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Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

08.06.24

As saídas de fim-de-semana eram um dos aspetos mais excitantes da vida de uma criança nos anos 90, que via aparecerem com alguma regularidade novos e excitantes locais para visitar. Em Sábados alternados (e, ocasionalmente, consecutivos), o Portugal Anos 90 recorda alguns dos melhores e mais marcantes de entre esses locais e momentos.

Em 'posts' anteriores neste nosso blog, falámos tanto dos primeiros restaurantes de fast-food a abrir em Portugal como de uma das principais alternativas nacionais nesse ramo, a Telepizza; nada melhor, portanto, do que celebrar agora a outra grande companhia de comida 'para a viagem' cem por cento portuguesa, que marcou a infância e juventude dos 'millennials' portugueses tanto ou mais do que a sobredita loja de 'pizzas', e que celebrou no ano transacto trinta anos sobre o seu aparecimento.

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Uma loja ainda com o nome e 'visual' clássicos da cadeia.

Falamos, claro, da Companhia das Sandes, a 'fiel companheira' de qualquer jovem dos anos 90 ou 2000 necessitado de almoçar e parco de 'economias', que oferecia, além de alternativas mais saudáveis ao 'fast-food' tradicional, também um ambiente mais intimista do que a típica loja 'franchisada', que convidava a sentar e dar 'dois dedos de conversa' enquanto se saboreava a baguete semi-artesanal preferida. Surgida pela primeira vez em 1993, a cadeia – cuja especialidade ficava explicitada no próprio nome – gozou de sucesso quase imediato entre os jovens lusos das gerações 'X' e 'millennial', não tardando a expandir o seu raio de acção e a surgir na maioria das principais zonas comerciais frequentadas pela demografia em causa, bem como em áreas de grande concentração de escritórios ou serviços, de onde originava o outro grande tipo de clientela da Companhia. O sucesso foi tal, aliás, que permitiu inclusivamente a abertura, quatro anos depois, de uma cadeia-irmã de foco (ainda) mais saudável, denominada Loja das Sopas, de especialidade igualmente óbvia.

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Uma loja da cadeia-irmã da Companhia, ainda hoje em operação.

Tal como sucedeu com outras cadeias mais pequenas, no entanto, a Companhia das Sandes não foi capaz de resistir a longo prazo ao 'ataque' das grandes rivais internacionais, e o surgimento de cada vez mais lojas de conceito e proposta semelhantes deram a 'estocada' final no 'reinado' da marca nas zonas comerciais nacionais. Ao contrário do que se possa pensar, no entanto, tal mudança de paradigma não levou à extinção total da cadeia, a qual, após um exercício de 'rebranding' que lhe tirou as Sandes do nome, 'renasceu' das cinzas com um menu mais abrangente, que ia além das tradicionais baguetes, e conseguiu encontrar o seu nicho no cada vez mais competitivo mercado da comida 'para levar'.

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Uma Companhia actual, já sem as Sandes no nome.

Hoje em dia, a agora apenas Companhia conta com mais de três dezenas de lojas, e encontra-se incorporada no grupo Starfoods, que opera também, além das duas companhias originais, cadeias especializadas em peixe e em comida italiana, afirmando-se como um dos principais grupos de restauração nacionais; uma história de sucesso bem merecida para uma marca que, nos seus primórdios, ajudou a alimentar de forma relativamente saudável e em conta inúmeros jovens em passeio pelo 'shopping' ou em intervalo de almoço da escola.

16.05.24

A banda desenhada fez, desde sempre, parte da vida das crianças e jovens portugueses. Às quartas, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos títulos e séries mais marcantes lançados em território nacional.

