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Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

05.05.22

Trazer milhões de ‘quinquilharias’ nos bolsos, no estojo ou na pasta faz parte da experiência de ser criança. Às quintas, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos brindes e ‘porcarias’ preferidos da juventude daquela época.

Os anos 90 e 2000 foram, talvez, a última grande década para o coleccionismo. Antes de a Internet 2.0 transformar tudo em digital e efémero, praticamente não havia criança que não arrebanhasse, numa gaveta da cómoda ou orgulhosamente dispostos na prateleira do quarto, diferentes objectos de um determinado tipo, muitos deles conseguidos à custa de muito suor e lágrimas; e, destes, um dos mais clássicos eram os porta-chaves.

Uma escolha curiosa, visto a maioria das crianças não possuir quaisquer chaves para neles colocar, mas fácil de explicar pelo simples facto de os porta-chaves dos anos 90 serem verdadeiras obras de arte publicitária; de facto, fossem alusivos a um determinado local, licenciados a uma qualquer propriedade intelectual ou simplesmente destinados a divulgar uma marca ou produto, quase todos os exemplos deste tipo de objecto criados durante esta época eram extremamente apelativos do ponto de vista visual, não sendo, pois, de estranhar que 'caíssem no gosto' do público jovem, tradicionalmente susceptível a esse factor.

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Alguns porta-chaves dos anos 90 e 2000, da nossa colecção pessoal

Esta preferência tornou-se, aliás, ainda mais arraigada na ponta final da década, com o advento dos porta-chaves em formato de peluche, os quais se transformaram numa verdadeira 'febre' nos primeiros anos do novo milénio, sobretudo entre o público adolescente. Fossem os tradicionais ursinhos ou algo mais 'interessante', como personagens de banda desenhada ou de desenhos animados, este tipo de porta-chaves passou a ter lugar cativo em redor dos fechos da mochila de qualquer estudante do ensino secundário, posição essa que não perderia até já bem tarde na década seguinte. Apenas mais uma desculpa para se coleccionar este tipo de objecto (por aqui, reuniram-se os quatro personagens principais da série South Park) agora com o bónus adicional de o mesmo poder, também, servir a sua verdadeira função – afinal, ao contrário das crianças mais novas, o adolescente português comum da época já dispunha, pelo menos, das chaves de casa...

Fossem quais fossem os motivos por trás do fascínio daquela geração com os porta-chaves, no entanto, o mesmo era inegável – tanto assim que apostamos que, se muitos dos ex-jovens daquela época remexerem hoje nas gavetas ou garagens da sua infância e juventude, não deixarão de encontrar vários exemplares desse tipo bem particular de 'quinquilharia'...

03.03.22

NOTA: Para celebrar a estreia, esta sexta-feira, do novo filme de Batman, todos os 'posts' desta semana serão dedicados ao Homem-Morcego.

Trazer milhões de ‘quinquilharias’ nos bolsos, no estojo ou na pasta faz parte da experiência de ser criança. Às quintas, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos brindes e ‘porcarias’ preferidos da juventude daquela época.

Um dos mais demonstráveis axiomas dos anos 90 era que qualquer propriedade intelectual popular entre o público jovem seria alvo da sua própria colecção de cromos; e com bom motivo, já que s autocolantes temáticos coleccionáveis estavam em alta entre a referida demografia, e lançar uma colecção alusiva a uma série, artista ou obra literária de sucesso era receita segura para manter a mesma ou o mesmo relevante junto do sector infanto-juvenil, prolongando assim a sua popularidade ao mesmo tempo que se aumentavam as receitas de vendas. Foi assim com o Dragon Ball Z, as Tartarugas Ninja, os Simpsons, A Máscara e – numa altura em que o Cavaleiro das Trevas atravessava a sua fase de maior exposição mediática até então, graças à sua popular série de filmes e a algumas excelentes histórias nas suas bandas desenhadas – era de prever que assim fosse, também, com Batman.

A diferença entre o caso do Vingador Mascarado e os referidos no parágrafo anterior reside no facto de que, sendo a sua popularidade bem mais 'continuada' do que a da maioria das propriedades intelectuais para crianças, o mesmo teve direito, não a uma, mas a duas colecções de cromos durante a década a que este blog respeita, conseguindo através das mesmas fazer parte das memórias coleccionistas de duas gerações distintas.

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O primeiro dos dois lançamentos (nenhum dos quais, surpreendentemente, lançado pela Panini) deu-se logo no início da década, aquando da estreia do primeiríssimo filme do justiceiro de Gotham, da autoria de Tim Burton, o qual foi alvo de uma aguerrida campanha de marketing e divulgação, na qual a caderneta da Editorial Impala se inseria. Com cromos que retratavam as diferentes cenas do filme, o álbum oferecia às crianças e jovens um meio de recordar o filme de que tanto haviam gostado no cinema, ao mesmo tempo que aguçava o 'apetite' de quem ainda não o tinha visto – exactamente como se pede a uma publicação deste tipo.

