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Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

10.01.24

Em quartas-feiras alternadas, falamos sobre tudo aquilo que não cabe em nenhum outro dia ou categoria do blog.

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(Crédito da foto: CustoJusto)

A chegada a Portugal das chamadas 'lojas dos trezentos', em inícios dos anos 90, levaram, por sua vez, a um significativo influxo de títulos literários de cariz popular e qualidade mediana, invariavelmente encontrados nos icónicos 'escaparates' das sobreditas lojas, e inevitavelmente editados pela Europa-América. De facto, embora fosse já um nome bem reconhecido dentro do panorama editorial português (e responsável pela edição em solo nacional de excelentes títulos policiais e de ficção científica) a editora lisboeta encontrou uma autêntica 'segunda vida' como perpétua fornecedora de literatura barata para lojas deste tipo, grande parte da qual dirigida a um público infanto-juvenil.

De facto, entre colecções de fantasia como 'Dragonlance' ou 'Dungeons and Dragons' (esta última, a precursora menos conhecida das lendárias 'Aventuras Fantásticas'), séries como 'Enciclopédia Brown', novelizações de filmes 'da moda' e um ror aparentemente infindável de 'westerns' 'de cordel', uma percentagem significativa do escaparate de livros de qualquer 'loja dos trezentos' tendia a ser formada por obras que tinham em comum a qualidade 'duvidosa' das traduções (e, muitas vezes, da escrita em si) e o facto de serem expressamente dirigidos a leitores ainda sem a maturidade suficiente para desfrutarem dos clássicos de Robert Heinlein ou Phillip K. Dick com os quais estes livros partilhavam espaço. Era também esse o caso com a colecção de que falamos neste 'post', a qual aproveitou o 'embalo' de uma série mais ou menos bem-sucedida para 'regurgitar' para as prateleiras de livros baratos mais de duas dezenas de títulos com pretensões a expandir o 'universo' do programa, à semelhança do que acontecia na mesma época, com 'O Caminho das Estrelas' e, particularmente, 'Guerra nas Estrelas'.

Tratou-se de 'O Jovem Indiana Jones', colecção baseada na série do mesmo nome produzida por Steven Spielberg e George Lucas, e que chegou também a ver ser editada em Portugal a série de banda desenhada oficial, num esforço de 'marketing' inusitado, considerando a reduzida 'pegada' que a série deixou em Portugal; de facto, é perfeitamente credível que a principal referência e memória da mesma para a maioria dos jovens da época venha através destes livros, quase tão prolíficos como 'Dragonlance' nas 'lojas dos trezentos' de meados da década de 90.

Assinados por um sem-número de autores anónimos (dos quais se destaca Megan Stine, quiçá familiar do R. L. Stine de 'Arrepios') os diferentes volumes desta série oferecem precisamente aquilo que se poderia esperar de um título deste tipo: aventuras infanto-juvenis centradas em torno dos personagens criados por Spielberg e Lucas, e obedecendo à premissa temporal e conceptual da série. Assim, ao longo dos vinte e dois números que compõem a colecção, vemos 'Indy' e o pai a braços com fantasmas, labirintos, fenómenos naturais, e até eventos históricos como o naufrágio do Titanic (anos antes de o filme do mesmo nome o trazer de volta à cultura popular), em enredos invariavelmente descritos em linguagem simples e sem grandes 'floreados', como era apanágio, à época dos títulos infanto-juvenis de 'segunda linha' ou baseados em propriedades mediáticas – sendo que 'Jovem Indiana Jones' se insere confortavelmente em ambas as categorias.

Apesar desta relativa 'falta de carácter' (e também de ambição) estes livros não deixam, no entanto, de constituir uma opção de leitura razoável para uma criança ou adolescente com interesse em tramas de aventura e muita acção, ou que já seja fã do arqueólogo aventureiro de Steven Spielberg – especialmente por continuarem amplamente disponíveis, não só em sites como o CustoJusto (de onde foi tirada a foto que ilustra este 'post') mas também em livrarias propriamente ditas, como a Bertrand. Uma boa oportunidade, portanto, para os ex-jovens das gerações 'X' e 'millennial' recuperarem mais esta 'pérola' da sua infância, e a apresentarem aos seus descendentes directos; quem sabe, o 'Jovem Indiana Jones' possa ainda vir a ser tema de um qualquer vídeo no TikTok ou Instagram...

 

01.11.23

Em quartas-feiras alternadas, falamos sobre tudo aquilo que não cabe em nenhum outro dia ou categoria do blog.