Numa das primeiras Quartas aos Quadradinhos deste nosso 'blog', falámos da Turma da Mônica, um dos mais bem-sucedidos grupos de personagens de quadradinhos de sempre, rivalizado apenas pelos patos e ratos da Disney e pelos principais super-heróis da Marvel e DC. E ainda que, em Portugal, as criações de Mauricio de Sousa não chegassem a atingir o nível de impacto que tinham no seu Brasil natal (onde são verdadeiros ícones culturais) a sua popularidade entre os bedéfilos lusos era, ainda assim, suficiente para justificar tanto a criação de esculturas dos personagens num parque urbano como a importação de certos artigos com as efígies de Mônica, Cebolinha e restantes amigos. Destes, destacam-se as linhas de roupa, os bonecos de vinil, e talvez o mais lembrado por quem foi jovem em finais do século XX, e ao qual já aludimos aquando do 'post' original sobre a Turma: o delicioso chocolate de 'duas cores' que gozou de uma curta mas memorável presença nas prateleiras dos supermercados e hipermercados nacionais da época.

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De conceito algo semelhante ao do Kinder Surpresa, pelo menos no tocante à mistura de cores, o chocolate Turma da Mônica era vendido, não em barra, mas em 'packs' de quatro ou cinco chocolates individuais, aproximadamente do tamanho de uma palma da mão infantil, cada um deles composto por uma 'moldura' de chocolate de leite, no centro da qual era incrustada uma recriação surpreendentemente detalhada de um dos membros da Turma, feita de chocolate branco, criando assim a sempre saborosa dicotomia que garantia o sucesso dos produtos Kinder. E se, para um fã da Turma, não deixava de ser difícil dar aquela primeira 'dentada' na personagem favorita (sendo hábito 'roer' primeiro a moldura circundante, deixando a parte branca para o fim), a verdade é que o sacrifício compensava largamente, já que o resultado da combinação dos dois tipos de chocolate era nada menos do que delicioso, com o chocolate de leite bem rico (com a qualidade da Nestlé) a colmatar bem a doçura excessiva típica do chocolate branco. Difícil, pois, era comer um só destes chocolates, tendendo os pacotes a 'desaparecer' rapidamente, deixando para trás apenas o postal incluído como brinde em cada embalagem, e que retratava os personagens de Mauricio numa variedade de contextos, de cenas quotidianas a recriações de histórias clássicas.

Ao contrário do que sucedeu no Brasil, no entanto - onde o chocolate foi trazido de volta no seu formato original anos depois de ter sido descontinuado - o brinde, a qualidade, o sucesso e a licença 'sonante' não foram, no entanto, suficientes para manter o chocolate Turma da Mônica nas prateleiras a longo-prazo, vindo o mesmo a desaparecer pemanentemente, sem grande 'alarde', ao fim de um par de anos; uma verdadeira pena, já que qualquer pessoa que tenha comido uma daquelas 'molduras' individualmente embaladas certamente a terá como um dos seus chocolates favoritos de sempre, e a incluirá ao lado de uns Galak Buttons na lista de alimentos que desejaria, um dia, poder voltar a provar...

02.05.24

Trazer milhões de ‘quinquilharias’ nos bolsos, no estojo ou na pasta faz parte da experiência de ser criança. Às quintas, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos brindes e ‘porcarias’ preferidos da juventude daquela época.

Há precisamente uma semana, falámos neste mesmo espaço dos ovos Kinder, uma das mais icónicas guloseimas entre as crianças e jovens de Portugal desde a sua entrada no mercado, há já mais de quatro décadas; e apesar de, nesse 'post', termos abordado de relance os brindes dos referidos ovos, é inegável que aquela que, para muitos, era a principal razão para comprar estes ovos merece o seu próprio capítulo neste nosso 'blog'. É, pois, sobre as Quinquilharias contidas naqueles memoráveis cilindros amarelo-ocre que falaremos esta Quinta – especificamente, sobre as colecções de figuras que representavam o 'Santo Graal' desta categoria de brinde.

