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Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

20.02.26

Os anos 90 estiveram entre as melhores décadas no que toca à produção de filmes de interesse para crianças e jovens. Às sextas, recordamos aqui alguns dos mais marcantes.

Após ter iniciado a sua carreira como 'carinha laroca' para filmes românticos (a par de contemporâneos como Johnny Depp ou Leonardo DiCaprio, que viriam a ter percursos de carreira semelhantes) a segunda metade dos anos 90 viu Brad Pitt afirmar-se como actor credível, mediante uma série de (excelentes) filmes de cariz mais sério e que, apesar de inicialmente parecerem escolhas pouco ortodoxas para um actor como Pitt, o ajudaram a revelar os seus talentos dramáticos. O primeiro destes – e que marcaria o início de uma frutífera relação entre o actor e o realizador David Fincher – seria 'Se7en – Sete Pecados Mortais', sobre cuja estreia em Portugal se completaram no início deste mês de Fevereiro (concretamente, dia 2) exactos trinta anos. E porque, na ocasião, escolhemos focar outro filme também a celebrar um 'aniversário' marcante, nada melhor do que dedicar agora, ainda que com cerca de três semanas de atraso, algumas linhas a este excelente 'thriller' policial.

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Com Brad Pitt e o fantástico Morgan Freeman nos papéis principais – como uma dupla de detectives no encalço de um assassino que comete crimes com base nos sete pecados mortais, interpretado por Kevin Spacey – e Gwyneth Paltrow e John C. McGinley em papéis de apoio, o filme de Fincher não parecia, de início, destinado ao sucesso, tendo tido fraca recepção por parte dos público de teste. Ao ser lançado nas salas de cinema, no entanto, o filme desafiou quaisquer preconceitos a esse respeito, tornando-se um dos dez filmes mais lucrativos do ano, e conseguindo a proeza de reunir o consenso de público e crítica, algo suficientemente raro para merecer ser saudado.

Este sucesso ajudaria, por sua vez, a lançar as carreiras tanto de Fincher – até então conhecido por 'videoclips' musicais e cujo único outro trabalho de longa-metragem era o controverso 'Alien 3' – como de Pitt, que seria recrutado mais duas vezes pelo próprio Fincher e que se lançaria na série de filmes mencionada no início deste texto. Quanto a 'Se7en' em si, a sua influência e relevância mantêm-se bem vivas, continuando o filme a ser considerado um dos mais bem-conseguidos exemplos do seu género específico, mesmo mais de três décadas após a sua estreia mundial, e a constituir uma excelente opção para uma Sessão de Sexta mais 'adulta' e cinéfila. Razões mais que suficientes para lhe dedicarmos o seu próprio 'post', poucas semanas após se terem completado trinta anos sobre a sua chegada às salas portuguesas.

 

15.11.25

NOTA: Este 'post' é respeitante a Sexta-feira, 14 de Novembro de 2025.

Os anos 90 estiveram entre as melhores décadas no que toca à produção de filmes de interesse para crianças e jovens. Às sextas, recordamos aqui alguns dos mais marcantes.

A par de nomes como Quentin Tarantino, Danny Boyle e Edgar Wright, o inglês Guy Ritchie faz parte de uma restrita lista de cineastas modernos capazes de conjugar na perfeição acção frenética, personagens carismáticos e diálogos 'impagáveis', produzindo filmes de acção 'inteligentes' de primeira categoria – no caso de Ritchie, especificamente incluídos na categoria de 'thrillers' com mafiosos londrinos como protagonistas. E se o seu primeiro filme, do qual já aqui falámos, colocou o inglês no 'radar' de muitos cinéfilos, seria a obra seguinte que verdadeiramente o consagraria como parte da 'nata' do cinema de autor moderno, tornando-se ao mesmo tempo um clássico de culto entre fãs do estilo de filme que produz. E com razão, já que 'Snatch – Porcos e Diamantes' talvez represente mesmo a cristalização perfeita de uma obra deste género.