Os anos 90 viram surgir nas bancas muitas e boas revistas, não só dirigidas ao público jovem como também generalistas, mas de interesse para o mesmo. Nesta rubrica, recordamos alguns dos títulos mais marcantes dentro desse espectro.

O cinema de terror foi, a par do de acção, um dos que mais cedo cativou, e mais fortemente marcou, a geração nascida e crescida entre os anos 80 e o Novo Milénio, muito graças à quantidade e qualidade de filmes com que os dois géneros contribuíram para o panorama cinematográfico daquelas décadas. No caso do cinema de terror, além do factor 'cool' que partilhava com os heróis de acção, havia ainda o atractivo adicional do 'fruto proibido', que fazia muitas crianças e jovens (em Portugal e não só) ficar acordado até tarde, ou programar o VHS, para acompanhar os actos de vingança de Jason Voorhees, Michael Myers e Freddie Krueger, as 'brincadeiras' de Chucky, o Boneco Diabólico, ou simplesmente uma das muitas histórias de fantasmas, fenómenos paranormais e casas assombradas que potenciavam, na mesma época, o retumbante sucesso da série 'Ficheiros Secretos'.

Não foi, assim, de surpreender que este interesse dos jovens pelos filmes de 'meter medo' principiasse, rapidamente, a ser explorado para fins comerciais, com vários produtos dirigidos a crianças a contarem com a imagem de um dos ícones oitentistas do género, ou ainda dos mais clássicos monstros da Universal, que serviam inclusivamente de inspiração para uma popular linha de mini-figuras, que contava mesmo com um desenho animado e jogo de computador próprios. Em meio a tudo isto, um autor infanto-juvenil norte-americano viu no paradigma vigente a oportunidade perfeita de explanar a sua ideia de escrever uma série de contos de terror explicitamente dirigidos a um público mais jovem, no caso em idade primária ou secundária; o resultado foi uma colecção que, em meados dos anos 90, colocaria até os leitores mais relutantes de nariz colado às páginas, marcando assim toda uma geração.

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O icónico primeiro volume da colecção, oferecido em conjunto com a revista 'Super Jovem',

Falamos da colecção 'Arrepios', de R. L. Stine, cujo aparecimento em solo lusitano se insere confortavelmente em duas categorias do nosso blog; isto porque, apesar de se tratar de uma colecção de livros (que entraria normalmente nas Quartas de Quase Tudo), os volumes eram vendidos, sobretudo, em bancas de jornais e papelarias, tornando-os também candidatos às Quintas no Quiosque. A icónica série de Stine consegue, assim, o feito de ser tema do primeiro 'post' híbrido de dois dias diferentes da História do Portugal Anos 90, valendo o presente texto pelos dias 1 e 2 de Novembro de 2023 – uma altura, aliás, bastante apropriada para falar de livros centrados no sobrenatural, espíritos e monstros, e que, muito antes de o Halloween ser oficialmente importado e adoptado como festa em Portugal, já causava calafrios (ou, bem, 'Arrepios') nas então crianças nacionais.

Isto porque, apesar de algo básicos pelos padrões de uma demografia que já 'devorava' 'Uma Aventura', 'Viagens no Tempo', 'O Clube das Chaves' ou as obras de Alice Vieira, estes livros conseguiam, dentro da sua 'fórmula', criar uma atmosfera bastante eficaz para as suas histórias, a maioria das quais se baseava em medos primários do público-alvo, como monstros, mutantes, bonecos assassinos, casas assombradas, predadores terrestres ou aquáticos, ou ainda os inevitáveis 'zombies'. E se é certo que nem todos os livros acertavam no 'alvo' ('O Feitiço do Relógio de Cuco' tem mais de comédia involuntária do que de arrepiante experiência de terror) os que atingiam este fim prestavam-se a releituras sucessivas, e tornavam-se assunto de discussão no recreio da escola, algo a que muito poucas colecções além das supracitadas conseguiam almejar.

Grande parte do sucesso dos primeiros vinte volumes da colecção em Portugal pode, no entanto, ser também atribuído ao modelo de venda escolhido pela Abril/Controljornal, que aproveitava a sua hegemonia no campo dos periódicos infantis para lançar 'Arrepios' nas bancas, e a um preço bastante convidativo para as carteiras dos jovens da altura, custando cada livro pouco mais do que uma banda desenhada das mais 'grossas'. A oferta do primeiros volume da colecção na compra da revista 'Super Jovem' (também da editora) ajudou a difundir ainda mais a nova colecção junto do público-alvo, havendo decerto muito poucas crianças daquela época que não tenham tido, pelo menos, este livro na sua estante. As 'letras grandes', linguagem simples e histórias apelativas (apesar dos finais estilo 'Scooby-Doo' e invariavelmente desapontantes) encarregavam-se do resto, tornando 'Arrepios' numa das mais bem sucedidas séries de livros entre quem não gostava de ler.

