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Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

11.01.26

NOTA: Este 'post' é respeitante a Sexta-feira, 9 de Janeiro de 2025.

Os anos 90 estiveram entre as melhores décadas no que toca à produção de filmes de interesse para crianças e jovens. Às sextas, recordamos aqui alguns dos mais marcantes.

O final dos anos 90 e, sobretudo, a década seguinte viram ter lugar uma mudança significativa na natureza dos chamados 'blockbusters', isto é, os filmes que ancoravam cada 'temporada' cinematográfica. Enquanto que os primeiros anos dos 'noventas' traziam ainda uma continuidade da década anterior, com aventuras de família 'Spielbergianas' como 'Parque Jurássico', 'Hook' ou 'Jumanji', e filmes de acção explosiva com Arnold Schwarzenegger ou Sylvester Stallone a dominar cada novo ciclo, no último terço da década observava-se já uma transição para 'blockbusters' mais virados para géneros como a ficção científica, o terror, a comédia desbragada ou, como no caso do filme ora em análise, a comédia de acção com energia inversamente proporcional à inteligência.

De facto, os anos a partir de 1997 representaram o ocaso dos heróis ultramusculados que haviam inspirado 'mini-culturistas' durante os quinze anos anteriores, em favor de filmes protagonizados por personagens bastante mais próximas do 'normal' em termos de poderio físico, e cujo principal atractivo era a combinação de esperteza e 'desenrascanço' com uma beleza e carisma quase impossíveis de encontrar no comum dos mortais. Era a era de Ethan Hunt (ainda hoje em 'actividade', com o seu último filme a datar do ano passado) Lara Croft, Dom Toretto e do trio de que falamos neste 'post', e que fez a sua entrada 'explosiva' nas salas de cinema portuguesas no início da época natalícia de 2000 – os 'Anjos de Charlie'.

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De facto, era a 24 de Novembro do primeiro ano do século XXI que as versões actualizadas das personagens surgidas na televisão americana na década de 70 surgiam pela primeira vez nos grandes ecrãs nacionais, a tempo de 'apaixonar' toda uma geração de adolescentes entusiastas dos filmes de acção. Isto porque as 'sex symbol' da série original – Farrah Fawcett, Kate Jackson e Jaclyn Smith – eram substituídas 'à altura' por Cameron Diaz, Lucy Liu e Drew Barrymore, três das principais 'beldades' Hollywoodianas da época (com Diaz, em particular, a surgir aqui no 'pico de forma'), devidamente acompanhadas por Bill Murray no papel do ajudante Bosley, o qual ajudava a dar um toque cómico à trama de acção e espionagem. Do elenco 'de luxo' faziam ainda parte John Forsythe, Sam Rockwell, Tim Curry, Kelly Lynch, Matt LeBlanc, Luke Wilson e Tom Green, num verdadeiro 'quem é quem' de ídolos adolescentes da época, que ajudava a 'empurrar' um filme que, a nível de história, não passava dos 'mínimos olímpicos' para justificar as sequências de acção e os inúmeros disfarces envergados pelos três 'Anjos'.

De facto, se há mérito a dar ao realizador McG (que se viria a tornar famoso não só pelo pseudónimo ridículo mas também por filmes como este) é o de saber manter o espírito da série original nesta adaptação para o grande ecrã. Tal como naquele caso, a intenção declarada é 'seduzir' o público-alvo, apresentando-lhe as três protagonistas numa série de vestimentas sensuais em meio às explosões e tiros, numa receita que não podia deixar de agradar à demografia a que o filme se destinava. Para quem gostava dessa combinação, a película era um prato cheio; quem procurava algo mais, no entanto, estaria a gastar o seu tempo e dinheiro ao escolher este filme.

Felizmente, o primeiro grupo era vasto o suficiente para tornar o filme um sucesso e justificar uma sequela, três anos depois, com ainda mais cenas dos 'Anjos' em biquíni ou disfarces 'sexy' e ainda menos história (além de cinco minutos de Shia LeBoeuf, ainda na sua fase de 'miúdo inocente', pré-Transformers, e de Bernie Mac como o 'novo' Bosley) bem como uma adaptação interactiva para PlayStation 2 e GameCube, universalmente considerada como um dos exemplos mais negativos a nível de jogos de acção licenciados. E ainda que o legado cinematográfico e cultural dos 'Anjos' se ficasse por aqui, pouco mais de vinte e cinco anos após a sua estreia, o primeiro filme é, ainda, lembrado por toda uma geração que, então em idade adolescente e numa era em que a Internet tinha bastante menos expressão, encontrava nele uma forma de, ao mesmo tempo, admirar três actrizes incrivelmente atraentes e desfrutar da sua 'dose recomendada' de tiros e explosões, numa fórmula que encapsulava na perfeição aquilo que viriam a ser os 'blockbusters' de acção das décadas seguintes.

