trabalho fora das quatro linhas, ao serviço de um clube que, no total, representou durante uma década e meia.

Falamos do espanhol Francisco Fortes Calvo, normalmente conhecido pela alcunha 'Paco', e que marcou época no futebol português com o seu farto bigode e a afável personalidade demonstrada enquanto treinador 'perene' do Sporting Clube Farense, a 'instituição' do futebol português da qual comandou os destinos durante mais de uma década. Nada melhor, pois, do que dedicar algumas linhas a esta espécie de 'Sir Alex Ferguson português' - salvas as devidas distâncias, claro está - que acaba, este fim-de-semana, de completar exactos setenta anos de vida.

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Paco Fortes enquanto jogador do Farense, na década de 80...

Foi ainda nos anos 80 que Paco Fortes aprendeu a amar o Farense, ao qual se juntava em meados da década, então na capacidade de jogador, e já com créditos firmados em Espanha, onde representara o Barcelona, Málaga, Espanyol e Valladolid - uma carreira 'de respeito' para um jogador que viria mesmo a concluir no Algarve a sua 'viagem' futebolística, após cinco épocas com a 'malha' alvinegra. Conhecido, enquanto jogador, pela sua garra e 'pavio curto', aquele que é ainda hoje considerado o melhor jogador da História do Farense viria, no entanto, a ganhar tão forte vínculo com a 'capital do Sul', e com o respectivo clube, que mesmo após pendurar as botas, nunca viria verdadeiramente a deixar as instalações do Estádio de São Luís, tendo simplesmente 'transitado' de um lado do banco técnico para o outro, ao assumir o cargo de treinador, no final da época de 1988/89.

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...e como treinador dos algarvios, já na década seguinte.

Seria o início de exactamente uma década à frente dos farenses, durante a qual acompanharia o clube da II Divisão de Honra (para onde tombariam logo no final da sua primeira época, incompleta, no comando) ao escalão principal do futebol nacional, e com o qual faria História em meados da década, ao almejar a glória da Taça UEFA, competição em que o clube participaria há exactos trinta anos, na temporada de 1994/95. Sob o seu comando, os algarvios afirmaram-se e cimentaram-se como um dos conjuntos mais 'duros de roer' do futebol português, muito por conta de jogadores como Hajry, Eugénio e, claro, Hassan, o único outro nome tão sinónimo com o Farense da década de 90 como o próprio Paco. Aquando da saída - em 1999, para o 'vizinho' Imortal - era herói e lenda viva em Faro, cidade à que voltaria ainda mais uma vez, já no Novo Milénio, para tentar 'salvar' o 'seu' clube da descida de divisão, objectivo em que não foi bem sucedido. Pelo meio, Fortes treinaria ainda, durante uma época, outro histórico do futebol português, o hoje bem mais modesto União de Lamas. Após o 'regresso' gorado à casa-mãe, Paco passaria ainda pelo Pinhalnovense - por duas vezes, separadas por uma infrutífera experiência internacional, no Raja Casablanca de Hajry - clube onde viria a encerrar funções enquanto técnico desportivo, no final da temporada 2008/09.

Infelizmente, a vida do carismático técnico após a sua 'reforma' esteve longe dos confortos da da maioria dos seus congéneres; pelo contrário, Paco Fortes chegou mesmo a estar desalojado, sendo obrigado a viver numa carrinha, e foi apenas através do programa de veteranos do Barcelona (clube onde se lançou) que o simpático espanhol foi capaz de refazer a vida, e conseguir um final feliz para a sua história, enquanto controlador marítimo no porto de Barcelona. Será, no entanto, pela sua passagem pelo futebol português que o sorridente 'bigodudo' será sempre lembrado, e é devido a ela que lhe prestamos esta homenagem, meras horas depois de completar sete décadas de vida. 'Feliz cumpleanos', Paco, e que conte ainda muitos!
 

24.11.24

Aos Domingos, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos principais acontecimentos e personalidade do desporto da década.

Embora a História do desporto-rei esteja repleta de jogadores que, após inícios auspiciosos em clubes menores, almejam prosseguir, consequentemente, a carreira em emblemas de maior dimensão (senão mesmo 'gigantes'), os atletas com capacidade de fazer a diferença no mesmo clube em duas ocasiões diferentes contam-se em bastante menor número. De facto, ainda que tais casos não sejam totalmente inauditos, os mesmos são, sem dúvida, suficientemente raros para que os jogadores capazes de integrar este grupo sejam merecedores de destaque. É, precisamente, o caso do futebolista a quem dedicamos as próximas linhas, um médio ofensivo 'à moda antiga' que celebra este Domingo o seu quinquagésimo-oitavo aniversário e que, há exactas trinta temporadas, regressava ao clube que o formara e lançara, para inscrever indelevelmente o seu nome na extensa lista de 'lendas' do mesmo.