Infelizmente, a Abril cometeu o erro de saturar o mercado com cada vez mais livros da colecção, além da série-irmã que oferecia uma experiência estilo 'Aventuras Fantásticas' e de outra série de R. L. Stine, 'A Babysitter', sobre uma azarada adolescente que vê todos os seus trabalhos de ama-seca transformarem-se numa perseguição por parte de um tarado ou psicopata. Apesar da relação com 'Arrepios', nenhuma destas colecções (ou até mesmo os livros subsequentes da própria série) conseguiram o mesmo sucesso dos primeiros volumes, não conseguindo crescer com o público-alvo nem tão-pouco competir com o baluarte da literatura infanto-juvenil em Portugal que era (e é) 'Uma Aventura'. Assim, foi sem surpresas que a colecção 'saiu de fininho' de 'cena' ainda antes do Novo Milénio, deixando como legado os volumes arrumados nas estantes do quarto de muitas crianças e uma série televisiva relativamente bem-sucedida, exibida no espaço 'Buereré' da SIC, nas manhãs de fim-de-semana; é possível, no entanto, que esta situação mude, e que o recente (e bem-sucedido) filme com Jack Black venha a suscitar o interesse da Geração Z pelos livros que adornavam a estante dos pais quando estes tinham pouco mais ou menos a mesma idade. Enquanto não assistimos a um ressurgir de 'Arrepios', no entanto, fica a recordação de uma série de livros que acabou por marcar época, e que, apesar dos evidentes defeitos e falhas, merece bem um lugar (duplo!) nestas nossas páginas nostálgicas.

25.10.23

NOTA: Este post foi sugerido pelo leitor Pedro Serra, a quem também devemos as fotos que acompanham o texto. Obrigado, Pedro!

A banda desenhada fez, desde sempre, parte da vida das crianças e jovens portugueses. Às quartas, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos títulos e séries mais marcantes lançados em território nacional.

Já é situação recorrente nesta rubrica falar da hegemonia que a Abril Jovem (mais tarde Abril/Controljornal) detinha sobre o mercado de 'livros aos quadradinhos' nacional, e a oportunidade que essa posição lhe oferecia para levar a cabo 'experiências' sem grandes consequências em caso de 'falhanço', já que até as piores de entre as suas revistas da Disney, DC e Marvel tinham volume de vendas garantido. Ainda assim, e apesar dessa total falta de necessidade de apostar em estratégias de 'marketing' e publicidade, a editora não se mostrava, de todo, aversa a esse tipo de medida, como bem o comprova a série de livros que examinamos nesta Quarta aos Quadradinhos.

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Três dos quatro livros da colecção, parte do acervo pessoal do Pedro Serra.

Lançada algures durante o ano de 1992, esta série de quatro edições especiais da colecção 'As Melhores Histórias Disney' trazia como principal diferencial o facto de as referidas melhores histórias serem (alegadamente) escolhidas a dedo por celebridades de 'primeira linha' na vivência infanto-juvenil da altura, com José Jorge Duarte (por essa altura já no auge da sua fase como apresentador de concursos infantis, mas ainda apresentado sob o nome da personagem com a qual se celebrizara, 'Lecas') à cabeça. Além do 'ídolo' infantil, marcavam presença nas capas destes livros Herman José e Maria Vieira (também em alta após o sucesso de 'Hermanias', no fim-de-ano anterior, além da sempre popular 'Roda da Sorte') e ainda Marco Paulo, que muitas crianças conheciam (e ouviam) por intermédio dos pais. Cada livro vinha, mesmo, acompanhado de um frontispício supostamente escrito (e definitivamente assinado) pela própria personalidade, e que exaltava o contributo da mesma para o seu conteúdo – o qual, de outra forma, pouco se distinguia de um número perfeitamente 'normal' da colecção.

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O frontispício de uma das edições.

E a verdade é que, apesar de, aos olhos dos adultos que entretanto nos tornámos, esta jogada de 'marketing' ser transparente ao ponto de parecer um pouco desesperada, a mesma resultou em cheio junto das crianças que então éramos – lá por casa, por exemplo, existia com cem por cento de certeza o número do 'Lecas' – rendendo à Abril ainda mais um triunfo a juntar à sua já invejável lista naqueles inícios da década de 90. Prova de que, mesmo não sendo necessária, uma boa estratégia de 'marketing' e publicidade nunca cai mal, e rende sempre pelo menos alguns dividendos; aliás, se a mesma estratégia fosse repetida, hoje em dia, com Cristiano Ronaldo ou algum influenciador do Instagram no lugar das celebridades noventistas, talvez se verificasse um renascer (ainda que temporário) do interesse dos jovens por este tipo de banda desenhada...

