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Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

29.10.25

A banda desenhada fez, desde sempre, parte da vida das crianças e jovens portugueses. Às quartas, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos títulos e séries mais marcantes lançados em território nacional.

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Hoje em dia, o acto de comprar banda desenhada importada encontra-se, como tantos outros, trivializado, bastando encomendar os volumes desejados pela Internet, numa loja especializada ou até mesmo numa boa livraria – isto, claro está, para quem não queira partir 'à aventura' no quiosque de alfarrabista mais próximo. Tal facilidade e conforto pode, no entanto, fazer esquecer que, há um mero quarto de século, quem quisesse ler 'comics' americanos (ou, horror dos horrores, 'manga') estava à mercê do que conseguisse encontrar no quiosque ou tabacaria local, ou, quando muito, de uma tradução em francês, espanhol ou brasileiro de um qualquer volume japonês, tipicamente a preços exorbitantes.

De facto, apesar de álbuns de BD franco-belga serem relativamente fácil de adquirir em Portugal nas suas versões originais desde pelo menos os anos 70, para as bandas desenhadas americanas e japonesas de carácter serializado, esse processo apenas se deu já nos anos de viragem do Milénio, com a abertura das primeiras lojas especializadas e dedicadas à venda de BD em Portugal. Antes disso, era necessário possuir nas redondezas uma tabacaria com excelentes contactos entre os importadores, e mesmo essa apenas possuiria uma mão-cheia de titulos da Marvel, DC ou, com alguma sorte, da Image ou Archie Comics.

Os bedéfilos lusitanos que devoravam mensalmente a 'Wizard' brasileira (ou a 'sucedânea' nacional 'Heróis') ficavam, assim, em larga medida restritos à sua imaginação no que tocava aos potenciais conteúdos dos volumes ali abordados - até porque mesmo os poucos números que logravam transpôr o oceano o faziam a preços acima da média para a 'carteira' de um jovem português médio. Um paradigma que, partindo de algo específico e quase insignificante, serve como reflexo da enorme progressão vivida pela sociedade portuguesa no primeiro quarto do século XXI, não apenas a nível de periódicos ou lojas especializadas, mas da própria abertura ao restante Mundo ocidental e respectiva cultura – a qual, por vezes, pode ser transmitida por meio de algo tão singelo como um simples 'livro aos quadradinhos'.

19.09.25

NOTA: Este 'post' é respeitante a Quarta-feira, 17 e Quinta-Feira, 18 de Setembro de 2025.

A banda desenhada fez, desde sempre, parte da vida das crianças e jovens portugueses. Às quartas, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos títulos e séries mais marcantes lançados em território nacional.

Os anos 90 viram surgir nas bancas muitas e boas revistas, não só dirigidas ao público jovem como também generalistas, mas de interesse para o mesmo. Nesta rubrica, recordamos alguns dos títulos mais marcantes dentro desse espectro.

Já aqui por diversas vezes mencionámos a natureza salutar da imprensa periódica portuguesa em finais do século XX e inícios do seguinte. Para além da enorme variedade de jornais mais ou menos eruditos em oferta, o nosso País via também surgirem com regularidade revistas especializadas referentes aos mais diversos assuntos, quer criadas e editadas em solo nacional, quer importadas do estrangeiro, sobretudo dos mercados espanhol (pela proximidade) britânico (pela difusão e reputação) e, claro, brasileiro, cujas revistas, devido à língua partilhada e facilidade de importação, tomava para si um volume considerável do mercado português, sobretudo no tocante à banda desenhada, ramo no qual alguns exemplos persistem mesmo até aos dias de hoje. Não é, pois, de surpreender que, em meados dos anos 90, os aficionados de BD portugueses tenham visto surgir nas bancas e quiosques nacionais, não mais um dos inúmeros 'gibis' que tanto sucesso faziam por estas bandas, mas uma revista especializada com foco nos 'comics' norte-americanos, e que era, ela própria, uma adaptação de um original surgido nos Estados Unidos.

