Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

01.03.26

Aos Domingos, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos principais acontecimentos desportivos da década.

images.jfif

Calado ao serviço da Selecção Nacional.

De entre os muitos nomes icónicos dos campeonatos nacionais de futebol. José António Calado é um dos mais icónicos, ainda que nem sempre pelas melhores razões. De facto, o antigo médio, hoje comentador desportivo num dos canais da televisão nacional, chegou a ser tão conhecido entre os adeptos nacionais (incluindo os do seu próprio clube) pelas suas proezas futebolísticas como pelo estatuto 'memético', décadas antes de esse termo existir. Isto porque, ali por meados dos anos 90, corria o rumor de que Calado estaria romanticamente envolvido com um dos membros da 'boy band' nacional Excesso, levando a que o internacional português ficasse, durante um largo período de tempo, intimamente associado à música 'Coração de Melão', grande êxito do disco a solo do referido cantor...

'Piadolas' à parte, no entanto, é inegável que Calado foi um dos muitos bons jogadores de que o Benfica dispõs no seu plantel na segunda metade dos anos 90, bem como nome habitual na lista de internacionais AA de 'segunda linha' durante o mesmo período. O que esses feitos – e a posterior carreira internacional – poderão fazer esquecer, no entanto, é que os inícios de carreira do médio foram bastante mais modestos, tendo passado por dois clubes históricos dos arredores de Lisboa.

download.jfif

De penteado 'a rigor', ao serviço do Amadora.

De facto, após uma formação irmamente dividida entre Belenenses e Casa Pia, seria ao serviço deste último emblema (então ainda longe do estatuto de que actualmente goza) que Calado faria a sua estreia oficial, com apenas dezasseis anos, na época 1991/92. O seu espaço no plantel dos 'Gansos' dessa temporada seria, no entanto, praticamente inexistente, motivando uma mudança para alguns quilómetros mais à frente no Eixo Norte-Sul, para representar o Estrela da Amadora, surpreendente 'viveiro' de talentos futebolísticos ao longo das décadas. E a verdade é que essa decisão rapidamente se revelou acertada, já que seria na Reboleira que a carreira de Calado verdadeiramente 'engrenaria' – após um início tímido, com apenas sete presenças na temporada 1992/93, o médio agarraria um lugar no meio-campo tricolor, participando em mais de duas dezenas de partidas ao longo das duas épocas seguintes. Uma marca que, sem indicar um titular habitual, seria ainda assim suficiente para (em conjunto com exibições de consistente qualidade) despertar a atenção de um 'grande', e permitir a Calado dar o salto para o clube que o notabilizaria no seio do futebol português noventista.

jos-calado-1f62ea33-70ca-4bc3-973c-6b1b69293c8-res

Com a camisola que o notabilizou.

No total, foram seis as épocas passadas pelo número 8 no Estádio da Luz, sempre com estatuto de opção regular (nunca realizou menos de vinte jogos numa só época, chegando mesmo a contabilizar trinta e sete na primeira época de Graeme Souness à frente do Benfica) e com exibições que, sem deslumbrar, se pautavam pela regularidade pedida a um 'número oito' de uma grande equipa de futebol. Não é, pois, de admirar que Calado tenha ganho o estatuto de 'favorito' entre os adeptos benfiquistas, nem que os dos restantes clubes lhe dedicassem sátiras como a mencionada no início deste texto.

Tão-pouco é surpreendente que, já como titular indiscutível do seu clube e com várias internacionalizações no currículo (tendo feito inclusivamente parte da equipa Olímpica de Portugal na prova de 1996) Calado viesse a dar o segundo 'salto' desejável na carreira de qualquer futebolista, mudando-se, aos vinte e sete anos, para Espanha, para representar o Bétis. Infelizmente, como muitas vezes sucede a futebolistas nestas situações, a mudança não correu de feição ao médio, que foi pouco utilizado pelo clube de Sevilha e se viu, eventualmente, emprestado ao Poli Deportivo Ejido, das divisões secundárias – transferência que se viria a tornar permanente no fim da época 2003/2004. O passo seguinte, após três épocas como indiscutível do clube espanhol, foi igualmente previsível – a mudança para Chipre, para desfrutar da 'reforma dourada' ao serviço de APOP e Paphos, clube onde viria a pendurar as botas, aos trinta e seis anos de idade.

images (1).jfifdownload (1).jfif

Durante os anos em Espanha

Finda a carreira, Calado não optou pela via técnica seguida por tantos dos seus colegas, tornando-se, em vez disso, comentador de televisão, qualidade na qual ainda hoje surge nos televisores nacionais. Uma ocupação digna para o pós-carreira de um rapaz que foi da Segunda Circular a Espanha e Chipre, sem nunca deslumbrar, mas apresentando sempre uma consistência invejável, que o ajudou a tornar-se num dos bons médios dos campeonatos nacionais de finais do século XX, plenamente merecedor desta homenagem que lhe dedicamos por ocasião do seu quinquagésimo-segundo aniversário. Parabéns, Calado, e que conte ainda muitos.

15.02.26

Aos Domingos, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos principais acontecimentos desportivos da década.