26.12.25

Os anos 90 estiveram entre as melhores décadas no que toca à produção de filmes de interesse para crianças e jovens. Às sextas, recordamos aqui alguns dos mais marcantes.

Juntamente com Eddie Murphy, Jim Carrey e Robin Williams, Ben Stiller faz parte do grupo de 'grandes' actores cómicos de finais do século XX e inícios do seguinte; e embora o seu estilo de humor seja algo menos consensual que o dos actores supracitados, Stiller conta, ainda assim, com alguns êxitos inegáveis na sua filmografia. Um dos maiores encontra-se prestes a celebrar vinte e cinco anos sobre a sua estreia em Portugal - ocorrida a 28 de Dezembro de 2000 - tornando-o na escolha perfeita para aquela que é a última Sessão de Sexta do ano de 2025.

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Falamos, claro, de 'Um Sogro do Pior', o filme que revelava também ao Mundo os talentos cómicos do habitualmente sisudo Robert de Niro, o qual, talvez cansado de ser associado exclusivamente com filmes de 'gangsters', 'rouba' completamente a cena no papel do excêntrico e algo perturbador sogro do personagem de Stiller, do qual este deve conquistar a amizade. Como não poderia deixar de ser, este processo envolve um sem-número de peripécias mirabolantes e situações constrangedoras, que ameaçam constantemente o inevitável final feliz, e expõem os piores traços de personalidade de todos os membros da família, incluindo o próprio Stiller.

E ainda que nem todas estas 'trapalhadas' resultem em pleno, há no filme suficientes situações bem-conseguidas para fazer com que valha a pena investir no mesmo para uma Sessão de Sexta em família, talvez integrado numa 'maratona' com as inevitáveis sequelas, ainda que cada uma delas contribua para diluir cada vez mais a premissa, juntando novos personagens e insistindo no mesmo tipo de situações até estas deixarem de ter piada. O primeiro da série, no entanto, 'envelheceu' com alguma dignidade - pesem embora alguns 'excessos' típicos das comédias da época - merecendo bem ser revisitado por ocasião do vigésimo-quinto aniversário da sua estreia em Portugal.

29.11.25

NOTA: Este 'post' é respeitante a Sexta-feira, 28 de Novembro de 2025.

Os anos 90 estiveram entre as melhores décadas no que toca à produção de filmes de interesse para crianças e jovens. Às sextas, recordamos aqui alguns dos mais marcantes.

A época natalícia foi, desde sempre, catalista de produções cinematográficas para toda a família, muitas das quais postumamente consideradas clássicos do género ou da época do ano; de 'Do Céu Caiu Uma Estrela' ou 'Uma História de Natal', passando pelas 'milhentas' adaptações de Dickens, até clássicos modernos como 'Sozinho Em Casa' (e respectiva primeira sequela) 'O Expresso Polar' ou 'Milagre em Manhattan', o que não falta são exemplos de películas unanimemente consideradas emblemáticas do período em causa. No entanto, tal como sempre acontece, nem todos os filmes de Natal são cem por cento consensuais, e a passagem dos anos tem adicionado algumas obras mais 'divisoras de opiniões' ao cânone do género, bastando pensar em 'O Tesouro de Natal', de Schwarzenegger, ou 'Elf – O Falso Duende', de Will Ferrell, para descobrir exemplos deste fenómeno. O filme que abordamos nesta Sessão de Sexta pré-quadra, e sobre cuja estreia nacional se celebra dentro de poucos dias (concretamente a 1 de Dezembro) o exacto quarto de século, é mais um título a adicionar a esta lista, contando como clássico para muitos 'millennials' e até alguns 'Z', mas gerando opiniões menos favoráveis por parte de quem era até ligeiramente mais velho aquando da sua chegada a Portugal.