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O primeiro número da edição brasileira da revista, originalmente editado em 1996.

Tratava-se da edição brasileira da lendária revista Wizard, cujo primeiro número era lançado em terras de Vera-Cruz algures em 1996, o que – observando a habitual 'décalage' na chegada das publicações brasileiras a Portugal – a terá colocado nas bancas nacionais algures no ano seguinte. Uma situação longe de ideal para um tipo de publicação dependente da relevância temporal, mas certamente melhor do que nada para os jovens 'bedéfilos' portugueses, os quais, por essa altura, já tinham visto surgir e desaparecer a tímida tentativa da Abril-Controljornal de criar uma publicação deste tipo (a hoje algo esquecida 'Heróis', que, mesmo nos seus melhores momentos, ficava a 'léguas' da apresentação e qualidade da revista que lhe servia de inspiração) e que acolhiam de braços abertos a oportunidade de se manter a par do que ia acontecendo com os seus heróis favoritos, e logo naquela linguagem 'gingada' típica das publicações brasileiras, e que tornava a leitura ainda mais prazerosa...

De facto, ainda que não se pudesse afastar muito dos moldes da publicação-mãe (ou não fosse, na prática, um 'franchise' da mesma), a 'Wizard' brasileira fazia questão, como acontecia com tantas outras revistas daquele país, de afirmar a sua 'brasilidade', o que a tornava ainda mais apelativa para o público nacional do que a original americana, mais cara, menos acessível, e repleta daquele humor típico norte-americano que nem sempre se 'traduz' bem para os contextos de outros países. Uma receita que tinha tudo para dar certo, não fosse o facto de a 'Wizard' brasileira, na sua edição original sob a alçada da bem conhecida editora Globo, não ter chegado a ficar um ano e meio nas bancas, cessando a publicação após o número 15, para apenas a retomar já no Novo Milénio, agora pela mão da editora Panini. Essa segunda série viria a tornar-se bastante mais estabelecida, durando oito anos antes de ser extinta, e a Wizard transformada em publicação apenas digital – embora não sem deixar um legado adicional, sob a forma do site Guia dos Quadrinhos, principal referencial para compra e venda de 'gibis' no Brasil até aos dias de hoje.

Quanto a Portugal, por essa altura, a banda desenhada internacional era já uma realidade bem entranhada na cultura nacional, com lojas e revistas especializadas (entre elas a 'Wizard' original), pelo que a perda da revista brasileira não fez grande mossa. Numa era em que a oferta era praticamente nula, e ainda mais a nível internacional, no entanto, a 'verrrsão brasileirrraaaa' da icónica revista de 'comics' terá certamente, durante o seu curto tempo de vida, feito as delícias de muitos fãs de banda desenhada, e levado a que 'torrassem' a semanada numa publicação que, mesmo desactualizada, se afirmava como referência num mercado de outra forma praticamente inexistente.

18.06.25

NOTA: Este 'post' é parcialmente respeitante a Terça-feira, 17 de Junho de 2025.

A década de 90 viu surgirem e popularizarem-se algumas das mais mirabolantes inovações tecnológicas da segunda metade do século XX, muitas das quais foram aplicadas a jogos e brinquedos. Às terças, o Portugal Anos 90 recorda algumas das mais memoráveis a aterrar em terras lusitanas.

A banda desenhada fez, desde sempre, parte da vida das crianças e jovens portugueses. Às quartas, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos títulos e séries mais marcantes lançados em território nacional.

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O lendário 'Penny Arcade', ainda hoje actualizado.

Hoje em dia, a criação artística com recurso a meios digitais é comum e normalizada ao ponto de quase ser expectável, em grande parte devido aos avanços tecnológicos e subsequente aumento na variedade e acessibilidade dos produtos e materiais necessários. Em finais do século XX, no entanto, a situação era diametralmente oposta, com os equipamentos disponíveis a serem tão caros quanto rudimentares e, como tal, utilizados sobretudo por aqueles que não tinham qualquer outra forma de atingir o seu objectivo, eram 'tecnocráticos' o suficiente para saber o que fazer com eles, ou reuniam ambas as condições.