13.07.23

Trazer milhões de ‘quinquilharias’ nos bolsos, no estojo ou na pasta faz parte da experiência de ser criança. Às quintas, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos brindes e ‘porcarias’ preferidos da juventude daquela época.

Comprar certos produtos alimentícios (como cereais, batatas fritas, produtos à base de pão ou ovos de chocolate) era, para a juventude dos anos 90, sinónimo de ganhar uma qualquer 'quinquilharia' de brinde com o pacote; e se a Matutano era a 'rainha' deste tipo de oferta, com quase todas as suas promoções a entrarem na 'História' nostálgica portuguesa, o Bollycao da Panrico pouco lhe ficava atrás, tendo sido responsável por várias outras das ofertas mais memoráveis daqueles anos mágicos de finais do século XX. E, dessas, talvez a mais saudosamente recordada tenha mesmo sido a original – a dos cromos conhecidos como 'Tous'.

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Introduzida no país vizinho ainda nos anos 80, a emblemática colecção 'aterrava' em Portugal logo no início da década seguinte, tornando-se a primeira de muitas promoções de que as crianças e jovens nacionais desfrutariam ao longo dos vinte anos seguintes; e se o conceito era relativamente simples (tratavam-se, apenas, de autocolantes, sem qualquer 'especialidade' ou 'truque') o grafismo irreverente e a personagem ao estilo desenho animado ou 'graffitti' aliaram-se ao 'factor novidade' para garantir que esta colecção ficava indelevelmente gravada na memória colectiva da geração 'millennial'.

O sucesso dos 'Tous' foi, aliás, tal que a colecção gozou, à época, de uma segunda série e, três décadas mais tarde, de um 'reboot', pela mão da Paniniem que a carismática personagem verde se via envolvida em acções mais actualizadas - como participação nas redes sociais, entre outras – como forma de aliciar a nova geração digital. No entanto, para os seus antecessores, foram mesmo aquelas duas séries de inícios dos 'noventa' – num total de cento e quinze cromos, cinquenta da primeira série e sessenta e cinco da segunda – que deixaram 'marca', a um nível a que, poucos anos mais tarde, apenas promoções bem mais elaboradas e publicitadas (como os Tazos ou os Pega-Monstro) conseguiriam almejar, tendo mesmo sido recordada por Nuno Markl num episódio da sua 'Caderneta de Cromos'. Como reza o adágio dos Corn Flakes da Kellogg's, 'o original é sempre o melhor' – e, no caso dos 'Tous', tal afirmação só se pode considerar verdadeira.

26.01.23

Trazer milhões de ‘quinquilharias’ nos bolsos, no estojo ou na pasta faz parte da experiência de ser criança. Às quintas, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos brindes e ‘porcarias’ preferidos da juventude daquela época.

De entre todos os produtos industrializados com oferta de brindes na embalagem comercializados em Portugal nos anos 90, o Bollycao (e outros produtos da Panrico) estiveram entre os mais consistentemente populares, ocupando um honroso e bem cimentado segundo lugar, atrás da 'criadora de febres' Matutano. E apesar de nunca ter conseguido concorrer, em termos de popularidade, com os Tazos, as Matutolas, as Caveiras Luminosas e os Pega-Monstros, a panificadora não deixou de ser responsável por algumas linhas de brindes bem memoráveis para quem cresceu naquele tempo, como os lendários autocolantes dos 'Tou's, as Janelas Mágicas, os cromos e tatuagens temporárias das Tartarugas Ninja, ou o jogo de que se fala hoje, os Bollykaos.

2014951481-cromo-nixi-o-diabo-bollykaos-the-legendUma das cartas da colecção

Lançado já na segunda metade do século XX, e contando com duas 'séries' - subituladas 'The Game' e 'The Legend' - respectivamente este jogo mais não era do que uma versão graficamente mais interessante das icónicas 'Super Cartas' da Majora, que substituía os motivos de motas, aviões, carros de corrida ou jipes por monstros e criaturas alienígenas, bem ao gosto do público-alvo.