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De facto, apesar de nunca deixar de ser agradável encontrar dentro do ovo o tradicional carrinho ou avião, ou uma das assumidamente criativas obras de micro-engenharia baseada em eixos e rodas-dentadas, qualquer criança ou jovem na posse de um Kinder Surpresa tinha a secreta esperança de que o mesmo ocultasse um 'boneco' de qualquer que fosse a série então vigente – e foram muitas as promovidas pela Kinder durante este período. Normalmente tematizadas em torno da antropomorfização de uma espécie animal e de um qualquer conceito-base (como hipopótamos desportistas ou incongruentes tubarões persas) estas colecções exibiam, invariavelmente, enorme atenção ao detalhe, praticamente ao nível da dos brindes que o McDonald's veiculava, na mesma época, no tradicional Happy Meal – ainda que a uma escala bastante mais pequena, aproximadamente do mesmo tamanho das Matutolas, da Matutano, ou das figuras da linha Monsters In My Pocket – tornando-as assim particularmente apetecíveis para um público-alvo com gosto tanto pelo coleccionismo como pelos 'bonecos' e figuras de acção.

Foi, pois, com naturalidade que estas diferentes colecções conseguiram sucesso consecutivo junto da demografia em causa, e se tornaram os mais desejados e cobiçados de todos os brindes oferecidos pela Kinder ao longo da sua existência em território luso, o que, por sua vez, torna também natural que sejam motivo de destaque da secção dedicada a pequenas 'bugigangas' neste nosso 'blog' nostálgico - sobretudo por, algures no Novo Milénio, a Kinder ter deixado de lado estas colecções, 'atirando-as' para a categoria de 'relíquias' que as gerações Z e Alfa nunca terão ensejo de partilhar com os seus antecessores. Quem cresceu com estes bonecos, no entanto, certamente não terá dificuldade em explicar aos mais jovens a razão do apelo dos mesmos – bastando, para isso, mostrar-lhes a presente edição desta nossa rubrica...

25.04.24

A banda desenhada fez, desde sempre, parte da vida das crianças e jovens portugueses. Às quartas, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos títulos e séries mais marcantes lançados em território nacional.

Os anos 90 em Portugal ficaram, para o segmento que era então de uma certa idade, marcados (entre outras coisas) por um autêntico 'festim' de doces e guloseimas das mais diversas índoles, algumas ainda 'vivas' (embora significativamente diferentes) e outras desaparecidas para sempre. No entanto, por muito populares que fossem a maioria destes doces e salgados, apenas uma fracção de entre eles atingiu um estatuto verdadeiramente icónico entre os 'putos' da época, fosse pelos apetecíveis brindes que oferecia (como no caso das batatas fritas da Matutano), por se tratar de um 'prazer guloso' (como os Bollycaos ou os Galak Buttons) por ser encontrada um pouco por todo o lado e estar ao alcance até mesmo da mais vazia das carteiras (como as pastilhas Gorila) ou, no caso do produto de que falamos hoje, devido a uma combinação de todos esses factores. Sim, chega agora, finalmente, a vez de falar daquela que talvez seja 'A' guloseima por excelência desse período da História portuguesa, e um pouco até aos dias de hoje: o ovo Kinder.

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Vastamente imitadas, mas nunca igualadas, aquelas deliciosas ovais feitas de dois tipos de chocolate (por fora 'normal', castanho e de leite, e por dentro branco) penetraram o mercado português na década de 80 para não mais o abandonarem, fazendo as delícias de várias gerações não só com a referida (e apetitosa) combinação, mas também (sobretudo) devido ao que continham no seu interior: um cilindro de plástico amarelo, aparentemente simples, mas que qualquer criança ou jovem sabia conter o segredo da felicidade – pelo menos no imediato. Isto porque cada uma das referidas cápsulas continha um pequeno brinquedo de montar ou, em alternativa, uma figura coleccionável de qualquer das inúmeras linhas que a Kinder promovia à época, normalmente tematizadas em torno de espécies animais, e que em breve aqui terão a sua própria Quinta de Quinquilharia. Assim, a compra de um ovo Kinder permitia não só a degustação de chocolate de alta qualidade, mas também a 'surpresa' adicional do brinquedo no interior (daí o nome 'oficial', Kinder Surpresa), oferecendo uma combinação irresistível para qualquer menor de idade; foi, pois, com naturalidade que a Kinder rapidamente se afirmou como uma das líderes do mercado dos chocolates em Portugal, à semelhança do que acontecera já em países como a sua Alemanha natal, o Reino Unido ou a vizinha Espanha.