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O mesmo, aliás, se passava com a segunda caderneta, lançada em 1995 pela Merlin como complemento ao terceiro filme da série, 'Batman Para Sempre'. De facto, apesar do aspecto visual algo mais cuidado, e que reflectia a passagem de tempo que se havia verificado deste a caderneta original, esta colecção possuía estrutura e conteúdos muito semelhantes aos da sua antecessora, oferecendo uma visão geral simplificada do filme, passível de agradar tanto a quem o vira no cinema, como a quem ainda não tinha tido oportunidade. E é claro que também não faltavam os habituais cromos 'especiais', duplos e quádruplos, que tornavam a experîência de completar a colecção ainda mais desafiante e emocionante.

No cômputo geral, e apesar de não apresentarem rigorosamente nada de novo em relação a outras colecções marcantes da época, os dois álbuns de cromos de Batman lançados nos anos 90 mostravam-se exímios naquilo que se pedia a uma colecção de cromos à época, possuindo múltiplos pontos de interesse para o público que se dedicava a este tipo de actividade.

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Uma das cadernetas de Batman lançadas já no novo milénio

O Homem-Morcego seria, aliás, um filão que o meio continuaria a explorar em décadas subsequentes, com pelo menos mais dois álbuns alusivos ao Cavaleiro das Trevas a serem lançados desde então; esses, no entanto, ficam já fora do âmbito deste blog, pelo que hoje nos ficamos por recordar as duas colecções que marcaram o início do percurso do herói de Gotham no mundo das cadernetas de cromos...

 

20.01.22

Trazer milhões de ‘quinquilharias’ nos bolsos, no estojo ou na pasta faz parte da experiência de ser criança. Às quintas, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos brindes e ‘porcarias’ preferidos da juventude daquela época.

Uma das principais características da maioria das crianças e jovens – seja qual for a época em que nascem e crescem – é o gosto pelo coleccionismo. Há algo na perspectiva de acumular todas as variantes disponíveis de alguma coisa que desperta o interesse inato do ser humano em fase formativa, sendo essa predisposição intangível o principal factor por detrás do sucesso de fenómenos como as colecções de cromos, jogos como os Tazos, o Magic the Gathering e conceitos como o do 'franchise' Pokémon.

No entanto, e ainda que todos os produtos atrás enumerados convidem ao coleccionismo parametrizado (no caso, pelo número de cromos, Tazos, cartas ou até monstrinhos virtuais à disposição do utilizador) existe – ou pelo menos existiu – uma vertente bem mais espontânea e anárquica deste passatempo, traduzida no coleccionismo de um determinado tipo de produto ou objecto, independentemente da sua proveniência e sem estar restrito aos moldes artificialmente criados por uma determinada empresa.

Esta vertente do 'hobby' de coleccionar, que encontra raízes em décadas mais ou menos remotas da sociedade ocidental, estava ainda bem viva nos anos 90, sendo que muitas crianças e jovens desse tempo tinham, ainda, o hábito de coleccionar 'quinquilharias', fossem elas selos, autocolantes, seixos da praia, postais, caricas, fotografias de artistas, ou até algo mais inusitado, como Credifones.

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Os porta-chaves eram apenas um dos muitos objectos quotidianos potencialmente coleccionáveis para um jovem dos anos 90

Dependendo da seriedade de cada indivíduo, estas colecções podiam chegar a durar anos, e – pela sua organização e armazenamento tão anárquicos quanto o próprio método de colecção – corriam sério risco de serem deitadas fora, oferecidas a terceiros ou (na melhor das hipóteses) vendidas quando se tornasse necessário desocupar espaço nos armários, juntar dinheiro, ou proceder a uma alteração no estilo de vida. Melhor sorte tinham as que ficavam guardadas na garagem depois de o seu dono perder o interesse, à espera de serem encontradas e nostalgicamente recordadas algumas décadas depois.

Fosse qual fosse o seu fado, no entanto, a verdade é que as colecções eram, nos anos 90, levadas muito a sério pela faixa mais jovem da população – ao ponto de, nas habituais secções de correspondência que eram parte integrante de qualquer revista para jovens da época, aparecerem muitas vezes anúncios relativos à troca de elementos de colecção, fossem essas trocas directas – selos por selos, por exemplo – ou entre elementos de dois tipos distintos (como um coleccionador de caricas que trocasse tampas raras por postais ou autocolantes potencialmente interessantes, por exemplo.) A natureza necessariamente postal destas interacções fazia ainda com que, muitas vezes, aquilo que começava como um 'negócio' de interesse puro e duro se transformasse em algo mais, por força do volume de cartas e encomendas trocadas entre ambas as partes – decerto terá havido muitas amizades a ter início na secção de Trocas do Correio do Leitor de uma qualquer revista dirigida ao público juvenil...