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Prestes a completar um quarto de século sobre a sua estreia em Portugal – a 17 de Novembro de 2000 – o segundo filme de Ritchie mistura os seus típicos 'gangsters' com a versão britânica do povo cigano (constituída não pelos 'romani' bem conhecidos dos portugueses, mas sobretudo pelos chamados 'itinerantes irlandeses') numa trama suscitada, como o nome indica, por um diamante, o qual se perde na sequência de várias peripécias. Junte-se a isto uma segunda linha narrativa sobre um promotor de boxe e um campeão amador da modalidade que é também chefe dos ciganos (interpretado por um Brad Pitt 'acabadinho de sair' do não menos icónico 'Clube de Combate', e que aqui surge com um impagável sotaque irlandês) e estão reunidos os ingredientes para uma 'mistura explosiva' bem ao estilo de Ritchie, em que tudo não tarda a 'descambar' em cenas de acção e tiros, sempre apimentadas com muito sarcasmo, e o tipo de situações semi-cómicas que já ajudavam a distinguir o primeiro filme do realizador da 'maralha'.

A diferença para essa obra é que, em 'Snatch', tudo é ainda mais bem feito, já sem as hesitações típicas de um realizador de 'primeira viagem', substituídas pela 'mão segura' de quem sabe o que quer e como o atingir. O resultado é um filme de visualização ainda mais obrigatória do que 'Um Mal Nunca Vem Só', que pode e deve ser revisitado aquando de uma Sessão de Sexta, numa altura em que se celebram os exactos vinte e cinco anos da sua chegada às salas de cinema nacionais.

07.09.25

NOTA: Este post é respeitante a Sexta-feira, 05 de Setembro de 2025.

Os anos 90 estiveram entre as melhores décadas no que toca à produção de filmes de interesse para crianças e jovens. Às sextas, recordamos aqui alguns dos mais marcantes.

Apesar de, nos anos 90, a era de ouro do cinema português estar já a algumas décadas de distância, o período em causa não deixou ainda assim de contribuir com vários títulos para a lista de longas-metragens lusitanas contemporâneas. 'Adeus, Pai', 'Até Amanhã, Mário', 'Zona J' ou 'Pesadelo Cor-de-Rosa são apenas alguns dos principais destaques da década no tocante a produção cinematográfica, aos quais há ainda que juntar, por exemplo, o 'Hollywoodesco' filme de espionagem (!) realizado em 1994 por Eduardo Geada, e que poderá ser uma opção interessante para uma Sessão de Sexta mais voltada para a reconstituição histórica.

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Tirando partido do estatuto da capital portuguesa como território neutro durante a Segunda Guerra Mundial – o qual, por sua vez, a tornava 'porto seguro' para espiões, informadores e outros 'infiltrados' – Geada propõe-se contar a história da 'Passagem Por Lisboa' de vários personagens, de um francês misteriosamente assassinado a três descodificadores de mensagens alemãs, não esquecendo 'celebridades' como uma reconhecida actriz, um banqueiro ou o Duque de Windsor. Todos estes personagens se vêem, em maior ou menor escala, envolvidos não só no mistério da morte do francês, como também numa intriga de espionagem bem ao estilo dos filmes realizados na época em causa, e que Geada claramente procura homenagear e emular.

O resultado é um filme bem mais ambicioso do que seria necessário (no bom sentido) e que, com um orçamento e actores ao nível de produções análogas internacionais, poderia ter-se tornado um favorito 'de culto' para cinéfilos com interesse em filmes históricos. Isto porque, até mesmo com as limitações inerentes ao seu país de produção, 'Passagem Por Lisboa' faz por valer a descoberta, não só do filme, como também da igualmente 'esquecida' adaptação em banda desenhada, da qual aqui falaremos numa futura Quarta aos Quadradinhos. Até lá, valem estas breves linhas que, espera-se, possam ajudar a redescobrir um filme cuja maior pecha foi mesmo ter sido produzido no Portugal de finais do século XX...

21.06.25

NOTA: Este 'post' é respeitante a Sexta-feira, 20 de Junho de 2025.

Os anos 90 estiveram entre as melhores décadas no que toca à produção de filmes de interesse para crianças e jovens. Às sextas, recordamos aqui alguns dos mais marcantes.