Conforme acima referido, a marca alemã conseguiria manter essa mesma hegemonia ao longo das quatro décadas seguintes, sendo ainda hoje possível encontrar nas prateleiras ovos Kinder Surpresa; no entanto, os mesmos comportam já algumas diferenças significativas em relação aos que punham a 'salivar' qualquer membro das gerações 'X' ou 'Millennial'. Isto porque, em algum ponto da trajectória da Kinder em Portugal, a produção do chocolate para os referidos ovos deixou de ser centralizada, passando os mesmos a provir de Espanha; com esta mudança, veio um acréscimo no açúcar, passando os referidos ovos a saber menos a 'eles mesmos' e mais a um qualquer outro chocolate. Assim, quem, de momento, quiser recuperar o sabor da infância terá de se deslocar ao estrangeiro, onde os ovos permanecem como eram em Portugal naquela época – embora o elevado volume de problemas e escândalos em que a Kinder se vê periodicamente envolvida possa, potencialmente, servir como elemento desencorajador dessa 'viagem' nostálgica. O melhor mesmo, para poupar tempo, dinheiro e potenciais dissabores, será utilizar esta breve homenagem a um dos grandes doces da infância portuguesa de finais do século XX como forma de 'regressar' àquele tempo, ainda que apenas mentalmente, e sentir na boca aquele 'gostinho' da primeira trinca num ovo Kinder...

07.02.24

Em quartas-feiras alternadas, falamos sobre tudo aquilo que não cabe em nenhum outro dia ou categoria do blog.

Já aqui em ocasiões passadas abordámos a popularidade da BD franco-belga no Portugal de finais do século XX, onde os álbuns editados (sobretudo) pela Meribérica-Liber perdiam apenas para os 'quadradinhos' da Disney e Turma da Mônica no coração das crianças e jovens; e, de todos os heróis francófonos a marcar presença nas livrarias do nosso País, o mais popular talvez fosse Astérix, o intrépido e corajoso herói gaulês que, com a ajuda da poção mágica do seu druida, assume a linha da frente na defesa da sua aldeia contra a ameaça de invasão romana. De facto, mesmo em finais da década de 90, o 'baixinho' de bigode de Goscinny e Uderzo continuava a justificar não só a criação de novos álbuns, filmes e videojogos alusivos às suas aventuras, como também de um parque temático (no seu Norte de França natal) de produtos licenciados mais insólitos, como o jogo de tabuleiro lançado pela Majora, a colecção de figuras em cartão disponibilizada numa promoção da Longa Vida, o sumo da Libby's ou o livro de culinária que serve como tema do 'post' 'quase duplo' desta Quarta-feira.

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Capa e contra-capa do livro.

Não, não nos enganámos – Astérix viu mesmo ser lançado sob o seu nome, no ano de 1991, um livro de culinária para crianças, com o próprio e os seus conterrâneos da irredutível aldeia gaulesa presentes e em grande destaque não só na capa como em todas as páginas, prontos a servir de chamariz às crianças e jovens que avistassem o volume na prateleira da livraria do bairro. E a verdade é que, ao contrário de muitos produtos da época, o uso da licença é, neste caso, mais do que apenas superficial: 'A Cozinha Com Astérix' não se limita a utilizar os desenhos de Goscinny e Uderzo para se vender, havendo um claro esforço para capturar a atmosfera dos álbuns de Astérix nas suas páginas – cada uma das quais contém não só a receita (com o nome devidamente tematizado ao universo dos irredutíveis gauleses) como também cenas exclusivas com os personagens, e até painéis de banda desenhada que poderiam ter sido retirados directamente dos álbuns! O resultado é um livro visualmente espectacular, que até quem não tenha qualquer interesse em aprender a cozinhar quererá sem dúvida desfolhar.