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O contexto nacional (onde o personagem tinha expressão nula até à chegada do filme) também não ajudou a que 'O Grinch' granjeasse de imediato o favor do público-alvo, que, sem a 'ajuda' do especial animado dos anos 70, ou mesmo da história original de Dr. Seuss (ambos elementos profundamente enraizados na cultura infantil norte-americana) era obrigada a 'descobrir' por si mesma aquele monstro verde com desprezo pelo Natal, interpretado em 'carne e osso' por um Jim Carrey em puro 'modo caretas', escondido atrás de uma maquiagem verde que o tornava praticamente irreconhecível, não fossem as referidas expressões 'elásticas'. E embora o restante elenco não deixe, de todo, a desejar, com 'character actors' como Christine Baranski, Molly Shannon, Clint Howard ou Mindy Sterling, a verdade é que Carrey é mesmo a 'estrela da companhia', assumindo quase total protagonismo – algo que acaba por prejudicar o filme, sobretudo aos olhos de quem não aprecia esta faceta do actor, ou a prefere em pequenas doses. Isto porque grande parte do filme é passada com o Grinch a monologar para o seu cão, na sua caverna, o que dá a Carrey amplas oportunidades de improvisar e 'fazer caretas', de que o actor principal acaba por abusar um pouco, prejudicando tanto o ritmo como o potencial cómico do filme. No final, fica a sensação de que talvez o comediante tivesse conseguido 'safar-se' com este tipo de abordagem cinco anos antes, quando estava no seu auge, mas que, em Dezembro de 2000, a mesma parecia já um pouco 'estafada'.

Ainda assim, para quem QUER ver Jim Carrey fazer o máximo de caretas e trejeitos possível – ou, pelo menos, não se importa que tal aconteça – 'O Grinch' é uma opção perfeitamente viável para a 'rotação' filmográfica do mês de Dezembro, sobretudo para quem tem crianças pequenas. Trata-se de um filme relativamente inofensivo, com uma boa mensagem (apesar de um ou outro momento algo mais 'descabido') e boas interpretações de todo o elenco (ainda que se desaconselhe a horrível dobragem portuguesa, que torna a obra ainda mais intragável). Pena, portanto, que o veterano do cinema familiar Ron Howard não tenha sabido (ou querido) 'travar' um pouco o seu actor principal, preferindo 'vender' o filme precisamente na base do seu nome e modo típico de actuar, e acabando assim por alienar a parcela da audiência capaz de apreciar (ou, pelo menos, tolerar) um filme de família com tema natalício, mas com pouca 'paciência' para exageros pseudo-cómicos em demasia...

15.11.25

NOTA: Este 'post' é respeitante a Sexta-feira, 14 de Novembro de 2025.

Os anos 90 estiveram entre as melhores décadas no que toca à produção de filmes de interesse para crianças e jovens. Às sextas, recordamos aqui alguns dos mais marcantes.

A par de nomes como Quentin Tarantino, Danny Boyle e Edgar Wright, o inglês Guy Ritchie faz parte de uma restrita lista de cineastas modernos capazes de conjugar na perfeição acção frenética, personagens carismáticos e diálogos 'impagáveis', produzindo filmes de acção 'inteligentes' de primeira categoria – no caso de Ritchie, especificamente incluídos na categoria de 'thrillers' com mafiosos londrinos como protagonistas. E se o seu primeiro filme, do qual já aqui falámos, colocou o inglês no 'radar' de muitos cinéfilos, seria a obra seguinte que verdadeiramente o consagraria como parte da 'nata' do cinema de autor moderno, tornando-se ao mesmo tempo um clássico de culto entre fãs do estilo de filme que produz. E com razão, já que 'Snatch – Porcos e Diamantes' talvez represente mesmo a cristalização perfeita de uma obra deste género.

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Prestes a completar um quarto de século sobre a sua estreia em Portugal – a 17 de Novembro de 2000 – o segundo filme de Ritchie mistura os seus típicos 'gangsters' com a versão britânica do povo cigano (constituída não pelos 'romani' bem conhecidos dos portugueses, mas sobretudo pelos chamados 'itinerantes irlandeses') numa trama suscitada, como o nome indica, por um diamante, o qual se perde na sequência de várias peripécias. Junte-se a isto uma segunda linha narrativa sobre um promotor de boxe e um campeão amador da modalidade que é também chefe dos ciganos (interpretado por um Brad Pitt 'acabadinho de sair' do não menos icónico 'Clube de Combate', e que aqui surge com um impagável sotaque irlandês) e estão reunidos os ingredientes para uma 'mistura explosiva' bem ao estilo de Ritchie, em que tudo não tarda a 'descambar' em cenas de acção e tiros, sempre apimentadas com muito sarcasmo, e o tipo de situações semi-cómicas que já ajudavam a distinguir o primeiro filme do realizador da 'maralha'.