 

Havia, ainda, uma tentativa de diversificar um pouco a forma de jogar, através do uso da chamada 'Pirâmide de Poder' - na verdade, um dado losangular, ao estilo dos usados no famoso 'Dungeons and Dragons', cujo suposto objectivo era ditar qual das quatro características de cada criatura (Ataque, Defesa, Inteligência ou Velocidade) deveria ser comparado; o vencedor deveria, ainda, gritar 'Kao' como forma de declarar o seu direito às restantes cartas em jogo (um pouco ao estilo do que acontecia no 'Uno!'), sendo que só após este acto poderia recolher os seus 'ganhos'.

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As regras do jogo e as 'Pirâmides de Poder' (crédito das imagens: OLX)

Estas regras, que procuravam dar ao jogo um carácter diferenciado, sucumbiam, no entanto, à tendência das crianças para adoptar, instintivamente, fórmulas conhecidas, sendo que a maioria dos jogadores se limitava a utilizar as regras das referidas 'Super Cartas' (ou do muito semelhante, jogo com temática do Dragon Ball Z oferecido pela Matutano alguns anos antes), dispensando o uso da tal 'Pirâmide do Poder' – um brinde que, apesar de grátis (tal como a caixa para guardar as cartas – ou antes, 'Kartas') poucas crianças tinham (ou, pelo menos, se davam ao trabalho de carregar consigo, no bolso.)

Assim, para quem era fã das cartas, esta foi uma colecção 'gira', mas sem grande novidade, enquanto que quem era um pouco mais novo, ou nunca tinha tido contacto com os baralhos da Majora, terá tido por meio deste brinde a sua introdução a esse tipo de jogo. Fosse qual fosse a circunstância, no entanto, os Bollykaos deixaram a sua marca entre a juventude da época, merecendo o seu lugar no panteão de promoções e brindes memoráveis dos anos 90 e 2000.

 

04.01.23

Em quartas-feiras alternadas, falamos sobre tudo aquilo que não cabe em nenhum outro dia ou categoria do blog.

E depois de termos já falado da série animada e dos jogos de vídeo baseados na popular série de livros infantis 'Onde Está o Wally?', nada mais natural do que dedicarmos algumas linhas aos volumes que deram início a uma das mais curiosas 'febres' infanto-juvenis dos anos 90.

Corria o ano de 1987 quando o ilustrador inglês Martin Handford logrou, finalmente, dar vida à ideia que tivera há já alguns anos a essa parte: a de criar um livro (ou série de livros) infantis cujo conceito principal fosse a procura de um único personagem em meio a uma cena propositalmente hiper-povoada, e cheia de pequenas 'distracções' e armadilhas para enganar o leitor e, assim, aumentar a diversão. O objecto da procura, esse, era um personagem criado pelo próprio Handford – um jovem de óculos e roupa listrada, equipado 'à explorador', a que o autor chamou Wally (ou, para as edições americanas, Waldo.) 

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O volume que começou a 'febre'.

Tinha assim, através de um singelo livro de capa azul-clara (ela própria uma cena onde procurar o protagonista) aquilo que viria a transformar-se numa das mais populares obras literárias da década, dando origem a uma série de volumes de conceito e realização cada vez mais complexa; não só as imagens se tornavam ainda mais movimentadas (ao ponto de o primeiro volume parecer quase um 'tutorial' para as suas próprias sequelas) como também surgiam novos personagens para serem descobertos pelo leitor – primeiro o sábio Barba-Branca, e mais tarde a namorada e cão de Wally, bem como o seu rival Odlaw, conhecido em Português pelo memorável nome de Estranho-À-Lei.

Junta, esta 'pandilha' aventurava-se pelos mais diversos lugares, desde Hollywood à Lua, chegando mesmo a quebrar barreiras espácio-temporais que lhes permitiam viajar para outras eras da evolução humana – tudo, claro, em nome da criação de 'puzzles' visuais bem divertidos, recheados de deliciosos pormenores e, claro, várias áreas vermelhas e brancas, que apenas em segunda análise se revelavam não ser o protagonista. Uma fórmula simples, mas extremamente original e divertida, que tornou (merecidamente) Wally um sucesso entre a juventude da altura, dando mesmo azo a uma onda de 'imitadores', alguns deles protagonizados por personagens tão populares como Astérix; escusado será dizer que nenhum destes tomos teve uma fracção do sucesso do original, ou não nos ensinasse a Kellogg's que 'o original é sempre o melhor...'

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O disfarce de Wally, uma escolha surpreendentemente popular em festas de Carnaval.