Tal como muitos outros fenómenos de que falamos nestas páginas, no entanto, também o coleccionismo acabou por cair em desuso. Embora o sucesso da série de jogos de 'Pokémon' demonstre que a atracção quase obsessiva pelo coleccionismo não desapareceu por completo entre a demografia mais jovem, os membros da mesma parecem mais interessados em coleccionar seguidores no YouTube ou Instagram do que em juntar paciente e dedicadamente produtos físicos semelhantes ao longo de vários anos; uma pena, pois – além de divertido – o coleccionismo fomenta conceitos tão valiosos quanto as supracitadas dedicação e paciência, a perserverança, o desenvolver de interesses próprios ou o sentido de organização e responsabilidade. Ainda não é, no entanto, demasiado tarde – talvez a última geração a ter crescido a coleccionar 'bricabraques' em caixas e frascos mantidos na prateleira do quarto ainda consiga mostrar à que lhes sucedeu o porquê de este passatempo ter sido, em tempos, a tal ponto popular...

18.11.21

Trazer milhões de ‘quinquilharias’ nos bolsos, no estojo ou na pasta faz parte da experiência de ser criança. Às quintas, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos brindes e ‘porcarias’ preferidos da juventude daquela época.

Na primeiríssima edição desta rubrica, falámos um pouco sobre os 'Tazos', talvez o brinde alimentício mais recordado e nostálgico dos anos 90; hoje, falamos finalmente da 'febre' que lhes sucedeu, e que atingiu níveis de sucesso quase (QUASE) semelhantes, embora se tenha afirmado como menos icónica a longo prazo.

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Falamos das Matutolas, pequenas figuras de plástico sólido ou translúcido em forma de cabeça (ou se quiserem, 'tola') que, tal como os seus antecessores, fomentavam não só a vertente coleccionista inerente a qualquer criança, mas também a veia competitiva existente dentro dela. Isto porque, como os 'Tazos', as Tolas eram, ao mesmo tempo, objectos de colecção e peças de jogo, destinadas a serem apostadas, ganhas e perdidas nos recreios e pátios por esse Portugal afora – objectivo esse que, previsivelmente, foi mais do que confortavelmente atingido.

Tão-pouco era este o único ponto em comum entre as Tolas e a colecção que lhes antecedera; as próprias regras de como jogas Matutolas eram muito semelhantes às do jogo dos 'Tazos', ainda que esta variante se desenrolasse numa perspectiva vertical, ao invés de horizontal. Como nos 'Tazos', cada jogador apostava as suas Tolas, no caso colocando-as em pé, lado a lado, sobre uma superfície plana; cada participante utilizava, então, outra Tola para tentar derrubar o maior número possível de peças em jogo, passando (ou voltando) cada peça derrubada a ser pertença desse jogador.

Um jogo, no mínimo, tão viciante como o dos 'Tazos', e que veio preencher o 'vazio' que o fim dessa colecção havia deixado no instinto coleccionador das crianças portuguesas – pelo que não é de admirar que a recepção e expansão do mesmo tenham sido tão rápidas, e praticamente tão abrangentes, como as dos seus antecessores. No ano após o fim dos 'Tazos', não havia criança portuguesa que não coleccionasse, trocasse e apostasse as pequenas cabeças grotescas da Matutano com os amigos, e que não tivesse em casa um qualquer recipiente (fosse um Portatolas oficial ou simplesmente um qualquer tubo ou 'tupperware') recheado com as suas várias aquisições, muitas delas com falhas à laia de 'cicatrizes de batalha' (as Tolas de plástico translúcido, em particular) rachavam-se com surpreendente facilidade, e haverá decerto muito poucas que tenham sobrevivido inteiras até aos dias de hoje.)

Menos popular seria a inexplicável caderneta de autocolantes (?!) que servia função dupla como livro de regras - como se um jogo de recreio necessitasse de regras oficiais escritas num livro de instruções...

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Os tubos de transporte 'Portatolas' e a inexplicável caderneta

Um último ponto em comum entre as Tolas e os 'Tazos' prendia-se com o facto de, também aqui, existirem modelos não ligados à Matutano, facilmente adquiríveis se se soubesse onde procurar, e muitas vezes mais esteticamente cuidadas que as próprias originais; no entanto, ao contrário do que acontecia com os 'Tazos', as Tolas 'falsas' eram tão bem acabadas que acabavam por ser poucos os jogadores que não as aceitassem como 'moeda de aposta' em meio às oficiais – o que, simultaneamente, facilitava sobremaneira a vida a quem não tinha por hábito (ou não era autorizado a) comer batatas fritas.

gogos-crazy-bones-nostalgia-anos-90-matutolas.jpgUm pacote de Matutolas 'não-oficiais' - ou antes, de Go Go Crazy Bones, o conceito que havia sido adaptado e renomeado como Matutolas...