O início dos anos 90 viram ter lugar uma mudança de paradigma no tocante ao produto cinematográfico de Hollywood, em mais do que uma vertente. Para além das mudanças na apresentação e estética dos filmes considerados 'blockbusters', assistiu-se também a um influxo de realizadores estrangeiros – nomeadamente asiáticos e europeus – que trouxeram consigo as influências do cinema dos seus respectivos países e regiões, incorporando nos seus filmes elementos estilísticos e temáticos a que os espectadores norte-americanos não estavam necessariamente habituados, e estabelecendo assim uma reputação como criadores de 'cinema de autor' que, ao mesmo tempo, conseguia ser bem aceite pelas massas. E se John Woo e seus comparsas se centravam sobretudo no estilo, com recurso à câmara lenta e inclusão de simbologia visual, o contingente europeu preferia destacar-se pela inclusão de temáticas humanistas e filosóficas naquilo que, regra geral, seria apenas 'mais um' filme de acção ou suspense. Um dos melhores exemplos desta abordagem estreou nas salas de cinema nacionais há pouco mais de trinta anos (a 28 de Abril de 1995) e granjeou imediatamente o estatuto de obra de culto para amantes de 'thrillers' mais cerebrais e menos imediatistas.

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Falamos de 'Léon – O Profissional', o 'thriller' responsável por lançar em Hollywood não só os seus dois actores principais – o francês Jean Reno e uma jovem Natalie Portman, para quem este era o primeiro papel cinematográfico – como também o seu realizador, Luc Besson, que rapidamente ficaria conhecido como um dos melhores 'balanceadores' de estilo e conteúdo do período em causa. E a verdade é que essas qualidades ficam bem vincadas neste filme, que, apesar de longe dos excessos visuais de 'O Quinto Elemento' e outros filmes do realizador, tem um estilo visual próprio, que complementa uma trama centrada, não em tiros e cenas de acção, mas no relacionamento do titular assassino a soldo com a menina que resgata após a morte dos pais – um elemento que Reno e, sobretudo, Portman (em extraordinária actuação para uma criança de apenas 13 anos e sem qualquer experiência no ramo) conseguem transmitir de forma exímia, dando ao filme um 'centro' emocional que muitas outras obras do estilo nunca chegam a almejar.

Não admira, pois, que 'Léon – O Profissional' seja ainda hoje alvo de elogios por parte da crítica especializada, e conste das listas de favoritos de muitos cinéfilos (nacionais e não só) com preferência por filmes com alguma 'substância' a ancorar os momentos de emoção e acção. Mais – nas três décadas subsequentes, o filme quase não 'envelheceu', quer do ponto de vista visual quer a nível do enredo e temáticas, continuando a constituir uma excelente base para uma Sessão de Sexta, e a justificar algumas breves linhas a seu respeito neste nosso 'blog' nostálgico.

29.03.25

NOTA: Este 'post' é respeitante a Sexta-feira, 28 de Março de 2025.

Os anos 90 estiveram entre as melhores décadas no que toca à produção de filmes de interesse para crianças e jovens. Às sextas, recordamos aqui alguns dos mais marcantes.

Como um dos escritores mais populares e prolíferos da era moderna, não é de espantar que Stephen King tenha visto a grande maioria da sua obra ser adaptada ao formato cinematográfico; mais surpreendente é verificar que, apesar da qualidade invariavelmente elevada dos contos do escritor, a referida obra se pauta pela irregularidade, com quase tantos filmes 'de culto' ou declaradamente maus quanto obras-primas imortais. De facto, basta um olhar de relance à filmografia do escritor para perceber que, para cada 'Carrie', 'Shining', 'Conta Comigo', 'Misery – O Capítulo Final' ou 'It – Capítulo I' (ou mesmo um 'Cujo' ou 'Cemitério Vivo') existe um 'Potência Máxima', 'Os Estranhos' ou 'A Torre Negra'. Ainda assim, no tempo presente, o saldo geral pauta-se, ainda, pela positiva, muito por conta de filmes como os dois que abordamos nas próximas linhas – curiosamente, ambos dirigidos pelo mesmo realizador, afectos à mesma temática, considerados obras-primas do seu tempo, e com estreias nacionais separadas por exactamente cinco anos, e com 'aniversários' marcantes no início da próxima semana.

De facto, os dias 31 de Março tanto do ano de 1995 como do ano 2000 veriam chegar às salas de cinema nacionais um filme adaptado de um romance de Stephen King, ambientado numa prisão, e com interpretações merecedoras de elogios e prémios, nomeadamente Óscares (sete para um e quatro para outro, tendo ambos ganho o de Melhor Filme); primeiro 'Os Condenados de Shawshank', com Tim Robbins e Morgan Freeman, e depois 'À Espera de Um Milagre', com Tom Hanks, Sam Rockwell e o malogrado Michael Clarke Duncan. Ambos continuam, três décadas e duas décadas e meia (respectivamente) após o seu lançamento, a afirmar-se como de visualização obrigatória para fãs do género, fazendo assim por merecer as breves linhas que aqui lhes dedicamos.