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Exemplos das receitas e grafismo do livro (Crédito das fotos: Mercado Livre)

Infelizmente, e apesar de todo este esforço, 'A Cozinha Com Astérix' não utiliza todo o potencial de uma licença com cariz (pseudo)-histórico. Isto porque, apesar de os seus nomes e modos de apresentação evocarem o universo do personagem titular, as receitas contidas no livro são apenas pratos normais, fáceis de confeccionar e adequados à faixa etária alvo, mas sem qualquer relevância quer para o mundo em que Astérix habita, quer para a França de finais do século XX. Fica, assim, por aproveitar a oportunidade de apresentar aos jovens leitores pratos tradicionais da zona de França onde supostamente fica a aldeia gaulesa, juntando assim uma vertente histórica ao aspecto lúdico proporcionado pelo guerreiro loiro e seus amigos.

Ainda assim, e apesar desta 'falha', 'A Cozinha Com Astérix' é um volume bem merecedor de ser lido, que transcende o rótulo de simples curiosidade e apresenta conteúdos cuidados, com receitas que qualquer criança ou jovem com apetência para a cozinha se divertirá, sem dúvida, a fazer, e painéis de banda desenhada que o manterão interessado em meio às instruções de confecção; só é pena que o aspecto acima mencionado tenha sido negligenciado (ou, simplesmente, esquecido) ou poderíamos estar diante de um candidato ainda mais sério ao rótulo de melhor livro de receitas dos anos 90...

01.02.24

Todas as crianças gostam de comer (desde que não seja peixe nem vegetais), e os anos 90 foram uma das melhores épocas para se crescer no que toca a comidas apelativas para crianças e jovens. Em quintas-feiras alternadas, recordamos aqui alguns dos mais memoráveis ‘snacks’ daquela época.

No que toca a marcas e empresas alimentares praticamente sinónimas com os anos 90 em Portugal, a Dan Cake fica, talvez, apenas atrás da Matutano no imaginário sócio-cultural das gerações 'X' e 'millennial'. Tal como a empresa das batatas fritas, a magnata das bolachas e bolos industriais deixou na memória de quem foi jovem à época uma série de produtos, com destaque para os alfajores de chocolate (as famosas Cake Bar) como por um outro produto, talvez mais lembrado pela embalagem do que pelo conteúdo em si, e ainda hoje instantaneamente reconhecível para as gerações em causa.

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A versão da icónica lata que muitos conheceram nos anos 80 e 90. (Crédito da foto: OLX)

Falamos das bolachas de manteiga (ou Danish Butter Cookies), com a sua icónica e inconfundível caixa de lata azul, tantas vezes utilizada, depois de vazia, como 'estojo' para os materiais de costura lá de casa – uma tradição cuja origem se perde nas 'brumas do tempo', mas que terá sido partilhada pela grande maioria da população infanto-juvenil portuguesa das duas últimas décadas do século XX. De facto, e como acima mencionámos, este aspecto da utilização da embalagem é, indubitavelmente, mais recordado hoje em dia do que as bolachas em si, o que não deixa de ser um pouco injusto para as mesmas, que apresentavam um excelente sortido, com variedade suficiente para agradar a qualquer gosto, de bolachas que se desfaziam na boca a outras mais firmes e rijas, e até algumas polvilhadas de açúcar cristalizado ou com sabores adicionais, como coco. Na verdade, o facto de as caixas tão rapidamente passarem a repositórios de agulhas e linhas devia-se, precisamente, à velocidade a que os conteúdos no seu interior 'voavam', particularmente no contexto de festa ou convívio em que este tipo de 'guloseima' tendia a surgir.