Em suma, uma moda que, embora algo derivativa da que a precedera, foi ainda assim uma das três maiores da Matutano durante aquela década - juntamente com os Tazos e os Pega-Monstros, vindo as Caveiras Luminosas ainda um pouco atrás em termos de nostalgia nos tempos que correm - que marcou época tanto quanto qualquer uma delas, e que, como elas, acabou por conseguir lugar cativo no coração de muitas ex-crianças daquele tempo – embora as mesmas apenas tendam a lembrar-se dela após (e geralmente como consequência de) terem recordado os 'Tazos'...

31.10.21

Ser criança é gostar de se divertir, e por isso, em Domingos alternados, o Anos 90 relembra algumas das diversões que não cabem em qualquer outra rubrica deste blog.

O fim dos anos 89 e início da década seguinte viu despontar no mercado infanto-juvenil uma tendência, algo insólita, para figuras moldadas em borracha monocromática e de dimensões extremamente reduzidas. A primeira linha deste tipo a obter sucesso (ainda que nem tanto em Portugal) foram os lutadores de M.U.S.C.L.E., os quais – com os seus modelos baseados em minotauros ou em forma de mão – acabaram por abrir caminho à linha de que falamos hoje: Monsters in My Pocket.

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Algumas das figuras da linha

Lançada pela Matchbox – sim, a dos carrinhos – mesmo no dealbar da década de 90, esta linha de figuras seguia exactamente o mesmo princípio de M.U.S.C.L.E., mas substituindo o tema inspirado na luta-livre daquela série por outro baseado nos monstros clássicos, tanto da mitologia como do cinema. Frankenstein e Drácula conviviam, assim, lado a lado com figuras baseadas na mitologia grega, como a Hidra ou a Medusa, para além de alguns monstros mais 'genéricos' e sem qualquer filiação especial, mas ainda assim muito bem desenhados e moldados, fazendo jus à reputação da Matchbox como fabricante de brinquedos de qualidade.

Também a mecânica de jogo – sim, estas figuras eram criadas para servir como instrumentos de jogo – era semelhante à de M.U.S.C.L.E., com cada figura a ter impresso nas costas um número, correspondente ao seu 'poder'; a vertente competitiva consistia em pôr frente a frente duas figuras e comparar os respectivos números, ganhando – previsivelmente – o jogador que tivesse o número maior. Um processo tão simples que mal contava como 'jogo', mas que era ainda assim suficiente para cativar o público-alvo de rapazes pré-adolescentes, sempre dispostos a 'medir forças' seja sob que pretexto fôr.

Como seria de esperar para qualquer linha infanto-juvenil de sucesso nos anos 90, Monsters in My Pocket (que, estranhamente, nunca viu o seu nome traduzido para português) teve direito a uma série de itens de 'merchandise', dos mais bizarros (um jogo para a Nintendo original, ou NES) aos mais previsíveis, como a obrigatória caderneta de cromos da Panini.

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A inevitável caderneta da Panini

Apesar de tudo, no entanto, a 'febre' das figuras em miniatura em Portugal foi algo menor do que noutros países (incluindo a vizinha Espanha) tendo esta linha, como as suas congéneres, sido algo ofuscada por outras ofertas da altura, como os Pega-Monstro; ainda assim, a mesma afirmou-se como suficientemente memorável para merecer uma menção nas páginas deste nosso blog, ainda que sómente no contexto de um Especial Halloween...

29.10.21

Nota: Este post é relativo a Quinta-feira, 29 de Outubro de 2021.

Trazer milhões de ‘quinquilharias’ nos bolsos, no estojo ou na pasta faz parte da experiência de ser criança. Às quintas, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos brindes e ‘porcarias’ preferidos da juventude daquela época.

Hoje em dia, a Matutano dos anos 90 é, sobretudo, recordada pela febre extrema e até hoje inigualada que foram os Tazos; no entanto, a verdade é que a marca de batatas fritas teve várias outras promoções de sucesso ao longo da década. De uma delas, os Pega-Monstros, já aqui falámos, e das Matutolas, falaremos noutra ocasião; desta vez, e porque é Halloween, vamos falar do brinde que a marca lançou em 1993 – as Caveiras Luminosas.