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Sobre 'Os Condenados de Shawshank', pouco mais há a dizer do que aquilo que tanto a imprensa especializada como o próprio público já sabe – nomeadamente, que se trata de um dos melhores filmes sobre prisões de todos os tempos, com interpretações magistrais de ambos os seus actores principais e muitos momentos memoráveis. Adaptação fiel do conto original (curiosamente, publicado na mesma compilação de onde saiu 'O Corpo', a inspiração para 'Conta Comigo', e dois outros contos que dariam ambos origem a filmes), a película de Frank Darabont narra os esforços do padeiro Andy Dufresne e do velho 'Red' Ellis para escaparem da prisão – mediante um buraco escavado por trás de um 'poster' da actriz Rita Hayworth – e dos laços de amizade que se criam entre os dois homens (e também alguns outros reclusos) como resultado da experiência modificadora que vivem. Uma temática que facilmente poderia cair no facilitismo da 'lamechice' ou da acção pseudo-profunda, mas que prefere (e bem) focar-se no aspecto humano, oferecendo uma perspectiva multifacetada que realça tanto a tragédia da vida prisonal como o humor que os próprios reclusos conseguem nela injectar. O resultado é, como já acima apontámos, um filme absolutamente essencial para qualquer cinéfilo, e que pouco ou nada envelheceu nas quase exactas três décadas desde a sua estreia.

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Não contente com uma obra-prima no seu portefólio, no entanto, Darabont voltaria a penetrar no 'filão' Stephen King cinco anos depois, para trazer ao grande ecrã um dos melhores livros do escritor, 'The Green Mile'. O resultado, que em Português se chamou 'À Espera de Um Milagre', trazia os mesmos ingredientes que haviam feito sucesso em 'Shawshank' – as interpretações marcadamente humanas, a abordagem complexa aos temas do enredo, e o foco nas pequenas situações e 'nuances' dos protagonistas – os quais, previsivelmente, voltaram a resultar num 'cozinhado apetitoso' para qualquer cinéfilo. E se, em 'Shawshank', não havia uma interpretação a destacar, por todas serem magníficas (embora tenha sido Freeman a ganhar o Óscar de Melhor Actor Principal), aqui o realce vai todinho para Michael Clarke Duncan, que, no papel do injustamente condenado John Coffey, terá feito lacrimejar em pleno cinema muitos 'homens feitos' - efeito que, aliás, continua a surtir até aos dias de hoje. E com razão, já que o seu desempenho de um personagem complexo e difícil é magistral, daquelas em que o actor se 'perde' no personagem ao ponto de fazer o espectador esquecer que se trata de um filme. Para seu crédito, o habitualmente 'canastrão' Tom Hanks e o previsivelmente excelente (e levemente tresloucado) Sam Rockwell ajudam a manter alto o nível geral de interpretação, mas é Duncan a verdadeira 'estrela', devendo a sua actuação servir, por si só, de incentivo para quem desconheça este magnífico filme, tendo-lhe merecidamente valido o Óscar de Melhor Actor Secundário na cerimónia desse ano.

Em suma, dois filmes com muito mais em comum do que apenas a data de estreia em Portugal, mas que essa e outras coincidências não poderiam deixar de 'fadar' a um 'post' conjunto, a poucos dias da data dos trigésimo e vigésimo-quinto aniversários da referida efeméride.

01.02.25

NOTA: Este 'post' é respeitante a Sexta-feira, 31 de Janeiro de 2025.

Os anos 90 estiveram entre as melhores décadas no que toca à produção de filmes de interesse para crianças e jovens. Às sextas, recordamos aqui alguns dos mais marcantes.

A psique humana, com as suas diversas 'nuances' e desvios, sempre serviu como uma das melhores fontes para material artístico – fosse ele literário, musical ou cinematográfico – não tendo o final do século XX sido, de todo, excepção a esta regra. Antes pelo contrário, só no mundo do cinema, a última década do Segundo Milénio viu serem produzidos uma série de clássicos dentro do género do 'thriller' psicológico, de 'Se7en – Sete Pecados Mortais' a 'Clube de Combate'. 'Conhece Joe Black?' ou ao filme que abordamos nesta Sessão de Sexta, no final da semana em que se comemoram os vinte e cinco anos da sua estreia nas salas de cinema portuguesas, a 28 de Janeiro de 2000.