No presente momento sócio-cultural internacional, o grande tópico de debate e interesse a nível desportivo são as Olimpíadas de Inverno; e, embora os desportos na neve e no gelo não sejam uma área em que Portugal tenha grande tradição ou expressão (por razões óbvias), a verdade é que o nosso País não tem deixado, ao longo dos anos, de enviar atletas a esta competição, os quais, apesar de nunca favoritos e ainda menos medalhados, não deixam, ainda assim, de ter tido o privilégio de representar Portugal a nível olímpico, sendo por isso merecedores de destaque. Os anos 90 não foram excepção a esta regra, tendo dois dos três eventos realizados nessa década contado com participação portuguesa, por muito discreta e nominal que a mesma tenha sido.

625134502_18439773226107678_6346724297997762060_n.

De facto, após falharem por completo a presença na Olimpíada de 1992, Portugal lograva pela primeira vez enviar um representante à prova no ano de 1994 – Georges Mendes, que competia na categoria de esqui alpino e que viajava sozinho para a Noruega. Já quatro anos depois, no Japão, o número de atletas nacionais via-se duplicado, com representantes de ambos os sexos – a também porta-bandeira Mafalda Pereira (primeira mulher portuguesa a participar na prova) no esqui 'freestyle' e Fausto Marreiros na patinagem de fundo, modalidade em que a holandesa Jutta Leerdam acaba de estabelecer novo recorde, poucos dias antes da publicação deste 'post'.

Nenhum dos dois atletas se classificaria na respectiva prova, com Mafalda a terminar fora dos vinte primeiros (tendo, ainda assim, logrado a melhor classificação de sempre para o nosso País numa Olimpíada de Inverno, conforme se pode ler na imagem que ilustra este 'post'), e Fausto a nem sequer almejar entrar nos trinta melhores .Ainda assim, e conforme acima referimos, a mera possibilidade de representar o País a nível Olímpico (por muito pouca que tenha sido a glória) é, por si só, suficiente para colocar estes dois atletas (e Georges Mendes antes deles) no panteão de grandes nomes do desporto português, tendo os mesmos superado o 'ponto máximo' a que chegam a maioria dos desportistas, e estabelecido um precedente para Portugal no tocante a participações nas Olimpíadas de Inverno; razão mais que suficiente para merecerem ser recordados ao lado de outros olimpianos nacionais, e para lhes dedicarmos estas breves linhas, por ocasião de mais uma edição do certame que os notabilizou.

01.02.26

Aos Domingos, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos principais acontecimentos desportivos da década.

Muito mais do que nos clubes ditos 'grandes', os muitos 'pequenos' históricos dos campeonatos portugueses vêem ingressar nas suas fileiras jogadores que verdadeiramente 'sentem' a camisola, e para os quais o compromisso a longo prazo e baseado na paixão se sobrepõe a qualquer consideração contratual ou salarial – ou não fosse essa a premissa desta rubrica. Mais raros, no entanto, são os nomes que conseguem apresentar tal vínculo em não apenas um, mas múltiplos clubes, como logrou o nome a quem dedicamos as próximas linhas, no dia do seu sexagésimo aniversário.

31639_20200904110117_armando_santos.jpg

De facto, antes de ser 'esteio' da defensiva central do Grupo Desportivo Feirense durante grande parte da década de 90 (ao lado do ainda mais histórico Pedro Miguel), Armando Gomes dos Santos fora já parte importante dos plantéis dos Dragões Sandinenses a partir de meados da década de 80, altura em que era promovido ao plantel principal, após ter feito toda a sua formação no clube; seria, aliás, ainda ao serviço da agremiação das Distritais portuguesas que o central veria 'entrar' a década de 90, tendo a primeira transferência da sua carreira sénior tido lugar apenas no defeso de Verão da década de 1990/91, quando se transferia para a Sanjoanense, naquela que seria a única época menos bem conseguida da sua carreira, com apenas dois jogos disputados ao longo da temporada. Foi, pois, sem surpresas que o Verão seguinte viu o futebolista 'mudar de ares', rumando à equipa que, sem que ninguém ainda o soubesse, se tornaria sinónima com o seu nome.

De facto, em Santa Maria da Feira, Armando viria a 'pegar de estaca', nunca realizando menos de trinta jogos por época ao longo das sete que passou no clube azul e branco, com o qual viveria 'altos e baixos', transitando entre a então chamada II Divisão de Honra (hoje Liga 2) e a II Divisão B (hoje Liga 3) mas nunca 'virando o bico ao prego' ou procurando novas paragens, preferindo, ao invés, tornar-se 'Grande dos Pequenos' daquele emblema, tal como o fôra em Sandim durante grande parte da década anterior. O defesa só voltaria, pois, a efectivar uma transferência após a segunda despromoção dos homens da Feira à II Divisão B, no final da época 1997/98, quando já contava trinta e três anos, mudando-se para a Vila das Aves para representar, durante uma época e meia, o Desportivo local.

