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Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

21.08.22

NOTA: Este post é respeitante a Sábado, 20 de Agosto de 2022.

As saídas de fim-de-semana eram um dos aspetos mais excitantes da vida de uma criança nos anos 90, que via aparecerem com alguma regularidade novos e excitantes locais para visitar. Em Sábados alternados (e, ocasionalmente, consecutivos), o Portugal Anos 90 recorda alguns dos melhores e mais marcantes de entre esses locais.

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Para muitas crianças e jovens das últimas décadas do século XX, o período de férias de Verão (as chamadas 'férias grandes') era sinónimo com uma mudança de paradigma, ou pelo menos com uma mudança de 'ares', normalmente como consequência de uma viagem ou deslocação para um ambiente diferente daquele que experienciavam todos os dias - fosse dentro do País ou no estrangeiro.

De facto, apesar de a maioria das crianças portuguesas da altura ir, de uma maneira ou de outra, passar o Verão 'fora', o leque de experiências e vivências dessa mesma geração nos meses de maior calor dividia-se, pelo menos, nas duas grandes categorias mencionadas no final do parágrafo anterior, as quais, por sua vez, se dividiam em diversas sub-categorias; quem 'ia para fora cá dentro', como rezava um famoso 'slogan' turístico da altura, tanto podia fazê-lo na sua casa de férias própria (sendo as zonas 'da moda' da altura, além do Algarve, áreas como o Baleal, a Ericeira ou a barragem de Castelo de Bode) como em casa de familiares - normalmente os avós ou tios - usufruir do conforto alugado de um andar, hotel, ou 'resort' 'da moda', ou até ir passar uma quinzena numa colónia de férias, longe da família mas na companhia de dezenas de outras crianças da mesma idade.. De igual modo, quem decidia ir para o estrangeiro tanto podia optar por destinos puramente veranis, como o 'corriqueiro' Sul de Espanha, como aproveitar para visitar família emigrada, e com eles passar uns dias ou semanas.

Experiências, no fundo, não muito diferentes das dos jovens de hoje em dia, mas que se desenrolavam numa conjuntura bastante diferente, com poucas ou nenhumas soluções tecnológicas, e com bastante menos facilidade de deslocação - o que apenas ajudava a tornar aqueles períodos de férias ainda mais valiosos; afinal, na época em que as férias eram caras e as chamadas telefónicas primavam por esporádicas, após terminado o interregno, era sempre uma incógnita se, ou quando, o mesmo se tornaria a repetir, e quando se voltaria a conviver ou até falar com os familiares visitados.

Isto, claro, sem falar na miríade de novas vivências que umas férias proporcionavam, desde as novas amizades (e reencontro com os amigos 'de férias') até às brincadeiras impossíveis no meio de origem, passando pelos sempre apetecíveis dias de praia, pelas aventuras 'geográficas' em países desconhecidos, ou simplesmente pela comida da avó; factores que, em conjunto ou por si só, contribuíam para fazer daqueles últimos anos de férias 'pré-tecnológicas' uma memória para a vida, e uma daquelas experiências que - infelizmente - as novas gerações já só conhecerão em 'segunda mão'...

04.05.22

Em quartas-feiras alternadas, falamos sobre tudo aquilo que não cabe em nenhum outro dia ou categoria do blog.

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Numa época em que o acto de conhecer uma pessoa do outro lado do Mundo se desenrola em alguns cliques, pode parecer caricato que, há menos de um quarto de século, ainda era difícil a muitos jovens portugueses conhecerem pessoas fora da própria turma da escola, e menos ainda conseguirem os seus números de telefone para os contactar à distância (as redes sociais eram, ainda, meros produtos da imaginação de universitários californianos.)

Um dos muitos métodos que instituições frequentadas diariamente por jovens – como escolas, grupos de juventude e colónias de férias – utilizavam para assegurar que esses mesmos jovens se conheciam e comunicavam, mesmo que não em pessoa, era o mítico e sempre divertido jogo do 'Amigo Secreto' – não aquele em que toda a gente do escritório troca prendas no Natal, mas sim a versão que envolve uma 'caixa do correio' e a atribuição aleatória de um correspondente, ao qual cada jovem deve escrever anonimamente, até que o mesmo desvende o mistério da sua identidade.

Uma premissa que dava, invariavelmente, azo a muita diversão, até porque havia sempre quem não fosse cem por cento honesto, optando por incluir nas suas missivas supostas pistas destinadas a desviar a atenção do correspondente, e o fazer pensar que o seu Amigo Secreto era qualquer outra pessoa. Desde a escrita com uma letra diferente à ambiguidade quanto a detalhes pessoais, eram muitos os subterfúgios utilizados pelos correspondentes mais 'espertos' para prolongar mais um pouco o jogo – e a verdade é que a maioria dos mesmos resultava, obrigando muitas vezes o coordenador do jogo (normalmente um professor ou monitor) a revelar ao respectivo jovem de quem eram, afinal, aquelas cartas secretas.