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Com a sua complexa e difícil temática em torno da obsessão e de outros impulsos menos desejáveis do subconsciente humano, 'Beleza Americana' está longe de ser o tipo de filme que apele à juventude, normalmente mais virada para tramas de acção, ficção científica ou comédia; no entanto, a presença da bela Mena Suvari – à época em alta entre a demografia juvenil, após a sua participação em 'American Pie – A Primeira Vez' – como parte de uma dupla de protagonistas adolescentes levou muitos menores de idade às salas de cinema para ver a longa-metragem de estreia do hoje conceituado Sam Mendes, acabando os mesmos por ter uma experiência, quiçá, algo distinta do esperado.

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Mira Sorvino e Kevin Spacey na cena mais icónica do filme.

Ainda assim, apesar da primeira impressão algo 'enganosa', qualquer pessoa que tenha visto 'Beleza Americana' terá pouco que apontar à reputação do filme, que merece largamente os elogios críticos que então lhe foram dispensados, bem como os galardões que amealhou – a saber, três Globos de Ouro (incluindo Melhor Filme, Melhor Realizador e Melhor Argumento) e nada menos do que seis Óscares, incluindo as três categorias principais – Melhor Filme, Actor e Actriz – e ainda as relativas à cinematografia, música e edição de imagem, o que, na era pré-'Senhor dos Anéis', representava um consenso e domínio crítico poucas vezes visto em tais cerimónias.

Não é, pois, de espantar que a película de Mendes se tenha rapidamente afirmado como um dos muitos 'clássicos' estreados num dos melhores anos da História do cinema moderno – um estatuto que continua a merecer mesmo após um quarto de século, e um sem-número de mudanças no paradigma cinematográfico, talvez pela ausência de efeitos especiais e outros 'truques' que acelerem o seu envelhecimento, ou talvez apenas pela qualidade de execução que apresenta em todos os seus aspectos. Um candidato mais que merecedor, portanto, a uma das nossas 'celebrações' retrospectivas, poucos dias após o vigésimo-quinto aniversário da sua estreia nacional.

19.01.25

NOTA: Este 'post' é respeitante a Sexta-feira, 17 de Janeiro de 2025.

Os anos 90 estiveram entre as melhores décadas no que toca à produção de filmes de interesse para crianças e jovens. Às sextas, recordamos aqui alguns dos mais marcantes.

'Eu vejo pessoas mortas.' Nos primeiros meses do Século XXI e do Terceiro Milénio, esta frase (ou alguma variação da mesma) era praticamente inescapável, sendo reproduzida, referenciada ou parodiada nos mais diversos meios e veículos de comunicação, sobretudo os de índole humorística, podendo facilmente inserir-se no restrito grupo de elementos mediáticos que constituíam 'memes' mais de uma década antes de esse termo ser criado ou penetrar na cultura popular. No entanto, toda esta exposição mediática acabava por constituir uma 'faca de dois gumes', já que o foco exclusivo nessa única linha de diálogo acabava por quase eclipsar a criação mediática da qual era proveniente – nomeadamente, um dos maiores (e melhores) filmes da viragem do Milénio.

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Estreado nas salas de cinema portuguesas há quase exactos vinte e cinco anos (a 14 de Janeiro de 2000, menos de duas semanas após o início do novo ano, século e Milénio), 'O Sexto Sentido' conseguia a proeza de fazer da sua estrela principal o elemento menos falado e elogiado da sua produção, recaindo as atenções quase exclusivamente nos dois nomes que ajudou a lançar, a saber, o realizador indo-americano M. Night Shyamalan e a 'mini-estrela' Haley Joel Osment, então com apenas onze anos, cuja personagem (uma criança com poderes psíquicos) era responsável pela famosa linha que ainda hoje simboliza o filme. E a verdade é que, ainda mais do que Bruce Willis (o referido actor principal, aqui em interpretação incaracteristicamente subtil e cheia de 'nuances') ambos estes nomes mereciam plenamente a aclamação de que eram alvo, o primeiro pela realização acima da média e inesperada conclusão do argumento, e o segundo por uma prestação muito acima da de outros actores da sua idade, ficando famosa a comparação entre esta sua actuação e a de Jake Lloyd como Anakin Skywalker em 'Guerra das Estrelas Episódio I – A Ameaça Fantasma', alguns meses antes. E embora ambos ficassem aquém do seu potencial em termos de carreira - com Shyamalan a revelar rapidamente ter apenas um único truque na manga (as conclusões cada vez menos inesperadas) e Osment a deixar o Mundo do cinema poucos anos depois, ainda adolescente - neste seu filme de estreia em particular, ambos pareciam ter pela frente futuros auspiciosos nas suas respectivas profissões.

