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Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

06.09.22

NOTA: Este post é respeitante a Segunda-feira, 05 de Setembro de 2022.

Qualquer jovem é, inevitavelmente, influenciado pela música que ouve – e nos anos 90, havia muito por onde escolher. Em segundas alternadas, exploramos aqui alguns dos muitos artistas e géneros que faziam sucesso entre as crianças daquela época.

Para a juventude portuguesa de finais dos anos 90 (como, presumivelmente, para as de outras décadas) há músicas que ficam, indelevelmente, ligadas a certos anos, e sobretudo à época de Verão, em que a disponibilidade e oportunidades para ouvir e apreciar música aumentam; e se o Verão de 1997 foi, sem dúvida, dominado pelo êxito dos escandinavos Aqua, 'Barbie Girl', houve outra música que – sobretudo para fãs de videojogos ou de música mais alternativa – também não deixou de marcar a segunda metade daquele ano, e a primeira do seguinte.

Falamos de 'Firestarter', primeiro single retirado do terceiro álbum de um colectivo britânico que, apesar de vir já 'fazendo algumas ondas' no seu país natal, era ainda maioritariamente desconhecido por terras lusas, situação que se alterou quando o referido tema surgiu como parte da banda sonora de 'Wipeout 2097', o jogo de corridas futurista que constituiu um dos maiores sucessos do ano - e de toda a biblioteca das consolas em que foi lançado, a Playstation e a Sega Saturn – muito graças à sua banda sonora, que incluía nomes tão sonantes no meio da electrónica como Chemical Brothers, Underworld, e o colectivo em causa, The Prodigy.

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Formados no condado de Essex, a sul de Londres, logo no início da década, o projecto liderado por Liam Howlett e que tinha como 'cara' o dançarino e vocalista Keith Flint tinha, desde então, vindo a construir 'a pulso' a sua reputação entre os 'ravers' britânicos, tendo os seus dois primeiros álbuns – os excelentes 'The Prodigy Experience', de 1992, e 'Music For The Jilted Generation', de 1994 – granjeado desde logo considerável sucesso não só junto dessa mesma demografia, mas também de uma população generalista - os dois singles retirados de 'Experience', por exemplo, chegam ao Top 5 de música nas Ilhas Britãnicas, e 'Music...' ocupa o primeiro posto do 'top' de álbuns do país logo desde o seu lançamento.

No estrangeiro, no entanto, o nome 'The Prodigy' só se popularizaria mesmo após o lançamento de 'Firestarter', que – com a irreverente prestação vocal de Flint e os característicos coros de 'hey-hey-hey' – ajuda também a propulsionar as vendas do terceiro álbum do colectivo, 'The Fat of the Land'. Longe de se 'apoiar' no single e mega-sucesso, no entanto, o álbum com o icónico caranguejo na capa oferece a quem o adquire um punhado de músicas tão boas como 'Firestarter' (ou mesmo melhores, como o segundo single, 'Breathe', um dos clássicos do grupo) o que só ajuda a cimentar a reputação de Howlett, Flint e companhia junto da sua demografia-alvo – que, curiosamente, inclui uma parcela considerável de fãs de 'rock', um sector da população que, regra geral, não tende a gravitar para grupos de electrónica pura e dura como é o caso dos ingleses; o controverso tema de abertura do álbum, 'Smack My Bitch Up', era mesmo alvo de atenção por parte de rádios de pendor mais 'rock', o que talvez tenha contribuído para este sucesso inter-demográfico.

Escusado será dizer que, obtido o reconhecimento, o nome e a música dos Prodigy não tardou em começar a aparecer associado a outros meios, ficando particularmente na memória o assombroso 'trailer' da 'Manga Vídeo' editado ao som de 'Voodoo People', outro clássico do grupo, este retirado do seu segundo álbum. Naquele Verão de 1997 e inícios de 1998, o colectivo britânico parecia inescapável, tendo mesmo conseguido a 'proeza' de render a então todo-poderosa MTV aos seus encantos – 'Smack My Bitch Up' arrecadava não um, mas dois prémios na edição de 1998 dos igualmente influentes Video Music Awards realizados anualmente pelo canal.