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O jogador com a camisola que o consagrou no início e fim de carreira.

Regressado à Cidade Invicta já com honras de titular absoluto de Juventus e Mónaco, bem como de vencedor da última Taça UEFA da década de 80, ao serviço da 'Vecchia Signora', e finalista vencido da competição de 1991-92, pelo Mónaco (além dos títulos conquistados ao serviço do próprio Futebol Clube do Porto, na década anterior), poderia, à primeira vista, parecer que Rui Barros voltava ao Estádio das Antas já com tudo conquistado, para a proverbial 'reforma dourada'. O internacional português – então ainda a alguns meses de completar vinte e oito anos, e como tal, na flor da carreira - rapidamente desprovaria essa teoria, no entanto, mostrando, pelo contrário, ter ainda uma palavra a dizer no seio do seu clube 'do coração'. Tanto assim era que o médio-ofensivo não só conquistaria um lugar no onze inicial de um Porto fortíssimo e em plena fase hegemónica, como também se revelaria elemento crucial na até então inaudita caminhada rumo ao penta-campeonato nacional, que o Porto iniciaria logo na temporada seguinte. De facto, das seis épocas que realizou na sua segunda passagem pelo Porto, só na última (já à beira da reforma) Rui Barros perderia preponderância no plantel azul e branco, registando ainda assim dezasseis presenças ao longo da temporada 1999-2000, cujo final o veria retirar-se dos relvados, agora sim, já com tudo ganho.

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Rui Barros na função de técnico dos 'dragões'

Dada a lealdade demonstrada ao clube no qual passou mais de metade da sua carreira, não foi de todo surpreendente que, após a reforma como jogador profissional, Rui Barros tivesse sido integrado na estrutura do FC Porto, onde alternou funções de treinador adjunto e interino ao longo de mais de uma década (entre 2005 e 2016), tendo mesmo chegado a festejar a conquista da Supertaça de 2006 na condição de treinador principal da equipa sénior. Mais tarde, em 2018, o ex-fantasista dos 'dragões' assumiria o cargo de treinador das reservas do clube, cargo que ocuparia durante os três anos seguintes, antes de se trasladar para a função de olheiro, que desenvolve até hoje, não deixando de ser apropriado que um dos melhores criativos da História do clube portuense tenha, hoje, a função de descobrir novos talentos potencialmente ao seu nível – e, idealmente, com o mesmo grau de lealdade e amor à camisola por si demonstrado enquanto jogador profissional pelos dragões. Parabéns, e que conte ainda muitos.

28.01.24

Aos Domingos, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos principais acontecimentos e personalidade do desporto da década.

Apesar de ser o elemento que menos participa num jogo de futebol, o guarda-redes não deixa de ser uma figura tão ou mais digna de nota do que os seus companheiros de campo, não só por ser sua a responsabilidade directa de não deixar entrar golos na sua baliza, como também por constituir, muitas vezes, uma voz de comando dentro das quatro linhas, função para a qual é necessária uma personalidade muito particular; os melhores guarda-redes tendem, pois, a ser figuras carismáticas e até um pouco excêntricas, às quais seria impossível passar despercebidas em campo.

Os anos 90 não foram, de todo, excepção neste particular, antes pelo contrário; até o adepto mais 'distraído' seria capaz de nomear pelo menos uma dúzia de guardiães memoráveis do futebol da época, tanto a nível interno como internacional. De Bento, Baía, William e Preud'Homme a Schmeichel, Chilavert, Rogério Ceni, Taffarel, Barthez, Songo'o ou Peruzzi – para citar apenas alguns dos nomes mais destacados – é longa a lista de 'figurões' responsáveis pela defesa das balizas das maiores equipas da época.

A esta lista há, também, que juntar o nome de um cabo-verdiano naturalizado português, o qual – não fosse a morte prematura, a poucos meses de completar sessenta anos – teria celebrado este fim-de-semana o seu aniversário, talvez fomentando a sua 'segunda paixão' através de uma sessão de 'karaoke'.Falamos de Adelino Augusto da Graça Barbosa Barros, mais conhecido na cultura popular portuguesa pelo apelido de Neno, o lendário guardião das balizas de Benfica e Vitória de Guimarães durante as épocas de 80 e 90 que era tão conhecido pelo seu sorriso 'de gaiato' como pela sua apetência para o canto, que lhe valia as alcunhas de 'guarda-redes cantor' e 'Julio Iglesias português', tendo-lhe mesmo valido uma presença em palco ao lado desse seu ídolo.