O próprio Wally teve, claro, também direito aos seus próprios produtos licenciados, que iam desde os 'puzzles' (dos verdadeiros, aqueles de peças) aos já referidos videojogos; ainda hoje, no entanto, o 'item' referente ao personagem mais popular entre o seu público-alvo são as réplicas carnavalescas da sua fatiota característica, uma escolha frequente mesmo em festas de Carnaval de adultos - prova cabal do impacto que Wally teve naquela que foi, talvez, a última geração a interessar-se, verdadeiramente, por coisas que não envolviam ecrãs, e que obrigavam a puxar pela cabeça...

08.12.22

Trazer milhões de ‘quinquilharias’ nos bolsos, no estojo ou na pasta faz parte da experiência de ser criança. Às quintas, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos brindes e ‘porcarias’ preferidos da juventude daquela época.

Numa altura em que mais um ano se aproxima a passos largos do final, chega a altura em que, em décadas passadas, seria necessário actualizar uma parte essencial não só da decoração da cozinha ou escritório, mas também da carteira. Falamos, é claro, do calendário, uma das Quinquilharias que não podia faltar no bolso de qualquer cidadão português dos anos 90, 'entalado' entre o Cartão Jovem e o BI na carteira ou – mais tarde – enfiado na bolsa traseira das primitivas bolsas para telemóvel.

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Exemplo de um calendário promocional, no caso da CP

Rivalizando apenas com os isqueiros, canetas, porta-chaves e baralhos de cartas em termos de variedade e criatividade de 'decoração', os calendários de bolso tinham em comum o facto de serem, na sua esmagadora maioria, obtidos de graça, normalmente (embora nem sempre) como brinde promocional de uma qualquer empresa ou prestador de serviços; e, tal como as outras categorias de Quinquilharias acima enumeradas, era inevitável que a gaveta das 'bugigangas' de qualquer lar médio português acabasse repleta de um sem-número de calendários do mesmo ano (alguns deles, inclusivamente, duplicados) cujo último e fatídico destino era o balde do lixo – ou, com sorte, a colecção de algum dos residentes mais novos.

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Colecções como esta existirão ainda, certamente, em muitas casas de infância Portugal afora.

Sim, à semelhança dos objectos acima referidos – e de outros, como os Credifones – a natureza variada e facilidade de obtenção dos calendários de bolso tornava-os escolhas frequentes para os coleccionadores infanto-juvenis; é, aliás, bastante provável que haja, ainda, uma infinidade de colecções desse tipo espalhadas por sótãos e garagens por esse Portugal fora, prontas a render dinheiro em sites como o OLX, ou simplesmente – para os menos ambiciosos – a despertar memórias de tempos que já lá vão e não voltam, em que os telefones eram fixos (ou extremamente básicos) e a existência de objectos como calculadoras, 'pagers' ou calendários de bolso não só fazia sentido, como era activamente necessário – prova, como se a mesma ainda fosse necessária, de quanto a tecnologia revolucionou a forma de viver da sociedade ocidental (Portugal incluído) nos últimos trinta anos...

07.12.22

Em quartas-feiras alternadas, falamos sobre tudo aquilo que não cabe em nenhum outro dia ou categoria do blog.

Durante os anos 90, o nome Majora foi praticamente sinónimo com diversos tipos de produtos infantis, em particular os jogos de tabuleiro, como o Sabichão. No entanto, o que muitas ex-crianças daquela época decerto não recordarão é que a companhia se lançou também, durante esse período, no campo da edição literária para crianças, conseguindo um sucesso nada negligenciável com duas colecções distintas, ambas, curiosamente, de volta às livrarias e bancas portuguesas três décadas depois: a famosa colecção 'recortada' e a sua congénere (literalmente) de bolso, a Colecção Formiiguinha – duas séries de livros com tanto em comum como de diferente.

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Alguns dos títulos de ambas as colecções.

Em comum, ambas as colecções tinham os desenhos 'fofinhos', os quais, no caso da colecção 'recortada', eram transversais a todo o livro, enquanto que na 'Formiguinha' se cingiam apenas a algumas das capas, tendo outras ilustrações mais realistas, semelhantes às encontradas no interior dos livros. Outro ponto em comum era a linguagem rebuscada, por vezes com palavras além da compreensão do público-alvo ou fraseamentos fora do vulgar, que acabavam por formar parte da identidade destas duas séries.