Um dos melhores anúncios alguma vez exibidos em Portugal teve música do colectivo

O que ninguém podia prever, no entanto, era que os Prodigy entrassem em hiato menos de dois anos após o lançamento do seu maior êxito discográfico; foi, no entanto, precisamente isto que se passou, com a saída de Leeroy Thornhill, parceiro de Flint na 'linha da frente', a precipitar uma 'pausa' de três anos na carreira do colectivo. O regresso dava-se com 'Always Outnumbered, Never Outgunned', de 2001, álbum de sonoridade pouco característica e, como tal, considerado inferior e algo 'esquecido' na discografia do grupo; o verdadeiro 'som Prodigy' só retornaria, pois, em 'Invaders Must Die', de 2008, que se posiciona como o sucessor natural de 'Fat', não só pela sonoridade mas também por assinalar a reunião dos três membros originais do grupo, com Thornhill a regressar finalmente ao seio da banda. 'Omen' e a devastadora faixa-título são excelentes cartões de visita, mostrando o grupo no seu melhor e juntando-se merecidamente à lista de clássicos dos Prodigy,

Após este lançamento, no entanto, o grupo volta a não conseguir atrair atenções com os próximos dois álbuns, ficando tanto 'The Day Is My Enemy', de 2015, como 'No Tourists', de 2018, restritos apenas a uma audiência de 'fiéis convertidos' – fiéis esses que recebem com choque e horror a notícia da morte de Keith Flint, encontrado sem vida na sua casa em Essex a 4 de Março de 2019. Longe de acabar com a carreira do projecto, no entanto, a morte do vocalista, dançarino e fundador apenas inspira os dois membros restantes do projecto a lançar nova música e a partir em digressão – um objectivo que realizam em 2022, com uma série de dez datas no seu país natal a assinalar um quarto de século sobre o lançamento de 'The Fat of The Land'. E a verdade é que, ainda que esse álbum tenha, sem dúvida, apresentado o grupo a muitos futuros fãs, para outros tantos jovens portugueses, o mesmo continua a ser sinónimo com a música do grupo, e o único elemento da mesma que alguma vez conheceram. Mesmo esses, no entanto, não hesitarão em reconhecer o 'poder de fogo' de 'Firestarter', um dos maiores sucessos musicais entre a 'malta jovem' não só do seu ano, mas de toda a ponta final do século XX.

17.10.21

NOTA: Este post corresponde a Sábado, 16 de Outubro de 2021.

As saídas de fim-de-semana eram um dos aspetos mais excitantes da vida de uma criança nos anos 90, que via aparecerem com alguma regularidade novos e excitantes locais para visitar. Em Sábados alternados, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos melhores e mais marcantes de entre esses locais.

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Um dos principais elementos da vida de muitas crianças ou jovens, sobretudo em meios urbanos, são as actividades extra-curriculares. Nos anos 90, a situação não era diferente; para além do tempo passado diariamente na escola, muitas crianças dedicavam uma parte das suas semanas à actividade ou desporto da sua preferência (ou dos pais) – algumas das quais tinham lugar, sim, ao Sábado (vêem como conseguimos ligar o tema ao título do blog?) E ainda que essa tendência se mantenha relativamente inalterada até aos dias de hoje, as actividades propriamente ditas sofreram algumas alterações, fazendo com que valha a pena recordar como este 'ritual' se passava no tempo em que todos fomos crianças.

Como quem esteve lá certamente recordará, os anos 90 foram a era das artes marciais (para os rapazes), dança e equitação (para as raparigas), além das sempre populares natação e ginástica e dos eternos cursos de línguas. Já na recta final da década, vir-se-iam a intrometer também neste paradigma as danças de rua (vulgo hip-hop), as quais ganhariam ainda maior expressão na década, século e milénio seguintes.

Fosse qual fosse a actividade escolhida, no entanto, o ritual era o mesmo: às segundas, quartas e sextas, terças e quintas ou (sim) Sábados, lá íamos muitos de nós para o treino ou para a aula, chegando muitas vezes a casa completamente derreados (ainda que no bom sentido) e com vontade de tomar um banho, comer alguma coisa e ir dormir – o que se tornava complicado quando havia trabalhos de casa para fazer para o dia seguinte, ou um fim-de-semana inteiro ainda para gozar... Ainda assim, poucos eram os que se queixavam, visto estas actividades acarretarem consigo uma certa sensação de progressão e recompensa do esforço, que por sua vez incitava a um ainda maior grau de aplicação e práctica; tanto assim era que o mais provável é que muitos dos que nos estão neste momento a ler, e que têm eles próprios filhos em idade de ingressar nestas actividades, provavelmente já os terão inscrito nas mesmas, reiniciando assim o ciclo e mantendo vivo o ritual por mais uma geração...

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