Tal como tantos outros produtos que abordamos nestas páginas, no entanto, também os sortidos Dan Cake foram, gradualmente, perdendo preponderância em inícios do século XX, ao mesmo ritmo do que a própria companhia, hoje longe da expressão que já teve no mercado alimentar nacional. Assim, e apesar de ainda hoje haver sortidos de bolachas das mais diversas marcas à venda por todo o País, algumas, inclusivamente, em latas muito semelhantes às da Dan Cake, as actuais 'costureiras amadoras' ter-se-ão visto forçadas a 'engendrar' outro tipo de recipiente improvisado para guardar os seus materiais. De facto, é de duvidar se as actuais crianças e jovens da Geração Z alguma vez se terão sorrateiramente aproximado de uma lata de bolachas 'em repouso' sobre um balcão e prateleira, aberto a mesma com o intuito de 'sacar' subrepticiamente umas quantas, e tido a desilusão de apenas agarrar na mão carretos de linhas – uma experiência que continua fresca na memória dos seus pais e que, para muitos deles, ficará para sempre conotada com este tipo de bolachas...

11.01.24

Todas as crianças gostam de comer (desde que não seja peixe nem vegetais), e os anos 90 foram uma das melhores épocas para se crescer no que toca a comidas apelativas para crianças e jovens. Em quintas-feiras alternadas, recordamos aqui alguns dos mais memoráveis ‘snacks’ daquela época.

Na primeira quadra natalícia deste 'blog', recordámos os brindes (e fava) do bolo-rei, tradição bem-amada de gerações de crianças e jovens portugueses que, já no século XXI, foi descontinuada, alegadamente por razões de saúde pública. Pois bem, o facto é que a interdição de 'esconder' esses dois elementos no bolo-rei parece, na quadra que ora finda, ter sido levantada, dado terem sido vários os registos de brindes e favas registados em bolos-rei comercializados, especificamente, pela cadeia de supermercados Pingo Doce.

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Brindes no mesmo estilo dos oferecidos nos bolos do Pingo Doce.

De facto, embora não fosse o caso com todas as confecções deste tipo disponibilizadas pela cadeia em causa, uma parte significativa dos bolos-rei vendidos pelo Grupo Jerónimo Martins nas Festas de 2023 parecem ter incluído tanto uma fava como uma pequena figura de um rei mago – a qual, apesar de longe da glória dos brindes de outros tempos, não deixou ainda assim de ser uma surpresa agradável para quem não esperava pelo regresso desta tradição.

De ressalvar que, ao contrário do que acontecia nos anos 90, ambos os elementos surgiam devidamente embrulhados em plástico, reduzindo o risco de engolimento acidental e correspondente asfixia – ainda que exista na Internet um registo de uma ocorrência em que os mesmos vinham 'à solta' dentro do bolo, quase causando um incidente deste tipo. Controvérsias à parte, é bom ver o regresso de uma tradição natalícia nostálgica para várias gerações de portugueses, e pronta a criar memórias a muitas outras; assim, e apesar de já passado o Dia de Reis, não podíamos deixar de assinalar esta efeméride, a qual se espera que não tenha sido pontual, e se venha a verificar novamente em Natais futuros.

09.11.23

Todas as crianças gostam de comer (desde que não seja peixe nem vegetais), e os anos 90 foram uma das melhores épocas para se crescer no que toca a comidas apelativas para crianças e jovens. Em quintas-feiras alternadas, recordamos aqui alguns dos mais memoráveis ‘snacks’ daquela época.

Na última edição desta rubrica, falámos das Oreos, ainda hoje entre as bolachas mais icónicas em Portugal, a par  das antecessoras Belinhas; esta semana, abordamos a principal companheira das 'bolachas-sanduíche' nesse panteão, uma marca que apesar de, a certo ponto, ter sido descontinuada, provou ser popular o suficiente para justificar o regresso, ainda que sob a alçada de um novo fabricante – as clássicas bolachas Belgas, da Triunfo, e hoje comercializadas pela Saborosa.

