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Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

19.10.21

A década de 90 viu surgirem e popularizarem-se algumas das mais mirabolantes inovações tecnológicas da segunda metade do século XX, muitas das quais foram aplicadas a jogos e brinquedos. Às terças, o Portugal Anos 90 recorda algumas das mais memoráveis a aterrar em terras lusitanas.

NOTA: Este post é dedicado à malta dos emuladores da Escola Filipa de Lencastre, 1997-99: Paulo Melo, Bruno 'Icster', Nuno 'Screech' e Samuel. Se por acaso estiverem a ler, este é pelos velhos tempos.

Há exactamente duas semanas, na última edição desta rubrica, recordámos os mais populares motores de pesquisa dos anos 90; ora, um dos principais usos para o qual esses mesmos motores de pesquisa eram aplicados pelos jovens portugueses era a busca por emuladores – programas que permitiam jogar jogos originalmente concebidos para consolas no computador, por intermédio de um processo que fazia com que um PC caseiro se julgasse uma Mega Drive ou Game Boy (daí o nome 'emulador', proveniente de 'emular', ou 'imitar' algo.)

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Um dos primeiros emuladores lançados na década de 90, o NESTicle

Embora hoje em dia sejam corriqueiros ao ponto de virem incluídos com a maioria dos produtos tecnológicos de baixa gama oriundos da China, nos anos 90, os emuladores surgiam ainda envoltos numa aura de mistério, com os repetidos avisos quanto à ilegalidade do processo em si a darem a estes programas uma vertente 'marota' perfeitamente irresistível para toda uma geração de jovens criados à base de Duke Nukem, filmes de acção e música alternativa de cariz agressivo e rebelde. Não é, pois, de espantar que a demografia mais dada a jogos em geral não tivesse tardado a adoptar esta nova tecnologia como sua, havendo certamente muito quem tivesse instalado um ou outro destes programas nos computadores da escola para jogar nos intervalos ou 'furos' (por aqui, foi exactamente esse o caso...)

Os próprios nomes dos primeiros emuladores serão, certamente, nostálgicos para quem 'esteve lá' naquela época; do NESticle (retratado acima) ao Genecyst (aqui logo abaixo), não havia interessado neste campo que não soubesse de cor quais os melhores emuladores a 'sacar', e quais as melhores segundas e terceiras escolhas; no nosso grupo de amigos, por exemplo, havia todo um 'ranking' de programas, que qualquer membro do grupo saberia recitar de cor até, pelo menos, à quarta ou quinta casa...

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Um ecrã que certamente despertará a nostalgia de muitos jovens de finais dos 90s...

Outro elemento memorável da 'caça' aos emuladores em finais dos anos 90 eram os 'sites' aonde se podiam adquirir estes misteriosos programas (bem como os próprios ficheiros dos jogos em si, conhecidos como ROMs); isto porque, enquanto alguns tinham já um aspecto minimamente profissional (profissional para finais dos anos 90, entenda-se) outros eram, claramente, projectos pessoais, em que um qualquer internauta – provavelmente da mesma idade daqueles que acediam ao seu portal – partilhava a meia-dúzia de jogos que havia conseguido converter em ROM, listando cada um deles em letras rosa-choque contra fundo verde-alface, e acompanhados de comentários como 'este é o jogo favorito da minha irmã mais nova' (exemplo real). Símbolos (tal como a própria vaga original de emuladores) de uma Internet bem mais inocente e cativante que a actual, mas que, infelizmente, nunca mais voltará – o que não impede que seja lembrada nas páginas de 'blogs' como este...

Quanto aos emuladores propriamente ditos, conforme já referimos, os mesmos são hoje corriqueiros e de fácil acesso, tendo por isso perdido grande parte da sua mística; no entanto, quem fez parte da vaga original de 'nerds' que corriam para um cybercafé durante um 'furo' da escola para conversar no mIRC e jogar 'Dragon Ball Z' para Mega Drive num computador Pentium 90 sabe o quão apaixonante essa experiência podia ser – e, certamente, terá esboçado um sorriso ao começar a ler este post...