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Ao contrário dos Tazos e das Tolas, não há muito que saber sobre os pequenos moldes plásticos em forma de esqueleto que passaram a sair nas batatas por volta de 1996 ou 97. De facto, este é daqueles produtos em que a informação está (quase) toda contida no próprio nome; tratam-se de Caveiras que brilham no escuro – portanto, Luminosas. A parte do 'quase' diz respeito ao facto de estes brindes terem, cada um, um capuz ou carapuço distinto – o qual 'servia' a todas as outras figuras da colecção, permitindo assim trocar as caras e criar, essencialmente, Caveiras novas e diferentes, num sistema de constante mutação que tornava a linha essencialmente infinita – bem como um buraco na parte inferior, onde uma cabeça real ligaria ao pescoço. O objectivo deste orifício, e um dos principais pontos distintivos da colecção das Caveiras Luminosas, era permitir às crianças usar as suas caveiras na ponta dos dedos, de um lápis, ou de qualquer outra superfície onde as mesmas coubessem – um toque inteligente, que ajudava a dar alguma versatilidade às Caveiras, e que ajudou a torná-las populares entre a juventude da época.

Não que a colecção precisasse de qualquer ajuda, atenção – com as suas caras ao estilo Skeletor do He-Man, os carapuços estilo Ceifeira da Morte e o esquema de cores estilo álbum de heavy metal clássico da década anterior, as Caveiras eram feitas à medida para o público-alvo (essencialmente rapazes em idade pré-adolescente, embora possam também ter sido do agrado de jovens mais velhos de inclinação gótica) e conseguiram uma recepção previsivelmente positiva por parte do mesmo. Sem chegar ao nível dos Tazos (mas nada, nunca mais, chegou) estes brindes eram também avidamente trocados e coleccionados nos recreios do Portugal de então, e conseguiram afirmar-se como a última de três promoções verdadeiramente bem-sucedidas por parte da Matutano (quatro, se quisermos incluir os Pega-Monstros) durante a década de 90 – além do assunto perfeito para uma viagem nostálgica por brindes e quinquilharias por alturas do Halloween...

 

15.07.21

Trazer milhões de ‘quinquilharias’ nos bolsos, no estojo ou na pasta faz parte da experiência de ser criança. Às quintas, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos brindes e ‘porcarias’ preferidos da juventude daquela época.

E porque em edições passadas desta rubrica já recordamos colecções de cromos promocionais associadas a produtos alimentares (como a das Tartarugas Ninja, veiculada pela Panrico) chegou hoje a vez de falar da série ‘Viaja Com os Looney Tunes’, oferecida em 1992 pela Longa Vida, em conjunção com os seus produtos lácteos, nomeadamente os seus iogurtes de aromas.

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Os 25 cromos que constituíam a colecção

Uma das mais perenes propriedades intelectuais da História (como fica bem provado pela estreia, esta semana, da segunda parte de Space Jam, exactos vinte e cinco anos após o primeiro filme e quase cinquenta (!) após a produção do último ‘cartoon’ da era clássica de Bugs Bunny e companhia) os Looney Tunes são daqueles produtos com os quais nunca se pode errar muito – qualquer que seja a época da História em que estejamos, produtos baseados em torno dos mais famosos personagens da Warner Bros irão, inevitavelmente, encontrar o seu público. Assim, uma colecção de cromos protagonizada pelos mesmos – numa década em que o coleccionismo, e os cromos em particular, estavam em alta – era uma proposta mais que segura por parte da Longa Vida, o que torna algo surpreendente que esta série de autocolantes não seja, hoje em dia, tão lembrada quanto os ‘Tous’ do Bollycao, por exemplo.

A situação torna-se tanto mais surpreendente quando verificamos que a produtora de lacticínios teve, inclusivamente, a inteligência de associar esta colecção a uma promoção, a qual habilitava os participantes a uma viagem para três pessoas aos estúdios da Warner Bros nos Estados Unidos, em troca de cinco ‘costas’ de cromos da colecção e, claro, dos dados pessoais da criança (quem hoje se preocupa tanto com dar os seus dados pessoais à Amazon ou ao Facebook, certamente não se recorda das regras dos concursos do ‘nosso’ tempo…)

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As regras do concurso eram reproduzidas nos versos dos cromos da colecção

Mesmo sem este atrativo extra, no entanto, esta série de cromos fazia o suficiente para justificar a tentativa de coleccionar todos os 25 autocolantes que a compunham; os desenhos, que retratavam os personagens em diversas partes do Mundo e eras da História, eram previsivelmente cuidados, e os produtos a que estavam associados, bastante acima da média do seu campo em termos de qualidade. Assim, não deixa de ser surpreendente que o único vestígio desta colecção, hoje em dia, venha de uma página de leilões espanhola (!), da qual, aliás, foram tiradas as imagens que ilustram este post - daí o estado ‘menos que perfeito’ dos itens representados, que parecem ter passado as duas décadas desde a promoção ao sol.

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Exemplo de embalagem promocional alusiva a esta colecção, representativa do melhor sabor de iogurte de aromas

Mesmo com estas limitações, no entanto, é bem evidente que, no seu tempo (e em bom estado), estes terão sido cromos bastante apetecíveis para o seu público-alvo – o que torna a suscitar a pergunta: porque terão sido tão ‘esquecidos pela Internet’ (e pelas ex-crianças dessa época)? A resposta continuará, por agora, a ser uma incógnita – mas entretanto, e graças aos Anos 90, estes cromos já têm pelo menos uma página de tributo na Internet...

