26.06.25
NOTA: Este 'post' é parcialmente respeitante a Quarta-feira, 25 de Junho de 2025.
Em quartas-feiras alternadas, falamos sobre tudo aquilo que não cabe em nenhum outro dia ou categoria do blog.
Trazer milhões de ‘quinquilharias’ nos bolsos, no estojo ou na pasta faz parte da experiência de ser criança. Às quintas, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos brindes e ‘porcarias’ preferidos da juventude daquela época.
Eram prática corrente sempre que era preciso auto-financiar uma viagem de finalistas ou visita de estudo, ou sempre que a escola, clube desportivo ou paróquia queria adicionar um incentivo extra para comparecer na sua festa de Natal ou em qualquer outro evento dessa índole. Ensinavam às crianças e jovens auto-confiança, ousadia, gestão de risco e o valor do trabalho, mas também a 'lei do menor esforço' e a arte de 'se safar', à boa maneira portuguesa. Eram, para uns, um frete e, para outros, um divertido desafio. E, como tantas outras coisas de que falamos nesta e noutras rubricas, caíram em desuso na era digital, a ponto de se encontrarem quase ausentes da sociedade actual - pelo menos da mais urbanizada – preteridas em favor dos mais simples e económicos sorteios digitais, por 'email', 'app' ou nas redes sociais. Falamos das rifas, aqueles pedacinhos de papel arrancados de um bloco, à maneira dos cheques ou bilhetes da altura, e que podiam deter em si o acesso a um prémio (mais ou menos) apelativo, ligado ao evento em causa e, mais que provavelmente, custeado pela própria organização.

O desafio era sempre o mesmo: ser o primeiro a vender todas as rifas do seu bloco ou, pelo menos, conseguir vender mais do que os colegas. Em teoria, o cumprimento de tal objectivo passaria pela abordagem de estranhos que parecessem dispostos a investir no evento infanto-juvenil associado ao sorteio; para a grande maioria dos alunos portugueses da época, no entanto, tratava-se apenas de convencer os familiares (e, quiçá, um ou outro amigo mais próximo) a darem 'uma ajuda', já que poucos eram os que verdadeiramente tinham coragem de 'jogar' da forma correcta, ou seja, de falar a estranhos em plena rua ou mesmo nas lojas ou cafés do bairro. Fosse qual fosse a forma de chegar ao objectivo, no entanto, o que contava era mesmo a angariação de fundos, essencial para qualquer que fosse o objectivo da organização do sorteio propriamente dito, e que nunca deixava de ser substancial.
Conforme já referimos, no entanto, as rifas 'físicas' caíram um pouco em desuso com o avançar da era digital, tendo as Gerações Z e Alfa, presumivelmente, encontrado outra forma de ganhar carácter e auto-confiança. Para quem alguma vez levou para casa um 'caderninho' de rifas para o sorteio da escola, no entanto, aqueles 'bilhetinhos mágicos' ficarão, ainda e sempre, associados a tempos mais simples, em que tentar convencer o pai ou a mãe a contribuir para a causa em questão era a maior das suas preocupações nessa semana...