A sua importância no seio da nova equipa e as boas exibições que continuava a carimbar garantiram-lhe, no primeiro defeso da década de 2000, nova transferência, desta feita para o Freamunde, onde passaria o período mais curto da sua carreira – apenas seis meses que, ainda assim, o viram alinhar quase duas dezenas de vezes com a camisola do clube, e abriram caminho a nova 'aventura', desta feita na Ovarense, onde voltou a ser opção quase indiscutível durante mais duas épocas, antes de regressar às suas duas 'casas', ingressando primeiro no Feirense (para a época 2002/2003) e depois no emblema que o vira despontar para o futebol sénior, e onde terminaria carreira, aos trinta e oito anos, no final da época 2003/2004. E quem observou atentamente o 'padrão' da carreira do agora ex-central certamente não ficará surpreendido pelo facto de o mesmo ter escolhido, precisamente, os Dragões Sandinenses como plataforma para embarcar na carreira de treinador, a qual seguiu durante três épocas, antes de se afastar definitivamente do mundo do futebol.

Hoje, aos sessenta anos, o antigo defesa pode 'olhar para trás' e orgulhar-se de uma carreira que, embora passada longe das 'luzes da ribalta' e a um nível mais modesto (sem sequer o habitual 'salto' para um clube de meio da tabela da I Divisão nacional, empreendido por tantos dos seus contemporâneos), demonstra ainda assim um nível de lealdade e amor à camisola cada vez menos comuns entre os futebolistas modernos. Parabéns, e que conte ainda muitos.

18.01.26

Aos Domingos, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos principais acontecimentos desportivos da década.

Para qualquer apreciador do futebol português e internacional de inícios do século XXI, Paulo Renato Rebocho Ferreira (que não deve ser confundido com o seu homónimo e 'Grande dos Pequenos' do Estrela da Amadora durante o mesmo período) será tudo menos uma Cara (Des)conhecida – antes pelo contrário, qualquer adepto da época será capaz de identificar o jogador como o lateral direito titularíssimo do 'Super-Porto' de José Mourinho, do Chelsea do mesmo Mourinho, e ainda da Selecção Nacional pós-Geração de Ouro de grande parte da década de 2000 (onde, curiosamente, se revezou com o jogador que homenageamos na última edição do Domingo Desportivo, e em relação ao qual tem quase exactamente um ano de diferença). O que poucos saberão é que, antes de ganhar tudo o que havia para ganhar a nível doméstico e internacional, e de inscrever o seu nome na lista de futebolistas históricos portugueses, o lateral-direito havia já sido figura de proa de dois históricos dos campeonatos profissionais lusitanos.

Na Selecção Sub-21.

O primeiro destes, onde o lateral oriundo de Cascais despontaria para o futebol sénior, era o Estoril Praia, então na antiga Segunda Divisão de Honra, onde Paulo Ferreira completaria a sua formação (após passagens por Alcabideche e Cascais), e em cuja equipa principal seria integrado para a época de 1998/99, quando contava 18 para 19 anos. Como a maioria das promessas nesta situação, no entanto, o jovem Paulo viu-se sem espaço, acabando por realizar apenas uma partida nessa primeira época; a diferença é que os 'canarinhos' não abdicariam do promissor jovem, que, nas duas épocas seguintes, viria a ter papel consideravelmente mais proeminente no seio da equipa (curiosamente, a médio-centro) e realizando quinze jogos na última época do século XX, e vinte e cinco na primeira do Terceiro Milénio. À entrada para o segundo ano do século XXI, o lateral já era, pois, um jogador completo, presença assídua na Selecção Nacional sub-21, e clara promessa de futuro – tanto assim que nem a chamada para o serviço militar obrigatório conseguiria travar a sua ascensão.

Ao serviço do Vitória de Setúbal.

O 'salto', no entanto, far-se-ia ainda esperar, sendo a próxima transferência de Ferreira – precisamente no final dessa época de 2000/2001 – para outro clube da 'Segundona', o ainda mais histórico Vitória de Setúbal, onde o jogador 'pegaria de estaca' quase de imediato sob o comando de Jorge Jesus, ganhando a titularidade na direita da defesa (ainda que por necessidade, já que fora contratado para jogar ao ataque, e no outro flanco!) e realizando a quase totalidade dos jogos nas duas épocas que passou no Bonfim, e tendo inclusivamente papel fulcral na subida dos sadinos à Primeira Liga, na sua segunda e última época.

E, desta vez, o momento do 'salto' chegaria mesmo para o lateral-direito, o qual, aos vinte e três anos, se via integrado no plantel de um dos 'grandes' nacionais (após acordo falhado com outro, no caso o Sporting de Lazlo Boloni, recém-sagrado Campeão Nacional pela segunda vez em três anos), ao qual o seu nome ficaria indelevelmente ligado, pelas razões já elencadas acima: em apenas duas épocas (e com menos jogos realizados do que ao serviço do Vitória de Setúbal) Ferreira 'roubaria' o lugar ao experiente Secretário e ajudaria os 'Dragões' a vencer dois campeonatos nacionais, uma Taça de Portugal, uma Supertaça e – mais relevantemente – uma Taça UEFA e uma Liga dos Campeões, feito inédito para uma equipa portuguesa desde a implementação do formato moderno da prova, e que colocou todos os jogadores daquele super-plantel portista no 'radar' dos grandes tubarões internacionais.