Não foi, pois, sem uma certa admiração e surpresa – misturada com prazer – que os fãs de banda desenhada com acesso à Internet em finais dos anos 90 se depararam com todo um novo leque de opções de leitura em formato digital, antes acessível apenas a quem se movimentasse em meios informáticos, fizesse parte dos velhos 'fóruns', ou soubesse utilisar serviços como a Usenet. Por comparação, estas novas criações (no bom e velho formato HTML) apenas requeriam conhecimento do endereço em que se encontravam para poderem ser apreciadas, garantindo assim, desde logo, um público muito maior e mais global - ainda que a língua inglesa exclusivamente utilizada nestas obras continuasse a constituir um entrave e a restringir a verdadeira globalização.

Quem percebia inglês a um nível satisfatório, no entanto – e tinha um sentido de humor voltado para o sarcasmo e para o humor referencial, base de muitos destes chamados 'webcomics' – não podia deixar de se deliciar com criações como 'Aaron A. Ardvark', 'Captain Jim' ou o lendário 'Penny Arcade' (precursor da tematização em torno dos videojogos, hoje tão popular) e com paródias como 'Dysfunctional Family Circus' e 'Neglected Mario Characters', entre outros. E se algumas destas obras podem, à luz dos dias de hoje, parecer algo primitivas, rudimentares e até imaturas, outras há que logram subsistir ao longo das décadas e manter-se relevantes, quais 'South Park' da banda desenhada digital, como é o caso do referido 'Penny Arcade'. Quem presenciou o início do meio, no entanto, sabe que a produção e oferta de hoje pouco tem da magia inovadora e verdadeiramente entusiasmante daquelas primeiras criações, a cujo impacto e influência vários criadores modernos devem uma carreira, e que, por isso, bem merece ver-lhe dedicado mais um 'post' duplo neste nosso 'blog' nostálgico.

02.03.22

NOTA: Para celebrar a estreia, esta sexta-feira, do novo filme de Batman, todos os 'posts' desta semana serão dedicados ao Homem-Morcego.

A banda desenhada fez, desde sempre, parte da vida das crianças e jovens portugueses. Às quartas, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos títulos e séries mais marcantes lançados em território nacional.

As adaptações em texto de propriedades audio-visuais de sucesso – as chamadas novelizações ou serializações – não são, de todo, um fenómeno recente; pelo contrário, pode dizer-se que o verdadeiro auge deste tipo de obra ocorreu nos anos 80 e 90, altura em que praticamente todos os 'franchises' cinematográficos ou televisivos minimamente bem sucedidos eram alvo de adaptações literárias. De Indiana Jones a Street Fighter e até E.T – O Extraterrestre, eram inúmeros os exemplos de conversões de filme ou série televisiva para livro, normalmente com uma qualidade de escrita não mais do que aceitável, e sem grandes pretensões a serem mais do que uma fonte adicional de receitas para a propriedade que representavam.

Menos comuns, embora longe de inexistentes, eram as adaptações em banda desenhada. De facto, tirando as 'quadrinizações' dos filmes da Disney feitas pela americana 'Disney Adventures' e publicadas em Portugal pela revista Super Jovem, e mais tarde numa colecção de álbuns bilingues que já aqui abordámos, eram poucos ou quase nenhuns os filmes ou séries que tinham direito a adaptações em BD, e ainda menos as obras desse tipo que atravessavam o oceano até à Península Ibérica.