18.06.21

NOTA: Este post corresponde a Quinta-feira, 17 de Junho de 2021.

Trazer milhões de ‘quinquilharias’ nos bolsos, no estojo ou na pasta faz parte da experiência de ser criança. Às quintas, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos brindes e ‘porcarias’ preferidos da juventude daquela época.

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Numa das primeiras edições desta rubrica, falámos das colecções de cromos, um dos mais populares passatempos entre as crianças dos anos 90; e como qualquer pessoa que tenha ‘estado lá’ prontamente admitirá, as colecções mais conhecidas e ferventemente ‘negociadas’ e completadas eram as de futebol.

Destas, havia dois grandes tipos, ambos popularizados pela Panini, e ambos com sensivelmente o mesmo formato: as anuais, relativas às formações dos clubes da Liga Portuguesa da respectiva época, e as alusivas às competições internacionais. Ambas ofereciam aos ‘putos’ da época (quase todos do sexo masculino) a oportunidade de colar as caras dos seus jogadores nacionais e internacionais favoritos nas sempre atractivas cadernetas, e de ‘gabarolar’ junto dos amigos quando completavam as mesmas antes deles.

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...o quê, vão dizer que em 96 não sonhavam ter a cara do Secretário colada em qualquer lado?

A caderneta alusiva ao Euro ’96 não constituía excepção a qualquer destas regras, ficando apenas na memória por ser uma das primeiras a incluir a Selecção Nacional portuguesa - o que a terá, sem dúvida, tornado ainda mais popular junto do público-alvo. De resto, a caderneta era igual a todas as suas congéneres, tanto em formato – além dos jogadores, cada página dedicava um lugar à foto de equipa e outro ao símbolo de cada Selecção – como em aspecto, com as tradicionais ‘molduras’ à volta da imagem de cada jogador, e o não menos característico papel brilhante, que realçava o colorido dos fundos de página alusivos a cada país, ou à competição em geral.

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Uma das páginas da caderneta

Cabe realçar, no entanto, que apesar de os conteúdos serem os mesmos em todos os países onde a caderneta era comercializada, o mesmo não se passava com as capas; Portugal recebeu apenas a variante ‘standard’, mostrada no início deste post, mas a Alemanha, por exemplo, tinha a mesma imagem em fundo vermelho-escuro, enquanto que outra variante encontrada na Internet se destaca por não ter absolutamente NADA a ver com qualquer das outras.

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Capas ‘estranhas’ à parte, no entanto, não há muito mais a dizer sobre os cromos do Euro ’96; tratava-se de uma colecção de futebol perfeitamente vulgar pelos padrões da sempre fiável Panini, que seguia à risca a receita futebolística de ‘em equipa que ganha, não se mexe’ – a qual já havia dado resultado no passado, daria resultado aqui, e voltaria a dar resultado aquando da próxima competição internacional, que renderia à editora uma das suas mais bem-sucedidas cadernetas da década. Quanto a ‘Europa ‘96’, a mesma também se pode inserir nesse leque, como bem atesta a caderneta que por estas bandas se preencheu, e que ainda há pouco tempo ‘morava’ algures na Área Metropolitana de Lisboa…

 

30.04.21

NOTA: Este post é correspondente a Quinta-Feira, 29 de Abril de 2021.

Trazer milhões de ‘quinquilharias’ nos bolsos, no estojo ou na pasta faz parte da experiência de ser criança. Às quintas, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos brindes e ‘porcarias’ preferidos da juventude daquela época.

E desta feita, voltamos a pegar num tema do qual falámos há algumas Quintas-feiras atrás, e em outro do qual temos vindo a falar ao longo de toda esta semana – respectivamente, os cromos, e as Tartarugas Ninja. Porque a verdade é que, entre os muitos items de ‘merchandising’ relativos ao quarteto animado comercializados em Portugal contavam-se, não uma, mas duas colecções de cromos, além de outra tangencialmente relacionada a esse tipo de passatempo. É dessas colecções que falaremos neste post.

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Um cromo da caderneta 'Turtles' da Panini

E começamos, desde já, pela inevitável Panini, ainda hoje a ‘rainha’ das cadernetas de cromos, e que naquele início de década não perdeu a oportunidade de licenciar também aquela que era uma das propriedades intelectuais mais lucrativas e rentáveis da época. Assim, quase em simultâneo com o aparecimento da série em Portugal, saía o ‘Sticker Collectors Album’ das ‘Teenage Mutant Hero Turtles’, com um autocolante adicionado de forma ‘subtil’ à capa com a tradução portuguesa, para o caso de alguém não saber quem eram aqueles quatro répteis antropomórficos animados.