E seria mesmo um desses tubarões o próximo destino de Paulo Ferreira, que – pela mão de Mourinho, e juntamente com vários colegas de equipa no Porto – rumaria ao Chelsea, onde se tornaria pedra basilar da equipa durante as oito épocas seguintes, e onde viria a reencontrar Luiz Felipe Scolari, seu ex-técnico na Selecção. Tão marcante seria a sua contribuição para os 'Blues', aliás, que, após a 'reforma' no final da época 2012/2013, Ferreira ficaria ligado aos quadros do clube durante quase mais uma década, primeiro na qualidade de 'olheiro' e, mais tarde, de treinador-adjunto, cargo que viria posteriormente a desempenhar também no Lille, Milão e Lyon, onde actualmente exerce funções. Uma trajectória de sonho para um jovem que, enquanto Cara (Des)conhecida adolescente no banco do icónico Estádio António Coimbra da Mota, certamente apenas poderia sonhar vir a ser aquilo em que se tornou – uma das grandes referências do futebol português moderno, bem merecedor de homenagem no dia em que completa quarenta e sete anos. Parabéns, e que conte anda muitos.

04.01.26

Aos Domingos, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos principais acontecimentos desportivos da década.

68_miguel_20241016175925.jpg

Para qualquer adepto do futebol nacional da primeira década do século XXI, o nome de Miguel Monteiro (ou simplesmente Miguel) será sobejamente conhecido. Esteio da ala defensiva direita de Benfica, Valência e de uma Selecção Portuguesa em transição entre a Geração de Ouro e a 'era Cristiano Ronaldo', o 'baixote' mas rápido e aguerrido lateral pode não ter chegado ao nível máximo do futebol mundial e internacional, mas gozou de uma carreira suficientemente ilustre para ser nome sobejamente conhecido e indissociável dessa era do futebol nacional. O que poucos dos seus futuros admiradores talvez soubessem, no entanto, é que, pouco tempo antes, Miguel havia sido apenas mais uma promissora Cara (Des)conhecida ao serviço de um histórico do futebol nacional, no caso o clube da zona onde nascera e crescera.

images.jpeg

Ao serviço do Benfica...

De facto, seria ao serviço do Estrela da Amadora que o ex-iniciado do Sporting - dispensado por ser demasiado franzino, e que passara por quatro outros clubes até à idade de sénior - e futuro titular indiscutível de Benfica e Valência desponta, na última época futebolística do século XX. E a verdade é que o descendente de guineenses e cabo-verdianos, então recém-consagrado campeão europeu de sub-18, não tardaria a impressionar, e a 'cavar' um lugar para si mesmo na ala direita dos amadorenses - embora numa posição mais recuada do que aquela em que iniciara a formação, no caso a lateral, por oposição a extremo. No total, seriam mais de três dezenas os jogos de Luís Miguel Brito Garcia Monteiro com a camisola tricolor, numa época suficientemente bem-sucedida para despertar o interesse e a cobiça do Benfica, que permitiria ao lateral dar o inevitável 'salto', no primeiro defeso de Verão do século XXI.

images (1).jpeg

...e do Valência.

Do resto, reza a História (bem como o primeiro parágrafo deste texto) - uma carreira repleta de títulos (em Portugal, ganhou 'tudo' pelo Benfica, e amealhou ainda uma Taça do Rei espanhola, além de ter perdido 'em casa' o Euro 2004, na infame final frente à Grécia) que o tornam bem merecedor da presente recordação do seu início de carreira, no dia em que completa quarenta e cinco anos de idade. Parabéns, e que conte muitos.

22.12.25

NOTA: Este 'post' é respeitante a Domingo, 21 de Dezembro de 2025.

Aos Domingos, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos principais acontecimentos desportivos da década.

Apesar de jogadores gémeos não serem, de todo, um conceito desconhecido no futebol moderno, os mesmos tendem, grosso modo, a seguir percursos semelhantes em termos de expressividade, muitas vezes militando, inclusivamente, no mesmo clube ao mesmo tempo. Não é, no entanto, esse o caso de um dos dois jogadores que focamos esta semana, 'metade' de um par de gémeos futebolistas que completaram cinquenta e seis anos naquela que teria sido a data de publicação deste 'post', e que, apesar de terem ambos chegado a ter estatuto de 'Grandes dos 'Pequenos'' em emblemas históricos do futebol nacional, tiveram carreiras, de outro modo, bastante distintas. De facto, enquanto Jorge Neves fez o habitual 'périplo' pelas divisões inferiores até se estabelecer no Beira-Mar, onde passou sete épocas, já o irmão, Rui, dedicou dezassete dos seus dezoito anos como futebolista (e catorze dos quinze que passou como profissional) ao serviço de um clube então com presença constante nos campeonatos profissionais lusitanos, e onde assumiu contornos de figura mítica entre os adeptos.

                                             374582__20161205131708_rui_neves.jpgC__pia de Imagem.jpg

Os dois irmãos, com as camisolas com que se notabillizaram.

De facto, apesar de ter começado o percurso futebolístico no modesto Juventude Operária de Monte Abraão, Rui Miguel Leal das Neves ver-se-ia ligado ao Estrela da Amadora logo a partir dos seus dezasseis anos, quando ele e Jorge ingressavam na equipa de Juvenis. Três anos depois - no dealbar da década de 90 - chega a profissionalização, já com estatuto de figura de proa na equipa de Juniores, o que lhe permite uma transição para o plantel sénior mais célere que o habitual; de facto, Rui rapidamente se estabelece como elemento importante da equipa amadorense, apesar da tenra idade, participando em mais de duas dezenas de jogos logo nessa primeira época, e partilhando o relvado e balneários com nomes como Paulo Bento ou Dimas.

