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Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

16.05.24

A banda desenhada fez, desde sempre, parte da vida das crianças e jovens portugueses. Às quartas, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos títulos e séries mais marcantes lançados em território nacional.

Numa das primeiras Quartas aos Quadradinhos deste nosso 'blog', falámos da Turma da Mônica, um dos mais bem-sucedidos grupos de personagens de quadradinhos de sempre, rivalizado apenas pelos patos e ratos da Disney e pelos principais super-heróis da Marvel e DC. E ainda que, em Portugal, as criações de Mauricio de Sousa não chegassem a atingir o nível de impacto que tinham no seu Brasil natal (onde são verdadeiros ícones culturais) a sua popularidade entre os bedéfilos lusos era, ainda assim, suficiente para justificar tanto a criação de esculturas dos personagens num parque urbano como a importação de certos artigos com as efígies de Mônica, Cebolinha e restantes amigos. Destes, destacam-se as linhas de roupa, os bonecos de vinil, e talvez o mais lembrado por quem foi jovem em finais do século XX, e ao qual já aludimos aquando do 'post' original sobre a Turma: o delicioso chocolate de 'duas cores' que gozou de uma curta mas memorável presença nas prateleiras dos supermercados e hipermercados nacionais da época.

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De conceito algo semelhante ao do Kinder Surpresa, pelo menos no tocante à mistura de cores, o chocolate Turma da Mônica era vendido, não em barra, mas em 'packs' de quatro ou cinco chocolates individuais, aproximadamente do tamanho de uma palma da mão infantil, cada um deles composto por uma 'moldura' de chocolate de leite, no centro da qual era incrustada uma recriação surpreendentemente detalhada de um dos membros da Turma, feita de chocolate branco, criando assim a sempre saborosa dicotomia que garantia o sucesso dos produtos Kinder. E se, para um fã da Turma, não deixava de ser difícil dar aquela primeira 'dentada' na personagem favorita (sendo hábito 'roer' primeiro a moldura circundante, deixando a parte branca para o fim), a verdade é que o sacrifício compensava largamente, já que o resultado da combinação dos dois tipos de chocolate era nada menos do que delicioso, com o chocolate de leite bem rico (com a qualidade da Nestlé) a colmatar bem a doçura excessiva típica do chocolate branco. Difícil, pois, era comer um só destes chocolates, tendendo os pacotes a 'desaparecer' rapidamente, deixando para trás apenas o postal incluído como brinde em cada embalagem, e que retratava os personagens de Mauricio numa variedade de contextos, de cenas quotidianas a recriações de histórias clássicas.

Ao contrário do que sucedeu no Brasil, no entanto - onde o chocolate foi trazido de volta no seu formato original anos depois de ter sido descontinuado - o brinde, a qualidade, o sucesso e a licença 'sonante' não foram, no entanto, suficientes para manter o chocolate Turma da Mônica nas prateleiras a longo-prazo, vindo o mesmo a desaparecer pemanentemente, sem grande 'alarde', ao fim de um par de anos; uma verdadeira pena, já que qualquer pessoa que tenha comido uma daquelas 'molduras' individualmente embaladas certamente a terá como um dos seus chocolates favoritos de sempre, e a incluirá ao lado de uns Galak Buttons na lista de alimentos que desejaria, um dia, poder voltar a provar...

25.04.24

A banda desenhada fez, desde sempre, parte da vida das crianças e jovens portugueses. Às quartas, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos títulos e séries mais marcantes lançados em território nacional.

Os anos 90 em Portugal ficaram, para o segmento que era então de uma certa idade, marcados (entre outras coisas) por um autêntico 'festim' de doces e guloseimas das mais diversas índoles, algumas ainda 'vivas' (embora significativamente diferentes) e outras desaparecidas para sempre. No entanto, por muito populares que fossem a maioria destes doces e salgados, apenas uma fracção de entre eles atingiu um estatuto verdadeiramente icónico entre os 'putos' da época, fosse pelos apetecíveis brindes que oferecia (como no caso das batatas fritas da Matutano), por se tratar de um 'prazer guloso' (como os Bollycaos ou os Galak Buttons) por ser encontrada um pouco por todo o lado e estar ao alcance até mesmo da mais vazia das carteiras (como as pastilhas Gorila) ou, no caso do produto de que falamos hoje, devido a uma combinação de todos esses factores. Sim, chega agora, finalmente, a vez de falar daquela que talvez seja 'A' guloseima por excelência desse período da História portuguesa, e um pouco até aos dias de hoje: o ovo Kinder.