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A capa da caderneta da Panini. Reparem no autocolante de tradução, super-discreto e nada com ar de solução de última hora...

Em termos de estrutura, a caderneta das Tartarugas era bastante típica para aquele tempo, consistindo de cenas retiradas dos episódios da série animada original que se colavam por cima de panos de fundo também alusivos à série, com algum texto à mistura e – como a Panini orgulhosamente apregoava na capa – também um poster grátis, o qual constituía mais um incentivo (como se tal fosse necessário) à aquisição da mesma. Previsivelmente, o público-alvo respondeu de forma entusiasta, rapidamente colocando a colecção no mesmo patamar de sucesso imediato de que gozavam a maioria dos outros produtos com a marca Turtles naqueles primeiros anos da década de 90.

Ao mesmo tempo que a Panini lançava a sua habitual adaptação em formato cromos da série ‘do momento’, também as bolachas Triunfo lançavam uma colecção ‘alternativa’, embalada com a sua gama de bolachas wafers. Em relação aos da Panini, estes cromos eram bem mais simples, mas para quem gostava de bolachas e das Tartarugas Ninja (ou seja, 95% dos ‘putos’ portugueses) esta constituía uma proposta irresistível, e uma desculpa perfeita para aumentar o quociente ‘bolachistico’ dos armários lá de casa. Até porque a promoção associada aos cromos prometia uma ‘prenda ‘muita’ gira’ (sic) a quem encontrasse um dos cromos premiados, incentivando assim as crianças portuguesas a darem uma de Charlie Bucket e comprarem o máximo de pacotes de wafers possível, em busca do fugidio bilhete dourado. Não que tal incentivo fosse necessário, já que as wafers da Triunfo eram, à época, boas o suficiente para justificar a compra por si só.

(O que seria a tal prenda-surpresa, infelizmente, já não é possível saber. Será que alguém aí por casa encontrou um cromo premiado, e nos pode elucidar?)

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Poster alusivo à promoção Tarta-Heróis (ou 'Hero Turtles', porque traduzir sai caro e o dinheiro foi todo na licença) das bolachas Triunfo.

Recordadas que estão as duas colecções de cromos ‘de época’ das Tartarugas Ninja, resta recordar um outro brinde que, apesar de não ser exactamente igual, pertence à mesma categoria: as tatuagens temporárias oferecidas nos produtos da Panrico (Bollycao, Donettes, etc) durante o auge da ‘Tarta-Mania.’

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  Uma das tatuagens temporárias da Panrico

Tal como os cromos da Triunfo, estes decalques eram muito simples, consistindo apenas de uma ‘pose’ de um dos personagens sobre um fundo transparente, com o logotipo 'português' da série na parte superior e o da Panrico na parte inferior. Obviamente, neste caso, a opção pela simplicidade era feita por razões de necessidade, pois um desenho excessivamente complicado poderia não aguentar bem o processo de transferência do autocolante para a pele, ou para qualquer outra superfície onde a criança desejasse colocá-la (no nosso caso, a parede da cozinha da casa onde passámos a infância.)

Também à semelhança do que aconteceu com os cromos da Triunfo, estes brindes foram quase totalmente esquecidos pela Internet, tendo sido encontrada exactamente UMA imagem das mesmas, disponível acima (obrigado, Twitter!) Ainda assim, vale recordar uma promoção que, no auge das ‘febres’ das 'decalcomanias’ e das Tartarugas Ninja, soube combinar ambas num brinde muito apetecível para o público-alvo, disponibilizado na compra de snacks que, como referimos no nosso post a esse respeito, eram igualmente apetecíveis para esse segmento etário.

Fica, assim, completa esta retrospectiva sobre as principais ‘quinquilharias’ associadas às Tartarugas Ninja. Podíamos ainda falar dos ‘pins’ (outro ‘marco’ dos anos 90) e outras ‘tralhas’ semelhantes, mas por agora ficamo-nos por aqui. Chegou, pois, a vossa vez de se manifestarem: coleccionaram estes cromos ou as tatuagens? Que memórias guardam dos mesmos? Por aqui, e além da tatuagem na parede da cozinha, temos uma vaga memória de ter feito a colecção da Panini, embora nada tão vivo como no caso dos cromos do Dragon Ball Z – até porque a dos Tartas é muito anterior… E vocês? Lembram-se? Partilhem nos comentários!

01.04.21

Trazer milhões de ‘quinquilharias’ nos bolsos, no estojo ou na pasta faz parte da experiência de ser criança. Às quintas, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos brindes e ‘porcarias’ preferidos da juventude daquela época.