As temporadas seguintes apenas cimentariam o lugar de Neves na equipa, com o jogador a consolidar o lugar na linha defensiva, muito graças à capacidade de jogar em qualquer das duas alas, bem como à identificação com o próprio clube. Durante esse período, participaria na histórica edição da Taça de Portugal que veria os tricolores erguer o único troféu da sua história, em 1989-90 - e em virtude da qual se estrearia nas competições europeias, ainda antes de completar vinte e um anos - veria o seu clube descer de divisão uma época depois e voltar a subir na seguinte, e conseguiria as primeiras internacionalizações, ao serviço da equipa de sub-21. Por comparação, na mesma altura, o 'mano' Jorge representaria emblemas menores, como Marinhense, Fafe e Fanhões.

No Verão de 1993, dá-se o inusitado - após uma época em que apenas participara de oito partidas, Rui Neves deixa o Estrela da Amadora para rumar ao Gil Vicente. E apesar de a temporada única ao serviço dos gilistas ter sido bem sucedida, tendo Neves participado em quase todas as partidas do clube nesse campeonato (ou talvez por essa razão) a 'casa-mãe' não tardaria a chamar de volta o 'filho pródigo', para não mais o deixar partir - no total, seriam mais dez as épocas de Rui Neves na Reboleira, sempre como peça-chave do plantel, do qual apenas se desvincularia ao 'pendurar as botas', aos já trinta e quatro anos, em finais da época de 2003/2004, quando contava já com o estatuto de 'lenda' do clube. Pelo meio, ficavam as memórias de um sétimo lugar, uma despromoção, e um histórico golo que garantiria a permanência dos amadorenses na antiga Primeira Divisão, logo no primeiro ano após o seu regresso - apenas alguns dos momentos que fariam desta 'metade' dos gémeos Neves a verdadeira definição de um 'Grande dos 'Pequenos''.

Ao mesmo tempo, um pouco mais a Norte, o irmão gémeo fazia também por merecer esta designação (embora em menor escala) encontrando finalmente uma 'casa' em Aveiro, onde passaria sete épocas e disputaria mais de cento e sessenta jogos e onde, curiosamente, venceria exactamente o mesmo troféu do que o irmão, em circunstâncias muito semelhantes - nomeadamente, numa final entre dois 'históricos' de menor dimensão, que o seu clube acabaria por vencer (no caso, a de 1998-99) e que lhe permitiria a estreia, ainda que fugaz, nas competições europeias.

Para Jorge, no entanto, a 'caminhada' profissional ainda englobaria paragens em Chaves e no modesto São Marcos, onde penduraria as botas três anos depois do irmão, e a um nível consideravelmente mais modesto, tendo depois, ao contrário deste, enveredado pela carreira de treinador. Ainda assim, pelo seu contributo prolongado para um 'histórico' do futebol português, Jorge acaba por merecer tanto o epíteto de 'Grande dos 'Pequenos' como o irmão, bem como o seu lugar ao lado do mesmo naquele que acaba por se saldar como a primeira edição 'dupla' desta rubrica. Parabéns, e que contem ainda muitos.

23.11.25

Aos Domingos, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos principais acontecimentos desportivos da década.

463609602_4718451295046640_8779396070437907049_n.p

À entrada para a época 1999/2000, o Benfica vivia uma das suas muitas revoluções da era Vale e Azevedo. Graeme Souness tinha acabado de ser despedido, após uma das piores épocas da História das 'águias', e para o seu lugar havia sido escolhido outro estrangeiro, o alemão Jupp Heynckes, que se via forçado a fazer 'omeletes sem ovos', e a montar uma equipa à sua imagem com um orçamento de transferências irrisório. Assim, as contratações mais sonantes da época (curiosamente, ambas de origem espanhola) chegariam, respectivamente, a custo zero (Chano) e por empréstimo (Tote). E se o primeiro conseguiu deixar marca na equipa 'encarnada', o segundo não chegaria a efectuar uma dúzia de aparições durante a única época que passou na Luz, sendo recordado hoje em dia mais pela peculiar alcunha do que por qualquer outra razão.

E a verdade é que Jorge López Marco tinha tudo para vingar em Portugal, já que havia sido formado num 'galáctico' Mundial, no caso o Real Madrid, e era presença constante nas suas equipas secundárias. No entanto, por alguma razão, o espanhol (então apenas com vinte anos) não convenceu Heynckes, tendo sido utilizado pouquíssimas vezes durante a temporada, ao longo da qual, 'tapado' por Nuno Gomes, ainda lograria marcar três golos. No entanto, seria na Segunda Divisão espanhola que verdadeiramente se afirmaria (já depois de se ter sagrado campeão da La Liga, tendo três aparições pelos 'blancos' sido suficientes para lhe garantir esse estatuto), tendo sido 'histórico' do modesto Hércules, pelo qual contabilizou quase duzentos jogos ao longo de seis temporadas, e pelo qual jogava quando 'pendurou as botas'.