Terminavam aí, no entanto, os pontos em comum - pelo menos se não se contar com o facto de ambas serem dirigidas a um público declaradamente infantil; isto porque, enquanto que a colecção 'recortada' ser destinada a uma demografia extremamente jovem, ainda em fase de alfabetização, a 'Formiguinha' tinha, já, mais 'que ler', sendo apropriada para um sector algo mais 'crescido' do público-alvo. Outra diferença importante prendia-se com o facto de, enquanto que a colecção 'recortada' apresentava, invariavelmente, histórias prazerosas, ao estilo 'slice of life' e sem grandes perigos ou consequências, a 'Formiguinha' basear muitos dos seus volumes em histórias, contos e lendas pré-existentes, fossem tradicionais ou criados por um dos grandes nomes do género – o que significava que, ao contrário do que acontecia com a sua 'prima direita', as histórias nem sempre eram isentas de situações 'fortes' ou tinham finais felizes, antes pelo contrário; de facto, não deixa de ser surpreendente ver a 'Formiguinha' de regresso ao convívio dos jovens portugueses, numa era em que alguns dos seus conteúdos fariam tremer certos sectores da sociedade...

Não deixa também, ainda assim, de ser agradável para quem cresceu com estes livros ver restaurado este elo nostálgico ao final do século passado, mesmo que seja através do equivalente infantil a literatura 'de cordel' (nenhuma das colecções declarava quaisquer autores, como é óbvio); mais, os pais que cresceram com estas histórias de cachorrinhos a tomar banho ou pobres enteadas alimentadas a 'côdeas de pão duro e bolorento' podem, agora, apresentar as mesmas aos seus filhos, fomentando-lhes o gosto pela leitura ao mesmo tempo que mantêm viva a chama nostálgica da sua própria infância – uma situação, portanto, em que todos saem a ganhar...

09.11.22

A banda desenhada fez, desde sempre, parte da vida das crianças e jovens portugueses. Às quartas, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos títulos e séries mais marcantes lançados em território nacional.

Numa edição anterior desta rubrica, falámos da colecção 'História de Portugal em Banda Desenhada', talvez a mais conhecida e importante publicação nacional contemporânea no campo da banda desenhada educativa. Ao contrário do que se possa pensar, no entanto, essa não foi a única incursão dos autores e desenhadores portugueses por esse campo, antes pelo contrário – praticamente em paralelo com a referida colecção, surgia nas livrarias uma outra série de álbuns de âmbito muito semelhante, mas que nunca conseguiu almejar o mesmo nível de popularidade.

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Os três volumes da série

Trata-se da trilogia 'Lendas de Portugal em Banda Desenhada', da autoria do argumentista Jorge Magalhães e do ilustrador Augusto Trigo, publicada pelas Edições ASA entre 1988 e 1991 e que, como o próprio nome indicava, relatava por meio de ilustrações e algum texto cinco dos mais conhecidos contos e lendas populares portugueses: 'A Lenda do Rei Rodrigo' e 'A Moura Encantada' no primeiro volume, 'A Lenda de Gaia' e 'A Dama Pé-de-Cabra' (este um dos mais famosos relatos do folclore lusitano) no segundo, e 'A Moura Cassima' no terceiro e último.

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Exemplo do estilo de argumento e desenhos da trilogia

Tal como acontecia com a 'História de Portugal', também este 'Lendas...' gozava de argumento e desenhos de altíssimo nível, com as ilustrações de Augusto Trigo, em particular, a remeterem para desenhadores clássicos como Hal Foster (de 'Príncipe Valente', outra série que fez sucesso em Portugal) ou Frank Frazetta, bem como para contemporâneos como o belga François Craenhals, autor da série 'Cavaleiro Ardente'; quanto ao argumento, e ainda que o tema abordado possa não ser de interesse consensual entre a demografia-alvo, o mesmo mostrava-se ainda assim capaz de narrar estes contos populares de forma suficientemente apelativa e atractiva, servindo como o complemento perfeito para os desenhos, e contribuindo para um todo que, no cômputo geral, merecia ter ficado mais conhecido entre os jovens portugueses da época, até por tratarem de um tema (o folclore e a tradição oral) que urge não deixar morrer...

02.11.22

Em quartas-feiras alternadas, falamos sobre tudo aquilo que não cabe em nenhum outro dia ou categoria do blog.

Quando se fala de literatura infanto-juvenil feita em Portugal – como, aliás, já aqui fizemos – um nome afirma-se como incontornável, tendo já entretido múltiplas gerações de crianças desde a sua criação: o da colecção Uma Aventura.

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O logotipo da série é tão icónico quanto os seus restantes elementos.