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Surgidas nos supermercados e hipermercados portugueses, como as Oreos, algures na década de 90 (a data é, infelizmente, impossível de verificar) as Belgas partilhavam com as congéneres da Nabisco o facto de serem embaladas em pequenos pacotes metalizados com um número limitado de bolachas – quatro no caso das Oreos, cinco no das Belgas. Como é evidente, esta limitação servia a dupla função de tornar as referidas bolachas ideais para inclusão na lancheira e, ao mesmo tempo, deixar aquela vontade de abrir um segundo pacote e comer mais três...

A ajudar a este sentimento estava o gosto das bolachas em si, sendo ambas as variantes disponíveis à época (com os dois lados de manteiga ou com um revestido de chocolate) absolutamente irresistíveis para qualquer paladar infanto-juvenil, e até para muitos já adultos – basta ver as reacções de choque em 'websites' e fóruns de meados dos anos 2010, quando as Belgas foram descontinuadas e retiradas do mercado português, deixando as variantes de 'marca branca' dos supermercados como única alternativa. A demanda foi tanta, aliás, que, poucos anos depois, a marca foi re-instaurada, desta vez pela mão da Saborosa, que tratou mesmo de adicionar novos sabores à tradicional dicotomia, criando toda uma gama de Belgas prontas a (re)conquistar o paladar dos portugueses.

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A gama actual de Belgas, produzidas e comercializadas pela Saborosa.

Melhor, 'estas' Belgas sabem exactamente como as originais, já que a Saborosa faz parte do grupo Triunfo e, como tal, utiliza a mesma receita. Fica, pois, a 'dica' para quem quiser recuperar um daqueles sabores icónicos da infância e adolescência que, a certo ponto, se julgou tão desaparecido quanto os lendários Galak Buttons, mas que teve a oportunidade de gozar de uma 'segunda vida' que promete ser tão bem-sucedida quanto a primeira...

19.10.23

Todas as crianças gostam de comer (desde que não seja peixe nem vegetais), e os anos 90 foram uma das melhores épocas para se crescer no que toca a comidas apelativas para crianças e jovens. Em quintas-feiras alternadas, recordamos aqui alguns dos mais memoráveis ‘snacks’ daquela época.

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A variedade quase infindável de produtos actualmente disponíveis no nosso País, bem como a facilidade de ligação e conexão a mercados internacionais, podem levar a pensar que este paradigma tenha, já, alguns anos ou até décadas de precedência. Quem nasceu e cresceu num Portugal nem tão distante assim, no entanto, sabe que tal ideia não podia estar mais longe da verdade; de facto, há parcas três décadas, grande parte dos produtos hoje tomados como garantidos pela população nacional eram totalmente desconhecidos num mercado ainda muito fechado sobre si próprio, e onde imperavam, sobretudo, as marcas ibéricas, sendo qualquer produto importado quase automaticamente considerado luxuoso.

Um dos melhores exemplos desta mudança de paradigma – vivida, sobretudo, a partir da segunda metade da década de 90 – prende-se com uma das mais conhecidas e apreciadas marcas de bolachas a nível mundial, hoje perfeitamente ubíqua nas prateleiras nacionais, mas cuja chegada a Portugal data de há apenas um mero quarto de século. Falamos, claro está, das Oreos, as icónicas e deliciosas 'sanduíches' de creme branco em bolachas de chocolate que vinham já fazendo as delícias dos 'putos' americanos e britânicos – entre outros – há mais de três quartos de século quando, finalmente, conseguiram entrar no mercado lusitano (através do espanhol, como era comum acontecer na altura) algures nos anos 90.

Escusado será dizer que o sucesso encontrado foi tão imediato quanto o havia sido naqueles mercados, e as Oreos (então vendidas em caixas, cada uma com quatro 'saquetas' de quatro bolachas) rapidamente se tornaram favoritas para a hora do lanche na escola, como 'snack' para pôr na lancheira, ou simplesmente como recheio para a lata das bolachas lá de casa. Num mercado deprivado, desde há alguns anos, das 'Bélinhas', as bolachas da Nabisco vieram preencher uma lacuna importante, assumindo-se como substitutas à altura daquelas que haviam sido as suas 'antecessoras espirituais' no coração das crianças portuguesas.