Talvez tenha sido precisamente por isso que a adaptação oficial em banda desenhada do terceiro longa-metragem de Batman, 'Batman Para Sempre' (a única das quatro realizadas para cada um dos filmes do herói a chegar às bancas portuguesas) se destacou de tal forma nas bancas de jornais à altura do seu lançamento; apesar de Portugal ser, tradicionalmente, um país com tradição de venda e compra de revistas aos quadradinhos (entre as quais várias do próprio Batman, bem como de outros super-heróis) este tipo de publicação era tudo menos familiar para o público-alvo das BD's da Marvel e DC em meados da década de 90 – um facto a que também ajudava a própria aparência e apresentação da revista, diametralmente oposta às publicações de super-heróis 'vulgares' que a Abril enviava para as bancas a cada quinze ou trinta dias.

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De facto, com o seu formato A4 – tipico dos 'comics' norte-americanos, mas reservado, na Europa, a publicações do tipo almanaque ou álbum – e papel brilhante e oleoso, a adaptação em BD de 'Batman Para Sempre' posicionava-se, desde logo, como uma edição 'de luxo', em contraste directo com os 'livros aos quadradinhos' de formato A5 e papel rugoso a que as crianças e jovens da época estavam habituados; os traços distintivos não se ficavam, no entanto, por aí, sendo que os próprios conteúdos da revista tinham uma toada algo mais adulta do que o habitual para os 'comics' da época, com um estilo gráfico sombrio e razoavelmente realista, fiel à atmosfera do filme de Schumacher (da responsabilidade dos experientes Michael Dutkiewicz e Scott Hanna, na altura dois dos principais artistas na folha salarial da DC), e que a posicionava mais perto das chamadas 'graphic novels' do que das revistas quinzenais ou mensais, justificando assim o preço ligeiramente mais 'puxado' de 380$00, o equivalente a EUR 1.90 actuais.

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Exemplo da arte gráfica do livro

A história, essa, era exactamente a mesma do próprio 'Batman Para Sempre', ou não se tratasse de uma adaptação oficial em BD. Apesar de algumas liberdades criativas – como mostrar um excerto do próprio guião na primeira página – o argumento de Dennis O'Neil segue fielmente o roteiro da obra de Schumacher, sem nunca tentar expandir sobre aquilo que o realizador mostrara, o que, dependendo da interpretação, tanto pode ser louvável como uma oportunidade falhada de mostrar os personagens e história de 'Para Sempre' de outros ângulos, enriquecendo assim a história do filme – uma táctica sobejamente utilizada pelas novelizações em prosa, mas de que a equipa responsável por esta transcrição para BD optou por não fazer uso.

Qualquer que seja a perspectiva sobre esta abordagem, no entanto, a verdade é que a adaptação em BD de 'Batman Para Sempre' justificava bem a compra – embora sobretudo como artigo de colecção, já que era extremamente improvável que alguém que não tivesse visto o filme se interessasse por algo deste tipo, e quem já conhecesse a história dificilmente estaria interessado em a reviver num formato gráfico. Ainda assim, foi louvável o esforço da DC em assegurar que esta adaptação correspondia aos padrões de qualidade das suas antecessoras, e que o seu público-alvo não dava o seu dinheiro por mal gasto; e nesse aspecto, pelo menos, pode considerar-se que a editora (e, por associação, a Abril-Controljornal) foi bastante bem sucedida, já que a adaptação em banda desenhada de 'Batman Para Sempre' é uma adição mais do que válida à colecção de qualquer entusiasta de Batman, ou de BD de super-heróis dos anos 90 em geral.

11.08.21

A banda desenhada fez, desde sempre, parte da vida das crianças e jovens portugueses. Às quartas, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos títulos e séries mais marcantes lançados em território nacional.

Desde o início desta rubrica que temos vindo a focar as nossas atenções, sobretudo, no estilo de bandas desenhadas disponíveis nas tabacarias, papelarias e quiosques daquele Portugal dos anos 90. No entanto, este não foi o único tipo de BD a fazer sucesso entre a população jovem da época; houve um outro género que se popularizou, precisamente, durante essa década, e que perdurou até, pelo menos, meados da seguinte – os álbuns de tirinhas originalmente publicadas nos jornais diários e semanários norte-americanos, as chamadas ‘comic strips’. E dentro dos álbuns de ‘comic strips’; houve uma dupla que se notabilizou acima de todas, ao ponto de ser praticamente sinónima com este estilo para a maioria das crianças portuguesas.