A diferença para essa obra é que, em 'Snatch', tudo é ainda mais bem feito, já sem as hesitações típicas de um realizador de 'primeira viagem', substituídas pela 'mão segura' de quem sabe o que quer e como o atingir. O resultado é um filme de visualização ainda mais obrigatória do que 'Um Mal Nunca Vem Só', que pode e deve ser revisitado aquando de uma Sessão de Sexta, numa altura em que se celebram os exactos vinte e cinco anos da sua chegada às salas de cinema nacionais.

01.11.25

Os anos 90 estiveram entre as melhores décadas no que toca à produção de filmes de interesse para crianças e jovens. Às sextas, recordamos aqui alguns dos mais marcantes.

Apesar de não ter, historicamente, tradição em qualquer outro país que não os Estados Unidos, o 'Halloween' é, já, parte integrante do calendário festivo de vários países (Portugal incluído) servindo de pretexto para as crianças se disfarçarem, comerem doces e brincarem na rua, e para os mais graúdos se 'aninharem' no sofá com um bom filme de terror temático. E porque este 'post' deveria ter sido publicado na própria noite (e surge no rescaldo da mesma) nada melhor do que nos debruçarmos sobre um filme que faz, sem dúvida, parte das escolhas para uma Sessão de Sexta em família, e que comemorou recentemente as três décadas da sua estreia em Portugal.

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Adaptação em acção real de um desenho animado e banda desenhada já pouco ou nada relevante (mas ainda conhecido dos jovens portugueses, graças à ocasional exibição televisiva dos episódios em domínio público e à inevitável continuação da banda desenhada por parte de estúdios brasileiros), 'Casper' (ou 'Gasparzinho', como era conhecido no mundo lusófono) chegava às salas de cinema nacionais não no Dia das Bruxas, ou mesmo na estação fria que evoca, mas em pleno Verão, a 21 de Julho de 1995 – uma altura em que a maioria das crianças portuguesas se encontraria, mais que provavelmente, em férias, e sem vontade de ver um filme que evoca ambientes mais lúgubres e invernais.

Isto porque, apesar de ser um mais do que declarado filme infantil, 'Casper' não 'poupa' na atmosfera 'fantasmagórica', bem a condizer com os personagens e o ambiente onde vivem. Junte-se a esta equação a presença de Christina Ricci (por esta altura já bem versada em papéis mais góticos, após a estreia como Wednesday na franquia 'A Família Addams') e o que resulta é um filme bastante bem-sucedido na criação do seu mundo e do respectivo ambiente, mas que estreava na altura totalmente errada do ano, pelo menos num país do Sul da Europa, com temperaturas elevadas nos meses de Verão e com não um, mas dois mares a banhar o seu território!

Não admira, pois, que a passagem de 'Casper' por Portugal tenha sido discreta, pese embora uma campanha de divulgação de monta, com a habitual caderneta de cromos, adaptação do filme em banda desenhada e outros 'artefactos' promocionais. Nada, infelizmente, que pudesse mudar o destino do filme, que nem sequer se logrou tornar um 'clássico' do VHS, tendo desaparecido relativamente rápido e sem deixar rasto – uma situação oposta à que viveu no mercado norte-americano, onde, apesar de ter estreado em Maio, logrou facturar quase trezentos milhões de dólares, contra um orçamento de pouco mais de cinquenta, um lucro correspondente a seis vezes o investimento, e que justificou a realização, nos dez anos seguintes, de mais quatro (!) filmes e uma série animada, nenhum dos quais com qualquer presença em Portugal.

Ainda assim, e apesar do sucesso, a opinião crítica em relação ao original era (e permanece) mista, com o filme a posicionar-se como o típico 'seis em dez' quer junto da crítica especializada, quer do próprio público. Nada melhor, pois, do que procurar o filme na Net, organizar uma Sessão de Sexta com amigos, familiares ou filhos, e tirar conclusões próprias quanto ao mesmo, como forma de celebrar (ainda que com atraso) não só o Dia das Bruxas, como o trigésimo aniversário do mesmo.

