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Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

05.08.21

Trazer milhões de ‘quinquilharias’ nos bolsos, no estojo ou na pasta faz parte da experiência de ser criança. Às quintas, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos brindes e ‘porcarias’ preferidos da juventude daquela época.

Os jogos de cartas foram, desde sempre, um dos passatempos preferidos da juventude, não só os tradicionais (com os reis, rainhas, ases, etc.) como também outros mais complexos ou elaborados, como o Uno ou os diversos títulos da série Top Trumps, de ambos os quais falaremos paulatinamente nesta mesma secção.

A segunda metade dos anos 90 viu ser acrescentado a esta lista um novo tipo de jogo de cartas, surgido aparentemente do nada, mas que rapidamente conquistou a população em idade escolar - sobretudo a do sexo masculino, devido à sua temática de fantasia, repleta de monstros e guerreiros, e com todo um mundo por detrás, que o jogo usava como cenário para os seus enredos de aventura e acção.

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O primeiro 'deck', ou baralho, que muitas crianças da época terão tido

Falamos, é claro, de Magic: The Gathering, um dos dois chamados ‘collectible card games’ - ou simplesmente CCG -  a fazer furor entre a juventude portuguesa (o outro, Pokémon, chegaria já nos anos 2000, ficando assim fora do âmbito deste blog.) Não é claro porque é que foram estas as duas únicas colecções deste tipo a ‘pegar’, enquanto CCG de propriedades tão famosas como ‘Ficheiros Secretos’ eram sumariamente ignorados; terá sido, supõe-se, uma questão puramente de ‘modismo’…

Considerações à parte, no entanto, a verdade é que o Magic (como era simplesmente conhecido nos recreios deste país) gozou de uma longevidade invejável para ‘moda de recreio’, conseguindo manter a sua relevância entre os mais jovens por quase uma década, antes de se tornar novamente habitante exclusivo do reino dos ‘geeks’ – tal como, aliás, aconteceu na mesma época com o ‘anime’. A partir das suas Quarta e Quinta Edições, em meados da década, este jogo passou de obscuro a super-popular, não havendo praticamente nenhum jovem do sexo masculino em idade pré-adolescente ou adolescente que não tivesse, pelo menos, um punhado de cartas – a maioria, provavelmente, na icónica tradução brasileira - e uma cor favorita, de entre as cinco oferecidas pelo jogo (por aqui, jogava-se com vermelho e verde, sendo o preto a cor menos apreciada.)

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Exemplos do visual típico das cartas do jogo, incluindo as icónicas 'costas' castanhas, comuns a todas as edições lançadas até hoje

Nem mesmo a complexidade das regras de Magic – que levava, em alguns casos, a simplificações e tentativas de ‘batota’ – prejudicava a popularidade do jogo entre o público-alvo, que (à boa maneira infanto-juvenil) aprendia o que tivesse de aprender para se conseguir divertir com os amigos – embora apenas até certo ponto. De facto, poderá bem ter sido o excessivo complexificar das mecânicas do jogo a ditar o fim da popularidade do Magic, sendo que, a certa altura, até o mais empedernido e ‘geeky’ dos jogadores começava a achar aquilo tudo demasiado complicado para valer o esforço – especialmente quando já mais ninguém jogava…

Fosse qual fosse a razão, a verdade é que, a partir de meados dos anos 2000, o jogo deixou de ter a popularidade que tinha ainda poucos anos antes, sendo extremamente difícil encontrar jogadores fora dos locais apropriados, como as lojas de BD ou de jogos de fantasia. O passatempo tornava, assim, ao seu reduto como actividade de ‘culto’.

Ainda assim, Magic foi dos poucos passatempos declaradamente ‘geeky’ a ter conhecido, e por um período mais prolongado do que alguém se atreveria a esperar, o doce sabor da popularidade no recreio da escola; graças a este jogo, durante um breve período em finais de 90 e inícios de 2000, metade dos jovens em Portugal foram um bocadinho 'totós', com interesse activo em torneios e listagens de preços de cartas - e isso, convenhamos, é uma proeza de que muito poucos produtos infanto-juvenis daquele tempo se podem gabar...

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