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No clube que o notabilizou.

Nascido em Cabo Verde, mas formado nas escolas do histórico Barreirense, Neno passaria os seus três primeiros anos de sénior com as cores do conjunto alvirrubro, afirmando-se como guardião titular na sua segunda época completa, ainda antes de completar vinte anos. As boas exibições durante as duas temporadas seguintes valer-lhe-iam o interesse de um outro clube alvirrubro, este de maior dimensão, e a subsequente transferência no início da época 1983/84.

Neno nem chegaria, no entanto, a 'aquecer o banco' do Benfica antes de regressar ao Barreiro, agora por empréstimo, para ali realizar mais uma época. A temporada seguinte veria o guardião ser novamente emprestado, desta feita ao Vitória de Setúbal, onde se voltou a impôr, realizando vinte e cinco partidas. Seria o último empréstimo da carreira do guardião, que, na época 1985/86, seria reintegrado no plantel das 'Águias', embora apenas como opção de banco ao titularíssimo Manuel Bento. Passar-se-iam assim duas temporadas, após as quais Neno decidiu dar novo rumo à sua carreira, e aceitar a proposta do Vitória de Guimarães.

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Com a camisola do Guimarães.

E o mínimo que se pode dizer é que essa foi uma opção acertada, já que – após uma primeira época com pouco espaço – Neno viria a tornar-se num 'histórico' dos alvinegros, cujas cores defenderia durante o resto da década de 80 e nos primeiros meses da de 90, sempre como titular. Esta boa fase da carreira valer-lhe-ia o 'regresso a casa' em inícios da temporada de 1990/91, desta vez como figura bastante mais destacada dentro do plantel, contestando a posição de primeira escolha para a baliza encarnada com Silvino, e sendo mesmo o titular indiscutível durante a época de 1993/94, que viu o Benfica sagrar-se campeão nacional.

Infelizmente para Neno, a chegada à Luz, em 1994, de outra figura incontornável da História das 'Águias', o lendário Michel Preud'Homme, viu o cabo-verdiano ser novamente relegado para uma posição secundária e de 'banco'. Face a este retrocesso na carreira, o guardião não hesitaria em fazer 'ouvidos moucos' ao provérbio popular e regressar ao lugar onde já fora feliz, voltando a assinar pelo Vitória de Guimarães no Verão de 1995, exactos cinco anos após ter deixado o Estádio D. Afonso Henriques. Seguir-se-iam mais duas épocas como titular indiscutível da baliza vimaranense antes de, já com idade avançada, o cabo-verdiano se ver forçado a aceitar nova posição como 'segunda escolha', a qual ocuparia durante as quatro últimas épocas da sua carreira – duas delas passadas na equipa de Veteranos do clube – antes de 'pendurar' oficialmente as chuteiras, já no Novo Milénio, aos trinta e nove anos de idade.

Esta seria, normalmente, a fase da carreira de um futebolista moderno em que o mesmo enveredaria por um cargo técnico, potencialmente num dos clubes 'do coração'; em inícios do Novo Milénio, no entanto, tal opção não era, ainda, tão comum, e como tal, Neno contentar-se-ia com uma vida pacata na zona da Polvoreira, em Guimarães, cidade que o conquistara a ponto de ali se estabelecer durante as duas últimas épocas da sua vida, até a doença o 'levar' prematuramente no Verão de 2021. Como legado, o luso-caboverdiano deixava duas décadas como um dos melhores e mais reconhecidos guarda-redes dos campeonatos nacionais da Primeira Divisão (tendo, inclusivamente, sido escalonado por nove vezes para defender as cores da Selecção Nacional, entre 1989 e 1996), e uma reputação como cantor que lhe valera, inclusivamente, a gravação de um álbum musical, em 1999. Que descanse em paz.

25.12.23

NOTA: Este post é respeitante a Domingo, 24 de Dezembro de 2023.

Aos Domingos, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos principais acontecimentos e personalidade do desporto da década.

Qualquer adepto português dos anos 80, 90 e 2000 tem 'na ponta da língua' o nome de uma série de jogadores históricos dos campeonatos da época, dos elementos da Geração de Ouro a ídolos mais modernos, como o já lendário Cristiano Ronaldo. Numa categoria logo abaixo da destes, menos 'universais' mas não menos conceituados, existe todo um outro lote de jogadores que chegam a ídolos dentro do seu próprio clube, sem nunca extravasarem por aí além esse patamar, do qual, em Portugal, fazem parte nomes como Aloísio, Iordanov ou Isaías, para citar apenas exemplos ligados aos três 'grandes'.