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Vastamente imitadas, mas nunca igualadas, aquelas deliciosas ovais feitas de dois tipos de chocolate (por fora 'normal', castanho e de leite, e por dentro branco) penetraram o mercado português na década de 80 para não mais o abandonarem, fazendo as delícias de várias gerações não só com a referida (e apetitosa) combinação, mas também (sobretudo) devido ao que continham no seu interior: um cilindro de plástico amarelo, aparentemente simples, mas que qualquer criança ou jovem sabia conter o segredo da felicidade – pelo menos no imediato. Isto porque cada uma das referidas cápsulas continha um pequeno brinquedo de montar ou, em alternativa, uma figura coleccionável de qualquer das inúmeras linhas que a Kinder promovia à época, normalmente tematizadas em torno de espécies animais, e que em breve aqui terão a sua própria Quinta de Quinquilharia. Assim, a compra de um ovo Kinder permitia não só a degustação de chocolate de alta qualidade, mas também a 'surpresa' adicional do brinquedo no interior (daí o nome 'oficial', Kinder Surpresa), oferecendo uma combinação irresistível para qualquer menor de idade; foi, pois, com naturalidade que a Kinder rapidamente se afirmou como uma das líderes do mercado dos chocolates em Portugal, à semelhança do que acontecera já em países como a sua Alemanha natal, o Reino Unido ou a vizinha Espanha.

Conforme acima referido, a marca alemã conseguiria manter essa mesma hegemonia ao longo das quatro décadas seguintes, sendo ainda hoje possível encontrar nas prateleiras ovos Kinder Surpresa; no entanto, os mesmos comportam já algumas diferenças significativas em relação aos que punham a 'salivar' qualquer membro das gerações 'X' ou 'Millennial'. Isto porque, em algum ponto da trajectória da Kinder em Portugal, a produção do chocolate para os referidos ovos deixou de ser centralizada, passando os mesmos a provir de Espanha; com esta mudança, veio um acréscimo no açúcar, passando os referidos ovos a saber menos a 'eles mesmos' e mais a um qualquer outro chocolate. Assim, quem, de momento, quiser recuperar o sabor da infância terá de se deslocar ao estrangeiro, onde os ovos permanecem como eram em Portugal naquela época – embora o elevado volume de problemas e escândalos em que a Kinder se vê periodicamente envolvida possa, potencialmente, servir como elemento desencorajador dessa 'viagem' nostálgica. O melhor mesmo, para poupar tempo, dinheiro e potenciais dissabores, será utilizar esta breve homenagem a um dos grandes doces da infância portuguesa de finais do século XX como forma de 'regressar' àquele tempo, ainda que apenas mentalmente, e sentir na boca aquele 'gostinho' da primeira trinca num ovo Kinder...

23.03.23

Todas as crianças gostam de comer (desde que não seja peixe nem vegetais), e os anos 90 foram uma das melhores épocas para se crescer no que toca a comidas apelativas para crianças e jovens. Em quintas-feiras alternadas, recordamos aqui alguns dos mais memoráveis ‘snacks’ daquela época.

De entre todos os chocolates e guloseimas disponíveis no mercado português durante os anos 90 (e mesmo hoje em dia), um em particular destaca-se por sobre todos os outros: os ovos Kinder, as deliciosas confecções de chocolate branco e de leite conhecidas pelas suas icónicas séries de mini-figuras, e de que aqui paulatinamente falaremos. E se comprar ou receber um ovo Kinder 'normal', no contexto de um passeio ou visita a familiares, já era motivo de deleite para qualquer criança, imagine-se receber uma versão em formato (e tamanho) de ovo de Páscoa do referido doce, com uma versão gigante (e, muitas vezes, licenciada a uma qualquer propriedade intelectual popular entre os mais jovens) do típico brinde no interior?

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Variante moderna do produto em causa.

Era precisamente essa a experiência que os 'putos' mais sortudos dos anos 90 (e também de gerações subsequentes) potencialmente viviam durante o período de Páscoa, altura em que a Kinder disponibilizava os seus ovos 'Gran Sorpresa', com brinquedos e brindes de tamanho 'normal' e cerca de dez vezes mais do delicioso chocolate de que desfrutar. Com esta conjugação de factores – a juntar a uma apresentação tão cuidada como a de qualquer produto concorrente – é de surpreender que estes ovos fossem um verdadeiro 'Santo Graal' para as crianças daquela época?