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E se inaugurámos esta secção com os inesquecíveis Matutazos, hoje, falamos de algo não menos memorável e icónico para os ‘putos’ daquela geração: as cadernetas de cromos, sobretudo as editadas pela Panini, que detinha o monopólio quase absoluto deste género de publicação, e à qual poucas concorrentes ousaram fazer frente, e sempre sem sucesso.

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Nos anos 80 e 90, este símbolo era praticamente sinónimo de colecções de cromos...

Apesar de os cromos ainda existirem e serem vendidos hoje, ninguém pode negar não só que os mesmos já não têm a mesma expressão que em tempos tiveram, como que os tempos áureos para este tipo de passatempo foram os anos 80 e 90. Durante estas duas décadas, cada nova propriedade ou moda que cativasse a criançada tinha direito a caderneta de cromos própria, a qual era (mais ou menos) avidamente colecionada e completada pela miudagem de Norte a Sul do País.

E dizemos ‘mais ou menos’ porque um dos principais fatores de fazer colecções de cromos era saber escolher QUAL a colecção a fazer. Por muito ‘fixe’ ou ‘in’ que uma propriedade ou ‘franchise’ fosse, se não houvesse uma quantidade significativa de outras crianças também a fazer a colecção, não valia de nada investir tempo nem dinheiro, pois não só não haveria com quem trocar os ‘repetidos’, como também se perderia outra das principais características deste tipo de coleccionismo: o direito a exibir a caderneta completa aos amigos que ainda continuavam à procura dos últimos cromos que lhes faltavam. Se mais ninguém estivesse interessado, tudo o que restava era uma caderneta, que a criança entretanto perdia a vontade de completar. Terá talvez sido por isto que tantas cadernetas de cromos caíram no esquecimento, com a maioria dos ‘putos’ a preferir investir nas perenes colecções do futebol – expoente máximo deste passatempo apreciado, sobretudo, pelos rapazes – ou esperar para ver o que ‘pegava’ no grupo de amigos ou lá na escola.

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Duas das mais populares colecções de cromos nos anos 90, ambas editadas pela Panini.

Quando uma caderneta se tornava popular, no entanto, não havia volta atrás – até os jovens mais velhos, já demasiado ‘crescidos’ para tais criancices, entravam na onda, e eram vistos a trocar cromos nos corredores da escola tão afanosamente quanto qualquer ‘puto’ mais novo.

Era precisamente este aspeto coleccionista, de desafio e ‘gabarolice’, que tornava o ‘hobby’ dos cromos tão especial e divertido – e que, ao mesmo tempo, fazia com que as colecções lançadas já completas, com a caderneta e todos os cromos necessários e sem os famosos ‘repetidos’, se afigurassem tão pouco lógicas e fossem repudiadas pela maioria das crianças adeptas deste passatempo. Afinal, qual era a graça de ter ‘a papinha toda feita’, sem ter de trocar com os amigos nem comprar 30 saquetas numa semana à procura daquele cromo raro que ninguém parecia ter? Sem estes aspetos, mais uma vez, tudo o que sobrava era uma caderneta algo ‘parva’, e que nem demorava assim tanto a tornar ‘bonita’…

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Exemplo de uma colecção lançada já 'pronta a completar'.

Terá, talvez, sido também por isso que o passatempo dos cromos caiu em desuso entre a geração ‘do ecrã’, que prefere o imediatismo de ter o conteúdo todo disponível de uma só vez, ao invés de ter de porfiar, esperar e trabalhar para o conseguir ter completo. Ironicamente, a Geração Z talvez gostasse daquelas cadernetas já completas que os Ys repudiavam – afinal, tratavam-se da versão em cromos daquelas series da Netflix, lançadas na Plataforma todas de uma só vez…

Ainda assim, um tipo de cromo resiste ainda e sempre ao invasor. Por mais que as gerações se sucedam e os seus gostos mudem, o futebol nunca, mas nunca passa de moda, pelo que não é de surpreender que as colecções dedicadas ao desporto-rei sejam das poucas a ainda sobreviver no formato ‘clássico’ que tanto deliciou as crianças dos finais do Século XX. É, no entanto, pouco provável que se venha a assistir a um renascer do ‘hobby’ dos cromos, tal como ele era naqueles tempos – a sociedade ocidental mudou demasiado para que pequenos pedaços de plástico adesivo possam cativar as crianças do mesmo modo que o costumavam fazer… Como diriam os Metallica, ‘Sad But True’.

Os ‘90s kids’, no entanto, nunca esquecerão este passatempo de eleição nos recreios de escolas, encontros de amigos ou atividades extra-curriculares. Pelo que resta perguntar: qual a mais memorável colecção de cromos da vossa juventude? Por aqui, foram a do Dragon Ball Z (claro), a da França 98, e também a da World Wildlife Fund e das motos de corrida, estas ainda nos anos 80. E vocês? De quais mais gostaram? Partilhem nos comentários!

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