Foi, portanto, sem surpresas que o público cinéfilo (português e não só) viu 'O Sexto Sentido' tornar-se num dos maiores sucessos daquele primeiro ano do 'novo calendário', e inscrever o seu nome na História do cinema como um dos 'clássicos modernos' do género 'thriller' psicológico. E ainda que, hoje em dia, o mesmo seja lembrado sobretudo graças 'àquela' frase (e às suas incontáveis paródias) não restam dúvidas de que se trata mesmo de um filme acima da média, merecedor de toda a atenção que mereceu aquando do seu lançamento, e também da homenagem que ora lhe prestamos, no final da semana em que se celebra um exacto quarto de século sobre a sua estreia em Portugal.

17.05.24

Os anos 90 estiveram entre as melhores décadas no que toca à produção de filmes de interesse para crianças e jovens. Às sextas, recordamos aqui alguns dos mais marcantes.

Qualquer fã de cinema reconhece que os diferentes estilos e géneros inerentes à Sétima Arte têm, por sua vez, dentro de si uma miríade de sub-géneros, cada um com parâmetros e estereótipos bem definidos (como, aliás, acontece também com as artes concomitantes, como a música e a literatura). O género do crime, por exemplo, tem desde os anos 90 uma popular e vincada sub-categoria, focada não tanto nos 'gangsters' e máfias clássicas, mas em bandidos mais modernos, com tanta lábia como mira para disparar, cujas vidas se entrelaçam de alguma forma durante noventa minutos ou duas horas, com resultados invariavelmente divertidos para os fãs do género. E se, em solo norte-americano, o mestre deste sub-estilo se chama Quentin Tarantino, do lado europeu, um nome se agiganta como incontornável dentro do mesmo: Guy Ritchie, o britânico que, há quase exactos vinte e cinco anos, se apresentava aos cinéfilos portugueses através da sua primeira – e imediatamente icónica – obra.

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Realizado e produzido ainda em 1998, 'Um Mal Nunca Vem Só' (um daqueles títulos traduzidos inexplicáveis para um filme que se chama, no original, 'Lock, Stock and Two Smoking Barrels') era vítima do 'atraso cultural' habitual em produtos mediáticos da época, acabando por 'amarar' em solo lusitano apenas vários meses após o lançamento no seu Reino Unido natal, no caso a 14 de Maio de 1999. Foi nessa data que os fãs nacionais ficaram, pela primeira vez, a conhecer o estilo hiperactivo, estilizado e movido a diálogos jocosos que, já no Milénio seguinte, seria 'revisto e melhorado' em filmes como 'Snatch – Porcos e Diamantes', 'Rock'n'Rolla: A Quadrilha' ou 'Revolver'. Muitos dos 'actores fetiche' de Ritchie também fazem aqui a sua estreia, casos de Vinnie Jones e da futura estrela de acção Jason Statham, aqui marcadamente mais 'magricelas' e com a oportunidade de demonstrar os seus dotes como actor – sim, Jason Statham sabe representar, e bem! Já a trama desenrola-se no habitual 'rebuliço' também característico de Richie, que, a páginas tantas, faz até o cinéfilo mais persistente deixar de tentar perceber o que se passa, resignando-se a desfrutar dos excelentes diálogos e cenas de acção. Em suma, um compêndio do que viriam a ser os 'clichés' das obras do realizador britânico, de cuja junção resulta um dos melhores filmes de crime do cinema moderno.