Para a geração nascida entre as décadas de 70 e 90, em particular, as aventuras dos cinco jovens criados por Ana Maria Magalhães e Isabel Alçada representaram aquilo que as séries juvenis de Enid Blyton (que, aliás superaram em vendas) tinham sido para os seus pais, e que a saga de Harry Potter viria a ser para a geração seguinte: um dos primeiros, senão mesmo O primeiro, exemplo de literatura 'a sério' a chegar-lhes às mãos, e companhia continuada no processo de crescimento e adolescência. Mesmo quem não gostava de ler, fazia uma excepção para as 'Aventuras', cujos enredos entusiasmantes e vocabulário relativamente simples (embora não tanto quanto o de certas outras séries) serviam como 'chamariz' para estes leitores mais renitentes. E porque a icónica colecção completa, este ano, uns espantosos quarenta anos de publicação ininterrupta – e sem dar sinais de abrandar! - nada melhor do que dedicarmos algumas linhas a uma retrospectiva da mesma, como, aliás, já fizemos para a sua série-irmã, 'Viagens no Tempo.'

De facto, corria o já longínquo e quase 'perdido' ano de 1982 quando o primeiro volume da série idealizada por Ana Maria Magalhães e Isabel Alçada – duas professoras do segundo ciclo frustradas com a falta de alternativas de leitura para os seus alunos – 'aterrava' nas bancas portuguesas, após aturadas rondas de 'testes' conduzidas entre os próprios alunos das autoras. Tratava-se de 'Uma Aventura na Cidade', tomo que apresentava aos jovens leitores o icónico grupo e alunos do segundo e terceiro ciclo, e respectivas mascotes; as gémeas Teresa e Luísa e o seu caniche 'Caracol', os 'melhores inimigos' Pedro e Chico – o primeiro o típico 'marrão', o segundo um 'bully' em potência – e o 'minorca' João, dono do pastor-alemão 'Faial', todos devidamente representados e identificados na contracapa, nos icónicos traços de Arlindo Fagundes, ainda hoje responsável pelas capas e ilustrações interiores dos livros da série.

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O já histórico primeiro volume da série, lançado há quase exactos quarenta anos (em cima) e os icónicos 'retratos' dos protagonistas presentes em todas as contra-capas (em baixo)

A proposta, essa, era simples – uma 'versão portuguesa' das aventuras dos Cinco e dos Sete, com enredos talvez menos rebuscados, mas a mesma premissa de um grupo de jovens com diferentes características que se envolvia na resolução dos mais variados crimes e mistérios, fazendo uso dos seus talentos para capturar os vilões antes que os adultos à sua volta sequer se apercebessem do que se passava. Uma premissa intemporal, e que funcionou tão bem para a dupla portuguesa como já o havia feito para Blyton – senão mesmo melhor, dado nenhuma das icónicas séries da escritora britânica ter alguma vez chegado aos 65 volumes ou quatro décadas de publicação!

De facto, a essa primeira aventura, seguiram-se outras sessenta e quatro, que viram o quinteto viajar de Norte a Sul de Portugal e até para o estrangeiro, vivendo experiências que iam de 'Alarmantes' (num volume legitimamente traumatizante) a 'Petigosas', 'Fantásticas', 'Secretas', 'Musicais' e até 'Voadoras' – grande parte das quais foi, além dos livros, também imortalizada em formato televisivo, já no novo milénio, através de uma também super-popular série transmitida pela SIC, (também responsável pela adaptação em filme de longa-metragem de 'Uma Aventura na Casa Assombrada', de 2009) e que ajudou a apresentar os personagens a todo um novo segmento de potenciais fãs.

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Os elencos do filme de 2009 (em cima) e de uma das séries televisivas (em baixo), ambas produções da SIC

Mais espantoso do que a longevidade em si ou do que os sucessos passados, no entanto – ou talvez não – é o facto de, durante esse período que engloba, pelo menos, duas gerações, as 'Aventuras' não terem jamais perdido o seu atractivo nem descido de popularidade entre o público alvo – pelo contrário, a 'geração iPad' continua a gostar tanto destes livros como os seus irmãos mais velhos e pais o haviam feito, justificando a continuada criação de novos imbróglios a serem resolvidos pelos cinco jovens e seus dois cães, agora um pouco mais velhos do que há quarenta anos, mas ainda assim parados naquela 'eterna adolescência' que sempre caracterizou os heróis de séries infanto-juvenis. Numa altura em que tantas das referências das duas gerações anteriores se começam a perder entre jogos casuais, vídeos hiperactivos de YouTube e experiências de realidade virtual, é nada menos do que reconfortante depararmo-nos com uma propriedade intelectual (ainda para mais literária) que não só se mantém 'viva e de saúde', como também continua a ser conhecida, sobretudo, na sua forma original, por oposição a uma qualquer adaptação audio-visual, como é o caso com 'Harry Potter', por exemplo. Parabéns, 'Uma Aventura' – e que contes muitos mais anos como a série favorita da juventude portuguesa!

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