É, também, deste último grupo que faz parte o nome que hoje recordamos, que celebra neste dia 24 de Dezembro o seu sexagésimo-sexto aniversário e que, há exactos trinta anos, partia para os últimos seis meses de uma carreira que abrangeu mais de uma década e meia, quase sempre ao serviço de apenas dois emblemas. Falamos de António Santos Ferreira André, médio-defensivo vila-condense formado no Rio Ave mas que, entre finais da década de 70 e meados da de 90, se celebrizou ao serviço primeiro do 'vizinho' Varzim e, mais tarde, do Futebol Clube do Porto, onde foi esteio do meio-campo durante grande parte da sua carreira.

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De facto, à excepção dos três primeiros anos da carreira sénior (passados com as camisolas do Rio Ave e Ribeirão) António André foi 'homem de dois clubes', amealhando mais de cem jogos pelo Varzim entre finais da década de 70 e meados da seguinte antes de se transferir para os 'Dragões' do Norte, onde viria a passar as nove temporadas até ao final de carreira. Durante esse período, o médio viria a disputar mais de duzentos e setenta e cinco jogos pelo clube das Antas, e ganharia tudo o que havia para ganhar: sete títulos de Campeão Nacional da I Divisão (o último dos quais celebrado há exactas trinta épocas, no Verão de 1994), três Taças de Portugal, seis Supertaças e, em 1987, a 'tríplice' europeia, com uma Taça dos Campeões Europeus, uma Supertaça Europeia e uma Taça Intercontinental, feito apenas superado já no século e Milénio seguintes, quando o 'super-Porto' venceria a Taça UEFA e a Liga dos Campeões em anos consecutivos. Pelo meio, ficaria também a natural e expectável chamada à Selecção Nacional, pela qual alinhou no Mundial de 1986 - aquele que viria a ficar na História por um dos melhores golos de todos os tempos, da autoria de Diego Maradona.

Ao 'pendurar as botas' e transitar para a função de olheiro (do FC Porto, claro), António André podia, assim, gabar-se de uma carreira ilustre, da qual se retirava com estatuto de ídolo, senão para a geração 'Millennial', pelo menos para os adeptos da 'X' - e sobre a qual se encontrará, certamente, a reflectir nesta quadra natalícia em que também completa sessenta e seis anos, na companhia do filho, o também futebolista André André, notabilizado no Vitória de Guimarães. Parabéns, e que conte ainda muitos!

10.12.23

Aos Domingos, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos principais acontecimentos e personalidade do desporto da década.

A História da Selecção Nacional Portuguesa, bem como dos três 'grandes' do País, está repleta de nomes sonantes, instantaneamente reconhecíveis para qualquer adepto nacional, e muitas vezes, também para os de fora de Portugal; no entanto, por 'detrás' dessas 'mega-estrelas', existe todo um contigente de outros jogadores que, sem terem tido carreiras ao nível dos seus compatriotas mais ilustres, não deixaram ainda assim de ter impacto no futebol português, tanto a nível interno como internacional. Uma dessas figuras é o homem de quem falamos este Domingo, por ocasião do seu quinquagésimo-quarto aniversário: um avançado suficientemente talentoso para ser opção principal para a linha frontal de um 'grande', mas cuja restante carreira se desenvolveu (quase) exclusivamente como Cara (Des)conhecida. Falamos de Paulo Lourenço Martins Alves, ou simplesmente Paulo Alves, o 'homem do Norte' que se viria a destacar um pouco mais a Sul, em meados dos anos 90.

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Com a camisola do clube ao qual o seu nome ficaria mais ligado, o Gil Vicente. (Crédito da foto: LastSticker.com)

Natural de Vila Real, região na qual iniciou a sua formação, Paulo Alves chegava à idade sénior como mais um dos inúmeros jovens das escolas de um 'grande' (no caso, o Futebol Clube do Porto) sem espaço no plantel principal, e, como tal, forçado a procurar opções alternativas para a sua carreira. Para o jovem Paulo, a solução encontrada foi o ingresso no Gil Vicente, histórico da região Norte onde o avançado principiaria a explanar o seu talento, conseguindo afirmar-se primeiro como opção válida e, mais tarde, como primeira escolha no plantel dos gilistas. O início da década de 90 assistiria, assim, à melhor das três épocas de Alves em Barcelos, com dez golos obtidos em trinta e oito partidas – isto já depois de ter sido Campeão do Mundo de sub-20, em 1989, ao lado de vários jogadores que se viriam a tornar históricos na Selecção Nacional AA ao longo das duas décadas seguintes, como parte da famosa 'Geração de Ouro'.