De facto, um quarto de século volvido sobre a sua estreia em Portugal (e ligeiramente mais do que isso sobre o seu lançamento original) 'Um Mal Nunca Vem Só' continua a oferecer uma experiência tão prazerosa e entusiasmante como naquele dia de Maio de 1999 em que pela primeira vez chegou às salas lusas, e a servir de inspiração para inúmeros 'imitadores', nenhum dos quais chega aos níveis de qualidade aqui almejados por Richie. Razões mais que suficientes, pois, para dedicarmos esta homenagem à obra de estreia do britânico, quando a mesma atinge tão destacado marco em solo português.

09.04.24

Porque nem só de séries se fazia o quotidiano televisivo das crianças portuguesas nos anos 90, em terças alternadas, este blog dá destaque a alguns dos outros programas que fizeram história durante aquela década.

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No Portugal de finais do século XX e inícios do XXI, ainda mais do que no de hoje, certas frases, bordões e dichotes logravam transpõr o seu contexto original e transformar-se em parte integrante da cultura popular. Entre dizeres oriundos de séries, filmes ou concursos de televisão, músicas e 'slogans' de anúncios, e uma ou outra frase de origem mais esotérica (como o lendário 'Oh, Elsaaaa!', nascido no festival de música do Sudoeste) eram inúmeros os exemplos desta mesma tendência – e, para quem fazia, à época, parte de determinada demografia, um dos mais memoráveis será uma frase em Inglês 'macarrónico' dita por um venerando senhor de fato num dos mais populares programas de humor da História da televisão portuguesa. Falamos, é claro, do lendário 'let's luque etta traila' que era imagem de marca de Lauro Dérmio, um dos muitos 'bonecos' de inspiração real criados por Herman José para os seus vários programas humorísticos, no caso a sua icónica 'Enciclopédia'. O que muitos dos jovens que riam com a caricatura talvez não soubessem, no entanto, era que a inspiração de Herman para o personagem dispunha, ela própria, de um programa, à época acabado de sair do ar, mas que marcara os hábitos televisivos de muitos cinéfilos nacionais durante os anos transactos.

A caricatura de Herman José era mais popular do que o próprio programa que parodiava.

Tratava-se de 'Lauro António Apresenta', um programa de antevisões a filmes então prestes a chegar ao cinema transmitido pela TVI a partir de inícios de 1994, que, pontualmente, servia também como sessão de cinema, procurando neste caso destacar-se das várias (e excelentes) propostas semelhantes veiculadas pelos outros canais (muitas até aos dias de hoje) através de uma abordagem mais personalizada e intelectual no tocante aos conteúdos mostrados. Isto porque, como o próprio nome do programa indica, os filmes exibidos eram especialmente escolhidos pelo titular cineasta, responsável pelo premiado filme 'Manhã Submersa', e que se encarregava também de fazer uma pequena introdução a cada uma das películas escolhidas – fornecendo assim, involuntariamente, inspiração para a posterior caricatura engendrada pelo 'rei' do humor português.

No total, foram cinco os filmes exibidos por Lauro António, e pela TVI, como parte destas sessões, cuja cronologia se dispersa ao longo de três anos. As primeiras duas emissões, sobre as quais se assinalaram na semana transacta exactos trinta anos, foram dedicadas ao filme italiano 'Barrabás', de 1961, e às duas partes do famoso épico 'Cleópatra', realizado dois anos depois e com interpretações de Elizabeth Taylor, no papel da lendária rainha egípcia, Rex Harrison, Roddy McDowall e Martin Landau, entre outros. Após estes dois 'eventos' pascais, no entanto, a emissão extinguir-se-ia durante mais de nove meses, regressando apenas a 14 de Janeiro de 1995, com a exibição de 'Não o Levarás Contigo', de 1938. Seguir-se-iam mais quatro meses de hiato (contados quase ao dia) até ao regresso com 'O Mundo A Seus Pés', clássico de Orson Welles, a 13 de Maio.

Por mais longas que fossem estas pausas entre emissões, no entanto, nada se comparou ao intervalo entre o filme de Welles e a seguinte obra-prima apresentada por Lauro António, que iria ao ar a 22 de Fevereiro...de 1997, mais de um ano e meio após a última edição da sessão! A exibição da película francesa sobre a vida de Molière, datada de 1978, assinalaria, aliás, não só o filme mais moderno seleccionado para o programa, mas também o último, em meio a uma mudança de paradigma não só por parte da própria TVI, como do panorama televisivo nacional em geral, que 'tiraria' o programa do ar ainda nesse mesmo ano.