04.10.25

NOTA: Este post é respeitante a Sexta-feira, 03 de Outubro de 2025.

Os anos 90 estiveram entre as melhores décadas no que toca à produção de filmes de interesse para crianças e jovens. Às sextas, recordamos aqui alguns dos mais marcantes.

No início dos anos 90, o género da comédia romântica moderna (a chamada 'rom-com') não era, ainda, tão prevalente quanto viria a ser na segunda metade da década, e durante grande parte da seguinte. Já havia, é claro, exemplos do género, mas mesmo estes apresentavam moldes um pouco diferentes daqueles que viriam a formar a tão conhecida e bem-sucedida fórmula que levaria milhões de casais às salas de cinema durante os dez a quinze anos seguintes. Isto porque, apesar de o famoso 'boy meets girl' ter sido o cerne da ficção – cinematográfica e não só – durante séculos, muitas das obras criadas até finais do século XX incorporavam outros elementos além da tensão romântica, e punham muitas vezes mais foco nestes do que propriamente nas desventuras do 'casalinho' de serviço.

Um dos filmes que ajudaria a mudar esse paradigma, e a lançar o género da 'rom-com' como a maioria dos 'millennials' o viriam a conhecer, chegava às salas de cinema portuguesas há exactos vinte e cinco anos, a 4 de Outubro de 1990, e afirmava-se imediatamente como um sucesso tão retumbante no nosso País como já o havia sido internacionalmente. E não é difícil perceber porquê – afinal, quem não se deixaria cativar pela velha história do 'ricaço' que descobre e se apaixona por uma jovem de origens comuns, mas com um coração de ouro e personalidade a condizer?

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Sim, a história de 'Pretty Woman: Um Sonho de Mulher' mais não era do que uma variação do enredo de 'My Fair Lady', transposto da Inglaterra vitoriana para a América urbanizada, transformando o 'professor distraído' num 'yuppie' e a vendedora de flores numa prostituta, mas mantendo, de outra forma, a premissa-base do clássico musical. Para viver as personagens desta espécie de 'actualização não declarada' eram escolhidos o veterano 'bonitão' Richard Gere – então já com uma década como 'sex symbol' de Hollywood – e uma jovem de apenas vinte e um anos, de sorriso luminoso e longos cabelos frisados, de quem este filme faria uma das maiores estrelas do planeta durante pelo menos uma década. O seu nome? Julia Roberts, pois claro.

Curiosamente, e um pouco em linha com o pensamento veiculado no parágrafo inicial deste 'post', 'Um Sonho de Mulher' – que conta ainda com a participação de Hector Elizondo e Jason Alexander, o George Costanza de 'Seinfeld' - não tinha, inicialmente, sido pensado como romance, e muito menos como comédia; pelo contrário, a ideia inicial do argumentista J. F. Lawton era criar um drama sério e sombrio sobre a prostituição que então grassava em Los Angeles, um conceito que não podia estar mais longe do filme que acabou por 'ir a cena'. De igual modo, nem Gere nem (especialmente) Roberts teriam sido primeiras escolhas da equipa técnica, que queria Karen Allan no papel da prostituta Vivian (com as alternativas a passarem por Molly Ringwald, a 'menina do lado' dos anos 80, e ainda por nomes como Jennifer Connelly, Wynona Ryder, Drew Barrymore, Brooke Shields, Kristin Davis, Uma Thurman e Patricia Arquette), e havia considerado nomes tão díspares como Al Pacino, Christopher Lambert, Burt Reynolds, Daniel Day-Lewis, Kevin Kline, Christopher Reeve, Albert Brooks e até Denzel Washington ou Sylvester Stallone (!!) para o papel do galã. Se a ideia de um filme em que Michael Corleone, o Super-Homem ou o Rambo contracenam com a Poison Ivy de 'Batman e Robin' ou com a 'menina bonita' de 'O Clube' é por demais intrigante, a mesma terá, no entanto, de permanecer exclusivamente (e infelizmente) no campo da imaginação, já que todos esses actores rejeitaram o convite dos produtores, com mesmo Gere a só ficar totalmente convencido após conhecer Julia Roberts.