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Com a malha das Quinas.

Apenas na época de 1991/92 se assistiria, pois, a nova 'mudança de ares' por parte de Paulo Alves, que transitaria para outro histórico nortenho, o Tirsense, onde passaria uma época, jogando ao lado de outro ex-formando do FC Porto quase exactamente dois anos mais velho, Agostinho Caetano, que celebrou também este fim-de-semana o seu quinquagésimo-sexto aniversário. Em Santo Tirso, Alves conseguiria oito golos em trinta e três jogos, sendo sempre opção principal, e impressionando o suficiente para conseguir, na época seguinte, a transferência para o Marítimo, onde passaria a época e meia seguintes.

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Ao serviço dos insulares do Marítimo. (Crédito da foto: Cromo dos Cromos)

Num ambiente marcadamente diferente daquele a que estava habituado, Alves não deixaria, ainda assim, de se afirmar como escolha recorrente na equipa, tendo as suas exibições justificado nova transferência, há quase exactos trinta anos, no defeso de Inverno da temporada 1993/94. O avançado regressava, pois, ao 'seu' norte, para representar o Braga, mas seria 'sol de pouca dura', tendo Alves almejado apenas quatro presenças pelos arsenalistas antes de regressar ao Marítimo, onde faria a melhor época da sua carreira até então, conseguindo dezassete golos em pouco mais de quarenta exibições, e afirmando-se como peça fulcral dos verderrubros insulares.

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No Sporting, o maior clube que representou na sua carreira sénior.

Seria, precisamente, a sua impressionante prestação ao longo da época 1994/95 que valeria a Paulo Alves o primeiro grande 'salto' da carreira, ao ser contratado pelo Sporting. As três épocas seguintes veriam, pois, o avançado alinhar com a 'listada' verde e branca (com excepção de um breve empréstimo ao West Ham, de Inglaterra, que assinalaria a primeira experiência internacional do jogador) quase sempre como opção principal, e conseguindo médias bastante razoáveis de golos, tornando-se assim um dos nomes mais lembrados do ataque leonino da década de 90. As suas boas prestações ao serviço dos 'Leões' suscitariam, também, a sua convocatória para os Jogos Olímpicos de Atlanta '96, bem como o interesse de novo clube internacional – no caso o Bastia, de França, para o qual Paulo Alves se transferiria no início da época 1998/99.

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Durante a aventura em França.

Tal como a primeira 'aventura' internacional do jogador, no entanto, também esta teria curta duração, tendo o avançado regressado a Portugal ainda antes da viragem do Milénio, agora para um patamar bastante mais modesto, ao serviço de outro histórico nacional, o União de Leiria, onde passaria as duas épocas seguintes; o final de carreira, esse, viria a dar-se no mesmo sítio onde a trajectória de Alves havia começado – em Barcelos, onde surgia em 2001/02, com o estatuto de 'veterano famoso', e onde continuaria a 'dar cartas' durante as quatro épocas seguintes, até ao pendurar das botas, no final da temporada 2004/2005, quando contava já trinta e cinco anos.

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Durante um jogo do União de Leiria.

Foi também sem surpresas que os adeptos gilistas viram o seu 'ídolo' enveredar pela carreira de treinador dentro do próprio clube, onde passaria duas épocas antes de regressar à sua 'casa' anterior, o União de Leiria. Seguir-se-ia uma passagem pelo Vizela e uma fugaz nomeação como Seleccionador Nacional sub-20, antes de Alves voltar a Barcelos, para mais quatro épocas - o último período de estabilidade naquela que se viria a tornar uma carreira 'papa-léguas', que veria Alves passar por todos os escalões do futebol nacional e treinar clubes no Irão e Arábia Saudita, além de regressar mais uma vez ao Gil Vicente, para meia temporada, em 2017/2018. O mais recente projecto de Alves foi, no entanto, o Moreirense, que orientou na campanha transacta, na Liga Sagres, provando ter tanta qualidade enquanto treinador como teve dentro das quatro linhas, como Cara (Des)conhecida ou nome algo mais digno de nota. Parabéns, e que conte muitos.

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Na função de treinador.

12.11.23

Aos Domingos, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos principais acontecimentos e personalidade do desporto da década.

