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Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

01.02.24

Todas as crianças gostam de comer (desde que não seja peixe nem vegetais), e os anos 90 foram uma das melhores épocas para se crescer no que toca a comidas apelativas para crianças e jovens. Em quintas-feiras alternadas, recordamos aqui alguns dos mais memoráveis ‘snacks’ daquela época.

No que toca a marcas e empresas alimentares praticamente sinónimas com os anos 90 em Portugal, a Dan Cake fica, talvez, apenas atrás da Matutano no imaginário sócio-cultural das gerações 'X' e 'millennial'. Tal como a empresa das batatas fritas, a magnata das bolachas e bolos industriais deixou na memória de quem foi jovem à época uma série de produtos, com destaque para os alfajores de chocolate (as famosas Cake Bar) como por um outro produto, talvez mais lembrado pela embalagem do que pelo conteúdo em si, e ainda hoje instantaneamente reconhecível para as gerações em causa.

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A versão da icónica lata que muitos conheceram nos anos 80 e 90. (Crédito da foto: OLX)

Falamos das bolachas de manteiga (ou Danish Butter Cookies), com a sua icónica e inconfundível caixa de lata azul, tantas vezes utilizada, depois de vazia, como 'estojo' para os materiais de costura lá de casa – uma tradição cuja origem se perde nas 'brumas do tempo', mas que terá sido partilhada pela grande maioria da população infanto-juvenil portuguesa das duas últimas décadas do século XX. De facto, e como acima mencionámos, este aspecto da utilização da embalagem é, indubitavelmente, mais recordado hoje em dia do que as bolachas em si, o que não deixa de ser um pouco injusto para as mesmas, que apresentavam um excelente sortido, com variedade suficiente para agradar a qualquer gosto, de bolachas que se desfaziam na boca a outras mais firmes e rijas, e até algumas polvilhadas de açúcar cristalizado ou com sabores adicionais, como coco. Na verdade, o facto de as caixas tão rapidamente passarem a repositórios de agulhas e linhas devia-se, precisamente, à velocidade a que os conteúdos no seu interior 'voavam', particularmente no contexto de festa ou convívio em que este tipo de 'guloseima' tendia a surgir.

Tal como tantos outros produtos que abordamos nestas páginas, no entanto, também os sortidos Dan Cake foram, gradualmente, perdendo preponderância em inícios do século XX, ao mesmo ritmo do que a própria companhia, hoje longe da expressão que já teve no mercado alimentar nacional. Assim, e apesar de ainda hoje haver sortidos de bolachas das mais diversas marcas à venda por todo o País, algumas, inclusivamente, em latas muito semelhantes às da Dan Cake, as actuais 'costureiras amadoras' ter-se-ão visto forçadas a 'engendrar' outro tipo de recipiente improvisado para guardar os seus materiais. De facto, é de duvidar se as actuais crianças e jovens da Geração Z alguma vez se terão sorrateiramente aproximado de uma lata de bolachas 'em repouso' sobre um balcão e prateleira, aberto a mesma com o intuito de 'sacar' subrepticiamente umas quantas, e tido a desilusão de apenas agarrar na mão carretos de linhas – uma experiência que continua fresca na memória dos seus pais e que, para muitos deles, ficará para sempre conotada com este tipo de bolachas...

29.09.22

Todas as crianças gostam de comer (desde que não seja peixe nem vegetais), e os anos 90 foram uma das melhores épocas para se crescer no que toca a comidas apelativas para crianças e jovens. Em quintas-feiras alternadas, recordamos aqui alguns dos mais memoráveis ‘snacks’ daquela época.

Em Portugal, à semelhança do que acontece um pouco por todo o Mundo, certos tipos de produtos são associados a determinadas marcas a ponto de se confundirem com as mesmas, mesmo quando existem no mercado alternativas concorrentes; o sector alimentício não é, de forma alguma, excepção a esta regra, sendo qualquer pão com chocolate (por exemplo) um 'Bollycao', qualquer fermento químico 'pó Royal', qualquer sobremesa à base de iogurte e fruta um 'Suissinho' ou 'Danoninho', e qualquer achocolatado para beber 'Nesquik' ou 'Cola Cao', entre outros exemplos. Nos anos 90, esta tendência estendia-se, no nosso País, também ao domínio dos bolos e artigos de pastelaria industrializados, a esmagadora maioria dos quais surgia nas prateleiras nacionais com a chancela de uma marca nacional e – à época – em rápido crescimento rumo à monopolização do mercado; a Dan Cake.

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Fundada nos anos 80 (e, aparentemente, extinta, ou pelo menos trespassada, há menos de dois anos à data de publicação deste post) a Dan Cake oferecia produtos ao longo de todo o espectro das bolachas e bolos, sendo também suas, por exemplo, as primeiras 'Madalenas' de pacote, bem como as bolachas 'Danish', comercializadas nas icónicas latas azuis que muita gente usava para guardar os artigos de costura; no entanto, por muito sucesso que esses artigos fizessem (até pela practicidade da embalagem das bolachas...) não era com elas que a marca era sinónima na mente das crianças e jovens noventistas – esse privilégio pertencia às 'tortas', das quais a marca disponibilizava, à época, uma enorme variedade, desde as mais pequenas, em tamanho 'snack' (as famosas Cake Bar), até formatos mais substanciais, aproximadamente do tamanho de um bolo de pastelaria.

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Dois dos mais famosos e icónicos produtos da marca nos anos 90

Invariavelmente à base de chocolate, estas tortas podiam, no entanto, vir recheadas dos mais diversos sabores, dos quais se destacavam os clássicos cacau e morango, os mais populares entre a 'meninência' daquela época; populares eram, também, os brindes oferecidos com as 'Cake Bar', que nos anos 90 se resumiam já a cromos – à semelhança do que famosamente fazia o 'Bollycao', e esporadicamente também outras marcas – mas que na década anterior haviam incluído bonecos em plástico monocromático, ao estilo 'Monsters in My Pocket', ligados às principais propriedades intelectuais juvenis da época. O problema? Estes bonecos eram, literalmente, enfiados DENTRO do bolo (sem qualquer invólucro protector, como acontecia nos pacotes de cerais de pequeno almoço ou batatas fritas), criando o mesmo tipo de situação que, anos mais tarde, viria a descaracterizar para sempre o bolo-rei. À época, no entanto, ninguém parece ter visto problema, e a troca para os mais inócuos autocolantes parece ter sido apenas uma questão de mudança dos interesses do público-alvo.

Com ou sem brindes, no entanto, os bolos e tortas Dan Cake faziam, mesmo, furor entre o público-alvo, pelo simples facto de serem deliciosos (embora estivessem também entre as opções MENOS saudáveis, mesmo da prateleira de doces e guloseimas!) E apesar de hoje em dia continuar a ser possível adquirir produtos deste tipo das mais diversas marcas (os chamados, no Brasil, 'alfajores') nenhuma delas vai, para quem cresceu nos anos 80, 90 ou até mesmo 2000, alguma vez substituir os 'Dan Cake'; afinal, como muito bem declaram os Corn Flakes da Kellogg's, 'o original é sempre o melhor...'

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