Esta calendarização errática, aliada à opção deliberada por filmes mais antigos e de índole mais artística, mesmo nas emissões mais 'normais' – por oposição às habituais comédias e filmes de acção preferidas pelo público infanto-juvenil – terá contribuído para que Lauro António e o respectivo programa fossem, para muitos jovens de finais do século XX, conhecidos sobretudo pelo 'boneco' paródico criado por Herman José; no entanto, a nível conceptual, há que louvar o esforço do realizador e da TVI (então ainda apostada em injectar cultura ao panorama televisivo, ao contrário do que sucederia no Novo Milénio) para alargar os horizontes do público das sessões da tarde, e lhe apresentar filmes clássicos e importantes da História da Sétima Arte – missão que, certamente, terá tornado 'Lauro António Apresenta' memorável para muitos cinéfilos nacionais, tornando-o merecedor de destaque nestas nossas páginas, por alturas dos trinta anos da sua primeira emissão. E porque não há, neste caso, 'trailers' para visionar, aqui ficam dois excertos do programa, com agradecimentos ao YouTube...

13.01.24

As saídas de fim-de-semana eram um dos aspetos mais excitantes da vida de uma criança nos anos 90, que via aparecerem com alguma regularidade novos e excitantes locais para visitar. Em Sábados alternados (e, ocasionalmente, consecutivos), o Portugal Anos 90 recorda alguns dos melhores e mais marcantes de entre esses locais e momentos.

Na última Sessão de Sexta, falámos dos ciclos e mostras de cinema independente, bem como das salas que escolhiam prescindir dos maiores êxitos de bilheteira para divulgar este tipo de filmes, por intermédio de distribuidoras como a Medeia Filmes. Nada melhor, portanto, do que dedicarmos a Saída deste Sábado a explorar um pouco mais a fundo esses espaços emblemáticos de finais do século XX, e – infelizmente – praticamente desaparecidos nos dias que correm.

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Normalmente situadas nos locais mais insuspeitos – em ruas residenciais ou paralelas às grandes artérias urbanas, caves de centros comerciais de bairro, ou até no interior de instituições e centros culturais – estas salas mais pequenas e independentes tinham, normalmente, em comum o clima e atmosfera no seu interior, que remetia a tempos mais clássicos, com poucos lugares, o ecrã muito próximo até mesmo das filas de trás, e aquele silêncio quase reverente que as gerações anteriores ao aparecimento dos 'multiplex' se habituaram a associar com a experiência de ir ao cinema. Este claro contraste com as luzes, ruído e banca de pipocas e refrigerantes das referidas salas de 'shopping', coadunava-se com a própria oferta de filmes, sendo as obras exibidas neste tipo de cinema, regra geral, mais intimistas e menos 'bombásticas' do que os típicos filmes de Verão ou Natal.

Não quer isto dizer, é claro, que um ou outro desses filmes não surgisse nos cinemas em causa, sendo que os filmes da Disney, em particular, tendiam a ser exibidos nestes espaços. Mesmo nesses casos, no entanto, estas salas marcavam a diferença, normalmente através da exibição da versão legendada, por oposição à dobrada, mantendo assim a vertente mais inteligente e intelectual que as caracterizava, ao mesmo tempo que se estabeleciam como a única escolha para quem quisesse ver os filmes em versão original, atraindo assim uma quota-parte garantida de público.

Infelizmente, o advento do DVD, e a maior diversificação dos lançamentos em formato caseiro – que passaram a incluir muitos títulos independentes e 'de autor', antes totalmente inacessíveis fora do contexto de salas deste tipo – veio ditar o 'início do fim' dos cinemas independentes, que passariam as duas décadas seguintes a definhar numa triste 'morte lenta', até ao inevitável fecho e reconversão em qualquer outro tipo de negócio. Como consequência, hoje em dia, apenas um número irrisório de entre todas as salas deste género existentes no País à época se encontra ainda em actividade, tendo as mostras e ciclos de cinema passado, quase exclusivamente, para as cinematecas e instituições culturais como a Culturgest, em Lisboa – p que não invalida que as salas em causa vivam na memória de quem nelas assistiu a muitos e bons filmes que, de outra forma, talvez nunca tivesse visto, justificando assim a sua escolha como destino para a primeira Saída de Sábado do ano de 2024.

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