À semelhança de muitos dos assuntos nostálgicos de que aqui falamos, é fácil perceber porque é que o 'Amigo Secreto' saiu de moda; o advento da Internet 2.0 não só veio facilitar as interacções, conforme descrito no início deste texto, mas também viu nascer uma geração para quem certas nuances desse tipo de jogo talvez não fossem aceitáveis - até porque, no mundo cibernético, a anonimidade é normalmente vista como desculpa para testar limites de que, naqueles idos de 1990 e 2000, a geração hoje entre os vinte e os quarenta anos nem sonhava em tentar aproximar-se, naquele que é só mais um exemplo da forma como a sociedade mudou nas últimas duas a três décadas.

Assim, para quem alguma vez participou num jogo de Amigo Secreto, restam hoje apenas as memórias daquelas folhas de papel cuidadosamente dobradas, com o respectivo nome escrito (e, muitas vezes, decorados a preceito) que se recolhiam daquela caixa toscamente forrada com cartolina e se liam, vorazmente, a um canto, tentando esconder a missiva dos amigos, a fim de evitar a galhofa se, porventura, esta fosse de um membro do sexo oposto...

06.09.21

NOTA: Este post é relativo a Sábado, 04 de Setembro de 2021.

As saídas de fim-de-semana eram um dos aspetos mais excitantes da vida de uma criança nos anos 90, que via aparecerem com alguma regularidade novos e excitantes locais para visitar. Em Sábados alternados, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos melhores e mais marcantes de entre esses locais.

E naquela que talvez seja a última Saída de Sábado do Verão, nada melhor do que recordar algo que fazia – e, felizmente, continua a fazer – parte do quotidiano de muitas crianças durante esta época do ano: as colónias ou campos de férias.

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Uma cena típica de uma iniciativa deste tipo.

À época – como nos dias de hoje – estas dividiam-se, essencialmente, em dois tipos distintos. Por um lado, havia as do tipo ‘férias desportivas’, em que as crianças participavam diariamente, durante um determinado período de tempo, mas que não implicavam qualquer tipo de deslocação aparte a chegada ao local onde as mesmas se desenrolavam; por outro, havia as colónias de férias propriamente ditas, que – essas sim – representavam uma ou duas semanas longe de casa, invariavelmente num ambiente controlado e especialmente preparado para o efeito, e sob supervisão adequada. Qualquer das duas terá, sem dúvida, deixado óptimas e duradouras memórias a quem delas tenha disfrutado, bem como uma vontade de proporcionar aos próprios filhos o mesmo tipo de experiência, para que também eles se possam familiarizar com o sentimento muito próprio que tais actividades criavam entre os participantes.

Parte integrante desse mesmo sentimento eram, sem dúvida, os programas de actividades, cuidadosamente elaborados pelos responsáveis pela supervisão das crianças – os chamados animadores, ou monitores, jovens não muito mais velhos do que os próprios participantes, mas a quem cabia o papel, não tanto de pais, como de irmãos mais velhos. Num ambiente sempre descontraído e natural, estes jovens eram, além de responsáveis pelo planeamento e dinamização de jogos e actividades, também os principais responsáveis por assegurar que as coisas nunca ‘descambavam’, e que uma certa ordem era mantida entre as crianças, sem nunca se imiscuir entre elas e o ambiente divertido que uma colónia de férias idealmente proporciona. E apesar de ser preciso algum esforço da parte dos pais para confiar os seus filhos a estes (muitas vezes) ainda adolescentes, a verdade é que a maioria deles cumpria com brio o seu trabalho, ajudando a fazer daquele período de férias algo ainda mais inesquecível.

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Outra cena bem típica deste tipo de actividade.

Em suma, fosse através da escola, da Junta de Freguesia, da paróquia ou de uma entidade privada (normalmente o local de trabalho dos pais) as colónias de férias eram – e são – locais de criação de memórias por excelência, proporcionando a um jovem tudo aquilo que ele ou ela espera dos seus meses de Verão, de jogos a amizades indeléveis e até alguns ‘namoricos’, sempre muito controlados, claro… Por isso mesmo, e numa altura em que o Verão se vai encerrando, estes espaços mais do que merecem a presença neste blog, cujo fim, afinal de contas, é precisamente enaltecer e homenagear os melhores momentos da infância e adolescência…

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