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Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

24.02.23

Os anos 90 estiveram entre as melhores décadas no que toca à produção de filmes de interesse para crianças e jovens. Às sextas, recordamos aqui alguns dos mais marcantes.

Qualquer era do cinema vê serem produzidos filmes que, sem serem 'blockbusters' ou contarem com grandes orçamentos publicitários, conseguem ainda assim alguma 'tracção' junto dos cinéfilos, por conta – sobretudo – do passa-palavra e da boa recepção crítica, acabando por se afirmar como obras memoráveis para toda uma geração de entusiastas de cinema.

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Nos anos 90, um dos principais exemplos deste tipo de filme-fenómeno era uma comédia dramática sobre temas que pouco ou nada tinham de cómico, realizada por um actor italiano que assumia também o papel principal: 'A Vida É Bela' ('La Vitta É Bella', no original, e que não deve ser confundido com o filme nacional homónimo, com Nicolau Breyner), obra que celebrou a 20 de Dezembro passado os vinte e cinco anos sobre a sua estreia em Portugal; e porque, durante esse mês, preferimos dar foco a filmes verdadeiramente natalícios - acabando assim por não assinalar este marco relativo a um filme de algum impacto a nível nacional – vimos agora corrigir essa falha, e dedicar algumas linhas ao polarizante filme de Roberto Benigni.

E dizemos 'polarizante' porque 'A Vida É Bela' é daqueles filmes que não deixa ninguém indiferente, ou mesmo comedido – quem gosta, adora (citando a excelente cinematografia e interpretações, e o facto de este ser claramente um projecto 'de coração' de Benigni), e quem não gosta, odeia (apontando o facto de a Itália Fascista e os campos de concentração não serem, de todo, um pano de fundo adequado para o enredo excessivamente frívolo de Benigni, ou remetendo para os irritantes 'tiques' do personagem Guido, como o memético 'buongiorno, Principessa' dirigido ao interesse romântico, Dora.) Apesar de estas opiniões se terem, assumidamente, diluído à medida que o filme se vai tornando progressivamente menos falado e mediático, nos anos imediatamente após o seu lançamento (em que era difícil falar ou ler sobre cinema sem se deparar com menções a este trabalho, que ganhou três Óscares, entre uma série de outros prémios, e era, a dada altura, frequentemente exibido em escolas no contexto da disciplina de História) este era mesmo um dos filmes que mais dividia opiniões entre os cinéfilos portugueses, não só jovens, mas de todas as idades.

À distância de vinte e cinco anos, continua a ser difícil inserir esta obra perfeitamente delicodoce na mesma categoria de filmes como 'A Lista de Schindler' (que aqui terá, paulatinamente, o seu espaço) ou mesmo o posterior 'O Rapaz do Pijama Ás Riscas', que partilha muitos dos mesmos problemas da película de Benigni. No entanto, não deixa de ser encorajador constatar que a longevidade do filme como instrumento pseudo-Histórico e pseudo-educativo foi limitada, e que o mesmo tão-pouco parece ter entrado na 'eterna rotação' dos canais de filmes da TV Cabo; em suma, 'A Vida É Bela' parece ter, senão desaparecido, pelo menos esfumado-se da consciência cinematográfica nacional. Ainda assim, pela importância que esta obra teve para toda uma geração de jovens cinéfilos, e pelo marco que recentemente atingiu, não podíamos deixar de 'desenterrar' do baú aquele que, durante um período considerável em finais do século XX e inícios do seguinte, foi um dos filmes mais falados de sempre em território nacional.

17.07.21

Os Sábados marcam o início do fim-de-semana, altura que muitas crianças aproveitam para sair e brincar na rua ou no parque. Nos anos 90, esta situação não era diferente, com o atrativo adicional de, naquela época, a miudagem disfrutar de muitos e bons complementos a estas brincadeiras. Em Sábados alternados, este blog vai recordar os mais memoráveis de entre os brinquedos e acessórios de exterior disponíveis naquela década.

E num fim-de-semana em que o calor bate intenso, as temperaturas sobem, e o que apetece mesmo é estar na praia ou na piscina, nada melhor do que recordar uma das principais ‘soluções de compromisso’ para quem não podia usufruir desses recursos – as Super Soaker, ‘metralhadoras de água’ de maior ou menor potência popularizadas durante os anos 90, e que ajudaram muitas crianças (portuguesas e não só) a refrescarem-se em dias quentes de Verão.

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Criadas pela norte-americana Nerf, conhecida pelas suas versões ‘seguras’ – normalmente de espuma – de populares jogos e brinquedos, a Super Soaker fugia um pouco dos moldes da companhia, tendo mesmo chegado a criar controvérsia devido à força e pressão com os jactos de água eram emanados quando se pressionava o gatilho; e se no modelo básico, a Super Soaker 50, esse já era um problema de relevo, imagine-se com os modelos mais poderosos! Esta característica fazia com que muitos pais, com receio de acidentes graves, não deixassem os filhos ter destas pistolas, acelerando assim a retirada das mesmas do mercado.

Ainda assim, enquanto existiram, as Super Soaker – que eram distribuídas em Portugal pela omnipresente Concentra – eram, passe a expressão, o ‘sonho molhado’ de qualquer criança, especialmente das que tinham um jardim e vários amigos com os quais recriar as cenas mostradas nos anúncios ao produto; afinal, o que havia para não gostar na ideia de molhar os amigos com uma pistola que parecia a arma do Rambo - e que, em pelo menos uma instância, aparecia nas mãos DO PRÓPRIO RAMBO?!

Nem o Rambo resiste ao encanto da Super Soaker...

E, claro, como qualquer produto popular entre a massa jovem, a Super Soaker teve a sua quota-parte de imitações ‘marca branca’, as quais, paradoxalmente, acabavam por ser mais seguras, devido à menor pressão de água que atingiam relativamente à arma ‘oficial’, a qual as tornava menos conducente a acidentes.

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Um exemplo de 'Super Faker' - ou 'Faker Soaker', se preferirem...

Infelizmente, os referidos receios relativos à pressão dos jactos de água faziam com que apenas alguns ‘sortudos’ pudessem desfrutar das sensações e experiências acima referidas, ficando a maioria dos seus amigos relegados a imaginar como seria encenar essas ‘guerras’. Curiosamente, esses medos não foram suficientes para deixar a Super Soaker ‘fora de combate’ de forma permanente, sendo que a Nerf lançou, recentemente, um modelo atualizado da famosa pistola de água, com um visual totalmente redesenhado e, presumivelmente, jactos de água menos potentes, até devido à maior preocupação com os padrões de segurança de brinquedos e outros produtos dirigidos a um público infanto-juvenil. É, pois, perfeitamente possível que as crianças do novo milénio continuem a ter ‘guerras’ de Super Soakers com os amigos, semelhante às que aconteciam na ‘nossa’ época; e, num dia como hoje, quase que dá vontade de ter novamente 10 ou 12 anos, e podermos, nós próprios, reviver essa experiência…

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