Como se costuma dizer, no entanto, 'há males que vêm por bem', já que os dois actores viriam a beneficiar largamente da sua participação no projecto, o qual – já depois de transformado numa trama leve e de cariz romântico – viria não só a afirmar-se como um dos maiores sucessos de sempre no seu género, como também a fornecer a matriz para duas décadas de filmes com cartazes de fundo branco e casais em poses ligeiramente 'marotas' ou divertidas – embora, na maioria dos casos, sem as alusões ao trabalho sexual que o original utilizava como base. Tivessem Lawton e os restantes elementos técnicos do filme seguido a sua ideia original, talvez o panorama cinematográfico dos anos 90 e 2000 tivesse sido significamente diferente, e talvez Gere e especiamente Roberts nunca tivessem conhecido o sucesso de que gozaram durante esse período. Tal e como existe, no entanto, 'Um Sonho de Mulher' é, sem dúvida, um marco do cinema americano moderno, totalmente merecedor de homenagem, quando se celebram trinta e cinco anos desde o dia em que apresentou ao público português as personagens de Edward Lewis e da 'mulher bonita' Vivian Ward.

02.10.25

NOTA: Este 'post' é respeitante a Quarta-feira, 1 de Outubro de 2025.

A banda desenhada fez, desde sempre, parte da vida das crianças e jovens portugueses. Às quartas, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos títulos e séries mais marcantes lançados em território nacional.

Já aqui anteriormente falámos das adaptações em banda desenhada (ou novelas gráficas) de propriedades cinematográficas e televisivas norte-americanas, como 'Parque Jurássico', 'Jovem Indiana Jones' ou 'Batman Para Sempre'. E apesar de esta não ser uma prática corrente fora daquele continente e mercado, em meados dos anos 90, a Editorial Notícias arriscou lançar uma versão 'à portuguesa' do referido conceito, adaptando para 'quadradinhos' um filme que poucos esperariam ser alvo deste tratamento: 'Passagem Por Lisboa', a trama de espionagem 'de época' levada ao grande ecrã por Eduardo Geada, em 1994, e cujo público-alvo não se interceptava, exactamente, com o que lia revistas ou álbuns de banda desenhada. E porque, ao falarmos do filme, descurámos focar esta adaptação, nada melhor do que dedicar-lhe agora algumas linhas.

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A capa do álbum utilizava o cartaz do filme.

Infelizmente, há muito pouco a dizer sobre a BD de 'Passagem Por Lisboa', que as gerações 'X' e 'Millennial' votaram, praticamente, ao esquecimento (um pouco como o próprio filme). De facto, para lá da capa (copiada do cartaz do filme), do mês e ano de lançamento (Abril de 1994) e do nome dos autores (curiosamente, ambos chamados Paulo, no caso Paulo Pereira, responsável pelo argumento, e Paulo Silva, o ilustrador) é impossível encontrar qualquer informação ou fotografia respeitante a este álbum, tornando impossível elaborar sobre o estilo de desenhos que apresenta, ou sobre as técnicas empregues para adaptar à BD as técnicas narrativas cinematográficas do filme. Pedimos, pois, a qualquer leitor que possua informações sobre este livro (alô, Pedro Serra!) que nos ajude a 'completar' um pouco este 'post', o qual, para já, terá de ficar por aqui.

20.09.25

NOTA: Este post é respeitante a Sexta-feira, 18 de Setembro de 2025.

Os anos 90 estiveram entre as melhores décadas no que toca à produção de filmes de interesse para crianças e jovens. Às sextas, recordamos aqui alguns dos mais marcantes.

Qualquer membro da geração 'millennial' tem bem presente que os filmes baseados em bandas desenhadas apenas começaram a ser sucessos garantidos a partir do dealbar do Novo Milénio, quando os 'X-Men' de Bryan Singer revolucionaram o paradigma em termos de qualidade, e 'abriram a porta' àquele que, hoje em dia, talvez seja o género cinematográfico mais lucrativo e bem-sucedido. Para que se chegasse a esse ponto, no entanto, foi necessário passar por consideráveis 'dores de crescimento', sendo que, durante décadas, os fãs de 'comics' americanos nunca podiam saber o que esperar de cada nova adaptação cinematográfica, já que para cada mega-sucesso como o 'Batman' de Tim Burton havia outros quatro filmes que passavam despercebidamente para o mercado do vídeo, incapazes de concorrer com as mega-produções Hollywoodescas. O filme sobre o qual nos debruçamos nesta Sessão de Sexta (poucos dias após se terem completado trinta e cinco anos sobre a sua estreia em Portugal, a 14 de Setembro de 1990) fica a meio-caminho entre estas duas vertentes, tendo logrado ser um sucesso à época do seu lançamento, mas tendo caído no esquecimento quase generalizado nas três décadas e meia subsequentes.