O caso de um jogador dispensado ou enviado para 'rodar' por um dos 'grandes' portugueses e que acaba a brilhar noutro não é, de todo, nova ou inédita, continuando a verificar-se com assustadora regularidade até aos dias de hoje. Nomes hoje tão famosos como Deco, Miguel Veloso ou Silvestre Varela foram, a dado ponto, considerados insuficientes para as ambições dos três principais clubes nacionais, aos quais viriam, mais tarde, a dar 'chapadas de luva branca'; o mesmo se passaria, também, com o jogador cuja carreira recordamos neste post, um dia depois de ter completado quarenta e seis anos. Falamos de Nuno Ricardo Oliveira Ribeiro, o médio lisboeta que atingiria fama internacional como esteio da equipa 'conquistadora' do Futebol Clube do Porto e da Selecção Nacional da fase pós-Geração de Ouro, sob a alcunha de Maniche.

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Maniche na Selecção.

Formado, juntamente com o irmão mais novo (e menos famoso), Jorge Ribeiro, nas escolas do Benfica, Maniche demonstrou talento suficiente para merecer a estreia pela equipa principal das Águias ainda com idade de júnior de primeiro ano, em Setembro de 1995, tendo sido lançado em dois jogos pelo treinador Mário Wilson. Apesar do sonho tornado realidade, no entanto, Maniche não mais voltaria a figurar pelos encarnados nessa época, tendo, no defeso seguinte, sido cedido ao Alverca, clube-satélite do Benfica, para o qual eram, à época, enviados as principais promessas dos 'encarnados'; seria ali, e novamente sob o comando de Wilson, que o médio viria, verdadeiramente, a estabelecer-se como valor seguro do futebol português.

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Um jovem Maniche com a camisola do Alverca.

Nas três épocas que passou no emblema ribatejano (duas na II Liga e uma no escalão principal), sempre como figura importante da equipa - ainda que sem ser titular indiscutível – Maniche destacou-se o suficiente para obter a primeira experiência internacional, ao serviço dos sub-21 portugueses, e tornou-se um jogador mais maduro e completo, pronto a agarrar a oportunidade na equipa principal das 'águias', à qual o médio regressava quatro anos após a sua fugaz estreia.

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No regresso à Luz

Apesar de ter sido presença frequente no 'onze' ao longo das duas épocas seguintes, no entanto, Maniche não conseguia, ainda assim, garantir a titularidade indiscutível, tendo mesmo sido 'despromovido' à equipa B durante os seus últimos meses no clube, em 2002. Ainda assim, foi com considerável surpresa que os adeptos benfiquistas viram aquele que parecia um valor seguro da sua formação assinar por um eterno 'rival' logo no Verão seguinte, com Maniche a trocar uma capital por outra, e a rumar ao Norte, para representar o Futebol Clube do Porto, então treinado por outro ex-Benfica, José Mourinho. E a verdade é que, juntos, ambos os homens viriam a demonstrar o enorme erro das 'águias' em os dispensar, ganhando tudo o que havia para ganhar, tanto a nível interno como Europeu, ao longo das três épocas seguintes; em todas elas, Maniche figuraria como um dos pilares do meio-campo portista, normalmente ao lado de Costinha, com quem também formava, à época, a dupla de 'pivots' da Selecção Nacional portuguesa.

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Com a camisola que o celebrizou.

Desse ponto em diante, a carreira do médio é sobejamente conhecida: as boas exibições na 'montra' da Europa suscitam o interesse dos principais 'tubarões' europeus, e Maniche não tarda a dar o 'salto' para o estrangeiro, assinando contrato com o Dínamo de Moscovo no início da época 2005/2006, juntamente com os colegas de equipas Seitaridis e (inevitavelmente) Costinha, e já depois de Derlei ali ter rumado no defeso de Inverno anterior.

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Maniche participa no 'derby' de Moscovo.

A experiência russa não seria, no entanto, agradável para nenhum dos jogadores em causa, e passar-se-iam menos de seis meses até Maniche 'mudar de ares' e rumar a Londres, para representar, por empréstimo, o Chelsea, então em plena fase hegemónica; num meio-campo recheado de talento, no entanto, o médio teria oportunidade limitada para se mostrar, não sendo as apenas onze presenças que efectuou, sequer, suficientes para Maniche adicionar o título de campeão inglês ao seu palmarés.

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O médio com a camisola do Chelsea.

Ainda assim, nem tudo seria mau naquela temporada de 2005/2006, tendo Maniche conseguido, já no mercado de Verão, assegurar uma transferência que lhe permitiria relançar a sua carreira, no caso para o Atlético de Madrid, onde passaria duas épocas e meia, apenas interrompidas por um breve empréstimo ao Inter de Milão, em 2008, e onde voltaria a reencontrar o eterno parceiro de meio-campo, Costinha.

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No Atlético, clube onde relançaria a carreira.