25.08.21

NOTA: Este post é relativo a Terça-feira, 24 de Agosto de 2021.

A década de 90 viu surgirem e popularizarem-se algumas das mais mirabolantes inovações tecnológicas da segunda metade do século XX, muitas das quais foram aplicadas a jogos e brinquedos. Às terças, o Portugal Anos 90 recorda algumas das mais memoráveis a aterrar em terras lusitanas.

Hoje em dia, existem tantas e tão imediatas formas de contactar tudo e todos através da Internet, que parece quase caricato pensar que, há pouco mais de vinte anos atrás, a comunicação por este meio era extremamente limitada, e restrita a meia-dúzia de canais na ainda incipiente plataforma global. Na era pré-MSN Messenger (ao qual, paulatinamente, chegaremos) o contacto em tempo real entre utilizadores geográfica e temporalmente deslocados requeria o acesso a um dos arcaicos programas de ‘chat’ do fim do segundo milénio – de entre os quais, pelo menos em Portugal, se destacava um em particular.

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O mIRC (sigla para Internet Relay Chat, sendo que nunca ninguém teve a certeza do que significava o ‘m’) não era o único programa de ‘chat’ online disponível naqueles anos – nem sequer o único a dar acesso aos servidores de IRC – mas, por alguma razão, foi aquele que ‘pegou’, tendo, para muitos jovens da época, sido sinónimo com ambos os tipos de tecnologia. Milhares de jovens portugueses aderiram, em finais dos anos 90, a este novo ‘vício’, que capturou, inclusivamente, a significativa porção da demografia que não estaria, normalmente, interessada neste tipo de serviço. ‘Totós’, ‘betinhos’, góticos (já a praticar para os anos vindouros de abuso do MSN) ou ‘freaks’, todos se renderam à magia daquelas pequenas janelinhas azuis e cinzentas, com letras verdes, vermelhas e pretas, dentro das quais se escondiam potenciais novas amizades (sempre iniciadas pelo característico e memorável 'oi, ddtc?'), ou simplesmente experiências ‘maradas’, como é apanágio da Internet.

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É incrível como algo com ESTE aspecto suscitava um 'vício' tão forte...

Fosse para conhecer raparigas ou rapazes de outras turmas da escola, os quais se seria de outro modo demasiado tímido para abordar, ou simplesmente para trocar piadas ‘foleiras’ com os amigos em canal privado, a maioria dos jovens portugueses da época arranjava maneira de fazer a cara do criador do programa, Khaled Mardam-Bey, aparecer num qualquer ecrã de computador público de forma quase diária (o uso em casa dependia de uma série de variáveis, a começar pela existência de um computador com Internet, o que à época não era um dado adquirido.) E embora, visto do futuro, o serviço pareça quase pitoresco – graficamente, parece uma espécie de Elifoot 2 em versão programa de ‘chat’ – a verdade é que, na altura, o mesmo representava o auge da tecnologia de conversação online disponível, e fez a felicidade da primeira geração de portugueses a ter contacto mais directo com a Internet nos seus anos formativos.

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A cara deste senhor foi, a dada altura de finais dos anos 90, mais vista e conhecida que a de muitas celebridades...

Hoje em dia, o mIRC continua vivo (e com novas versões do mesmo velho software a serem periodicamente lançadas), embora seja uma mera sombra do que era naqueles idos da viragem do milénio. A PTNet (a rede em que todos crescemos a conversar) retém pouquíssimos usuários, quase todos da ‘velha guarda’, e os restantes servidores ficam sobretudo circunscritos aos Estados Unidos e a alguns países asiáticos. Ainda assim, é bom ver um programa – não importa quão obsoleto – ‘aguentar-se’ através das diferentes eras da Internet, recusando-se a morrer por completo, apesar de todas as contingências. A dúvida que fica ao ver o mIRC ainda vivo, no entanto, é só uma: seré que, em todo este tempo, já alguém alguma vez pagou para registar o programa?

 

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