Para os adeptos portugueses, no entanto, o nome do espanhol não passará de mais um daqueles que, ao serem mencionados, suscitam uma reacção do tipo 'eisssh, o Tote!', e vagas recordações do cromo na caderneta da Panini. Ainda assim, por pouco que tenha sido o seu impacto no futebol português, o avançado merece uma nota de parabéns no dia em que completa quarenta e sete anos de idade, e após uma carreira perfeitamente honrosa – apenas não na Primeira Divisão portuguesa...

10.11.25

NOTA: Este 'post' é respeitante a Domingo, 09 de Novembro de 2025.

Aos Domingos, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos principais acontecimentos e personalidade do desporto da década.

Há jogadores assim: não despertam a paixão dos adeptos fora do seu próprio clube, não partem em aventuras nos 'grandes' ou no estrangeiro, nem sequer são particularmente lembrados pelo grande repositório digital de memórias (pesquisar o nome e clube na Wikipédia talvez até direccione para um homónimo mais famoso) mas constroem carreiras honrosas, ligadas ao emblema de formação ou de coração, e encarnam a expressão que escolhemos para dar nome a esta rubrica, tornando-se verdadeiros 'Grandes dos 'Pequenos''.

112290_pedro_miguel.gif

A única foto do jogador actualmente disponível na Web.

É o caso do jogador a que dedicamos estas linhas, por ocasião dos seus cinquenta e três anos, celebrados este fim de semana: Pedro Miguel Almeida Santos (mais vulgarmente conhecido pelos dois primeiros nomes) defesa formado no Feirense e que, à parte uma muito breve incursão pelo futebol amador à saída dos escalões jovens (no clube da terra, o Caldas de São Jorge) passaria nada menos do que quinze anos ligado ao histórico emblema nortenho, que acompanhou nos diversos 'altos e baixos' ao longo dos anos 90, tendo chegado a sagrar-se campeão da então II Divisão de Honra e militado mesmo no principal escalão português. E, embora tenha demorado algumas épocas a verdadeiramente se afirmar no esteio da defesa do seu clube de formação, uma vez conquistado esse estatuto, não mais o perderia, tendo sido peça activa das campanhas dos homens de Santa Maria da Feira entre as temporadas de 1994/95 e 1997/98, e elemento transmissor da 'mística', a partir do banco, nas duas seguintes.

Não seria, pois, senão na primeira temporada completa do Novo Milénio, já sem a mesma preponderância de outrora no seio do plantel, que Pedro Miguel finalmente deixaria em definitivo o clube que o vira nascer e crescer, regressando ao futebol amador ao serviço do Lusitânia de Lourosa. Não demoraria, no entanto, mais do que duas épocas até o defesa regressar a 'casa' – onde, infelizmente, se tornaria a ver algo 'proscrito', pouco passando da meia-dúzia de presenças ao longo da temporada de 2002/2003.

Esta situação motivaria nova transferência para as ligas amadoras, desta vez para o Pampilhosa, mas seria apenas na época seguinte que Pedro Miguel viveria novamente uma situação de estabilidade e preponderância dentro de um grupo de trabalho, vindo a tornar-se 'Grande' de um segundo 'Pequeno' ao serviço da Sertanense, onde viria a passar sete épocas – tantas quantas fizera como sénior no Feirense – e a pendurar as botas, já com quase quarenta anos. Para trás, ficava uma carreira discreta, quase sempre longe dos holofotes da ribalta, mas onde, ainda assim, lograra deixar marca consideravelmente longeva em dois clubes, e viver o sonho de jogar pelo clube da terra-natal, e do coração – bem vistas as coisas, uma história bem mais feliz do que a de muitos jogadores com perfil bastante mais destacado, e que lhe merece a homenagem nestas páginas por ocasião do seu aniversário. Parabéns, e que conte ainda muitos.

26.10.25

Aos Domingos, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos principais acontecimentos e personalidade do desporto da década.

download.jpeg

A mais icónica imagem associada a estas provas.

Sendo o atletismo um dos desportos com maior expressão em Portugal, logo atrás do futebol e ao mesmo nível do hóquei em patins, e tendo em conta a quantidade de atletas de topo que representaram o País na modalidade ao longo dos anos – de Rosa Mota e Carlos Lopes a Fernanda Ribeiro ou, mais recentemente, o 'adoptivo' Francis Obikwelu – não é de admirar que as provas de corrida sejam das que mais adesão e consenso reúnem entre os fãs nacionais de desporto, fazendo 'parar' (por vezes, literalmente) as ruas do País aquando da sua realização. E porque este 'post' será publicado no rescaldo de mais uma Meia-Maratona de Lisboa, e no mês em que a Meia-Maratona e Portugal completa vinte e cinco anos de existência, seria impossível deixar passar em claro esta oportunidade de falar sobre as duas grandes provas de atletismo surgidas em finais do século XX e inícios do seguinte.

Destas, a mais famosa é, claro, a Maratona de Lisboa, organizada desde 1986, sempre no mês de Outubro (tendo a última edição tido lugar no dia em que este 'post' é publicado) e sempre com o patrocínio da EDP. Trata-se de uma corrida disputada em estrada, e que se desenrola, historicamente, na zona ribeirinha da capital, com passagem para a Margem Sul (sobre o tabuleiro da Ponte 25 de Abril!) incluída, obrigando a uma interdição ao tráfego naquela zona da cidade, e atraindo, naturalmente, largas centenas de espectadores à mesma, na esperança de verem, ou pelo menos vislumbrarem, os atletas, e de disfrutarem da música ao vivo que também caracteriza a prova.