O principal obstáculo a este festim pascal de sonho, no entanto, mantém-se o mesmo até aos dias de hoje: o preço. Por razões óbvias (sendo de marca e trazendo um brinde bastante melhor que os da 'concorrência') os ovos Gran Sorpresa da Kinder eram, e continuam a ser, significativamente mais caros do que os homólogos de marcas como a Regina – uma situação, hoje em dia, mitigada pela grande variedade de oferta de produtos de Páscoa por parte da marca, mas que, numa altura em que os ovos gigantes eram uma das poucas opções disponíveis, acabava por 'matar pela raiz' o sonho de muitas crianças em receber um destes doces do 'coelhinho da Páscoa'. No entanto, qualquer ex-criança dos anos 90 (e, estamos em crer, também qualquer jovem dos dias de hoje) não hesitaria em considerar essa diferença de preço, e o investimento num destes ovos, justificado – afinal, quem não gostava (ou gostaria) de passar a Páscoa a 'empanturrar-se' de chocolate Kinder, enquanto brincava com o carrinho ou boneca Barbie que o mesmo trazia como brinde?

22.04.21

Todas as crianças gostam de comer (desde que não seja peixe nem vegetais), e os anos 90 foram uma das melhores épocas para se crescer no que toca a comidas apelativas para crianças e jovens. Em quintas-feiras alternadas, recordamos aqui alguns dos mais memoráveis ‘snacks’ daquela época.

E se em posts anteriores falámos de ‘bombas de calorias’ como o Bollycao e as batatas fritas da Matutano, hoje falamos de um alimento um pouco menos ‘nocivo’ para a saúde (embora não muito) e ainda mais delicioso: os lendários Galak Buttons.

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Quem provou, já está a salivar...

Uma variante, como o nome indica, do Galak – o chocolate branco da Nestlé, versão europeia e latino-americana do famoso Milky Bar – o conceito dos Galak Buttons era simples, e estava escarrapachado no próprio nome do produto: era o mesmo chocolate branco de sempre, só que em vez de vir em barra, era cortado em pequenas drageias. Ou, pelo menos, a Nestlé *afirmava* ser o mesmo chocolate – porque quem alguma vez comeu estes Buttons ficará, para sempre, com muitas dúvidas.

Quem fez parte desse lote de felizardos já deve estar a acenar com a cabeça, e a perceber exatamente onde estamos a querer chegar: porque o facto é que, se o Galak era bom (e era), os Galak Buttons atingiam todo um outro nível. Talvez fosse do formato em drageias, talvez fosse um truque da Nestlé para enganar as nossas papilas gustativas, mas a verdade é que os pequenos ‘botões’ de chocolate branco eram (ou pareciam) muito melhores do que o seu ‘irmão mais velho’ em formato de barra. A textura macia e suave fazia o chocolate parecer derreter-se na boca (com um ligeiro ‘refego’ nas costas da drageia que ainda ajudava mais a essa impressão) e o teor de açùcar ficava mesmo ‘no ponto’ – nem demasiado doce, como costuma acontecer com o chocolate branco, nem tão pouco doce que afastasse o público infantil, o principal consumidor do produto. Estas características, aliadas ao tamanho também ele ‘no ponto’ do saquinho, tornavam os Buttons numa experiência de guloseimas absolutamente P E R F E I T A,  e levavam a que o dito saquinho ficasse vazio ‘num ápice’, e o feliz dono do mesmo de barriga cheia, e com vontade de comer mais…

Infelizmente, tal como muitos dos ‘snacks’ visados nesta rubrica do blog, os Galak Buttons são daquelas coisas que dificilmente voltaremos a ver à venda em Portugal. Em algum ponto entre o final dos anos 90 e o presente, as deliciosas drageias desapareceram das prateleiras portuguesas, sem deixar qualquer rasto, além das boas memórias de toda uma geração. Lá por fora, o Milky Bar continua a existir, e a ser um sucesso de vendas entre miúdos e graúdos…mas não é a mesma coisa. Nem a barra, nem os Buttons sabem como aqueles que comíamos na infância, e infelizmente, tal não se deverá só às duas décadas de vida que todos temos a mais desde então – o sabor do chocolate é mesmo diferente, não permitindo assim recriar em pleno a deliciosa experiência das nossas infâncias. Bem, pelo menos temos as memórias a que nos agarrar…

E vocês? Partilham com o Anos 90 as boas memórias deste chocolate? Deixem as vossas opiniões e impressões nos comentários! Entretanto, fiquem com o filme  desenhos animados sobre o golfinho branco e o rapaz loiro que eram mascotes da Galak à época, realizado e lançado em 1971. (E sim, é 100% real…)

 

 

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