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Falamos, como é óbvio, de Calvin e Hobbes, o ‘pestinha’ de seis anos e o seu amigo imaginário / tigre de peluche com nomes de filósofos renascentistas que cativaram a juventude portuguesa da época com a sua mistura de tirinhas cómicas-sarcásticas com outras mais filosóficas e reflexivas, muito pouco habituais na era do ‘berrante e movimentado’.

Nascidos, ainda nos anos 80, da imaginação de Bill Watterson, um ex-‘cartoonista’ político, a dupla almejava representar, em simultâneo, a inocência, imaginação e poder de observação demonstrado pela maioria das crianças. Para almejar este objetivo, Watterson dividia a personalidade típica infantil entre dois personagens, ficando Calvin com a faceta mais imaginativa e irrequieta, e o seu tigre – em grande parte baseado na gata de Watterson - com a parte mais reflexiva, observante e sensata. Esta dinâmica, que o criador explorava de forma perfeita, dava à tirinha um equilíbrio que faltava em muitas outras, mais explicitamente viradas à comédia, fazendo de Calvin and Hobbes, os personagens, quase como que sucessores naturais dos famosos ‘Peanuts’, de Charles Schulz; e, tal como ‘Peanuts’, não tardou até a BD de Watterson se tornar um êxito entre o público jovem.

Portugal – onde a BD chegava em início dos anos 90, com a habitual meia-dúzia de anos de atraso, pela mão da editora Gradiva – não foi excepção à regra neste aspecto. De facto, a maioria das crianças portuguesas dos anos 90 e 2000 tinha na sua colecção pelo menos um dos álbuns de Calvin & Hobbes editados no nosso país – fosse um dos ‘normais’ ou um dos especialíssimos e muito cobiçados álbuns ‘grande formato’ e provavelmente várias peças de ‘merchandise’ alusivas à dupla - inevitavelmente, piratas, sendo que NUNCA houve ‘merchandising’ oficial de Calvin and Hobbes, por vontade expressa de Watterson, conforme o próprio conta no seminal álbum de aniversário da dupla, ‘Parabéns Calvin & Hobbes’.

Ainda assim, tal não impedia a existência de t-shirts, autocolantes e outros artigos ilustrados pelas mais famosas cenas desenhadas por Watterson, e que faziam as delícias das crianças e adolescentes portuguesas, e um pouco por todo o Mundo.

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O seminal álbum de celebração dos dez anos da dupla, editado pela Gradiva, e um dos muitos produtos alusivos à mesma, de cariz não licenciado

Infelizmente, foi ainda na década de 90 que Bill Watterson resolveu encerrar actividades, desiludido com o rumo que a indústria de ‘comic strips’ norte-americana estava a tomar. Estávamos em 1995 quando o autor da mais famosa representante do género declarou que não criava mais…e não criou. Nos vinte e cinco anos seguintes, não saiu nem mais uma tira, nem mais um desenho, nem mais uma história alusiva à dupla, tendo os seus milhões de fãs espalhados pelo globo tido de se contentar com o material pré-existente.

Entretanto, a era de ouro dos sindicatos de ‘comics’ viria, também ela, a acabar e, com ela, a publicação em massa deste tipo de álbuns, que – embora ainda se vejam nas livrarias – já não têm a preponderância que em tempos tiveram entre a população jovem, mais virada para o digital que para as leituras. Ainda assim, a influência que um ‘puto traquina’ e o seu tigre de peluche tiveram em toda uma geração de leitores portugueses não pode ser menosprezada, e justifica bem a atribuição de meia dúzia de parágrafos num blog nostálgico a esta marcante série de BD do ‘nosso’ tempo…

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