O resto da história é bem conhecido, tendo'se os volumes de vendas das Oreos em Portugal ao longo dos últimos vinte e cinco anos mantido estáveis o suficiente para justificar a expansão da oferta da gama a umas impressionantes dezasseis variedades, entre as quais se incluem mesmo algumas edições limitadas, como aquela que apresentava uma embalagem cor-de-rosa, em alusão à cantora pop Lady Gaga - infelizmente, ao contrário do que sucedeu no sempre anárquico mercado norte-americano, a versão portuguesa desta promoção NÃO trazia bolachas cor-de-rosa, nem recheio de creme verde... Em suma, Portugal juntou-se ao lote de países que permitem à Nabisco apregoar a Oreo como a bolacha mais vendida em todo o Mundo, tendo-se a mesma tornado parte integrante da vida quotidiana de grande parte da população – o que torna ainda mais difícil recordar que a sua presença no mercado nacional data de pouco mais de um quarto de século...

07.09.23

Todas as crianças gostam de comer (desde que não seja peixe nem vegetais), e os anos 90 foram uma das melhores épocas para se crescer no que toca a comidas apelativas para crianças e jovens. Em quintas-feiras alternadas, recordamos aqui alguns dos mais memoráveis ‘snacks’ daquela época.

Hoje em dia, quando se fala em bolachas cobertas de chocolate, a mente da maioria dos portugueses vira-se, quase de imediato, para as Oreos (chegadas a Portugal em 1995, e que aqui terão, paulatinamente, o seu espaço) ou para as não menos icónicas Belgas de chocolate; para a geração nascida e crescida nos anos 80 e inícios de 90, no entanto, a referência a este tipo de bolachas evoca um outro nome, tão icónico como saudoso – o das Belinhas.

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A única imagem das Belinhas disponível na Internet.

Fabricadas pela hoje desaparecida Aliança e vendidas num icónico pacote vermelho e prateado, as Belinhas consistiam, basicamente, de um misto entre 'wafer' e bolacha Maria recoberto de cacau, criando uma dicotomia que, como qualquer criança atestará, resulta sempre extremamente bem. Talvez por isso estas bolachas fossem das mais populares e cobiçadas nos recreios lusos dos anos 80 e inícios da década seguinte, onde a sua designação se tornou, inclusivamente, num sinónimo de 'calão' para o bom e velho 'calduço', neste caso acompanhado da expressão 'toma lá Belinhas!º

O aspecto pelo qual estas bolachas eram mais conhecidas, e se tornaram icónicas, era o facto de as bolachas das pontas gozarem, regra geral, de uma cobertura de cacau mais densa e espessa, que as tornava preferidas em relação às suas congéneres do meio do pacote, normalmente mais parcas nesse particular. Assim, qualquer criança ou jovem confrontado com um pacote de Belinhas não hesitaria a escolher uma das da ponta – até porque, se não o fizesse, alguém o faria por si...

Toda esta popularidade não foi, no entanto, suficiente para evitar que as Belinhas fossem retiradas do mercado algures na primeira metade dos anos 90, por motivos e sob circunstâncias ainda hoje pouco conhecidas, até por estas bolachas se contarem entre os muitos produtos da época hoje Esquecidos Pela Net. Esta saída de cena 'pela porta do cavalo' não significou, no entanto, a perda total de relevância das Belinhas entre as gerações 'X' e 'millennial' – antes pelo contrário, o desaparecimento das bolachas da Aliança das prateleiras dos supermercados apenas veio dar razão ao ditado que afirma que 'a ausência faz o amor aumentar', já que as mesmas estão entre os produtos mais saudosamente recordados por quem alguma vez as comeu. E depois de as contemporâneas 'Joaninhas', da Triunfo, terem mesmo acabado por ser relançadas no mercado (e com algum sucesso), quem sabe não serão as Belinhas as próximas a gozar de uma 'segunda vida', e a conquistar os corações de toda uma nova geração de pequenos consumidores?

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