Das três provas em destaque neste 'post', esta é a que mais diversidade reúne em termos de nacionalidades dos vencedores, tendo mesmo havido uma certa hegemonia lusófona (com vencedores portugueses e brasileiros) ao longo dos anos, bem como uma certa prevalência de vencedores do Centro Europeu em finais dos anos 90, antes da previsível 'invasão' de atletas da Etiópia, Quénia e outros países africanos, que se vêm desde então sagrando campeões da quase totalidade das provas.

Lisboa-logo.jpg

Em segundo lugar da lista, e com quase tanta importância e visibilidade como a 'irmã mais velha', surge a Meia-Maratona de Lisboa, organizada desde 1991 pela World Athletics (principal entidade global para a modalidade) primeiro no mês de Março e, mais recentemente, em Setembro. Trata-se de uma corrida de pouco mais de dois quilómetros, com partida da Ponte Vasco da Gama e que, sem render imagens tão icónicas como a prova de maior distância, não deixa ainda assim de atrair a sua quota-parte de interessados sempre que atravessa a cidade.

download (3).jpeg


Em termos de vitórias, é sem surpresas que se constata que a larga maioria das mesmas foi para atletas africanos, com particular ênfase para o Quénia. Destaque, no entanto, para Rosa Mota, que venceu a metade feminina da primeiríssima edição da prova, afirmando-se como um dos dois únicos nomes portugueses na lista de vencedores, sendo o outro António Pinto, o vencedor masculino em 1998. O nome mais dominante durante os anos 90 seria, no entanto, o da queniana Tegla Louroupe, que venceria seis das nove corridas realizadas entre a edição inaugural da prova e o Novo Milénio – incluindo vitórias consecutivas entre 1994 e 1997 - tendo a sua hegemonia neste período sido interrompida apenas pela irlandesa Catherina McKiernan, uma de apenas quatro vencedoras europeias da prova, que sairia vitoriosa em 1998, constando hoje como o único outro nome a sagrar-se campeão na categoria feminina entre 1994 e 2000. Já do lado masculino, a liderança era mais disputada e renhida, não tendo existido qualquer bicampeão até ao início da década de 2010, quando Zersenay Tadese, da Eritreia, venceria três provas seguidas. Destaque, ainda, para Mo Farah, vencedor masculino em 2015 pela Inglaterra e, a par de Rosa, talvez o mais famoso atleta a participar na prova.

De menor dimensão, mas ainda assim atractiva para os entusiastas do desporto, é a Meia-Maratona de Portugal, a qual, apesar do nome, se desenrola também apenas em Lisboa. Inaugurada nos primeiros meses do Novo Milénio (a primeira edição desenrolou-se em Outubro de 2000) e organizada pelo Maratona Clube de Portugal, esta prova é, como a sua congénere, realizada sob a égide da World Athletics, inserindo-se na sua série 'Road Race Label Events', na categoria 'Gold', e reúne anualmente cerca de quinze mil participantes.

E se a Meia-Maratona de Lisboa apresenta forte domínio de atletas africanos, nesta prova, os mesmos são ainda mais hegemónicos, com particular ênfase para dois países, o Quénia e a Etiópia. que reúnem a quase totalidade dos vencedores tanto da prova masculina como da feminina – em vinte e cinco anos, apenas uma participante feminina (a italiana Valeria Straneo, em 2013) e dois masculinos (o sul-africano Hendrick Ramaala, em 2003, e o eritreano Nguse Amsolom, em 2015) não foram oriundos de uma dessas duas nações!

Ainda assim, e apesar desta hegemonia, a Meia-Maratona de Portugal não deixa, como a de Lisboa, de suscitar emoções suficientemente fortes para atrair espectadores a cada nova edição, desde há já um exacto quarto de século, merecendo – como a sua congénere e a Meia-Maratona do Porto, inaugurada mais tarde, em 2007 – a distinção como uma das principais provas de atletismo portuguesas desde os finais do século XX e inícios do XXI até aos dias que correm.

29.09.25

NOTA: Este 'post' é respeitante a Domingo, 28 de Setembro de 2025.

Aos Domingos, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos principais acontecimentos e personalidade do desporto da década.

Um dos maiores axiomas do senso comum futebolístico é que a maioria dos jovens com potencial formados em grandes clubes 'ficam pelo caminho', acabando por fazer carreira em emblemas mais pequenos, muitas vezes como peças destacadas dos mesmos. E apesar de este fenómeno ser, hoje em dia, prevalente ao ponto de constituir a norma, tal não significa que, em outros períodos da História do desporto-rei, tal não fosse também o paradigma; antes pelo contrário, o século XX viu um sem-número de jovens jogadores falharem na sua tentativa de singrar profissionalmente num 'grande', apesar do talento nítido e óbvio. Portugal não foi, de todo, excepção a esta regra, tendo oferecido ao mundo futebolístico de finais do Segundo Milénio um verdadeiro 'ror' de 'promessas adiadas', que tardavam ou falhavam em evidenciar o seu potencial. É, precisamente, sobre um desses jogadores que nos debruçamos neste 'post', por ocasião do seu quinquagésimo-primeiro aniversário – um futebolista que foi internacional português, jogou por Sporting e Benfica, foi feliz em Inglaterra, mas não deixou, ainda assim, de passar ao lado de uma carreira ao nível do seu talento.