Ali, e após o 'desastre' da época anterior, a dupla teria a oportunidade de voltar a mostrar toda a sua classe e de se afirmar como esteio da equipa – pelo menos até Maniche se desentender, primeiro, com o treinador Javier Aguirre (o que motivou o empréstimo ao Inter) e, mais tarde, com o seu substituto, Abel Resino. Assim, pouco menos de dois meses antes de o seu contrato com os 'Colchoneros' expirar – e tendo já rejeitado nova oferta – o médio era oficialmente dispensado pelo clube madrileno, terminando a época novamente desempregado.

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Durante a breve passagem pelo Inter, em 2008

Para um jogador da sua classe, no entanto, nunca seria excessivamente complicado encontrar nova colocação, e a época seguinte vê Maniche ingressar na sua terceira grande liga europeia, ao assinar pelos alemães do Colónia, onde militava o ex-colega do Benfica, Petit. A época subsequente correria de feição ao médio,que se afirmaria como figura importante da equipa, pelo que foi com alguma surpresa que os adeptos alemães viram Maniche sair, após apenas uma época, para regressar à sua cidade-natal, embora, agora, do 'outro lado' da via rápida que o vira nascer para o futebol, e com uma camisola listada de verde e branco.

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Maniche no Colónia.

Sim, seria mesmo o Sporting a ter a honra de acolher o fim de carreira de Maniche, e apenas dezassete presenças foram suficientes para inscrever o jogador no limitado lote de jogadores a representar todos os três 'grandes' portugueses, ao lado de Romeu, Eurico Gomes, Carlos Alhinho, Paulo Futre, Fernando Mendes, Emílio Peixe e do ex-colega portista Derlei - apenas mais uma marca bonita numa carreira que terminava como começara – com Maniche como opção de 'rotação' num 'grande' português – mas que, pelo meio, vira o médio atingir as mais altas glórias nacionais, europeias e até internacionais.

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Ao serviço do Sporting, na última época como profissional.

Ao contrário de muitos dos nomes que aqui abordamos, Maniche não enveredou, após o final da carreira, por uma carreira técnica; apesar de ter chegado a ser treinador-adjunto de Paços de Ferreira e Académica, o ex-internacional português encontra-se, desde 2016, totalmente afastado do Mundo do futebol, preferindo ser lembrado pelas suas contribuições dentro de campo; e a verdade é que as mesmas mais do que justificam esta homenagem retrospectiva, no fim-de-semana em que completa quarenta e seis anos de idade. Parabéns, Maniche, e que contes ainda muitos!

23.10.23

NOTA: Este post é respeitante a Domingo, 22 de Outubro de 2023.

NOTA: Por motivos de relevância temporal, este Domingo será Desportivo; regressaremos aos Domingos Divertidos na próxima semana.

Aos Domingos, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos principais acontecimentos e personalidade do desporto da década.

O que determina a carreira de um desportista profissional? Esta é, certamente, a pergunta que se colocam muitos fãs dos mais diversos desportos ao verem um atleta com todos os atributos técnicos e mentais para ser 'gigante' notabilizar-se apenas num clube de menores dimensões, sem nunca conseguir dar o 'salto' para um patamar superior, ou, dando-o, 'estatelar-se' ao comprido, nunca passando de 'arraia miúda' entre outros desportistas ao seu nível. É inegável que a sorte tem papel determinante nesta trajectória, quase tanto como atributos como a ética, brio profissional e dedicação – e um dos melhores exemplos disso mesmo é o atleta de que falamos neste post, no dia exacto em que completaria sessenta anos de vida, não fosse a doença prolongada que o vitimou prematuramente ainda antes dos cinquenta anos de idade, em 2012.

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O jogador com a 'sua' camisola.

Falamos de Rashidi Yekini, um dos mais famosos e ilustres 'Grandes dos Pequenos' de sempre do futebol português, e que quase redifine o conceito deste termo, tal como o definimos nos primórdios deste 'post'. Isto porque, apesar de os seus anos áureos terem sido passados ao serviço de um emblema fora da esfera dos 'três grandes', o jogador foi condecorado, durante esse mesmo período, não só com a Bota de Ouro para o então Campeonato Nacional da Primeira Divisão como também com o título de maior goleador de sempre pela Selecção do seu país, a Nigéria, na qual era presença frequente ao lado de nomes como Jay Jay Okocha, Finidi George, Daniel Amokachi, Victor Ikpeba, e os também 'portugueses' Emmanuel Amunike e Peter Rufai, este último outro 'Grande dos Pequenos' que aqui terá, em breve, o seu espaço; coube-lhe, aliás, a honra de marcar o primeiro golo de sempre do seu país numa competição internacional sénior, ao abrir o marcador na vitória por 3-0 frente à Bulgária no Mundial de 1994, momento que também rendeu uma das imagens icónicas do torneio. Para além deste feito histórico, Yekini fez parte da equipa Olímpica da Nigéria para os Jogos Olímpicos de Seoul, em 1988, teve papel determinante na conquista da Taça das Nações Africanas desse mesmo ano (onde foi o melhor marcador), e voltaria a marcar presença, há pouco mais de vinte e cinco anos, no histórico França '98, já com quase três décadas e meia de vida, mas ainda com o pé bem 'afiado'.