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Falamos de 'Dick Tracy', adaptação da banda desenhada do mesmo nome, presença assídua nas páginas de BD dos jornais americanos, e que narra as desventuras do detective homónimo, reconhecível pela icónica gabardine amarela, na sua luta contra os mafiosos que regem a típica cidade dos anos 30 ou 40 onde vive. Um conceito mais na linha dos velhos livros de ficção barata do que propriamente dos super-heróis da Marvel e DC, mas que, ainda assim, apresenta semelhanças com séries como 'Batman', 'Sin City' ou 'Spirit', cujos filmes empregariam elementos estéticos a fazer lembrar os do filme em causa - o qual, no entanto, ficaria bastante aquém de qualquer deles em termos de impacto duradouro no Mundo cinematográfico.

Para os jovens cinéfilos daquele ano de 1990, no entanto, o filme trazia bastantes atractivos, da gama de cores da roupa dos personagens (a remeter intencionalmente aos tons vivos do Technicolor) até à presença de Madonna, então em alta, como interesse romântico do Tracy vivido pelo também realizador Warren Beatty, a participação de nomes como Al Pacino, Dustin Hoffman, James Caan ou Dick Van Dyke, ou mesmo apenas o apelo estético do icónico logotipo do personagem, que gerou alguma procura a nível de 'merchandise' alusivo ao filme imediatamente após a sua estreia.

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O elenco recheado de estrelas do filme.

Infelizmente, ao contrário de outros exemplos de que já aqui falámos, e apesar da 'parada de estrelas' que constituía o seu elenco a adaptação em 'carne e osso' de 'Dick Tracy' não logrou suster esse nível de interesse a longo-prazo, tendo-se rapidamente tornado 'apenas' mais um filme, mesmo enquanto a BD original continuasse de 'pedra e cal' nas páginas dos jornais. Ainda assim, numa altura em que se assinala um 'aniversário' marcante para o filme de Beatty, é justo homenageá-lo com estas singelas linhas, as quais (quem sabe?) talvez motivem quem ainda não conhece o filme – ou mesmo quem já o tenha visto – a procurar forma de o (re)ver nos tempos modernos...

07.09.25

NOTA: Este post é respeitante a Sexta-feira, 05 de Setembro de 2025.

Os anos 90 estiveram entre as melhores décadas no que toca à produção de filmes de interesse para crianças e jovens. Às sextas, recordamos aqui alguns dos mais marcantes.

Apesar de, nos anos 90, a era de ouro do cinema português estar já a algumas décadas de distância, o período em causa não deixou ainda assim de contribuir com vários títulos para a lista de longas-metragens lusitanas contemporâneas. 'Adeus, Pai', 'Até Amanhã, Mário', 'Zona J' ou 'Pesadelo Cor-de-Rosa são apenas alguns dos principais destaques da década no tocante a produção cinematográfica, aos quais há ainda que juntar, por exemplo, o 'Hollywoodesco' filme de espionagem (!) realizado em 1994 por Eduardo Geada, e que poderá ser uma opção interessante para uma Sessão de Sexta mais voltada para a reconstituição histórica.

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Tirando partido do estatuto da capital portuguesa como território neutro durante a Segunda Guerra Mundial – o qual, por sua vez, a tornava 'porto seguro' para espiões, informadores e outros 'infiltrados' – Geada propõe-se contar a história da 'Passagem Por Lisboa' de vários personagens, de um francês misteriosamente assassinado a três descodificadores de mensagens alemãs, não esquecendo 'celebridades' como uma reconhecida actriz, um banqueiro ou o Duque de Windsor. Todos estes personagens se vêem, em maior ou menor escala, envolvidos não só no mistério da morte do francês, como também numa intriga de espionagem bem ao estilo dos filmes realizados na época em causa, e que Geada claramente procura homenagear e emular.