17856_20210424173650_hugo_porfirio.png

Com a camisola do Benfica.

Nascido em Lisboa e formado nas escolas do Sporting (já então um viveiro de jovens talentos, mesmo uma década antes de construída a sua famosa Academia), Hugo Cardoso Porfírio destacou-se o suficiente para ser promovido à equipa principal dos 'Leões' no seu primeiro ano de sénior, em 1992, reencontrando assim o colega de equipa dos Juniores, Emílio Peixe. Ao contrário deste, no entanto, Porfírio não singraria de leão ao peito, realizando apenas uma dúzia de partidas com a 'Listrada' ao longo de duas épocas antes de, em 1994, se ver sem espaço no plantel e com viagem marcada para um clube mais pequeno – ou, no caso, três.

hugo-porfrio-863087bf-4f14-4260-a4c2-a8c8214875d-r

Porfírio no Sporting.

De facto, entre as temporadas de 1994-95 e 1996-97, o extremo rumaria primeiro a Santo Tirso, depois a Leiria, e por fim, inesperadamente, a Londres, Inglaterra, onde representaria o West Ham. Apesar da escala marcadamente distinta dos três empréstimos, em nenhum deles Porfírio 'fez feio', tendo realizado épocas de excelente nível, e sido presença regular nos jogos de todos os emblemas que representou durante este período – feito que lhe valeu a presença na equipa que representava Portugal no Euro '96, no decurso do qual fez a sua estreia como Internacional A (antes, havia sido presença assídua nas Selecções jovens, tendo disputado os Campeonatos Europeus de sub-16 em 1990 e sub-18 em 1992, e o Mundial de sub-20 em 1993) jogando quinze minutos da partida contra a Turquia, e seguindo depois viagem para os Jogos Olímpicos de Atlanta.

download (1).jpg

954375_med_.jpg.jpg

Em acção pelo Tirsense, e no seu único jogo no Euro '96.

As boas indicações deixadas ao longo daqueles três anos não foram, no entanto, suficientes para garantir a Porfírio um lugar no plantel principal do Sporting, que o dispensava no Verão de 1997. O extremo via-se, assim, obrigado a abraçar novos desafios, acabando por rumar a Espanha, para representar o Racing Santander. Ao contrário da primeira experiência internacional, no entanto, esta segunda 'aventura' pelo exterior não lhe correria de feição, levando a que, apenas um ano depois – e com o Racing Santander já despromovido da La Liga – caísse a 'bomba': Porfírio, o antigo 'leão', assinava contrato com o grande rival da Segunda Circular, passando assim a fazer parte do grupo dos 'vira-casacas', isto é, jogadores que representaram dois clubes grandes em Portugal. Ainda assim, durante este período, conseguiria ainda a sua terceira e última internacionalização pela Selecção Nacional, participando no jogo contra a Ucrânia, a contar para a fase de qualificação para o Mundial de França '98.

download (2).jpgimages (5).jpgdownload (3).jpg

As aventuras internacionais no West Ham, Racing Santander e Nottingham Forest.

Ao contrário de 'companheiros' ilustres como Yuran, João Vieira Pinto, Simão Sabrosa, Ricardo Quaresma ou Mário Jardel (entre outros) Porfírio não viria, no entanto, a relançar a carreira no rival do seu clube de origem; antes pelo contrário, seria ainda menos utilizado do que havia sido no Sporting, totalizando metade das exibições que fizera pelo clube de Alvalade ao longo de duas épocas, e vindo a ser emprestado ao Nottingham Forest, onde passaria também despercebido, antes de se desvincular do clube das Águias, alegando salários em atraso, e se 'mudar' para as ilhas, para representar o Marítimo. Não tardaria mais que uma época, no entanto, até regressar à Luz, para mais três temporadas anónimas, a maioria das quais passada na equipa B. O outrora promissor extremo entrava assim, oficialmente, no ocaso de uma carreira que o veria ainda passar por clubes semi-amadores da zona da Grande Lisboa antes de rumar às Arábias (então ainda longe do estatuto desejável que possuem hoje) para pendurar definitivamente as botas ao serviço do Al-Nassr, hoje conhecido como o clube de Cristiano Ronaldo, mas, à época, um emblema perfeitamente desconhecido para a maioria dos adeptos europeus.

Consumava-se, assim, o estatuto de 'promessa (eternamente) adiada' de um jogador cuja 'sorte' e oportunidades estiveram sempre algo aquém do talento que exibia nos pés (mesmo numa era que favorecia os 'baixinhos' com 'magia', como ele), e que será sempre lembrado como um dos grandes 'e se...?' do futebol português moderno – estatuto que lhe vale, agora, a presença nestas páginas, à laia de 'prenda de anos'. Parabéns, e que conte ainda muitos.

Mais sobre mim

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2026
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2025
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2024
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2023
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2022
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2021
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
Em destaque no SAPO Blogs
pub