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A imagem que correu Mundo em 1994.

Como, portanto, é que um jogador destes tem como ponto alto da carreira as quatro épocas em que se tornou ídolo sadino? Especialmente tendo em conta que, durante esse período, Yekini fez pleno uso do seu principal atributo – o 'faro' de golo - marcando mais de noventa tentos em cerca de cento e quinze jogos e superiorizando-se a qualquer dos avançados dos 'grandes' na época iniciada há exactos trinta anos, em que conquistaria o título de melhor marcador, com vinte e um golos – isto já depois de, na época anterior, ter ultrapassado a bitola de um golo por jogo, marcando trinta e quatro em trinta e duas partidas (!) numa temporada que veria o Vitória FC regressar ao principal escalão do futebol profissional luso. Qualquer jogador com este tipo de trajectória meteórica (mesmo tendo já vinte e sete anos) teria, normalmente, bilhete 'carimbado' para um dos 'grandes' nacionais, senão mesmo europeus

É, no entanto, precisamente neste ponto da carreira de Yekini que a sorte entra em jogo. Isto porque o avançado almejou, sim, dar esse 'salto' - não para um 'grande' nacional, mas directamente para o estrangeiro - mas o mesmo não lhe correu, de todo, de feição. Incompatibilidades com os colegas de equipa nos gregos do Olimpiacos encurtaram a estadia do nigeriano no clube helvético (onde, mesmo assim, conseguiu uma média de quase um golo por cada parte de futebol jogada, marcando seis em apenas quatro partidas!) e a época seguinte, apesar de passada num dos maiores campeonatos do Mundo (a La Liga) viu o atleta disputar apenas catorze partidas, e conseguir uns parcos três golos, em dezoito meses ao serviço do Sporting de Gijón – de longe a pior marca da carreira do avançado até então.

1336244637_extras_mosaico_noticia_1_g_0.jpgYekini no Gijón

Tudo 'chamava' Yekini para 'casa' – e foi, precisamente, para lá que o nigeriano regressou, 'saltando' a fronteira e ainda chegando a tempo de fazer, em seis meses, números semelhantes aos que conseguira em Espanha no ano e meio anterior. Era, no entanto, óbvio que o avançado já não era o mesmo (a idade também pesava...) e a segunda passagem de Yekini pelo Setúbal saldou-se em apenas seis meses, findos os quais o nigeriano rumou à Suíça, para, ao fim de quatro longos e agonizantes anos, fazer finalmente uma temporada ao seu nível, obtendo uma média de um golo a cada dois jogos ao serviço do Zurique – catorze em vinte e oito partidas.

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No Zurique, o jogador gozou de um 'segundo fôlego' na carreira.

A carreira do goleador parecia, assim, gozar de um segundo fôlego, apesar da provecta idade (pelo menos em termos futebolísticos), mas foi sol de pouca dura. Os anos seguintes viram o avançado 'saltar' de emblema inexpressivo em emblema inexpressivo, até um novo regresso (no caso ao Africa Sports, 'gigante' africano onde um jovem Yekini se notabilizara) lhe permitir explanar de novo a veia goleadora, marcando mais de cento e dez golos em cento e trinta partidas entre 1999 e 2002.

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Yekini voltaria, em final de carreira, ao clube onde primeiro se revelara.

A carreira, no entanto, não foi terminada nessa segunda 'casa', nem na portuguesa, mas sim no Julius Berger, do seu país natal, onde ainda foi a tempo de contribuir com dez golos nas trinta partidas em que participou – isto, claro, se não contarmos com a temporada que realizou ao serviço do também nigeriano Gateway, aos quarenta e um anos (!), marcando sete golos em vinte e cinco partidas na temporada de 2005. Sete anos depois, problemas de saúde física e mental vitimavam o homem que, mais de uma década após a sua morte e três depois do seu período áureo, naquele que seria o dia do seu sexagésimo aniversário, continua a ser lembrado como o maior goleador de sempre do seu país, ídolo eterno do Estádio do Bonfim, e exemplo 'acabado' tanto de 'Grande dos Pequenos' como de jogador que merecia mais do que conseguiu na sua carreira. Que descanse em paz.

 

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