O resultado é um filme bem mais ambicioso do que seria necessário (no bom sentido) e que, com um orçamento e actores ao nível de produções análogas internacionais, poderia ter-se tornado um favorito 'de culto' para cinéfilos com interesse em filmes históricos. Isto porque, até mesmo com as limitações inerentes ao seu país de produção, 'Passagem Por Lisboa' faz por valer a descoberta, não só do filme, como também da igualmente 'esquecida' adaptação em banda desenhada, da qual aqui falaremos numa futura Quarta aos Quadradinhos. Até lá, valem estas breves linhas que, espera-se, possam ajudar a redescobrir um filme cuja maior pecha foi mesmo ter sido produzido no Portugal de finais do século XX...

27.07.25

NOTA: Este 'post' é respeitante a Sexta-feira, 27 de Julho de 2025.

Os anos 90 estiveram entre as melhores décadas no que toca à produção de filmes de interesse para crianças e jovens. Às sextas, recordamos aqui alguns dos mais marcantes.

As sequelas e os 'remakes' de filmes de sucesso estão longe de ser novidade no Mundo movido a dinheiro de Hollywood. Menos comum, no entanto, é ver dois exemplos deste tipo de filme estrearem no mesmo fim de semana - e, no entanto, foi precisamente essa a situação verificada nos dias anteriores à data de edição deste 'post', que viram chegar aos cinemas uma nova tentativa de retratar o 'Quarteto Fantástico', e à Netflix uma continuação de 'O Demónio do Golfe', um dos maiores sucessos da filmografia de Adam Sandler. Nada melhor, pois, do que recordar neste 'post' os antecessores de ambos os filmes produzidos durante os anos 90, os quais tiveram destinos diametralmente opostos.

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Começando pelo 'Quarteto Fantástico' de Roger Corman, o filme de 1994 é, hoje em dia, infame entre cinéfilos fãs de banda desenhada de super-heróis. Isto porque a película – exibida uma única vez no cinema, na Alemanha, e surgida na Internet mais de um quarto de século após a sua produção – foi feita, apenas e tão somente, para que Corman pudesse reter os direitos sobre a franquia, não tendo o realizador qualquer intenção de levar o material às salas de cinema, ou mesmo ao circuito 'directo a vídeo'. Talvez resida aí a explicação para a falta de cuidados técnicos evidenciada em cada cena do filme – com particular expressão nos efeitos práticos – e para a escolha de actores desconhecidos para viverem tanto os quatro heróis como o seu inimigo Dr. Destino, personagem icónica para os leitores das BD originais.

A verdade, no entanto, é que, apesar destas falhas técnicas, o filme é bastante fiel ao material idealizado por Stan Lee, conseguindo capturar as personalidades dos membros do Quarteto (embora nem tanto a de Destino) e mostrando mesmo laivos de querer ser algo mais do que um esquema de evasão fiscal. Os actores, que desconheciam as verdadeiras intenções de Corman, têm também actuações passáveis no contexto de um filme de 'Série B', deixando a ideia que, com alguma dedicação e empenho, este pudesse ter sido um filme menor, mas de culto, entre os fãs de 'quadradinhos'.

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Num patamar diametralmente oposto está o filme de Sandler, não só lançado oficialmente em cinema (curiosamente, ao contrário da sequela) como considerado um dos grandes clássicos de Adam Sandler, um daqueles actores cujo estilo divide opiniões, mas não deixa ainda assim de encontrar o seu público-alvo. Nesta tentativa de parodiar o mais que batido formato das comédias desportivas (no caso com o golfe como modalidade de eleição) o seu habitual personagem simplório revela-se um 'génio' no tocante a colocar bolas brancas em buracos na relva, embarcando no habitual percurso delineado em filmes deste tipo, ao qual nem sequer falta um rival ciumento e sem escrúpulos que o herói deve derrotar no último buraco de um jogo para poder levar para casa o prémio e salvar a casa da sua avó.

Uma paródia declarada e descarada, portanto, mas ainda imbuída da sinceridade que diferenciava os primeiros filmes de Sandler dos que viria a realizar no auge da sua fama, tornando-o uma boa aposta para quem conseguir lidar com o tipo de actuação e situações típicas da obra do actor, ambas as quais se encontram em grande evidência neste filme. Já a sequela parece reunir menos consenso, podendo vir a tornar-se rapidamente 'apenas mais um' dos muitos filmes exclusivos para a Netflix lançados a cada ano – o que não invalida que, tal como no caso de 'Quarteto Fantástico', dediquemos algumas linhas ao seu antecessor, esse sim (e ao contrário do filme de Roger Corman) um verdadeiro clássico do seu estilo.

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